Mês: setembro 2015



Lembranças de Puliquezi resgatam imagens da Vila 7

A sala da casa de Jeremias Puliquezi com as pinturas que revelam sua visão sobre o bairro de Maringá que mais mudou nas últimas décadas, a Vila 7, a parte da Zona 7 próxima de onde hoje fica a UEM

A sala da casa de Jeremias Puliquezi com as pinturas que revelam sua visão sobre o bairro de Maringá que mais mudou nas últimas décadas, a Vila 7, a parte da Zona 7 próxima de onde hoje fica a UEM

Rafael Donadio e Ricardo Lopes
O Diário

“A saudade começa aos 45, mais ou menos. Até ali o cara está jovem demais e achando que a vida é muito comprida, mas todo mundo vai passar por isso. E chega os 58, 60 anos e a saudade bate de verdade.” Essas foram as primeiras palavras que Jeremias Puliquezi, 61, diz ao explicar a produção de textos e quadros sobre histórias vividas na Zona 7, em Maringá. Bairro onde nasceu e permanece até hoje.

Aposentado como Técnico de Segurança da Copel, função que exerceu durante 22 anos, o artista se acomoda na sala de casa forrada com seus quadros, em uma tarde calma ao lado dos netos – o mais novo brincando no chão ao lado do sofá e a mais velha estudando na sala de jantar. E o clima de nostalgia embalado pelo cheiro de leite, chocolate e açúcar vindo da cozinha, onde a mulher Celia prepara algo após o almoço, ajeita o terreno para as histórias permeadas por sorrisos e risadas.

Lembrança de um caminhão tragado por uma cratera na confluência das ruas Mandaguari e Tietê na década de 1960, muito antes da chegada do asfalto

Lembrança de um caminhão tragado por uma cratera na confluência das ruas Mandaguari e Tietê na década de 1960, muito antes da chegada do asfalto

Apesar do bom clima de saudade, ele lamenta a ignorância da juventude. Quando mais novo, Puliquezi se desfez de todas as fotos tiradas com a máquina velha que ganhou do pai. “Por isso comecei a pintar. Eu tinha fotos do bairro, mas é aquilo que eu falei: quando você é mais novo, não dá valor, então joguei fora.”

Mas há males que vem para o bem. Exercitando a paixão que nasceu na infância, entre aulas com amigos e tentativas, o maringaense fez belos quadros, que um dia poderão ilustrar o livro que, por enquanto, está entre ideias e muitos rascunhos. “Faz mais ou menos uns dois anos que eu não mexo com ele, mas algum dia ainda sai.” Juntando poemas e imagens ele pretende retratar o dia a dia da Zona 7 de sua infância. Antes do bairro se deteriorar, os prédios entrarem no lugar das casas de amigos, do campinho de futebol e dos demais espaços nostálgicos.

A explosão do primeiro transformador da vila fez muita gente a pensar que chegava a hora do Juízo Final

A explosão do primeiro transformador da vila fez muita gente a pensar que chegava a hora do Juízo Final

Entre as pinturas a óleo sobre tela estão relatos das enxurradas que reviravam caminhões e invadiam casas das redondezas da Rua Tietê a cada chuva forte que atingia a cidade; as lembranças do pequeno artista e sua turma buscando lenha na Esplanada (hoje, calçadão ao lado do Mercadão Municipal) para as tias e as mães realizarem os afazeres de casa; e muitas outras atividades que mostravam o cotidiano do bairro. “Existem algumas fotos por aí, mas são fotos aéreas, panorâmicas. Eu queria mostrar o movimento que existia nas ruas”, explica Puliquezi. E completa, “são todas cenas que eu vi pessoalmente, eu estava lá”.

Como a maioria das casas da vila, de madeira e sem forro, a do artista também tinha muitas fotos da família

Como a maioria das casas da vila, de madeira e sem forro, a do artista também tinha muitas fotos da família

Mas assim como voa a imaginação de uma criança, voam também as lembranças da infância do bairrista – no bom sentido da palavra. O maringaense se permitiu uma memória lúdica, como o cachorro retratado maior que todos os outros personagens da tela que simboliza a chegada do aparelho de televisão à região. Por volta de 1967, como era costume na época, os vizinhos se amontoavam na casa do felizardo dono da novidade para assistir aos principais programas televisivos como “Rin-Tin-Tin” e “Família Trapo”.

