Mês: julho 2016



Mais do que casa e comida, um lar para a criança

Cinco meninos, irmãos com idades entre 3 e 10 anos, não entendiam bem o que estava acontecendo naquele momento nem nas vidas deles quando presenciaram a cerimônia de inauguração do Lar Escola da Criança, no dia 10 de maio de 1963. Estavam lá o bispo dom Jaime Luiz Coelho, vários padres e freiras e autoridades da cidade muito bem vestidas, que eles não sabiam quem eram. Hoje, mais de meio século depois, eles entendem a importância de estarem ali naquele momento, não pela festa de inauguração e nem por fazerem parte da história da entidade, mas por estarem recebendo teto, alimento e atenção em um momento tão complicado de suas vidas.

Edson Oliveira Melo foi uma das primeiras crianças atendidas pelo Lar Escola e hoje é pequeno empresário no interior de São Paulo

Edson Oliveira Melo foi uma das primeiras crianças atendidas pelo Lar Escola e hoje é pequeno empresário no interior de São Paulo

Manoel Oliveira Melo, hoje com 63 anos, funcionário de uma faculdade de Maringá, lembra que ele e seus quatro irmãos foram as primeiras crianças a serem recebidas no Lar Escola, meses antes de a entidade começar a funcionar. A família, que acabava de mudar-se das fazendas de café para a cidade, viveu um problema muito grave, as meninas foram para casas de pessoas que nem as conheciam e os meninos acabaram encaminhados para entidade que estava sendo constituída por iniciativa de dom Jaime e das senhoras do Clube da Amizade.

Uma escola no interior do Lar oferecia estudo aos primeiros internos

Uma escola no interior do Lar oferecia estudo aos primeiros internos

O local onde está o Lar Escola era uma área de chácaras e a atual Rua Martim Afonso era uma estrada rural. Todo o trabalho ficava a cargo das irmãs da Congregação Murialdinas de São José, que tem como carisma o atendimento das crianças, adolescentes e jovens. “Estávamos sofrendo muito com o problema na família, não sabíamos se voltaríamos algum dia a ter nossa família, mas lá recebemos carinho e atenção”, lembra Manoel.

Depois foram chegando outros meninos, muitos que não tinham família. Manoel e Edson, os dois mais velhos dos cinco irmãos, puderam voltar para casa um ano depois para ajudar os pais, outros permaneceram na entidade até completar 18 anos, como é o caso de Alceu, hoje morador no interior do Estado de São Paulo, que permaneceu no Lar por mais de 10 anos.

O empresário Enio Pipino, que por meio de sua colonizadora Sinop implantou cidades no Mato Grosso e Paraná, e sua mulher, Nilza, estavam  entre os primeiros colaboradores do Lar Escola e batizaram várias crianças, entre elas os irmãos Melo.

No decorrer de sua existência, o Lar enfrentou muitos desafios e tempos difíceis, como problemas financeiros ou na estrutura, chamando atenção da comunidade maringaense, que começou a apoiar a entidade. “Nestes mais de 50 anos, já foram prestados mais de 24 mil atendimentos”, diz a gestora administrativa Aparecida de Lourdes Cazzarotto, advogada que está no Lar como voluntária. “Como organização não governamental, a entidade busca recursos por meio de projetos junto aos governos federal, estadual e municipal, mas também consegue recursos por meio de eventos que realiza, como churrascadas, bazares de roupas usadas e outras”.

Com vários projetos em andamento, o Lar atende cerca de 450 crianças e jovens

Com vários projetos em andamento, o Lar atende cerca de 450 crianças e jovens

A estrutura da entidade proporciona o atendimento diário de 300 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, 30 adolescentes no programa ProJovem, 120 jovens de 16 a 18 anos no Projeto de Aprendizagem e, ainda, projetos de extensão voltados às famílias das crianças, adolescentes e jovens atendidos, bem como às pessoas da comunidade que vivem em situação de vulnerabilidade pessoal e social.

