Mês: outubro 2013



Nos tempos do trem de ferro

Aos 67 anos, a aposentada Maria da Silva ainda lembra “como se fosse hoje” do dia em que embarcou com o marido, Gervásio Tavares da Silva, e três filhos, todos pequenos, em uma viagem de trem até São Paulo.

Recorda com tanta clareza, primeiro porque a viagem aconteceu em um momento muito feliz da família, era a primeira viagem que fazia desde que chegou do Nordeste; segundo porque “uma viagem de trem ninguém esquece”.

Foto: Ricardo Lopes

Foto: Ricardo Lopes

Foi na virada dos anos 60 para os 70, quando Gervásio decidiu oferecer a viagem à família para comemorar o dinheiro que ganhou como arrendatário na colheita de café.

Usando roupas recém-feitas, brilhantina nos cabelos e cheiro de água de colônia rescindido no ar, com algumas malas de fibra a família foi em clima de festa para a estação de Marialva esperar o trem. “A espera deixou as crianças ansiosas, a toda hora perguntando se faltava muito para o trem chegar, quando ouviram a buzina da locomotiva, então, ‘endoidaram’”.

Os trens entre o noroeste do Paraná e São Paulo estavam sempre lotados, mas, diferente dos ônibus, eram baratos, tinham sanitários, restaurante com comida a preços módicos, muito espaço entre os bancos, corredor largo e liberdade para as crianças.

“Os homens saiam de seus bancos para ir conversar com outras pessoas, mas quem aproveitava mesmo eram as crianças, que podiam correr pelos corredores e passar para os outros vagões”, lembra dona Maria.

Os filhos também lembram do trem com saudades. Gisleuza, por exemplo, fala do que mexeu com seus sentidos de criança, como o cheiro de creolina dos banheiros e de macarrão que vinha do vagão-restaurante, do homem que passava picando as passagens, dos vendedores de doces, salgados e revistas.

“O trem andava devagar e a gente se embalava no balanço dos vagões, roçava na vegetação às margens dos trilhos e a gente sentia o cheiro de relva e de erva-doce”, conta.

Segundo Gisleuza, como o trem viaja devagar, “a gente via melhor as paisagens, as culturas e criações de gado à beira da linha”.

Os Silva embarcaram na estação de Marialva na hora que o sol se escondia, viajaram a noite inteira e o dia inteiro e só no início da noite seguinte chegaram à histórica Estação da Luz, em São Paulo, local onde eram esperados por parentes que não viam havia muitos anos. Outra festa.

Um incidente acontecido na hora de embarcar de volta marcou a família. O filho Geovane, que na época tinha 8 anos, perdeu-se no turbilhão de pessoas apressadas e acabou entrando em outro vagão, mas a família achou que ele podia ter embarcado em outro trem, que ia para outra região do País.

Gervásio saiu procurando o filho e seu temor aumentava na medida em que chegava a hora do trem partir. Só quando já tinha tocado o sino para o embarque é Gervásio achou o garoto. Estava no mesmo trem que família iria viajar, só que em outro vagão, chorando com sua malinha de mão.

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Só ela ganhou elogios de Ella

Há exatos 54 anos, no dia 24 de outubro de 1959, o mundo da música brasileira amanheceu triste ao perder uma de suas mais legítimas representantes, a cantora e compositora Dolores Duran.

 

Adiléia Silva da Rocha adotou o nome artístico de Dolores, por significar 'dor' em espanhol, a marca de sua vida

Adiléia Silva da Rocha adotou o nome artístico de Dolores, por significar ‘dor’ em espanhol, a marca de sua vida

Com 29 anos de idade, ela chegou em casa pela manhã, depois de uma noitada com um grupo de amigos, brincou com a filha de criação, deu instruções para a empregada e foi para o quarto dormir para nunca mais acordar.

Dolores, apesar da morte precoce, é possivelmente o nome feminino mais importante da história da música brasileira. Além de ser uma das principais cantoras da segunda metade dos anos 50, ela foi compositora de músicas que até hoje vêm sendo regravadas por intérpretes do peso de Maria Bethania, Fagner, Simone e tantos outros. Sua canção “A noite de meu bem” por décadas foi a música brasileira mais regravada e as composições que fez com Tom Jobim, entre elas Estrada do Sol e Por causa de Você, foram gravadas em vários países.