O artista diante do quadro que fez das lembranças da mãe e das irmãs ainda na década de 1960

O artista diante do quadro que fez das lembranças da mãe e das irmãs ainda na década de 1960

“Eu pintei dessa forma para mostrar a importância que tinha assistir aquele seriado. Era até mais importante que a própria TV”. O aposentado tenta, ainda, explicar o sentimento vivido ao repórter que nem sequer chegou perto dessa experiência. “Algum amigo ter uma televisão era como ele ter um carro e você andar de bicicleta, mas a gente escondia essa inveja”, conta, sempre entre brincadeiras.

Após uma pausa para escutar as palavras indecifráveis do neto que desembestou a contar histórias como o avô, Puliquezi diz um pouco mais sobre as suas memórias retratadas com liberdades poéticas. Mostrando no Facebook um quadro no qual simboliza a explosão de um transformador na Avenida Colombo, em 1967, ele relata o desespero das pessoas que ainda não conheciam a recente tecnologia. “Explodiu e fez um clarão. As pessoas ajoelhavam na rua pedindo perdão a Deus, porque acreditavam que o fim do mundo havia chegado. Talvez tenha sido uma das cenas mais interessantes e engraçadas que eu pintei. As caveiras saindo do chão eu abusei um pouco, porque, segundo a Bíblia, as terras vão dar conta dos seus mortos. Mas foi um negócio fantástico.”

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Cido Polícia não volta e é substituído por ex-agente do Denarc

O servidor público Wilson Povoas, que era diretor de Trânsito da prefeitura de Sarandi e virou destaque por denunciar o secretário de Trânsito e Segurança, Aparecido Antonio, o Cido Polícia, é alvo de uma sindicância realizada pela prefeitura e poderá ser demitido do serviço público.

A denúncia colocou Cido Polícia na cadeia desde segunda-feira, além de perder o cargo de secretário.

A sindicância não tem na a ver com a denúncia contra o secretário de Segurança. Ao contrário. É resultado de uma denúncia de Cido Polícia contra Povoas, feita ao prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT).

Segundo Cido Polícia, Povoas não respeitava a hierarquia, negava-se a cumprir as atribuições, chegava ao trabalho por volta das 9h30, quando devia estar presente às oito horas, e usava um veículo da prefeitura para fins próprios, inclusive, levando-o para casa.

No dia 2 do mês passado, o veículo da prefeitura em poder de Povoas foi multado, às 13 horas, por cruzar um sinal vermelho, em Maringá, o que o secretário considerou grave, especialmente, por ser um domingo, dia de folga do diretor de Trânsito.

 

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Está afastada de vez a ideia de que o afastamento de Cido Polícia da Secretaria de Trânsito e Segurança de Sarandi é temporária. Ele não volta mais e vários dos secretários da prefeitura de Sarandi acreditam que sua prisão vai ser por bem mais tempo do que se pensou no início.

Mas, só vai dar para saber quanto tempo ele fica preso depois de concluída a investigação sobre envolvimento em possível fraude de licitação para a compra de materiais para sinalização de trânsito.

A certeza de que ele não volta deve-se ao fato de, momentos após sua prisão, prefeito começar a procurar um novo secretário. Secretário, não alguém para permanecer temporariamente no cargo.

 

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A escolha de Joel Inglês foi aprovada por autoridades policiais, que acham que a Guarda Municipal estará em boas mãos     Foto: Ricardo Lopes

A escolha de Joel Inglês foi aprovada por autoridades policiais, que acham que a Guarda Municipal estará em boas mãos        Foto: Ricardo Lopes

O policial militar Joel Inglês da Silva, que já atuou em cidades da região e ultimamente é do Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, foi apresentado ontem à tropa da Guarda Municipal de Sarandi como novo secretário de Trânsito e Segurança do município. Ele substitui o PM aposentado Aparecido Antonio, o Cido Polícia, que foi preso anteontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pediu afastamento do cargo.

