Mês: setembro 2012



Candidato a prefeito não consegue registro, renuncia e é substituído

O atual prefeito de Kaloré, Edmilson Luiz Stencel, do PDT, renunciou ao direito de concorrer à reeleição por entender que mesmo que seja o vencedor poderia não assumir. No lugar dele agora o candidato do grupo é o vice-prefeito Washington Luiz da Silva, também do PDT.

Stencel que assumiu a prefeitura há apenas um ano, depois de uma eleição marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) devido à cassação, pela Justiça, dos mandatos do então prefeito Adnan Luiz Canelo (PMDB) e seu vice Mauro Labegaline (PT). A renúncia à candidatura foi porque ele não conseguiu registro junto à Justiça Eleitoral por ter sido condenado à perda do mandato eletivo e dos direitos políticos.

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Raccanello era o favorito, mas o maringaense preferiu a tradição com João Paulino

Intelectual de oratória admirada, que fazia gelar o sangue dos adversários, Horácio era o nome da ala progressista, mas o eleitorado preferiu ficar com a tradição e escolheu um prefeito que já conhecia

Silvio Barros foi o prefeito eleito com o maior porcentual de votos dos 60 anos de história das eleições em Maringá, mas foi também o que amargou a pior derrota na tentativa de eleger seu sucessor. O candidato apoiado por ele acabou em último lugar entre os seis que concorreram em 1976, na última eleição do bipartidarismo.

Maringá eleições

Raccanello e seu candidato a vice, José Buzato, tiveram o apoio dos maiores líderes do PMKDB paranaense, como Álvaro Dias e José Richa; na foto também o então governador Jayme Cannet Júnior

Concluída a contagem dos votos, viu-se que o maringaense decidiu apostar em um estilo já conhecido e trouxe de volta para a prefeitura o ex-prefeito João Paulino Vieira Filho, que tornou-se assim o primeiro político maringaense eleito para um segundo mandato na prefeitura.

Depois da derrota de 72 e o revés de 74 no âmbito nacional, quando o PMDB aumentou o número de deputados em quase todos os Estados, o governo militar não mediu esforços para fortalecer a Arena. Daí as eleições de 76 transcorreram debaixo do tacão da casuística Lei Falcão, que determinava que durante a campanha os partidos limitar-se-iam a apresentar, no rádio e na televisão, o nome, número, um breve currículo e a foto do candidato. Sem permitir a divulgação das ideias e plataformas, o governo militar impedia que as críticas da oposição às políticas governamentais tivessem alguma influência sobre o eleitorado.

O ex-vereador Francisco Timbó de Souza lembra que “tudo indicava o MDB que ganharia, mais uma vez, a prefeitura de Maringá”. O partido era forte na cidade por ter o prefeito, além de ser uma espécie de refúgio de todas as correntes contrárias ao militarismo, principalmente as nascidas no bojo dos movimentos estudantis.

“O nome forte do partido era o advogado Horácio Raccanello, professor do Curso de Direito da UEM, excelente tribuno e grande estrategista, além de muito popular”, lembra Timbó. “Horácio era o que havia de novo na política maringaense, que até aquela altura esteve nas mãos de mãos dos pioneiros”, completa o ex-sindicalista Adenias Raimundo de Carvalho, um dos fundadores do MDB.

Mas, apesar de catalizador, Raccanello não tinha o apoio do prefeito Silvio Barros. Ao contrário, os dois eram ferrenhos adversários e as relações azedaram ainda mais quando, em uma histórica convenção municipal, o grupo do advogado derrotou de forma humilhante o grupo do prefeito.

Dividido, o MDB maringaense pela primeira vez se valeu do recurso da sublegenda. Silvio decidiu apresentar como seu candidato o vereador Antonio Assunção, o vice-prefeito Walber Guimarães, a esta altura deputado federal, também se lançou e a legenda foi fechada com Raccanello.

A Arena teve o deputado Luiz Gabriel Sampaio, apoiado pelo ex-prefeito Adriano Valente, o médico Said Ferreira e completou a legenda com a volta de João Paulino, que esteve afastado das disputas por ter se decepcionado com o trabalho de deputado federal. Sua candidatura foi uma cobrança do governador Emílio Gomes e do governo militar.

A eleição em que a TV e o rádio não tiveram qualquer influência foi decidida nas ruas e nos comícios e desde o começo ficou polarizada entre Raccanello e JP, ou seja, o que representava a novidade na política contra o representante da política vinda dos tempos dos pioneiros.