Dolores Duran conseguiu um feito que deve matar de inveja outras grandes intérpretes da MPB. Ela foi a única cantora brasileira a arrancar um elogio entusiasmado da grande dama da música norte-americana e maior cantora de jazz da história, Ella Fitzgerald. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, nos anos 50, Ella foi à boate Baccarat especialmente para ouvir Dolores e entusiasmou-se com a interpretação dela para My Funny Valentine – a melhor que já ouvira, declarou Fitzgerald.

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Debate vai mostrar as vantagens da produção de borracha natural

A extração do látex começou neste mês e a produtividade está cerca de 15% acima da safra anterior

A extração do látex começou neste mês e a produtividade está cerca de 15% acima da safra anterior

Cerca de 300 pequenos proprietários rurais de municípios do noroeste paranaense conhecerão amanhã o plantio de seringueiras no sítio do produtor Ângelo Romero, em Indianópolis (a 107 quilômetros de Maringá), na região de Cianorte, e receberão informações sobre aspectos de mercado, rentabilidade, tecnologia de produção, linha de crédito para financiamento e outros assuntos.

O dia de campo, que continuará à tarde no salão paroquial da igreja matriz, está sendo organizado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, e Cocamar para mostrar que a produção de borracha natural pode ser uma opção de renda para as propriedades rurais da região, especialmente agora com a instalação da companhia japonesa Sumitomo, fabricante de pneus que acaba de inaugurar sua indústria na região metropolitana de Curitiba.

A meta da Secretaria da Agricultura é fomentar o plantio de 36,4 mil hectares de seringueiras em um prazo de até 18 anos. Atualmente o Paraná possui menos de 1 mil hectares com essa cultura. Segundo a secretaria, além do aspecto econômico, a atividade é importante também por preservar o meio ambiente, evitando o processo erosivo, podendo compor a reserva legal.

O dia de campo deverá contar com a presença do secretário Norberto Ortigara, dirigentes da Cocamar, prefeitos de municípios da região e especialistas no assunto, entre eles, o técnico Heiko Rossmann, que vai traçar um panorama do mercado da borracha natural, o ex-secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio, que abordará a experiência paulista nessa área, o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini, que vai tratar do cultivo de seringueira na agricultura familiar em reserva legal, e um técnico do Banco do Brasil, que falará sobre linhas de crédito.

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Morre do coração o ex-vereador Quincas

Morreu na madrugada desta segunda-feira o ex-vereador de Campo Mourão Joaquim Messias da Silva Filho, mais conhecido como Quincas, de 69 anos. Ele foi também chefe do antigo Funrural e do Detran.

Segundo a família, Quincas vinha padecendo de pressão alta e diabetes e por volta das 2h30 sofreu um infarto, em casa.

O corpo do ex-vereador está sendo velado na Capela do Prever, de onde sai para sepultamento às 16h30.

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Hoje tem salgadinhos de graça na sessão da Câmara

Um grupo de populares contrários ao prefeito Tarcísio Marques dos Reis (PT) realizará uma manifestação na noite desta segunda-feira na Câmara de Paiçandu, servindo salgadinhos e doces aos vereadores e pessoas presentes.

A manifestação objetiva motivar os vereadores a aprofundarem nas investigações da chamada CPI dos Salgadinhos, criada para verificar se houve irregularidade na realização de uma licitação para a compra, pela prefeitura, de mais de R$ 400 mil em salgadinhos.

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Paranacity vota projeto que cria a Lei da Ficha Limpa

Na sessão de hoje à noite, a Câmara de Vereadores de Paranacity vota o projeto de lei que institui a Lei da Ficha Limpa no município.

O projeto, semelhante aos que vêm sendo aprovados em todos os municípios brasileiros, impede que a prefeitura e Câmara de Vereadores mantenham em cargos de confiança pessoas que tenham problemas com a Justiça.

Há um ano, já se tentou uma votar uma lei semelhante, mas na época o projeto foi retirado de pauta porque havia sido apresentado pelo grupo que acabava de perder a eleição e tinha claramente o objetivo de prejudicar a prefeita eleita, que teria dificuldades para montar sua equipe.

Agora a matéria volta à pauta e é possível que seja obra dos oposicionistas da atual administração.

