Mês: janeiro 2018



E surge o maior adversário de Lula: Collor anuncia que vai disputar a presidência!

E eis que surge o maior adversário de Lula na corrida eleitoral rumo ao Planalto – alguém à altura de sua baixeza. Não, não é o ex-capitão metaleiro Jair Bolsonaro, nem o picolé de chuchu Geraldo Alckmin, tampouco o eternamente bonitinho Alvaro Dias, muito menos a fada das florestas Marina Silva: é um cara tão cara de pau quanto ele, tão ambicioso quanto ele, tão sem escrúpulo quanto ele, tão arrojado quanto ele para enfiar as mãos nos cofres públicos, tão esperto na arte da mentira: é o ex-presidente Fernando Collor de Mello, réu na Lava Jato por corrupção.

E sabem como ele justificou sua decisão? Como um estadista que só pensa no bem estar da nação: “Digo a vocês que esse é um dos momentos mais importantes da minha vida pessoal. Hoje, a minha decisão está tomada: sou, sim, pré-candidato à presidência da República”.

Collor perde para Lula, naturalmente, nos quesitos volume de roubo, condenações (não teve nenhuma) e processos a que responde – um contra seis do ex-presidente (descontando-se o encerrado por Moro, que o condenou a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro).

Há, no entanto, uma coisa que os une: ambos se dizem “vítimas de uma caçada judicial” e de um ‘golpe das elites”… Collor foi cassado por corrupção (inocentado pelo STF uma década depois), com base numa única prova: um veículo Elba. Uma esmola diante do patrimônio acumulado ilicitamente por Lula, que ele, Lula, diz ou não ser seu ou fruto do trabalho árduo de sua finada esposa como vendedora da Avon!

Se a moda pegar, temos um time da pesada para ambicionar o comando do país: Fernandinho Beira-Mar, Marcola… Por que não, diante de tantos disparates a que estamos assistindo, lançar a posteriori o mais emblemático de todos os criminosos brasileiros, Lampião? Loucura por loucura, votemos num defunto – pelo menos ele não fará mal a ninguém. (Desculpe-me, senhor Paulo Maluf, estava esquecendo do senhor, agora lembrei.)

Se é para esculhambar, esculhambe-se de vez!

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O inferno existe. Eis a prova:

Lula e Gleisi sorriem, enternecidos, com a performance homoerótica durante ato em solidariedade ao chefão petista, às vésperas do julgamento de seu recurso contra a condenação à prisão, promovido por simpatizantes em teatro de São Paulo, ontem à noite.

O ex-presidente garantiu que, condenado ou não, manterá a candidatura ao Planalto este ano e advertiu: “Mesmo se acontecer a condenação, vocês verão que eu continuarei tranquilo. A minha tranquilidade vai infernizar a vida deles” (deles quem? sobretudo da nação, anota o blog.)

A evocação ao inferno não poderia ter sido mais oportuna. A foto de Nelson Almeida, da Agência France-Presse e reproduzida pela Gazeta do Povo, é um documento valioso e único: a iluminação avermelhada, a encenação de atos obscenos, os personagens encalacrados com a Justiça, a extensa folha corrida de crimes praticados pelo PT, o recurso à mentira, ao roubo e a à ameaça como método de manutenção e reconquista do poder atestam: nunca antes na história tivemos prova tão contundente e incontestável da existência do inferno.

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Requião: candidato ao governo ou à aposentadoria?

O senador Roberto Requião tem fama de doido – daí o apelido de “Maria Louca”.

Quem sou eu, mero jornalista, para avalizar ou contestar este conceito! Resta-me, no entanto, a obrigação de registrar que os fatos reforçam essa avaliação. Comer mamona em reunião com Lula na frente dos repórteres não é coisa de pessoa lúcida. Ameaçar bater em servidor público, e também na frente das câmeras, é outro sintoma preocupante. Confiscar o gravador e entortar o dedo de jornalistas que o entrevistam é deveras preocupante. Mandar manifestantes enfiarem a faixa que o critica “no rabo” é indício de que a coisa é séria. Solidarizar-se com o regime assassino de Nicolás Maduro o põe na portaria do hospício. E defender a inocência de Lula e enaltecer do PT, bem, nesse caso, acho que despirocou de vez.

