Brasil, o país do futuro que só consegue almejar o passado

Descrente das instituições, decepcionado com a classe política, o brasileiro quer mudanças. Mudanças radicais.

Quer algo “novo”, sentimento que se manifestou nas ruas em 2013, deflagrado pelo aumento da tarifa do transporte coletivo mas embalado pelo descontentamento com o (des)governo de Dilma Rousseff – que viria a se reeleger. E voltou à carga em 2018, com a gigantesca paralisação dos caminhoneiros contra o impopular governo Temer e sob o bafejo da intervenção militar.

O brasileiro se insurge contra a corrupção, os políticos inescrupulosos, a crise econômica. Quer pagar menos impostos e um estado mais eficiente. Quer menos violência e maior participação da cidadania. O descontentamento é amplo, geral e irrestrito.

A cinco meses da eleição presidencial, as pesquisas de opinião apontam como líder um presidiário que instituiu, quando no comando do país, o mais voraz e estruturado esquema de corrupção que vigorou no governo da sucessora; na segunda posição, um representante da ditadura militar que raciocina como um reco (recruta); na terceira, originária das entranhas da Amazônia, uma incógnita em constante involução que se comunica por raciocínios hiperbólicos. O restante dos pretendentes – alguns com ampla bagagem administrativa – patina abaixo dos cinco pontos. E na disputa pelo Senado, os mineiros se arvoram em torno da candidatura do mais incapaz e desastroso chefe de Estado – talvez do mundo, a mulher que foi deposta da presidência antes que transformasse o Brasil numa paupérrima Venezuela. E, em Alagoas, a mais genuína expressão do coronelismo tem a vaga assegurada para continuar traficando influência e propina.

Esse é o “novo” que as pesquisas consagram até o momento, o que faz do Brasil o país eternamente do futuro que só consegue almejar o passado.

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