Mês: novembro 2018



Continência de Bolsonaro enfurece esquerda que se ajoelhou diante de ditadores

Reproduzo comentário do blog BR18, do Estadão, e comento em seguida:

Até quando fica de boca calada, Jair Bolsonaro provoca a ira da esquerda. A última do presidente eleito que enfureceu as hostes do PT e seus aliados foi ter prestado continência ao encontrar o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton. Entre os que estão reclamando da suposta “subserviência” do presidente eleito ao americano, estão Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, Lindbergh Farias, Ivan Valente, Humberto Costa, dentre outros.

Pois bem: Bolsonaro tem mesmo essa mania, herdada dos tempos de quartel, de bater continência a um interlocutor ilustre. Procedeu assim ao encontrar-se com a procuradora-geral Raquel Dodge. Deve fazer o gesto ao acordar, deitar, olhar-se no espelho, etc.

É um gesto espontâneo, que em algumas ocasiões não pega bem. Como hoje, ao receber o secretário de Segurança dos EUA.

Mas a esquerda não tem motivo para censurá-lo. Melhor seria ter se calado para evitar a comparação: o governo do PT ajoelhou-se diante das ditaduras da África e América Latina e financiou-as com dinheiro público subsidiado em troca de propina.

Evo Morales confiscou as refinarias e postos de distribuição da Petrobras, e Lula se calou. No último dia de seu governo desastroso, Dilma Rousseff vendeu os ativos da Petrobras na Argentina a preço de banana.

A lista é longa!

É melhor, portanto, ter um presidente que comete o pecado venial de bater continência do que um que dilapida o patrimônio público para obter vantagens para o seu partido e si próprio.

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Eduardo, o aspone do papai Jair

Uma das inovações mais esdrúxulas do PT (a maior foi organizar metodicamente o saque amplo, geral e irrestrito aos cofres públicos) foi a criação do cargo de “assessor especial da presidência para assuntos de política externa”. O cargo foi dado ao professor da USP e secretário de Relações Internacionais do PT Marco Aurélio Garcia.

Esdrúxula porque a função de assessor o presidente da República em assuntos da área compete ao ministro das Relações Exteriores – assim como os de economia ao ministro de Economia, saúde ao ministro de Saúde, etc.. E também porque enquanto vigorou tal cargo, a função de chanceler foi de fato exercida por Garcia, submetendo-se o ministro de fato e o Itamaraty a uma situação de constrangimento sem precedente na história brasileira.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, pelo visto, está disposto a seguir o procedimento do PT, embora de maneira informal: seu filho mais velho e deputado federal Eduardo está fazendo as vezes de Garcia, agindo e falando como se fosse o futuro chanceler.

E por falar em chanceler, Ernesto Araújo foi indicado pelo pretenso filósofo Olavo de Carvalho, seu tutor ideológico – assim como da família Bolsonaro -, mas quem deu a palavra final foi Eduardo. E competiu a ele, o primogênito Bolsonaro, realizar a primeira viagem ao exterior representando o papai.

Ele esteve (ou ainda está) nos Estados Unidos, onde conversou com a equipe do presidente Donald Trump, membros do Conselho de Segurança Nacional e do Congresso. Em entrevista à imprensa, assegurou que a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Israel acontecerá a qualquer custo, faltando definir apenas a data. E que o futuro ministro da Justiça Sergio Moro terá, entre suas funções, a de “aumentar a pressão” sobre o governo ditatorial de Nicolás Maduro (outra coisa esdrúxula, já que toda iniciativa na área internacional tem sido até agora de responsabilidade do Itamaraty…)

Eduardo consolida-se, assim, na função de aspone do papai Jair e sinaliza que é ele, em nome do papai presidente, que dará as cartas para o futuro chanceler colocar na mesa. Chanceler que, por suas declarações e escritos, propõe para a nossa política externa uma mudança radical, submetendo os interesses nacionais à ideologia professada por ele e pela família Bolsonaro.

