Tribunal de Contas fecha os olhos para os abusos e tenta prejudicar pequenas cidades, dizem prefeitos

Na região de Maringá, 12 cidades tem menos de 5 mil moradores, sete delas praticamente lado a lado

A iniciativa do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TC-PR), de realizar um estudo que sugere a fusão de pequenos municípios ‘para melhor a gestão e a prestação de serviços básicos à população’, resultou em duras críticas de prefeitos, que dizem que o tribunal deveria procurar fazer algo que faça jus aos altos salários de conselheiros e funcionários, ao invés de procurar prejudicar os moradores de cidades que já enfrentam muitas dificuldades.

O estudo do TC já vinha provocando reclamações desde que foi encomendado, há um ano, e neste início de ano o resultado foi anunciado pelo então presidente do tribunal, Ivan Bonilha. O estudo sugere a fusão de municípios que tenham menos de 5 mil habitantes e o resultado deverá ser discutido em todos os Estados brasileiros. No Paraná, 96 cidades têm menos de 5 mil moradores, 12 delas na região polarizada por Maringá.

De acordo com o estudo, cidades pequenas tendem a não ter condições mínimas para oferecer os serviços básicos esperados pela população, especialmente no que se refere a saúde e educação. Uma comparação entre os Índices de Desenvolvimento Humano Municipais (IDHM) de 10% das cidades mais populosas do Paraná e de 10% das menos populosas levou à conclusão de que as pequenas são caracterizadas por níveis mais baixos de desenvolvimento integrado.

Conselheiro Ivan Bonilha virou motivo de pilhéria entre prefeitos

Diante de uma estrutura que é deficitária, tem-se que extingui-la ou agregá-la a outra”, diz o conselheiro Bonilha. “Isto pode se dar nos municípios por meio da fusão ou da incorporação, ou do retorno do município pequeno e deficitário ao município de onde foi desmembrado”.

“Se a preocupação é a economia do dinheiro público, poderíamos começar pedindo a extinção do Tribunal de Contas, que é na verdade um grande cabide de emprego para acomodar políticos em final de carreira e seus aliados, gasta milhões por ano e não faz nada que justifique tamanho gasto”, disse um dos prefeitos da região de Maringá, cuja cidade não está na lista das que, segundo o TC, deveriam deixar de ser município. “O governo está cheio de empresas que não têm serventia nenhuma, mas consomem milhões de reais todos os anos, como é o caso da Cohapar e tantas outras, mas isto o conselheiro Bonilha e os responsáveis pelo tal estudo não conseguem – ou não querem – enxergar”.

Com 4 mil habitantes, Atalaia (a 52 quilômetros de Maringá) está na lista dos municípios que, segundo o TC, devem ser agrupados ou voltar a fazer parte do município de Nova Esperança, do qual foi emancipado em julho de 1960. “Sugerir o fim de um município com base no seu número de habitantes é uma solução muito simplista para os verdadeiros problemas”, disse o prefeito Fábio Fumagalli Vilhena (PSD). “Tem municípios pequenos que são altamente viáveis economicamente, como é o caso de Atalaia, e há municípios entre os maiores que estão falidos, como parece ser o caso do Rio de Janeiro. O que o Tribunal deveria ter como base é a eficiência na gestão, pois extinguir não é solução. Quem verificar a situação da maioria dos distritos dos grandes municípios verá que eles estão praticamente abandonados e é isto que vai acontecer com cidades que voltarem a ser distritos”.

A secretária de Administração de Atalaia, Geisimone de Lima, destaca que uma iniciativa destas geraria um caos social sem precedente. “Aqui na nossa região, Iguaraçu, Ângulo, Atalaia, Flórida e Lobato, que são vizinhos, deixariam de existir. O fim das prefeituras e câmaras resultaria em mais de 1,5 mil desempregados em uma região em que emprego praticamente não existe”.

Entre as 30 cidades da região de Maringá que compõem a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), 12 delas têm menos de 5 mil habitantes e, de acordo com o estudo do TC do Paraná, deveriam agrupar-se ou voltar a seus municípios de origem.

