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Absolvição de Gleisi prenuncia libertação de Lula na semana que vem

A absolvição de Gleisi Hoffmann pela 2º Turma do STF – que desprezou as delações e coleta de dados, incluindo o farto e incriminador registro de telefonemas entre os envolvidos na operação que resultou no aporte de R$ 1 milhão em sua campanha para o Senado, em 2010 – é um recado claro, contundente, inequívoco: Lula será solto na próxima terça-feira.

É quando essa mesma turma, composta em maioria pelos libertadores gerais da Nação e malabaristas impudicos da jurisprudência – Toffoli. Lewandowski e Gilmar -, analisará o pedido da defesa do presidiário para suspender os efeitos de sua condenação (por unanimidade) pelo TRF4. O trio é contrário à prisão após condenação em segunda instância. Nesse quesito tem o apoio de Celso de Mello, que, no entanto, tem seguido a jurisprudência da corte, que autoriza a prisão. Fachin é defensor da prisão nessas circunstâncias.

Lula cumpre pena de 12 anos e um mês na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro.

A defesa quer Lula livre e solto até que os recursos – cuja procedência sequer foi analisada pelo TRF4 – sejam julgados pelo STF e STJ, assim como os inevitáveis embargos dos embargos dos embargos dos embargos embargantes. Quer também que, uma vez suspensos os efeitos da condenação, ele possa, à revelia da Lei da Ficha Limpa, participar da campanha presidencial como um arcanjo que soa a trombeta da redenção nacional se sua volta ao poder for chancelada nas urnas.

Lula está preso desde 7 de abril. No dia do julgamento, estará completando dois meses e 19 dias no xilindró – um aposento exclusivo, sem grades, tevê e ar-condicionado. Um luxo para poucos!. Lula já pode, portanto, ir arrumando as malas e encomendar as cachaças de sua preferência.

Que tal uma nova missa sacrílega, ponto alto de sua despedida dos “companheiros” e “companheiras”, para comemorar a libertação e consagrá-lo para a batalha das trevas contra a luz, da injustiça contra a lei, da mentira contra a verdade? Opa, tudo ao contrário, na visão dos petistas…

Não faltará “religioso” para esta meritória tarefa!

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STF concede indulgência plenária a Gleisi

Por motivos semelhantes, guardadas as devidas proporções, a 2ª Turma do STF condenou por unanimidade, no final de maio, o deputado federal Nelson Meurer (PP) e dois filhos por corrupção e lavagem de dinheiro.

Por motivos semelhantes, guardadas as devidas proporções, a mesma 2ª Turma do STF absolveu ontem (o julgamento terminou no final da noite) a senadora e presidentA do PT, seu companheiro conjugal, o ex-ministro Paulo Bernardo, e o empresário curitibano Ernesto Kugler das acusações de corrupção, lavagem de dinheiro.

Para a maioria dos membros da Turma, não havia provas que atestassem a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de que Bernardo pediu e recebeu R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010. O dinheiro, segundo Costa, foi repassado pelo doleiro Alberto Youssef (que confirma a informação), assim como o emissário do dinheiro. Os inúmeros telefonemas trocados entre Bernardo, o emissário e o empresário nos dias em que o dinheiro teria sido repassado foram desprezados pelos ministros.

O relator Edson Fachin e o decano Celso de Mello condenaram Gleisi por crime eleitoral (caixa 2), absolvendo-a, no entanto, da acusação e corrupção e lavagem de dinheiro sob o argumento de que ela não ocupava cargo público à época dos repasses. Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski – o trio parada dura e caneta generosa – a absolveram integralmente.

Na postagem “Haja Rivotril para conter Gleisi, a megera indomada”, de ontem, este blog advertia que “a condenação dela só não se efetivará se algum ministro maluquete (e isto temos em abundância) apelar para algum malabarismo jurídico (e isto temos visto igualmente em abundância). Sem querer querendo, o blog acertou…

Gleisi se safou desta, mas responde a mais três ações por corrupção e lavagem de dinheiro. Uma, em conjunto com Bernardo, pela acusação de ter se beneficiar de dinheiro desviado de servidores federais quando o companheiro chefiava o Ministério do Planejamento, outra por integrar o núcleo político do PT que recebeu dinheiro desviado da Petrobras e BNDES e outra por ter recebido parte da propina derivada de um empréstimo do BNDES a Angola.