Venceu o político que os maringaenses já conheciam bem e JP tornou-se o primeiro prefeito a retornar ao cargo.

 

CANDIDATO LEGENDA VOTOS %
João Paulino Vieira Filho Arena 1 18535 27,4
Horácio Raccanello MDB 1 12025 17,8
Said Ferreira Arena II 11391 16,9
Luiz Gabriel Sampaio Arena III 11265 16,7
Walber Guimarães/Edi MDB III 8002 11,8
Antonio Assunção MDB II 3554 5,3
TOTAL LEGENDA Arena 41191 61
TOTAL LEGENDA MDB 23581 34,9
Brancos 985 1,5
Nulos 1766 2,6
TOTAL   67523 100

Elevador decide a disputa

A formação da Câmara nas eleições de 1976 foi marcada pela eleição da segunda mulher na história das eleições de Maringá, a professora Lizete Ferreira da Costa, mas as apostas eram de que o radialista Antonio Paulo Pucca, épico narrador esportivo das campanhas do Grêmio Esportivo Maringá, seria estouradamente o vereador mais bem votado, mas eis que o destino fez com que seu concorrente na disputa pela audiência radiofônica, o também radialista Ferrari Júnior, lhe roubasse a cena. Não porquê Ferrari fosse mais popular, mas por um azar da sorte ou sorte de um azar.

Quando os nomes dos candidatos acabavam de ser decididos, Ferrari estava no elevador do Edifício Hermann Lundgreen, em frente à antiga rodoviária, quando o aparelho teve uma pane e parou entre um andar e outro. Sozinho e sem saber o que fazer, o radialista esperou, esperou e, depois de quase uma hora, decidiu sair por um pequeno espaço, mas nesse momento o elevador se movimentou para baixo e esmagou as duas pernas de Ferrari.

Resultado: Arleir Tilfrid, o Ferrari Júnior passou meses no hospital, as pernas foram reconstituídas e todos os amigos e nem tão amigos assim se encarregaram de fazer sua campanha. A Rádio Cultura AM, onde trabalhava, todos os dias fazia boletins de seu estado de saúde, Ary Bueno de Godoy, Teófilo Ruiz de Andrade e outros locutores colocavam emoção na voz e muitos ouvintes choravam.

Ferrari só esteve presente no último comício, assim mesmo em uma cadeira de rodas. Não subiu no palanque, fez seu emocionado discurso do chão. “Eu gostaria de estar aí, de falar com o senhor, com a senhora, abraçar seu filho, mas estou aleijado, não sei se um dia voltarei a andar.

Quando os votos foram contados, Ferrari teve sozinho 4.956 votos e sua legenda arrastou vários arenistas para a Câmara.

 

7ª. Legislatura – 01/02/1977 a 31/01/1983

VEREADORES

NOME

PARTIDO

VOTOS

Arleir Tilfrid Ferrari Júnior

ARENA

4956

Arlindo Teixeira

ARENA

846

Antenor Sanches

ARENA

818

Antônio Paulo Pucca

ARENA

2753

Carlos Alberto de Paula

MDB

789

Edalvo Garcia

ARENA

954

Eli Pereira Diniz

MDB

1601

Gilberto Erich Froeming

MDB

885

Jesus Hernandes

MDB

924

José de Jesus Previdelli

ARENA

897

José Maria Bernardelli

MDB

1078

José Tadeu Bento França

MDB

1093

Kazumi Taguchi

ARENA

1536

Lizete Ferreira da Costa

ARENA

853

Maurílio Correia Pinho

ARENA

1242

Midufo Vada

ARENA

1021

Nelson Abrão

ARENA

1195

Noboru Yamamoto

ARENA

1257

Pachoal Zaponi

ARENA

858

Ricardo Antôno Balestra

MDB

800

Tércio Hilário de Oliveira

MDB

844

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Com Adriano, o pé-de-chinelo dá o troco e manda deputado de volta para Brasília

A eleição de 1968 deve ter sido saboreada pelo advogado Adriano José Valente com sabor de vingança. Afinal, ele derrotou nas urnas o maior líder político que a região de Maringá conhecia, o deputado federal mais bem votado do Paraná e que, pelas pesquisas da época, tinha 95% das intenções de voto para a prefeitura de Maringá. E, de lambuja, ainda abateu sozinho dois candidatos do partido do governo.