MUNICÍPIO

2016

2017

VARIAÇÃO

Ângulo

2.969

2.974

0,17%

Atalaia

4.002

3.999

-0,07%

Flórida

2.685

2.697

0,45%

Iguaraçu

4.309

4.343

0,79%

Itaguajé

4.629

4.620

-0,19%

Ivatuba-PR

3.220

3.240

0,62%

Munhoz de Melo-PR

3.934

3.958

0,61%

Nossa Senhora das Graças

4.070

4.075

0,12%

Ourizona

3.491

3.494

0,09%

Santa Inês

1.746

1.727

-1,09%

Uniflor

2.604

2.614

0,38%

Lobato

4.721

4.751

0,64%

Muitas cidades pequenas são viáveis economicamente, como Atalaia, e muitas grandes estão falidas, como o Rio de Janeiro”.

Fábio Vilhena, prefeito de Atalaia

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Mesquita muçulmana inaugura espaço para conciliação

A Mesquita Muçulmana, na Avenida Carlos Borges, na região do Borba Gato, é a primeira instituição religiosa de Maringá a disponibilizar dependências especialmente para o programa Pacificar é Divino, do Tribunal de Justiça do Paraná, para trabalhar a solução consensual de conflitos e incrementar a cultura do diálogo e da conciliação no âmbito religioso e promover a pacificação social.

O espaço será inaugurado nesta sexta-feira, às 19h30, com a presença da juíza Carmem Lúcia Rodrigues Ramajo, representante dos Centros Judiciários de Soluções de Conflitos e Cidadania (Cejusc), de outros juízes, promotores e autoridades municipais.

O diretor de Jovens Muçulmanos e diretor de Assuntos Religiosos da Sociedade Beneficente Muçulmana de Maringá, Yuri de Gennaro Jaruche, será o facilitador e fará os atendimentos das pessoas em conflito, aplicando as técnicas de autocomposição e, nos casos necessários, encaminhar o acordo para homologação judicial.

Ainda neste mês outros dois espaços de conciliação do Pacificar é Divino começarão a funcionar. Estes espaços são resultados de uma parceria entre o Tribunal de Justiça e diversos segmentos religiosos de Maringá para buscar soluções de pequenos conflitos, evitando que se tornem grandes problemas e acabem indo parar na Justiça.

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Calçada próxima do Centro é tomada por lixo, mato e insetos

Mato, lixo e poças d’água impedem a passagem de pedestres Foto: João Cláudio Fragoso

Com um quarteirão inteiro sem moradores e sem empresa em funcionamento, a calçada na Rua Afonso Pena no trecho entre a Avenida Bento Munhoz da Rocha e Rua Marechal Deodoro, na Zona 7, fundos do Supermercado Angeloni, virou um depósito de lixo a céu aberto, gerando reclamações de moradores das proximidades e de outras pessoas que precisam passar por aquela rua.

Não dá mais para usar a calçada, temos que andar pela pista ou dar a volta no quarteirão”, disse a comerciária Gizelli Amorim, que mora no bairro e precisa passar diariamente pela Afonso Pena para chegar ao Centro, onde trabalha. “Nota-se que este trecho está abandonado e muitas pessoas devem despejar lixo aqui”.

A calçada que virou lixão está em frente a um prédio fechado há vários anos, onde no passado funcionou o Jornal do Povo. “Desde que o jornal saiu daqui que o prédio está lacrado, mas deve ter muita sujeira aí dentro, porque saem muitas baratas e até escorpiões”, disse uma vizinha que pediu para não ter seu nome citado. “O prédio abandonado fede, dá nojo passar perto. E a gente nunca sabe se no meio da sujeira não acaba pisando em cobras, aranhas, escorpiões”.

A Secretaria de Serviços Públicos informou que já fez a limpeza da calçada, mas mais lixo tem sido depositado no local. Além disto, nesta época de muita chuva e calor o mato cresce com facilidade.

De acordo com a prefeitura, o proprietário do prédio será notificado para que mantenha a limpeza do imóvel e das calçadas. Também deverá ser notificado o proprietário de um terreno vizinho, onde o mato cresceu, propiciando o surgimento de insetos.