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Haja Rivotril para conter Gleisi, a megera indomada

Ficarei surpreso se a senadora Gleisi Hoffmann, presidentA do PT, se comportar como se comportam os demais réus de ação penal quando são julgados pelo STF: em silêncio, e isto quando comparecem – o costume é manter distância do tribunal.

Gleisi não é de desperdiçar chance, qualquer que seja, de atrair os holofotes. E, nos últimos tempos, tem mostrado uma característica que incubou ao longo de sua trajetória política: o radicalismo extremado e a apologia à violência, dignos de um militante do Estado Islâmico (por enquanto ela não cortou nenhuma cabeça, mas perdeu a dela várias vezes).

Chefe da Casa Civil medíocre do medíocre governo Dilma, senadora que se destaca apenas em defender as causas de interesse do PT, que abraça como uma religião, Gleisi ganhou o estrelato nacional durante o processo de impeachment de Dilma. Submeteu, em conluio com colegas do partido Lindbergh Farias e Fátima Gópi Bezerra e a associada Vanessa Grazziotin, do PCdoB, a comissão processante a um estado de tensão permanente, obstruindo o processo ao estilo das assembleias estudantis. E, uma vez levado ao plenário do Senado o pedido de impeachment, constrangeu os colegas com a acusação de que “ninguém aqui tem moral para julgar uma presidenta inocenta” (mal sabia ela que levaria um tranco de Ronaldo Ciado, que jogou em sua cara a acusação, pela qual se tornou ré, de se beneficiar de dinheiro desviado de servidores federais por seu companheiro conjugal Paulo Bernardo quando ministro do Planejamento).

A virulência de seu discurso atingiu o paroxismo no processo que levou à condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro (ela afirmou que, para prendê-lo, ”vai ter que morrer gente”) e revelou efeitos contundentes de alucinação após a prisão do chefe, que cultua como um deus.

Nesse processo, ganhou a presidência do PT, o partido que acumula o maior número de ex-dirigentes na prisão e que, se prevalecer o Direito, terá mais dois na galeria dos presidiários a partir deste julgamento: ela e Paulo Bernardo, que responde a este processo com ela.

Se foi tão extremada ao defender a “presidenta inocenta” e o presidente “mais inocente na história deste país”, os antecedentes de Gleisi permitem supor que, quando sua causa estiver perdida no STF – a condenação dela só não se efetivará se algum ministro maluquete (e isto temos em abundância) apelar para algum malabarismo jurídico (e isto temos visto igualmente em abundância) – ela vai dar piti. Ah, vai, vai, sim senhor!

Afinal, companheiros, “quem aqui” (nestre tribunal) “tem moral para julgar uma senadora inocenta?”

O narizinho arrebitado, o indicador em riste, os saltos de seus sapatinhos Louis Vuitton servem, afinal para quê, a não ser para dar ênfase à sua personalidade autoritária e rancorosa, incapaz de admitir qualquer erro de conduta e predisposta a desconjurar um adversário por mero indício de culpa – ou mesmo sem ele?

Haja Rivotril para conter a megera indomada!

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Exclusivo! O primeiro comentário de Lula sobre a Copa: “É górpi!”

Este blog conseguiu com exclulsividade o primeiro comentário do presidiário e ex-presidente Lula da Silva sobre a Copa do Mundo. Ele foi contratado pela TVT (Tevê do Trabalhador), mantida pela CUT, para comentar, por escrito, de sua cela na Polícia Federal, os jogos do Brasil. Eis o comentário:

Cumpanheiros e companheira, torcedores e torcedora.

Iscrevo aqui da minha çolitária em Curitiba na condissão de preso políticu qui está preso para não poder voltar a governar para us pobre, mas vai voltar com a ajuda do STF. A, si vai.

Este é meu primeiro comentáriu como comentarista da Copa que fasso para os telespequitador da tevê do nosso sindicato.

Então lá vai:

Foi górpi! Foi górpi!