Assim como fez o PT em relação a seus ideais e interesses financeiros por meio de Garcia e os chanceleres que lhe disseram amém.

Como a esperança é a última que morre, resta torcer para que, uma vez empossado, Bolsonaro coloque ordem na casa e determine que quem conduz a política externa é o chanceler e que essa política nãos e afastará da venerável tradição brasileira de colocar os interesses da Nação acima de quaisquer outros.

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Mais Médicos: a farsa e o crime de lesa-pátria do PT

A resposta contundente dos médicos brasileiros ao edital do Ministério da Saúde para preencher as vagas deixadas por mais de oito mil cubanos do programa Mais Médicos fulmina o principal argumento do governo de Dilma Rousseff – no qual os petistas ainda insistem – de que seu objetivo era compensar o desinteresse dos profissionais locais em atender a população carente.

Em cinco dias, 97,2% das vagas foram preenchidas. As inscrições estão previstas até 7 de dezembro

Dilma instituiu o programa na esteira das gigantescas manifestações de 2013, que, entre outras coisas, exigiam mais investimentos em saúde. As manifestações foram utilizadas malandramente pelo governo petista para deflagrar um acordo que vinha sendo costurado por iniciativa da ditadura cubana: a contratação de profissionais de saúde daquele país, escolhidos pelo governo daquele país e de acordo com as regras impostas pelo governo daquele país, para atender os pobres brasileiros em troca de bilhões de dólares que, além de financiar a ditadura comunista, seriam utilizados para pagar a dívida que aquele país contraía, a juros camaradas, junto ao BNDES (que fianciava obras de empreiteiras brasileiras que, por sua vez, pagavam propina ao PT e seus líderes, incluindo Lula).

Um crime de lesa-pátria de dimensões dantescas: a saúde de brasileiros foi utilizada como mercadoria para um negócio aviltante, pois, entre outras barbaridades, incluía o trabalho semiescravo dos cubanos – sabe-se lá qual o nível de preparo deles, jamais avaliado pelo governo brasileiro, impedido por contrato de tomar essa iniciativa. Esses profissionais ficavam com pequena parte do salário, já que a fatia do leão era destinada ao governo de seu país, e não tinham sequer o direito de trazer seus familiares ou constituir família no Brasil.

Parêntese: o contrato inicial previa a destinação total do salário dos médicos à ditadura cubana, que repassava uma ninharia aos seus semiescravos. A reação da opinião pública brasileira impôs a alteração. Fecha parêntese.

A troca de telegramas entre os governos cubano e brasileiros, divulgada na semana passada pela Folha de S.Paulo, é um atestado contundente da tramoia, da submissão do governo petista às imposições dos companheiros cubanos – todas elas foram aceitas, exceto o valor do salário, que ficou em torno de quatro mil dólares, metade do exigido pelos comunistas -, de sua capacidade ilimitada de mentir e de trair os interesses nacionais em benefício próprio e dos companheiros de ideologia.

O rompimento do contrato, unilateral e de efeito imediato pelo governo cubano após a vitória de Jair Bolsonaro, que defendia a revisão de seus termos draconianos, mostra também que Cuba, ao contrário da “solidariedade” que diz praticar, quer é grana que suas brigadas de mão de obra barata levanta para financiar a ditadura moribunda.

E revela, mais uma vez – e de forma acachapante – a contradição e o cinismo dos petistas, que se insurgiram contra a reforma trabalhista do governo Temer, que flexibilizou a legislação mas manteve os direitos básicos do trabalhador, e defendem mão de obra semiescrava explorada pelo companheiros comunistas.

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Bolsonaro fecha o cerco a corruptos, traficantes e sem-terra

A indicação do presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Nabhan Garcia, para a futura Secretaria de Assuntos Fundiários fecha o cerco a traficantes, corruptos e invasores de terra, pragas de um Brasil moderno que o PT tolerou por ideologia e conveniência – e usufruto, no caso da corrupção.

