Mês: setembro 2017



“… quando morrer, você vai pro céu”

Antonio Ismael, Antonio Ismael, quando morrer, você vai pro céu”, dizia a musiquinha com cadência infantil que aquele jovem e bem trajado senhor, de cabelos bem alinhados e gestos cuidadosamente ensaiados, cantou para nós na porta do prédio do ‘seo’ Luiz de Mattos, na Avenida Capitão Índio Bandeira, no centro de Campo Mourão. Além de mim, estavam presentes o Gilberto Carneiro de Souza, Pedro da Veiga, Antonio Luiz de Mattos, Airton Tchully, Pedrinho e Dickson Fragoso Veras, este último um dos grandes nomes da imprensa mourãoense das décadas de 70 e 80.

Na época eu era repórter da sucursal de Campo Mourão da “Folha de Londrina”, que funcionava no prédio dos Mattos, e o cantor era o próprio Antonio Ismael, que tinha chegado à cidade para ser locutor e gerente da Rádio Colméia, única emissora de Campo Mourão, com enorme audiência em toda a região.

O novo locutor já tinha caído no gosto do público, suas brincadeiras no ar agradaram em cheio, principalmente as imitações de pessoas famosas, entre elas a de Silvio Santos.

Vários anos depois, eu trabalhava na sucursal da “Folha de Londrina” em Umuarama, quando mais uma vez cruzei com o Antonio Ismael, desta vez na Rádio Cultura, do Rede Paranaense de Rádios e irmã da Cultura de Maringá.

Daí em diante, rodei o mundo, passei mais de 20 anos no Norte do Brasil e quando voltei o Ismael trabalhava em um canal de TV da região de Maringá, tinha uma audiência razoável, mas me surpreendeu pela aparência envelhecida e nem de longe lembrava o garboso locutor do passado.

Falava nada com nada, fazia brincadeiras sem graça e aquela peruca (que não usava antes) dava-lhe uma cara de Moe Howard, dos “Três Patetas”. Além disso, o prefixo do programa, com uma arranhada gravação do Vicente Celestino cantando “Porta Aberta”, de 1946, dava um tom de decadência. A impressão que se tinha é que, àquela altura da carreira e da vida, Antonio Ismael estava mais para fazer graça do que para informar.

Nunca fomos amigos, mas sempre nos tratamos com respeito, até mesmo quando ele já não conseguia lembrar-se de mim. Nesta terça-feira me surpreendi ao saber de sua morte. Não sei como a cidade reagirá, mas eu, particularmente, fico com aquela sensação de perda de alguém que, mesmo não tendo maiores relações, há mais de 40 anos fez parte de minha vida. E torço para que aquela musiquinha infantilizada que ouvi no momento em que o conheci faça sentido.

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Mulher joga fezes do alto de prédio e acaba presa na janela

A moça permaneceu pendurada até a chegada dos bombeiros      Avon Fire & Rescue/Twitter

Um encontro romântico via Tinder terminou com uma mulher presa na janela do banheiro do apartamento de um rapaz. Ela ficou presa quando tentava recuperar um pacote de fezes que havia jogado pela janela, depois que a descarga do banheiro não funcionou.

Liam Smyth, de Cabot Ward, relatou nas redes sociais a história, ocorrida em seu apartamento. Segundo ele, a moça foi usar o banheiro, mas a descarga não funcionou. Ela, então, entrou em pânico. Na intenção de não passar vergonha, a moça envolveu as próprias fezes em papel higiênico e as jogou pela janela.

Mas, o ‘pacote’ acabou ficando preso em uma superfície do lado de fora da janela. Ao tentar recuperá-lo, com a ajuda do dono do apartamento, a própria moça ficou presa e foi preciso chamar os bombeiros.