Um górpi mais qui mereçido.

O Braziu extreiou nesta Copa du Mundo com as coris qui us paneleiro profanaram ao pedir o górpi contra a companheira Dirma: não podia dar outra!

O verde i amarelo já era! E o Braziu dos paneleiro levou uma invertidia justo com uma selessão que vestia vermelho!

Empatá com os çuísso é a mesma coisa que perdê!

Rá rá rá!

E não era pra melhorá depois que a cumpanheira Dilma foi gorpeada? A gasulina aumentou, treze milhão estão dizempregado, o dólar tá quase quatro reau. E o Braziu comessa batendo cabessa na Copa do Mundo!

De novo: Rá rá rá.

Pra mim, que sou este que está inscrevendo, os paneleiro sentiram o quanto é doídu ser vítima de um górpi, como a companheira Dilma e eu fumo – nesse casu, são dois górpi, mas deicha issu pra lá.

O juiz mechicano agiu em campu como o Moro nos tribuná: não cobrou dois pênalti pro Braziu: o Moro me condenou no casu do tipréx sem prova. E vai me condená de novo no caso do sítio que nunca foi meu nem do apartamento lá em São Bernardo (ai que çaudade!) que também nunca foi meu.

O Braziu dos paneleiro si fudeuse com a Çuíssa! Ra ra ara!

Não estou falando palavrão: esse fudeuse é por causa da cumida típica dos çuíssos, o fundi!

O resurtado também prova que a derrota do Braziu pra Alemanha dos alemão na copa passada de sete contra um foi o início do górpi que deponhou a cumpanheira Dilma e me trouche pra cá. O Méxicu que é muito mais pior do que nóis ganhou dos alemão da Alemanha no jogo de extreia hoje!

I o Neimau com aquele cabelinhu, heim?

Só caiu em campo.

Ninguém mandou ele colocá miojo no topete!

Inté a próchima.

Assinado:

Presidente Lula, a viva alma mais onesta i injustissada deste paíz

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A última da “Crazy” Hoffmann: manter candidatura de Lula mesmo com veto do TSE

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de condenados em segunda instância.

O PT quer desafiar a lei, forçando a barra para que Lula, condenado pelo TRF4 a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro (além da meia dúzia de processos a que responde), dispute a presidência este ano.

Esta tecla já está gasta de tanto ser acionada, mas o PT, a julgar pelas declarações de sua presidente Gleisi Hoffmann – na iminência de ter o mesmo fim que o líder -, se dispõe a pulverizá-la, repetindo o mantra de que o presidiário Lula é candidato e ponto final.

No mais recentemente “lançamento oficial” da candidatura de Lula, feito sexta-feira à noite na região metropolitana de Belo Horizonte – em que Lula apareceu na forma de um espectro em terceira dimensão -, a ‘crazy’ Gleisi inovou: anunciou que ele poderá disputar a eleição mesmo que o TSE barre sua candidatura!

A Agência Estado registrou: “Nós poderíamos definir inclusive que ele faça a disputa sem o registro”.

Ora, como é possível que Lula dispute a presidência sem o registro, se o registro é indispensável para que seu nome e o número eleitoral surjam na urna eletrônica e para que faça uso da propaganda eleitoral no rádio e tevê?

Se a tese despirocada de Gleisi prevalecer – e não é de se duvidar, tal o grau de alucinação que domina o PT desde que o partido perdeu a perspectiva de retomar o poder com a prisão de Lula -, assistiremos a uma campanha que terá um candidato clandestino, fantasma, derrotado de antemão e caixa 2 no sentido amplo da expressão!

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Com o “centrão” em coma, surge o espectro o “esquerdão”

Nem Alckmin, nem Alvaro, menos ainda Meirelles, cuja candidatura é natimorta: nenhum dos candidatos – e tampouco outsideres – do dito “centrão” tem conseguido decolar até o momento, como comprova o Datafolha de domingo. Assim, os que não suportam a vida fora do poder estão propensos a dar a maior guinada de sua história.

DEM e PP, que jamais têm um nome com cacife suficiente para disputar a presidência da República, mas abocanham, braços dados com o PMDB, nacos consideráveis do poder, estão flertando com o pedetista Ciro Gomes.