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Depósito de carros velhos da prefeitura é problema no Sol Nascente

Uma quadra inteira do Conjunto Habitacional Sol Nascente, próxima ao Contorno Sul, utilizada pela prefeitura de Maringá como depósito de ônibus escolares, tratores, caminhões da coleta de lixo e outros veículos que já não têm condições de uso, tornou-se um transtorno para a vizinhança, que diz que suas casas estão sendo invadidas por pernilongos, baratas e ratos.

Em plena área residencial, o depósito de veículos velhos virou abrigo de andarilhos, ponto de encontro de drogados e criatório de pernilongos, mosquito da dengue e escorpiões Foto: João Cláudio Fragoso

Os moradores temem que o local esteja servindo como criatório do mosquito da dengue e de escorpiões, duas pragas que atualmente preocupam as autoridades sanitárias do município.

Nem sempre foi assim”, disse a trabalhadora autônoma Luciene Pereira dos Santos, moradora na Rua Pioneiro Benedito Carvalho, em frente ao depósito. “Antes, toda a área era cercada por muros altos e tinha vigias de dia e de noite. Agora não tem mais quem cuide do local, os muros caíram e o mato cresceu”.

Segundo a vizinha, sem muros e sem vigias, o local passou a ser frequentado por andarilhos e usuários de drogas. “Nós ficamos inseguros, pois não sabemos quem são estas pessoas e o que elas são capazes de fazer”.

O também autônomo Zulmiro Tortola Filho, morador na Rua Pioneiro José Faian, já fez reclamações de todos os tipos, mas não obteve êxito. “Este lugar se tornou perigoso para a comunidade, a cada dia vemos pessoas arrombando os barracões, retirando objetos, os caminhões e tratores estão sendo sucateados, mas as autoridades não fazem nada”.

Quando diz que o ambiente está perigoso, Tortola se refere também à proliferação de insetos. “As casas são invadidas por pernilongos e tememos que entre eles esteja também o mosquito da dengue”. Outra preocupação é com escorpiões. Os barracões cheios de objetos e sem qualquer cuidado juntam baratas, que são o alimento preferido dos escorpiões.

Os vizinhos estão tão revoltados que ultimamente estão proibindo que os agentes da dengue verifique a situação de seus quintais. “Enquanto não for dado jeito neste criatório gigante, aqui eles não entram. A cidade está vivendo uma epidemia de dengue e o exemplo tem que começar pela prefeitura”, disse um deles, que preferiu não ser identificado.

Área de lazer

O prefeito Ulisses Maia (PDT) disse já ter sido informado sobre a situação do depósito da prefeitura e anunciou que as providências vão ser tomadas imediatamente, a começar pela limpeza do terreno. O objetivo de Maia é leiloar os veículos para aproveitamento de peças e demolir os barracões para que no local seja implantada uma Praça da Família, que será uma área de lazer com um pequeno campo de futebol com grama sintética e área de convivência.

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Homens que puxam carroças

Com 75 anos de idade, João Dias passa pelo menos 10 horas por dia disputando espaço nas avenidas da área central de Maringá com carros, ônibus e motocicletas, puxando um carrinho de ferro maior do que as carroças que geralmente são puxadas por cavalos ou burros. Se consegue uma vaga para estacionar, terá que aguentar reclamações de motoristas que também querem a vaga, se não consegue, vai ouvir xingamentos de motoristas que reclamam que ele trafega lento demais e dificulta o trânsito.

As dificuldades para transitar pelas ruas do Centro, muitas vezes os carrinhos dos catadores atrapalhem o trânsito Foto: João Cláudio Fragoso

Seu Antonio é um dos muitos catadores de recicláveis que utilizam carrinhos puxados por eles próprios. Cada carrinho suporta uma carga tão grande e pesada quanto a levada por uma carroça.

É muito pesada (a carroça), ruim de fazer curva, o sol quente castiga, a gente não pode parar para comer e nem mesmo para ir ao banheiro, passamos fome, sede, o cansaço mata, mas o que mais dói é a humilhação”, lamenta. “Muitos motoristas pensam que só carros bons podem usar as ruas e nos humilham, não porque estamos no trânsito, mas porque somos pobres”.

