A ousadia de Alvaro Dias aos 50 anos de vida públilca

O senador Alvaro Dias está completando 50 anos na vida pública. Nesse período, quando não exerceu mandato eletivo, ocupou alguma função pública (acho que isso aconteceu apenas uma vez, e por pouco tempo, quando presidiu a extinta Telepar).

Começou como vereador em Londrina, eleito em 1968, foi deputado estadual, federal, governador por um mandato, senador reeleito. Na última eleição, fez 77% dos votos. Um massacre! Começou no MDB, hoje está no Podemos depois de colecionar siglas partidárias. A anterior foi o PSDB.

Alvaro escolheu o 50º aniversário de vida pública para atingir a meta mais ambiciosa de sua carreira: a presidência da República.

Haja ambição nesta meta!

Currículo, disposição (tem 72 anos e corpinho de 50), oratória, senso de oportunidade e exposição pública não lhe faltam. Não lhe falta também o quesito considerado o mais importante pelo eleitorado (exceto o disposto a votar em Lula) para um candidato: a ficha limpa. Nunca recebeu qualquer condenação por improbidade ou corrupção. O PT, do qual o senador é um adversário ostensivo, fez o diabo para manchar sua biografia. Em vão.

Falta-lhe, no entanto, apelo popular. Sua (pré-)candidatura foi lançada há cerca de um ano, desde então ele vem percorrendo o país, expondo-se na mídia o mais que pode e… não passa, quando muito, dos 5% das intenções de voto.

OK, a disputa – talvez a mais antecipada de todos os tempos – está polarizada entre Lula, a “viva alma mais honesta deste país”, e Jair Bolsonaro, que trocou a farda pelo terno de deputado sem jamais se despojar do comportamento militar e do espírito autoritário. Outros pretendentes à presidência, como Geraldo Alckmin, enfrentam o mesmo problema (embora o tucano tenha se apresentado para o desafio há poucas semanas). Os candidatos ditos “de centro” amargam o purgatório enquanto os “extremistas” Bolsonaro (representante da direita radical) e Lula (neste caso, da extrema corrupção, mentira e cara de pau) fazem voo de cruzeiro.

O voo de Lula será interceptado no dia 24, quando o TRF convalidar a sentença do juiz Sergio Moro, que o condenou à prisão por corrupção. Esta será a data da largada oficiosa da campanha eleitoral deste ano, que, além da mais antecipada, será também a mais sórdida, pois a candidatura de Lula, a depender do que bradam os petistas, será mantida mesmo assim. Mesmo que ele vá a prisão! Teremos, assim, pela primeira vez, um presidiário disputando o poder máximo da nação. Que maravilha: o homem que ascendeu à presidência em 2002 prometendo uma cruzada implacável contra a corrupção estará condenado por corrupção e tentando, de todas as formas, reaver o poder que utilizou criminosamente para enriquecer e aos aliados. Só mesmo no Brasil!

O abate de Lula dará mais autonomia e impulsão ao voo de Bolsonaro? Eis a questão: Lula estará eleitoralmente morto e, enquanto a Justiça Eleitoral não emitir o atestado de óbito, passará aos eleitores a ideia de que está saudável. Os estertores de Lula, sim, darão alento à candidatura de Bolsonaro, mas em que medida? E em que medida outros candidatos serão beneficiados por essa situação esdrúxula, surreal, digna de um roteiro de filme trash?

As candidaturas alternativas a esses extremos tenderão a crescer após a decisão do TRF, seja quais forem as ações de Lula para retocar suas feições cadavéricas. É nisso que Alvaro deposita a esperança, quando, então, terá que se impor – e as dificuldades serão muitas, a começar pela fragilidade do seu partido – aos que disputam com ele a condição de “centrista”. Centro contra o centro, centro contra os extremos, extremos contra todos, Lula contra a Verdade e a Justiça: 2018 será um ano inesquecível!

Há 50 anos, quando Alvaro deu o primeiro passo na vida pública, o Brasil vivia num regime militar e sob a ameaça dos grupos armados de extrema esquerda. Hoje, sua maior ameaça é vir a ser governado por um saudosista do regime militar e defensor público da tortura ou pelo chefe da maior organização criminosa de que se tem notícia.

A missão de Alvaro, assim como dos demais pretendentes à presidência, é impedir essa tragédia. Amém.

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Um comentário sobre “A ousadia de Alvaro Dias aos 50 anos de vida públilca

  1. Rivaldo Ribeiro 11 de janeiro de 2018 12:47

    a mancha dos cavalos contra os professores, isso sempre existirã !

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