Ex-ministro de Itamar e FHC, Ciro é um caso raro de direitista que se converteu à esquerda – se por motivos ideológicos ou por conveniência somente ele pode responder. A conversão fez dele a única opção viável, até o momento, para unir a esquerda na disputa pelo Planalto após o impedimento legal de Lula, o presidiário.

Ciro oscila em 10% das intenções de voto, no Datafolha e outros levantamentos. Ocupa a terceira posição na corrida eleitoral, liderada – excluindo-se Lula por causa de seu impedimento – por Bolsonaro, ex-capitão do Exército que jamais abandonou a caserna mental, e pela silvícola indecifrável Marina Silva (o instituto paulistano considera-os tecnicamente empatados).

Há resistência no PT em se coligar com Ciro Gomes, já que o partido, ensandecido por ter sido apeado do poder e em convulsão permanente após a prisão do chefão, tem dado sinais de se dispor a morrer abraçado a Lula. Não abre mão de sua candidatura, inviabilizada pela Lei da Ficha Limpa, e ameaça surtar de vez mantendo-a mesmo que o TSE não a registre!

Se insistir nessa alucinação, o PT sairá da eleição como um partido nanico (moralmente já é). Por isso, é forte a resistência da base do partido para que sua direção recobre parcialmente a lucidez, ainda que momentaneamente, e se coligue com Ciro, ao menos no segundo turno, lançando no primeiro um boi de piranha como Haddad ou Wagner.

O enlouquecimento do PT contagiou o eleitor, que menospreza os candidatos com experiência administrativa e ficha limpa – os três citados no início deste comentário -, inclinando-se em apoiar (depois do presidiário) um troglodita como Bolsonaro, Marina, que não consegue explicar o que pensa e muito menos o que quer, e Ciro. Este, apesar da experiência como ministro e governador do Ceará, é um boquirroto e de temperamento tão explosivo quanto o do militar à paisana que lança fogo pelas ventas.

O quadro, convenhamos, é negro para o dito “centrão”, que quanto mais pede união em torno de uma candidatura viável, mais vê surgirem interessados em encampá-la. Em vez de diminuir, os pretendentes deste setor político só aumentam…

A paquera do DEM e PP com Ciro tornou-se pública na semana passada, desgostando o Planalto (que ameaça retaliar, mas não tem força para isso) e sendo comemorada por Ciro em visita a Buenos Aires. PT e aliados devem estar salivando (às escondidas) com essa possibilidade, pois ela abre as portas para uma ampla coligação.

Se a paquera evoluir para o namoro (e não duvidemos que, uma vez consumado, o PMDB se associe a ele), assistiremos em breve ao enterro do “centrão” e nascimento do “esquerdão”.

Os dois acontecimentos selarão a morte do futuro.

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Osmar Dias e a Síndrome de Kátia Abreu

Osmar Dias (PDT) apressou-se a negar, na terça-feira, por meio de um blogueiro amigo, ter selado a aliança com Roberto Requião (PMDB) para as eleições deste ano: ele, para governador, o outro para renovar o mandato de senador.

Mas o acordo fora sacramentado na véspera, na casa do deputado federal João Arruda, sobrinho de Requião, e com dezenas de testemunhas.

O acordo parira até um filho biônico, Maurício Requião (irmão do senador; eita família grande!), ungido vice na chapa de Osmar.

Osmar está praticamente sozinho na disputa pelo Palácio Iguaçu – só dois partidecos insignificantes resolveram fechar com ele até agora -, então como explicar a hesitação em assumir o caso com Requião, que lhe dará não apenas amor, mas um partido forte e estruturado e com bom tempo na tevê?

Não foi a primeira vez que ele se fez de difícil, recusando trocar publicamente alianças com Requião. O senador, pouco tempo atrás, chegou a anunciar o casamento, mas Osmar o deixou só no altar. Seu desmentido não teve a ênfase necessária para sepultar o casório, sinalizando que o amor perdura, mas, por enquanto, uma das partes não está disposta a formalizar a relação.

