Mês: julho 2017



Estudantes criam robô para automatizar trabalho de impressoras 3D

Robô, que é trabalho de conclusão de curso, pode dar às impressoras 3D função mais industrial

Com a automação, não há necessidade de alguém esperar a conclusão de uma peça para colocar novo material

 

Um robô com dois braços e 25 centímetros de altura, que se desloca sobre dois trilhos de alumínio, foi apresentado nesta semana aos professores do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) como meio de automação do trabalho de impressoras 3D, equipamentos que permitem construir, por meio de sobreposição de camadas, praticamente qualquer coisa, de brinquedos e bonecos até partes de equipamentos industriais, tudo em apenas algumas horas.

Rafael, Guilherme Henrique e João Vitor trabalharam um ano na criação do robô   Foto: João Cláudio Fragoso

 

O robozinho batizado como Moro 1 foi apresentado como trabalho de conclusão de curso dos acadêmicos João Vitor Lesse, Rafael Pagadigorria e Guilherme Henrique Zacarias Vieira, que projetaram e construíram o equipamento sob orientação do professor de Fabricação Mecânica Fernando Rodrigo Moro. O nome Moro 1 é uma homenagem ao professor.

As impressoras 3D são uma revolução, mas o trabalho delas é muito lento, chegando a demorar de 4 a 9 horas para a construção de um objeto”, explica João Vitor. “Por causa desta lentidão, elas não estão sendo usadas industrialmente, mas o problema maior é que alguém precisa ficar a postos para retirar o objeto que ficou pronto e colocar o material para nova construção”.

Segundo o estudante, é justamente aí que entra a necessidade da automação. “Procuramos criar um meio para que não haja mais a necessidade de alguém ficar de babá para as impressoras”, explica Pagadigorria.

Há um ano os três futuros engenheiros mecânicos trabalham na criação do robô que pode automatizar o serviço. Após a elaboração do projeto, eles construíram algumas peças nas próprias impressoras 3D e investiram cerca de R$ 3 mil na compra de pequenos motores, cabos, placas e trilhos de alumínio. Várias tentativas deram em nada até chegarem a Moro 1.

Com o robô, conectado a um computador, o operador vai programar uma lista de todo o trabalho a ser feito no dia, colocar a matéria-prima em um determinado compartimento e a partir daí o robô fará tudo: colocar o material nas impressoas, receber a mensagem da impressora de quando o trabalho foi concluído, retirar e colocar novo material”, diz Guilherme Henrique.

Colocamos o número 1 no Moro porque ele é apenas um protótipo e a partir de seu funcionamento vamos fazer as correções e melhorar o que for necessário”, esclarece Lesse.

Empresa

O robô é continuidade de um trabalho que Lesse iniciou há três anos com o colega de classe João Gabriel Correia, quando, com uma impressora 3D, começaram a fabricar suportes que, com um tablet, um iPod ou iPad, criam centrais multimídia para carros. Os garotos fundaram a T-Holders, uma empresa que atende pedidos de todo o Brasil e até mesmo de outros países.

Foi a partir deste trabalho que os estudantes pensaram um meio de automatizar a produção, buscaram a parceria de outros acadêmicos e o professor Moro coordenou o projeto.

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Vereadores economizam R$ 1 milhão e devolvem para equipar CMEIs

A Câmara Municipal de Marialva economizou R$ 1 milhão nos quatro últimos meses. Este montante será devolvido aos cofres públicos na tarde desta segunda-feira, dia 31. O prefeito Victor Martini receberá o cheque-simbólico do Legislativo em evento especial que acontecerá às 17h no plenário da Câmara Municipal.

 

Falta de mobiliário

Os vereadores sugerem que parte deste recurso seja destinado especialmente para a compra de mobiliário e equipamentos dos Centros de Educação Infantil do Município (Cmei)  Áurea Mathias Franco, no Conjunto Habitacional Antonio Almeida Rosa, Izabel Maria Artero Parra, no Jardim Itália, e da Escola Guiti Sato, no Conjunto João de Barro.

 

Os dois Centros de Educação Infantil terão capacidade para atender 268 alunos em período integral e possuem estrutura com sete salas de sula, sala de professores, sala de direção, secretaria e brinquedoteca. Já a Escola Municipal Guiti Sato – construída com recursos do Governo Federal e com contrapartida do Município – terá capacidade para atender 720 alunos, no período matutino e vespertino, do Ensino Infantil e Fundamental. A escola conta com doze salas de aula, sala dos professores, sala da direção, secretaria, brinquedoteca e laboratório de informática. No total, serão 988 novas vagas.