Mas, a humilhação está também no ganho. João Dias trabalha das 8 horas da manhã às 18 horas, cata papelão, plástico e outros materiais, mas no fim do dia dificilmente consegue ganhar R$ 20. “Se eu tiver que comprar uma marmita para comer, talvez volte para casa sem um tostão no bolso, uma humilhação para um homem de 75 anos, que trabalhou a vida inteira e tem filho pequeno para criar”, reclama.

A situação de João Dias é a mesma dos outros catadores que puxam carrinhos no centro de Maringá em busca de recicláveis. Há informações de que eles são mais de 30, todos muito pobres e com idade avançada. Nenhum paga Previdência Social nem recolhe para o Fundo de Garantia. A maioria precisa de remédios constantes, muitos, inclusive, que não são fornecidos pelos postos de saúde.

Segundo eles, a situação já foi menos ruim. “Teve época em que ganhávamos mais R$ 1 mil no fim do mês. Hoje, dificilmente chegamos a R$ 500”. Dizem que a situação já vinha piorando, mas “ficou insustentável” depois que a prefeitura também iniciou a coleta de recicláveis por meio de cooperativas de catadores.

Apesar da Lei, carroças continuam no Centro

Apesar de Maringá contar com duas leis que, em tese, proíbem a circulação de carroças na área urbana, uma aprovada em setembro deste ano e outra 20 anos atrás, os veículos de tração animal continuam trafegando normalmente nas ruas da cidade, muitas vezes permanecendo paradas em fila dupla enquanto seu condutor revira caçambas em busca de materiais recicláveis e quase sempre dirigidas por menores de 18 anos.

Mas, esta situação deve mudar nos primeiros meses de 2018, quando o Setor de Fiscalização da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) fará valer a proibição. Carroceiro que desobedecer terá o veículo e o animal apreendidos e as multas poderão chegar a R$ 1 mil.

A proibição já existe, mas ainda não iniciamos a fiscalização porque ainda há que se definir os critérios”, disse o diretor de Fiscalização da Semob, Marcelo Filite. Assim que forem detalhados os critérios, deverá ser feito primeiro um trabalho educativo, com informação e orientação aos carroceiros. Só depois começa a fiscalização com punições a quem contrariar a Lei.

A nova Lei foi originada em um projeto do vereador Flávio Mantovani (PPS), aprovado em setembro pela Câmara de Maringá, que proíbe a circulação de equinos, asininos, muares, caprinos e bovinos com ou sem carroça, porém continua permitindo atividades com animais em estabelecimentos públicos e privados. Para cada animal recolhido, o responsável deverá pagar R$ 100 pelo transporte, R$ 50 pela diária no Centro de Zoonoses e mais R$ 1 mil de multa. Se o proprietário não fizer a retirada no prazo de 72 horas, o animal será destinado a doação.

De acordo com Mantovani, que está imbuído no movimento de proteção dos animais, um dos objetivos da Lei é a prevenção de maus-tratos a animais e também a situação de crianças e adolescentes que trafegam perigosamente em carroças, quase sempre catando materiais recicláveis nas ruas.

No início desta semana, após a publicação da sanção do prefeito Ulisses Maia (PDT), um resumo da Lei foi encaminhado ao secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur, para a definição de como será a fiscalização. Esta fase só será concluída em janeiro e aí começa o trabalho da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), responsável por cadastrar e encaminhar os carroceiros para cursos profissionalizantes para evitar que o fim da circulação das carroças engrosse a fila do desemprego em Maringá.

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Geladeira Solidária será entregue sexta-feira

O Projeto Amigos Solidários de Maringá (ASM), formado por mais de 150 voluntários que entregam marmitas durante a noite a moradores de rua e colaboram com outras instituições filantrópicas, inaugura na próxima sexta-feira a primeira Geladeira Solidária de Maringá, que vai disponibilizar alimentos de graça a quem não tem condições de comprar.

Foto ilustrativa do site awebic

O eletrodoméstico, que permanecerá ligado 24 horas por dia, será instalado na próxima sexta-feira, às 14 horas, na Praça Raposo Tavares, ao lado do prédio onde funcionou o Cine Plaza, na região que mais concentra moradores de rua. Ele poderá ser abastecido por qualquer pessoa e qualquer um tem o direito de retirar alimentos sem precisar de qualquer autorização. Nela poderão ser colocadas marmitas, pão, bolacha, bolos, iogurte, refrigerantes, frutas e outros alimentos. As únicas restrições são para bebidas alcoólicas e alimentos com princípios de deterioração.

