Mês: setembro 2016



Uma rua que cruza duas vezes a Avenida Brasil

A Rua Santa Joaquina de Vedruna foi a última a ser aberta no Maringá Velho, núcleo urbano que deu origem à cidade de Maringá. Na época, era a mais distante do ponto inicial da povoação, mas acabou tornando-se uma das mais importantes da pequena comunidade, pois foi nela que a religião católica deu início com a construção da primeira capela da área urbana. No trajeto também foram construídas a primeira escola, a primeira relojoaria, a primeira padaria e, na esquina com a Avenida Brasil, um dos maiores estabelecimentos comerciais dos primeiros anos, a Casa Planeta.

A Capela Santa Cruz, mais antigo templo religioso de Maringá, é ponto turístico e ponto de referência no Maringá Velho  Foto: Edu Correia

A Capela Santa Cruz, mais antigo templo religioso de Maringá, é ponto turístico e ponto de referência no Maringá Velho Foto: Edu Correia

O que a maioria dos maringaenses certamente desconhece é que a Santa Joaquina de Vedruna é a mais longa rua do Maringá Velho, cruza duas vezes a Avenida Brasil e duas vezes encontra-se com a linha férrea. Isso é, ela nasce na linha e termina na linha, não sem antes percorrer toda a Zona 5.

Segundo o historiador João Laércio Lopes Leal, a comunidade nasceu no cruzamento da Avenida Brasil com Rua Jumbo (hoje, Doutor Lafayette da Costa Tourinho) e, aos poucos, expandiu-se ao longo da Brasil, em direção onde, hoje, está a escultura do Peladão.

Em 1946, a comunidade católica se movimentou para construir uma capela. A implantação de um cruzeiro marcou o lançamento da pedra fundamental da capela Santa Cruz

Em 1946, a comunidade católica se movimentou para construir uma capela. A implantação de um cruzeiro marcou o lançamento da pedra fundamental da capela Santa Cruz

 CapelaAssim, a Santa Joaquina foi a última rua transversal a ganhar importância.
Por volta de 1946, a comunidade, que se reunia nas casas para as rezas e novenas, decide construir uma capela e o terreno vazio encontrado ficava na esquina da Brasil com a Santa Joaquina. Ali foi construído o pequeno templo de madeira, que mais tarde ganhou o nome de Capela Santa Cruz.

No mesmo ano, a comunidade – que tinha que tomar todas as iniciativas, porque o lugar não tinha prefeito -, decide construir uma escola e mais uma vez o terreno encontrado ficava na Santa Joaquina de Vedruna, nascendo assim a Escola Avançada Visconde de Nacar; hoje, Colégio José Gerardo Braga.

Primeiro prédio

Foto da década de 1940 mostra em primeiro plano a Casa Planeta e mais ao fundo o primeiro prédio da cidade, onde nasceu a Relojoaria Ômega Foto: Arquivo maringa.com

Foto da década de 1940 mostra em primeiro plano a Casa Planeta e mais ao fundo o primeiro prédio da cidade, onde nasceu a Relojoaria Ômega Foto: Arquivo maringa.com

Os imigrantes japoneses Toshimi e Noriyasu Ishikawa compraram um terreno e construíram, de madeira, um prédio de dois andares, onde instalaram a Relojoaria Ômega, a mais antiga de Maringá. O prédio deles foi o primeiro de Maringá com mais de um andar.

O jovem Ernesto Paiva criou lá a Padaria Arco-Íris e a família Planas construiu, toda em alvenaria, a Casa Planeta, que tinha 10 portas e vendia para as pessoas que moravam nas muitas fazendas de café da região, com entrega em domicílio.
Com o passar dos anos, a rua ganhou também o Colégio Santa Cruz, primeiro estabelecimento particular da cidade.

Mais adiante, para dentro da Zona 5, ganhou outra escola particular, o Colégio Filadélfia. O terreno da escola depois foi vendido para um grupo de empresários, que conseguiu a concessão de um canal de televisão. Nessas instalações nasceu a TV Cultura – Canal 8, que no início transmitia programação própria, local, e alguns programas que conseguia de grandes emissoras, como Tupi, Bandeirante, Record e Excelsior, até que, em 1975, conquistou o direito de retransmitir a Rede Globo, que àquela altura já era a principal do Brasil.

A Santa Joaquina passa também pelo Teatro Calil Haddad, cujo nome homenageia um jovem que cresceu no Maringá Velho.