Para o serviço, o Lar tem 35 funcionários, além da administração de freiras, mas conta ainda com um batalhão de voluntários, como é o caso do engenheiro Wilson Yabiku, presidente da entidade. Entre os voluntários está José Aparecido Pereira, de 40 anos, auxiliar administrativo que já deu aula de marcenaria para as crianças. “Ele foi menino do Lar”, conta Aparecida de Lourdes.

 

Como colaborar

larescolaMetade da renda do Lar Escola da Criança de Maringá provém do governo estadual e a outra metade, de doações e dos diversos eventos realizados pela entidade. Quem quiser colaborar, pode fazê-lo pelo site www.larescola.org.br, na aba “Como contribuir”, pelo e-mail [email protected]

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Peladão da Praça enfrenta o frio sem camisa

Matéria publicada em O Diário

Fotos: Douglas Marçal

A temperatura mínima em Marialva ontem foi de 4 °C, mas bem cedo a  sensação térmica esteve por volta de 0 °C, o que levou muita gente a  pensar que o folclórico Manoel Gonçalves Pereira Moreira, o Português,  73 anos, não sairia de casa. Isto porque ele é conhecido por não usar camisa, blusa ou qualquer coisa que cubra o torso, faça frio ou calor.

Mas quem pensou assim enganou-se.

Manoel Português diz que a última vez que vestiu camisa foi durante uma viagem com amigos, há mais de 10 anos

Manoel Português diz que a última vez que vestiu camisa foi durante uma viagem com amigos, há mais de 25 anos

Mal o dia clareou, lá estava Português andando em direção ao centro da cidade, só de bermuda, com jeito de quem acabara de tomar um banho frio.  Foi até a praça, jogou cartas com os amigos – como faz todos os dias – e voltou para casa para fazer o almoço. “Não está tão frio assim, já estou acostumado e meu corpo se aquece com facilidade”, diz.

Português não tem telefone, tampouco e-mail. Tem a grande honra de ser um filho marialvense, conhecido e também muito querido por todos. José Antonio Agostinho, dono de uma lanchonete na cidade, emite opinião sobre a índole incontestável do Português. “Acho que ele nunca colocou camisa. Mas é um rapaz muito bom, é pau pra toda obra. É amigo de todo  mundo.” Na cidade, amigos dizem que a última vez que ele foi visto de  camisa foi em uma viagem a São Paulo, lá nos idos de 1979.

“Se pedem para ele vestir camisa, ele fica bravo. Entra no banco e em qualquer outro lugar de Marialva sem camisa. Vocês sabem qual a  diferença entre Maringá e Marialva? É que em Maringá tem a Praça do  Peladão e, em Marialva, tem o peladão da praça”, conta, rindo à beça, o  aposentado Idari Ferreira dos Santos.

Apesar do frio dos últimos dias, o "Peladão da Praça" levantava cedo para receber repórteres, que o encontravam sem camisa

Apesar do frio dos últimos dias, o “Peladão da Praça” levantava cedo para receber repórteres, que o encontravam sem camisa

Português já nem sabe ao certo quando resolveu parar de usar camisas ou camisetas, mas diz acreditar que deve fazer mais de 20 anos. Nesse meio tempo, só colocou camisa para ir ao velório da mãe, há 11 anos, e do pai, há 10.

Voltar a usar camiseta não está nos planos de Português. De todo modo, diz saber que haverão ocasiões em que será obrigatório o uso da peça.

“Botar um terno e gravata hoje vai ser um sacrifício, só mesmo se for necessário. Posso até pôr, mas entro lá na festa de terno e gravata e, na hora que eu sair, entro dentro do carro, tiro tudo e fico só de  bermuda”, conta.

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Atalaia, orgulho do Alvorada, se prepara para transmitir em FM

Chamada pelos concorrentes de “Vitrolão Brega”, a Atalaia se prepara para voltar à briga pela audiência migrando para a transmissão em FM

Enquanto a maioria das emissoras de rádio de Maringá está no Centro, o Jardim Alvorada há 25 anos se orgulha de ter uma emissora, que inclusive é um ponto de referência na Avenida Pedro Taques.