Traficantes e corruptos ficarão sob a vigilância do férreo Sergio Moro, especialista no combate à corrupção de colarinho branco (responsável pelo maior saque aos cofres públicos de que se tem notícia e sublimada pelo petrolão). E que terá como chefe da Secretaria de Segurança um general com ampla experiência no combate a facões criminosas, acumuladas em missões no exterior, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

O MST teve o apoio entusiasmado do PT em geral e de Lula em particular. O hoje presidiário, sentindo o tsunami da Lava Jato vindo em sua direção, convocou o “exército de Stédile” (João Pedro Stédile, líder dos sem-terra) para defendê-lo e também ao governo de Dilma, que esboroava graças à gritante incapacidade administrativa dela.

Os sem-terra há muito deixaram de ser um movimento de reivindicação rural: são uma milícia de orientação comunista que visa a tumultuar o campo para abalar o ordenamento jurídico, político e institucional do país. A maioria esmagadora de seus membros não têm origem rural. Os assentamentos, salvo honrosas exceções, são um fracasso retumbante.

Nabhan é produtor rural e conhece como poucos os métodos violentos adotados pelo MST: invasão de propriedades (nem sempre improdutivas), destruição de patrimônio e pesquisas, ameaça e agressões a proprietários rurais e seus servidores. A UDR foi criada na década de 1980 para se contrapor, por meio de ações judiciais e legislativas (o senador Ronaldo Caiado a presidiu, outros são alinhados a seus princípios) à truculência dos sem-terra.

O responsável pela futura Secretaria de Assuntos Fundiários não terá poder de polícia sobre esses transgressores, mas terá meios legais para coibir as ações deletérias deles. Nabhan defende – e não poderia ser diferente, pois o dispositivo está na legislação – a desapropriação de terras improdutivas. Mas vai endurecer as coisas para o “exército de Stédile”, enfraquecendo ainda mais o poder de mobilização – e agitação – do PT.

(A informação sobre a secretaria pretendida por Bolsonaro não esclarece se ela substituirá o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Mas isso parece óbvio).

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Vélez-Rodriguez: o cara certo, na hora certa e para a coisa certa

O futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodriguez, é uma das escolhas mais sábias do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Vélez-Rodriguez foi confirmado depois que a bancada evangéllica vetou o nome de Mozart de Souza, educador respeitadíssimo. Os evangélicos não gostaram de sua independência ideológica e o seu não alinhamento ao movimento “Escola sem partido”.

A escolha de Vélez-Rodriguez, indicado por Olavo de Carvalho, mentor ideológico de Bolsonaro, apazigua os evangélicos, mas não lhes dá poder de mando sobre o futuro ministro – que, ademais, é católico.

Vélez-Rodriguez construiu uma carreira acadêmica sólida, iniciada na Universidade Pontifícia Javeriana de Bogotá, onde nasceu há 73 anos. Formou-se em filosofia nessa instituição, a mais conceituada da Colômbia, e quatro anos depois em teologia pelo Seminário Conciliar de Bogotá. Atingiu TODOS os graus acadêmicos em universidades do Brasil e exterior.

É autor de uns trinta livros sobre filosofia e pensamento político brasileiro e articulista dos principais jornais brasileiros, entre eles o Estadão. E leciona desde quando concluiu o bacharelato: primeiro na Colômbia, depois no Brasil, onde chegou em 1979. Trabalhou em São Paulo, depois em Londrina (UEL) na década de 1980, onde se destacou pela erudição, capacidade de trabalho e companheirismo. Transferiu-se para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e em seguida para a federal de Juiz de Fora (trabalhou também na federal do Rio de Janeiro). Dirigiu o Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Juiz de Fora, pela qual se aposentou, retornando há cinco anos a Londrina. Continua lecionando…

Vélez-Rodriguez é um conservador e antipetista convicto – uma de suas obras mais recentes é “A grande mentira – Lula e o patrimonialismo petista”. Tem posições firmes, mas os cinquenta anos de magistério lhe ensinaram a moderação e a conciliação.

