Mês: dezembro 2014



Vitória, um território onde dividir dá certo

Baseada nos ideais comunistas, comunidade de trabalhadores rurais mostra que é possível buscar no capitalismo a qualidade de vida sonhada

Fotos: Leo Castro e Daniela Calza 

Coletividade, eficiência e método. Estas são as palavras que norteiam o trabalho e a vida na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), criada há 21 anos por 20 famílias em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao lado da área urbana de Paranacity (a 74 quilômetros de Maringá), e levaram o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o MST a considerá-la uma experiência bem-sucedida de reforma agrária.

Cristiano e Ildo, que estão no Assentamento Vitória desde o início, no condomínio de casas onde antes estavam as barracas de lona

Cristiano e Ildo, que estão no Assentamento Vitória desde o início, no condomínio de casas onde antes estavam as barracas de lona

Diferente de outros assentamentos espalhados pelo País, onde a produção é para a subsistência, os assentados trabalham cada um para si, moram em casas simples e muitas vezes as propriedades são vendidas, as 22 famílias da Copavi não são donas das casas que elas próprias construíram para morar e nem da estrutura industrial e comercial implantadas nas últimas duas décadas, também não têm ganhos próprios. A produção agrícola e pecuária é industrializada no próprio assentamento, chegando ao consumidor com valores agregados. Tanto que as 40 toneladas de açúcar mascavo produzidas mensalmente são comercializadas em vários Estados, parte com embalagem da Copavi, parte por meio de outras empresas. E a cachaça artesanal Camponesa, com selo de produto orgânico, já chega à França, Itália e Espanha e pode em breve ganhar outros países europeus.

A cachaça orgânica Camponesa divulga a qualidade dos produtos do assentamento na Europa

A cachaça orgânica Camponesa divulga a qualidade dos produtos do assentamento na Europa

“Tudo que há aqui foi sonhado, discutido e planejado desde que estávamos vivendo em barracas de lona em acampamentos espalhados pelo Paraná”, conta Ildo Roque Calza, 52 anos, um dos fundadores da cooperativa. Junto com a mulher, ele viveu cinco anos em acampamentos e diz que entre os próprios assentados nasceu a ideia de se criar um assentamento onde tudo fosse dividido igualitariamente.

A chance de transformar o sonho em realidade surgiu em 1992, quando o Incra desapropriou uma fazendo improdutiva ao lado da área urbana de Paranacity e 20 famílias que tinham permanecido seis meses acampadas na frente do Palácio Iguaçu, em Curitiba, foram selecionadas para o assentamento. “Quando chegamos, em janeiro de 1993, acampamos em barracas próximo a uma mina, nos fundos da área de pouco mais de 250 hectares, mas não podíamos começar a trabalhar porque a fazenda estava em poder de uma usina de açúcar e um grupo de famílias de Paranacity também disputava a área”. Os assentados tiveram que esperar um ano morando em barracas de lona, fizeram serviços braçais na cidade ou trabalharam de boia-fria até que houvesse uma decisão da Justiça, “mas enquanto esperávamos, fortalecemos a ideia de um assentamento comunitário e criamos a cooperativa no papel”.

As casas, todas com mais de 100 metros quadrados e sem muros, substituem as barracas de lona dos primeiros dias

As casas, todas com mais de 100 metros quadrados e sem muros, substituem as barracas de lona dos primeiros dias

Diferente de outros assentamentos, o Vitória não teve lotes entregues a cada assentado. Foi definida uma área para a construção de casas, outra onde seriam implantadas as indústrias planejadas e uma reserva de mata. Depois aconteceram modificações e hoje há uma área de pastagem para a criação de vacas leiteiras, outra para cana-de-açúcar. Mas, acontecem remanejamentos para não cansar a terra e a área que hoje está com cana pode virar pasto e o pasto virar horta.

Ildo Roque e o açúcar mascavo vendido em vários Estados brasileiros

Ildo Roque e o açúcar mascavo vendido em vários Estados brasileiros

“Uma das ideias que dá bom resultado e garante a continuidade do projeto inicial é o refeitório coletivo”, explica Francisco Strozati, o Chicão, um gaúcho de 74 anos que morou em Guaíra e foi um dos líderes do MST na região de Ortigueira. Ele é um dos fundadores da Cooperativa Vitória e diz que o refeitório foi criado para que os assentados almoçassem juntos e assim as mulheres podem dedicar mais tempo ao trabalho na cooperativa, não tendo que ir mais cedo para casa para fazer almoço.