A Rádio Atalaia de Maringá, que foi uma das campeãs de audiência no período áureo das emissoras que transmitiam em Ondas Médias (AM/Amplitude Modulada), tem 53 anos e foi para o Alvorada em 1989, quando foi comprada pelo animador sertanejo José Alves.

Considerado fenômeno de audiência, Zé Alves comprou a Rádio Atalaia e levou-a para o Jardim Alvorada. Na foto com o filho Marquinhos, Zé Alves morreu em 1994, aos 52 anos

Considerado fenômeno de audiência, Zé Alves comprou a Rádio Atalaia e levou-a para o Jardim Alvorada. Na foto com o filho Marquinhos, Zé Alves morreu em 1994, aos 52 anos

“Todas as rádios de Maringá eram no Centro e ele achava que a cidade tinha crescido e era hora de descentralizar”, conta Marquinhos Alves, filho de José Alves, que hoje dirige a emissora. “Temos anunciantes da cidade inteira, mas os do Jardim Alvorada têm um carinho especial pela emissora. Afinal, somos a rádio do bairro”, diz Marquinhos.

A Atalaia está em fase de transição, alterando documentos e adquirindo equipamentos para começar a transmissão em Frequências Moduladas (FM) depois de conseguir autorização do Ministério das Telecomunicações para deixar de transmitir em Ondas Médias (AM/Amplitude Modulada).

Drama policial

Não há como ter certeza, porque na época não havia medição, mas possivelmente o programa de maior audiência em toda a história do rádio em Maringá tenha sido levado ao ar na primeira semana de dezembro de 1967, quando o programa “Aconteceu”, da Rádio Atalaia, contou o caso do menino Clodimar Pedrosa Lô, de 15 anos, torturado até a morte por dois policiais duas semanas antes.

Em uma época em que o rádio reinava como veículo de comunicação em massa, quem passasse pelas ruas de Maringá naquela hora poderia acompanhar o programa inteiro ouvindo os rádios de casa em casa. Nas construções, nos bares, nas mercearias via-se rodinhas de pessoas em torno de rádios de mesa ou portáteis e nas casas as crianças ouviam com atenção, os homens com a cabeça baixa e mulheres choravam ao ouvir o rádio-teatro que dramatizava os momentos finais da vida do garoto Clodimar, membro de uma conhecida e numerosa família da Vila 7.

O “Aconteceu”, programa policial radiofonizado, gravado em Londrina e que dramatizava alguns dos mais importantes casos policiais do Brasil, já era campeão de audiência em Maringá, mas naquele dia parou a cidade.

Ele foi um dos responsáveis pela aceitação da Rádio Atalaia, na década de 1960, quando a guerra pela audiência se dava entre as rádios Cultura e Difusora, cada uma procurando ter em seus quadros os melhores animadores sertanejos, disc-jóqueis de Jovem Guarda e de música internacional, programas de saudosismo e equipes de esportes, lideradas por narradores que ficaram na história.

Vitrolão Brega

A Rádio Atalaia, fundada pelo publicitário Hélio Barroso, um paulista empreendedor, foi montada em Maringá em 1963, mas não teve condições de brigar com as duas gigantes, pois, possivelmente por falta de dinheiro, não conseguiu montar uma equipe de comunicadores de primeira. Aliás, não teve equipe e a rádio tocava música o dia inteiro.

O radialista Ozires Mourão, que foi gerente da Rede HB Rádios, lembra que tocar música o dia inteiro, intercaladas apenas por um comercial e a ‘hora certa’, acabou dando certo e a Atalaia se tornou a preferida de quem gostava de rádio para ouvir música, e “o que seria provisório permaneceu por mais de 10 anos”.

