Mês: fevereiro 2017



Entre a beira do Pirapó e a prefeitura, três igrejas na vida de Batistão

Capela de São Sebastião, na localidade Alto Alegre

Como comerciante e, depois, como prefeito de Mandaguari já segundo mandato, Romualdo Batista já viajou por quase todo o Brasil, conheceu as mais belas cidades, os mais belos pontos turísticos, mas o passeio que mais gosta é em Vitória do Alegre, onde vai sempre, muitas vezes sozinho.

Quase ninguém conhece Vitória do Alegre. Hoje é apenas um nome de uma região a 20 quilômetros de Mandaguari, próximo à PR-444, dominada pelos campos de soja e milho, mas no passado era morada de centenas de famílias que trabalhavam nos cafezais que produziam um dos melhores cafés do Brasil.

Romualdo sempre volta, às vezes só para ficar olhando e rememorando os primórdios de seus dias. Foi lá que ele nasceu no dia 10 de maio de 1962, o filho mais velho do casal Inês e Pedro Batista, dois jovens mineiros que plantavam café às margens do Rio Pirapó.

Durante toda a vida, Romualdo Batista esteve envolvido com igrejas. Aqui, na frente da matriz Nossa Senhora Aparecida, que fica em frente à prefeitura e à casa em que ele mora

É na Vitória do Alegre que está enterrado o umbigo de Romualdo. É também lá que estão as primeiras lembranças do menino que tinha o Pirapó no quintal da casa – quando chovia muito, o rio chegava até debaixo da casa de madeira -, que não precisa ter hora para pescar, para nadar com os amigos que moravam nos cafezais, que caminhava a pé, sempre em grupo de piás, até a Escola General Osório, uma típica escolinha do sítio dos anos pioneiros de Mandaguari; que nos domingos pulava cedo da cama, vestia a melhor camisa, a calça Coringa, calçava o Conga ou um sapatão para ir à missa na Igreja São Sebastião. Da igreja lembra também das quermesses e outras festas, onde tinha música de alto-falante, rifas e a molecada correndo e gritando no meio dos adultos. Também era lá que aconteciam as festas dos santos juninos, Santo Antonio, São João e São Pedro, com aquele cheiro de gengibre e de batata-doce assada no ar, sempre com fogueira, rojões, quentão e a molecada correndo e gritando no meio dos grandes.

Como qualquer menino da roça, Romualdo ajudava os pais em tudo, aprendeu a cuidar dos animais, roçar, capinar, plantar e, o que era muito valoroso naquele tempo, a derriçar café. Só não abanava porque a pineira era maior do que ele.

Vitória do Alegre é só saudade, não somente pelas coisas boas da vida de criança, mas também por alguns dos momentos mais tristes que viveu, como no dia em que, aos 10 anos, ele, o pai e os sete irmãos esperavam com ansiedade o nascimento de mais um irmãozinho e de um momento para outro a alegria virou a maior tristeza. Inês morreu de problemas no parto e o bebê nasceu morto.

Foi um período difícil para os Batista. Pedro, ainda jovem, ficou viúvo com sete filhos pequenos.

Três anos depois, outro desencanto: as geadas da noite de 18 de julho de 1975 transformaram o chamado ouro verde em uma paisagem preta de ponta a ponta do Paraná. A cafeicultura do Estado que mais produzia café no mundo se acabou naquele dia, junto com os sonhos de milhares de produtores e de mais milhares dos trabalhadores que viviam nas colônias das fazendas.

Sem cafezal, o cafeicultor Pedro Batista não tinha mais o que fazer na roça e arrastou os filhos para a cidade.

A única diferença não era o habitat. O cafeicultor virou dono de bar e Romualdo, agora com 13 anos, foi estudar em uma escola de tijolos, grande e com muitos alunos. Trocou também a minúscula igrejinha de São Sebastião da Vitória do Alegre pela Paróquia Bom Pastor, no centro de Mandaguari. Tudo ficou diferente. Não tinha mais as pescarias nem as brincadeiras nas águas do Pirapó. Mas, na cidade tinha cinema. O televisor banco e preto pegava os programas infantis da TV Tibagi e a noite tinha novelas, Tarcísio Meira deixava todo mundo babando pela motocicleta gigantesca que exibia na novela “O homem que deve morrer”, bem mais atraente e ligeira que o cavalo alazão do João Coragem.