História das eleições de Maringá

Antes mesmo do fim da contagem de votos, Adriano saiu pelas ruas comemorando a vitória

As eleições de 1968 foram as primeiras depois que o governo militar extinguiu os antigos partidos para separar todos seus apoiadores em uma sigla, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), e a oposição permitida no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A campanha transcorria em meio a notícias de inexplicadas cassações de mandatos, confrontos armados entre forças governamentais e movimentos de esquerda, prisões, desaparecimento de pessoas e a morte do estudante Edson Luíz pelas forças repressivas.

De um lado estava o ex-prefeito João Paulino Vieira Filho, que já tinha demostrado sua capacidade para administrar e foi eleito deputado federal com a maior votação do Paraná. A Arena contava ainda com a liderança de Haroldo Leon Peres, também eleito deputado federal, e de dois deputados estaduais, Tulio Vargas e Jorge Sato, além da força do governador Ney Braga e três senadores.  JP teria, no início da campanha, 95% da preferência dos eleitores no início da campanha, segundo pesquisas da época.

Do outro lado estava o advogado Adriano José Valente, que quatro anos antes tinha sido derrotado por Luiz de Carvalho e entrincheirou-se no MDB, que no pleito de 1966 elegeu, na região, apenas Renato Celidônio como deputado federal e o vereador Silvio Barros para deputado estadual.

Eleições de Maringá

Adriano Valente e a primeira dama, Purificação Valente, atrás dele aparece o bispo dom Jaime Luiz Coelho

E havia mais  uma desvantagem para Adriano: a sublegenda, um artifício criado pelo governo militar para conciliar os interesses de todos os grupos dentro de seu partido. Assim, cada partido podia até três candidatos a cargos a prefeito, depois os votos eram somados e o que tivesse a maior votação seria eleito, no caso de o partido ser vencedor. Em Maringá, além do favorito João Paulino, a Arena tinha ainda a candidatura do deputado federal Ardinal Ribas. Já o MDB não conseguiu outro nome para somar com Adriano.

 

Pé-de-chinelo

Em entrevista a O Diário, Adriano contou que transformou a aparente desvantagem em vitória nos três meses que antecederam a votação. “Enquanto meus adversários já contavam com a vitória, fui para as ruas, conversei com as pessoas nos bairros, fiz reuniões debaixo de lonas”. A peregrinação do candidato e sua pequena equipe pelas ruas poeirentas logo levou os adversários a chamá-lo de pé-de-chinelo, fato que ele soube aproveitar para se identificar com o trabalhador comum, revertendo a imagem que deixara na eleição anterior, quando foi relacionado com um tubarão que tentava comer um lambari e acabou derrotado.

Quando começaram os comícios, que na época atraíam grande público para assistir as apresentações de cantores locais, Adriano contou com um trunfo e tanto: o radialista Joe Silva, oriundo da crônica esportiva, exímio criador de frases de efeito. Foi Joe quem popularizou o grito “Volte prá Brasília, deputado!”, que entrou para o jingle de Adriano tocado nas ruas da cidade. Outra frase que, gritada por Joe, fez sucesso foi “Esta não deeeeeeu, Arena!”

“Nem sei como aceitei ir para uma disputa que parecia uma loucura. Eu mesmo achava impossível derrotar um mito como João Paulino, ainda mais que ele somaria os votos do Ardinal, mas na medida em que se aproximava o dia da eleição eu senti que minha aceitação só aumentava e a deles caía”, contou Adriano. “No final, ninguém mais tinha dúvida e o grito de “volta prá Brasília, deputado!” tomou conta das ruas.

 

CANDIDATO LEGENDA VOTOS %
Adriano José Valente MDB 19471 54,3
João Paulino Vieira Filho ARENA 14415 40,2
Ardinal Ribas ARENA II 1044 2,9
TOTAL LEGENDA MDB 19471 54,3
TOTAL LEGENDA ARENA 15459 43,1
Brancos 327 0,9
Nulos 594 1,7
TOTAL 35851 100

Finalmente a Câmara tem a primeira mulher

Os candidatos a vereador pelo MDB foram os mais bem votados, sobretudo o jovem advogado Wilson do Amaral Brandão, que somou quase 2,3 mil votos, o dobro do alcançado pelo candidato a prefeito Ardinal Ribas. Daquela Câmara saíram três deputados federais – Brandão, Walber Guimarães e Ary de Lima – e Antonio Facci se tornou deputado estadual.

Mas, o fato novo na formação da Câmara de 1968 foi a eleição da primeira mulher na história política de Maringá, a líder comunitária Sebastiana Costa Tobias, com 1,090 votos, mais do que o candidato a prefeito Ardinal Ribas.