E despirocou não só pelo fato de defender o indefensável, mas por afrontar o eleitorado do seu estado, majoritariamente contrário a Lula e PT, responsáveis – em conluio com as “elites” das quais se dizem vítimas – por promover o maior saque aos cofres públicos de que se tem notícia.

O mandato de Requião está chegando ao fim. Ele está bem posicionado nas pesquisas, o que praticamente lhe garante uma das vagas. A outra tem vários pretendentes. O mais bem cotado para abocanhá-la é o governador Beto Richa. Esta vaga é ocupada por Gleisi Hoffmann, a petista incendiária, que justamente por ser o que é perdeu qualquer possibilidade de se manter no cargo (e em liberdade, pois são cabeludas as acusações de seu envolvimento com os desvios da Petrobras).

E não é que Requião, da noite para o dia – teria sido o efeito da lua, oculta pelo excesso de chuva em Curitiba? -, anuncia que não vai disputar o Senado e sim a sucessão de Richa!

A coisa muda de figura: não lhe bastam mais os 25% das intenções de voto que teria para o Senado – eleitorado que se resume basicamente ao pessoal de esquerda ou manipulado pela esquerda, como os professores da rede estadual -, mas metade dos votos mais um!

Como ele pretende cooptar o eleitorado que o rejeita por sua associação com Lula e o PT, isso é um mistério. Está mais para alucinação!

Se insistir no desvario, Requião estará assinando sua aposentadoria.

Que insista, portanto…

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Gleisi prega a luta armada para impedir a prisão de Lula

A [email protected] nacional do PT, Gleisi Hoffmann, é extremada em suas convicções, que trata como dogmas, e ai de quem a conteste! Agiu com despudor – e extrema chatice – na defesa de Dilma no processo de impeachment e tornou-se a mais fervorosa advogada de Lula. À medida que o julgamento do recurso de seu guru se aproxima – que poderá torná-lo inelegível e mandá-lo para a prisão –, a TPJ (Tensão Pré-Julgamento) que a acomete a leva a fazer declarações cada vez mais radicais – e criminosas.

No final de semana, em ato público em Porto Alegre para reforçar a candidatura de Lula à presidência, ela afirmou que a “única solução legal é a absolvição de Lula” e que eventual condenação de seu líder não será reconhecida por seu partido. À revelação de que a sede e os desembargadores que julgarão o recurso de Lula estão sendo ameaçados – até de morte – Gleisi reagiu com uma acusação gravíssima: “Estão criando uma cortina de fumaça para ocultar a falta de provas” contra Lula – tese ofensiva e grosseira. E, diante da eventualidade de Lula ter a prisão decretada, ela atingiu o cume da radicalização: “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”. Ela fez esta ameaça em entrevista ao site Poder360.

Traduzindo em miúdos: “se para prender Lula (…), vai ter que matar gente”, então haverá resistência armada à eventual ordem de prisão dele. Não há como fugir à lógica. E a lógica estabelece: Gleisi prega a luta armada para impedir a prisão de Lula.

A afirmação é a mais grave de todas feita até agora por Gleisi – e pelos petistas em geral – em relação aos processos penais a que Lula responde. Mostra não apenas sua intolerância (e do partido que preside) com o Estado de Direito, que impõe a observância da lei, mas a disposição de recorrer à violência para impedir sua aplicação.

Gleisi não fala na condição de pessoa física e sim como líder do partido que esteve no comando do país por 13 anos e quatro meses e do qual foi apeado vergonhosa e merecidamente. Sua reação é criminosa, pois embute séria ameaça à segurança pública passível de prisão. Ela incita ao recurso às armas, incorrendo assim em crime contra a ordem pública e social como prevê a lei 1.802/53. Seu crime é ainda mais grave, pois praticando em pleno exercício do mandato de senadora, que impõe – e ela firmou esse compromisso ao ser empossada – respeito à Constituição e à lei. Sua atitude recomenda a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar.

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Duas frases que atestam o caráter ditatorial de Gleisi

Intolerância ao contraditório e incapacidade de reconhecer o erro e, portanto, de corrigi-lo são algumas características dos ditadores.

A senadora e [email protected] nacional do PT, Gleisi Hoffmann, cometeu a gafe de interpretar, em postagem numa rede social, uma faixa de apoio a um torcedor ferido num confronto entre torcidas (Forza Luca), exposta durante um jogo na Alemanha, como sendo de solidariedade ao ex-presidente Lula (Forza Lula).