 

Segundo estimativa da Diretora-Geral da Secretaria de Educação, Jaqueline Nabas, para o pleno funcionamento dos dois CMEIs e da Guiti de Sato, serão necessários em torno de R$ 500 mil para a compra de armários, cadeiras, mesas, bancos, bebedouros, impressoras, lixeiras, telefones, computadores, entre outros itens.

 

Fila de cirurgias

Os vereadores também recomendam que outra parte do recurso seja utilizado para firmar consórcio público para viabilizar procedimentos cirúrgicos. De acordo com o Secretário de Saúde, José Orlando, 442 pessoas esperam pela liberação de cirurgias eletivas – não emergenciais – como cirurgias ortopédicas, catarata, laqueadura, vasectomia, retira de vesícula, entre outros. Para alguns, a espera já dura três anos.

 

No primeiro trimestre deste ano, entre janeiro e março, a Câmara já havia repassado R$ 700 mil à Prefeitura. Segundo o Presidente da Casa, Ricardo Vendrame, este resultado é a prova de uma gestão consciente dos problemas da população. “Sabemos que este recurso poderia ser aplicado internamente, mas o desejo de todos os vereadores é de que sejam resolvidas questões emergenciais no município. À princípio, as prioridades são estas: resolver a demanda de alunos aguardando por uma vaga na creche e reduzir o tempo de espera de cirurgias e exames. Mas, com este novo repasse também vai ser possível ajudar a Administração em outras áreas, tais como o esporte, a segurança e a pavimentação estradas”, afirma. (Ariádiny Rinaldi)

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Anônimos levam solidariedade nas noites frias

Voluntários sacrificam o descanso e o lazer para levar conforto a doentes, carentes e moradores de rua

Quem não sai na noite maringaense talvez não tenha percebido que dezenas de pessoas, a maioria moradores de rua, tomam banho, trocam de roupas, jantam, ganham abraços e bate-papo em plena praça no centro da cidade. E isto acontece também durante o dia, como na “loja” em que moradores de rua escolhem a melhor roupa, vestem ali mesmo e ainda levam outras para os próximos dias.

Vários grupos levam alimentos para moradores de rua em praticamente todas as noites

A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc) e o Provopar não sabem quantas pessoas realizam trabalhos sociais em Maringá, mas sabem que o número é maior do que o de habitantes de muitas cidades da região. São tantos grupos atendendo moradores de rua que em uma volta rápida pelo centro de Maringá, em uma noite qualquer, pode-se encontrar até 10 diferentes equipes, umas servindo marmitas, outras se oferecendo para cortar cabelos e barbas, algumas distribuindo roupas, outras cobertores e há até banheiros ambulantes para que os interessados tomem banho quente.

Cadastrados nos dois órgãos são cerca de 150 grupos, mas estes são apenas os que têm registro formal, como as associações filantrópicas e clubes de serviço. Os demais grupos não têm qualquer formalidade, não tem membros definidos e nem compromisso de fazer apenas um determinado tipo de serviço.

Além das equipes que trabalham à noite, atendendo pessoas que vivem nas ruas, há voluntários atendendo pessoas doentes, organizando campanhas, cuidando de documentação, doando brinquedos para crianças de famílias carentes, doando cestas básicas, trabalhando em eventos que visem arrecadar fundos para obras sociais”, diz a coordenadora do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) em Maringá, Rosângela Danielides. Segundo ela, a maior parte deste pessoal não quer publicidade e nem busca reconhecimento, quer apenas ajudar o próximo. “Nesta semana, uma importante casa noturna realizou uma ação interna e doou a carentes grande quantidade de roupas”, citou.

Estas pessoas muitas vezes estão sacrificando parte de seu horário de trabalho, os momentos em que poderiam estar com a família, se divertindo com os amigos ou simplesmente descansando, mas preferem fazer alguma coisa por quem precisa”, disse o jornalista e escritor Rogério Recco, um dos integrantes do grupo Amigos Solidário Maringá. Segundo ele, o trabalho tem hora para começar, mas ninguém sabe quando poderá voltar para casa. Na última terça-feira, os amigos solidários trabalharam até 2h30 da madrugada nas ruas.

Mas, há muito serviço para ser feito durante o dia. A noite entregamos as marmitas, mas durante o dia temos que correr atrás de doação dos gêneros alimentícios que serão preparados por restaurantes que também participam da ação”, diz Vandré Fernando, um dos líderes do Amigos Solidários. O grupo tem mais de 150 participantes, que colaboram com com entidades e atividades de filantropia e dele já nasceram outros grupo solidários.