Quinta Legislatura – 01/02/1969 a 31/01/1973

VEREADORES

NOME

PARTIDO

VOTOS

Alaydio Gaspar

MDB

871

Anésio Carreira

ARENA

1164

Antonio Mário Manicardi

ARENA

823

Antônio Facci

MDB

714

Antônio Pedro Assunção

MDB

908

Antenor Sanches

ARENA

995

Ary de Lima

MDB

1316

Egídio Assmann

MDB

888

Kazumi Taguchi

ARENA

948

Leonardo Grabois

MDB

1228

Midufo Vada

ARENA

758

Osvaldo Vieira

ARENA

958

Paulo Vieira de Camargo

ARENA

823

Sebastiana Costa Tobias

MDB

1090

Tetuo Nishiyama

ARENA

869

Walber Souza Guimarães

MDB

998

Wilson do Amaral Brandão

MDB

2286

 

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Em 1964, o lambari engole o tubarão na eleição de Maringá

A vitória fácil de Luiz de Carvalho sobre Adriano Valente deveu-se, em muito, ao sucesso da administração de João Paulino

O prefeito Luiz de Carvalho foi o primeiro (e único, até agora) eleito com o apoio de seu antecessor, o primeiro vereador a se tornar prefeito e o primeiro a ter um vice-prefeito eleito, além de, até então, o que conseguiu maior porcentual de diferença sobre o segundo colocado na eleição.

Para muitos pioneiros, Luiz de Carvalho foi o prefeito que fez a administração mais honrada da história de Maringá

A eleição de 1964 foi a primeira a ter apenas dois candidatos à prefeitura, dois representantes dos principais grupos políticos da cidade e foi também uma demonstração da liderança de João Paulino Vieira Filho, que neste pleito suplantou o outro grande cacique da política local, o então deputado Haroldo Leon Peres.

O Brasil vivia os primeiros meses do regime militar, instaurado no primeiro dia de abril, e não elegeria presidente da República e governadores, assim a eleição ficou na dependência apenas das estratégias dos líderes locais.

Na análise dos historiadores, a eleição a vitória de Carvalho sobre o advogado Adriano José Valente dependeu muito da aprovação dos quatro anos de mandato de João Paulino e, principalmente, dos erros do grupo adversário.

JP, como era chamado o então prefeito, conseguiu tirar a cidade da desorganização deixada pelo seu antecessor, Américo Dias Ferraz, calçou com paralelepípedo parte da Avenida Brasil, acabou com os tocos da área central, terminou a construção da rodoviária iniciada por Ferraz, deu apoio ao esporte – foi aí que nasceu o Grêmio Esportivo Maringá e sua apaixonada torcida – e promoveu melhorias significativas em setores básicos, como Educação, Saúde e conservação das ruas e estradas rurais.

Mas, mais do que um realizador de obras, JP marcou sua passagem pelo comando, contrastando com seu antecessor. Ele visitava as obras, dava ordens e era duro quando não obedecido. Ademar Schiavone conta em seu livro de memórias que “a cidade mudou completamente. (…) Tinha quem mandava nela”.

História das eleições de Maringá

Com a vitória de Luiz de Carvalho, estava consolidada a existência do primeiro grupo político de Maringá, que teve João Paulino como o primeiro cacique da política maringaense

Foi o próprio João Paulino quem escolheu Luiz de Carvalho como seu candidato e ainda costurou uma ampla frente com seis partidos.

O advogado Adriano Valente, que já tinha sido secretário na prefeitura de Londrina, era tido como “um bom candidato”, mas pagou caro pelos erros de seu grupo político. Primeiro, seu partido, a UDN, não aceitou coligação com outros partidos, segundo, o principal líder udenista, o deputado Aroldo Leon Peres, envolveu-se em uma discussão com o também deputado Túlio Vargas depois de ser desafiado para um debate em praça pública e respondeu que “eu não vou perder tempo com lambaris, quero mesmo é falar com os tubarões”, como contou o jornalista e escritor A.A. de Assis.

Segundo Assis, os coordenadores da campanha de Carvalho deram divulgação às infelizes palavras de Leon Peres, relacionando o “tubarão” a Valente. Carvalho, com seu jeito mineiro de ser, foi comparado ao labari, peixinho inofensivo. Assim, na cabeça do povo simples, Adriano representava os tubarões, ricos e medalhões que exploravam o pobre labari, representado pelo povo. “Levei uma lambarizada”, contou Adriana Valente sorrindo em uma entrevista décadas depois.