Joel Inglês está na PM há 18 anos, trabalhou no policiamento ostensivo da cidade, integrou o serviço de inteligência P2, o Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas (Denarc) e o Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública.

O comandante da 4. Companhia da PM, capitão Gilson Dias, elogiou a escolha do secretário e disse que Inglês já foi seu colega de trabalho e conhece bem os métodos usados pela corporação.

Inglês foi apresentado à tropa e à imprensa nesta terça-feira

Inglês foi apresentado à tropa e à imprensa nesta terça-feira

A apresentação de Inglês foi feita pelo prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT), que adiantou que, embora o secretário já pode permanecer na GM para conhecer seus subalternos e formas de trabalho, a posse só será oficializada após o policial ser liberado pela Secretaria de Segurança.

“Eu não sou político, sou operacional e pretendo oferecer meus 18 anos de experiência para dar continuidade ao que vinha dando certo no trabalho do Cido Polícia e também apresentar algumas ideias novas”, disse Inglês.

Um dos objetivos do escolhido por De Paula é estreitar ainda mais a parceria com a Polícia Militar e a Polícia Civil. “Esta parceria já dá bons frutos e os números mostram que a criminalidade em Sarandi caiu muito desde que a Militar e a Civil ganharam o reforço da Guarda Municipal. Vamos buscar acertar ainda mais esta parceria”.

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Morre Tazima, fotógrafo e dono da banca de jornais mais antiga de Maringá

Mesmo como proprietário de uma das mais importantes bancas de jornais e revistas de Maringá, Tazima nunca abandonou a carreira de repórter fotográfico   Foto da Coluna Lauro Barbosa

Mesmo como proprietário de uma das mais importantes bancas de jornais e revistas de Maringá, Tazima nunca abandonou a carreira de repórter fotográfico  Foto da Coluna Lauro Barbosa

Morreu no início da noite desta quarta-feira o pequeno comerciante e repórter fotografico Tomoshigue Tazima, proprietário da banca de revista mais antiga da cidade, na Praça Raposo Tavares. Tazima tinha 65 anos e como fotógrafo trabalhou na extinta “Folha de Norte”, além de O Diário e “O Jornal”. Também fotografou casamentos, batizados e outras festas e ultimamente era o fotógrafo da assessoria do deputado estadual Doutor Batista.

Já há alguns anos surgiram os problemas de saúde, mas nada o afastou do trabalho. No mês passado permaneceu três semanas na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa e voltou a piorar nos últimos dias.

O corpo de Tazima está sendo velado na Capela do Prever, em frente ao Cemitério Municipal. O sepultamento será às 17h30 desta quinta-feira no Cemitério Municipal.

Na década de 60, as bancas de revistas e jornais estavam longe de ter a importância que têm hoje. Geralmente, eram feitas de flandre, muito pequenas, e o freguês era atendido do lado de fora.

Dentro, mal cabia o vendedor. Se nos grandes centros, as bancas não tinham muita importância, menos ainda tinham em Maringá. Na época, os jornais da cidade, compostos em tipos soltos ou linotipos e com raríssimas fotos em preto-e-branco estampadas por clichês, tinham vendagem insignificante. As revistas eram impressas também em preto-ebranco.

Foi neste período que, ao deixar o emprego de auxiliar de contabilidade no Supermercado Cravinho, o nissei Tomoshigue Tazima recebeu de indenização o equivalente a seis salários mínimos e, ainda menino e sem saber o que fazer com “tanto” dinheiro, comprou uma banca de revistas na Praça Raposo Tavares, em frente à então estação rodoviária.

“Muita gente achou que eu tinha feito besteira, pois vender revistas, naquela época, estava  longe de ser um negócio razoável. Eu mesmo suspeitei de que tinha jogado dinheiro fora”, diz ele, que no ano que por 47 anos trabalhou na Raposo Tavares, como dono de banca mais antigo em atividade no município.