A rua, que nasce na linha férrea sobe paralela à Avenida 19 de Dezembro, continua paralela à Avenida Independência e depois à Avenida Luiz Teixeira Mendes, voltando a cruzar a Brasil, próximo à Praça Geoffrey Wilde Diment, onde termina a avenida. Mas, a Santa Joaquina segue ainda até a linha férrea, dois quarteirões adiante.©

 

Nome de santa, mas já foi de córrego

A Rua Santa Joaquina de Vedruna só ganhou este nome em 1959, quando uma Lei Municipal aprovada na Câmara criou a nova denominação para a antiga Rua Moscados.

Segundo o historiador João Laércio Lopes Leal, do Patrimônio Histórico, “as ruas do Maringá Velho tinham nomes de córregos, mas desde o início se sabia que seriam mudados”. As ruas eram como que estradas que levavam aos córregos de onde receberam o nome.

A Moscados teve o nome mudado a pedido da Congregação das Irmãs Carmelitas da Caridade de Vedruna, que criou o Colégio Santa Cruz, construído ao lado da primeira capela da cidade.

A homenageada Joaquina de Vedruna de Mas (em catalão: Joaquima) é uma santa católica espanhola, que viveu no século 18 e foi fundadora da Congregação das Carmelitas, dedicada à Educação e à caridade. Nascida em 1783, em Barcelona, morreu em 1854.

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O Homem do 120 ajudou a criar o ‘MDB velho de guerra’

O Homem do 120. Assim era chamado o empresário Alaydio Gaspar na década de 1960, quando foi candidato a vereador e acabou integrando a Câmara de Maringá na legislatura que fez história por, dois anos depois de eleita, gerar três deputados federais – Ary de Lima, Wilson Brandão e Walber Guimarães – e um deputado estadual, o cartorário Antonio Facci.

Os mais novos podem estranhar o nome, mas os maringaenses mais antigos certamente se lembram que os termos “120” e “130” denominavam os extremos de Maringá pela BR-376. O Km 120, na divisa com o município de Marialva – Sarandi ainda não existia –, ficava separado da área urbana por fazendas de café a partir da Avenida Tuiuti, e era lá que ficava o histórico Posto 120, de propriedade de Gaspar.

Aos 82 anos e ainda trabalhando, Alaydio Gaspar diz que se decepcionou quando o PMDB inchou com gente de ideologia diferente da do partido original

Aos 82 anos e ainda trabalhando, Alaydio Gaspar diz que se decepcionou quando o PMDB inchou com gente de ideologia diferente da do partido original

Na eleição de 1968, Gaspar teve votos em 151 das 153 urnas do município, mas nas fazendas que existiam onde hoje estão o Jardim Internorte, Vila Nova, Vila Morangueira, Jardim Liberdade e Jardim América ele foi disparado o mais votado, com números comparáveis aos dos dois principais candidatos a prefeito, Adriano Valente e João Paulino.

Tubarão X Pé-de-chinelo

Alaydio era novato em política e virou candidato por insistência do grupo que lutava para criar na cidade o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) após o golpe militar de 1964 acabar com todas as legendas partidárias existentes até então. “Alguns dos principais líderes políticos maringaenses, como Renato Celidônio, Silvio Barros, Renato Bernardi e Walber Guimarães, me procuraram para participar da criação do MDB e acharam que eu tinha certa liderança naquela região da cidade para ser candidato a vereador”, conta.

Já estava certo que o candidato a prefeito pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido ligado ao governo militar, seria o então deputado federal João Paulino, nome mais forte da política local, e o MDB não tinha ninguém forte para enfrentar JP. “Fomos em caravana convidar o doutor Adriano [Valente], que tinha perdido a eleição anterior e estava sem partido”.

O novo partido precisava ter candidatos à Câmara para fazer legenda e o dono do Posto 120 decidiu testar sua popularidade e acabou eleito no pleito em que o advogado Adriano Valente, com a política do pé-de-chinelo contra o tubarão, derrotou João Paulino.

Inspiração paterna

A liderança de Gaspar na época vinha do fato de ser morador antigo, desde a época em que Maringá ainda era distrito de Mandaguari, mas muito foi inspirado no seu pai, João Augusto Gaspar, um português que era empreiteiro em fazendas de café no interior de São Paulo, na região de São José do Rio Preto, e veio conhecer Maringá em 1949 a convite de um corretor de terras da Companhia Melhoramentos.

“Nosso contrato de empreitada tinha terminado e viemos conhecer as terras roxas do Paraná, meu pai, eu e o dono da fazenda em que trabalhávamos”, conta Alaydio. “Quando vimos o vigor da terra e as cidades nascendo no meio da mata, ficamos doidos. Maringá estava começando, mas era uma loucura, com tantos caminhões de mudança chegando, empresas nascendo daqui e dali, casas sendo construídas, bairros sendo abertos. Não pensamos duas vezes”.

