Lula preso. O Brasil está de volta ao futuro

Sete de abril de 2018, 18h42: Lula deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, para se entregar à Polícia Federal e, quatro horas depois, chegou a Curitiba para iniciar o cumprimento da pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. É o primeiro ex-presidente condenado por tais crimes. Éo primeirol ex-presidente a ir para a prisão por vias legais.

Sete de abril de 2018, 18h42: o Brasil estava de volta ao futuro que, desde sua fundação, em 1981, o PT de Lula sonegou, tentando, ainda na sua infância, implodir o processo de reconstrução nacional – político, econômico e social – proporcionado pelo desmoronamento do regime militar.

O PT votou contra Tancredo Neves em 1985 no Colégio Eleitoral; sabotou o quanto pôde a Constituinte, insurgiu-se contra o Plano Real, fez o diabo para impedir as reformas estruturais do governo FHC e, uma vez no poder e após usufruir quase oito anos da bonança advinda deste plano, da explosão dos preços das commodities e da vitalidade da economia internacional, dilapidou os recursos públicos. E o fez por meio da expansão irracional dos gastos públicos, agigantamento do estado, concessão de subsídios e empréstimos subsidiados aos grandes grupos econômicos (as “elites” que diziam combater) e corrupção generalizada e sistematizada.

Desde sua fundação, o PT convulsou a harmonia social com a divisão entre “nós” e “eles” – que são todos quanto se opõem ou opuseram ao seu modus operandi e projeto de poder ilimitado -, processo que chegou ao auge quando Lula conquistou a presidência da República e ramificou-se nos sindicatos, escolas, universidades, todos aparelhados pelo partido.

O PT foi deposto do poder por causa do desastre administrativo de Dilma Rousseff num processo pautado pela Constituição, mas classificado de “golpista” pelo partido – o mesmo partido que tomou a linha de frente pelo impeachment de Fernando Collor, consumado pelo mesmo método aplicado a Dilma. Collor, o adversário do passado – assim como Maluf, Barbalho, Sarney, que o partido classificava de retrógrados e corruptos – tornaram-se “amigos desde criancinha” do PT e sócios do butim que aplicou à Nação.

Nunca um homem de origem tão humilde chegou tão longe, prometeu tanto, encantou tantos e traiu tanto e tantos. Lula, o líder mais popular e populista desde Getúlio, não deixou como seu antecessor – a CLT, entre outras realizações – um legado perene. O que deixou? Um programa assistencialista copiado de FHC que Dilma comprometeu severamente com sua administração desastrosa, da qual resultou um déficit recorde nas contas públicas e a mais profunda e prolongada recessão do período republicano. E as estatais espoliadas pela corrupção que comandou.

Lula chegou ao poder prometendo uma cruzada ética e promoveu um gigantesco, organizado e sem precedente saque aos cofres públicos. Manteve e ampliou as relações espúrias do Executivo com os demais poderes – corrompendo o Legislativo e aparelhando o Judiciário. Fez do Estado um apêndice do partido. Transformou a política externa em balcão de negócios para o partido e seus líderes, comprometendo severamente a imagem do país, que, de gigante, reduziu-se a um “anão diplomático”, segundo a chancelaria israelense. E criou, para enfrentar a imprensa livre, o mais amplo programa de disseminação de notícias falsas, calúnias e ameaças a seus adversários por meio da internet e de publicações amigas. Todos regiamente pagos com recursos públicos.

Lula está confinado numa cela da PF de Curitiba há nove duas. Seu silêncio reboa de norte a sul, leste a oeste como a Sinfonia da Esperança: há sete dias o Brasil recuperou a liberdade, deu as costas ao passado e passou a caminhar rumo ao futuro.

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