Mês: março 2016



Quando o bairro pobre decidiu fazer um vereador

Se não tivesse um dia se mudado para o fundão do Jardim Alvorada, próximo onde a cidade se limitava com a zona rural, provavelmente o professor José Tadeu Bento França jamais tivesse ingressado na política. Mas, como estava lá, vivendo as dificuldades do subúrbio e lutando para reduzi-las, acabou eleito vereador, depois deputado estadual e deputado federal constituinte.

“O Alvorada antigo é aquela parte próxima à Praça Farroupilha e a Avenida Alexandre Rasgulaeff. Quando eu cheguei, em 1974, aquela parte próxima ao Colégio Unidade Polo era nova e ainda faltava de tudo. Não tinha asfalto, saúde pública, a energia elétrica não chegava a todas as casas e não tinha água encanada. As pessoas buscavam água em baldes em um lugar que ficou conhecido como ‘torneira pública’, próximo onde é a Igreja São Francisco”, lembra o professor, que em abril completa 70 anos.

Tadeu França

Tadeu e a mulher Clarice chegavam de Umuarama e foram para o fim do Alvorada porque passaram em um concurso para lecionar na Unidade Polo, que estava para ser inaugurada. Ele tinha sido aprovado também em um concurso da Universidade Estadual de Maringá (UEM). “Aquela região da cidade era muito pobre, mas a situação piorou em 1975, quando aquela geada histórica acabou com a cafeicultura paranaense e milhares de famílias tiveram que deixar a zona rural e foram morar nas periferias das cidades. Em Maringá, sinônimo de periferia era o Jardim Alvorada, que se expandia rapidamente”.

Por serem cultos e terem um padrão de vida um pouco melhor do que parte da vizinhança, os professores Tadeu e Clarice logo passaram a ter certa liderança no bairro. “Estávamos em contato com pais de alunos, ajudamos o padre a criar cursos profissionalizantes para que aquelas pessoas tivessem opções de trabalho e como o único telefone do bairro era lá em casa, todo mundo ia lá, conversávamos e, automaticamente, nos tornamos respeitados e queridos”.

Tadeu em foto da época da eleição para vereador

Tadeu em foto da época da eleição para vereador

Foi a associação de moradores, que Tadeu ajudou a criar, que chegou à conclusão de que para melhorar o bairro era necessário ter representatividade na Câmara. Os moradores não tiveram dúvidas de que o professor era o melhor preparado e decidiram lançá-lo candidato a vereador.


Unidos contra a pobreza

Hoje o Jardim Alvorada é um dos melhores bairros de Maringá”, diz o professor Tadeu França. Segundo ele, hoje o bairro tem boa infraestrutura, boas escolas, saúde pública, está totalmente asfaltado e os moradores podem chegar ao centro de Maringá em poucos minutos. “Me sinto feliz em ter feito parte desta melhoria”.

Ele conta que quando assumiu na Câmara encontrou muito apoio para ajudar os moradores do Alvorada, principalmente do prefeito João Paulino. “Ele era da Arena e eu do MDB, dois partidos antagônicos, mas tudo o que eu pedia para o Alvorada ele atendia. Esquecemos as diferenças partidárias e nos unimos pelo mesmo objetivo”.

O ex-vereador do bairro conta um dos momentos decisivos para o Jardim Alvorada foi quando a prefeitura decidiu implantar o Projeto CURA III (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada,) um programa do governo federal por meio do Banco Nacional da Habitação (BNH) que tinha o intuito era prover áreas ociosas de infraestruturas e equipamentos urbanos para proporcionar sua valorização e ocupação.

Aliciada se mata no puteiro

Diferente de tantos que vieram de longe atraídos pela riqueza da terra roxa do norte do Paraná, Tadeu não veio de fora, ao contrário, ele nasceu e cresceu com as cidades da região. Seu pai, o desbravador Militão Bento França, foi um dos primeiros corretores da Companhia Melhoramentos e recebeu como pagamento uma área de terra na região do Rio Bandeirantes do Norte. Na década de 1940, loteou e vendeu as terras, nascendo ali a cidade de Santa Fé. E foi em Santa Fé, na época pertencente a Apucarana, que nasceu Tadeu em 1946.

