Três delações atômicas que se revelaram um traque. Mas implodiram o procurador-geral

O primeiro foi Delcídio do Amaral. Senador preso no exercício do mandato pela primeira vez desde a Constituição de 1988. Comoção nacional: tentara comprar o silêncio de um réu da Lava Jato, Nestor Cerveró. Para sair do xilindró, acusou o ex-presidente Lula de participar do complô.

Bum! A República petista, já abalada até as raízes pela Lava Jato, sofreu novo abalo. Como: Lula, a “viva alma mais inocente deste país” envolvida nesse trama?

Era tudo invencionice de Delcídio para se safar da prisão.

O acordo de delação deve ser anulado.

O segundo foi Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Ele implicou a cúpula do PMDB – Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney – numa conspiração contra a Lava Jato.

Bum! A República peemedebista quase veio abaixo. Petistas esfregaram as mãos: viram, nós estávamos com a razão; esses caras derrubaram a “presidenta inocenta” Dilma para acabar com a Lava Jato, a redenção nacional!

Era tudo invencionice de Machado para se safar da prisão.

O acordo de delação deve ser anulado.

E aí a terceira explosão – BUUUUUUUUUM!!!! -, a mais poderosa e devastadora de todas: os “reis da carne”, Joesley Batista, chefão da JBS, o grupo empresarial mais beneficiado por empréstimos subsidiados pelo BNDES nos governos Lula e Dilma, grava uma conversa com o presidente Michel Temer, que é denunciado por corrupção pelo procurador-geral da República. (Denúncia frágil por falta absoluta de materialidade.)

Petralhas e afins – vingança! vingança! – tiveram orgasmos múltiplos!

Mas era tudo muito estranho, desde o início: os irmãos Batista (Joesley e Wesley, seu sócio) estavam implicados na Operação Carne Fraca e outras falcatruas e, de repente, com esta gravação e outras – e outras mais que prometiam entregar em 120 dias –, obtiveram indulto total de seus crimes. Todos os crimes!

E no meio desse episódio surge a silhueta do ex-procurador Marcelo Miller, braço-direito do procurador-geral Rodrigo Janot, que deixara o emprego pouco antes de os irmãos Batista assinarem o acordo de delação para trabalhar numa banca que tratou do acordo de leniência da empresa.

Muito estranho…

A estranheza foi manifestada por Temer em sua defesa – Temer, que teve o mandato ameaçado pela denúncia de Janot…

E essa estranheza se materializou numa gravação de Joesley e Ricardo Saud, o “operador de propinas” da JBS, que entregam acidentalmente à PGR uma gravação da conversa de ambos em que comprometem Miller, ainda quando procurador, nas tratativas (ilegais) do acordo de delação.

A revelação robustece a defesa de Temer, ameaça severamente a delação da JBS e compromete a atuação de Janot no comando da PGR. Ele deixa o cargo em duas semanas. Triste e melancólico fim do procurador, que tentou derrubar um presidente da República e foi tapeado por aqueles em quem confiou…

Janot acolheu três delações, de proporções atômicas que se revelaram um traque.

Fica uma lição: as delações devem ser consideradas com seriedade e tratadas com parcimônia. E somente tornadas públicas quando amparadas em provas ou indícios sólidos.

Afinal, advém de “criminosos colaboradores”, como a Justiça define os delatores.

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2 comentários sobre “Três delações atômicas que se revelaram um traque. Mas implodiram o procurador-geral

  1. vilmar pinheiro da costa 6 de setembro de 2017 12:51

    Comente os 51 milhões de gedel mais a mala de Loures somadas com as prisões de Henrique Alves mais Eduardo Cunha todos aliados do honesto presidente.Quanta injustiça contra um pessoa que foi eleito democraticamente com programa de governo avaliado pelo povo.

  2. José Pedriali 8 de setembro de 2017 16:00

    Esses temas foram abordados aqui oportunamente. Nenhum deles, no entanto, se equipara em gravidade ao protagonizado por Lula e o PT, que prometeram uma revolução ética e promoverem o mais voraz assalto aos cofres públicos!

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