Paralelamente à eleição de prefeito acontecia, pela primeira vez na história, a de vice-prefeito. O nipônico Jorge Sato, também vereador, era candidato da UDN, fazendo parceria com Adriano. O empresário Ivo Assmann, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), concorreu associado a Carvalho. Vitória dos dois.

Luiz Moreira de Carvalho, mineiro, era médico e logo após se formar na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, mudou-se para Maringá no rol de chegada dos primeiros pioneiros. Segundo ele próprio, não gostava de política, a ponto de não lembrar-se em quem votou na primeira eleição da cidade, mas, como seu trabalho era diretamente com o povo humilde, logo tornou-se muito conhecido e na segunda eleição foi eleito vereador com 190 votos. Tornou-se um homem influente, foi presidente da Câmara e se reelegeu com 339 votos em 1960.

Candidato Legenda Votos %
Luiz de Carvalho PDC-PSD-PTB-PR-PSP-PRP 7689 57,89
Adriano José Valente UDN 5005 37,69
Brancos   345 2,6
Nulos   242 1,82
Total   13281 100

 

CANDIDATOS A VICE-PREFEITO

CANDIDATO LEGENDA VOTOS %
Ivo Assmann PDC-PSD-PTB-PR-PSP-PRP 6767 50,95
Jorge Sato UDN 5474 41,22
Brancos   863 6,5
Nulos   177 1,33
Total   13281 100

Quarta Legislatura – 14/12/1964 a 31/01/1969

VEREADORES

NOME

PARTIDO

VOTOS

Antenor Sanches

PDC

350

Antônio Mário Manicardi

PSD

346

Ary de Lima

UDN

488

Arlindo Planas

PSD

405

Belino Bravin

PDC

412

Décio Bragagnolo

UDN

282

Elydio Conte

MTR

265

Evaristo Pelegrino

PDC

487

José Carlos Rosas

FPM

248

Kazumi Taguchi

PSD

435

Midufo Vada

PDC

400

Paulo Vieira de Camargo

PSD

368

Primo Monteschio

UDN

325

Renato Bernardi

PDC

359

Silvio Barros

FPM

260

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Morre o cantor Andy Williams, intérprete do clássico “Moon River”

Andy Williams

Em seu programa de televisão Andy Williams recebeu muitos cantores brasileiros

Célebre por sua interpretação do clássico “Moon River”, música-tema do filme “Bonequinha de Luxo”, o cantor Andy Williams morreu nesta quarta-feira aos 84 anos, depois de uma batalha contra um câncer na bexiga. O artista sofreu uma parada cardíaca em sua casa no Branson, Califórnia, Estados Unidos.

Williams, que já ganhou nove discos de ouro e cinco de platina, já teve seu próprio show de televisão, o The Andy Williams Show.

O cantor já se apresentou ao lado de grandes nomes da música como Ella Fitzgerald, Judy Garland, Sammy Davis Jr., Dorival Caymmi e Tom Jobim. Nas últimas décadas, Williams – que deixou sua mulher Debbie e os filhos Robert, Noelle, e Christian, era conhecido por seus CDs natalinos.

Clique e veja Andy Williams cantando “Moon River” ao vivo

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Maringá perde a pioneira Maria Shima

Pioneira Maria Shima

Em Maringá desde 1950, dona Maria Shima é considerada uma das primeiras professoras de corte e costura da cidade

Maringá perdeu na madrugada desta quarta-feira a pioneira Yutaka Shima, mais conhecida como Maria Shima, que foi proprietária da Escola de Corte e Costura Progresso, na Avenida Riachuelo, Vila Operária. Ela tinha 83 anos e morreu dormindo.

Maria Shima morava em Maringá há 63 anos e era viúva do pioneiro Goro Shima, que morreu no ano passado às vésperas de completar 90 anos.

A pioneira teve um trabalho destacado junto à Paróquia São José Operário e Igreja São Francisco Xavier por mais de 60 anos.

O corpo está sendo velado na Capela do Prever, onde às 14h30 desta quinta-feira será celebrada a missa de corpo presente. O sepultamento está previsto para as 16 horas no Cemitério Municipal.

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Era lixo demais

Mais de 100 caminhões de lixo já foram retirados do pátio da Cooperativa dos Catadores de Paiçandu, a Copmar, desde a semana passada. E ainda falta muito para ser retirado.

O lixo é levado para o pátio pelos próprios catadores, já que em Paiçandu parece que a população não cultiva o hábito de fazer separação e assim, para aproveitar os materiais recicláveis, os catadores têm que levar tudo para eles próprios fazerem a seleção na cooperativa.