“Tudo na Copavi é conversado. Conversamos durante o almoço, as famílias são estimuladas a discutir os assuntos da cooperativa em casa, há espaço para discussão nos núcleos familiares, dentro de cada atividade e uma vez por semana acontecem reuniões dos conselhos. Por último, há a assembleia, que é o órgão maior.

Atualmente, os cooperados planejam a construção de mais 10 casas e o plantio de madeira de lei, como  mogno africano, cedro australiano e leocena onde hoje é o pasto.

 

Ninguém é dono, mas tudo é de todos

Na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória todo mundo faz de tudo, mas ninguém é dono de nada. As 18 casas em que vivem 22 famílias, totalizando próximo de 80 pessoas, foram construídas pelos próprios assentados, muitas vezes em regime de mutirão, e formam uma vila que parece um condomínio de classe média, todas com carro na garagem e, misturada a roupas no varal ou afixada na parede, há sempre uma bandeira do MST. As ruas de terra, mas bem conservadas, são arborizadas e em todos os quintais há muitas flores e árvores frutíferas. Quase não se vê cachorros na colônia e um fato que chama a atenção é que nenhuma casa tem muro ou cerca, tanto que as pessoas passam por dentro dos quintais das outras e ainda param para bater papo.

“Foi decidido que ninguém seria dono de imóveis, tudo pertence à cooperativa e quem é sócio pode se sentir proprietário, mas se alguém quiser sair, não pode vender sua parte na cooperativa”, conta Ildo Calza. Se alguém sair – o que praticamente não acontece – outra família poderá entrar, fica com a casa e a parte na cooperativa, mas precisará ser aceita pelos outros cooperados”.

Os assentados fazem de tudo. Há trabalho para homens e mulheres no cuidado das vacas de leite, no ordenhamento, resfriamento, envazamento, produção de iogurtes, bebidas lácteas, doce de leite e queijos, a padaria produz pães de diversos tipos, biscoitos e cucas e em outro setor produz-se açúcar mascavo, melaço e cachaça. Alguns cooperados trabalham ainda com porcos, galinhas poedeiras, frangos de corte, criação de peixe e hortaliças para suprir o refeitório coletivo e as próprias casas.

Os produtos de laticínio e panificadora são vendidos para a merenda escolar em 30 municípios da região e parte é comercializada nas cidades, de porta em porta, e em acampamentos e outros assentamentos do MST.

“Tudo é feito em sistema de rodízio”, diz Calza. “É para que todos dominem todas as atividades do assentamento”. Segundo ele, uma pessoa pode ser o responsável pelo setor de laticínio e, em outro horário, ajudar na horta ou no corte de cana. E a cada seis meses acontecem mudanças em todas as coordenações, de modo que cada pessoa terá chance, em algum momento de coordenar alguma atividade.

Tudo que é produzido é vendido e o dinheiro é repartido entre quem trabalhou, de acordo com as horas trabalhadas.

 

NÚMEROS

20 famílias participaram da criação da Copavi, em 1993

44 pessoas são sócias da cooperativa hoje, com direitos e deveres iguais

80 pessoas de 22 famílias moram nas 18 casas do assentamento

40% dos sócios têm curso superior e trabalham na cooperativa

18 anos é a idade mínima para tornar-se sócio

1 mil litros de leite são retirados por dia

40 toneladas de açúcar mascavo são produzidas por mês

20 empregados são contratados para auxiliar nos trabalhos da cooperativa

R$ 90 mil é o faturamento mensal médio da cooperativa

 

Um sonho de pai para filho

Um pequeno presépio com muitas luzes se destaca na sala do casal Armelinda-Vitor Damasceno, mas também chama a atenção o tamanho da sala, toda pintada de azul claro: 5 X 5 metros. É nela que Vitor e Armelinda passam boa parte do tempo, em companhia dos três netos que criam, pois é lá que está a TV de LED de 40 polegadas exibindo mais de 30 canais captados pela antena parabólica instalada aos fundos da casa de 110 metros quadrados.