Nova vida. Nova forma de encarar o mundo. E Romualdo encarou desde cedo, tanto no bar do seo Batista, quando na escola, onde logo terminou o segundo grau como técnico de Contabilidade, o que lhe deu cancha para ser aprovado como funcionário do Banco do Estado do Paraná, o Banestado assim que voltou de um ano cumprindo o Serviço Militar no 30º Batalhão do Exército em Apucarana. E ser bancário naquele tempo era um status e tanto para um garoto. Ser do Banestado, então…

Na Paróquia Bom Pastor, Romualdo foi palestrante em encontros e cursos

O jovem bancário logo virou também universitário e fez o curso de Administração. Foi na faculdade que ele conheceu Vaine Michelan, uma bela jovem maringaense, e dois anos depois estavam casados.

Batista considera muito importante em sua vida a atuação na Paróquia Bom Pastor, onde não conseguiu ser coroinha, mas foi coordenador de comunidade, coordenador de Liturgia, palestrante em cursos de batismo, em cursos de noivos, cursos de casais.

Paralelo a tudo isto vieram as aventuras comerciais. O jovem que deixou o Banestado fez sola de sapatos com pneus velhos, comprou um caminhão, depois trocou o

As botas e botinas Batistão foram vendidas em vários Estados

caminhão por uma carga de sal, depois trocou o sal por um carregamento de couro, cortou o couro e fez alguns calçados e, pouco depois, tinha das maiores indústrias de botas e botinas do país, vendendo para vários Estados.

A Calçados Batistão chegou a ter 75 funcionários e mudou o nome de Romualdo para Batistão e foi com este nome que ele estreou, vitoriosamente, na política.

O comércio é importante para Romualdo, a política é novidade, mas também é tratada com importância, mas sua paixão é a igreja. Três igrejas são marcantes em sua vida: a São Sebastião da Vitória do Alegre, onde tudo começou, a Bom Pastor, onde já fez de tudo, e a matriz de Nossa Senhora Aparecida, bem na frente da janeira de seu gabinete na prefeitura, único prédio entre o gabinete e a casa em que mora com a mulher Vaine e os dois filhos, a jovem advogada Mariana e o jovem engenheiro ambiental Mateus.

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Dinheiro do FGTS vai turbinar o comércio, preveem comerciantes

O primeiro dia de expediente estendido nas agências da Caixa Econômica Federal para a prestação de informações sobre saques de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foi de movimento abaixo das expectativas do banco. A abertura duas horas mais cedo do que o horário normal continua hoje e amanhã e haverá expediente especial das 9 às 15 horas deste sábado, dia 18.

Ana Beatriz fez a consulta pela Internet e evitou a fila no banco        Foto: JC Fragoso

Segundo a Superintendência Regional da Caixa em Maringá, não é possível saber o número de pessoas que procuraram as agências entre as 9 e o horário normal de abertura, às 11 horas, mas sabe-se que mesmo durante o expediente normal muitos trabalhadores procuravam informações se tinham algum dinheiro em conta inativa e como sacá-lo. É o caso do pedreiro Edson Macedo, que ainda não sabia se teria o que sacar, mas se lembrava que há anos deixou um emprego por vontade própria e o FGTS ficou depositado. “Não sei ainda quanto tenho, mas sei o tamanho da necessidade que tenho do dinheiro para regularizar algumas contas”, disse ele. De qualquer forma, como faz aniversário em agosto, Macedo só terá o FGTS em mãos em maio, de acordo com o calendário de liberações estabelecido pela Caixa Econômica, que começa a ser cumprido no dia 10 do mês que vem.

Ana Beatriz da Silva não perdeu tempo em fila de banco. Antenada com as tecnologias modernas, foi direto ao site da Caixa e consultou seu FGTS pela Internet. Em seu primeiro emprego tinha passado 6 anos e meio e saiu para dar continuidade aos estudos. Sabia que tinha direito em conta inativa, só não imaginava que fosse quase R$ 8 mil. “Tudo indica que vou conseguir comprar meu primeiro carro”, vibrou.

