Mês: maio 2016



Aos 70 anos, Gerardão mostra que quem é bom de briga sobrevive

No dia em que, por falta de respeito aos pioneiros ou desinformação, passaram por cima da história, o povo de Maringá reagiu e impediu que a mais antiga escola da cidade fosse desativada

No ano passado, quando, por motivos até agora não entendidos, o governo do Paraná decidiu desativar o Colégio Estadual Dr. José Gerardo Braga, alunos, professores, pais de estudantes, vizinhos, o povo de Maringá bateu o pé e deixou claro que acabar com o “Gerardo” era arrancar uma parte da história de Maringá.

Alunos, professores e comunidade foram para as ruas contra o fechamento do colégio

Alunos, professores e comunidade foram para as ruas contra o fechamento do colégio      Foto: Tabajara Marques

Passeatas, debates, discursos, protestos na porta do Núcleo Regional de Educação (NRE), programas de rádio, TV e matérias na imprensa escrita mostravam a indignação do povo, não só contra o governo, mas principalmente com relação ao Núcleo Regional de Educação pela desconsideração com a história da cidade e sua gente ao escolher para extinguir a primeira escola de Maringá. O povo venceu e o “Gerardão”, como chamam seus alunos de todas as épocas, com seus 70 anos bem vividos, saiu fortalecido da briga.

Ao passarem por cima da história, talvez não soubessem quão grande foi o envolvimento dos primeiros maringaenses na implantação da primeira escola para que seus filhos tivessem onde estudar. Em 1945, quando a normalista Dirce de Aguiar Maia, recém-chegada à pequena comunidade hoje conhecida como Maringá Velho, usava a sala de sua própria casa para ensinar os filhos dos desbravadores e percorria as estradas empoeiradas em busca de alunos nas fazendas, os pioneiros realizaram campanhas, arrecadaram dinheiro de casa em casa, de loja em loja, pediram madeiras, pregos e telhas para ajudar na construção da primeira escola.

Instalações antigas, feitas em madeira     Foto: Arquivo Histórico

Instalações antigas, feitas em madeira                    Foto: Arquivo Histórico

Em 1946, por decreto do governo, começou a funcionar a Escola Isolada Visconde de Nácar. A primeira diretora, não só por questão de merecimento, mas também por falta de outros professores no lugar, foi Dirce Aguiar Maia.

O nome, Visconde de Nácar, foi dado pelo governo, uma homenagem a Manoel Antonio Guimarães, nascido em 1913 em Paranaguá, que foi deputado na Assembleia Provincial, prefeito de Paranaguá, delegado de polícia e comandante superior da Guarda Nacional.

A comunidade de Maringá, então jurisdicionada por Mandaguari, cresceu e a clientela da escola também. Além das crianças do Maringá Velho, a Visconde de Nácar recebia meninos e meninas que moravam nas fazendas de café que existiam onde hoje é o Mandacaru, Borba Gato, Zona 7, Jardim Alvorada, Água Maringá, Estrada Pinguim, Estrada Romera, Estrada Bandeirantes e até de áreas mais distantes. Muitos eram trazidos em grupos de carros cedidos pelos donos das fazendas, outros chegavam de bicicleta pelas estradas poeirentas ou barrentas e um grande número vinha a pé.

Além das aulas, a escola era também o local para reuniões da comunidade e festas. Ela foi o primeiro espaço público à disposição da comunidade na história de Maringá.

Formatura e incêndio

A escola de Maringá era jurisdiciona ao Complexo Escolar Rui Barbosa e no ano seguinte foi criado, no mesmo espaço, o Grupo Escolar Castro Alves. Nos dois estabelecimentos, onde funcionavam o Ensino Fundamental e Médio, em 1949 foram diplomadas as primeiras 30 crianças na primeira formatura da história de Maringá.

A diretora Dirce Aguiar Maia e um grupo de professoras nos primeiros anos da escola      Foto: Arquivo  Histórico

A diretora Dirce Aguiar Maia e um grupo de professoras nos primeiros anos da escola Foto: Arquivo Histórico

Com a abertura do Maringá Novo, a partir de 1947, surgem novas escolas e, assim como aconteceu com todo o Maringá Velho, também a escola pioneira caiu no ostracismo, ficando cada vez mais abandonada pelas autoridades, que, aparentemente, só tinham olhos para a parte nova da cidade.

Com pouco mais de 10 anos de idade, o Viconde/Castro Alves era uma escola envelhecida, com a estrutura física danificada pelas constantes inundações que atingiam o estabelecimento. A parte de baixo de muitas das paredes de madeira apresentava podridão e o assoalho foi perdendo tábuas. Os curto-circuitos na instalação elétrica velha e cheia de gambiarras eram constantes, até que em 1974 um incêndio destruiu a primeira escola de Maringá.

Poeta + Visconde = Médico

Durante dois anos não aconteceram aulas na Visconde de Nácar/Castro Alves, enquanto um novo prédio era construído. Para o início do funcionamento nas novas instalações, o Grupo Escolar Visconde de Nácar, Grupo Escolar Visconde de Nácar Noturno e o Grupo Escolar Castro Alves foram fundidos, passando a constituir um único estabelecimento sob denominação de Escola Estadual Dr. José Gerardo Braga-Ensino Regular e Supletivo.

O nome era homenagem a um dos primeiros médicos da cidade, que além de clinicar foi também professor de Psicologia, Higiene e Ciências Naturais, um dos primeiros diretores da Santa Casa e candidato a prefeito na segunda eleição municipal realizada em Maringá.