Com a morte de Hélio Barroso, na década seguinte a emissora maringaense foi adquirida por um grupo maringaense que já controlava a Difusora e passou a ser dirigida por Ademar Schiavone. A emissora passou por profunda readequação sob a batuta do experiente Orlando Manin como diretor artístico, porém conservou a essência, que era na maior parte do dia uma programação com música, hora certa e poucos comerciais.

Desde 1989 sob o controle da família do comunicador José Alves, a emissora manteve sua essência, apesar de contar também com programas de esporte, sobre saúde, direito e religião.

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Morre o jornalista Eliakim Araújo, que foi âncora do Jornal da Globo

Eliakim e Leila Cordeiro na bancada do CBS Telenotícias

Eliakim e Leila Cordeiro na bancada do CBS Telenotícias

O jornalista Eliakim Araújo, que ao lado da mulher, a também jornalista Leila Cordeiro, comandou o “Jornal da Globo”, morreu neste domingo em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em consequência de um câncer no pâncreas.  Ele tinha 75 anos.

Eliakim foi também o principal âncora dos noticiários da extinta TV Manchete e desde 1997 morava nos Estados Unidos, onde ele e Leila ancoraram o CBS Telenotícias, que transmitia em português.    Veja mais

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Historiadora levanta a história do Jardim Alvorada

O projeto Centro de Memória, implantado no Colégio Estadual Duque de Caxias, é o primeiro passo para o levantamento histórico sobre o Jardim Alvorada, sonho da historiadora Dulce Elena Canieli, professora de História do colégio e coordenadora do projeto.

Ainda em fase de estruturação, o Centro de Memória do Colégio Duque de Caxias vai coletar depoimento dos moradores mais antigos do Jardim Alvorada

Ainda em fase de estruturação, o Centro de Memória do Colégio Duque de Caxias vai coletar depoimento dos moradores mais antigos do Jardim Alvorada

O projeto é ambicioso e, segundo Dulce, “mais do que um desejo, é uma obrigação minha”. Ela diz isto porque nasceu na região, cresceu, estudou e passou a ensinar no Alvorada. Foi testemunha ocular de praticamente tudo o que a aconteceu no bairro desde 1962, quando seus pais compraram uma chácara onde seria implantado o novo bairro.

Com a criação do Centro de Memória, ela vai conversar com os primeiros moradores do bairro, colher depoimentos, copiar fotografias antigas, documentos e objetos relacionados à história.

Segundo a professora, este é o momento ideal para se contar a história do bairro, enquanto muitos dos primeiros moradores ainda estão lá, casas construídas na fase de implantação ainda estão conservadas. Ela diz que a partir de agora o Alvorada deve iniciar o processo de verticalização e muitas das casas poderão ser demolidas.

Como "filha" do bairro, a professora Dulce Elena já coletou muitas informações sobre a ocupação do Jardim Alvorada

Como “filha” do bairro, a historiadora Dulce Elena já coletou muitas informações sobre a ocupação do Jardim Alvorada

“O Duque de Caixas, como primeiro estabelecimento de ensino do bairro, pode dar esta contribuição. E eu, que vi a construção das primeiras casas,convivi com os primeiros moradores, quero dar minha contribuição”, diz. O material que for produzido poderá resultar em um museu na escola, vídeos e, possivelmente, um livro.

Dulce Elena está no bairro desde que o Jardim Alvorada foi loteado, participou da cerimônia de inauguração do Colégio Duque de Caxias e foi aluna no primeiro ano de funcionamento da escola. Lá estudou oito anos e voltou quando concluiu o Curso de História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), como professora.

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Nem o fogo parou o Ducão

Em 1968, quando o Jardim Alvorada ainda contava com poucas casas, o então Grupo Escolar Jardim Alvorada foi o primeiro estabelecimento de ensino do bairro

Em 1968, quando o Jardim Alvorada ainda contava com poucas casas, o então Grupo Escolar Jardim Alvorada foi o primeiro estabelecimento de ensino do bairro

Em quase meio século morando na Alameda Ney Aminthas de Barros Braga, paralela à Avenida Pedro Taques, dona Maria Stin Knippleg, de 79 anos, viu a construção das primeiras casas do Jardim Alvorada, principalmente a do Colégio Duque de Caxias, que ocupa uma quadra inteira bem em frente da casa dela.