Dia de loja

A Street Story, uma loja que, ao invés de vender, dá de graça roupas a moradores de rua, atendeu cerca de 2,5 mil pessoas


Neste sábado, mais de 2 mil pessoas participaram no Centro de Convivência Renato Celidônio da Street Story, uma loja criada para moradores de rua por iniciativa do grupo Voluntários Maringá e realizada em parceria com a RPC TV/Globo. Na loja ninguém precisou de dinheiro. As roupas, expostas em araras e cabides semelhantes aos dos bons magazines, eram de graça e o “cliente” ainda podia levar outra
s em sacolas padronizadas. Na saída, o “cliente” tinha à disposição barbeiros, cabeleireiros e manicures para completar o trato no visual. As crianças tinham à disposição um parque de infantil, algodão doce e pipoca.

O grupo Voluntários Maringá foi formado há menos de cinco anos e realiza a Street Story pelo terceiro ano consecutivo

O Voluntários Maringá existe há quatro anos e realizou a Street Story pela terceira vez. Segundo seu coordenador, Gustavo Lima, de 28 anos, o trabalho é muito mais amplo e constante, como a participação em projetos de instituições como a Apae e na colaboração com outros grupos de trabalho solidário.

Banho na praça

Um grupo de voluntários ligados à 9ª Igreja Presbiteriana Renovada, do Jardim Alvorada, depois de várias noites servindo marmitas nas ruas, chegou à conclusão que já existiam muitas equipes fazendo o mesmo serviço e procurou outro meio de oferecer dignidade aos moradores de rua. “Criamos o Banho Fraterno, muito útil durante o inverno, pois além de aquecer o corpo leva conforto ao coração”, diz o pastor Cristiano Firmino.

Além de banho quente, moradores de rua ganham corte de cabelo e barba, kit de higiene, roupas novas e alimento

A própria equipe pagou R$ 14 mil na comprou do material e construiu dois banheiros, aquecidos a gás, que são levados em uma carreta para a Praça Napoleão Moreira da Silva, ficando à disposição de quem quer um banho quente. Além disto, os voluntários oferecerem corte de cabelo e barba e servem alimentos. Ao sair, o morador de rua recebe um kit com sabonete, escova e pasta de dente e roupas. “Vai muito além de lavar o corpo. Não tem ouro que pague o conforto que recebemos com um ato solidário como este”, disse Jean Pierre, usuário de drogas que passa as noites próximo ao terminal rodoviário.

Anônimos e invisíveis

Segundo o Provopar, há grupos de todos os tamanhos e alguns que sequer têm nome. É o caso de um grupo de rapazes e moças da 1ª Igreja Batista que distribui kits de inverno, material de higiene e sopa, muitos comprados com seus próprios recursos. “A gente sonha em atender aos pobres da África ou do Nordeste, mas muitas vezes a miséria é nossa vizinha”, diz o engenheiro André Martinelli, coordenador do trabalho.

O Grupo Domingo Feliz tem apenas quatro membros, Diego Galvani, Renato Miranda, Lucas França e Carlos Eduardo Piffer, e trabalha com famílias que estão vivendo algum drama, principalmente provocados por doenças. Uma das estratégias dos jovens são os almoços solidários, realizados no Restaurante Gourmet, no antigo Pérola Shopping, para arrecadar dinheiro para ajudar pessoas com câncer.

Outro trabalho do Domingo Feliz é realizado em portas de hospitais. “Muitas vezes a pessoa vem outra cidade para acompanhar algum doente e fica sem ter onde comer”, diz Galvani.

Há voluntários trabalhando todos os dias nas ruas de Maringá, muitos deles anônimos, alguns praticamente invisíveis à vista da população. “É cansativo sim, precisamos sacrificar outras coisas, mas é indiscritível a experiência de trabalhar com quem precisa de nós”, diz Galvani. “Tem muita coisa ainda a ser feita”, diz Martinelli. “É uma bola de neve. Quanto mais se faz, mais percebe-se que há o que precisa ser feito. E alguém tem que fazer, mas poucos se habilitam”.

 

Vai muito além de lavar o corpo. Não tem ouro que pague o conforto que recebemos com um ato solidário como este”.

Jean Pierre, morador de rua

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Mudas preparadas por mãos especiais reflorestam o noroeste paranaense

Texto: Luiz de Carvalho
Fotos: João Cláudio Fragoso

Pelo menos 40 mil mudas de cedro, jangadeiro, araçá, figueira, caroba, aroeira, lixeira, uvaia, capixingui, mutambo, ipê e outras árvores plantadas nas margens de rios e córregos, reservas legais e áreas de preservação permanente do noroeste do Paraná são preparadas por mãos muito especiais, de deficientes mentais que estão trabalhando como qualquer outra pessoa, ganhando seu próprio salário e se sentindo úteis à coletividade.