O português comprou uma casa na Vila Santo Antonio e terra para formar um cafezal na região de Nova Esperança. Foi na Santo Antonio que Alaydio, na época um garoto de 16 anos, o mais velho de nove irmãos, viu a liderança do pai. “A vila era nova e faltava quase tudo”, conta. “A Escola Rodrigues Alves ficava próxima à igreja e não tinha salas em número suficiente para todos os alunos e a região ainda não tinha energia elétrica. Meu pai procurou um deputado de Cambé – Maringá ainda não tinha representantes na Assembleia ou Câmara dos Deputados – e foi ao governador Moisés Lupion, em Curitiba. Rapidamente o governo construiu novas salas na escola e mandou alguns grupos geradores para gerar energia para a área urbana”.

Trabalho

Hoje, aos 83 anos, 67 deles vividos em Maringá, Alaydio Gaspar continua trabalhando na abertura de loteamentos ao lado do filho Carlos Roberto, engenheiro em Cianorte e com empreendimentos em várias cidades, dirige seu carro na cidade e em longas viagens e diz que ainda pretende trabalhar por muito tempo. “Trabalho desde moleque. Desde as lavouras de café do Estado de São Paulo, depois em Maringá, onde fui vendedor da Casa Andó, depois bancário, gerente de banco, tive máquina de arroz, posto de combustível, trabalhei em outras áreas e nunca parei”.

Neste tempo, o empresário casou, teve cinco filhos e continua torcendo pelo desenvolvimento de Maringá. Não pensa mais em política. Viu todas as eleições de Maringá, de Inocente Vilanova a Roberto Pupim, mas diz que se desiludiu depois que viu seu MDB, hoje PMDB, inchar com gente cuja ideologia não coaduna com a do partido original.

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Marialva define praças esportivas para o Bom de Bola

O município de Marialva já está preparado para receber a fase regional do Projeto Bom de Bola, que vai reunir estudantes-atletas nas faixas de 15 a 17 anos (Classe A) e de 12 a 14 anos (Classe B), no feminino e masculino. A competição, programada para ocorrer de 23 a 25 de setembro, contará com alunos de colégios e escolas estaduais e particulares pertencentes ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá. Serão 28 equipes no total, representando 17 municípios.

As disputas, somente na modalidade de futebol, vão acontecer em três praças esportivas: no tradicional Estádio Braz Clementino de Mendonça, que já recebeu grandes eventos, inclusive jogos de Campeonato Paranaense da Primeira Divisão, com o glorioso Grêmio Maringá, e também outras competições da Secretaria de Estado do Esporte e Turismo (SEET), no Estádio Adimi Gonçalves (Vila Brasil), e no campo da Comunidade Santa Luzia.

Os participantes ainda vão contar com o auxílio técnico dos profissionais da Secretaria de Estado da Educação (SEED) do Paraná e da SEET. A Comissão Central Organizadora (CCO) vai atender no Ginásio José Gomes Colhado (Zicão).

Os locais para o alojamento das equipes também foram estabelecidos: Colégio Estadual Pedro Viriato Parigot de Souza, localizado na rua Professor Adhemar Bornia, 307; e no Colégio Estadual Juracy R. Saldanha Rocha, situado na rua Balbina Ramos.

Disputas

Os campeões no feminino e masculino e nas duas classes estarão garantidos na fase macrorregional da competição, que vai ocorrer de 7 a 9 de outubro, novamente em Marialva. Posteriormente, os vencedores da macrorregional se asseguram na fase final da competição, prevista para ocorrer de 30 de outubro a 4 de novembro, em Apucarana.

O Bom de Bola 2016 é realizado pelo Governo do Estado, através das secretarias da Educação e do Esporte e Turismo, com apoio do município de Marialva.

Texto de Orlando Gonzalez

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Desconto na compra de imóvel fica mais difícil

imovel-vendaA instabilidade político-econômica que afetou praticamente todos os setores da economia brasileira e abriu margem para a especulação imobiliária já não afeta o mercado de casas, apartamentos e terrenos em Maringá e as empresas do setor já retomaram os lançamentos para estabilizar o número de unidades disponíveis na praça. Esse movimento já atinge a política de descontos que se via até poucos meses atrás.

Os reflexos da crise no mercado imobiliário aconteceram em todo o Brasil, embora em Maringá o impacto tenha sido menor. Com medo do que poderia ocorrer, clientes adiaram a compra de casa ou apartamento e isto fez com que o volume de estoque aumentasse muito, obrigando construtoras e imobiliárias a oferecer descontos atrativos para conseguir vender.

