Nem o jovem violinista escapa da repressão de Maduro

Wuilly Arteaga usa como arma um violino e se defende com um capacete. As cores da bandeira venezuelana – amarelo, azul e vermelho – estão sempre em alguma peça de suas roupas.

O capacete é para evitar que tenha o mesmo fim que muitos jovens como ele, atingidos por disparos efetuados pela Guarda Nacional Republicana ou pelos “colectivos”, paramilitares treinados e armados pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro.

Passou a usá-lo após, seis dias atrás, ser atingido no rosto por uma bomba de gás lacrimogêneo lançada pela polícia.

O capacete o confunde com os milhares de jovens, adultos e velhos que todos os dias desafiam as forças de segurança do tirano para exigir liberdade, democracia – e comida!

Jovens, adultos e idosos de todas as classes sociais, embora 80% deles – boa parte advinda da classe média – rebaixados à pobreza. Pois Maduro conseguiu esta façanha: empobrecer a até pouco próspera população da Venezuela, que tem o solo pródigo em petróleo!

O que distingue Wuilly dos demais manifestantes é o violino, com o qual anima os combatentes da democracia e consola as vítimas de sua truculência. E, com isso, desafia os trogloditas do regime.

As ruas de Chacao, o menor município da região metropolitana de Caracas, amanheceram bloqueadas e tomadas novamente por milhares de manifestantes, em desafio à ordem do tirano para que, até terça-feira, todos os venezuelanos se calem e confinem em suas casas em respeito à eleição da Constituinte. Ordem repudiada pela ONU e pela Anistia Internacional, pois viola os sagrados direitos de expressão e manifestação.

Entre os manifestantes, no entanto, não estavam Wuilly e seu violino. Desde ontem, ele anima e consola os opositores do regime trancafiados num dos quartéis da Guarda Nacional Republicana. Está impedido até de receber a visita de representantes do Foro Penal Venezuelano. Quanto tempo ficará detido? Ninguém arrisca um palpite. Há centenas de venezuelanos presos há meses, e sem previsão de julgamento, apenas por exigir o respeito aos direitos elementares, negados pelo ditador.

Maduro tirou o violinista das ruas, mas as ruas não desistem de exigir o fim do seu regime despótico.

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Venezuelanos desafiam o tirano e protestam contra Constituinte. ONU apoia

Ameaçados de prisão – de cinco a dez anos – pelo ministro do Interior se protestassem contra a eleição no domingo da “Constituinte popular” – proibição que se estende de hoje a terça-feira -, os venezuelanos não se intimidaram: mantiveram a greve geral iniciada ontem, bloqueiam ruas e rodovias e se dirigem ao centro de Caracas e das principais cidades venezuelanas para manifestar sua indignação contra mais esse atropelo da Constituição. Dificilmente chegarão aonde desejam: as forças de segurança e os paramilitares estão a postos para reprimi-los com jatos de água, gases lacrimogêneos, cassetetes e tiros.

A convocação da Constituinte foi feita por Maduro, que usurpou – com as benções do Sabujo Tribunal Supremo – esse direito exclusivo da Assembleia Nacional, dominada pela oposição. A Constituinte tornará sem função da Assembleia.

A proibição de manifestações foi duramente condenada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU. “Estamos muito preocupados com a proibição dos direitos de expressão e manifestação, especialmente no contexto do processo eleitoral de domingo”, afirmou o porta-voz da comissão, Liz Throssell.

Quatro manifestantes foram mortos pelas forças de segurança desde ontem, elevando para 107 o número de mortos desde o início dos protestos contra a Constituinte, há três meses. Residências foram invadidas esta noite pelas forças de segurança. Há muitos detidos (a contabilidade é imprecisa).

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Lula quer palanque. Quanto custa ao contribuinte? Não importa

O ex-presidente Lula, que se impôs o título de a “viva alma mais honesta deste país”, não quer saber de enfrentar novamente o juiz Sergio Moro por “videoconferência”, como ofereceu o magistrado. Quer o confronto cara a cara, olho no olho, fungada por fungada, cofiar de bigode por cofiar de bigode.

É o que ele manifestou ontem, por meio de seus advogados (o chefão, Roberto Teixeira, sogro do esnobe Cristiano Zanin, enrolado com a Justiça tal qual o cliente compadre).