Em 1975, parte do estabelecimento foi destruída por um incêndio provocado por um curto circuito

Em 1975, parte do estabelecimento foi destruída por um incêndio provocado por um curto circuito

Ela acompanhou a construção, participou da inauguração, no dia 10 de maio de 1968 – data em que Maringá comemorava seu 21º. aniversário -, com a presença do governador Paulo Pimentel e do prefeito Luiz de Carvalho, depois trabalhou lá por 23 anos, vendo o Grupo Escolar Jardim Alvorada virar Duque de Caixas, crescer e se tornar no colégio estadual que é hoje, com cerca de 850 alunos.

“Uma imagem que não me sai da lembrança é a do incêndio que destruiu o colégio, em 1975”, conta a antiga zeladora, agora aposentada. “O Corpo de Bombeiros veio rápido, mas não conseguiu salvar mais nada, pois a construção era toda em madeira e a destruição foi rápida”.

Alunos, professores e funcionários tiveram que sair às pressas, enquanto o fogo, iniciado por um curto-circuito, destruía tudo. No ano seguinte não houve aula no estabelecimento, que foi reconstruído em alvenaria.

 

Projetos

O Duque de Caxias é o estabelecimento de ensino mais antigo do Jardim Alvorada e sua construção, em 1968, foi tardia, pois desde 1962 centenas de crianças precisavam se deslocar a longas distâncias para estudar em escolas de outros bairros.

As atividades na horta estão entre as preferidas pelos alunos, que aprendem noções de alimentação saudável e respeito ao meio ambiente

As atividades na horta estão entre as preferidas pelos alunos, que aprendem noções de alimentação saudável e respeito ao meio ambiente

“Hoje o Alvorada é um bairro diferente daquele dos primeiros dias e a escola está se adaptando às necessidades atuais”, diz a diretora Tania Marly Silvestrini Dias. Segundo ela, vários projetos estão em andamento para oferecer aos alunos outras atividades além das disciplinas normais. É o caso do projeto EcoDuque, desenvolvido em parceria com professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que já resultou em uma horta comunitária no pátio do colégio, cuidada pelos próprios alunos. “A intenção é oferecer ocupação aos nossos jovens, ao mesmo tempo em que, por meio de palestras e convivência com os agrônomos, lhes são repassadas noções sobre alimentação saudável, responsabilidade com o meio ambiente e até mesmo sobre a economia que se faz produzindo alimentos em casa”, completa a vice-diretora Leila Carla Machado da Silva.

Dentro do EcoDuque estão acontecendo projetos também nas áreas de jardinagem e arquitetura, manutenção da limpeza do pátio e do entorno do estabelecimento. “Houve uma época em que vizinhos acumulavam sofás velhos, colchões e outros objetos no entorno da escola, mas com o trabalho de conscientização levado pelos próprios alunos, isto acabou, assim como as pichações nos muros. Hoje, os muros mostram pinturas feitas pelos estudantes com temas bem brasileiros”, diz Leila.

 

Colégio Duque de Caxias

Inauguração: 1968

846 alunos

73 professores

19 funcionários

19 salas de aula

1 salão nobre

1 sala de informática

1 quadra coberta

 

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Na Vila 7, em cada terreno vazio havia um ‘campo’ de futebol

Numa época sem computador e jogos eletrônicos, o futebol era a principal diversão dos meninos

É na Zona 7 que há quase 60 anos está o mais importante templo do futebol de Maringá, o Estádio Willie Davids, onde já desfilaram craques como Pelé, Coutinho, Garrincha, Edgar Belisário, Garoto, Roderlei e tantos outros, onde o maringaense se encheu de orgulho com incontáveis vitórias do Grêmio Esportivo Maringá e, depois, do Grêmio de Esportes, como aquela que aconteceu sobre o time da União Soviética das lendas Yashin, considerado o maior goleiro de todos os tempos, do matador Valeri Perkujan e o endiabrado ponteiro Metreveli.