Além de ser oferecido alimento a quem precisa, a geladeira será também uma oportunidade para que qualquer pessoa possa fazer doação anonimamente”, disse o voluntário Vandré Fernando, um dos líderes do projeto. “Mesmo antes da instalação, várias pessoas já estão envolvidas, dando de si para que este benefício se torne realidade, como uma empresa que se propôs fazer, gratuitamente, a manutenção da geladeira, e várias pessoas se propuseram a fazer esporadicamente o abastecimento com doações”.

A geladeira, que utilizará energia elétrica do antigo Cine Plaza, foi doada por um dos membros do Amigos Solidários de Maringá, que prefere que seu nome permaneça no anonimato. Ela é do modelo bastante comum em lojas de conveniência, com portas de vidro.

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Presépio de Alexandro e Inês destaca a vida no campo

Alexandre diz que pensou um presépio que represente mais do que o nascimento de Jesus  Foto: João Cláudio Fragoso

A placa no portão anuncia um presépio de Natal, mas quem entra experimentará um passeio no tempo, com oportunidade para conhecer como era a vida algumas décadas atrás, sobretudo na roça. E, é claro, verá também um presépio natalino, só que não exatamente como o presépio tradicional, mas uma representação de um lugarejo rural, com a pracinha da igreja e seus frequentadores.

Assim é o presépio de Alexandro e Inês, na Avenida Brasil, na zona norte de Sarandi. Aberto no dia 9, até ontem já tinha recebido milhares de visitantes. “Os adultos gostam porque é uma oportunidade para recordarem de seu tempo, as crianças porque querem conhecer como era o mundo na época de seus pais e avós”, conta Inês, orgulhosa com tanta gente animada em sua casa. “É gostoso ver os adultos explicando as coisas às crianças, mostrando entusiasmadas as coisas que certamente as crianças não conhecem”.

O presépio de Alexandro e Inês é montado há 20 anos e a cada Natal tem um formato diferente e muitas novidades. O deste ano, por exemplo, conta alguns eventos da história da humanidade, começando com Adão e Eva no Jardim do Édem, o embarque dos bichos na Arca de Noé e o anúncio a Maria de que ela tinha sido escolhida por Deus para ser a mãe do salvador da humanidade. Tudo isto entremeado com representações da vida na roça, com casas de caipiras, com fogão a lenha, vinheira, queijeira, animais, mitório do lado de fora, banheiro com chuveiro de latão.

O presépio ocupa uma pequena casa que existe no quintal da moradia de Inês e Alexandro, usada como oficina por Alexandro, um artesão conhecido que já foi assunto de várias matérias na imprensa regional, inclusive nas páginas de O Diário.

Hoje fala-se “o presépio do Alexandro e Inês”, mas houve uma época que ele era só da Inês. A mulher que cresceu no sítio e foi obrigada a mudar-se para a cidade em 1975, quando as geadas históricas acabaram com os cafezais e provocaram o maior êxodo rural da história do Paraná, começou a montar presépio sozinha, mas o filho único, Alexandro Dias dos Santos, cresceu vendo aquilo, se interessou, desde pequeno começou a ajudar dona Inês Fávaro Calixto dos Santos e tornou-se artesão. Hoje, ele produz boa parte de tudo que há no presépio que constrói com a mãe.

Superação

Inês diz que “não estamos pagando promessa. Fazemos porque gostamos, porque queremos ver felicidade nos visitantes e, acima de tudo, como agradecimento por tudo que Deus nos dá”.

No “tudo que Deus nos dá” ela se refere à graça de ver o filho com independência e fazendo o trabalho artístico de que tanto gosta. Alexandre nasceu com deficiência auditiva e na época os médicos anunciaram que ele jamais ouviria e não aprenderia a falar. Mas, com os especialistas certos e o empenho da mãe, ele é exemplo de superação. Ouve com ajuda de aparelho, fala muito bem, estudou, fez faculdade de Moda e hoje trabalha no Escritório de Desenvolvimento de Projetos, em Maringá.

