Aleluia: Requião faz, enfim, um gesto de amor

Quem diria: o senador Roberto Requião (MDB de filiação, petista de coração) fez, pela primeira vez em sua vida pública – pautada pela traição aos companheiros e por palavras e ações duras contra quem lhe cortar o caminho -, um gesto de amor: ajudou a governadora Cida Borghetti (PP), líder da coligação em que estão seus principais antagonistas, a começar pelos tucanos, a ganhar tempo e enfrentar um segundo turno.

A entrada na disputa pelo Palácio Iguaçu de seu sobrinho, o deputado federal João Arruda, também emedebista, formalizada domingo à noite, ocupa o vazio deixado pelo ex-senador Osmar Dias (PDT), que renunciou abruptamente à candidatura.

Osmar ocupava a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto> O deputado estadual Ratinho Júnior (PSD) está consolidado na liderança e com folgada vantagem sobre Cida. Osmar era considerado decisivo para empurrar a disputa para o segundo turno.

Cida começou a projetar seu nome ao assumir o governo do Paraná, em 6 de abril, com a renúncia de Beto Richa para disputar uma vaga no Senado, enquanto Ratinho está em evidência desde que obteve a segunda colocação na disputa pela Prefeitura de Curitiba, em 2012, fazendo em seguida a maior votação para um deputado estadual da atual legislatura.

Ratinho foi secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano por no governo de Beto Richa, função que lhe deu, além de visibilidade, condição de articular apoio de prefeitos, vitais numa disputa para o governo estadual. Cida assumiu como vice-governadora em 2014 e, como tal, manteve-se à sombra do titular. Ela teve, portanto, pouco tempo para se apresentar ao eleitor. Uma eleição em apenas um turno seria fatal para ela. O prolongamento da campanha e o embate com um único adversário – e este tende a ser Ratinho – muda radical e positivamente suas perspectivas.

E aí é que entra Requião. Foi ele o articulador da candidatura do sobrinho, que catalisará os votos da esquerda e centro-esquerda, insuficientes, no entanto, para levá-lo ao segundo turno (ressalve-se que a matemática e a lógica costumam ser as vítimas principais das urnas…). Será, assim, um instrumento valioso para Cida.

Ressalve-se também que o gesto de amor do senador não é altruísta. Visa, acima de tudo, à sua reeleição, pois tendo Arruda como cabeça de chapa formou a terceira maior coligação (o PDT do finado Osmar é um dos partidos que a integram). Há duas vagas em disputa no Senado, e do outro lado da trincheira de Requião estão Richa e o deputado federal Alex Canziani, ambos da coligação de Cida, os mais fortes rivais do emedebista numa plêiade de 14 pretendentes ao cargo.

O combate vai ser duro para Requião. E decisivo: aos 77 anos, a derrota sentenciará sua aposentadoria.

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