Ocorre que Osmar e Requião, principalmente este, carregam um peso morto nas costas: o apoio a Lula e ao PT e, consequentemente, à mulher mais odiada no momento, a presidente nacional do partido e conterrânea Gleisi Hoffmann (o ódio a Dilma minguou depois de sua deposição e hoje ela é mera figura caricata). Gleisi está na iminência de ser condenada pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro e em breve terá a oportunidade de se solidarizar de corpo – de mente e alma é o que tem feito até o momento – com seu líder e guru Lula.

O apoio que deram (no caso de Osmar) e dá (no de Requião) é muito bem quisto pelos petistas – mas só por eles e o magote de aliados, sindicalistas sobretudo. O restante do eleitorado – beirando 90% segundo as últimas pesquisas – rejeita visceralmente o PT e todos os que abraçaram ou abraçam o partido.

Se disputar sem Requião, Osmar terá de enfrentar essa rejeição; se sair ao lado dele, terá mais tempo de exposição, mas acumulará a rejeição do seu apoio ao PT com a rejeição do eleitorado a Requião pelo mesmo e outros motivos.

A segunda negativa de Osmar em admitir a aliança com Requião ocorreu dois dias depois do fim da eleição no Tocantins, onde a ex-senadora Kátia Abreu, favorita a conquistar o mandato-tampão de governadora, despencou do primeiro ao quarto lugar após Gleisi divulgar vídeo em que lia carta de apoio de Lula à candidatura dela.

No caso de Osmar, nem é necessário que a presidente do PT e seu guru repitam a estupidez: basta que, no transcurso da propaganda eleitoral, sua vinculação ao PT seja exposta para reavivar a lembrança do eleitor. E se estiver de braços dados com Requião, o abalo sísmico em sua candidatura será ainda mais intenso.

Eis o dilema de Osmar: caminhar só ou (mal) acompanhado para o cadafalso?

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Brasil, o país do futuro que só consegue almejar o passado

Descrente das instituições, decepcionado com a classe política, o brasileiro quer mudanças. Mudanças radicais.

Quer algo “novo”, sentimento que se manifestou nas ruas em 2013, deflagrado pelo aumento da tarifa do transporte coletivo mas embalado pelo descontentamento com o (des)governo de Dilma Rousseff – que viria a se reeleger. E voltou à carga em 2018, com a gigantesca paralisação dos caminhoneiros contra o impopular governo Temer e sob o bafejo da intervenção militar.

O brasileiro se insurge contra a corrupção, os políticos inescrupulosos, a crise econômica. Quer pagar menos impostos e um estado mais eficiente. Quer menos violência e maior participação da cidadania. O descontentamento é amplo, geral e irrestrito.

A cinco meses da eleição presidencial, as pesquisas de opinião apontam como líder um presidiário que instituiu, quando no comando do país, o mais voraz e estruturado esquema de corrupção que vigorou no governo da sucessora; na segunda posição, um representante da ditadura militar que raciocina como um reco (recruta); na terceira, originária das entranhas da Amazônia, uma incógnita em constante involução que se comunica por raciocínios hiperbólicos. O restante dos pretendentes – alguns com ampla bagagem administrativa – patina abaixo dos cinco pontos. E na disputa pelo Senado, os mineiros se arvoram em torno da candidatura do mais incapaz e desastroso chefe de Estado – talvez do mundo, a mulher que foi deposta da presidência antes que transformasse o Brasil numa paupérrima Venezuela. E, em Alagoas, a mais genuína expressão do coronelismo tem a vaga assegurada para continuar traficando influência e propina.

Esse é o “novo” que as pesquisas consagram até o momento, o que faz do Brasil o país eternamente do futuro que só consegue almejar o passado.

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Greve mostra que, em vez de “ideia”, Lula se transformou em esquecimento

Lula se disse “preocupado” com o desabastecimento da população durante a greve dos caminhoneiros.

Foi a única menção ao ex-presidente durante todo o conflito – o mais grave desde a redemocratização, pois paralisou o país e defendia a mudança violenta de regime. E foi feita por intermédio dos áulicos que o visitam com regularidade na cela confortável que desfruta na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro.

