Mês: junho 2017



Morre o artista plástico maringaense Julio Albuquerque

Julio Albuquerque em seu ambiente de trabalho

Morreu neste domingo, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, em Maringá, o artista plástico Júlio Albuquerque, de 56 anos, respeitado como retratista, com obras espalhadas por vários países. Ele seria submetido a uma pequena cirurgia na segunda-feira da semana passada, mas sofreu um choque anafilático após tomar a anestesia e entrou em coma, não saindo mais.

Julio Manuel Laires Albuquerque deixa esposa, a professora de Inglês Cláudia, e dois filhos. Ele nasceu em Moçambique, viveu muitos anos em Portugal e há cinco anos mudou-se para o Brasil, fixando residência na Rua Oswaldo Cruz, na Zona 7, onde mantinha seu attelier de pintura e dava aulas de Inglês.

O artista especializou-se em retratos e atendeu encomendas de pessoas de vário países. Segundo outros artistas plásticos, os trabalhos de Albuquerque eram de alto nível, com o uso de técnicas ainda desconhecidas por muitos pintores brasileiros.

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Abel, o sanfoneiro de um braço só, apesar de tudo, alegre por natureza

Publicado em O Diário em 02.12.2012

Abel é o sanfoneiro mais conhecido da feira-livre de domingo na Avenida Mauá, mas não por tocar ou cantar bem.

Bate o pé no chão, não para marcar o ritmo, mas sim para ajeitar a sanfona que está sempre caindo, já que por ter apenas um braço não consegue mantê-la próxima ao peito.

Abel Barbosa da Silva talvez não seja o melhor músico, mas com certeza é o mais animado. Canta, solta gritos, chacoalha o corpo para lá e para cá… Anima mesmo o ambiente. O chapéu, no chão e com a “boca” para cima, vai enchendo de moedas e algumas notas.

Foto: Douglas Marçal

Quando começa uma música, a velha Scandalli de 80 baixos está em pé, mas na medida que vai tocando ela vai escorregando. Por falta do braço para segurá-la, ele tenta ajeitá-la com a perna. Quando termina a música, a sanfona está deitada.

Quem vê tanto ânimo não imagina que talvez aquela alegria toda seja para escamotear os sofrimentos que marcaram a vida do tocador. Baiano que chegou a Maringá quando a cidade estava ainda começando, considera-se um sobrevivente, pois de onde veio “era normal” crianças morrerem ao nascer ou poucos dias depois.

Vem de uma família na qual alguns dos irmãos têm problemas mentais ou cegueira, e por fim, sobreviveu a um choque elétrico em uma rede de alta tensão que lhe custou o braço direito – e que por pouco não lhe tirou a vida.

“Toco porque gosto, sempre gostei de música, e na feira eu me realizo, encontro velhos conhecidos, me sinto artista e ainda ganho um trocadinho para complementar a magra aposentadoria”, diz o sanfoneiro, alegando que tocando se esquece das amarguras, da vida dura quando criança e dos problemas de família.

“Eu gosto das músicas antigas, aquelas de melodia bonita e letras que contam uma história, mas meu toque é limitado. Faço apenas os fraseados com a mão esquerda e deixo de fazer a baixaria por não ter o braço direito.”

Abel viveu a mocidade na Vila 7, morou com os pais e oito irmãos nos fundos de um casarão de madeira na Rua Jangada, onde viviam várias famílias com muitos filhos. Em um salão na parte da frente, funcionava a Escola Santa Maria Goretti.

Ele nunca foi protagonista na família, pois os irmãos estavam entre as pessoas mais conhecidas do bairro. José, o mais velho da casa, era deficiente mental, e fez história nos anos 60 e 70 como “Zé Bobo”. Valdemar, um dos caçulas, era cego, mas percorria sozinho toda a cidade, conhecia casa por casa da Vila 7 e era bem recebido em todas. Tinha também uma irmã com deficiência mental, mas esta não saía de casa.

Analfabeto, Abel passou parte da mocidade em subempregos, até que aos 21 anos conseguiu um trabalho na Copel. Logo no começo da carreira, a animação quase lhe custou a vida. Ele subiu em um poste apressadamente e acabou tocando a rede de alta tensão. Foi atirado longe. Acordou tempos depois, em um hospital. Quando tentou mover-se, viu que não tinha mais o braço direito.

Abel não sabe quantos anos tem, já que onde nasceu os pais deixavam os filhos crescerem, para depois registrá-los, mas calcula que esteja por volta dos 80 anos.

“O que menos me preocupa é a idade verdadeira. O que vale é que criei meus filhos e tenho disposição para continuar tocando na feira ainda por muitos anos”.

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Identificado autor de perfil falso que difamava pessoas em Nova Esperança

A Polícia Civil de Nova Esperança (a 45 quilômetros de Maringá) identificou a pessoa que vinha usando um perfil falso nas redes sociais para fazer ataques, geralmente infundados, a políticos, empresários e outros moradores da cidade. Com a identificação, o delegado Leandro Farnese Teixeira concluiu o Inquérito e o encaminhou ao Ministério Público, que deve fornecer denúncia à Justiça. O responsável poderá sofrer condenação de dois a cinco anos de cadeia.

O inquérito foi rápido porque o Facebook quebrou o sigilo do caluniador e forneceu à polícia o IP (Internet Protocol) do computador em que foram feitas mais de 300 postagens. Com isto a polícia chegou ao endereço do proprietário do computador, no Jardim Santo Antonio, e, por meio de mandados de busca e apreensão, recolheu uma CPU, três notebooks, quatro telefones celulares e pendrives, que foram periciados e neles encontrado material que comprovava a autoria dos ataques difamatórios.

O perfil falso era em nome de “Antonio Esperança” e a foto que aparecia na página era a da famosa máscara de “V”, personagem das histórias em quadrinho e do filme “V de Vingança”. A página foi criada no Facebook dia 1º de janeiro, mesma data em que o empresário Moacir Olivatti (PPS) tomava posse como prefeito de Nova Esperança.

Já nas primeiras postagens, “Antonio Esperança” destilava veneno contra o novo prefeito, seu vice, vereadores recém-empossados, ex-prefeito, ex-vereadores e empresários, principalmente o industrial Eduardo Pasquini, proprietário de uma das maiores indústrias da cidade, a Fecularia Amidos Pasquini.

Em seus ataques, “Esperança” afirmava que a prefeitura de Nova Esperança há muitos anos vinha sendo usada para lavar dinheiro do tráfico de drogas. E citava um empresário como grande traficante que estaria usando os prefeitos, vereadores e secretários para lavar dinheiro.

Se a pessoa tinha realmente alguma informação verdadeira sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, poderia ter procurado a polícia”, disse o delegado Teixeira. “Faríamos a investigação, que é o papel da polícia, mas a pessoa preferiu usar a internet para fazer ataques a pessoas, sem provar nada”.

O autor do perfil falso – cujo nome será preservado até que o MP forneça denúncia – deve ser denunciado por crime contra a honra, injúria, calúnia e difamação em nome das sete vítimas que registraram queixas na polícia. Outros atingidos ainda poderão fazer bolentins de ocorrência, se quiserem.

As pessoas ofendidas pelas postagens poderão pedir indenização por danos morais.

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