Greve dos caminhoneiros revela poder de articulação de Cida Borghetti

Prestes a completar dois meses no cargo – que assumiu em 6 de abril com a renúncia de Beto Richa para disputar o Senado -, Cida Borghetti enfrentou o maior desafio de seu governo: mitigar os efeitos da greve dos caminhoneiros.

Enfrentou-o e saiu-se muito bem.

A greve provocou uma guinada em sua agenda: as audiências palacianas com diretores de órgãos públicos, solenidades com comitivas de prefeitos para anunciar liberação de recursos e visita aos municípios com a mesma finalidade foram abruptamente substituídas por reuniões com o staff da segurança pública.

Da primeira, ocorrida na quinta-feira 24, resultou a liberação de cargas estratégicas – insumos para hospitais, remédios, ração animal, etc.-, que seriam identificadas com adesivos da Defesa Civil afixados no parabrisa dos veículos. Na sexta-feira, quando cumpria agenda oficial no Noroeste, Cida esteve num bloqueio de rodovia PR-317 para conversar com os caminhoneiros.

A intensificação do movimento, no entanto, levou-a a convocar uma reunião de emergência na tarde de domingo, no Palácio Iguaçu, com uma equipe ampliada: segurança, articulação política (Casa Civil) e direção de órgãos estratégicos. E Polícia Rodoviária Federal.

As reuniões continuaram na segunda, terça e quarta-feira, envolvendo também empresários e representante de caminhoneiros. Obteve-se, então, entre outras conquistas, a liberação de combustível da refinaria de Araucária. Ao mesmo tempo, autoridades municipais e órgãos públicos estaduais lotados nos municípios eram mobilizadas pela Casa Civil, por meio de seus escritórios regionais, para garantir o abastecimento básico da população.

O governo do Paraná não podia oferecer muito, já que as reivindicações dos caminhoneiros exigiam decisões do Palácio do Planalto, mas Cida cedeu o que estava ao seu alcance. A redução da base de cálculo do ICMS sobre o diesel foi uma das concessões – o Paraná é um dos estados que menos taxam esse combustível.

Diálogo, mas firmeza na cobrança dos acordos, pautou a conduta da governadora, que, contrariando decisão do governo federal, que autorizou o Exército a agir com dureza, não permitiu ações violentas contra os caminhoneiros. O comandante do destacamento da Polícia Militar de Ponta Grossa foi afastado porque usou da força para dispersar manifestantes.

A greve dos caminhoneiros revelou que o Paraná tem uma governadora que sabe mesclar o ritual palaciano com a tomada – correta – de decisões estratégicas. Cida sai maior, muito maior, do que quando entrou nesse conflito.

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