Ele é o cara certo, na hora certa e no lugar certo, pois a educação – e a brasileira está entre as piores do mundo – tem de ser tratada como ferramenta de aprimoramento humano e não de doutrinação ideológica. É o que ele se propõe fazer.

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Para Bolsonaro começar com chave de ouro

O presidente eleito Jair Bolsonaro terá, a partir do ano que vem, direito à aposentadoria como deputado federal, cargo que exerce ininterruptamente desde 1991.

A aposentadoria será de mais de R$ 20 mil e não se encaixa no teto salarial do servidor público, pois é independente.

Bolsonaro também é aposentado como capitão do Exército.

Somando-se as duas aposentadorias ao salário de presidente da República, e teremos um dos maiores marajás do país, com vencimento superior a R$ 60 mil.

Não há nada de ilegal em acumular os três vencimentos.

Mas para quem se propôs a acabar com os privilégios, enxugar o Estado e virar o país de cabeça para baixo no bom sentido, seria de muito bom toml abrir mão do salário de presidente – função na qual tem TODOS os gastos cobertos pelos cofres públicos (o que inclui a segurança dos filhos, mulher, etc.)

Bolsonaro fez história com a campanha mais econômica e fora de padrão da história. Abrirá seu mandato com chave de ouro e fará história como o presidente que dispensou salário.

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Para Temer encerrar com chave de ouro

Mais impopular presidente da história do Brasil, Michel Temer poderia encerrar com chave de ouro seu mandato-tampão: vetando o reajuste concedido pelo Congresso aos ministros do STF.

Aprovado no mês passado, o reajuste – de 16% – vai custar cerca de R$ 5 bilhões aos cofres do governos federal e estadual, pois esse índice é aplicado a toda a magistratura.

A Lei de Responsabilidade Fiscal ampara esse gesto do presidente, pois estabelece que nenhum aumento pode ser concedido sem previsão orçamentária.

Foi o que ocorreu.

Além de terminar de forma honrosa seu mandato, Temer se livrará de mais um pepino jurídico: ser processado por improbidade administrativa.

Não há, portanto, alternativa para ele: sair com honra ou desonrosamente.

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Monica Bergamo e a distorção da realidade

Publico trecho da coluna de Mônica Bergamo de hoje na Folha de S. Paulo e o comento no final:

A imagem de Lula, envelhecido, prestando depoimento à Justiça na quarta (14) impressionou juízes de tribunais superiores em Brasília.

DOUTORA 
Os trechos considerados mais deprimentes foram aqueles em que a juíza que substituiu Sergio Moro faz reprimendas ao ex-presidente.

DE VOLTA 
A ideia de prisão domiciliar para Lula voltou a ser discutida em gabinetes, embora seja considerada remota.

ARQUIVO 
Ela foi aventada há alguns meses. Mas, com a alteração da composição das turmas do STF, acabou temporariamente arquivada.

Comentário:

A colunista, cuja simpatia ao PT é pública e notória, atribui a “juízes tribunais superiores de Brasília” a impressão de que Lula estava “envelhecido”.

A condição de “juízes de tribunais superiores” dá um ar respeitoso às fontes, que, para conforto da colunista, são mantidas no anonimato.

“O momento mais deprimente” do depoimento, segundo ela, foi quando a juíza repreendeu Lula?

De fato, mas as reprimendas foram provocadas por Lula. “envelhecido” ou não (a impressão que tive é que a vida regrada, a disciplina, a abstenção do álcool lhe fizeram bem fisicamente, mas sua arrogância continua intacta. Além de arrogante, foi agressivo com a juíza, com Sergio Moro, a quem chamou de “amigo” do doleiro Youssef, e com a Justiça. Ele chegou a afirmar que “todo petista” deveria mover ação contra o procurador Deltan Dallagnol, autor do “power point” em que o ex-presidente é apontado como chefe da organização criminosa que saqueou os cofres públicos. “O senhor está intimidando a acusação”, protesto a juíza, corretamente.