Confrontada com a realidade, apagou a postagem, mas não se deu por vencida: atacou quem havia exposto sua pisada de bola – a Gazeta do Povo. “Sacanagem é esse tabloide virtual de quinta categoria ficar sacaneando (sic). Confundidos são vocês que fazem jornalismo por encomenda!”

Duas frases, apenas duas – e elas atestam, peremptoriamente, o caráter ditatorial de Gleisi Hitlermann!

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Julgamento de Lula expõe violência e cinismo dos petistas

Que cínicos são esses petistas: ameaçam a integridade física dos desembargadores e as instalações do TRF da 4ª Região e acusam o presidente do órgão, Carlos Eduardo Thompson Flores, que denunciou as ameaças, de estar se “vitimizando” e pregando o “ódio”!

Explico: o TRF julgará daqui a dez dias o recurso de Lula à condenação por corrupção e lavagem de dinheiro imposta pelo juiz Sergio Moro, que o sentenciou a nove anos e seis meses de prisão. Com a proximidade da decisão que definirá o futuro político de Lula (e do país) e lhe abrirá as portas da prisão – pois a condenação será mantida -, a pressão sobre os desembargadores que compõem a 8ª Turma está se intensificando.

A pressão foi deflagrada por Lula, que afirmou que “minha condenação será a prova de que não há justiça neste país”. O príncipe dos petralhas José Dirceu convocou seus súditos a “ocupar” Porto Alegre, sede do tribunal, para manifestar seu “ódio”, “revolta” e fúria” e a [email protected] nacional do PT Gleisi Hoffmann afirmou, categoricamente: “Estão (o TRF) fazendo uma cortina de fumaça (ao denunciar as ameaças) para ocultar a falta de provas (contra Lula)”. Para ela, a “única solução legal é a absolvição de Lula”. Se a condenação dele for mantida, “não a reconheceremos”, sentenciou a “Amante”, alcunha de Gleisi no setor de propinas da Odebrecht.

Em encontro com três deputados petistas na sexta-feira, que o reprovaram por ter afirmado que a sentença de Moro é “irretocável” (“ele nem a leu”, desdenhou Gleisi), o presidente do TRF relatou as ameaças que os desembargadores estão sofrendo. Alguns tiraram os filhos do Estado e a segurança do tribunal foi reforçada após as ameaças, segundo ele.

A reação dos petistas foi manifestada no dia seguinte, durante ato (“esvaziado”, segundo a Folha de S.Paulo) em defesa da candidatura de Lula à presidência, chefiado pela “Amante”. “Não basta denunciar, tem de mostrar as provas”, esgoelou-se o ex-ministro Alexandre Padilha ao comentar a denúncia do presidente do TRF.

O cinismo integra a índole petista, composta, entre outras perversidades, pela propensão à mentira, arrogância, incapacidade de aceitar o contraditório, apego desmesurado ao poder e suas benesses e truculência em relação ao adversário. Quando o adversário os denuncia, eles o acusam de “vitimizar-se” e “pregar o ódio” – tal como fizeram com o desembargador Flores.

As ameaças aos adversários são recorrentes e se tornaram uma epidemia no julgamento do mensalão, quando Joaquim Barbosa, relator do processo, tornou-se alvo preferencial da indignação dos petistas por terem sua índole criminosa esmiuçada cirurgicamente pelo ministro. Ele foi agredido verbalmente nas ruas e recebeu uma avalanche de ameaças. Algumas foram identificadas e apontaram seus autores: todos petistas! No decorrer da Lava Jato, as ameaças se voltaram contra os delatores, integrantes da força-tarefa e principalmente o juiz Moro.

No encontro com o desembargador Flores, os deputados petistas advertiram: a petezada estará “de cara limpa” e , se houver violência, será de responsabilidade de “mascarados” e “infiltrados”. Ou seja, já anteciparam o que acontecerá: a petezada vai quebrar o pau quando sair (e sairá) a confirmação da condenação de Lula e culparão os adversários “infiltrados” por ela…

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Novo IPTU cava um abismo sob os pés de Belinati

Os londrinenses estão revoltados com o prefeito Marcelo Belinati: o valor do IPTU, cujos carnês começaram a ser entregues este semana, subiu em média 100% e há casos de mais de 500%. E isso é apenas uma amostra do que vem pela frente, pois a alíquota subirá gradativamente até 2024.