Mas, o WD não pertence à história da vila e sim da cidade. A história do futebol da Zona 7 é contada pelos inúmeros campinhos que surgiam de um dia para outro nos terrenos baldios e passavam dias inteiros lotados por meninos de Kichute, Bamba, Conga ou descalços disputando ‘cinco vira e dez termina’, os ‘de camisa contra os sem camisa’, ‘bobinho’ e até ‘disputa de pênalti’, quando não havia atletas em número suficiente para se formar times de pelo menos ‘três contra três”.

Do arquivo pessoal de Chico Dantas (o goleiro, na foto), um dos muitos times da Vila 7 na década de 1960. Este era o DER e o campo ficava onde hoje é o Ginásio Chico Neto, onde depois existiu o campo do Botafogo

Do arquivo pessoal de Chico Dantas (o goleiro, na foto), um dos muitos times da Vila 7 na década de 1960. Este era o DER e o campo ficava onde hoje é o Ginásio Chico Neto, onde depois existiu o campo do Botafogo

Os campinhos eram apenas brincadeira, mas cada vila tinha um campo maior, onde aconteciam partidas aos domingos de times que tinham jogo de camisas, meiões e até chuteiras. Um que ficou na história foi o Campo do Jaia, que ficava na esquina das avenidas Colombo e Lauro Eduardo Werneck, onde hoje está a estrutura do Sesc/Senac.

E quem reinava no Campo do Jaia era o ‘time do Jaia’, que recebia times de outros bairros, como Operária, Mandacaru, Morangueira e geralmente ganhava. Se não ganhasse na bola, ganharia no apito, pois o juiz invariavelmente era Josué Gabriel da Cruz, o ‘seo’ Zu, um carroceiro brabo que morava em frente ao campo e foi quem ajudou a arrancar os tocos para a molecada jogar bola. Não por acaso, ele era o pai do Jaia, treinador do time e dono da bola, das redes e do jogo de camisas.

O advogado Antonio Ramalho Xavier ainda era o Toninho e tinha mais ou menos 1,5 metro de altura quando ganhou a vaga de goleiro no famoso time da camisa bordô. “Todo mundo que se achava bom de bola vinha de longe tentar vaga no time do Jaia e muitos saíram dali para os times amadores ou para os bons times de futebol de salão”, conta. Outro que participou do time foi o servidor público Francisco de Assis Dantas, o Chico Dantas, que tinha vaga garantida por ser vizinho do Jaia e do ‘seo’ Zu. “Não era um campo de verdade, era um terrão, ainda com alguns tocos”, lembra.

O radialista Moisés Bispo dos Santos, que hoje mora no Mato Grosso, jogou no time, junto com o irmão Jeremias, que era considerado craque. “Lá vi alguns dos melhores jogadores, que cresceram e fizeram história como Ademirzinho, Vado, Sapite, meu irmão Jeremias, Guim, Fidel, Edmundo…”.

Dentro do terreno do Estádio Willie Davids tinha o ‘campo do Zé Preto’, onde treinava o juvenil do Grêmio e recebia jogadores de toda a cidade. Onde hoje é o Ginásio de Esportes Chico Neto foi por muito tempo o Campo do Botafogo, onde aconteciam jogos pelo Campeonato Amador.

QUEM JOGOU, NÃO ESQUECE
“Aquilo não era só diversão, era nossa forma de fazer e manter amigos, era onde trocávamos informações sobre o mundo e onde nos preparávamos para o futuro”, diz o professor Antonio de Oliveira, que na Zona 7 é conhecido como Liu, a respeito dos muitos campos de futebol improvisados em terrenos vazios da vila.

Para Liu, o futebol era uma atividade saudável e “quem estava interessado em bola não tinha tempo para pensar ou fazer besteiras. Cresceu e virou gente boa”.