Hoje o Colégio conta com três edifícios situados no térreo e, atende, em média, 540 alunos nos períodos matutino e vespertino, sendo 450 alunos no período matutino, no ensino fundamental e ensino médio, e 90 alunos no período vespertino, ensino fundamental. No estabelecimento funciona também Ensino de Jovens e Adultos (EJA), com mais 180 alunos matriculados no Fundamento e no Ensino Médio, e, anexo, foi construído um Centro de Educação Infantil (CMEI), que também recebe o nome do médico Gerardo Braga.

Gerardo, o médico que sonhou ser prefeito

Gerardo Braga, que dá nome ao mais antigo estabelecimento escolar de Maringá foi um dos primeiros médicos da cidade e também uma das pessoas mais influentes da sociedade dos primeiros anos.

Dr. Gerardo Braga durante uma ampliação de seu hospital, que deu início ao centro médico de Maringá

Dr. Gerardo Braga durante uma ampliação de seu hospital, que deu início ao centro médico de Maringá

Mineiro de Visconde do Rio Branco, nasceu em janeiro de 1911 e aos 22 anos foi formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. O objetivo era participar da sociedade de um hospital em Rolândia, no norte do Paraná, mas conheceu a planta de Maringá, gostou e veio conhecer a cidade. Chegou em Maringá em 1947 e começou a trabalhar intensamente ainda no hotel onde se instalara, o Bom Descanso, combatendo meningite e disenteria bacilar.

Trabalhou muito, ganhou muito dinheiro, casou-se com sua ex-aluna Luzia de Mattos, comprou terrenos da Companhia Melhoramentos onde seria o Maringá Novo e em 1948 conseguiu inaugurar seu hospital, a Casa de Saúde e Maternidade Maringá, com equipamentos modernos.

Nos anos seguintes, o Dr. Gerardo foi uma figura de destaque na sociedade maringaense, tendo ocupado a presidência do Rotary Club e da Sociedade Médica. Em 1956, disputou a prefeitura de Maringá na segunda eleição municipal da cidade.

No dia 14 de janeiro de 1976, uma semana depois de completar 65 anos de idade e com 30 anos de Maringá, que estava em tratamento de um edema pulmonar, sofreu um infarto e morreu.

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Com craque preso e bola no mato começa a história do futebol em Maringá

Bolostroca era um negrão de mais de 1,8 metro de altura. Forte e ágil, com boa visão das jogadas. Um craque. O único senão era que bebia demais. Todos os dias e quase o dia inteiro. Ficava bêbado, arrumava confusão e acabava preso. Por isso, quase sempre nos dias de jogos importantes, o craque do time estava na cadeia e lá ia o técnico, o diretor e alguns torcedores falar com a autoridade policial e a conversa era quase sempre assim: “doutor, o senhor nos empresta o Bolostroca. É só por algumas horas, depois a gente traz ele de volta”.

Formação de 1947. Mas laterais do campo, a mata

Formação de 1947. Mas laterais do campo, a mata

O Bolostroca ganhava a liberdade, jogava um partidaço, enchia a cara para comemorar e voltava para a cela.

Esta é uma das muitas histórias contadas pelo pioneiro Lauro Fernandes Moreira, 82 anos, que participou dos primeiros momentos da história do futebol, em Maringá. Ele foi um dos jogadores do primeiro time, o SERM, juntamente com o craque que vivia mais na cadeia e nos botecos do que no campo.

Lauro, filho do pioneiro Napoleão Moreira da Silva, chegou a Maringá em 1945, com 11 anos, aquela idade que os meninos da época só pensavam em bola e tinham tempo para ela, já que não existia internet, computador, televisão e qualquer tipo de brinquedo eletrônico. “Quando eu cheguei, tinha um lugar onde os meninos jogavam bola todos dias e os adultos nos fins de semana”, lembra. “Ficava na atual Rua Vereador Nélson Abrão, onde hoje está o Sesi/Senai”, recorda.

O campo, na verdade, era apenas um pedaço de terra de onde tinha sido tirada a mata. Os primeiros a bater bola por lá ainda pisaram em muitos toquinhos e, certamente, tiveram que, muitas vezes, procurar a bola que caiu no mato. Mas foi lá que foi formado o primeiro time para representar Maringá, que na época se resumia a quatro quarteirões que ficaram conhecidos como Maringá Velho.

Ninguém sabe ao certo quando surgiu o campo. Alguns se reportam a 1944, outros acham que foi em 1945. Além dos moradores que aproveitavam os fins de tarde para bater bola, jogar conversa fora e beber, também os funcionários da Companhia Melhoramentos e viajantes usufruíam do campinho.

Depois, o time foi organizado e nasceu a Sociedade Esportiva Recreativa de Maringá, o SERM, que fez história enfrentando times que vinham das fazendas de café e das outras comunidades rurais, como Floresta, Ivatuba, Doutor Camargo, Marilá, Água Boa e Terra Boa.

Antes de chegar em Maringá, eu tinha terminado o curso primário e, como aqui não tinha escola, tive que ir estudar em Cambará. Quando vinha nas férias de julho e em dezembro, o campo era o lugar de encontrar os amigos”, destaca Lauro.

O pioneiro diz que, a cada novas férias, ficava impressionado com as mudanças que o lugar sofria. “Quando chegava, ficava abismado com a quantidade de construções novas onde antes era mato. Com a quantidade de lojas novas e da rapidez que a população aumentava. Eu chegava e encontrava centenas de pessoas que não estavam aqui nas férias anteriores e muitos daqueles amigos antigos tinham ido embora. A dinâmica era grande”, ressalta.

Segundo o pioneiro, no começo não havia preocupação em ter um time, mas sim uma diversão. “Mas, foram surgindo times para nos enfrentar e aí a coisa começou a ficar séria. Tivemos que ter um técnico, um time definido com reservas, treinar, enfim, o time de peladas virou um time sério e começou a ser visto como um bicho-papão, uma equipe a ser batida pelos times que foram surgindo na região”, afirma.