Talvez por Tomoshigue ser um nome difícil de decorar e de guardar, desde menino ele é chamado de Jorge Tazima, o filho do comerciante Mineto, proprietário do Bar do Ponto, que tinha esse nome por funcionar na parada de ônibus dos primeiros anos de Maringá, na esquina das ruas hoje conhecidas como Basílio Saltchuk e Joubert de Carvalho. A família chegou na cidade em 1952, vinda do Estado de São Paulo, e Tazima era apenas um bebê.

Aos 11 anos, se apaixonou por fotografia: conseguiu a primeira máquina e tornou-se um dos registradores da história de Maringá. Chegou a trabalhar com os lendários irmãos Paulo e Luiz Ueta, que na época dirigiam o Foto Maringá, na Avenida Duque de Caxias. A fotografia acompanhou Tazima até o final da vida, apesar de a banca se manter como a principal atividade.

“Esta banca está no ponto mais central da cidade e, nesses 47 anos, pude acompanhar toda a transformação da área central”, contava. A banca, que antes pertenceu ao funcionário público Antônio Nicomedis, já era antiga quando foi comprada e era uma das poucas coisas que existiam na praça. Naquela época, a Raposo Tavares tinha uma fonte luminosa e era passagem obrigatória para uma boa parcela da população.

Em frente, estava a rodoviária, que ainda era nova, e ao redor, o único prédio bem construído era o da agência do Banco do Brasil. “Da banca, fui testemunha do nascimento de todos esses prédios que hoje formam o centro de Maringá.” Com o passar dos anos, a cidade mudou e a praça foi reconstruída, a rodoviária foi demolida. A banca também é hoje muito diferente daquela onde mal cabia o vendedor. “O que mudou? Tudo. As revistas da época em que comprei a banca eram uma pobreza”.

As moças geralmente compravam fotonovelas, principalmente as da “Sétimo Céu”, “Ilusão” e “Capricho”, todas em preto-e-branco. Hoje, as garotas contam com centenas de títulos com todos os tipos de atrativos, com fotos de alta definição, que esbanjam cores. Antes, os garotos se contentavam com os gibis. “Super-Homem”, “Tarzan”, “Zorro” e “Cavaleiro Negro” eram as mais vendidas. Mas eram vários os heróis daquela época, muitos no estilo bangue-bangue. Em cores, só as revistas Disney, que eram apenas “Mickey”, “O Pato Donald”, “Tio Patinhas” e “Zé Carioca”. Os homens adultos compravam os famosos livros de bolso, quase todos de bangue-bangue. Segundo Tazima, a banca, hoje, é uma verdadeira loja de conveniência. “Tem de tudo, até jornais e revistas”, brinca.

Para Tazima, tornar-se dono de banca foi um dos grandes acertos da vida. Foi à custa de cada artigo ali vendido que ele cresceu, se casou e manteve a família. Também muito importante, segundo ele, é que a banca o ajudou a se tornar uma das pessoas de melhor relacionamento na cidade, uma testemunha do que acontece na área central.

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Dom Knupp é recebido pelo papa Francisco

O ex-padre de Marialva foi um dos bispos a receber as bênçãos do papa Francisco

O ex-padre de Marialva foi um dos bispos a receber as bênçãos do papa Francisco

O bispo Luiz Knupp, que nasceu em Mandaguari, foi padre em Marialva e ordenado bispo em Maringá, esteve com o papa Francisco na semana passada, quando foi recebido na Sala Clementina, no Vaticano.

Knupp, agora bispo de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, foi a Roma participar de sessões aprofundamento e partilha organizadas pela Congregação para os Bispos e a Congregação para as Igrejas Orientais. Outros 14 bispos brasileiros participaram do curso.

Vós sois bispos da igreja recentemente chamados e consagrados”, disse o papa. “Viestes de um encontro irrepetível com o Ressuscitado e, atravessando os muros das vossas limitações Ele vos alcançou com a sua presença e, mesmo conhecendo as vossas negações e abandonos, as fugas e traições”. E recordou-lhes de serem antes de tudo testemunhas do Ressuscitado, dizendo que é esta sua tarefa primordial e insubstituível, a única riqueza que a Igreja transmite muito embora por meio de mãos frágeis.