O aumento do IPTU foi acompanhado do da taxa de coleta de lixo. O pátio de atendimento da Prefeitura lotou de contribuintes indignados e em busca de esclarecimento, há protesto programado para amanhã e um grupo, comandado por um candidato derrotado à Prefeitura e com apoio de advogados, busca uma saída judicial.

Ela existe, é claro, e a cidade do Rio de Janeiro é um exemplo, lembra o advogado Eduardo Duarte Ferreira. O Tribunal de Justiça suspendeu liminarmente em dezembro o reajuste da planta de valores sob a alegação de que afronta a crise econômica nacional, que reflete severamente sobre a renda, emprego e qualidade de vida, e a situação de calamidade das finanças públicas do estado e da capital fluminense. O aumento, na opinião dos desembargadores, é confiscatório por ultrapassar a capacidade de pagamento do carioca, ferindo assim o princípio da razoabilidade.

A planta de valores dos imóveis não era reajustada no Rio desde 1997. Em Londrina, desde 2001. Ressalve-se que no caso de Londrina (não tenho informações sobre o Rio), o valor do IPTU vinha sendo corrigido acima da inflação. A taxa de coleta de lixo em Londrina também sofreu forte reajuste. A Prefeitura alega que subsidiava o o serviço e resolveu dar um basta na sangria.

O caminho jurídico, portanto, está aberto e o caso carioca estimula a ser trilhado. A atual administração forneceu, sem querer, um forte argumento para sua adoção: no ano passado, e ainda com os valores antigos, recorreu ao Profis diante da enorme inadimplência desse tributo. Ou seja, o contribuinte já demonstrava incapacidade de pagamento.

O prefeito Belinati abriu um abismo sob os seus pés. O contribuinte julgou-se enganado, pois o processo de votação do reajuste da planta de valores pela Câmara de Vereadores, feito em regime de urgência, não teve a transparência exigida para casos como esse. Nem os vereadores tiveram acesso às projeções sobre o efeito do reajuste sobre o valor venal do imóvel e consequente tarifa do IPTU (o sistema da Prefeitura coincidentemente travou). Estão de cabelos em pé, pois estão na linha de tiro, e pressionam o prefeito para recuar, em vão. Para não se mostrar de todo insensível, Belinati acena com a possibilidade de fazer um retoque aqui, outro acolá – mas com vigência somente a partir do ano que vem.

Se o caminho jurídico é viável, o político também – e este talvez mais eficiente que o primeiro. Se se efetivar a ameaça, que ganha corpo entre os contribuintes, de um boicote coletivo ao pagamento, não restará alternativa a Belinati: ele terá de ceder por meio de um Profis generoso ou pela revogação da lei.

Seja qual for a decisão, o abismo continuará aberto sob seus pés. Belinati cometeu o mais grave dos erros: traiu a confiança dos eleitores, que agora se somam a seus desafetos.

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Um sábado agourento para Lula e o PT

O PT realizou hoje em todo o país atos em defesa da candidatura de Lula à presidência como parte da estratégia de pressionar o TRF da 4ª Região a absolvê-lo no dia 24, quando julgará o recurso da defesa do ex-presidente contra sua condenação à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

A mobilização do PT foi um fiasco de Norte a Sul, Leste a Oeste.

Em Porto Alegre, epicentro do movimento por ser a sede do TRF, a [email protected] nacional do partido, Gleisi Hoffmann, desfilando com seu modelito prêt-à-porter descontraído porém impecável e elegantérrimos óculos de sol, deu a senha: “A única solução do ponto de vista legal (para o recurso de Lula) é sua absolvição”. Ela antecipou, assim, que seu partido não reconhecerá a eventual (e certa) reiteração da condenação do ex-presidente.

O fracasso da manifestação em Porto Alegre foi registrado pela Folha de S.Paulo. O jornal não estimou o número de participantes do ato público, afirmando apenas que foi “esvaziado”, mas em Maringá, uma das principais cidades do Paraná, o PT passou vexame, registra o portal de O Diário. Ato realizado na Câmara de Vereadores reuniu 400 petistas & afins. Para marcar a dicotomia desse grupo em relação à sociedade, opositores de Lula promoveram uma manifestação a poucos metros dali, na Catedral. A PM estimou que 1,5 mil pessoas se manifestaram contra Lula – quase quatro vezes mais que seus apoiadores.