Se aprovado, o projeto ainda dependerá da sanção da prefeita para que vire Lei.

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O poeta da camisa amarrotada e os pirralhos

O poeta deu atenção a dois pirralhos e se atrasou para o show

O poeta deu atenção a dois pirralhos e se atrasou para o show – Foto de Moracy Jacques

Por muitos anos, sempre que eu pensava em Vinicius de Moraes, me vinha à mente uma camisa amarrotada, mas amarrotada mesmo, amassada, parecia que tinha sido tirada de dentro de uma garrafa. Além de amarrotada, parecia velha e levemente desbotada, como aquelas que tomam sol demais.

Mas, antes de falar da camisa, quero falar da foto, esta aí. Esse moreno alto, bonito e sensual da esquerda sou eu, o jovem da direita, que ficou fora do foco, é o jornalista Pedro Chagas Neto. O do meio você já sabe e a foto foi feita por Moracy Jacques em uma noite no Hotel Vila Rica, em Maringá.

Esse objeto que aparece no meio da mesa não é uma bolsa, como parece. É um gravador, dos menores que existiam na época.

Na época, Vinicius já tinha publicado a maioria de seus sonetos e peças de teatro, a bossa nova já corria o mundo fazia uns vinte anos e os discos da dupla Toquinho e Vinicius tocavam o dia inteiro nas rádios. No entanto, somente eu, Pedrinho, que éramos estudantes do Gastão Vidigal, a Marli, da sucursal de Folha de Londrina, e o Moracy fomos ao hotel conversar com o Poetinha. Não apareceram por lá as rádios, nem TV e muito menos os professores e estudantes da área de Letras.

Vinicius e Toquinho vieram a Maringá fazer um show no antigo Cine Paraná, que a essa altura se chamava Ouro Preto e quando se acabou chamava Peduti. Quando chegamos, Vinicius tinha ido para o apartamento tirar uma soneca, como sempre fazia antes dos shows, mas o Toquinho, na época quase um menino, nos atendeu, foi muito solícito e nos deixou bem à vontade. Pouco tempo depois o Poetinha desceu as escadas, com uma moça segurando cada braço e outra logo atrás, todas bonitas, é claro. Em uma das mãos, um copo pelo meio e na outra uma garrafa de whisky, como eu já esperava.

Vinicius se aproximou de nós como se fôssemos velhos conhecidos, abraçou cada um e puxou o quarteto para uma área cheia de sofás, como se o hotel fosse a sala da cada dele.

A essa altura, eu já tinha encafifado que ele era mais moço do que parecia nas capas de disco e bem mais baixo do que eu imaginava. Um baixinho barrigudo. Mas, o que chamou mesmo a atenção, além dos cabelos grisalhos despenteados, foi a camisa amassada.

Tudo indica que ele subiu para tirar uma soneca e dormiu com roupa e tudo. Ou então fez festinha com as moças, mas não tirou a camisa. Dizer que ela estava amassada é pouco.

Mas, o que marcou foi a solicitude do poeta. Apesar de já na época ser uma das maiores lendas da história das artes no Brasil, ele foi mais atencioso do que poderíamos esperar de um grande amigo. Primeiro mandou trazer bebida para nós, depois chamou os músicos da banda e apresentou um por um, contando detalhes da vida de cada um. Ali estavam o contrabaixista Azeitona, uma lenda, um pioneiro da bossa nova, o homem que tocou o contrabaixo na primeira gravação da bossa nova, acompanhando João Gilberto em “Chega de Saudade”, dos primórdios da parceria de Vinicius com Tom Jobim; Roberto Sion, o flautista e saxofonista escolado no jazz; o baterista Mutinho, compositor, inclusive parceiro de Toquinho e Vinicius.

O Poeta tinha muito orgulho de sua vivência com os jovens. Todos seus parceiros eram jovens e a maioria filhos de velhos amigos dele: Chico Buarque, Edu Lobo, Carlos Lira, Francis Hime, Baden Powell, todos foram seus parceiros antes dos 30 anos, inclusive o maior de todos, Tom Jobim. Toquinho era quase 35 anos mais moço do que ele. “Sou parceiro dos maiores músicos da história do Brasil”, se gabava, lembrando que tinha parcerias também com lendas como Pixinguinha e Ernesto Nazareth. “O Frank Sinatra gravou um disco inteiro com músicas minhas e do Tom, isto deixaria qualquer um orgulhoso, mas eu prefiro meu parceiro cantando”, disse.