Mônica é um exemplo clássico de que o sectarismo político embota as mentes mais capacitadas.

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De anão a pária: os riscos da diplomacia pretendida por Bolsonaro

O presidente eleito Jair Bolsonaro prepara uma guinada radical em nossa política externa se comparada à adotada pelo governo do PT

Os governos Lula e Dilma submeteram as relações internacionais do Brasil à ideologia do PT e a seus interesses econômicos, atendidos pelas propinas das grandes empresas favorecidas pelo crédito farto e barato do BNDES.

A arrumação feita pelo presidente Michel Temer, recolocando a política externa nos trilhos de sua tradição venerável, dará lugar a política visceralmente de direita pretendida por Bolsonaro e o futuro chanceler Renato Araújo.

Das declarações de Bolsonaro e de Araújo depreende-se o que será a linha mestra de nossas relações internacionais: estreito alinhamento aos Estados Unidos e Israel, desprezo pela Europa, conflitos com a China e embate ou ruptura com organismos internacionais – entre eles o Mercosul.

Essa política terá efeitos danosos em nossa economia e nos colocará na rota de atentados do Estado Islâmico, que não perdoa quem se alinha a Israel.

O PT reduziu o Brasil a um “anão diplomático”. Se a política externa de Bolsonaro for consumada, seremos um pária diplomático. “Foda-se”, reage um bolsonarista.

Abaixo, um breve histórico da diplomacia, a fidelidade do regime militar a seus princípios básicos, o aviltamento feito pelo PT, as linhas gerais pretendidas por Bolsonaro, as ideias do futuro chanceler e suas consequências.

Diplomacia 1: O gigante que virou anão

A passagem do PT pelo poder arrasou o país e comprometeu severamente sua imagem no exterior.

A opção preferencial pelos governos ditatoriais que permitissem a ação de grandes companhias brasileiras em seus territórios, com financiamento do BNDES a juros camaradas, deu a tônica em nossa política exterior.

Privilegiou-se assim a ideologia, no caso dos países ditos bolivarianos, e fecharam-se criminosamente os olhos para os horrores praticados pelas ditaduras africanas (e pelo regime xiita iraniano, ao qual nos aliamos).

Ideologia e cumplicidade produziram centenas de milhões de dólares em propinas para o PT e seus líderes.

Diplomacia 2: Humilhação do Itamaraty

Nossa tradição diplomática, iniciada pelo barão do Rio Branco e engrandecida por chanceleres de alto quilate, como Osvaldo Aranha, foi espezinhada. O outrora gigante, que abre as assembleias gerais anuais da ONU, foi reduzido a “anão diplomático”, segundo a chancelaria israelense.

E o Itamaraty jamais passou por situação tão vexatória, pois passou a ser coordenado de uma sala obscura do Palácio do Planalto por um personagem mais obscuro ainda, Marco Aurélio Garcia, “assessor especial da presidência para assuntos de política externa”.

O ex-diretor de relações internacionais do PT e articulador do Foro de São Paulo – entidade que reunia os partidos políticos de esquerda da América Latina – se sobrepôs ao próprio chanceler Celso Amorim, petista como ele, porém com formação e experiência diplomática.

Diplomacia 3: A submissão ao cocaleiro

Um dos episódios mais lamentáveis da diplomacia petista foi o encarceramento do ex-senador boliviano Roger Pinto Molina em nossa embaixada em La Paz.

