A encruzilhada de Doria: administrar ou fazer campanha?

A popularidade do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), está despencando: 41% aprovavam sua administração em julho, 32% agora. E crescem os descontentes com sua obstinada agenda presidencial, pois querem que ele cumpra seu mandato até o fim, ao mesmo tempo em que a maioria dos paulistanos prefere que o governador Geraldo Alckmin empunhe a bandeira do partido na corrida para o Planalto em 2018.

Escrevi aqui, no primeiro dia no cargo de Doria e Marcelo Crivella (PRB), do Rio de Janeiro, que eles davam um sinal de mau agouro ao apelar para o marketing: o paulistano juntou-se a um pelotão de garis e o segundo posou doando sangue.

Adverti: “Os paulistanos não elegeram um gari e os cariocas não escolheram um doador esporádico de sangue para administrar suas metrópoles: eles depositaram a confiança em homens que prometeram resolver seus problemas crônicos, reequilibrar as finanças, promover uma faxina ética e doarem-se integralmente aos cidadãos.”

Crivella recolheu-se a suas funções administrativas e maneirou as ações publicitárias, mas Doria usou e abusou do marketing, sobrepondo às tarefas de um prefeito a de um candidato full time à presidência. Passa mais tempo viajando do que no Anhangabaú.

A preensão de Doria dividiu ainda mais o eternamente dividido PSDB. Seu ataque no domingo ao ex-governador tucano Alberto Goldmann irou ainda mais seus opositores no partido e o distanciou de parte do eleitorado paulistano que reverencia o histórico de vida de sua vítima, que ele chamou de “derrotado”.

Inteligente, vivaz, bem-sucedido financeiramente, João Doria apresentou-se como um outsider e antônimo do lulismo e seu desastroso legado. Foi bem-vindo nesse papel, mas exagerou na dose e distanciou-se de sua base eleitoral. Se não assumir imediatamente a condição de prefeito estará sentenciando de morte sua pretensão eleitoral.

Menos marketing, menos viagens, mais trabalho senhor burgomestre!

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