Mês: março 2014



Fulgêncio, o santo protetor de todos os santos

Para Fulgêncio Sanches, colecionar imagens de santos não é simplesmente um hobby. mas uma devoção

Para Fulgêncio Sanches, colecionar imagens de santos não é simplesmente um hobby. mas uma devoção     Foto: Rafael Silva

Fulgêncio Sanches pode se gabar de ter na prateleira da casa dele mais imagens de santos do que qualquer igreja da região. Mas prefere seguir a lição das pessoas, que, após a morte, foram canonizadas pela Santa Sé: “É só uma devoção; um prazer pessoal. Não é motivo para me exaltar”, destaca e acrescenta: “o que mais chama a atenção é, justamente, a humildade”.

Quando alguém pergunta a Fulgêncio quantas imagens de santo coleciona, ele precisa fazer uma contagem para responder, pois, dificilmente passa uma semana sem que chegue em casa com uma nova imagem. Até ontem, eram cem. São de diversos tamanhos e disputam espaço na prateleira da sala, nas mesas, no criado-mudo, enfim, em diversos pontos da residência, onde que ele vive com a mãe, dona Isolina, no Jardim Europa, em Mandaguaçu.

Fulgêncio cultua Santo Expedito, o santo das causas impossíveis, como devoção, mas tem apego com os demais e diz que todos o ajudam. “Sinto todos os dias que recebo grande ajuda, meus sonhos sempre viram realidade na hora certa”, ressalta.

Quando fala da ajuda que recebe, Fulgêncio conta que foi adotado desde muito pequeno e só depois de adulto conheceu a mãe biológica; recebeu uma boa formação do caráter do pai e mãe, que o adotaram; e sempre trabalhou em áreas que o agradavam. Por muitos anos, foi carcereiro da Delegacia de Polícia Civil de Mandaguaçu e sempre procurou passar uma mensagem positiva aos detentos. Hoje é seu próprio patrão, atuando na área de segurança, como era o sonho dele e como foi pedido a Santo Expedito.

Fulgêncio é uma das pessoas mais conhecidas da cidade e empresa de segurança dele foi contratada para fazer o que em Maringá e Sarandi é atribuição da Guarda Municipal. Todos os dias ele cuida do trânsito, da segurança das instalações públicas e atua até como socorrista. Apesar do turno puxado, ainda tem tempo para ser catequista e até atuar como juiz de futebol nos fins de semana.

Quando era criança, o pai deu a Fulgêncio a liberdade para escolher que religião preferia seguir. Ele escolheu o catolicismo e no mesmo dia ganhou da mãe uma imagem de Nossa Senhora das Graças, “que ele amou e cuidou como se fosse um tesouro”, diz dona Isolina. A paixão do menino pela imagem levou a família a dar-lhe outros santos e assim ele iniciou a coleção, que é a maior de que se tem notícia na região.

Ele explica que a fé é algo particular para ele. “Eu sigo primeiro a Deus, mas confio bastante também nos santos”, diz. A predileção por Santo Expedito vem da confiança conquistada ao longo dos anos. “Sempre que é uma causa difícil, recorro a ele e ele não me decepciona”, declara.

Uma das preocupações de Fulgêncio é a de sempre fazer uma promessa quando faz um pedido. Depois a preocupação é cumpri-la à risca. Certa vez fez uma viagem até uma cidade distante para levar uma cesta básica a uma mulher de cabelos brancos, conforme a promessa, e na rua encontrou uma velhinha, de cabeços brancos, a quem entregou a cesta. Ao saber que a velhinha chamava-se Isabel, no mesmo dia ele comprou uma imagem de Santa Isabel.

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Ex-vereadora vive em abrigo para idosos e diz que é feliz e não sente falta da política

Vivendo em um asilo de idosos, a ex-vereadora Lizete Ferreira da Costa diz não sentir falta da política, mas dos amigos que fez em Maringá

Vivendo em um asilo de idosos, a ex-vereadora Lizete Ferreira da Costa diz não sentir falta da política, mas dos amigos que fez em Maringá    Fotos: Rafael Silva

“Do que que eu sinto falta? Ora, sinto falta de homem”, disse a senhora magrinha, de cabelos brancos, vestido branco, sandálias brancas, mas uma blusa de lã marrom e descambada e uma gigantesca pochete vermelha estragando o visual. “Não estou brincando. Sinto falta de homem. De homem, de advogar, dar aulas, tocar piano, sinto falta de sair pelas ruas e ver o quanto Maringá está bonita”.

Os cabelos não continuam os mesmos, a ponto de pouca gente – ou ninguém – reconhecer a dona da franja preta que fez sucesso na Maringá dos anos 70, mas o linguajar continua mais para o estilo Dercy Gonçalves do que madre Tereza, a ponto de quem a conheceu reconhecer na hora que estava em frente a Lizete Ferreira da Costa, a professora socialite que estava nos sonhos de muitos estudantes e na cobiça de homens importantes, razão do ciúme da mulherada.