Serviço

Av. Brasil, 668 – Jardim Independência – Sarandi

Segunda a sexta-feira, de 17h às 22h30

Sábados e domingos das 15h às 23h

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Confirmada a instalação de Colégio da Polícia Militar em Maringá

O Núcleo Regional de Educação inicia em janeiro um estudo para definir qual dos colégios estaduais de Maringá será destinado à implantação do Colégio da Polícia Militar, instituição de ensino que será subordinada à Diretoria de Ensino da corporação e vinculada à Secretaria Estadual de Educação.

A instalação do colégio é uma decisão do governo e foi informada pela vice-governadora Cida Borghetti, que permaneceu no exercício do cargo de titular do governo até a última sexta-feira. Segundo ela, a pretensão do governo é que pelo menos as cidades consideradas polos regionais, que tenham sede de batalhão da PM, contem com colégios, que terão metade das vagas reservadas a filhos de policiais militares e as demais serão disponibilizadas à sociedade, mediante teste seletivo.

Alunos do CPM de Curitiba em formação

A chefe do Núcleo Regional de Educação em Maringá, Maria Inês Teixeira Barbosa, disse que o Colégio da Polícia Militar deverá começar a funcionar em Maringá somente no ano letivo de 2019, porque, além de escolher um estabelecimento, realizar as adaptações, há que ser definida a proposta pedagógica. O de Londrina, que foi autorizado antes pelo governo, poderá funcionar já em 2018.

Segundo Cida Borghetti, o CPM terá um alinhamento muito maior com a PM, objetivando criar oportunidade do jovem cidadão de conhecer a filosofia e a disciplina militares. Além das disciplinas escolares, o colégio vai trabalhar o civismo e a cidadania, hierarquia e disciplina. Os alunos usam uniforme completo e entram em formação, em um processo que visa promover o respeito às autoridades e às leis.

Os colégios do interior devem seguir o modelo do que já funciona há alguns anos em Curitiba, que nos últimos cinco anos foi considerado o melhor colégio público da Capital, além de ganhar vários prêmios pela qualidade do ensino. O CPM de Curitiba oferece 120 vagas para a 5ª série pela manhã e tarde, sendo 80 delas preferenciais para filhos de policiais e bombeiros militares. Para o primeiro ano são 90, sendo 60 preferenciais para famílias de militares.

Colégio pioneiro

A chefe do Núcleo Regional de Educação não confirma, mas o governo tem interesse que a escolha recaia sobre o Colégio Gerardo Braga, no Maringá Velho, primeiro estabelecimento de ensino de Maringá. Há dois anos já houve uma tentativa de extinguir o colégio, o que só não aconteceu devido à reação de alunos, professores e da sociedade, que foram para as ruas protestar.

O que faz do “Gerardão” o ideal para as necessidades da Polícia Militar é que é um dos raros colégios de Maringá com pátio amplo.

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OAB de Maringá cria Comissão de Direito Agrário

Aconteceu ontem à noite a primeira reunião da recém-instituída Comissão de Direito Agrário e do Agronegócio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da região de Maringá para tratar sobre o trabalho a ser realizado e admissão de mais membros na comissão.

Guilherme Bolognini Tavares agora procura interessados para participar da comissão

Comissões nas seções da OAB para tratar de assuntos do agronegócio existem em várias regiões brasileiras, mas curiosamente, em Maringá, importante centro de produção agropecuária do Brasil, só agora é criado um grupo de trabalho para se dedicar ao direito agrário”, disse Guilherme Bolognini Tavares, advogado que presta serviço a várias empresas dos setores agrícola e pecuário, professor de Direito Agrário da Faculdade Maringá e fundador da Comissão de Direito Agrário e do Agronegócio na OAB de Maringá. “Já tínhamos várias comissões internas para praticamente todas as áreas, menos para o agronegócio”.