Time de garotos que jogavam no 'Campo do Chio', um terrão que ficava no final da Rua Paranaguá    Arquivo Liu Oliveira

Time de garotos que jogavam no ‘Campo do Chio’, um terrão que ficava no final da Rua Paranaguá Arquivo Liu Oliveira

Liu e seus irmãos jogaram no Time do Jaia e em vários outros times da vila e até hoje é capaz de citar um por um dos companheiros de quase 50 anos atrás.

Outro que valoriza muito o futebol da molecada é o aposentado Osvaldo Araújo, que era conhecido como Vardeco. Ele jogou muito no Campo do Jaia, em um campo que existiu no final da Rua Paranaguá e, quando maior, integrou times que representavam empresas em campeonatos Dente de Leite, Juvenil e até o Amador.

“A gente ia para escola, tinha futebol no pátio, saía, tinha um campinho por perto, chegava em casa, tinha campo perto. Se a gente não fosse a nenhum campo, fazia traves com tijolos e jogava na rua mesmo ou no quintal. Era por isto que o Brasil era uma mina de craques”, diz.

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Lucílio de Held, o aventureiro futurista que criou o Jardim Alvorada

A área urbana de Maringá ainda se resumia aos poucos quarteirões de onde hoje é o Maringá Velho quando Lucílio de Held, na época um garoto de pouco mais de 20 anos, mostrou sua visão de futuro e criou os primeiros loteamentos da cidade, todos na zona rural e distantes do núcleo urbano. Com a expansão da área urbana pelo o advento do Maringá Novo, os loteamentos de Held ficaram bem localizados e hoje estão próximos da área central.

Lucílio de Held loteou alguns dos mais importantes bairros de Maringá e Londrina, além de importantes cidades do noroeste do Estado

Lucílio de Held loteou alguns dos mais importantes bairros de Maringá e Londrina, além de importantes cidades do noroeste do Estado

Pode-se dizer que ele foi o pioneiro do setor imobiliário em Maringá, em uma época em que as vendas de terrenos urbanos só começariam dois anos depois, quando a Companhia Melhoramentos lançaria o Maringá Novo. Os dois primeiros loteamentos de Held, a Vila Cleópatra, uma pequena fila de datas projetada na frente do portão do Cemitério Municipal, e a Vila Progresso, alguns quarteirões espremidos entre o terreno em que está hoje o Colégio Presidente Kennedy e o que está 9ª Subdivisão Policial, margeando a Avenida Mandacaru, já estavam ocupados e valorizados.

Foi também ele quem criou e vendeu a Vila Esperança em pleno cafezal, e a Vila Christino, ao lado da rodoviária.

Held teve uma das mais brilhantes trajetórias como loteador, sendo o ‘inventor’ do Jardim Alvorada e criou ainda cidades como Alto Paraná, Terra Roxa, Cidade Gaúcha, Altamira do Paraná, abriu loteamentos em Osasco (SP) e o primeiro bairro classe A de Londrina, o Jardim Shangri-la.

 

Quilômetros à frente

O homem que loteou o Jardim Alvorada morreu no dia 12 de agosto de 1979 quando o avião em que viajava com o piloto e um amigo caiu em Guaíra. Tinha 61 anos e vivia seu período de maior produção.

“Ele era um homem além de seu tempo, percebia um bom negócio muitos anos antes das outras pessoas”, diz a filha Denise de Held Saninet, proprietária de um cartório em Londrina. “Quando ele e o sócio Adelino Boralli, outro jovem de visão, decidiram comprar uma fazenda próxima a Londrina para criar um loteamento de alto padrão, outras pessoas acharam que era loucura, mas o Jardim Shangri-la é um sucesso e atraiu outros loteamentos para aquela região da cidade”.