Moro ofereceu essa alternativa a Lula, convocado para novo encontro em 13 de setembro, alegando “gastos necessários, mas dispensáveis, em segurança” como ocorreu na primeira audiência em Curitiba, em 10 de maio.

Sob a ameaça petista de invadir a capital do Paraná com seu “exército vermelho” – ameaça que não se confirmou, pois mal passaram de cinco mil, quando muito, os apoiadores, estimulados por viagem e estada pagas, mortadelas e gasosas em fartura -, a Secretaria de Segurança do Paraná montou uma operação policial que custou mais de R$ 600 mil.

Naquela ocasião, Lula respondia pela posse de um tríplex que recebeu como propina da OAS pela ajuda que a empreiteira havia obtido no seu governo e de sua sucessora, a desastrada e desastrosa Dilma Rousseff. Foi condenado a nove anos e meio de prisão e a uma multa de R$ 10 milhões, quase a integralidade deles, encontrados em suas contas bancárias e planos de aposentadoria, bloqueados por Moro.

Desta vez, responderá pela posse de uma cobertura e de um terreno destinado ao Instituto Lula doados pela Odebrecht, também como propina (qual será a sentença que Moro lhe reserva?).

O depoimento a Moro serviu para Lula posar, mais uma vez, de “vítima de uma caçada judicial” e reforçar a intenção de retomar a presidência da República (tóc-tóc-tóc) em 2018 para escapar de seu destino já traçado por seus malfeitos: o xilindró. Promoveu um comício em frente à reitoria da Universidade Federal do Paraná. Se havia cinco mil apoiadores de manhã, quando discursou, no final do dia, sua plateia havia encolhido significativamente. Talvez por causa do frio e da chuva, o consumo de álcool, documentado pela imprensa, tenha desinflado seu “exército”.

Ora, ora, ora, se Lula quer usar mais uma vez o embate com Moro para seu projeto jurídico-eleitoral, que financiei pois a empreitada, desobrigando a população do Paraná de pagar suas despesas.

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Sergio Machado e a delação furada que deve inocentar Temer

“Concluo que (…) a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam, razão pela qual entende-se, desde a perspectiva da investigação criminal promovida pela Polícia Federal, não ser o colaborador merecedor, in casu, de benefícios processuais abrigados no Art. 4º da Lei nº 12.850/13″”.

Este trecho resume o relatório da delegada Graziela Machado da Costa e Silva, da Polícia Federal (PF), enviado ao STF que concluiu: a delação do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado deve ser anulada, os benefícios a ele concedidos suspensos, e os três implicados – Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá – livres da acusação (de tentativa de obstrução da Lava Jato).

O conselho da delegada serve não apenas de advertência a candidatos a delator como é um indicativo claro de que a delação de Joesley Batista envolvendo o presidente Temer deverá ser arquivada pelo mesmo motivo: baseia-a única e exclusivamente numa gravação, as respostas do interlocutor foram instigadas pelo delator e não houve qualquer movimentação do presidente que corroborasse a suspeita de que tenha tentado obstruir a Operação Lava Jato.

A suspeita de obstrução da Justiça, que levou o presidente às cordas do ringue político, não foi ainda transformada em denúncia. O procurador Rodrigo Janot diz que “não temos pressa” em formulá-la.

Ah, mas e a mala com os R$ 500 mil recolhidos por Rocha Loures, homem de confiança de Temer, do operador de propinas da JBS?

Esta acusação, formalizada pela Procuradoria Geral, aguarda decisão do Congresso para ser investigada pelo STF.

E é tão frágil quanto a outra. Pois não há nada que ligue a mala a Temer a não ser o portador. Se a propina (relativa a um acerto no Cade envolvendo interesses da holding dos irmãos Batista com a Petrobras) era destinada a Temer, como afirma o operador (e ele não apresentou nenhuma prova disso), como foi possível que a empresa tivesse seu pleito negado pelo Cade, órgão que o presidente pode, se quiser, influenciar? Por que a mala com o dinheiro ficou um mês escondida na casa dos pais do portador? O que, além da afirmação do operador da JBS, liga Temer à propina recebida por seu auxiliar?

Com base no que se tornou público até o momento, o desafio dos investigadores é provar que nariz de porco é tomada.