Em algumas regiões o problema foi mais contundente e as transações imobiliárias ficaram quase paradas, abrindo oportunidade para que pretendentes a compra, se estivesse com dinheiro, ‘fizessem o preço’ na hora de comprar.

Claudiomar Sandri destaca que o setor imobiliário de Maringá é forte e se recuperou rápido diante das dificuldades econômicas do País

Claudiomar Sandri destaca que o setor imobiliário de Maringá é forte e se recuperou rápido diante das dificuldades econômicas do País

Pode ser que isto ainda ocorra em algumas regiões do País e até mesmo aqui no Paraná, mas em Maringá os preços voltaram a se estabilizar e os valores que estavam fora de mercado se adequaram”, diz o presidente da Central de Negócios Imobiliários de Maringá e diretor da Imobiliária Sandri, Claudiomar Sandri. Segundo ele, já há alguns meses que as construtoras de Maringá estão segurando os aumentos de preço e praticando um preço atrativo, suficiente para dar liquidez ao mercado.

Agora, as construtoras e imobiliárias preferem outras bases de negociação, oferecendo outras facilidades para que o cliente seja beneficiado. Uma delas é o parcelamento da entrada durante a obra. Assim, em um lançamento – dependendo da construtora – o cliente terá três anos para pagar o valor que deveria pagar praticamente à vista para comprar o imóvel pronto.

De acordo com Sandri, é evidente que o mercado ainda não alcançou patamares como os de 2011 e 2012, mas não se compara com a situação, por exemplo, do ano passado, quando a situação foi realmente crítica.

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Bolo da Madre chega ao shopping

Uma nova loja da Bolo da Madre será aberta ao público nesta quinta-feira (dia 15) na ala de serviços do Maringá Park. Trata-se do segundo endereço da franquia na cidade e lá serão comercializados os mais de 30 sabores de bolos, com dez opções de cobertura, incluindo os carros-chefes churros, pamonha, sonho, fubá e parabéns de brigadeiro.

Bolo da Madre 1O novo local foi estrategicamente pensado por Sandra Baquete Barros. Ela queria instalar o segundo endereço na ala de serviços, que fica no estacionamento do shopping, para que os consumidores possam levar os conhecidos bolos da franquia para casa. Para isto, ela teve que aguardar ‘vagar’ um espaço por alguns meses – a loja que lá estava precisou mudar para um espaço maior no shopping. Confiante, Sandra acredita que terá o retorno do investimento dentro de um ano.

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Muito antes da Tuiuti, Antonio Luca já estava lá

Muito antes de a Avenida Tuiuti cruzar a Avenida Colombo e espalhar dezenas de loteamentos naquela parte da zona norte de Maringá; muito antes de o engenheiro Alexandre Rasgulaeff morrer e se tornar nome de uma das principais vias da cidade, Antônio Marcos Lucas já vivia onde hoje se encontram as avenidas Tuiuti e Alexandre Rasgulaeff. Da esquina das vias famosas, ele pode olhar ao redor e ver que dezenas de famílias vivem, atualmente, em terras que foram de propriedade dele. E nem sabem disso.

Antonio Lucas continua vivendo na sua zona rural em plena área urbana

Antonio Lucas continua vivendo na sua zona rural em plena área urbana

Antônio Marcos e o irmão Geraldo Eliseu eram dois rapazotes quando chegaram, acompanhando o pai, o pioneiro Emílio Lucas, um italiano que, desde menino, trabalhava com café e no fim da década de cinquenta do século passado comprou um sítio de cinco alqueires, após a repartição da antiga Fazenda Santa Alice.

Emílio tinha feito um excelente negócio, pois o cafezal já estava formado e cabia à família Lucas apenas fazer a colheita todos os anos.

Estávamos acostumados à vida rural e nada causava estranheza”, diz Antônio. Não intrigava, por exemplo, que o comércio mais próximo fosse a Casa Fuganti, no Centro, alguns quilômetros distante, com sol ou barro, de carro, carroça ou cavalo. Não incomodava que não tivesse escola por perto, nem qualquer unidade de Saúde. A igreja mais próxima ficava na estrada Guaiapó ou na Venda 200.

Para quem vive na cidade, é difícil entender que estas distâncias não eram problema e ainda tínhamos muito com que nos divertir, como as partidas de futebol dos fins de semana, festas de igreja e o carteado em nossa própria casa ou na casa dos amigos”, conta. “Tinha gente que vinha de sítios ou fazendas distantes para um joguinho aqui em casa”, recorda Antônio.