Profissionais

Lauro Fernandes entrou no time quando era menino de 11 anos e hoje, aos 82, guarda fotos de várias formações do SERM

Lauro Fernandes entrou no time quando era menino de 11 anos e hoje, aos 82, guarda fotos de várias formações do SERM

O SERM sempre foi um time amador, mas soube bem o que é o profissionalismo. Logo nos primeiros anos, teve que enfrentar uma equipe profissional, que existiu na cidade por iniciativa do corretor de terras Vicente Vareschini.

Depois que o time de Vareschini acabou, vários jogadores continuaram em Maringá e acabaram fazendo parte da equipe do SERM, entre eles, o folclórico Bolostroca.
Também da equipe do SERM vários jogadores se tornaram profissionais. Nilo, que depois fez carreira no Coritiba, e Paulinho, que também foi jogador profissional na capital, são exemplos. Borba Filho, também atleta do time, virou técnico e fez carreira como treinador no futebol profissional.

As recordações de Lauro Fernandes Moreira também estão nas dezenas 
de fotos que ele guarda do time e consegue, sem dificuldade, citar os nomes dos jogadores de cada formação, desde que chegou a Maringá ainda menino, até a época em que foi um dos principais jogadores disputando o Campeonato Amador criado com o surgimento da Liga de Futebol Amador.

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Vanderley Rigon inicia sacerdócio ‘em casa’

Wanderley cresceu no Jardim Alvorada e sempre participou das atividades da Paróquia São Francisco de Assis

Wanderley cresceu no Jardim Alvorada e sempre participou das atividades da Paróquia São Francisco de Assis

O jovem Vanderley dos Santos Rigon, de 27 anos, terá hoje a honra de ser ordenado padre na igreja que ele frequentou desde criança, diante dos amigos de infância e seus familiares. Amanhã, nesta mesma igreja ele vai celebrar sua primeira missa, mais uma vez diante da comunidade que o viu crescer.

A ordenação, presidida pelo arcebispo da Arquidiocese de Maringá, dom Anuar Battisti, acontecerá às 20 horas na Paróquia São Francisco de Assis, no Jardim Alvorada, bairro em que o novo padre nasceu.

Para a família Rigon e amigos, esta honra vai mais longe, pois há dois anos viu o irmão gêmeo de Vanderley, Vanilson, também celebrar sua primeira missa na Paróquia São Francisco de Assis.

Com a ordenação do padre Vanderley, a arquidiocese passa a ter padres gêmeos. O padre Vanilson, ordenado em 2014 também por dom Anuar, trabalha na Paróquia Divino Espírito Santo, em Bom Sucesso.

No domingo, às 8 horas, padre Vanderley Rigon vai celebrar missa na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Jardim dos Pássaros, onde há algum tempo atual como diácono colaborador. Depois disto, fica lotado na São Francisco.

Os gêmeos, que cresceram na igreja, decidiram pela vida sacerdotal juntos e foram juntos para o seminário. Porém, Vanderley optou por ingressar em uma ordem religiosa, permaneceu dois anos em estudo e voltou ao Seminário Diocesano de Maringá, por isto concluiu os estudos dois anos depois do irmão Vanilson.

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Maringá perde Felizardo Meneguetti, o homem que transformou um alambique em uma das maiores usinas do Brasil

Maringá perdeu na madrugada desta quinta-feira o desbravador Felizardo Meneguetti, um agricultor que, junto com os irmãos, transformou um pequeno alambique de pinga em uma das maiores indústrias produtoras e exportadoras de açúcar e álcool do Brasil, a Usina Santa Terezinha/Usaçúcar, maior empresa de Maringá depois da Cocamar e que, segundo o ranking da revista Exame, é uma das 300 maiores do Brasil. O grupo tem mais de 20 mil funcionários trabalhando em 11 unidades industriais e agrícolas no Paraná e no Mato Grosso do Sul e exporta mais de 1,5 milhão de toneladas de açúcar e mais de 120 mil metros cúbicos de etanol por ano, alcançando um faturamento superior a R$ 2 bilhões.

Felizardo com Dolores, uma união de 70 anos

Felizardo com Dolores, uma união de 70 anos

Meneguetti tinha 91 anos e há tempos padecia de vários problemas de saúde. Ele deixa viúva dona Dolores, de 87 anos, e 10 dos 11 filhos que o casal teve, entre eles o ex-vereador Sidney, atual presidente do Grupo Usaçúcar.

O empresário foi um dos fundadores e primeiro presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar) e fez parte da comissão de construção da Catedral Nossa Senhora da Glória.

Paulista da cidade de Quatá, Felizardo tinha 20 anos e já era casado quando acompanhou os pais, Julio e Angelina, e mais seis irmãos, na mudança para Maringá. Em 1946 Maringá se resumia a quatro quarteirões onde hoje é o Maringá Velho, mas a família se instalou na zona rural depois de comprar terras para plantar café às margens da Estrada Colombo, que liga o distrito de Iguatemi e a cidade de Paiçandu. A própria família derrubou a mata e plantou o café.

Todos os finais de semana, Felizardo e os irmãos vinham para a ‘cidade’ e fizeram muitos amigos nos bares da época, todos no Maringá Velho, que era a única parte que existia de Maringá. Em 1947, ele participou da festa de lançamento da cidade, em um churrasco servido no meio da mata onde hoje é a Praça Raposo Tavares, no dia 10 de maio, data em que a Companhia Melhoramentos começou a vender os terrenos do chamado Maringá Novo.