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Inquérito pede cassação do mandato do prefeito de Nossa Senhora das Graças

Diárias sacadas para viajar para dois lugares diferentes no mesmo período chamaram a atenção

Comissão de Inquérito pede que a prefeitura seja ressarcida nos casos em que não está justificada a viagem

O relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) aprovado quarta-feira pela Câmara de Nossa Senhora das Graças (a 65 quilômetros de Maringá) pede a cassação do mandato do prefeito João Pineli Pedroso (DEM) e ainda o ressarcimento de R$ 181 mil gastos irregularmente em diárias.

O prefeito João Pedroso em Curitiba, com o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Mounir Chaowiche

O prefeito João Pedroso em Curitiba, com o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Mounir Chaowiche

O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná, apontando que o Executivo não comprovou a finalidade e nem a necessidade de algumas diárias e na maioria dos casos o valor da diária foi aumentado por decreto.

O município de 4 mil habitantes pagou mais de R$ 300 mil em diárias nos 2,5 anos da administração Pedroso, boa parte sem prestação de contas, como as recebidas por uma psicóloga que ocupa um cargo comissionado.

O prefeito foi o campeão de recebimento de diárias. Só em 2014 foram 74, uma e meia por semana, que totalizaram R$ 58 mil. Em maio, as diárias de Pedroso custaram aos cofres do município R$ 11,8 mil, mais do que o salário dele, de R$ 11 mil.
Em dois lugares
ao mesmo tempo

Segundo o autor da denúncia à Câmara, empresário José Alfredo Uilian, o que chamou a atenção foram as informações desencontradas disponibilizadas no Portal da Transparência da prefeitura. Foi o caso de diárias retiradas em abril de 2013 para uma viagem do prefeito a Curitiba. Ele deveria retornar no dia 17, mas só chegaria à cidade na madrugada do dia 18, porém, pelos documentos, no dia 17 foi liberada outra diária para viagem do prefeito.

Outro caso que chamou a atenção foi em março deste ano, quando Pedroso recebeu R$ 2,4 mil para uma viagem de 10 a 13 a Curitiba, mas no mesmo período ele teria recebido R$ 1,8 mil para uma viagem a Cascavel.

Segundo o presidente da Comissão de Inquérito, Emerson Leandro Marcedo (PSC), o prefeito teve oportunidade de se explicar à comissão, mas não compareceu. Ele teria alegado estar com depressão profunda e apresentou um atestado médico assinado por um infectologista de Maringá.

À imprensa, Pedroso disse estar sofrendo perseguição política e que entregou à Câmara toda a documentação solicitada. “Viajei muito a Curitiba e a Brasília, mas sempre foi a trabalho. É muito melhor fazer uma pequena despesa e conseguir recursos para o município do que permanecer sem ação na prefeitura”, disse.

Segundo o presidente da Câmara, Magmaon Souza da Paz (DEM), agora a Mesa Diretora vai decidir se o pedido de cassação do mandato de Pedroso vai a plenário para votação.
R$ 1.182
é o valor de uma diária do prefeito para viagem a Brasília, o equivalente a um salário mínimo e meio

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Joel Dantas entre cédulas, pincéis e violão

Maringaense, Joel Dantas passou décadas dividido entre as funções de bancário e artista
Aposentado desde 2013, hoje ele pode se dedicar exclusivamente às artes com lápis, tintas e colagens

Texto: Rafael Donadio
Foto: João Carlos Fragoso

Qualquer um que passe pelas portas do apartamento 104, localizado em um conjunto de prédios do Jardim Novo Horizonte, em Maringá, percebe que está entrando na casa de um artista. Do chão ao teto da sala central, as paredes estão forradas de retratos, borboletas, cachorros, paisagens e alguns desenhos abstratos. Uns feitos a lápis, outros com tinta óleo, aquarela, acrílico, colagem de papel e mosaicos. E se não fosse a grande janela com vista para o prédio vizinho, com certeza teriam mais e mais quadros.