Algum tempo depois, alguém chegou dizendo que já estava na hora do show e Toquinho, Mutinho, Azeitona e Sion se levantaram, arrumaram o cabelo e as roupas e saíram, enquanto o Poeta disse que ficaria mais um tempo com a gente e ia em seguida para o local do espetáculo no carro do organizador do show – que eu acho que era o professor Joaquim Cruz, que foi secretário municipal de Cultura nos anos 70.

É aí que voltamos à camisa amassada. Quando se despediu de nós, imaginei que Vinicius ia trocar de roupa para o show, mas ele simplesmente pegou a garrafa, o copo, deu de braços com as moças e foi embora.

Pedrinho, Moracy e eu queríamos ver o show e também zarpamos, levando embaixo do braço o gravador que parecia uma bolsa. Ainda no carro começamos a falar da camisa amassada. E o Moracy, o único adulto da turma, disse que certamente o poeta trocaria de roupa no camarim, já no cinema. Mas, quando entramos apressados ouvimos uma voz ao microfone mandando o governo militar à “tonga da mironga do kabuletê” e lá, em uma mesinha ao lado de Toquinho e seu violão, estava o poeta bebendo e cantando com a mesma camisa que dormiu à tarde.

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Morre de câncer o ex-deputado Darcy Deitos

Morreu na noite desta terça-feira o empresário do ramo hoteleiro, deputado ex-estadual e ex-deputado federal constituinte Darcy Deitos, de 69 anos. Ele era pioneiro  Darcyde Campo Mourão, onde era proprietário do Paraná Palace Hotel, no centro da cidade.

Deitos nasceu em Jaborá (SC), em 20 de maio de 1944, mudou-se com seus pais para Campo Mourão em 1954, com menos de 10 anos. Quatro anos depois começou a trabalhar e aos 21 anos abriu seu próprio escritório de contabilidade. Em julho deste ano, já com câncer em estado avançado, ele foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Campo Mourão.

O corpo do ex-deputado está sendo velado na Loja Maçônica, na Avenida José Custódio de Oliveira, no centro de Campo Mourão. O sepultamento será às 16h30.

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Doutor Waldir será sepultado às 17 horas

Será sepultado hoje às 17 horas, no Cemitério Parque, o médico pioneiro Waldir de Oliveira Coutinho, um dos primeiros

Waldir Coutinho

Waldir Coutinho em foto dos anos 60

otorrinolaringolistas da cidade e que teve atuação também na política. Ele tinha 87 anos.

Doutor Waldir teve uma das clínicas mais famosas de Maringá durante muitos anos. O prédio de três andares na esquina da Rua Joubert Carvalho com Avenida Duque de Caxias se destacava na paisagem em uma época em que a cidade quase não tinha edifícios.

 

Clínica Doutor Waldir

O prédio onde estava a Clínica Dr. Waldir era um dos mais altos de Maringá nos anos 60

Baiano, doutor Waldir chegou a Maringá nos anos 50, participou da fundação da Sociedade Médica de Maringá e foi seu presidente na década de 60. Homem com a verborreia própria dos baianos, se envolveu na política, participou de campanhas eleitorais e presidiu a Arena (Aliança Renovadora Nacional) durante o governo militar e coordenou a campanha vitoriosa de João Paulino Vieira Filho à prefeitura de Maringá em 1976.

Fotos retiradas dos sites maringa.com e angelorigon

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Pioneiro Attilio Sonni morre uma semana depois da morte da esposa

Morreu na noite deste sábado, aos 85 anos, o pioneiro Attilio Sonni, que na década de 60 foi gerente de uma empresa de transporte coletivo em Maringá e depois teve um restaurante na Rua Luiz Gama.

O pioneiro morre uma semana depois da morte da esposa, a professora Dozolina Valotto Sonni. Ele era pai do médico Paulo Soni, que foi vereador em Maringá.

O corpo está sendo velado na Capela do Prever, em frente ao Cemitério Municipal, e o sepultamento está marcado para as 16 horas deste domingo, no Cemitério Parque.

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