Molina pediu asilo alegando perseguição política (o que era verdade), o ditador cocaleiro Evo Morales não concedeu o salvo conduto para a saída de seu adversário. E o governo petista enfiou o rabo entre as pernas para não contrariar o companheiro bolivariano, o mesmo que confiscou todos os ativos da Petrobras daquele país sem pagar um tostão, sem merecer uma nota de repúdio do governo brasileiro, que não o cobrou até hoje…

Molina ficou quase um ano e meio confinado na embaixada, da qual saiu graças ao diplomata Eduardo Saboia, que o retirou clandestinamente e o trouxe são e salvo para o Brasil.

Em vez de ser condecorado como herói, Saboia perdeu o posto em La Paz e ficou sem função no Itamaraty.

Em junho deste ano, veio, enfim, a recompensa: ele se tornou embaixador brasileiro no Japão.

Diplomacia 4: Barba nova, ideologia nova

Jair Bolsonaro revelou quem será o ministro das Relações Exteriores: o embaixador Ernesto Araújo. Ele tem 28 anos de Itamaraty e responde pelos departamentos de América Latina e Estados Unidos. Diz-se escritor e é discípulo convicto do “filósofo” Olavo de Carvalho, a quem deve a indicação.

Uma de suas missões será expurgar ou neutralizar os petistas que ainda dão as cartas no Itamaraty, apesar de o governo Temer, por meio do chanceler Aloysio Nunes, ter dado um chega para lá nessa turma.

Teremos, portanto, um autêntico cavalo de pau: para substituir o barba branca Amorim, o barba preta Araújo. Sai a esquerda, entra a direita.

Em seu blog, Araújo definiu sua missão no comando do Itamaraty: “Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anticristão”.

E mais: a Europa é “economia periférica” e “vazio cultural”

Diplomacia 5: O pragmatismo dos militares

Os princípios básicos da diplomacia brasileira – respeito à soberania e autonomia e não intervenção em assuntos internos de outros estados – destinam-se a proporcionar o desenvolvimento nacional. Ou seja, utilizar as relações diplomáticas para o engrandecimento do país e bem-estar de sua população.

Esses princípios sofrem, é claro, influência do governo de turno, mas nunca foram tão vilipendiados quanto no governo do PT, que privilegiou seus interesses ideológicos, o cofre do partido e o fortalecimento das ditaduras companheiras.

Nem o regime militar ousou ir tão longe quanto o PT, pois a reaproximação que fez com os Estados Unidos, cujas relações foram esgarçadas pelo governo de João Goulart, não impediu que fosse o primeiro a reconhecer, em 1975, o governo do marxista Movimento Popular de Libertação de Angola, que substituiu por meio de uma prolongada guerrilha o domínio português daquele país. O “pragmatismo responsável”, defendido pelo chanceler Azeredo da Silveira, proporcionou grandes negócios para o Brasil e contribuiu para o reerguimento de Angola, arrasada pela campanha pela independência.

Diplomacia 6: Sinais preocupantes

Bolsonaro defende “profunda revisão” no acordo com o Mercosul, quer limitar a participação do capital chinês no Brasil e mudar, tal qual fizeram os Estados Unidos, nossa embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

O chanceler Araújo desdenha da Europa e se declara contrário ao “globalismo”, indicando assim que reduzirá a participação brasileira no comércio e nos organismos internacionais. Sua tese explica a bravata de Bolsonaro durante a campanha de que pode retirar o Brasil das Nações Unidas.

Se as ideias de Bolsonaro e Araújo forem colocadas em prática, o Brasil deixará de ser um “anão” para se converter num pária diplomático, restando-lhe a submissão vil aos interesses norte-americanos, cujo presidente Donald Trump é venerado por Bolsonaro e pelo futuro chefe da nossa diplomacia.

O alinhamento com o Israel poderá causar um estrago dantesco em nosso comércio exterior, pois os árabes mantêm uma conta próxima a uma dezena bilhões de dólares anuais enquanto a dos judeus não chega a meio bilhão. A retaliação dos árabes será inevitável.

E colocará o Brasil no roteiro do Estado Islâmico, que não perdoa quem aos interesses de Israel. E não temos como intimidar esses terroristas fanáticos, pois nossa capacidade de retaliação no exterior é ínfima.