São os participantes do Projeto Plantando com Mãos Especiais, popularmente conhecido como Projeto Cultivar, desenvolvido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Maringá, Cocamar, Bayer e Flora Ambiental, que oferece emprego a 30 membros da Apae em um viveiro de mudas no pátio da instituição. As mudas preparadas são distribuídas aos cooperados da Cocamar para o processo de reflorestamento de matas ciliares em suas propriedades.

Se sair daqui, perco toda minha alegria”, disse Luiz Gerônimo da Silva, que está no projeto há cinco anos e afirma que desde então se sente “gente como tudo mundo. Amo isto aqui”.

José Carlos Guimarães, que todos os finais de tarde vai ao viveiro “ver o trabalho” e buscar o filho João Luiz, de 27 anos, diz que o Cultivar mudou a vida da família. “Meu ‘menino’ não é mais tratado como um excepcional. Ele se sente como qualquer pessoa que se faz útil à sociedade pelo trabalho, aprende com mais facilidade e tornou-se uma pessoa mais calma”.

Renato, no centro, é conhecedor de praticamente todas as espécies que coloca nos tubes

Quem vê Fernando Renato de Lima Nunes, de 26 anos, trabalhando, nem de longe imaginará que trata-se de uma pessoa com necessidades especiais. Está sempre alegre, fala muito, sorri e é capaz de identificar mais de 20 espécies de essências nativas que coloca com terra em tubetes para serem levados pelos associados da Cocamar. “Além de plantarem e aprenderem a identificar as plantas, eles ganham disciplina, aprendem a limpar o ambiente, a manter a ordem, como acontece em qualquer empresa”, explica a instrutora da turma, a pedagoga com formação na área agrícola Maria Rosemeire dos Santos, funcionária da Cocamar encarregada de cuidar da turma.

Não estamos somente cumprindo uma quota social”, diz a diretora da projetos sociais da Cocamar, Juliana Soares. “Não é somente colocar o deficiente dentro da empresa, mas possibilitar que ele se realize realmente, contribuindo, entregando um trabalho como todos os demais funcionários”. Os participantes do projeto são funcionários da Cocamar, recebem por mês o equivalente a meio salário mínimo por quatro horas de trabalho por dia. “Além da melhora no trabalho, há um crescimento da autoestima, melhora no comportamento, na alegria, eles se sentem capazes, têm maior controle no comportamento, enfim, tornam-se pessoas produtivas, que passam a contribuir com as despesas da casa”, diz a coordenadora do Projeto Cultivar, Denise Rosa.

A psicóloga Carla Beatriz Bernardi, da Apae, confirma a mudança no comportamento dos excepcionais do projeto. “Eles aprendem a ver o mundo de modo diferente, valorizar pequenas coisas”.

Através do Projeto Cultivar a Apae de Maringá conquistou prêmios importantes como:

  • Prêmio Mérito Fitossanitário – Em três anos 1,6 milhões de mudas foram produzidas por “mãos especiais” – O Prêmio Fitossanitário têm o apoio da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InPev), e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
  • Prêmio OCB / Globo Rural 2007 – A Cocamar recebeu três troféus na edição 2007 do Prêmio OCB/Revista Globo Rural, realizada no mês de agosto em Brasília. O evento, promovido desde 2003 pela Organização das Cooperativas Brasileiras, contou com a presença de várias autoridades federais e lideranças do sistema cooperativista brasileiro.
  • Finalista do Prêmio Von Martins de Sustentabilidade – Com o Projeto Cultivar, a Cocamar e seus parceiros ganharam o Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2007, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, o mais importante do segmento de sustentabilidade socio-ambiental do País. O Projeto ficou em segundo lugar na categoria “Natureza”.
  • Prêmio Expressão de Ecologia 2010 –  dentre 261 inscritos, a cooperativa foi uma das únicas a se destacarem com iniciativa voltada a preservação do ambiente e também gestão sustentável através do Projeto Cultivar.
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Morre o pioneiro Jorge Bernardino, o mais antigo garapeiro de Maringá

Familiares e amigos se despediram no último final de semana do pioneiro Jorge Bernardino, um dos primeiros moradores da Vila 7 e o mais antigo garapeiro de de Maringá.

“Seo” Jorge tinha 83 anos e, apesar da idade, ainda comandava os negócios da família, que tem várias garapeiras em diferentes pontos da cidade. A garapeira mais antiga é a que funciona em frente a Catedral desde antes da construção da Basílica.

Há 10 anos O Diário publicou matéria do repórter Fábio Linjardi em que Jorge Bernardino conta um pouco de sua vida.