Adeus aos vizinhos

Ali, vizinho de desbravadores como as famílias Taguchi, Falavinha, Tanaka, Tukuda, Ramiro, Zé Português, Alexandre Rasgulaeff (onde hoje está o Jardim Alvorada) e Alfredo Nyffeler, o garoto de 22 anos formou família, criou seis filhos e viu o cafezal que cobria a região ser torrado pelas geadas de 1975, virar lenha em 1976 e ser substituído por milho, algodão, arroz e trigo a partir de 1977. Um pouco mais tarde chegou a soja, que dominou a região.

Nos anos seguintes, Antônio viu sitiantes e fazendeiros vender as terras e irem tentar a sorte em outras regiões ou simplesmente mudar-se para a cidade para se aventurar em outros ramos. Muitos foram para áreas novas no Mato Grosso, Rondônia e no sertão de Goiás, onde nasceu o Estado do Tocantins.

Também nos anos seguintes viu a Avenida Tuiuti – que antes era apenas alguns quarteirões entre a Praça Souza Naves e a Avenida Colombo, com poucas construções – ser aberta em direção ao norte, onde antes era só café. Era a expansão da Vila Morangueira e o nascimento de bairros como os jardins Pinheiros, Dourados, Oásis, Novo Oásis, Itaparica, Paulino Carlos, Santa Alice, São Francisco, Batel, Champagnat, Campos Elíseos e Piatã. E o sítio dos Lucas teve parte desapropriada, uma das casas teve que ser demolida, para a passagem da nova avenida.

Com a transformação do antigo cafezal em área urbana, a família Lucas viu que seria vantagem lotear a propriedade. A Loteadora Santa Alice se encarregou de transformar a área em dezenas de datas e os Lucas investiram o dinheiro da venda na compra de alguns alqueires na terra roxa, plana e fértil de Itambé, onde há quase 20 anos planta soja e milho safrinha.

Vendemos, mas eu quis ficar com um pedaço do nosso antigo sítio, este pedaço onde nasceram meus filhos, meus netos e agora os bisnetos”, conta Antônio, que mantém uma área de quase três hectares no coração da zona norte, cercada de empresas e moradias.

Somos gente do campo, passamos toda nossa vida lidando com plantações, por isso, faço questão de manter uma chácara aqui, mesmo que toda a área em volta esteja bastante valorizada”, diz.

Segundo ele, ali tem o que todo roceiro quer: espaço aberto, área para manter mangueiras, abacateiros e outras árvores frutíferas, cana, mandioca, um pouco de milho e a horta que abastece as casas dele e dos filhos, tudo produzido sem adubos ou defensivos químicos.

O chacareiro urbano diz que leva a vida que muitos gostariam: poder viver no campo com todos os benefícios de estar na cidade. Afinal, a chácara dele está na esquina das duas avenidas mais importantes daquela área da cidade, a Tuiuti e a Alexandre Rasgulaeff, ambas abertas pegando parte da propriedade dos Lucas.

Esta região não era cidade nas primeiras décadas que vivemos aqui, sabíamos que Maringá ia crescer, mas não imaginávamos que toda esta área viraria cidade por tão cedo. E o perímetro urbano chegou com a infraestrutura que podemos encontrar em qualquer bairro da cidade, inclusive no Centro”, destaca.

A lamentação do pioneiro é que, ao chegar aos 80 anos, muitos dos amigos antigos já morreram ou foram embora. “Perdemos amigos antigos, mas chegaram muitas famílias, onde pudemos encontrar novos amigos”, ressalta.

 

Loteamento de fazendas deu origem à zona norte de Maringá

A região conhecida por Tuiuti – não há na cidade um bairro com esse nome – é formada por mais de 10 bairros e se originou de fazendas formadas a partir de 1948, como a do desbravador Mitsuzo Taguchi, um dos primeiros moradores de onde nasceu Maringá.

A parte que leva o nome de Vila Morangueira pertenceu ao gerente da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, Alfredo Werner Nyffeler, que recebeu a área onde implantou a Fazenda Maringá, como parte dos pagamentos a que tinha direito na empresa que colonizou a cidade.

Todas as fazendas na margem norte da rodovia federal (hoje Avenida Colombo) eram de diretores da Melhoramentos, recebidas como pagamentos.

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Nos tempos da pinguela e das capivaras

Pela janela da cozinha de casa, o ex-caminhoneiro Luiz de Oliveira Ruella, 86 anos, tem diante dos olhos um dos mais conhecidos cartões postais de Maringá, o Parque Alfredo Werner Nyffeler, e pode comparar com as recordações que guarda, dos tempos em que ali estava um matagal fechado, onde se via os mais diferentes pássaros, de tamanhos, cores e cantos variados, e de onde saíam cobras, lagartos e outros animais, entre eles capivaras.