As casas pertencem à cooperativa, mas passam de pai para filho

As casas pertencem à cooperativa, mas passam de pai para filho

Toda forrada, com piso cerâmico, varanda ampla e cercada de árvores frutíferas e flores, com água de poço artesiano e internet banda larga, a casa é um dos orgulhos de Vitor, um homem de 71 anos que até os 50 trabalhava como boia-fria em lavouras de algodão, café, fez todo tipo de trabalho braçal e tentou a sorte até em garimpos no Norte do Brasil. Orgulho porque, afinal, ele fez a casa com suas próprias mãos, aproveitando as horas do dia que restavam depois de muito trabalho no corte de cana, no arranquio de mandioca, capina ou mesmo limpeza de pasto. Orgulho porque naquele mesmo local ele e a família moraram debaixo de uma barraca de lona plástica, enfrentando chuva e vendaval, frio e calor intenso, depois de viver em barracas em outros pontos do Paraná.

Vitor é um dos fundadores da Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória, ou Copavi, e ajudou a transformá-la em um caso de sucesso entre os assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Não tenho o direito de vender esta propriedade, mas também não tenho interesse em sair daqui. Esta casa, este lugar, a cooperativa, a maneira que vivemos são resultado do que sonhamos juntos e me sinto realizado em chegarmos a este ponto”, diz o homem que poderia ter se aposentado, mas prefere continuar trabalhando. “Não sou proprietário, mas tenho a tranquilidade de saber que isto ficará para meus netos, que poderão deixar para os filhos deles”.

 

Educação e consciência são prioridades

Cerca de 30 crianças, de recém-nascidos a pré-adolescentes, viviam nas barracas de lona ao lado de uma mina d’água quando seus pais ganharam na Justiça o direito de ocupar uma propriedade de 256 hectares próxima área urbana de Paranacity e implantaram a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória. Hoje, 21 anos depois, quase todas aquelas crianças continuam no assentamento, a maioria com diploma de curso superior.

Cristiano Czycza, que morou em acampamentos desde que nasceu, diz que no Vitória a educação dos jovens é a principal meta

Cristiano Czycza, que morou em acampamentos desde que nasceu, diz que no Vitória a educação dos jovens é a principal meta

É o caso de Cristiano Czycza, que começou a viver em acampamentos em áreas ocupadas por sem terra desde antes de aprender a andar. “Eu tinha 6 anos quando meus pais vieram para cá, mas desde menos de 1 ano de idade já morava em acampamentos”, conta o jovem de 27 anos, formado em Administração em Belo Horizonte.

Segundo Czycza, uma das prioridades da cooperativa é a educação dos filhos e todos os jovens têm apoio para estudar em algumas das melhores universidades do Brasil, graças a convênios que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) mantém com instituições de ensino.

O fato de garotos e garotas do Vitória saíram para estudar fora tem ajudado a aumentar a população do acampamento. Vários acabam casando com colegas de faculdade, como foi o caso de Carlos Roberto Cardoso, filho de um ex-vereador de Sarandi, que foi cursar História na Universidade Federal da Paraíba e lá conheceu Maria José, com quem se casou. Assim, hoje as casas do acampamento são ocupadas por engenheiros florestais, agrônomos, contadores, professores. Tem até um engenheiro elétrico espanhol, que se casou com a filha de um cooperado e mudou-se para o Vitória.

A educação dos filhos e netos está entre as prioridades dos associados da Copavi

A educação dos filhos e netos está entre as prioridades dos associados da Copavi

“Quase 100% dos jovens que saem para estudar fora acabam voltando, porque aqui temos uma boa estrutura de trabalho e vivência, muitos trabalham na cooperativa e outros podem prestar serviços em outros assentamentos, mas se a opção for por ir para outro lugar, trabalhar fora, a pessoa tem liberdade e terá um ano para decidir se continua fora ou se volta para a cooperativa”.

Na Copavi, uma pessoa com curso superior pode ganhar o mesmo que ganharia trabalhando em outra empresa, “mas aqui temos a formação política e ideológica para que o jovem compreenda seu papel na sociedade, que o desenvolvimento econômico tem que estar associado ao desenvolvimento social das famílias, desconstruindo a ideia de que o campo não é mais um bom lugar ou que é lugar de jecas”, diz o engenheiro agrônomo Adilson Gumieiro, o Maguila, que não foi sem terra, mas optou por viver no assentamento.