A Secretaria de Serviços Públicos está fazendo a retirada para dar condições para que estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UEM desenvolvam um projeto para melhorar as condições de trabalho na cooperativa.

Era tanto lixo que os estudantes que não conseguiam se locomover no interior da instituição.

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Com João Paulino, acaba a fase da política amadora em Maringá

O Brasil vivia uma época de modernização na política e na economia com Juscelino Kubitschek; nas artes, a Bossa Nova levava a música brasileira a vários países e a juventude estava embevecida com o rock and roll

Na visão dos historiadores e mesmo dos maringaenses mais antigos, as eleições de 1960 foram um divisor de águas na história da política e do desenvolvimento de Maringá com a escolha do promotor João Paulino Vieira Filho. Ele é considerado o primeiro e, possivelmente, o maior de todos os líderes políticos que a cidade já teve, além de ter sido o prefeito que organizou a cidade para o crescimento.

Com propostas de uma política moderna, para a época, João Paulino conseguiu juntar as principais forças políticas em torno de sua candidatura

O Brasil vivia uma nova realidade com o período de notável desenvolvimento do presidente Juscelino Kubitschek, que acabava de inaugurar uma nova capital federal em pleno cerrado goiano, pelas ruas circulavam os primeiros carros feitos no País e o povo vivia a embriaguez do primeiro título mundial de futebol, as emissoras de rádio só falavam de jogadores de nomes esquisitos, como Pelé e Garrincha, e de um novo ritmo musical que interessava aos jovens, um tal de rock and roll.

Maringá também vivia um novo tempo, com a população crescendo a olhos vistos, novos bairros sendo criados e o povo sabendo do que se passava depois da popularização da Rádio Cultura e circulação de O Jornal de Maringá, o bispo dom Jaime Luiz Coelho falando na construção de uma nova catedral, o Campeonato de Futebol Amador atraindo milhares de pessoas nos finais de semana aos muitos campos de futebol e um grupo de empresários falando em criar um time de futebol profissional. Mas, na política, embora a cidade tenha eleito dois deputados estaduais em 1958, era indisfarçável a decepção com a administração municipal. O prefeito eleito quatro anos antes, Américo Dias Ferraz, embora tenha realizado obras importantes, estava entojado com o cargo, não conseguia mais permanecer no Gabinete e estava mais dedicado aos seus negócios particulares.

O historiador Reginaldo Benedito Dias, em seu “Da arte de votar e ser votado – as eleições municipais de Maringá”, relata que a imagem que ficou do final da gestão Américo Dias “foi a da desorganização da máquina administrativa (greve, salários atrasados, endividamento), de litígio entre os poderes e de desinteresse pela política”. “Havia o sentimento de ausência da autoridade”, lembra o também historiador Artur Andrade.

Três nomes apareceram com a promessa de dar um novo ritmo de crescimento à cidade. O advogado, empresário do setor de táxi aéreo e ex-vereador Jorge Ferreira Duque Estrada se inscreveu como candidato pelo PSP, o empresário Vanor Henrique, que apareceu com uma postura moralista, pela UDN unida ao PTB, e o promotor João Paulino Vieira Filho, do PSD, aliado do governador Moyses Lupion.

Conta o político Túlio Vargas em sua biografia, que JP, como passou a ser chamado, embora estivesse envolvido com a política desde a eleição anterior, foi escolhido pelo partido, “que procurou a dedo o candidato ideal”. Segundo Vargas, “todos os caminhos levaram ao promotor João Paulino, cuja reputação de competência, seriedade e liderança obtinha a esmagadora preferência partidária”.

Vargas, que foi deputado estadual, cita que a proposta de JP na campanha era “traduzir a cidade para o moderno, tirá-la do barro e da poeira, criar uma infraestrutura capaz de prepará-la para a expansão demográfica e humanizar-lhe o crescimento econômico e social”.

A pesquisadora Ivani Omura apresenta mais um fator favorável à candidatura JP: os partidos PRP, PR, PTN e PDC não tiveram candidatos próprios e apoiaram a candidatura do promotor.

Nos últimos dias da campanha, a disputa estava afunilada entre João Paulino e Vanor Henrique e na apuração a diferença tinha sido de pouco mais de 300 votos. João Paulino, a exemplo dos dois antecessores na prefeitura, também perdeu em Maringá e só terminou eleito graças aos votos dos distritos. Mas, pela primeira vez na história do município, o prefeito eleito teria maioria na Câmara de Vereadores.