 

 

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Feira Alto Verão de Cianorte será aberta domingo

O setor da confecção é o carro-chefe da economia de Cianorte

Lojistas de todo o Brasil e de países do Mercosul são esperados pelos centros atacadistas de Cianorte na próxima semana. Isto porque, a 8ª Feira Alto Verão, promovida pela Associação das Indústrias de Confecções e do Vestuário de Cianorte (Asconveste), promete aquecer as vendas no Master Shopping, Nabhan Cia Fashion e Paraná Moda Park, de segunda (25) a quarta-feira (27), das 6h às 19h.

A abertura oficial do evento será realizada na noite de domingo (24), em uma solenidade com autoridades, empresários, agentes de moda e clientes credenciados em um coquetel e desfile de moda das marcas. “Além disso, a rede de atendimento ao cliente inclui hotel com café da manhã, restaurante self-service e translado gratuito entre shoppings e hotéis”, lembra o presidente da Asconveste, Márcio Ferreira dos Santos.

O objetivo da feira é o de reforçar os negócios da Expovest Primavera/Verão 2017/18, com as principais tendências da temporada mais colorida e quente do ano. Nesse sentido, o prefeito em exercício, Beto Nabhan, destaca que “em Cianorte, os lojistas encontram possibilidades de abastecimento de seus lojas com peças exclusivas, que aliam tendências de moda a modelos e tamanhos além dos convencionais, e destinadas aos mais diversos segmentos: infantil, evangélico, lingerie, fitness, camisaria, plus size, gestante, terceira idade e outros”.

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Arrecadação de ISS bate recorde após gratificação a fiscais e auditores

A arrecadação de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) em Maringá pela primeira vez na história ultrapassou a casa do R$ 12 milhões por mês e, a julgar pelos motivos que levaram a isto, continuará em alta a partir de agora. O aumento coincide com a instituição de gratificações para agentes fiscais e auditores tributários da prefeitura.

Orlando Chiqueto, secretário de Fazenda de Maringá

Em julho foram arrecadados R$ 12,2 milhões e em agosto chegou a R$ 12,4, cifra que deve se repetir em setembro. Além de mais eficiência nos trabalhos da fiscalização, o secretário de Fazenda, Orlando Chiqueto Rodrigues, diz que está acontecendo uma retomada do mercado. “Maringá é uma cidade em que o serviço é predominante e tem atraído muitas empresas de serviço, especialmente na área da saúde, que geram ISS”.

O secretário disse que a instituição da Gratificação de Produtividade e Desempenho (GPD), há dois meses, é prevista no Estatuto dos Servidores Municipais de Maringá. Ela fixa porcentuais respectivos e regulamenta os critérios para aferição da produtividade e desempenho individual e coletivo para auditores tributários e fiscais. “Que fique bem claro que não se trata de uma comissão”, explicou Chiqueto. “O valor da produtividade é estabelecido pelo procedimentos executados e não pelo valor de autuações. Mesmo que não haja autuação ou multa, o fato de ter cumprido um procedimento conta ponto para o servidor”.

Com esta estratégia, verificou-se maior agilidade na fiscalização de obras para a liberação de alvarás, pedidos de alvarás de funcionamento, regularidade de calçadas, até mesmo fiscalização de terrenos baldios particulares. “A produtividade maior e a aceleração de serviços fazem com que, com o mesmo número de servidores, alcancemos melhores resultados”, diz Chiqueto, destacando que a eficiência na fiscalização ajuda a promover justiça social. “Quando a fiscalização é ineficiente, incentiva pessoas e empresas a trabalharem de maneira inadequada, mas se a lei for aplicada igualmente para todos, coloca todos no mesmo nível e evita a concorrência desleal”.

Rigor na pontuação

Nos dois primeiros meses da GPD os 48 fiscais e os 12 auditores tributários renderam quase 40% a mais. Com isto, os auditores tiveram um incremento de quase R$ 2 mil sobre seus salários, enquanto os fiscais ganharam R$ 1 mil a mais. Mas, há um limite e, segundo o secretário de Fazenda, a pontuação é tão rigorosa que é praticamente impossível atingir-se o máximo.