Loteador

Felizardo Meneguetti foi o criador do primeiro loteamento fora da área loteada pela Melhoramentos. Ele e a família tinham comprado um eito de terra no quadrilátero formado pelas atuais avenidas Guaíra, Colombo, Paraná e 19 de Dezembro e no início da década de 1950, com a chegada de milhares de famílias, ele decidiu dividir o sítio em datas e vender, criando o Jardim Ipiranga, que marca o início da Zona 7.

Na época, havia próximo à Avenida Guaíra várias casas de prostituição, a zona do baixo meretrício, que teve que ser transferida para o meio da mata depois do Cemitério. Assim, acabou-se a chamada Zona Velha e nasceu a ZBM que deu origem à Vila Marumby.

Da pinga para o açúcar

Felizardo, o primeiro à esquerda, com os irmãos nos primeiros anos da usina

Felizardo, o primeiro à esquerda, com os irmãos nos primeiros anos da usina

No final da década de 1950, os Meneguetti decidiram acabar com o cafezal, que era constantemente queimado pelas geadas. No lugar plantaram cana e começaram a produzir cachaça, que era vendida no comércio de

Os primeiros anos da Santa Terezinha

Os primeiros anos da Santa Terezinha

Maringá. Em 1961, os sete irmãos, mais o cunhado Alberto Seghese, transformaram o alambique de produzir aguardente em uma usina de açúcar, o que deu origem à Usina Santa Terezinha.

No mesmo local, esta é a usina dos irmãos Meneguetti hoje

No mesmo local, esta é a usina dos irmãos Meneguetti hoje

O novo negócio se manteve estável por cerca de 20 anos, até que no final da década de 1970 a empresa ingressou no Programa Nacional do Álcool (Proálcool) para expandir o parque industrial. Várias destilarias na época também conseguiram financiamento para expandir suas plantas, mas quando o programa entrou em crise, várias delas estavam desestruturadas e tiveram que ser vendidas ou fechadas. O Grupo Santa Terezinha, que estava melhor organizado, resistiu e ainda comprou algumas usinas que tinham falido ou estavam em dificuldades, dando início ao seu processo de expansão. Foram compradas as unidades de Paranacity (1987), Tapejara (1989) e Ivaté (1993). Em todas elas o Grupo Usaçucar reforma e melhora a parte industrial e promove o plantio de cana.

Em um mercado cada vez mais exigente e competitivo, a empresa mais uma vez se expande, construindo em Maringá o seu Terminal Logístico, um complexo formado por armazéns graneleiros para açúcar e grãos, um terminal de calcário e uma misturadora de adubos, além de tanques para estocagem de líquidos. O terminal inicia as operações em 2002 e, em 2003, o Grupo constrói e começa a operar o Terminal Rodoferroviário de Fertilizantes.

Ainda em 2003 começa a implantação de uma nova unidade em Terra Rica. Em 2006, adquire a Destilaria de Álcool Cocamar, em São Tomé, em 2008, arrenda as instalações da Coocarol, em Rondon, e em 2009 assume a Usina Usaciga, situada em Cidade Gaúcha. Mais recentemente, o Grupo Usaçucar assumiu as operações das unidades de Goioerê e Umuarama, no Paraná, e Rio Paraná, em Eldorado, no Mato Grosso do Sul.

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Aos 80 anos, padre Geraldo Schneider continua cheio de projetos e disposição

O nome verdadeiro é Gerhard, dado na pia batismal ao jovem nascido na cidade de Hünsborn, na Alemanha pré-nazista, em 1936. Foi como Geraldo, no entanto, que ele fez história, em Maringá. Não por ser um padre que chegou a ser destaque na revista “Veja”, por causa das inovações na forma de celebrar missas, mas pelas obras que realizou, como a implantação do Museu de Arte Sacra, em 1990, construção de capelas rurais, construção da sede da Obra do Berço e fundação da TV Terceiro Milênio.

No dia seis deste mês, o sacerdote comemorou oitenta anos; quase sessenta deles vividos em Maringá, cidade onde ganhou fama de pessoa que paga para trabalhar. Apesar de há muito tempo não ter a obrigação de celebrar missas, o nome dele continua em alta, tanto que a vida e obra estão para sair, em breve, em livro e em DVD.

Um alemão na Santa Casa

Aos 80 anos, padre Geraldo continua cheio de projetos e disposição para continuar trabalhando

Aos 80 anos, padre Geraldo continua cheio de projetos e disposição para continuar trabalhando

Schneider ainda era Gerhard quando chegou em Maringá na virada dos anos cinquenta do século passado. Desde menino, na Alemanha, ele se preparou para a vida religiosa e a oportunidade mudar para o Brasil surgiu quando a Congregação Irmãos de Misericórdia de Maria Auxiliadora precisou enviar alguém para auxiliar o padre João Jansen nos trabalhos iniciais da Santa Casa de Misericórdia, que começava a funcionar na tentativa de melhorar as precárias condições de saúde dos trabalhadores da zona rural e operários. Não por acaso, a instituição, uma das mais antigas da cidade, foi criada na Vila Operária, o bairro que nasceu para receber a classe trabalhadora.

O que me fascinava muito na juventude era servir aos doentes. Depois que comecei a entender mais a vida religiosa, me interessei por acrescentar, na ajuda aos doentes, a parte espiritual. Queria ser alguém a serviço do corpo e da alma, o que faço até hoje”, diz o padre, que há quase 15 anos trabalha como confessor e conselheiro, atendendo dezenas de pessoas, por dia, em uma sala da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória.

Na Santa Casa, o jovem alemão fazia de tudo, principalmente, ouvir os doentes. Para melhorar a assistência espiritual, levou em frente os planos de ser padre, deu continuidade aos estudos religiosos e ingressou no seminário de Curitiba, de onde saiu sacerdote.