Luzes negras do submundoAlém de ficar conhecido como professor e como o político que foi vereador, deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado, Tadeu nunca abandonou o prazer que cultivou desde a infância: o de escrever, criando histórias sobre a dura realidade que observa. Foi assim que nasceram livros como “Luzes negras do submundo”, que narra a morte voluntária de uma moça aliciada em um orfanato e explorada em um puteiro bem movimentado de Londrina, comandado por um japonês, “Feitores da aldeia grande”, “Vem caminhar comigo, pajé”, entre outros.

Comente aqui


Servidores em greve vão dormir na casa do prefeito

Ou o prefeito Roberto Pupin e família vão dormir fora nesta noite de quinta para sexta-feira, ou ninguém dorme na casa.

Os funcionários da prefeitura, que estão em greve desde segunda-feira, estão se organizando para passar a noite na frente da casa do burgomestre maringaense.

E por ‘organizando’ entenda-se afinando violões, atabaques e gogós.

Os servidores querem a reposição das perdas com a inflação de 2015, que ficou em 11,08%, de forma parcelada, com a concessão imediata de 8% e o pagamento dos 3,08% restantes em novembro.

A administração Pupin propôs 4% agora e 3% em novembro.

Só a prefeitura de Maringá se nega cobrir o desgaste causado pela inflação. Sarandi deu 13%.

Sem categoria
Comente aqui


Eva Wilma continua na UTI

Eva Wilma, 82 anos

Eva Wilma, 82 anos

A atriz Eva Wilma, de 82 anos, uma das damas do teatro brasileiro e das mais respeitadas da televisão, está internada na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com uma embolia pulmonar.

Eva, que mora sozinha desde a morte do marido Jonh Herbert, passou mal na quarta-feira da semana passada e precisou ser internada no dia seguinte.

Segundo o filho, Jonh Herbert Jr., a atriz continua sob cuidados, mas “não precisou fazer nenhum procedimento invasivo”.

Comente aqui


A publicidade inteligente começa com Maurício Cadamuro

Ele foi um dos responsáveis pela primeira transmissão de futebol na TV Cultura
E também pela organização da Expofemar, que foi a semente da Expoingá

Aos 82 anos, quase 50 deles vividos em Maringá, Mauricio Cadmuro diz estar satisfeito por ter participado de momentos importantes da história da cidade

Aos 82 anos, quase 50 deles vividos em Maringá, Mauricio Cadmuro diz estar satisfeito por ter participado de momentos importantes da história da cidade

Aos 82 anos, Maurício Cadamuro não deve ser lembrado somente como um pioneiro da Propaganda e da Comunicação em Maringá, mas também como um inovador, que deu início a muita coisa que hoje é referência na cidade, que foi um ponto de apoio para que muitos jovens se tornassem grandes profissionais em suas áreas de atuação. Ele foi um dos responsáveis pela primeira transmissão de futebol da TV Cultura, comandou a organização da 1ª Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expofemar), que foi a semente da Expoingá, organizou o primeiro carnaval de rua, foi quem levou o jovem colunista Frank Silva para falar sobre sociedade na televisão e produziu discos de artistas regionais.

Na década de 1970, a Emecê Gravações, que Cadamuro instalou no Edifício Três Marias, produzia jingles, spots, filmes e até desenhos animados para emissoras de rádio e tevê de vários Estados brasileiros e o nível de qualidade levou à produção de discos de duplas sertanejas, cantores e até de corais. Uma das gravações históricas é a do Coral Guarany, dirigido pelos maestros Fuminasa Otani e Aniceto Matti, interpretando o Hino à Maringá. “O trabalho não se resumia à produção da publicidade, mas todo um estudo de como ajudar o cliente”, lembra o pioneiro. “Queríamos detalhes da empresa, sua área de atuação, que público pretendia atingir e qual a melhor maneira para chegar ao objetivo. Não cobrávamos nada por isto e talvez esta tenha sido a razão para que conquistássemos uma clientela tão vasta.”