E quanto a Josley Batista, que se cuide. Seu acordo foi ainda mais vantajoso que o de Machado, que ficou livre de punição pecuniária mas obrigado a curtir uma longa temporada recluso em sua mansão à beira mar. A Joesley – réu confesso de centenas de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro – foi imposta uma compensação de R$ 10 bilhões (a empresa fatura mais de 200 bilhões por ano) e liberdade e imunidade penal totais. A boa vida do Freeboy pode estar com os dias contados…

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Outro no queixo de Maduro: deputados destituem o servil Tribunal Supremo

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição, pôs em prática hoje decisão tomada no ano passado de destituir integralmente o Tribunal Supremo de Justiça, reformulado às pressas, em dezembro de 2015 e violando a lei, para garantir o apoio unânime dos magistrados ao ditador Nicolás Maduro. Até então, a Assembleia era dominada pelos aliados de Maduro.

Desde então, esse tribunal anulou TODAS as decisões da Assembleia Nacional. e referendou TODAS as decisões de Maduro, incluindo a convocação de uma “Constituinte popular”. A Constituição atribui esse direito exclusivamente à Assembleia Nacional. A “Constituinte” usurpará os poderes da Assembleia e, segundo Maduro, é essencial para “prender todos os terroristas” – que são TODOS os que se opõem a seu governo.

O TSJ é composto por 13 juízes titulares e 20 substitutos. A posse dos novos juízes, efetivada esta manhã, cria uma situação de conflito permanente, pois os nomeados pela Assembleia anterior recusam-se a entregar seus cargos e salas. E Maduro, naturalmente, não reconhecerá os novos.

Seja como for, a nomeação de um tribunal paralelo é mais um soco direto no queixo do ditador. No domingo, 7,5 milhões de venezuelanos participaram de uma consulta informal que, por 98% dos votos, condenou a “Constituinte popular” e ontem o país aderiu em massa à “greve cívica” convocada pela oposição. As forças de segurança reprimiram com violência os manifestantes que bloquearam ruas – duas pessoas foram mortas e várias feridas pelos policiais e paramilitares. Mas os venezuelanos não se intimidaram: diversas cidades, o centro e vários bairros de Caracas amanheceram hoje com bloqueios de ruas.

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O trio sinistro

“Como não conseguem me derrotar na política, querem me derrotar por processo. Nenhum deles é mais honesto do que eu nesse país.”

Esse mantra, repetido à exaustão onde quer que esteja e por seus seguidores, foi o tema do discurso de ontem à noite de Lula na Avenida Paulista, em manifestação convocada pelo PT, movimentos (anti)sociais e centrais sindicais alinhadas ao partido. Motivo da convocação: prestar solidariedade à “viva alma mais honesta deste país”, condenada na semana passada a nove anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Críticas ao juiz Sergio Moro e ao presidente Temer rivalizaram com a exaltação de seus “méritos” e “virtudes” – superiores a de todos os demais mortais, naturalmente – e com a ameaça de voltar ao poder “para fazer ainda melhor o que já demonstrei ser capaz de fazer”.

Imagine só: Lula, o responsável pela maior crise econômica, moral e política da história recente do país – e apontado como chefe da maior organização criminosa de que se tem notícia –, pretende, se os brasileiros cederem ao disparate de reelegê-lo, “fazer ainda melhor” o que já demonstrou à exaustão ser capaz de fazer. Por haver maior ameaça a esta e às próximas gerações do que esta?

Ao seu lado, em atitude de veneração, está a “presidenta” do PT Gleisi Hoffmann, ré na Lava Jato. E que acaba de voltar da Nicarágua, governada pelo corrupto e totalitário Daniel Ortega, onde manifestou “solidariedade ao companheiro Maduro”, enalteceu Che Guevara como “herói histórico” e saudou o centenário da Revolução Russa, que detonou os mais sanguinários regimes políticos da história responsáveis pela morte de cerca de 100 milhões de pessoas.

Ao fundo, fungando no pescoço dos dois, Lindbergh Farias, o Brilhoso, incapaz de desencarnar o líder estudantil raivoso, disposto a tudo para impor sua vontade, que o içou à vida pública. Combativo opositor do corrupto Collor de Mello, transformou-se num dos mais ardorosos defensores do corrupto Lula.