 

Antes da catedral, praça já abrigava garapeiro

Por Fábio Linjardi

Jorge Bernadino é o garapeiro que está há mais tempo em atividade em Maringá. Ele vende caldo de cana desde 1959. A máquina que mói a cana que ele mesmo produz fica em frente à catedral da cidade, que nem existia quando ele estacionou o carrinho no local. Jorge trabalha quase todos os dias, das 19 horas à meia-noite. Quando ele não vai, quem atende os clientes é um funcionário.

O garapeiro desembarcou em Maringá em 1958, vindo de Terra Rica. Ele deixou para trás a mulher e três filhos para buscar emprego na cidade, que tinha evoluído de distrito para município havia um ano. Ao contrário do que ele imaginava, não conseguiu emprego. Nascido em Alagoas e criado desde os 10 anos no norte do Paraná, Jorge só tinha experiência de trabalho na roça. Desempregado e sem uma moeda no bolso, ele vendeu o relógio de pulso, único bem material que tinha. Com o dinheiro, ele comprou uma cesta de maçãs e saldou as contas na Pensão Andrade, hoje extinta e que funcionava na Avenida São Paulo.

O rendimento com a venda de maçãs gerou outras duas cestas e a progressão geométrica dos negócios resultou na compra da garapeira, um ano depois da chegada de Jorge a Maringá. Com dinheiro no bolso, ele alugou uma casa e trouxe a família para a cidade, onde teve mais quatro filhos e adotou uma menina. Hoje são 13 netos e três bisnetos.

Do total de sete filhos de Jorge, dois seguiram a profissão do pai. A filha Juciene vende caldo de cana na Feira do Produtor, que funciona no estacionamento do Estádio Municipal. O filho, José Jorge, também tem uma garapeira, mas deixa o trabalho na mão de um funcionário.

Jorge começou a vender garapa na esquina entre as avenidas Paraná e Brasil. Nos anos 60, ele decidiu mudar-se para a Avenida Tiradentes, ao lado do Hotel Bandeirantes. Nessa época, a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória não existia. Na praça Papa Pio XII, havia uma igreja de madeira. O caldo de cana era vendido em copos de vidro. A conversão para os copos de plástico só aconteceu na década de 80, após a reclamação da clientela. “Eu lavava direitinho, mas sempre tinha alguém que reclamava. Até que comprei os copos de plástico. Foi melhor, porque sempre quebrava um de vidro”, recorda.

A melhor época para os negócios de Jorge, segundo ele próprio , foi a da chegada à cidade, em 1958, até 1963. Em seis anos, o homem que chegou sem dinheiro em Maringá conseguiu comprar sete terrenos, com o trabalho de vendedor ambulante. Dos sete, ele teve que vender três. Mantém os outros quatro até hoje. Um dos terrenos, de 7 mil metros quadrados, na zona norte, virou a chácara onde ele mora até hoje e planta a cana que é moída no carrinho. A “fase de ouro” do garapeiro é difícil de ser compreendida até por ele. “Aquela época era boa”, diz. A primeira casa que Jorge comprou era de madeira, na Zona 7. Ele queria adquirir uma residência no lado sul da Avenida Colombo, mas os terrenos eram mais caros. Contentou-se com a casa da zona norte. Deu uma entrada no valor de 20 mil cruzeiros e pagou outros 10 mil parcelados. Tudo com o dinheiro da garapa.

Os preços praticados hoje pelo mercado imobiliário fazem o passado parecer um sonho para o garapeiro. Recentemente, ele decidiu voltar aos velhos tempos de investidor e deu entrada na compra de um terreno de 300 metros quadrados, em um loteamento próximo à Avenida Mandacaru. Não agüentou pagar as parcelas de R$ 600. Um filho assumiu as mensalidades. “Ainda hoje, Maringá é uma cidade muito boa, mas as coisas estão mais difíceis. O sujeito precisa pisar devagar quando pensa em fazer alguma coisa”, conta.

Disposição não falta ao garapeiro. Ele é quem cuida da plantação na chácara. Ontem, ao final da entrevista, ele encheu um copo de garapa, orgulhoso. “Essa fui que plantei”.

AVALIAÇÃO

“Ainda hoje, Maringá é uma cidade muito boa, mas as coisas estão mais difíceis. O sujeito precisa pisar mais devagar.”
Jorge Bernadino – Garapeiro em Maringá desde 1959

15 quilos

É o volume de cana moída por dia, o que rende cerca de 10 litros de garapa.