 

Prefeito Legenda Votos %
João Paulino Vieira Filho PSD 5824 39,6
Vanor Henriques UDN/PTB 5485 37,3
Jorge Ferreira Duque Estrada PST 2080 14,14
Brancos 806 5,48
Nulos 512 3,8
Total   14707 100

 

 

Terceira Legislatura – 14/12/1960 a 13/12/1964

VEREADORES

NOME

PARTIDO

VOTOS

Alceu Hauare

PDC

267

Arion Ribeiro de Campos

PSD

428

Bonifácio Martins

PST

209

Carlos Alberto Borges

FPD

546

Carlos Eduardo Bueno Netto

UDN

241

Ermelindo Bolfer

PDC

274

Joaquim Ferreira Dias

PTB

281

Jorge Sato

UDN

321

José Bendo

PSD

258

Luiz Moreira de Carvalho

FPD

339

Mário Clapier Urbinatti

PSD

353

Olídio Augusto Barboza

PSD

255

Ricardo Plepis

PDC

294

Kazumi Taguchi

PSD

523

Ulisses Bruder

UDN

408

 

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Povo de Sarandi não poderá ir ao debate dos prefeituráveis

A população de Sarandi não vai poder ficar cara a cara com os candidatos a prefeito durante o debate que acontece na manhã deste sábado no Promec, próximo à Capela do Prever, no centro da cidade.

A medida é para evitar tumultos. Os três prefeituráveis ficarão em uma sala somente com o mediador, três questionadores e o fiscal do debate. O pessoal da imprensa poderá ficar em uma sala ao lado e acompanhar o debate por monitores de TV.

O povo poderá acompanhar de suas casas pela Rádio Banda 1 AM – 1090 e pela internet, por meio do Portal Controle Social, que vão transmitir ao vivo.

Embora não possa se fazer presente, o povo de Sarandi terá participação sim no debate. Há dias, urnas colocadas nas quatro paróquias e em igrejas evangélicas receberam perguntas, que serão feitas aos três prefeituráveis por meio dos questionadores escolhidos a dedo.

O candidato à reeleição Carlos Alberto de Paula Júnior, o empresário Walter Volpato e o professor Adauto da Silva confirmaram participação no debate organizado pelas igrejas católicas e evangélicas, mais a Unisan – União das Associações de Moradores de Sarandi. O evento tem o apoio de várias instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil e o Observatório das Metrópoles da UEM.

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Deko Oliveira morre após cirurgia no coração

Morreu nesta quarta-feira o bancário Aniderlei Batista de Oliveira, de 66 anos, morador em Paranavaí. Com problemas cardíacos há muitos anos, Oliveira foi submetido a uma cirurgia em um hospital especializado em Arapongas, mas acabou falecendo devido a complicações após a operação.

Antes de fazer carreira como bancário, Aniderlei foi músico, chegou a se profissionalizar e tocou com artistas da Jovem Guarda, como a cantora Wandeléa.

Ele era pai do jornalista e economista Vinícius Carvalho, que por anos trabalhou no O Diário e atualmente mora nos Estados Unidos.

Vinícius expressou a dor da perda por escrito, que reproduzimos aqui.

 

Pai

Como você sabe, sou jornalista e a melhor maneira de expressar o que penso é por meio da escrita. Durante tudo isso o que aconteceu com nossa família ultimamente, pensei muito em você e em tudo pelo que passamos na vida. O exame de tudo o que vivemos só me faz mais orgulhoso de ser seu filho e ter convivido com você.

Lembrei-me de quando eu era muito pequeno e esperava você voltar das viagens. Você sempre trazia um bombom Sonho de Valsa para a Aline e para mim. Às vezes você trazia presentes e sabia direitinho o que eu mais gostava de ganhar: uma caixa novinha de lápis de cor era o que mais me deixava feliz. Lembro-me de como a casa ficava em festa quando você voltava.

Lembrei-me do quanto aprendi sobre música com você, ouvindo fitas cassetes no som do carro. Primeiro, na Variant marrom. Depois, no Corcel branco. Ainda hoje, as músicas que você gostava e ensinou-me a gostar são as minhas preferidas. Beatles, Raul Seixas e tantos outros.

Lembrei-me da trilha sonora das nossas viagens, para a praia ou para Cuiabá. Você estava comigo na primeira vez que eu estive em um Ferry Boat e numa balsa, na primeira vez em que vi o mar e o grande Rio Paraná, quando estivemos na Chapada dos Guimarães e na Garganta do Diabo. Em tantos lugares diferentes. Nas visitas à Vó Santa e todos os parentes de lá.