De volta a Maringá, tornou-se pessoa da confiança do bispo dom Jaime Luiz Coelho, um dos responsáveis pela fundação da Santa Casa. O bispo gostava do espírito cheio de iniciativas e da facilidade que o jovem sacerdote tinha para realizar tarefas, elaborar projetos e buscar os meios para realizá-los. Para dom Jaime, o padre Geraldo tinha muito o que fazer por Maringá e só precisa de apoio.

Com dom Jaime fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Com dom Jaime fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Uma das primeiras tarefas dadas pelo bispo dom Jaime Luiz Coelho ao padre Geraldo Schneider foi iniciar uma comunidade religiosa na região do Maringá Velho e da Zona 5. Nascia assim o embrião do que se tornou a Paróquia do Cristo Ressuscitado, em 1969.

O bispo, que morreu em agosto de 2013, acompanhou toda a trajetória do padre Geraldo, inclusive, quando ele se aposentou das funções na Cristo Ressuscitado e decidiu continuar trabalhando, desta vez, como confessor e conselheiro na Catedral.
Mas, a cabeça cheia de planos, aos 80 anos ainda projeta coisas para serem realizadas. E são muitas, algumas bastante ousadas, como levar atendimento de saúde ao povo do Haiti, por meio da construção de um pequeno hospital.

O que será realizado, ninguém sabe, mas quem viu o tanto de coisa que o padre Geraldo sonhou, projetou e realizou, não pode duvidar do que ainda vai acontecer.

 

Esporte e encenações para melhorar a evangelização

A reciprocidade entre o padre e os fiéis na recém-criada Paróquia do Cristo Ressuscitado foi imediata. Ele foi aos poucos perdendo o sotaque germânico, começou a ser chamado de Geraldo, montou times de futebol para oferecer ocupação saudável a garotos “para evitar que permanecessem nas ruas aprendendo coisas que não prestam”, comandou a construção de um novo templo, inventou a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que até hoje atrai gente da cidade inteira, e criou o segundo canal de televisão de Maringá, a TV Terceiro Milênio e esteve envolvido na criação de várias entidades, entre elas o Marev.

Foram 35 anos à frente da paróquia, o que o fez um padre que permaneceu toda a carreira na mesma comunidade. E também nos sermões, ele fez sucesso. Nos anos oitenta do século passado, o sacerdote foi destaque na revista “Veja” pelas inovações que fazia na celebração das missas. Novidades que atraíam, cada vez, mais féis, lotavam a igreja e viravam assunto de comentários. As missas tinham projeção de imagens. Hinos religiosos eram entoados ao som de atabaques e nervosas guitarras elétricas e na hora do sermão tinha representação teatral de trechos bíblicos.

Segundo dizia, nos sermões tradicionais o aproveitamento dos fiéis era de 30% do que ouviam, enquanto que com recursos audiovisuais subia para 70%.

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Disco voador faz estripulias no céu de Maringá

“Pessoas vindas de Curitiba para Ponta Grossa dizem que viram um objeto rasgando os céus, deixando, no céu, rastro de luz verde.

“Tal aparelho fez evoluções, desceu, estrondou como se fôra um jato supersônico, desaparecendo no horizonte, rumo ao norte, surgindo em Maringá, onde ficou por muito tempo parado no espaço, chamando a atenção dos transeuntes que, abismados, fitavam-no.

“Janelas se abriram e as donas de casa foram à rua ver o “disco” de perto.
Depois, o aparelho tido como disco voador, zombando dos admiradores, riscava o céu em todas as direções para, em seguida, desaparecer numa vertiginosa velocidade.”

 

A matéria acima foi publicada na edição de 14 de março de 1956, há 60 anos, pelo jornal “Correio da Manhã”. O recorte da página está no site Maringá, Paraná, Brasil, o MPB, editado por José Carlos Cecílio

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Trabalho sem preconceito

O ano de 2015 ficou marcado pelo fechamento de postos de trabalho, mas para os portadores de deficiências aconteceu o contrário. Só nos primeiros 10 meses a Agência do Trabalhador de Maringá encaminhou para o trabalho 197 pessoas com algum tipo de deficiência, 4,8% mais do que as empregadas durante todo o ano de 2014 e 26,2% mais do que nos 12 meses de 2013. Os dados tornam-se mais significativos quando acrescentado que o desemprego entre os deficiências é insignificante.

Para a coordenadora do Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência no Trabalho, da Agência do Trabalhador de Maringá, Ana Carmen Dias, está havendo uma conscientização maior por parte das empresas, que contratam portadores de deficiência por responsabilidade social, não somente porque há uma Lei federal que cria a obrigatoriedade. “Temos visitado empresas, realizado palestras e conversado com os empresários sobre o potencial de pessoas com deficiência, sobre a importância de trabalhar com a diversidade e assim contribuir para a autonomia e independência dos portadores”.

A Agência estimula os portadores a se aperfeiçoarem nas áreas de trabalho escolhidas e verifica o perfil da vaga, encaminhando de tal forma que a deficiência não interfira na função.

Jennifer Ester de Oliveira e Rafaela Key Tanabe, funcionárias da Ricci, com a psicóloga Denise Sarto Soares

Jennifer Ester de Oliveira e Rafaela Key Tanabe, funcionárias da Ricci, com a psicóloga Denise Sarto Soares

Hoje, vários empregadores de Maringá contam com grandes quantidades de deficientes em seus quadros, como é o caso da Santa Casa, prefeitura, TCCC e outras. Recentemente, a Ricci Veículos abriu uma vaga para deficiente, mas antes mesmo de a pessoa contratada começar a trabalhar, outras duas foram chamadas. “Não escolhemos o tipo de deficiência, mas coincidentemente, as três garotas eram deficientes auditivas”, conta a psicóloga Denise Sarto Soares, da Ricci. Para facilitar a incorporação das novas empregadas, a empresa ofereceu, gratuitamente, curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) a todos os interessados, melhorando a comunicação das novas empregadas com seus colegas, inclusive os superiores. Jennifer Ester de Oliveira e Rafaela Key Tanabe dizem, por sinais, que se sentem em casa.