A comissão deverá promover debates e estudos para preparar melhor os profissionais que atuam no agronegócio, tanto ao lado das grandes cooperativas quanto das empresas menores e mesmo os pequenos produtores. “O agronegócio cresceu e hoje é empresarial e tornou-se mais complexo ao produtor e toda a cadeia produtiva até o consumidor”, diz Tavares, destacando que, diante da complexidade, o produtor e as empresas precisam ter garantida a segurança jurídica, reduzindo assim os riscos da atividade e proporcionando a sustentabilidade.

De acordo com o presidente da comissão, o produtor rural hoje em dia precisa preocupar-se com normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, normas do Ministério da Agricultura, determinações do Ibama e dos órgãos de estaduais de conservação, Imposto Territorial Rural (ITR) e suas avaliações, elaboração de contratos agropecuários de acordo com o Estatuto da Terra, legislações de outros assuntos.

O produtor vai trabalhar com mais tranquilidade e foco na atividade se souber que poderá contar com advogados bem preparados para atuar em seus interesses”, diz Guilherme Tavares. “Para isto, vamos promover encontros e eventos sobre questões relacionadas ao agronegócio, com enfoque na legislação, nos direitos constitucionais, distante de discussões ideológicas sobre as questões agrárias, fundiárias, ambientais, trabalhistas e outras”.

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Mais doce e agora certificada, uva de Marialva alcança bom preço

A produtividade abaixo da esperada para esta safra de verão nem de longe significa frustração para os produtores de uva fina de mesa de Marialva, pois a qualidade da fruta colhida até agora é boa e os preços no mercado são considerados satisfatórios.

As cerca de 500 propriedades rurais que cultivam uva em regime familiar devem colher em torno de 6 mil toneladas até janeiro, volume visto como “bom” em comparação com as últimas safras, mas aproximadamente 30% inferior ao que o município poderia produzir. A produção é tida como boa porque desde 2012 os produtores de Marialva enfrentam uma sucessão de safras problemáticas provocadas por problemas climáticos, como geadas, excesso ou falta de chuvas e queda de granizo.

O produtor Antonio Peres Martines, que cultiva quatro hectares de parreiras na Estrada Marialva, espera colher 50 toneladas nesta safra e diz que sua propriedade tem capacidade para produzir 80 toneladas, mas mesmo assim ele comemora porque a qualidade “está ótima”. Além do fato de o teor de açúcar ser alto, “o brix está adiantado em duas semanas”.

Isto significa que os primeiros frutos colhidos em cada safra não são tão doces quanto os do final, mas nesta safra o teor de doçura “chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Toninho Peres, como é conhecido, não sabe o que fez as frutas adoçarem mais cedo, mas acha que o clima ajudou. Após a safra temporona, que acontece no meio do ano, os parreirais enfrentaram um período de estiagem prolongada, que pode ter tido reflexo na qualidade da fruta que está sendo colhida agora.

A engenheira agrônoma Sonia Vicentini, que como fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Secretaria da Agricultura, acompanha há anos o comportamento da uva de Marialva, considera que esta é uma safra média, afetada pela longa estiagem. Segundo ela, alguns produtores começaram a colher em novembro, mas o grosso da safra acontece em dezembro, quando a fruta atinge sua melhor qualidade.

“No começo de dezembro, a colheita ainda está fraca, mas a oferta atinge seu principal momento a partir do dia 15, quando acontece o forte da comercialização porque o mercado se abastece para as vendas do período natalino”, diz a técnica.

Embora a colheita ainda esteja no início, os produtores consideram que estão conseguindo preços satisfatórios. As variedades Brasil, Itália, Rubi e Benitaka estão rendendo entre R$ 3 e R$ 3,5 por quilo ao produtor. Já a Núbia, variedade desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), está sendo vendida a R$ 4,50. Pelo tamanho, cor vermelha intensa, sabor suave, baixa acidez e doçura, é a uva que mais atrai nas prateleiras dos supermercados e frutarias.

Certificada

Esta é a primeira safra em que Marialva vai vender uva som Selo de Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O município entrou no Mapa das Indicações Geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para isto, 15 produtores passaram dois anos realizando cursos, treinamentos e aplicação de tecnologias e métodos para melhorar a qualidade da uva fina de mesa de Marialva.

A doçura dos frutos chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Antonio Peres, produtor de uva

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