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Laércio Nickel, as extrações no escuro e o registro da história

Doutor Laércio Nickel apresenta parte de sua coleção de máquinas fotográficas, todas funcionando        Foto: João Cláudio Fragoso

Da janela do 16º andar do Condomínio Maison Royale, no coração da cidade, tem-se a visão dos sonhos do qualquer fotógrafo: logo à frente, a menos de 200 metros, está a Catedral, olhando para baixo vê-se o Paço Municipal e o histórico Grande Hotel, para todos os lados vê-se a florada das árvores das ruas, bosques e quintais de quase toda Maringá. E o fotógrafo com este ângulo privilegiado tem à sua disposição mais de 200 câmeras fotográficas, está acostumado a fotografar Maringá muito antes de existir a Catedral e a prefeitura. E as árvores que hoje dão flores de todas as cores a cada estação ainda não tinham sido plantadas.

A coleção está também em outros pontos do apartamento, junto com outros objetos antigos

O fotógrafo na realidade é um dentista. Ou melhor, um radiotécnico, que por pouco não foi um engenheiro elétrico, mas acima de tudo um pioneiro maringaense. O Dr. Laércio Nickel Ferreira Lopes, que por mais de 50 anos manteve uma concorrida clínica na Rua Basílio Sautchuk, quase esquina com Avenida XV de Novembro, e foi fundador e presidente da Associação Maringaense de Odontologia (AMO) ainda sai pelas ruas clicando ipês floridos, cerejeiras, primaveras, a Catedral, mas gosta mesmo é das fotos que fez “enquanto as coisas estavam acontecendo”, como a retirada de tocos de gigantescas perobas das avenidas e praças do Centro, o desembarque dos pioneiros na estação do trem ou na pequena rodoviária na “praça da Pernambucanas”, a natureza exuberante que estava por todos os lados e, é claro, a Catedral, que na época era uma igrejinha de madeira.

No foco das muitas máquinas fotográficas de Laércio Nickel a cidade foi se transformando, assim como a própria técnica de fotografar. Antes, Maringá se resumia ao Maringá Velho e o Maringá Novo estava em formação, com construções e mais construções ao longo da Avenida Brasil e suas paralelas, era muito barro, muita poeira, gente chegando, carroças, caminhões, cavalos, bicicletas; as câmeras precisavam de filmes largos, os flashes eram lâmpadas imensas, que precisavam ser trocadas a cada

Um dos orgulhos de Nickel é a foto em que a construção da Catedral aparece junto com a Catedral antiga e ilustrou a capa de um livro sobre a história da igreja em Maringá

chapa, e a revelação era feita em São Paulo. As fotos eram preto e branco. Com o tempo, chegaram o asfalto, as calçadas, os prédios modernos, as ruas vivem entupetadas de carros. A catedral de madeira foi demolida e nasceu o mais alto templo religioso da América do Sul. Esse passar do tempo também foi documentado nas fotografias do doutor Laércio, que fotografou do início ao fim a construção da Catedral. Uma das fotos mais significativas ilustra a capa do livro “A história da igreja católica em Maringá”, do padre Orivaldo Robles.

E as câmeras evoluíram, as fotos ganharam cores e hoje qualquer um pode fotografar se tiver um telefone celular.

Da Rolleiflex ao celular

E o dentista, que no ano que vem completa 90 anos, também evoluiu, assim como o fotógrafo, que aposentou a sua Rolleiflex 6X6cm, eternizada no standard “Desafinado”

Arquivo Unicesumar

de Tom Jobim e Newton Mendonça, e clica com o celular, como todo mundo. A catedral, vizinha do edifício Maison Royale, onde mora, ainda é o principal alvo de suas fotos, assim como foi desde o início de sua construção. Agora, como mora no 16º andar, pode dar-se ao luxo de olhar a basílica de cima.

No apartamento que ocupa um andar inteiro, Laércio Nickel e a mulher, Lucia Moreira (filha do comerciante e político pioneiro Napoleão Moreira da Silva), guardam as lembranças dos cinco filhos e muitos objetos históricos, como uma fusa de fiar linha, uma máquina de escrever Smith Premier, uma calculadora Facit, rádios antiguíssimos, um projetor de filme Super 8 e mais de 200 máquinas fotográficas, entre elas a Rolleiflex. E o dentista fotógrafo diz com orgulho que “todas estas funcionam plenamente”.

Luminária de sol

Nickel, mineiro de Poços de Caldas, chegou a Maringá em 1951, assim que se formou em Odontologia pela Universidade de Alfenas. Tinha 23 anos e sustentou seu tempo na universidade consertando rádios e outros aparelhos. Ao chegar, alugou um prédio recém-construído na Avenida Brasil, montou a clínica de dentista em uma sala no andar de cima e uma oficina de venda e conserto de rádios embaixo.