Parque BuracaoTalvez por terem conhecido o local em épocas remotas que Ruella, os familiares e vários vizinhos dele – também antigos no local – ainda se referem ao cartão postal como “Buracão”. Quando muito, “Parque Buracão” ou “Buracão do Alfredo Nyffeler”.

Quando se mudou para Maringá, vindo de Ouro Verde, região de Altônia, a parte da Vila Morangueira onde mora ainda era uma área de pequenos sítios e chácaras, e a Rua Havaí, onde está a casa, era um carreador. O local em que está o parque ainda nem era conhecido como Buracão, era apenas um matagal, que guardava a nascente de um córrego.

“Quem queria um atalho para a cidade tinha que passar por trilhas no meio da mata”, conta Ruella, que lembra que sobre o córrego havia uma pinguela, feita com alguma árvore que caiu ligando as duas margens. “De vez em quando a gente ficava sabendo que alguém tinha caído da pinguela e houve o caso de uma pessoa que morreu, possivelmente, por causa da queda”, recorda.

Do lixão ao parque

O local passou a ser chamado de Buracão, depois que foi desmatado e, por falta de cobertura vegetal, surgiu uma imensa erosão. Como está em uma região baixa, para lá corriam as enxurradas da Vila Morangueira e do Jardim Alvorada, fazendo com que a voçoroca crescesse a cada chuva. E a área degradada tornou-se um “bota fora”, que recebia descarte de entulhos, de ferro velho, um verdadeiro lixão a céu aberto.

No fim de década de oitenta do século passado, ainda durante primeira a administração do prefeito Said Ferreira, a prefeitura decidiu combater a erosão com a revitalização do local. Afinal, era necessário proteger a nascente do Ribeirão Morangueiro, um dos principais mananciais de Maringá e subafluente do Rio Pirapó, que abastece a cidade.

Em uma área de 104 mil metros quadrados foi desenvolvido um projeto que inclui um lago artificial, dois campos de futebol suíço, parque infantil, pista de corrida, mirante, churrasqueiras, áreas de jardins e muitas árvores.

O parque é aberto para pescarias, oferece espaço para exercícios físicos e mais recentemente criou um campo para a prática de rugby, nova modalidade olímpica.
“Eu e meus vizinhos vimos toda a transformação. Primeiro era o mato. Depois, sobrou a erosão e daí vieram as máquinas e construíram o lago para, em seguida, ganhar a forma de parque”, conta Luiz Ruella.

De acordo com ele, o surgimento do parque foi muito importante para a Morangueira, bairros ao longo das avenidas Tuiuti, Pedro Taques e Colombo. “Quem podia imaginar que aquele buracão seria um dos pontos turísticos da cidade, atraindo visitantes de várias cidades?”, ressalta.

 

Nyffeler era dono do buraco

O nome do gestor Alfredo Werner Nyffeler não foi escolhido para nomear o parque da Vila Morangueira por acaso, nem por puxa-saquismo. Ele e o buração já estavam ligados há muito tempo, pois era o proprietário da famosa Fazenda de Maringá desde a década de 1940 e era dentro dela que estava a nascente do Ribeirão Morangueiro, que depois virou uma enorme erosão e ganhou o nome de Buracão.

Alfredo Nyffeler foi o diretor da Companhia Melhoramentos que 'inaugurou' Maringá no dia 10 de maio de 1947

Alfredo Nyffeler foi o diretor da Companhia Melhoramentos que ‘inaugurou’ Maringá no dia 10 de maio de 1947

Além disto, a cidade estava em dívida com Nyffeler, que foi gerente da Companhia Melhoramentos em Maringá durante 25 anos, inclusive quando foi lançado o projeto da cidade, no dia 10 de maio de 1947.

Ele e sua família foram os primeiros moradores do Maringá-Novo. A casa, toda feita em madeira, foi construída no meio da mata, mas quando a mata foi derrubada ela ficou exatamente no Centro, na Avenida Brasil, entre a Avenida Duque de Caxias e a Praça Raposo Tavares, e em volta dela nasceu a cidade que Maringá é hoje. Hoje, a casa que foi de Alfredo Nyffeler abriga o Museu da Bacia e está exposta na entrada do câmpus da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ao lado da Reitoria.

 

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Um lugar para os chorões

N 1ão há quem possa resistir / Quando o chorinho brasileiro faz sentir, / Ainda mais de cavaquinho, /Com um pandeiro e um violão / Na marcação”. Agora, o maringaense pode conferir, sentir e participar do que diz a letra do antológico “Brasileirinho” em um ambiente criado para reunir os amantes da primeira música urbana brasileira, o chorinho.

