Osmar Dias e a Síndrome de Kátia Abreu

Osmar Dias (PDT) apressou-se a negar, na terça-feira, por meio de um blogueiro amigo, ter selado a aliança com Roberto Requião (PMDB) para as eleições deste ano: ele, para governador, o outro para renovar o mandato de senador.

Mas o acordo fora sacramentado na véspera, na casa do deputado federal João Arruda, sobrinho de Requião, e com dezenas de testemunhas.

O acordo parira até um filho biônico, Maurício Requião (irmão do senador; eita família grande!), ungido vice na chapa de Osmar.

Osmar está praticamente sozinho na disputa pelo Palácio Iguaçu – só dois partidecos insignificantes resolveram fechar com ele até agora -, então como explicar a hesitação em assumir o caso com Requião, que lhe dará não apenas amor, mas um partido forte e estruturado e com bom tempo na tevê?

Não foi a primeira vez que ele se fez de difícil, recusando trocar publicamente alianças com Requião. O senador, pouco tempo atrás, chegou a anunciar o casamento, mas Osmar o deixou só no altar. Seu desmentido não teve a ênfase necessária para sepultar o casório, sinalizando que o amor perdura, mas, por enquanto, uma das partes não está disposta a formalizar a relação.

Ocorre que Osmar e Requião, principalmente este, carregam um peso morto nas costas: o apoio a Lula e ao PT e, consequentemente, à mulher mais odiada no momento, a presidente nacional do partido e conterrânea Gleisi Hoffmann (o ódio a Dilma minguou depois de sua deposição e hoje ela é mera figura caricata). Gleisi está na iminência de ser condenada pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro e em breve terá a oportunidade de se solidarizar de corpo – de mente e alma é o que tem feito até o momento – com seu líder e guru Lula.

O apoio que deram (no caso de Osmar) e dá (no de Requião) é muito bem quisto pelos petistas – mas só por eles e o magote de aliados, sindicalistas sobretudo. O restante do eleitorado – beirando 90% segundo as últimas pesquisas – rejeita visceralmente o PT e todos os que abraçaram ou abraçam o partido.

Se disputar sem Requião, Osmar terá de enfrentar essa rejeição; se sair ao lado dele, terá mais tempo de exposição, mas acumulará a rejeição do seu apoio ao PT com a rejeição do eleitorado a Requião pelo mesmo e outros motivos.

A segunda negativa de Osmar em admitir a aliança com Requião ocorreu dois dias depois do fim da eleição no Tocantins, onde a ex-senadora Kátia Abreu, favorita a conquistar o mandato-tampão de governadora, despencou do primeiro ao quarto lugar após Gleisi divulgar vídeo em que lia carta de apoio de Lula à candidatura dela.

No caso de Osmar, nem é necessário que a presidente do PT e seu guru repitam a estupidez: basta que, no transcurso da propaganda eleitoral, sua vinculação ao PT seja exposta para reavivar a lembrança do eleitor. E se estiver de braços dados com Requião, o abalo sísmico em sua candidatura será ainda mais intenso.

Eis o dilema de Osmar: caminhar só ou (mal) acompanhado para o cadafalso?

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