Lula = mentira, corrupção, megalomania; Gleisi = fanatismo; Lindbergh = incoerência.

Os três estão imersos na sombra – a sombra que é o reflexo do mal, do pecado, do crime -, imagem que expressa à perfeição o submundo moral em que habitam e ao qual, mais uma vez, querem submergir o Brasil.

Sinistros!

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Gleisi revela outra faceta de sua personalidade: o culto aos facínoras

Ernesto Che Guevara executou quase 200 pessoas. O regime que ajudou a implantar em Cuba é apontado, pelos mais moderados, como responsável por 65 mil execuções. O número dos que morreram afogados tentando fugir da ditadura comunista é impreciso – dezenas e dezenas de milhares.

O regime comunista cubano é considerado a ditadura mais letal surgida na América Latina no século passado – e em vigor até agora.

Para Gleisi Hoffmann, Che é um “guerrilheiro heroico”. E os “companheiros” do Partido Comunista Cubano merecem “nosso irrestrito apoio e solidariedade”.

Nicolás Maduro, por meio de confiscos de indústrias e estabelecimentos comerciais e do controle rígido dos preços, destruiu a economia Venezuela e disseminou a pobreza para 80% da população, uma das mais prósperas da América Latina até a tomada do poder pelos “bolivarianos”.

Seus opositores são reprimidos à força, 130 deles morreram em protestos de rua, vítimas das forças de segurança ou dos paramilitares a serviço do regime. E, para sufocar a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, Maduro convocou, pisoteando a Constituição, uma “Constituinte popular” – desaprovada por 98% dos 7,5 milhões de eleitores que participaram da consulta informal realizada domingo pela oposição.

Para Gleisi, o regime de Maduro – classificado pela Conferência dos Bispos Venezuelanos como “ditador” e ao qual o PT, partido que preside, “manifesta seu apoio e solidariedade” – sofre uma “violenta ofensiva da direita”. “Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana”. Exatamente, dona Gleisi, a intenção de Maduro, por meio dessa “Constituinte popular”, é consolidar sua ditadura disfarçada de “revolução”.

A Revolução Russa faz cem anos em outubro. Foi ela que disseminou pela Europa, Ásia e América Latina o mais sanguinário dos regimes políticos da história da humanidade, responsável pela morte de 98 milhões de pessoas.

Gleisi comemorou esse acontecimento, personificando-o no “guerrilheiro heroico” Che Guevara, “a quem recordamos para que tenhamos sempre presente a necessidade da transformação social de nossos países”.

Noventa e oito milhões de mortos pelas mãos de Stálin, Mao, Pol Pot, Ceausescu, a dinastia Jung, Fidel Castro e Che, etc.: que “transformação social” fabulosa!

O governo petista lançou o Brasil na mais prolongada e profunda recessão de sua história, abalou os fundamentos da política econômica, comprovou dramaticamente as finanças públicas, assaltou as estatais e fundos de pensão, deixando-os com dívidas bilionárias, promoveu uma política de assistencialismo comprometida por seus próprios erros, levou ao desemprego 13 milhões, tem vários de seus líderes condenados por corrupção e… segundo Gleisi (também ré por corrupção), “mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país”.

Esses disparates foram proferidos por Gleisi em Manágua, durante encontro promovido ontem pelo Foro de São Paulo, que reúne os partidos de esquerda latino-americanos.

Defensora ardorosa de Lula e dos líderes do PT condenados por corrupção, militante intransigente do petismo e de suas causas espúrias, combatente iracunda dos que ousam atravessar seu caminho, do partido e de seus líderes – e aí o Judiciário ocupa a vanguarda -, Gleisi revelou em Manágua outra faceta de sua personalidade e de seus companheiros petistas, pois falou em nome deles: o culto aos facínoras.

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Venezuelanos enfrentam o tirano e participam em massa de plebiscito opositor

Eles não se intimidaram com as ameaças dos paramilitares (colectivos) a serviço de Nicolás Maduro de repetir o que fazem sempre que ousam protestar contra o ditador: truculência e morte.

E até os enfrentaram, impedindo que esses marginais financiados pelo regime surrupiassem as mesas eleitorais.