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Umuarama sem água e sem previsão de quando o abastecimento será normalizado

Toda a área urbana de Umuarama, segunda maior cidade do noroeste do Paraná, com 110 mil habitantes, está sem água potável desde o início da noite de segunda-feira e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) não tem previsão de quando o abastecimento será retomado. A exemplo do que aconteceu em Maringá em janeiro, a causa foi o excesso de chuvas, que atingiu a região sem trégua desde sábado e fez o nível do Rio Piava subir e inundar a área de captação.

A estação de captação, no Rio Piava, foi inundada segunda-feira

A estação de captação, no Rio Piava, foi inundada segunda-feira

Três conjuntos de equipamentos foram elevados para evitar que fossem danificados, incluindo o sistema responsável por bombear a água até as reservas de tratamento. Ontem à noite, somente casas e estabelecimentos com reservatórios ainda tinham alguma água.

O volume de chuvas tende a bater o recorde histórico da região de Umuarama para o mês de maio. De acordo com o Instituto Simepar, de sexta até segunda-feira choveu na cidade 193 milímetros. Somente na segunda-feira foram mais de 120 milímetros. A média histórica dos últimos 30 anos de chuva para todo o mês de maio é de 130.1 milímetros.

Em comunicado emitido nesta terça-feira, a assessoria de imprensa da Sanepar informou que os painéis eletrônicos que orientam o funcionamento dos conjuntos de bombas de captação de água estão sendo avaliados. “Não temos previsão de quando será retomada a produção. Portanto, o uso da água deve se restringir ao máximo”, disse o gerente regional da Sanepar em Umuarama, Eduardo Kawassaki Junior.

 

Procon quer resposta em 24 horas

A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) informou ontem à tarde que notificou a Sanepar e deu um prazo de 24 horas para a concessionária esclareça os motivos que levaram à falta de abastecimento de água potável em toda Umuarama, assim como as medidas para impedir que o problema se repita. Durante todo o dia de ontem, representantes do comércio, dos bairros e políticos usaram programas de rádio e TV para criticar a Sanepar por não dispor de um Plano B para casos de urgência, como este. Os poucos poços artesianos existentes na cidade, a maioria pertencentes a empresas particulares, não são suficientes para atender às necessidades da população.

O titular do Procon, Sandro Gregório da Silva, explicou que mesmo alegando motivos de força maior – no caso o excesso de chuva -, a Sanepar tem que ter um plano alternativo mesmo contra fenômenos naturais. “Eles precisam rever os seus projetos. Uma cidade inteira não pode ficar refém de um sistema de captação em um rio que pode apresentar problemas a qualquer momento. É um bem essencial e o transtorno atinge desde creches a indústrias a hospitais”, ressaltou

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Como foi o dia 10 de maio de 1947, quando Maringá foi lançada?

No dia 10 de maio de 1947, quando a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná fez o lançamento do Maringá Novo, o carpinteiro Izaltino Machado já estava cansado de trabalhar no projeto, o corretor Vicente Vareschini já estava vendendo os terrenos e o derrubador de matas Antonio Manfrinato trabalhou na abertura da clareira na mata onde seria o centro da nova cidade. Os três participaram da festa de lançamento, nunca saíram da cidade que ajudaram a começar e hoje se espantam ao ver a metrópole que ela se tornou.

Tinha chovido e feito frio nos dias anteriores, mas naquele sábado o tempo estava bom. Cumprindo ordem de seu patrão, Aristides de Souza Mello, diretor da Companhia Melhoramentos que morava em Londrina, Manfrinato, então um moço de 25 anos que chegou um mês antes para trabalhar na derrubada de matas onde seria construída a nova cidade, levantou cedo e foi para onde a Melhoramentos tinha construído seu escritório. Junto com outros empregados, deu de mão a um facão e entrou na mata para cortar varas.

Quando voltou com um feixe de varas nas costas, ajudou outros homens a abrir uma valeta, jogar alguns pedaços de madeira, ainda verde, espalhar querosene e tocar fogo. Ali aconteceria a primeira churrascada de Maringá fora do Maringá Velho.

O escritório da Melhoramentos era uma construção em madeira exatamente onde é o Centro Comercial, a churrasqueira foi improvisada a poucos metros, onde hoje fica o posto da Polícia Militar na Praça Raposo Tavares e as varas para espeto foram tiradas da mata densa de onde por muito tempo existiu a chamada rodoviária velha.

Lenha verde

“A madeira que foi queimada era de árvores que tinham sido derrubadas poucos dias antes. Não pegava fogo, fazia mais fumaça do que fogo”, lembra Antonio Manfrinato. “Eram cerca de 20 diretores da Melhoramentos, mas estavam presentes também alguns comerciantes do Maringá Velho e gente do povo”. Manfrinato lembra que a carne, toda de primeira, chegou em tambores e já estava salgada. “A gente só espetava, assava e servia.

Antonio Manfrinato ajudou a assar o churrasco na 'inauguração' de Maringá e nunca mais deixou a cidade    Foto: UEM

Antonio Manfrinato ajudou a assar o churrasco na ‘inauguração’ de Maringá e nunca mais deixou a cidade Foto: UEM

Vicente Vareschini também tinha 25 anos e já estava em Maringá fazia dois anos, trabalhando como corretor de terras para fazendas. Era um dos representantes da Companhia Melhoramentos em Maringá e tinha passado este tempo viajando para São Paulo e outras regiões para vender as terras da Melhoramentos na região. Já tinha trazido centenas de famílias, mas naquele sábado vestiu sua melhor roupa e foi de jipe para onde acabava de ser construído o escritório da loteadora.