Ali Wardani acredita que a liberação do dinheiro em contas inativas vai turbinar o comércio

Esta iniciativa do governo, de liberar depósitos em contas inativas do FGTS, vai dar um gás tremendo na economia”, disse ontem o comerciante Ali Saadeddine Wardani, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sivamar).

A pessoa está trabalhando, tem o seu salário, de modo que este saque será um dinheiro extra, com que ela vai pagar contas e fazer compras de um objeto novo para a casa, para os filhos, uma roupa, fazer uma ampliação na casa. Todos os setores do comércio serão movimentados por este dinheiro novo”, diz Wardani, lembrando que só a região de Maringá terá o ingresso de mais de R$ 500 milhões com os saques do FGTS. “Quando há circulação de dinheiro, todos saem ganhando”.

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Terreno que prefeitura ofereceu ao Tecpar não ficou pronto para a construção

O câmpus que o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) pretendia implantar em uma área de 107 mil metros quadrados no Parque Tecnológico/Cidade Industrial de Maringá foi inviabilizado por falta de infraestrutura no local. Pelo cronograma do Instituto, as obras já deveriam estar adiantadas, mas não puderam ser iniciadas porque a prefeitura não conseguiu ainda levar rede de energia para alto consumo, água, rede de esgoto e asfalto.

Maquete de uma das fábricas que o Instituto pretende construir em Maringá

Segundo o diretor-presidente do Tecpar, professor Júlio Cesar Ribeiro, o projeto prevê a construção de quatro fábricas no câmpus e espaço para, futuramente, novas construções ou ampliações. O investimento na obra seria de R$ 61 milhões, sendo R$ 46 milhões provenientes do Ministério da Saúde e mais R$ 15 milhões do próprio instituto.

A unidade maringaense do Tecpar tem previsão de contratação entre 160 e 200 profissionais com nível superior em diversas áreas e seu principal objetivo é produzir medicamentos de tecnologia avançada, com alto valor agregado e, para isso, precisa de mão de obra especializada.

Esta é uma obra para ontem”, disse Félix, “já teríamos que ter iniciado, pois temos prazos a cumprir e, se não atendermos, o dinheiro retornará ao governo federal”.

Três semanas atrás Félix esteve em Maringá e se reuniu com o prefeito Ulisses Maia (PDT) para tratar sobre o caso e possivelmente na próxima semana o prefeito estará em Curitiba para apresentar alguma solução.

O próprio Maia já disse que é impossível preparar a área do Tecnoparque, junto à quarta etapa do loteamento Cidade Industrial, no tempo que o Tecpar precisa, tanto porque seria necessário um investimento de quase R$ 30 milhões para criar a infraestrutura, que não está no orçamento da prefeitura, quanto porque ainda depende de licenciamentos ambientais. A área não tem aprovados os Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). “Vamos precisar de mais três anos de obras para que se possa construir lá”, disse Maia.

Alternativa

Na conversa inicial com o presidente do Tecpar, Ulisses Maia se comprometeu a encontrar outra área, que já conte com asfalto, esgoto, água e energia elétrica, para ceder ao instituto, considerando a importância que o Tecpar terá para a cidade, tanto pelo investimento de R$ 60 milhões na obra, quanto pelos investimentos na produção de vacinas e medicamentos. Uma das parcerias firmadas pelo Tecpar para a produção de medicamentos para o tratamento de câncer prevê investimentos acima de R$ 50 milhões. E o projeto prevê ainda a construção de uma fábrica de finalização de medicamentos e vacinas, que vai dar suporte à produção da vacina antirrábica. Toda a produção do Tecpar é vendida ao Ministério da Saúde.

Uma fonte da prefeitura informou ontem que a prefeitura já escolheu um terreno, mas vai aguardar a vinda de Júlio Félix à cidade para saber se atende às necessidades do Tecpar.

880 mil m²

é o tamanho do terreno correspondente à quarta etapa da Cidade Industrial

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