Coral GuaraniO trabalho de gravação era raro no Brasil e a Emecê se tornou uma referência no País. Um time de jovens locutores de timbres privilegiadas, a exemplo de Luiz Carlos Vecchi, Vidal Balielo, Nilton Lima, Frambel de Carvalho, era disponibilizado aos clientes e jovens compositores, cantores e bandas gravavam as propagandas cantadas. A publicidade visual também contou com grandes artistas, entre eles Sebastião Costa, que desenhava logotipos, logomarcas, cartazes, banners, bandeirolas e artes finais para jornais e revistas.

Com a chegada da televisão à região, a produtora trabalhou também com áudiovisual, inclusive produzindo alguns dos primeiros filmes em cores em uma época em que os canais de tevê iam aos poucos deixando o preto e branco.

Da Expofemar à Expoingá

A Emecê Gravações já estava consolidada como agência e Maurício Cadamuro como publicitário no ano em que Maringá comemorava seu Jubileu de Prata, em 1972. O prefeito Adriano Valente e o secretário de Educação, Cultura e Turismo, Luiz Gabriel Sampaio, o convidaram para dirigir a realização da primeira feira agropecuária, comercial e industrial da cidade. Era a Expofemar. “O doutor Adriano e o Gabriel não queriam simplesmente uma festa, exigiam um evento que tivesse importância para a cidade, que mexesse também com a economia e projetasse Maringá no cenário paranaense e nacional”, conta.

Realizada ao lado da catedral, que estava em construção, o evento foi um marco. Artistas como Elis Regina, Jair Rodrigues, Antonio Marcos, Vanusa, José Mendes, Nelson Ned e outros atraíam os moradores de Maringá e de várias cidades da região durante 10 dias. O sucesso foi tanto que da Expofemar surgiu a Expoingá com a construção do parque de exposições. E Cadamuro ainda participou da organização também da Expoingá.

Locutor por acaso
O publicitário que escolheu Maringá em 1967 já tinha rodado o Brasil como locutor, integrando inclusive equipes históricas, como a da Rádio Record de São Paulo. Mas, sua carreira começou bem perto de Maringá, em Mandaguari, no dia 8 de dezembro de 1951. “Eu era molecote e me metia com serviços de alto-falante, que era o que tinha de comunicação no interior. Quando foi instalada a Rádio Mandaguari, que hoje é a Guairacá, consegui uma vaga como operador de som e já ficava por lá enquanto os técnicos montavam a emissora. Um dia, o rapaz estava montando o estúdio e me pediu para falar alguma coisa no microfone para ele testar o som e eu falei. ‘Rapaz, o que você está fazendo aqui? Você não tem que ser técnico, tem que estar é no estúdio’. E nunca mais parei”.

5 Comentários


O homem da bronca, Antenor Sanches, há 70 anos ajuda a fazer a história de Maringá

Ele tem aparência tranquila, gestos comedidos, fala mansa, se dá com todo mundo e nem de longe lembra alguém irascível, mas por muitos anos foi apontado nas ruas de Maringá como “o homem da bronca”. E foi com esta fama que se tornou recordista de permanência na Câmara de Maringá, com função de vereador desde a segunda eleição da cidade, em 1956, até 1988, e só deixou de ser eleito mais vezes porque parou de disputar eleições por conselho de um amigo médico.

Aos 84 anos e uma memória privilegiada, Antenor Sanches escreve livros sobre a história de Maringá

Aos 84 anos e uma memória privilegiada, Antenor Sanches escreve livros sobre a história de Maringá    Foto: João Cláudio Fragoso

O homem da bronca é na realidade o pacato Antenor Sanches, o funcionário público municipal aposentado de 88 anos que ao longo de seus quase 70 anos em Maringá deu várias provas de amor à cidade. Foi ele quem cunhou o epíteto “Cidade Canção”, escreveu quatro livros sobre a história e histórias de Maringá, teve grande participação na criação da Divisão do Patrimônio Histórico e é o fundador da Associação dos Pioneiros, entidade que conseguiu que todas as famílias que estão na cidade desde a época da fundação tenham pelo menos um dos seus membros nomeando rua, avenida ou praça.

