Datafolha revela: maioria dos eleitores é sadomasoquista

O governo Lula tratou a economia da mesma forma que os militares de 1964: aproveitou-se da bonança internacional para investir prioritariamente em projetos sociais (Lula) e infraestrutura (os segundos). Terminada a bonança – a crise de 2008 com Lula e a do petróleo, em 1973, com os milicos – foi um deus-nos-acuda.

Dos militares herdamos estatais fortes, obras de infraestrutura de porte concluídas – e uma baita inflação, déficit público descomunal, dívida externa; de Lula, sua maior herança foi o desastre chamado Dilma Rousseff, que concluiu a obra do padrinho: uma crise econômica sem precedentes, dívida pública colossal, desemprego histórico e o desmonte das estatais por má gestão, uso político e corrupção.

Os militares, descontados casos avulsos, nos legaram o respeito ao patrimônio público. O lulopetismo, uma crise ética sem precedentes baseada no princípio de que o patrimônio público deve ser usado para a perpetuação no poder e enriquecimento individual.

A comparação é superficial, evidentemente, mas sintetiza as conquistas e heranças malditas dos dois períodos políticos mais emblemáticos da história recente, o militar e o dito “popular”, este o primeiro a ser comandado por um retirante nordestino, sem formação acadêmica, mas PhD na arte da malandragem.

O regime militar – ou ditadura militar, como queiram os leitores – desperta nostalgia em consequência do desastre lulopetista. Seus adeptos expressam-se em duas correntes: a dos que defendem o golpe de Estado e os que se dispõem a eleger o ex-capitão de Exército Jair Bolsonaro (que se comporta como instrutor de recos) para militarizar as ações de governo.

A distância cronológica do Brasil de hoje com o dos milicos de 1964 explica em parte a adesão ao neomilitarismo. O tempo de encarrega de embotar, ou mesmo apagar, as más recordações e ressaltar as boas, ou vice-versa, conforme a perspectiva de quem o analisa. Os defensores dos militares conservam apenas a lembrança da bonança econômica e omitem as consequências da farra promovida com empréstimo externo e a face mais perversa do regime: a violação aos direitos humanos, a tortura, os assassinatos.

Não se pode aplicar esta atenuante aos que defendem a volta de Lula ao poder. Dilma foi deposta em 2016, mas o ciclo lulista permanece (melancolicamente) com Michel Temer, seu sucessor. Ele participou da conspiração que a retirou do cargo, alterou radicalmente – para o bem geral da nação – a condução da política econômica, mas fez parte – e importante – de seu governo, ao levar o PMDB para apoiar e se locupletar dos desmandos e do saque promovidos pelo PT.

É escalafobético, portanto, que o ex-presidente Lula, que cumpre pena em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro, além de responder a outros seis (ou sete) processos penais, lidere as pesquisas de intenção de voto para voltar à presidência da República.

Está impedido legalmente de participar de tal aventura, mas sua imagem está impregnada na consciência dos que o apoiam – que são os desesperançados do Nordeste e a “elite” acadêmica e sindical – a ponto de surgir para estes como o Messias, o único capaz de devolver o país ao caminho da prosperidade. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 32% dos eleitores o apontam como o detentor da fórmula da salvação nacional, embora o que ele prometia antes de ser preso é repetir o mesmo procedimento que conduziu o Brasil ao fundo do poço.

Segundo a pesquisa, Bolsonaro, o instrutor de recos, que não tem experiência administrativa – além de gerenciar seus bens e supervisionar a folha de servidores de seu gabinete, que inclui funcionários particulares -, é considerado por 15% dos eleitores a boia da prosperidade.

Esta pesquisa revela que, além de desmemoriados ou cegos diante dos fatos, esses 47% de eleitores são sadomasoquistas: adoram sofrer e impor sofrimento aos outros. E a eles se somam 7% que veem a luz do fim do túnel na silvícola Marina Silva, a incógnita em constante evolução.

Diante deste diagnóstico, só nos resta esperar – e torcer – para que os 46% restantes impeçam o suicídio coletivo.

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3 comentários sobre “Datafolha revela: maioria dos eleitores é sadomasoquista

  1. maso 26 de junho de 2018 17:20

    O STF vem testando o povão! Solta um, solta outro, e agora soltaram um graúdo. O Zé Dirceu é o test-drive pra soltura do Lula. Com o circo em andamento tudo parece um mar de almirante. Lula saíra loguinho por jurisprudência, É o que parece.

  2. A.Cestare 27 de junho de 2018 22:11

    Eu gostaria de saber qual é o candidato a presidência de vossas excelências que fazem comentários ….tanto do Jornalista do blog quanto dos comentaristas … porque não sei em quem votar ……..não adianta dizer que são imparciais…..pois a criticar deixam de ser imparciais…..me diga o nome…realmente estou em duvidas ……

  3. José Pedriali 3 de julho de 2018 13:44

    1. o sigilo do voto é garantido pela constituição; 2. imparcialidade não é sinônimo de conivêrncia com os erros alheios; 3. saudações.

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