Lembrei-me da viagem que fizemos, você, Aline e eu, para o Paraguai e o Mato Grosso do Sul. Aprendemos como era a sua vida na estrada, nos hotéis e na entrega de mercadoria aos clientes. Conhecemos a praça na pequena cidade em que basta cruzar a rua para estar no país vizinho.

Passamos pelos governos de Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Passamos por cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro novo, cruzeiro real, cruzeiro de novo, URV e real. Passamos por hiperinflação, congelamento de preços, confisco de poupança, Plano Real, crise após crise. Lembro que a gente tinha que correr no mercado antes que eles remarcassem o preço dos produtos. Você nunca foi muito fã de governo, e com razão, já que na maior parte do tempo, ele atrapalhou mais do que ajudou.

Passamos pelo tempo em que nossos primos Marcos, Alessandra e Kátia moraram com a gente, o tempo em que a Vó Santa era nossa vizinha, perto da casa de madeira azul e branca da Rua Amapá, das vezes em que a Vó Santa nos dava dinheiro escondido, porque você brigava com ela, da doença do Vô Exupério que fez você e a mãe pararem de fumar (Plaza azul, que eu comprava para vocês no armazém do português da esquina), das noites de baralho na casa dos seus amigos, da pequena edícula para a qual mudamos enquanto nossa casa não ficava pronta, da casa nova no bairro sem asfalto, dos meus anos em Curitiba, da perda da Vó Santa, da perda do Vô Exupério e da separação de vocês.

Ao longo de tantas lembranças, o que sempre marcou sua vida foi a honestidade e o trabalho duro. Você trabalhou em rádio, em firma, em banda, em bar, na estrada. Não importa a profissão, você fez de tudo, se virou e fez as coisas acontecerem. Você fez tudo o que podia para garantir educação para a gente, para que pudéssemos seguir seu exemplo.

O maior patrimônio que eu tenho é poder dizer que segui seu exemplo. Formei-me em jornalismo, formei-me em economia, trabalhei como assessor de imprensa, fiz estágio em rádio, revista, jornal, trabalhei em jornais e hoje, aqui nos Estados Unidos, dou aula de português. Se precisar descascar batata e lavar prato, não me importo. Não existe trabalho vergonhoso. Essa é a lição que você deixou. Eu acredito em honestidade e trabalho duro. Não tenho tempo para reclamar e ficar remoendo o que não  deu certo. Aprendi que nós não temos tempo para reclamar. A bola esta rolando e o juiz pode apitar o final da partida a qualquer momento.

Eu era muito jovem na primeira vez que você precisou operar o coração. Mas era grande o suficiente para perceber que podia perder você para sempre. Tudo o que escutei naquela época, sobre o quanto era difícil sobreviver e como era arriscada a operação, me assustou e me mudou por dentro.

Desde aquela época, você teve outro enfarto, câncer e novamente um momento crítico, em que teve que fazer nova cirurgia no coração. Em todos esses eventos, você mostrou uma força inacreditável, uma resistência sobre-humana, uma vontade de viver que desafia a medicina e a ciência.

Antes de me mudar para cá, foi bom poder ter aquela conversa com você, em que falamos abertamente sobre tudo e pudemos deixar claro tudo o que sentimos um pelo outro. Ao final do papo, você me abraçou e me disse “não importa o caminho pelo qual você segue, vou te amar sempre e você sempre será meu orgulho”.

Orgulho é ser seu filho. Orgulho é poder ter te apresentado a todos os meus colegas quando você me visitou na redação do jornal. Orgulho é ter cumprimentado todas as pessoas que me perguntaram se eu era filho do Deko, sempre com uma lembrança positiva e um comentário divertido.

Fisicamente somos muito semelhantes e em personalidade também. Embora não goste de admitir, herdei muito do seu orgulho, da contrariedade em receber ajuda ou hospitalidade que não possa retribuir. E a teimosia também. Mas herdei da mesma maneira a resistência e a capacidade de recomeçar quantas vezes forem necessárias. Nós temos uma maneira de entender um ao outro que não precisa de palavras. É como telepatia, mas um tipo que em que os genes semelhantes se comunicam num nível subliminar.

Pai, você sempre foi e sempre será meu referencial. Todos os meus amigos escutaram alguma história sua e como você sempre fez valer seu nome, sem nunca manchá-lo. O amor que você nos passou vai manter nossa família para sempre.

Te amo

Vinícius

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