Lizete, que vive em um abrigo para idosos em Maringá, é um exemplo de pessoas que perderam quase tudo na vida. Filha de médico, vinda de uma família que tinha desembargadores e juízes, que estudou piano durante 9 anos em uma época em que só as meninas de famílias ricas podiam se dar a este luxo, estudou nas melhores escolas de Curitiba e se formou em uma faculdade de Belas Artes, casou-se com um médico, formou uma bela família com um filho e duas filhas, deu aula em 15 escolas de Maringá e em 1976 tornou-se a segunda mulher eleita para a Câmara de Maringá

Mas, o período de glória começou a ruir tão logo terminou o mandato de vereadora. A professora, que a esta altura já era também advogada e tinha mudado de marido, começou a perder. Pouco tempo depois já não tinha o marido, depois ficou sem o casarão em que vivia na Zona 5, ficou sem carro e era vista caminhando para cima e para baixo a pé, carregando pesadas bolsas cheias de livros de Direito, os vestidos vistosos foram dando lugar a vestes surradas.

Um dia Lizete estava vivendo em uma casinha de dois cômodos no Maringá Velho, depois passou a viver em hotéis, primeiro alguns de padrão médio, depois foi baixando até os hoteizinhos da Rua Joubert Carvalho, próximos à Rodoviária Velha. Depois sumiu, tanto da vista quanto da lembrança dos maringaenses.

Lizete, agora de cabelos totalmente brancos, divide um quarto com outras duas mulheres em uma casa de repouso para idosos. É a mais elétrica dos 42 moradores, sempre com passos rápidos para cima e para baixo com sua inseparável pochete vermelha, desproporcional ao tamanho da dona. “Eu gosto muito daqui. Tudo é do melhor, os funcionários são atenciosos, a comida e boa e o ambiente é extremamente limpo e bonito”, elogia. “O problema é que não posso sair, não sei mais como é minha cidade”.

Lizete divide um quarto com outras duas mulheres, não nada mais além da pouca roupa, mas diz que é feliz no asilo

Lizete divide um quarto com outras duas mulheres, não nada mais além da pouca roupa, mas diz que é feliz no asilo

A ex-vereadora está com 67 anos, é uma das mais jovens do abrigo, está sempre de sobrancelhas tiradas, olhos contornados com rímel, alguma maquiagem e unhas bem pintadas, de branco, como os cabelos, o vestido e as sandálias. E diz que não sente falta da política. “Vi muito jogo sujo na política, aquilo não serve para mim”. O que sente saudade, segundo diz, é do filho que mora em Curitiba, da filha que mora em Londrina e dos netos. Disse que ainda tem capacidade e vontade para voltar a advogar e a dar aulas. “Sinto falta do piano. E de homem, grande, bonito e gostoso”.

 

Veja também sobre outros políticos que foram destaque em Maringá e hoje estão no ostracismo. Clique AQUI

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Morre o humorista Canarinho, o Moloque Saci

 

Canarinho tinha 86 anos, quase 70 dedicados ao humor

Canarinho tinha 86 anos, quase 70 dedicados ao humor

O humor da televisão perdeu nesta sexta-feira o humorista Canarinho, que ultimamente trabalhava no programa “A Praça é Nossa”, do SBT.

Aloísio Ferreira Gomes, o Canarinho, estava internado desde domingo e sofreu um infarto agudo do miocárdio.

Ele começou a vida artística como cantor, na era áurea do rádio, foi apresentador e depois passou a atuar em radionovelas, fez cinema e nos últimos 50 anos passou por diversos programas de humor da televisão.

Canarinho passou por programas como “Praça da Alegria”, apresentada por Manoel de Nóbrega, nos anos 60 e 70, “Escolinha do Professor Raimundo”, de Chico Anysio, além de novelas como “Sítio do Picapau Amarelo”, onde interpretou Garnizé, e “Meu Pedacinho de Chão”, de Benedito Ruy Barbosa, e “Sinha Moça”. Além de redator das atrações “Programa Show Canarinho”, “Domingo é Dia”.

Um de seus papéis impagáveis foi o Moleque Saci, na novela-bangue-bangue “Jerônimo, o Herói do Sertão”.

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Isto não é Veneza, é um momento muito triste na história de uma cidade alegre

Tem gente dizendo que, com a cheia do Rio Madeira, Porto Velho, capital de Rondônia, está parecendo Veneza, mas quem diz isto talvez não esteja levando em conta a dor de milhares de famílias que estão desalojadas e o prejuízo de milhões de reais que a cidade terá para se recuperar.

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Servidores têm dias descontados e podem ser demitidos

Cerca de 40 servidores da prefeitura de Lobato que participaram de uma greve durante uma semana para exigir o pagamento da reposição salarial, referente às perdas com a inflação do ano passado, tiveram descontados no pagamento os dias que não trabalharam.

O Tribunal de Justiça do Paraná julgou uma ação da prefeitura contra os grevistas e considerou a greve “ilegal e abusiva”.

Com a decisão do TJ, a prefeitura descontou os dias não trabalhados e abriu um processo administrativo que, dependendo do que for apurado, poderá resultar na demissão de alguns servidores.

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