Onde estavam, durante os dez dias de bloqueio das estradas, as faixas exigindo “Lula livre”, “Lula presidente”, onde estavam?

Em parte alguma. Pedia-se de tudo, principalmente “fora Temer” e “intervenção militar”, nada em relação ao homem que se julga o maior presidente de todos os tempos e promete voltar ao poder para “restituir aos pobres o que foi confiscado pelo governo golpista”.

“Vamos incendiar o país”, “vamos parar o país”, “vai ter que morrer gente”, ameaçavam os dirigentes petistas e seus lacaios da CUT e MST na tentativa desesperada de impedir a prisão do chefe – chefe também da organização criminosa mais voraz e estruturada de que se tem notícia. E o que aconteceu? Nada, nadica de nada, exceto o acampamento ridículo de petistas no entorno da PF e seus enervantes (para a vizinhança) berros de “bom dia, presidente Lula”, “boa tarde, presidente Lula”, “boa noite, presidente Lula”. O acampamento do ocaso do partido político que se apresentava como aurora.

A greve dos caminhoneiros mostrou a rejeição do brasileiro ao governo Temer, mera e melancólica continuidade do ciclo lulopetista, e o isolamento de Lula e do PT.

Nada poderia ser mais doloroso para Lula, que se sente um ente divino “(não sou mais um ser humano, sou uma ideia”, disse na missa macabra que antecedeu sua prisão) e constata que, em vez da tal ideia, transformou-se no esquecimento. E esquecimento é sinônimo de vazio, vácuo. De nada.

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Greve dos caminhoneiros revela poder de articulação de Cida Borghetti

Prestes a completar dois meses no cargo – que assumiu em 6 de abril com a renúncia de Beto Richa para disputar o Senado -, Cida Borghetti enfrentou o maior desafio de seu governo: mitigar os efeitos da greve dos caminhoneiros.

Enfrentou-o e saiu-se muito bem.

A greve provocou uma guinada em sua agenda: as audiências palacianas com diretores de órgãos públicos, solenidades com comitivas de prefeitos para anunciar liberação de recursos e visita aos municípios com a mesma finalidade foram abruptamente substituídas por reuniões com o staff da segurança pública.

Da primeira, ocorrida na quinta-feira 24, resultou a liberação de cargas estratégicas – insumos para hospitais, remédios, ração animal, etc.-, que seriam identificadas com adesivos da Defesa Civil afixados no parabrisa dos veículos. Na sexta-feira, quando cumpria agenda oficial no Noroeste, Cida esteve num bloqueio de rodovia PR-317 para conversar com os caminhoneiros.

A intensificação do movimento, no entanto, levou-a a convocar uma reunião de emergência na tarde de domingo, no Palácio Iguaçu, com uma equipe ampliada: segurança, articulação política (Casa Civil) e direção de órgãos estratégicos. E Polícia Rodoviária Federal.

As reuniões continuaram na segunda, terça e quarta-feira, envolvendo também empresários e representante de caminhoneiros. Obteve-se, então, entre outras conquistas, a liberação de combustível da refinaria de Araucária. Ao mesmo tempo, autoridades municipais e órgãos públicos estaduais lotados nos municípios eram mobilizadas pela Casa Civil, por meio de seus escritórios regionais, para garantir o abastecimento básico da população.

O governo do Paraná não podia oferecer muito, já que as reivindicações dos caminhoneiros exigiam decisões do Palácio do Planalto, mas Cida cedeu o que estava ao seu alcance. A redução da base de cálculo do ICMS sobre o diesel foi uma das concessões – o Paraná é um dos estados que menos taxam esse combustível.

Diálogo, mas firmeza na cobrança dos acordos, pautou a conduta da governadora, que, contrariando decisão do governo federal, que autorizou o Exército a agir com dureza, não permitiu ações violentas contra os caminhoneiros. O comandante do destacamento da Polícia Militar de Ponta Grossa foi afastado porque usou da força para dispersar manifestantes.

A greve dos caminhoneiros revelou que o Paraná tem uma governadora que sabe mesclar o ritual palaciano com a tomada – correta – de decisões estratégicas. Cida sai maior, muito maior, do que quando entrou nesse conflito.

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