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Toque de mestre

Marista

Levei um susto quando vi na coluna do Rigon esta linda foto da gloriosa fanfarra do Colégio Marista de Maringá, não pela fanfarra mas pelo belo colorido, impossível para uma foto de papel de mais de 40 anos. Só depois que li o post entendi que trata-se de uma foto feita originalmente em preto e branco, possivelmente com uma câmera Yashica 6×6, depois colorizada pelo gênio Kaltoé, que foi cartunista de O Diário décadas atrás. Tudo deu certo: um boa foto de uma ótima fanfarra e um excelente trabalho de colorização.

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Jogadores dizem que Milton Leite é o melhor e Galvão Bueno o pior narrador

Milton Leite, o melhor

Milton Leite, o melhor

Galvão Bueno, o pior, na opinião dos jogadores

Galvão Bueno, o pior, na opinião dos jogadores

Não foi surpresa para ninguém: Milton Leite foi eleito o melhor narrador de futebol da TV brasileira por jogadores que participaram da Série A do Brasileirão e Galvão Bueno foi considerado o pior.

O resultado é de uma pesquisa feita pelo site UOL Esporte e curiosamente é o mesmo de outra pesquisa realizada no ano passado entre torcedores, onde Milton Leite, da Globo e do SporTV, ficou com o primeiro lugar, com o dobro da pontuação de Luís Roberto, também da Globo, que ficou em segundo.

Na pesquisa com os jogadores, Milton Leite, venceu com impressionantes 33,33% dos votos. Cléber Machado, segundo colocado, teve 20,37% e Galvão Bueno teve 18,52%.

Já na escolha do pior do Brasil, o título ficou com Galvão, que teve 22,64% dos votos; Alex Escobar vem em seguida, com 10,38%.

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Dona Florinda vende as casas de Chaves

A atriz que interpretou a personagem Dona Florinda era mulher do criador do Chaves

A atriz que interpretou a personagem Dona Florinda era mulher do criador do Chaves

Dona Florinda está vendendo as casas do Chaves, mas não se trata de barris.

A atriz Florinda Meza Gomez Bolaños, a Dona Florinda do seriado “Chaves”, anunciou que está vendendo duas casas que pertenceram ao marido dela, o humorista Roberto Bolaños, que morreu há um mês. Bolaños foi o criador e intérprete de Chaves, o humorístico infantil que faz sucesso em vários países há quase meio século.

As casas do humorista ficam em Cancun e na Cidade do México e serão vendidas exatamente como foram deixadas por Bolaños, inclusive com os móveis.

A viúva não informou valor de venda para as casas, mas a julgar pelo tamanho da fortuna deixada para a família por Roberto Bolaños, cerca de R$ 2 bilhões, e pelo valor simbólico das residências e objetos, é possível que custarão bem mais do que os meses de aluguel atrasado acumulados pelo Seu Madruga e que foram cobrados durante durante todo o seriado pelo Seu Barriga.

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Brasileiro sequestrado em abril é libertado pela guerrilha paraguaia

O garoto brasileiro Arlan Fick, de 17 anos, sequestrado no início de abril deste ano pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP) e mantido refém pela guerrilha apesar de a família ter pago resgate de R$ 500 mil, foi libertado na noite desta quinta-feira.

Momento em que Arlan reencontra os familiares

Momento em que Arlan reencontra os familiares

A família postou no Facebook uma foto do reencontro.

Arlan, que é filho de fazendeiros brasileiros que plantam soja e milho no Departamento de Concepción, no Paraguai, foi sequestrado no dia 2 de abril na fazenda da família.

O EPP, a quem o governo paraguaio atribui 38 assassinatos, entre civis, militares e policiais, é um movimento armado de esquerda que opera desde 2007 no norte do país, próximo à fronteira com o Brasil. O grupo guerrilheiro ainda mantém refém o policial paraguaio Edelio Morínigo, sequestrado em julho passado. O grupo pede a libertação de seis guerrilheiros presos em troca da soltura do policial.