A Varanda – Lanchonete e Petiscaria – começou a funcionar, há um mês, na Avenida Mauá, próximo ao cruzamento com a Avenida Tuiuti, onde os frequentadores encontram nas noites das quintas e sextas-feiras o melhor de gênios como Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e outros que entraram para a história por elevarem o nível da música popular brasileira com obras que superam o tempo.

Quem chega à Varanda encontra um grupo de chorões com uma formação tradicional, com cavaquinho, bandolim, violão de sete cordas e pandeiro. Mas, outros amantes do choro podem, esporadicamente, integrar o conjunto com flauta, saxofone, trombone e outros instrumentos.

De casa para o boteco

Com a abertura da Varanda, próxima à Rodoviária, o chorinho ganhou um reduto em Maringá  Foto: João Cláudio Fragoso

Com a abertura da Varanda, próxima à Rodoviária, o chorinho ganhou um reduto em Maringá Foto: João Cláudio Fragoso

“Somos amantes do choro e já fazíamos, em casa, reuniões para tocar e trocar informações”, conta Juliano Bitencourt, solista de cavaquinho e bandolim. “Aí, como meu sogro [Jason Castro] e um sócio decidiram abrir o restaurante, surgiu a oportunidade de termos um local para continuar o que já fazíamos, mas, agora, com a presença de público, que pode ouvir as grandes composições, degustando uma cervejinha gelada ou uma porção”, destaca.

Assim, o que era apenas um grupo de amigos, tocando descompromissadamente, virou um conjunto musical, ensaiado e com repertório, cuidadosamente, elaborado. Um dos componentes é Geraldo Bitencourt, o Geraldinho do Cavaco, primeiro maringaense a dedicar-se à divulgação do choro, na região, e pai de Juliano.

“Além dos chorões mais famosos, como Pixinguinha, Jacob e Waldir Azevedo, trazemos para o público outros criadores de grandes obras que fizeram grande sucesso ao longo das últimas cinco ou seis décadas, como Patápio Silva, Luperce Miranda, K-Ximbinho, Abel Ferreira, Joaquim Calado, Garoto, Radamés Gnattali e Zequinha de Abreu, autor de “Tico-tico no fubá”, uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo”, conta Juliano.

Vez do samba

Geraldinho do Cavaco e o filho Juliano já tocaram em várias casas noturnas da região, principalmente no início da Casa de Bamba. Também animaram tardes em bares do Mercadão Municipal e ao formarem o grupo trouxeram músicos como Ricardo Sete Cordas, no violão, e o percussionista Pezinho, no pandeiro. Bebezão é o vocalista, mas de vez em quando o grupo é enxertado por gente como Ronaldo, Édipo, Paulo do Sax, Andro, Gideon do Trombone, Rafael Sete Cordas e outros.

Além de ser o reduto do choro nas quintas e sextas-feiras, a Varanda vira reduto do samba aos sábados, quando desfilam sucessos de gente do primeiro time da música, como Paulinho da Viola, João Bosco, Chico Buarque, Tom Jobim, Martinho da Vila, Cartola, Nélson Cavaquinho, Gonzaguinha, Jorge Aragão, Adoniran Barbosa, Dona Ivone Lara, Noel Rosa e tantos outros.

Como ocorre em outras casas que oferecem música, é cobrado um couvert artístico e os frequentadores têm a opção de ouvir a música tanto dentro da lanchonete quanto na calçada. A bebida e os petiscos são vendidos a preços normais.
Assim, a Varanda, criada para oferecer almoço, passa a ter atividades também à noite, para o bem dos amantes da MPB e dos músicos, que passam a ter um local para mostrar a arte deles e ainda ganhar algum dinheiro.

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Cavaco mudou a vida de Geraldo

Cavaquinista é cidadão benemérito de Maringá

Cavaquinista é cidadão benemérito de Maringá

Acima de fotos de ícones como Pixinguinha, Chico Buarque e Cartola, está uma foto de Geraldo Bitencourt de Lima, 75 anos, não por acaso conhecido como Geraldinho do Cavaco.

O Cavaco virou sobrenome, porque o instrumento está colado ao peito de Geraldinho desde que ele era menino e não fosse essa união talvez Geraldo fosse apenas mais um pintor de parede de Maringá, pouco conhecido e sem qualquer relação com a arte.

Hoje, Geraldo é Cidadão Benemérito de Maringá, título recebido com muita pompa em sessão especial da Câmara Municipal. E que fique claro: a homenagem foi para o artista, o músico, o mais conhecido cavaquinista que já viveu por estas paragens, não para o cidadão, pai de família e profissional da pintura.

Com cinco CDs e um DVD na praça, Geraldinho e seu cavaquinho já acompanharam gente célebre, como Cauby Peixoto e Neguinho da Beija-flor.