Moral da história: a “narrativa” mentirosa que o PT construiu sobre a “caçada judicial” a que seu líder se diz vítima só é aceita por seus obtusos seguidores. Este sábado, que o PT e Lula esperavam apoteótico, revelou-se premonitório do desastre que se aproxima…

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Não soube, senhor Belinati, do desastre que se deu?

Ao prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, dedico esta singela e nada original poesia*, na esperança de que seu espírito cristão o induza a rever o aumento estapafúrdio do IPTU, que começa na faixa dos cem por cento; a partir daí o céu é o limite…

Não soube, senhor prefeito
Do desastre que se deu?
O IPTU saiu do seu jeito
E o povo todo se f…

Seja rico, remediado
O pobre principalmente
Todos foram esfolados
Pelo imposto inclemente

Não era só para corrigir
As injustiças da Palhano?
O pagamento vai consumir
A economia de todo o ano

Ainda há tempo de anular
Essa dura, cruel taxação
O povo vai comemorar
E o senhor ter a reeleição

Mas se disser que não
E na cobrança persistir
Saberemos que há uma pedra
No lugar do seu coração.

* Inspirada na poesia do vereador Mario José Romagnolli destinada a cobrar do prefeito Hugo Cabral (1947-51) que tapasse um buraco de rua no qual havia morrido um trabalhador:

Não soube, senhor prefeito
Do desastre que seu deu?
No buraco de uma rua
Um pobre homem morreu

O homem era bem pobre
Lutava com sol, com chuva
Deixa filhos e filhas
E uma pobre viúva

Tudo isso pode se dar
O destino é sempre certo
Não justifica porém
É deixar o buraco aberto

Se outra morte acontecer
Por falta de sua atenção
Saberei que existe uma pedra
No lugar do seu coração.

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Lula desiste do que nunca pretendeu: ir a Porto Alegre

O ex-presidente Lula, a “viva alma mais honesta deste país”, não irá a Porto Alegre acompanhar, no dia 24, o julgamento de seu recurso contra a sentença de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção imposta pelo juiz Sergio Moro.

A informação é atribuída pelo Estadão ao líder do PT na Câmara, o gaúcho Paulo Pimenta. Segundo ele, como o TRF não respondeu aos dois pedidos da defesa de Lula para que ele possa depor durante o julgamento – pedido mais que esdrúxulo, pois depoimentos e coleta de provas fizeram parte da etapa anterior -, “não tem sentido ele ficar lá olhando”, resumiu candidamente o deputado.

A verdade, senhoras e senhores, companheiros e companheiras, é bem outra. Os pedidos para Lula depor integram a estratégia de constranger a Justiça e martelar a tecla de que o ex-presidente é vítima de uma “caçada judicial” (lawfare) para que não possa retomar o comando do país, e assim “devolver os direitos retirados dos trabalhadores pelo governo golpista”, etc. etc. A velha cantilena de sempre, agora com uma camada extra de óleo de peroba.

Lula nunca pensou em ir ao julgamento de seu recurso, convenhamos. Pois, se a sentença de Moro for convalidada – e será -, ele estará na iminência de ser preso. Se a decisão dos desembargadores for unânime, a ordem de prisão poderá ser dada ali, na presença dele. Nem morto ele correria esse risco – de sair do tribunal e ir direto para a prisão -, mesmo que sua condenação esteja sujeita a uma série de recursos. Aconteceria com ele, nessas circunstâncias, o mesmo que a José Dirceu, “guerreiro do povo brasileiro”: condenado em primeira instância, foi para o xilindró, onde aguardou mais de um ano para obter liberdade condicional. Seu recurso ao TRF foi negado, mas ele continua em liberdade (com tornozeleira), enquanto aguarda a definição dos recursos.

Ele não poderia, pelo menos, como fez em Curitiba após depor diante de Moro, promover um comício em praça pública? Ora, ora, nesse caso ele também estaria sujeito a ser algemado caso a decisão dos desembargadores for unânime.

A ida de Lula a Porto Alegre não passou, portanto, e desde quando passou a ser aventada, de mais um capítulo da enciclopédia de sua autoria que resume sua vida: “A arte da malandragem”.

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