O apelido “Homem da bronca” é resultado de um programa radiofônico que apresentou por vários anos, “A Voz do Povo”, em que em um quadro fazia cobranças às autoridades, o povo participava reclamando de problemas em seus bairros e geralmente as autoridades compareciam para anunciar providências.

O programa era daqueles de audiência obrigatória, pois além das notícias da cidade e região, tinha também os recados enviados para moradores de uma vasta região do Paraná em uma época em que o rádio era o principal veículo de comunicação de massa. Quem andasse a pé por uma rua, poderia acompanhar o programa inteiro ouvindo os rádios de casa em casa, todos sintonizados no mesmo programa.

O rádio me deu grande conhecimento e, como era um programa de prestação de serviços, me tornei um porta-voz da população”. A fama levou Antenor à política e aos 28 anos ele foi eleito vereador e passou sete legislaturas na Câmara, sendo até hoje o recordista em mandatos.

Eu vim a Maringá a primeira vez, em 1947, para conhecer e acabei ficando”, conta. Ele morava em Caçador, em Santa Catarina, onde tinha uma agência de distribuição de jornais e revistas, e veio a Maringá a convite do corretor da Companhia de Terras (Melhoramentos) Vicente Vareschini, mas aqui conheceu a irmã de Vicente, Lucrécia, uma jovem professora da primeira escola de Maringá, se apaixonaram, ele passou a encarar horas e mais horas de ônibus duas vezes por mês entre Caçador e Maringá e se casaram. Com o casamento, Antenor teve que mudar de vez para Maringá. “’Mas, vou viver de quê aqui?’, perguntei, mas o Vicente me convidou para abrir, com ele, um escritório de corretagem, pois a Melhoramentos na época só tinha representação em Londrina e queria que ele começasse um escritório aqui para vender terras para gente do Brasil inteiro que procurava a terra roxa do Paraná para plantar café”.

O fato é que, por ter conhecido Lucrécia, Antenor nunca mais pensou em sair de Maringá. Aqui foi tudo o que quis: marido, pai de seis filhos, funcionário público, radialista e vereador autor de cerca de 300 leis. “Não tenho porque ter pensado em viver em outro lugar, pois tenho consciência de que, de forma simples e humilde, contribuí para a formação da cidade. Quando eu cheguei só existiam os poucos quarteirões que hoje são o Maringá Velho e vi a derrubada da mata para a implantação do Maringá Novo, vi a chegada do trem, de famílias de várias partes do Brasil e do mundo, enfim, vi o pequeno lugarejo se transformar em uma das melhores metrópoles do Brasil e eu fiz parte de tudo isto”.

3,5 mil

é a quantidade de famílias cadastradas como pioneiras após levantamento feito pela prefeitura

2 Comentários


Chuvas prejudicam floradas e produção de mel cai 80%; preço já disparou

A estimativa das autoridades é de que a quebra deve chegar a 80% nos três Estados do Sul do Brasil
O mel é um dos produtos mais exportados por Maringá para os mercados dos Estados Unidos e União Europeia

 

Acostumada a colher em média 1,8 mil quilos de mel por ano, a apicultora Albertina Ambiel Jung, de Floresta, várias vezes premiada como empreendedora rural, conseguiu colher apenas 50 quilos neste ano agrícola, que começou em agosto, e não acredita em melhora da produção nos próximos meses. A estimativa dos próprios produtores e das secretarias de Agricultura do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul é de que a quebra no Sul do Brasil pode chegar a 80% com relação ao ano agrícola anterior. A razão para a queda na produção é o excesso de chuvas desde setembro. Continue lendo

Comente aqui