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Pioneira Celina de Carvalho será sepultada nesta quarta-feira

Será sepultada às 10h30 desta quarta-feira, no Cemitério Parque de Maringá, a pioneira Celina Maria de Carvalho, que morreu na madrugada desta terça-feira depois de sofrer um aneurisma na aorta. Ela tinha 82 anos e deixa viúvo o ex-sindicalista e ex-servidor público Adenias Raimundo de Carvalho e os filhos Jairo de Carvalho, Maria Lúcia e Luiz de Carvalho, os dois primeiros, professores, e o último, jornalista de O Diário.

Celina com o marido Adenias (Deco) e os filhos Jairo, Maria Lúcia e Luiz

Celina com o marido Adenias (Deco) e os filhos Jairo, Maria Lúcia e Luiz

Celina era baiana e chegou em Maringá com o marido em 1955.

Ela sofreu o aneurisma no sábado à noite quando estava em casa com a família. Socorrida por uma equipe do Samu, primeiro foi atendida na UPA Zona Sul e depois no Hospital Metropolitano, de Sarandi, onde passou por uma cirurgia de urgência, mas não resistiu e morreu na manhã desta terça-feira.

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Prefeitos escolhem Zampar para presidir a Amusep

O prefeito de Itambé, o petista Antonio Carlos Zampar, será eleito nesta sexta-feira para a presidência da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), sucedendo seu vizinho de município José Roberto Ruiz, prefeito de Floresta.

Zampar terá como principal função conduzir a viabilização dos diversos consórcios regionais que estão sendo organizados para atender os 30 municípios da Amusep. Outro compromisso é dar início à construção da sede própria da Amusep. Muita coisa já foi adiantada nas últimas três gestões.

O prefeito de Astorga, Arquimedes Ziroldo, o Bega, que está à frente do Consórcio de Gestão Proamusep nos últimos anos, vai continuar para concluir a implantação dos consórcios regionais. E possivelmente o maringaense Roberto Pupin vai suceder o prefeito de Mandaguaçu, Ismael Fouani, na presidência do Consórcio Intermunicipal de Saúde, o Cisamusep.

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Candidato de Bega vence eleição na Câmara de Astorga

Com a eleição de Paixão, o prefeito Bega terá menos oposição na Câmara nos próximos dois anos

Com a eleição de Paixão, o prefeito Bega terá menos oposição na Câmara nos próximos dois anos

O vereador José Carlos Paixão (PTB), integrante do grupo político ligado ao prefeito Arquimedes Ziroldo, o Bega, também do PTB, venceu a eleição para a presidência da Câmara de Astorga, derrotando Claudiner Ischida (PSDB) por 5 votos a 4.

O atual presidente, o petista Sérgio Daguano, não concorreu à reeleição, preferindo integrar a chapa de Ischida como candidato a secretário.

Com a eleição de Paixão, a Mesa Diretora para o próximo biênio terá Ademir Batista da Silva, o popular Corintiano (PHS) como vice-presidente, o pedetista Marino Martioli como 1º secretário e Maurício Juliano (DEM) como segundo secretário.

O agricultor e criador de frangos Zé Paixão é vereador reeleito e deve tomar posse no dia 1º de janeiro. Com 59 anos, ele é nascido em Astorga, membro de uma família de pioneiros.

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“Será que é poesia?”, a dúvida e os versos da vida de Laércio Souto Maior

Será que é poesia?” é o primeiro – e único – livro de poesias do escritor maringaense Laércio Souto Maior, autor de outros seis livros

Desta vez não é o texto escorreito de quem escreveu os editoriais de O Diário em uma época em que este jornal peitou a ditadura militar, nem os levantamentos históricos e sociológicos que marcaram a vida do escritor Laércio Souto Maior. O Laércio que se nos apresenta agora é poeta, ou pelo menos tenta ser, já que por trás de versos e rimas não consegue ficar escondido o prosador, o militante político de esquerda, o historiador, o sociólogo. Ele próprio tem dúvida, como deixa claro com a pergunta no título do livro lançado nesta semana em Curitiba e que deverá ser lançado no início do ano em Maringá.

Laércio autografou cerca de 80 exemplares durante o lançamento, no Museu Guido Viaro, em Curitiba

Laércio autografou cerca de 80 exemplares durante o lançamento, no Museu Guido Viaro, em Curitiba

Será que é poesia?” é o primeiro livro de poesia de Laércio Souto Maior e será o último, como avisa o próprio autor, já que os poemas que ocupam as 100 páginas do livro foram feitos ao longo da vida e ele garante que não pretende juntar versos para um segundo livro.