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Portal da Transparência chega aos condomínios residenciais

De qualquer lugar o condômino pode acompanhar todos os gastos de seu condomínio

De qualquer lugar o condômino pode acompanhar todos os gastos de seu condomínio

Uma administração onde qualquer morador, a qualquer hora do dia, e a partir de qualquer lugar, possa abrir o computador, tablet ou smartphone e conferir todas as despesas do condomínio, desde obras de conservação e manutenção até o pagamento do funcionário da limpeza, da aquisição de um equipamento à troca de lâmpadas.

Um portal da transparência do gênero já é realidade em Maringá. O idealizador do sistema, o empresário Marcelo Liberati, proprietário de uma empresa que administra condomínios, destaca ser uma tendência, sem retorno, e, em pouco tempo, estará à disposição de condomínios de todo o País.

Um dos principais problemas na gestão de condomínios é a falta de distribuição do demonstrativo mensal das contas e da receita. Hoje, no entanto, 212 dos mais de mil condomínios maringaenses já disponibilizam, mensalmente, a prestação de contas com gastos fixos e variáveis, recolhimento de impostos, contratação de serviços, além do que ficou reservado para eventuais emergências.

O programa é maringaense e começou a ser elaborado pela empresa de Liberati, em 2013, embora uma administradora de São Paulo também tenha produzido um sistema do gênero e já realiza trabalho semelhante.

De acordo com Liberati, a transparência na administração é um desejo de todos que moram em condomínios verticais ou horizontais, mas normalmente é quase impossível ter acesso a todas as despesas. “A existência da internet facilitou a comunicação com os condôminos e nossa administradora disponibiliza uma equipe para digitalizar todas as notas de despesas feitas pelos síndicos. A partir de certo dia do mês, todos os gastos estarão à disposição no site da administradora”, destaca.

O portal não somente servirá para que os moradores acompanhem de perto as saídas e entradas de dinheiro, como ajudará os síndicos a trabalhem mais organizados, evitando deixar para depois comprovantes que precisam ser apresentados aos condôminos. Assim, o trabalho do síndico deixará de levantar desconfianças e comentários, porque os atos dele serão acompanhados passo a passo e qualquer pessoa poderá pedir explicações se a prestação de contas apresentar algum fato suspeito.

Menor risco

Uma vez colocadas na rede, as despesas do condomínio ficarão à disposição indefinidamente, podendo ser consultadas mesmo depois de vários meses ou anos. Além disso, não haverá o risco de perda, nem mesmo em casos de incêndios.

“O morador tem o direito de não precisar pedir algo a ninguém. Com o sistema, ele poderá ter mais interesse em acompanhar a gestão do prédio dele, porque não precisará recorrer ao síndico para conferir esta ou aquela despesa, conferir atas de convenções ou os balancetes que vão para o Conselho Fiscal”, ressalta. Segundo ele, os condôminos, independentemente de ser dono ou inquilino do imóvel, terão acesso ao demonstrativo todos os meses, como está previsto na lei do inquilinato.

A implantação do portal da transparência não foi tão simples quanto parece. Nem todos os síndicos têm interesse que os moradores acompanhem todos os passos deles. No início, o sistema provocou reclamações, a ponto de alguns síndicos renunciarem ao cargo.

“Não é que alguns síndicos sejam desonestos, mas, às vezes, o estilo de gestão dele, deixando despesas de um mês para serem apresentadas em outro mês ou talvez não preparando os balancetes a cada mês, não agradem aos demais moradores, que podem exigir mais organização, maior rapidez na apresentação dos comprovantes de despesas”, diz Liberati, lembrando que a transparência pode não agradar a todos.

“Mas, será questão de tempo”, avalia. A transparência na gestão do bem comum é uma necessidade, tanto nos governos quanto em qualquer lugar, como nos condomínios. Logo, todos verão as vantagens ao sentirem que o dinheiro deles está sendo administrado às claras e os síndicos terão a tranquilidade ao saber que ninguém pode mais desconfiar do trabalho dele.

Marcelo Liberati e a sócia Páblia dizem que a transparência nos condomínios é um processo irreversível

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O mecanismo estará à disposição de todos os moradores por iniciativa do próprio condomínio, que criará uma senha para cada imóvel. O síndico deverá entregar para digitalização material semelhante aos balancetes que remete ao Conselho Fiscal e a administradora de condomínios fará o restante do serviço.

Por meio do Núcleo Setorial da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), Liberati vai repassar a tecnologia também às demais administradoras de condomínios da cidade e, acredita, a partir do início do próximo ano, a transparência poderá chegar a todos os condomínios locais.

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