Não havia ruas de verdade, mas veredas no meio da mata. As perobas e outras grandes árvores haviam sido tiradas de onde seria o leito da Avenida Brasil. O resto era mata fechada. “Era uma data importante, pois marcava o nascimento de uma cidade”, contou ele, aos 94 anos, em sua casa no Conjunto Borba Gato, ao lado da mulher, a também pioneira Irene Germano, e a filha Jane. Vieram os diretores da Melhoramentos, que ficavam baseados em Londrina e os que trabalhavam em outras cidades do norte, como Rolândia, Apucarana e Mandaguari”.

Roupa de gala

Izaltino Machado tinha 16 anos quando ajudou a construir a casa do gerente da Companhia Melhoramentos e a visita sempre quase 70 anos depois   Foto: UEM

Izaltino Machado tinha 16 anos quando ajudou a construir a casa do gerente da Companhia Melhoramentos e a visita sempre quase 70 anos depois Foto: UEM

Izaltino Machado, na época com 16 anos, vestiu sua melhor roupa para participar da festa com seus irmãos. Afinal, seriam inauguradas obras que ele ajudou a construir. O irmão mais velho dele, Francisco Machado Homem Júnior, era o carpinteiro chefe da Melhoramentos em Maringá e a família, junto com diversos outros operários, tinha trabalhando na construção do escritório, das moradias para os empregados e da casa do gerente, na época o suíço Alfredo Werner Nyffeler, na Avenida Brasil, no ponto mais central de Maringá – se bem que, na época, ficava em plena mata.

“Começamos do zero, primeiro construindo casas para os diretores e funcionários. Eram casas de alto padrão, com fino acabamento”. Izaltino lembra que a casa de Nyffeler exigiu muito da equipe, porque tudo tinha que ser de primeira. “Passei dias de ‘quatro pés’ planando os assoalhos, os pilares da área foram todos aparelhados a mão, mas no final o trabalho agradou o doutor Alfredo, que era suíço e estava acostumado com o padrão europeu”.

Depois do churrasco, aconteceram alguns discursos rápidos – ninguém lembra quem eram os oradores –, o momento principal foi quando o doutor Aristides de Mello e o padre Emílio Clemente Scherer desataram a fita simbólica, dando por inaugurados o escritório e a residência. Aquele foi o momento em que inauguraram Maringá e Manfrinato, Vareschini e Izaltino Machado estavam lá para confirmar.

Os três homens que assistiram o momento em que nasceu a cidade decidiram continuar morando nela, testemunhando, dia a dia, seu crescimento. Para Izaltino, uma das alegrias é ver que a casa que ele e os irmãos ajudaram a construir para o doutor Alfredo Nyffeler continua em pé e bem cuidada. Ela foi levada para o Campus da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e abriga o Museu da Bacia. “Ela foi reconstruída exatamente como era na Avenida Brasil e mais uma vez eu participei, só que desta vez como consultor, para garantir que a reconstrução seria fiel à original”. Coincidentemente, ela foi montada em um terreno que já pertenceu a Izaltino, ao lado de pés de manga e outras árvores que ele plantou há mais de 60 anos.

Descrença

Vicente Vareschini passou décadas na Melhoramentos e agora diz que não acreditava que Maringá viraria uma metrópole. “Não acreditava no começo, mas na década de 1950 esta cidade pegou um ritmo de crescimento que a partir daí ninguém imaginava até onde ia. Cresceu e ficou bonita, a mais bonita que eu já vi”, diz satisfeito.

“Estou com 94 anos e passo o dia inteiro caminhando pela cidade. A cada dia vejo coisas que eu não conhecia. Esta cidade cresce muito rápido e é maior e mais bonita do que podíamos imaginar na época”, diz Antonio Manfrinato.

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Viajando como sardinha na lata

Ônibus metropolitano Nova Esperança-MaringáA foto feita por Douglas Marçal mostra três mulheres viajando no ônibus metropolitano que saiu às 6h35 de Nova Esperança com destino a Maringá. No ônibus havia mais de 90 passageiros, mais da metade deles disputando o pouco espaço do corredor.

Viajar em um ônibus não seria problema se essa não fosse a rotina de todos os dias. A mulher que tenta dormir é Liane Gomes da Silva, que mora em Nova Esperança e trabalha em Maringá e faz essa viagem mais de 300 vezes por anos, outras mais de 300 vezes para voltar, e como dificilmente conseguem garantir um banco, para elas sobra viajar sentadas no chão, assim como várias outras em outras partes do ônibus.

Veja a seguir matéria sobre essa viagem publicada pelo O Diário

Viajando como sardinha na lata ou sendo abandonados no ponto, usuários querem que a Viação Garcia coloque mais ‘amarelinhos’ nos horários de maior movimento

 

Moradores de Nova Esperança, Presidente Castelo Branco, Mandaguaçu e Iguatemi que trabalham em Maringá e dependem diariamente do transporte coletivo metropolitano reclamam que estão sendo tratados com desrespeito pela empresa concessionária do trecho por estarem viajando em ônibus superlotados que, muitas vezes, acabam deixando usuários no ponto por falta de espaço. Ontem, por exemplo, dois ônibus que passaram por Presidente Castelo Branco entre 6h45 e 6h50 transportavam acima de 90 passageiros.