São poemas líricos, poemas políticos, quadrinhas e outras formas que fiz desde a mocidade em Caruaru até inspirações que me vieram quando estive em Montevidéu [Uruguai] e resolvi homenagear dois grandes líderes tupamaros, o carpinteiro e político Julio Marenales e o presidente Pepe Mujica”, conta Souto Maior.

Logo na primeira leitura percebe-se que os poemas revelam a época em que foram compostos, refletindo diferentes momentos da vida, do nordestino que muda-se para o norte do Paraná quando as cidades ainda viviam a fase de formação, da política brasileira, ditadura militar, prisão, jornalismo, política partidária, Maringá, Caruaru, Recife, Curitiba.

Para o premiado poeta e editor Alexei Bueno, na apresentação, a lírica de Souto Maior está centrada em três linhas: poesia social, filosófica e amorosa. E o questionamento do título se justifica devido à forte tendência para a prosa ou pela dispersão no tempo dos poemas reunidos, “fato que só valoriza o conjunto, pois acrescenta, ao poema em si, a indelével marca do momento histórico e pessoal em que cada um nasceu”.

O livro feito pela Banquinho Editora é artesanal e tem capa em tecido

O livro feito pela Banquinho Editora é artesanal e tem capa em tecido

“Que ninguém duvide. O Laércio não escreveu esses textos, dos anos 60 aos dias atuais, descompromissado. São espelhos de uma alma, que revela ora sua janela idealista ora sua visão purista, ora seu paladar político ora seu apetite sexual. E assim é o dia a dia de um homem que se comprometeu, ao longo de sua existência, com a vida em suas várias faces, sem medo das machucaduras”, diz o jornalista e escritor Nilson Monteiro, também na apresentação do livro.

Será que é poesia?” é o sexto livro do autor pernambucano que viveu em Maringá desde o início dos anos 60. A primeira edição foi de 200 exemplares numerados, com capa dura revestida em tecido, encadernada pela Caderno Listrado e com arte da serigrafia da capa de autoria de Júlian Imayuki Duarte, artista gráfico curitibano que reside no Rio de Janeiro. O lucro resultante da venda dos livros será revertido para o fundo da Associação dos Amigos do Arquivo Manoel Jacinto Correia – Centro de Pesquisa e Documentação Social.

Como quase toda a primeira edição foi vendida no lançamento, em Curitiba, a Banquinho Editora já está providenciando uma segunda impressão.

“Às vezes penso tristonho
Olhando a atualidade:
Será que valeu a pena
Tanta luta, tanto esforço
Tanto sangue e tanta dor?
Pra ver o Brasil ser dirigido
Pela mediocridade”

Um escritor na política

Na apresentação do escritor, no lugar da tradicional foto, foi publicada uma caricatura feita há 35 anos pelo cartunista José Carlos Struet (1951-1982), que época publicava suas charges em O Diário e O Pasquim

Na apresentação do escritor, no lugar da tradicional foto, foi publicada uma caricatura feita há 35 anos pelo cartunista José Carlos Struet (1951-1982), que época publicava suas charges em O Diário e O Pasquim

Laércio Souto Maior é um maringaense nascido no Pernambuco e que reside, atualmente, em Curitiba. Professor, advogado e jornalista, escreve desde a meninice, mas seu fascínio não é tanto pelo polimento do texto e nem pela ficção, mas pela história, pela análise sociológica da população brasileira e, principalmente, pela política.

Chegou a Maringá no começo dos anos 60 e aqui criou a família, que continua na cidade. Participou da política e se deu mal com ela depois da implantação da ditadura militar no País, chegando a ser preso três vezes. Foi dirigente do MDB ao lado de figuras históricas, como os irmãos Horácio e José Hermenegildo Raccanello, e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

No jornalismo, Souto Maior foi editor do O Diário, quando a publicação foi de propriedade do empresário Ramires Pozza e fez do jornal um dos marcos de oposição ao então governo do Paraná e à ditadura militar.

SERÁ QUE É POESIA?
Laércio Souto Maior
Poesia
ISBN: 978-85-65388-08-5
Valor: R$ 50,00
100 páginas – 14×19,5 cm
Papel pólen bold 90g
Capa dura revestida em tecido

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