AQUI E LÁ. Joel Dantas em seu apartamento, no Jardim Novo Horizonte: ao fundo, seus quadros, alguns deles já expostos em locais públicos de Maringá e também na Europa. —FOTO: J.C. FRAGOSO

AQUI E LÁ. Joel Dantas em seu apartamento, no Jardim Novo Horizonte: ao fundo, seus quadros, alguns deles já expostos em locais públicos de Maringá e também na Europa. —FOTO: J.C. FRAGOSO

O apartamento é de Joel Dantas, 57 anos, bancário aposentado do Banco do Brasil – onde trabalhou durante 31 anos, de 1982 a 2013 – e autor de todas as obras mencionadas. Formado em Economia e Pedagogia, o maringaense sempre se dedicou a uma paixão que começou ainda na infância: a arte plástica.

“Com 10 anos de idade, mais ou menos, eu comecei a desenhar. Desenhava gibi e histórias em quadrinhos. Comecei a fazer retrato e fui embora”, diz Dantas, em seu estúdio: a sala da própria casa. Local protegido por Bob, o “rottweiler da família”. Um pequeno poodle invocado, como todos os cachorrinhos metidos a valente. No canto do mesmo cômodo, encontra-se a mesa de jantar, “carinhosamente” apelidada por Janey Sales (mulher do artista) de “mesa da bagunça”. E rapidamente ela explica: “Eu não consigo comer na mesa, tenho que comer no sofá”. É esse o espaço de criação do marido: canetas, lápis, pincéis e mais retratos espalhados pela mesa, que um dia foi de jantar.

Nas quase cindo décadas de arte, foram alguns cursos técnicos de pintura em tela, pintura com pastel e nada mais. “Sou autodidata, aprendi com as tentativas, treinando.” Apesar de sempre receber alguns pedidos pelo Facebook ou direto pelo site www.joeldantas.wix.com/dantas, é agora, depois da aposentadoria, que a produção aumentou consideravelmente. “Quando deu o choque de parar de trabalhar, virou uma terapia para mim. No começo eu não conseguia dormir, aí ficava a noite inteira desenhando.”

E não é só a aposentadoria que dá o impulso necessário à produção. Períodos meio sombrios da vida do pintor também ajudaram. Aos 20 anos, descobriu que estava com tuberculose e precisou ficar internado em uma enfermaria por quatro meses, sob os cuidados de freiras católicas. Dantas diz que começou a pintar muitas imagens de Jesus Cristo, “dia e noite, para que não ficasse pensando besteira”.

“Fiquei internado em Londrina, em um local com oito camas. Toda noite os médicos corriam tentando ressuscitar algum paciente que estava morrendo e no outro dia amanhecia a cama vazia. E você acordava pensando ´quem será hoje?´ Fui para morrer, achei que ia morrer”, revela ele.

E desse período surgiu um quadro que muito se orgulha. Uma imagem de Cristo que, dada de presente a uma das religiosas do hospital, foi de alguma forma parar dentro da casa do Papa. “Tenho quadro até no Vaticano”, diz, orgulhoso. Além do Vaticano e outros locais da Europa, Dantas já expôs diversas vezes em Maringá. Na prefeitura, shoppings, Teatro Calil Haddad, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Hotel Golden Ingá, Deville e no Sesc. Sem data ainda confirmada, ele planeja fazer a próxima mostra no Shopping Avenida Center.

Como se não bastasse, ele ainda é músico. “Eu gosto de tocar e compor samba e MPB. Já participei das primeiras edições do Femucic, em 1974 e 75, quando ainda era no Colégio Gastão, e outros festivais em Paranavaí, com o grupo Gralha Azul. Inclusive, eu e o Luiz de Carvalho (repórter do Diário) já participamos do Femucic com uma música autoral, ´Versículo´. Cheguei a tocar em bares também, mas sempre foi uma brincadeira.”

Com a mesma humildade de sempre, ele insisti em dizer que não é um “artista de verdade”. Imagina se fosse.

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