“Algumas coisas me encantaram, primeiro a pujança do local, que me entusiasmou quando eu ainda estava no ônibus, segundo foi a cordialidade das pessoas”, lembra, citando como exemplo o pioneiro Américo Cariani, que lhe alugou o prédio sem pedir fiador e para pagar o aluguel só depois que começasse a ganhar dinheiro.

Em 1951 Maringá ainda não tinha energia elétrica, o que é um problema para a instalação de uma clínica odontológica que não tinha gerador próprio. “O equipamento era muito simples, basicamente uma cadeira regulada a pedal, um motorzinho tocado com o pé e um fogareiro para a esterilização dos equipamentos. A luz do sol que entrava pela janela era a luminária”.

Nickel foi um dos primeiros ‘dentistas formados’ de Maringá e encontrou aqui muitos ‘dentistas práticos’, os famosos tira-dentes, que faziam basicamente o mesmo trabalho, porém sem uma formação universitária. “Os práticos não eram concorrentes, nem adversários. Eram profissionais necessários para uma população que crescia por hora. Quando cheguei, ao invés de criar caso com eles, fiz foi manter amizade, parcerias, nos ajudamos muito”.

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Universitários mostram que algodão ainda é viável na região

Cultura já foi a base da economia agrícola do Paraná, mas perdeu espaço devido a pragas, custo da mão de obra e problemas climáticos

Aos 67 anos, o agricultor Luiz Turra teve ontem um reencontro com a cultura agrícola que por muitos anos fez a riqueza de sua propriedade rural, em Ângulo (a 31 quilômetros de Maringá). Ele atendeu a um convite dos alunos do Curso de Agronomia da Uningá para acompanhar uma colheita de algodão em uma área de 3 mil metros quadrados no Núcleo Experimental, anexo ao campus da Uningá, próximo à Venda 200.

Luiz Turra (no fundo) matou a saudade dos tempos em que colhia mais de 100 arrobas de algodão por safra    Foto: JC Fragoso

Turra assistiu à colheita manual e até participou, “para matar a saudade”. Também puderam matar a saudade o chefe do Núcleo Regional de Maringá da Secretaria da Agricultura, agrônomo Romoaldo Carlos Faccin, e o professor Sérgio Ricardo Sirotti, coordenador do curso, que também já plantaram e colheram muito algodão nas décadas em que a planta substituiu os cafezais destruídos pela geada negra de 1975.

Segundo Sirotti, a colheita de ontem foi o resultado do plantio, em dezembro do ano passado, de três variedades desenvolvidas pelo Instituto Matogrossense de Algodão. Em poucos minutos, os alunos da disciplina Culturas Agrícolas 1 colheram cerca 450 arrobas de plumas, que serão doadas para instituições de caridade fazerem o enchimento de almofadas.

Para o coordenador, o volume esteve dentro das expectativas, com a vantagem de não ter sido necessária a aplicação de defensivos agrícolas. “Nas culturas normais, como acontece no Mato Grosso, os defensivos precisam ser aplicados pelo menos uma vez por semana, principalmente contra o bicudo-do-algodoeiro, uma das principais pragas que afetam a cultura”, explicou.

O algodão foi um dos produtos agrícolas mais importantes do Paraná, desde as primeiras décadas do Século XX, sendo responsável pelo surgimento de cidades do Norte Pioneiro, como Uraí e Assaí, garantiu o funcionamento de praticamente todo um distrito industrial em Maringá, onde se instalaram indústrias como a Sanbra, Anderson Clayton, Esteves, Brasway, Cargill, McFaden e outras que ofereciam milhares de empregos”, lembrou Faccin.

Luiz Turra, que desde o início da década de 1950 plantava café em Ângulo, hoje cultiva soja e milho, mas tem boas recordações dos tempos em que plantava algodão. Ele chegou a ser conhecido como “rei do algodão” e diz que o produto fez a riqueza desta região, tanto pela pluma, destinada à indústria textil e à exportação para vários países, quanto pela semente, que produzia o óleo de cozinha mais utilizado até a década de 1990. Além disto, segundo ele, o algodão significava riqueza porque era a atividade que mais oferecia empregos, tanto nas indústrias quanto nas lavouras.

O problema é que o produtor deixou de ser o dono de seu negócio. Os trabalhadores passaram a mandar na propriedade”, conta o produtor, esclarecendo que as leis trabalhistas obrigavam o produtor a registrar quem fosse trabalhar no plantio ou na colheita, os sindicatos de trabalhadores rurais ganharam força e o lucro da produção acabava indo para o pagamentos de encargos trabalhistas ou para ações na Justiça do Trabalho.