 

Alvorada

Compradores de terrenos e corretores no lançamento do loteamento Jardim Alvorada, em 1962

Compradores de terrenos e corretores no lançamento do loteamento Jardim Alvorada, em 1962

“Ele se antecipou ao êxodo rural”, conta Lucília de Held Costa Curta, filha de Lucílio que nasceu e mora em Maringá. “No início da década de 1960 ele percebeu que muitas famílias começavam a deixar as lavouras de café para vir morar nas áreas urbanas, onde teriam melhores condições para os filhos, principalmente nos estudos. Foi por isto que ele saiu criando novos núcleos urbanos que viraram cidades e loteamentos onde os terrenos seriam vendidos por valores ao alcance do trabalhador”.

Na criação do maior loteamento da história de Maringá, o Jardim Alvorada, Lucílio de Held contou com o apoio do engenheiro russo Alexandre Rasgulaef, que projetou a área urbana de Londrina e tinha deixado a Companhia Melhoramentos e passou a prestar assessoria técnica à Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural (Codal), de Held. Foi o russo que vendeu para a Codal sua Fazenda Santa Lina, uma área de 182 alqueires de terras que se estendiam entre a Avenida Morangueira e o Ribeirão Morangueiro, desde a Rua Caxambu até próximo de onde hoje passa o Contorno Norte.

 

Aventureiro

Lucílio era paulista de Ribeirão Preto, mas saiu da casa dos pais ainda menino, trabalhou em cidades do interior de São Paulo e com 17 anos chegou a Londrina, cidade que na década de 1940 ainda estava em formação. Trabalhou em diversas áreas, até descobrir o ramo imobiliário.

Jovem de visão, percebeu oportunidades, mas como não tinha dinheiro, recorreu ao amigo Adelino Boralli, mais jovem e mais experiente do que ele. Juntos criaram a Imobiliária Ypiranga, que comercializou muitos terrenos em Londrina, até que perceberam que criar loteamentos era muito mais vantajoso. Apesar dos inúmeros empreendimentos no Paraná, Boralli continuou morando em São Paulo, onde tinha outros negócios.

Embora tenha atuado muito em Maringá e até constituído família na cidade, Lucílio de Held sempre teve sua base em Londrina.

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Morre o ex-vereador e radialista Ary Bueno de Godoy, aos 74 anos

Ary era um dos mais antigos radialistas de Maringá em atividade   Foto: site Lauro Barbosa

Ary era um dos mais antigos radialistas de Maringá em atividade Foto: site Lauro Barbosa

Maringá perdeu na tarde desta sexta-feira um dos mais antigos e respeitados radialistas, Ary Bueno de Godoy, de 74 anos, que padecia de um câncer no fígado. Ele foi vereador e um dos pioneiros da televisão em Maringá e no norte do Estado.

Morador em Maringá desde criança, ele foi um dos criadores da histórica “Equipe de Ouro”, na Rádio Cultura, junto com Ferrari Júnior (Arleir Tilfrid Ferrari Junior), que morreu em janeiro deste ano. A equipe foi destaque nos áureos anos do Grêmio Esportivo Maringá, bi-campeão estadual, e do Grêmio de Esportes Maringá, que foi campeão estadual em 1979.

Na década de 1970, ABG, como era chamado, integrou a equipe de jornalismo da TV Tibagi, em Apucarana, e depois retornou a Maringá, apresentando programas musicais e de esportes na Rádio Cultura. Nesta época foi também o responsável pelo esporte da TV Cultura – Canal 8, hoje RPC.

Na década de 80, com os também vereadores Noboru Yamamoto, Massao Tsukada e Miguel Grillo, com o governador Álvaro Dias e o deputado estadual Ferrari Júnior   Foto: Arquivo

Na década de 80, com os também vereadores Noboru Yamamoto, Massao Tsukada e Miguel Grillo, com o governador Álvaro Dias e o deputado estadual Ferrari Júnior Foto: Arquivo

Na década de 1980, foi candidato a vereador e acabou eleito, ao passo que o amigo Ferrari foi eleito deputado estadual.

Nos últimos anos ABG integrou a “Equipe Pinga-Fogo”, tanto na Rádio Nova Ingá quanto na TV Maringá.

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