Os usuários dizem que o normal nos horários de rush é cada ônibus transportar próximo de 100 pessoas cada um, “mas o pior é a falta de atenção, pois já entramos em contato com a empresa, encaminhamos vários abaixo-assinados pedindo que sejam colocados mais carros nos horários de maior movimento, mas nem sequer tivemos resposta”, diz o pintor automotivo Antonio de Souza Cordeiro, morador em Presidente Castelo Branco, que há 18 anos viaja diariamente para trabalhar em Maringá. “Nestes 18 anos acho que nem uma vez viajei sentado, pois quando o carro chega à minha cidade já tem umas 20 ou 30 pessoas em pé.

Ontem a reportagem de O Diário fez o trajeto de Nova Esperança a Maringá no ônibus das 6h35 e desde a saída cerca de 20 passageiros não conseguiram bancos. Alguns viajaram em pé, mas outros, principalmente mulheres, sentaram-se no chão e nos degraus, como foi o caso da doméstica Liane Gomes da Silva. “A disputa pelos bancos é grande e quem não consegue uma boa posição na fila acaba sobrando”, diz ela, que quase todos os dias viaja no chão. “Eu sento sempre aqui neste cantinho para tentar tirar uma soneca, mas a toda hora alguém esbarra em mim”. Disputando espaço com ela no estreito elevado sobre uma das rodas dianteiras estavam outras duas mulheres.

“Antigamente dependíamos dos ônibus de linha do Expresso Maringá e sofríamos muito”, disse Aécio Flávio Fassina, funcionário dos Correios em Maringá, que faz o trajeto diariamente há 20 anos. “Quando foi anunciado o transporte metropolitano nutrimos a esperança de que seríamos tratados com dignidade, mas parece que ficou ainda pior”. Ele diz que nesses 20 anos de viagem foram “raríssimas” as vezes em que conseguiu sentar-se.

Se começar o dia sofrendo para chegar em Maringá já é um problema, a volta pode ser ainda pior. Segundo Tiago Oliveira, de Presidente Castelo Branco, que passa o dia trabalhando em uma empresa de concretagem, “é na volta que os ônibus deixam as pessoas para trás”. É que pela manhã tem gente viajando para trabalhar entre as 5 e as 8 horas, mas para voltar “parece que todo mundo sai do serviço no mesmo horário”. Chegar em casa às 20, 21 ou 22 horas já faz parte de sua rotina, embora saia do trabalho às 17h30.

Nova filosofia

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Viação Garcia informou ontem que a empresa está sob nova direção desde o início do ano e que estão em trânsito ações para melhorar a qualidade do transporte metropolitano da região de Maringá. O primeiro resultado prático foi a compra de 25 novos “amarelinhos” tanto para substituir ônibus que já estejam velhos quanto para reforçar o número de veículo nos horários de maior movimento. Os novos ônibus começam a operar nos próximos dias.

A empresa informou ainda que está estudando a possibilidade de implantar a bilhetagem eletrônica no transporte metropolitano por entender que o uso de cartões eletrônicos inteligentes agilizará a cobrança.

Segundo a empresa, desde que a nova diretoria assumiu que não chegou a seu conhecimento qualquer reclamação com relação a superlotação nem abaixo-assinados pedindo mais ônibus. A lotação máxima é estabelecida no Paraná pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), com base no modelo da carroceria de cada veículo. Em uma mesma linha há ônibus de diferentes tamanhos. E a fiscalização, no caso da linha Maringá-Nova Esperança, que utiliza uma rodovia federal, a BR-376, a fiscalização cabe à Polícia Rodoviária Federal. De acordo com a empresa, desde o início do trabalho da nova diretoria a Viação Garcia não recebeu nenhuma notificação dos órgãos fiscalizadores.

R$ 3,60

é o valor da passagem do transporte coletivo metropolitano da região de Maringá, mas quem viaja a Paranavaí, por exemplo, precisa tomar dois ônibus

 

‘Abandonados’ jogam pedras
em ônibus e ferem passageiros

Por achar que não estão sendo tratados com dignidade ao terem que viajar em ônibus superlotados e muitas vezes serem deixados no ponto por horas, usuários revoltados apedrejaram um ônibus metropolitano da Viação Garcia há poucos dias em um dos pontos da BR-376, próximo a Presidente Castelo Branco, destruindo vidros das janelas e ferindo passageiros.

O ataque aconteceu no início da noite, quando os veículos que seguiam de Maringá para Nova Esperança estavam tão lotados que os motoristas decidiram não parar nos pontos a partir de Mandaguaçu. Considerando tal atitude como descaso, várias pessoas que aguardavam em um dos pontos atiraram pedras contra um dos veículos. Um dos passageiros, que estavam no ônibus desde Maringá, sofreu um corte na cabeça que precisou de oito pontos, outros dois tiram cortes no rosto e nas mãos.

“A gente se irrita com quem atirou as pedras, mas entendemos que eles tinham razão”, disse Celso Augusto, que mora em Presidente Castelo Branco e trabalha como soldador em Maringá. Ele foi um dos feridos e gastou cerca de R$ 150 com curativos e ainda não pode trabalhar no dia seguinte. “Eu e os outros feridos entramos em contato com a empresa para que ela pelo menos pagasse o que gastamos, mas não tivemos resposta. Isso é um descaso, pois na passagem está embutido um seguro para o passageiro”, diz.

Celso diz entender a razão dos apedrejadores porque ele próprio já perdeu a conta de quantas vezes foi deixado para trás. “Saio de casa às 6 horas da manhã, deixo o serviço às 17h30 e às vezes só consigo chegar em casa às 21 ou 22 horas”. Ele embarca na saída de Maringá, próximo à Coca-Cola, mas às vezes fica das 17h30 até às 21 horas esperando um ônibus que lhe caiba.

“Começaram os apedrejamentos, mas com tanto descaso não será nenhuma surpresa se a qualquer momento alguém tocar fogo em um ônibus desses”, disse um homem que estava espremido em um dos metropolitanos ontem pela manhã e pediu para não ter seu nome citado.

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