E assim, os venezuelanos enfrentam o regime, participando massivamente hoje do plebiscito informal convocado pela oposição, reunida no Movimento de Unidade Democrática, para se contrapor à eleição de uma “Constituinte popular” decidida por Maduro à revelia da Constituição – que atribui esse direito exclusivamente à Assembleia Nacional. A “eleição” está prevista para o dia 30 (as aspas são necessárias, já que somente poderão participar quem for aliado do regime…)

Assembleia Nacional: eis o obstáculo para Maduro submeter os venezuelanos a uma ditadura plena. Se antes, o Congresso lhe era servil – como todos os demais órgãos representativos, o Judiciário e o Ministério Público -, agora é majoritariamente hostil. E por isso, Maduro, representante de um regime que, segundo Lula, peca pelo “excesso de democracia”, quer calar de vez a oposição com a tal “Constituinte popular”, que usurpará seus poderes.

O plebiscito de hoje é informal, naturalmente, pois seu resultado não terá valor legal, mas simbólico: se o comparecimento ultrapassar os 50% dos eleitores (que são 18 milhões), será um importante instrumento de pressão sobre o ditador (assim qualificado pela Conferência dos Bispos Venezuelanos).

Três perguntas são feitas aos eleitores: se apoiam a “Constituinte popular”, se defendem a submissão do Exército e dos servidores públicos à Constituição, que prevê o livre funcionamento da Assembleia Legislativa, e se querem a convocação de eleições gerais.

Observadores internacionais, entre eles vários ex-presidente latino-americanos, estão na Venezuela para acompanhar o plebiscito. Pediram para se reunir com Maduro – até agora não obtiveram resposta. Que fiquem sem ela, pois a única resposta que, desde sua posse, há quatro anos, Maduro tem dado aos que exigem liberdade de expressão, democracia, eleições livres e comida (1) – e esses são milhões – é a repressão. Há centenas de presos políticos (a tortura é recorrente, segundo organismos internacionais de defesa dos direitos humanos) e 140 pessoas foram mortas nas manifestações de rua desde a posse do ditador.

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Gleisi, a servil, se superou. Que façanha!

Demonstrações de servilismo a Lula. Dilma e à cúpula do PT (a maioria está condenada ou presa por corrupção) são abundantes no currículo de Gleisi Hoffmann, senadora e “presidenta” do partido.

Mas ontem ela se superou – que façanha! -, enxugando o o suor do rosto de seu líder máximo Lula.

Isso aconteceu durante o discurso que o chefão fez para xingar o juiz Sergio Moro, fazer-se de vítima do Judiciário, mentir a cântaros e reafirmar sua postulação à presidência da República.

Há seis anos escrevi Gleisi: a vitória do servilismo. Registro hoje a submissão incondicional de um ser vil, submisso incondicionalmente a um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e réu em outros quatro processos (por enquanto).

O gesto de Gleisi remete ao da bíblica Verônica, lembra o jornalista curitibano José Antonio Fiori, que enxugou o rosto de Cristo, vilipendiado pelos esbirros de um sistema que o condenou injustamente. Verônica enxugou o rosto de Deus. Gleisi, o do homem apontado como o chefe da maior organização criminosa da história do Brasil e que traiu milhões e milhões que confiaram em sua promessa de impor a ética no trato da coisa pública – e fez exatamente o contrário.

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Lula, a jararaca, acusa o golpe na cabeça

“Não me tiraram do jogo”, “vou concorrer à presidência da República”, “desafio a apresentarem um documento qualquer com minha assinatura para provar minha culpa”… e por aí vai.

Um dia depois da condenação por corrupção e lavagem de dinheiro pelo juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula reuniu sua turma* no diretório do PT em São Paulo para se contrapor à sentença que sepulta a “viva alma mais inocente deste país”, como ele se intitula.

O conteúdo e a cena repetem seu discurso após a condução coercitiva para depor à PF em São Paulo, em março do ano passado. Naquela ocasião, ele desafiou: “Tentaram matar a jararaca, mas acetaram no rabo e não na cabeça”.

Engana-se Lula. O golpe que sofreu ontem não o fez se dar conta ainda de que a cabeça, o corpo e os membros do chefe da organização criminosa que praticou o maior assalto aos cofres públicos foram atingidos em cheio…

· E lá estava Gleisi Hoffmann, “presidenta” do PT, que gazeteou os trabalhos no Senado para aparecer ao lado do líder.

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