Diplomacia 7: A política do “foda-se”

“Foda-se!”, escreveu em sua página nas redes sociais um militante bolsonarista e aluno de Olavo de Carvalho sobre a perspectiva de retaliação comercial árabe.

Sem querer, querendo, ele usou uma expressão, de profunda carga filosófica, política e social, que resume os princípios que pautam Bolsonaro e seu chanceler em matéria de política externa.

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Mais Médicos, Menos Escravos

Dilma Rousseff engambelou o país ao lançar o Mais Médicos como resposta aos gigantescos protestos de rua de 2013.

Os protestos foram motivados pelos gastos públicos bilionários em obras da Copa – a maioria superfaturada, constatou-se depois – enquanto serviços básicos, como transporte e saúde, continuavam em segundo plano.

O Mais Médicos veio acompanhado de autorizações para instalação de faculdades de medicina país afora – as que surgiram até agora são deficientes crônicas em professores, instalações, material didático, etc.

O programa, criado para contribuir para o regime ditatorial cubano, aguardava o momento ideal para ser lançado. Temia-se forte reação da opinião pública. As manifestações de rua apontaram para a oportunidade do lançamento do programa.

No que consistia: na contratação de “médicos” cubanos por meio da Organização Pan-americana de Saúde, que receberia comissão por isso e destinaria ao governo cubano a integralidade do salário do profissional. O governo cubano repassaria à família do profissional, retida na ilha, uma parte ínfima dos rendimentos.

A Opas gerencia o envio de “médicos” para o exterior, fonte preciosa de recursos para o “paraíso” socialista. Coloco aspas em “médicos” porque os cubanos são formados em saúde básica por meio de cursos que duram dois anos e cujo critério de admissão é a adesão ao ideário comunista. A formação de um enfermeiro brasileiro é muito mais completa que a de um “médico” cubano.

A admissão dos cubanos os dispensava do Revalida, exame exigido para os profissionais formados no exterior que queiram trabalhar no Brasil

A retenção total dos salários pelo governo cubano causou forte reação no Brasil. Acuado, o governo de Dilma renegociou os termos do acordo, que passou a permitir que o profissional cubano recebesse 30% do salário.

Registre-se: a retenção ocorria apenas com os cubanos. Médicos de outras nacionalidades recebem o salário integralmente.

A submissão ao Revalida, o pagamento integral do salário aos profissionais e a autorização para trazerem família ou a constituírem aqui foram exigidos por Bolsonaro para prorrogar o contrato com a Opas. O governo cubano subiu nas tamancas afirmando que as condições eram “inadmissíveis” e “ofensivas” e rompeu unilateralmente o contrato.

A atitude cubana comprova:

– A Opas é controlada pela ditadura comunista, que sempre negou esse vínculo, pois era a empresa que deveria se manifestar sobre o tema – e nem foi consultada por seu controlador;

– Os profissionais cubanos que integram esse programa são meros funcionários do regime ditatorial

– O envio de “médicos” ao exterior não visa a disseminar o atendimento básico à saúde mas a promover uma substanciosa fonte de financiamento para o regime;

– Cuba submete-os ao trabalho escravo, pois lhes nega o salário integral e o convívio familiar.

Oito mil profissionais cubanos devem deixar o Brasil até o final do ano. O Ministério da Saúde já está preparando edital de contratação de novos profissionais. Poderá não haver tempo hábil para substituir os cubanos antes que eles voltem para a ilha-prisão, prevendo-se, portanto, uma lacuna – que não deverá ser longa – no atendimento das populações carentes deste Brasil varonil.

Mas a decisão cubana foi salutar – e a devemos a Bolsonaro: teremos, a partir do ano que vem, profissionais capacitados e não escravos de um regime ditatorial para atender nossos irmãos brasileiros.

Terá início, assim, o programa Mais Médicos, Menos Escravos.

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