A colheita manual foi feita pelos alunos do Curso de Agronomia da Uningá   Foto: JC Fragoso

Outros problemas ajudaram a enfraquecer a cotonicultura no Paraná no final da década de 1990, como o excesso de chuvas nas épocas de colheita e o surgimento de pragas, entre elas o bicudo, que passaram a exigir diversas aplicações de defensivos durante o ciclo da cultura, elevando o custo de produção e reduzindo a margem de lucro.

Problemas e mais problemas empurraram os produtores para culturas mais fáceis, como a soja e o milho, que têm plantio e colheita mecanizadas, não dependem de mão de obra e têm mercado garantido.

750 mil

hectares de algodão foram plantados no Paraná em 1990, colocando o Estado como maior produtor brasileiro

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“Terceira Opinião” chega ao rádio

O jornalista Alison Rodrigo, proprietário do site de notícias “Jornal Terceira Opinião”, estreia neste domingo um programa de variedades na Rádio Eden FM (97.5), de Lupianópolis.

 

Alison Rodrigo e o diretor da Rádio Eden FM, Jota Alves

Alison, que trabalha com notícias desde 2009, começou divulgando os fatos de Guaraci, cidade onde mora, mas hoje seu site abrange toda a região de Astorga.

Segundo ele, o programa “Terceira Opinião” será apresentado sempre aos domingos e vai falar de fatos cotidianos, política, ocorrências policiais e entrevistas com figuras notórias de mais de 10 municípios da região.

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PMDB de Maringá diz que rompeu com grupo dos Barros

Em conversa nesta quinta-feira com o deputado estadual Requião Filho, membros do diretório do PMDB de Maringá, entre eles pessoas que ocuparam secretarias e cargos comissionados na administração Roberto Pupin, disseram que o partido rompeu com o grupo liderado por Ricardo e Silvio Barros, a quem serviu nos últimos anos.

 

 

Que ninguém se espante se o ex-prefeito de Sarandi Carlos Alberto de Paula a qualquer momento tornar público que não será candidato a deputado no ano que vem.

A cada dia é maior a quantidade de pessoas que pedem para ele esquecer a disputa para a Assembleia Legislativa para concorrer novamente à prefeitura de Sarandi, em 2020.

E pouca gente tem dúvida de que ele vai por este caminho.

O principal motivo está na dificuldade que o atual prefeito, Walter Volpato, enfrenta neste início de governo.

Até protestos já aconteceram na frente da casa de Volpato, em diversos pontos da cidade encontra-se gente criticando o prefeito.

Assim, a aposta é que se Volpato for candidato à reeleição deverá ser um adversário fácil para De Paula.

 

 

O ex-prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin, do PP, chegou a ser chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Maringá, mas quase ninguém ficou sabendo.

A passagem de Pupin pelo órgão foi relâmpago e, assim como tomou posse, saiu e ninguém soube.

Como ele aparecia pouco ao Núcleo, a cadeira nem esquentou.

Quem está como chefe Regional é o agrônomo Romoaldo Carlos Faccin, que sempre assume quando o cargo fica vago e sai para dar lugar a alguém que perdeu uma eleição para alguma prefeitura da região.

 

 

O deputado estadual Evandro Araújo (PSC), adora estar em Maringá, onde tem muitos eleitores e cidade que ele defende na Assembleia, mas detesta ser chamado de Evandro Júnior.

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Cassação do prefeito de Sarandi será pedida hoje

O presidente da Câmara de Sarandi, vereador Carlos Roberto Falaschi, o Leão (PDT), deve receber nas próximas horas um pedido de instalação de uma Comissão Processante (CP) para investigar possível irregularidade cometida pela administração Walter Volpato. Se a comissão comprovar que houve irregularidade, o prefeito poderá ter o mandato cassado.

O pedido está sendo protocolado pelo diretório municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que tem dois vereadores e já conta com o apoio de vereadores de outros partidos.

A suposta irregularidade teria sido a contratação de uma oficina para fazer o conserto de caminhões da prefeitura. Segundo o PCdoB, a administração havia aberto uma licitação para a contratação de oficina, mas, sem explicações, cancelou a licitação e contratou uma oficina, sem esclarecimento dos critérios para a escolha.

O partido decidiu pedir a instalação de uma CP porque há três meses vereadores teriam feito à prefeitura vários pedidos de informações sobre o caso, mas não teriam recebido resposta. Ontem, por exemplo, o vereador André Luis Celestino Jardim, o Mineirinho (PDT), esteve na prefeitura para verificar pessoalmente documentos referentes aos pedidos de informação que ele apresentou e não obteve resposta. Agora Mineirinho vai protocolar uma queixa contra o prefeito Walter Volpato (PSDB) no Ministério Público Federal (MPF).

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