Se o servidor realiza um procedimento, mas o lançamento acaba arquivado, não rende pontos. E, caso algum deles use de má-fé, sofrerá punição financeira e responderá a processo administrativo”, explica. Processo administrativo pode resultar em demissão.

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Cão é lançado candidato a prefeito

Finn em sua foto de campanha

Finn, um cão da raça boiadeiro australiano, de 5 anos de idade, está fazendo sucesso após seu dono ter lançado sua ‘candidatura’ à prefeitura da cidade de St. John, na província canadense de Newfoundland.

O cachorro aparece em uma campanha bem humorada no Youtube, que está fazendo sucesso nas redes sociais.

Ele ‘faz discurso’, mostra como realiza determinados serviços pela comunidade e ainda distribui seu material de propaganda nas ruas. Um perfeito cãodidato. Assista

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Maringá terá mais três parklets na área central

Durante todo o dia, há sempre pessoas aproveitando o novo espaço Foto: João Cláudio Fragoso

Em menos de um mês após a instalação, o primeiro parklet de Maringá, na esquina da Avenida João Paulino com Rua Piratininga, no Novo Centro, já pode ser considerado uma experiência bem sucedida, tanto que dentro de um mês a cidade deverá ganhar mais três unidades, dois deles no Centro.

Os parklets são um tipo de mini-praça de 10 metros de comprimento construída na faixa destinada a estacionamento de carros, com bancos, floreiras, lixeiras, bicicletário, tomadas para carregamento de celulares e até internet sem fio gratuita. A experiência teve início em San Francisco, nos Estados Unidos, mas hoje diferentes e criativos modelos são encontrados nas principais cidades do mundo.

A prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), já aprovou a construção de quatro parklets, mas empresários, especialmente dos ramos de bares, lanchonetes e restaurantes, têm buscado informações sobre a novidade, mostrando interesse em ter um próximo a seu estabelecimento. Além do da Avenida João Paulino, instalado em agosto, estão autorizados um na esquina das avenidas Pedro Taques e Mauá, em frente ao Restaurante Habanero Cozinha Internacional, outro na Avenida Tiradentes, por iniciativa do Boteco do Neco, e outro na Avenida Tiradentes, em frente a Bace Carnes.

É um presente que o estabelecimento dá à cidade”, diz Rodrigo Pina de Almeida, sócio da Bread Fast (BF) Panificadora, onde foi instalado o primeiro parklet de Maringá. O estabelecimento já é todo diferenciado: é feito com containers, paredes de vidro, tem drive thru e um deck com chapelões. “Eu e meus sócios (Renato Vitor de Oliveira e Luciano Teixeira) há muito queríamos também o parklet e vínhamos insistindo com o prefeito (Ulisses Maia (PDT)) e com os vereadores”.

Segundo Pina, a qualquer momento há pessoas sentadas no parklet, algumas para esperar o ônibus, outras para descansar ou simplesmente para um bate-papo. “Ninguém tem a obrigação de consumir em nossa padaria enquanto utiliza o parklet, o ambiente é público para as pessoas descansar, descontrair, conversar, podendo ainda usar as tomadas para recarregar seu celular ou tablet e usar internet gratuita”.

O professor Luiz Tatto aproveita os finais de tarde para sentar na pracinha e observar a cidade, conversar com os amigos que aparecem. Já Jece Nicolau usa o parklet nos intervalos de seu trabalho, no Supermercado Muffato. Érica da Silva chega sempre às 17 horas e permanece no parklet usando a internet gratuita para verificar suas redes sociais enquanto espera o ônibus. “Isto é mais gostoso do que uma praça de verdade e está bem pertinho do meu serviço”, diz Jece.

Para o empresário Arnaldo Mariani Júnior, o Neco, proprietário do Boteco do Neco, na Avenida Tiradentes, os parkets chegam para contribuir com o visual da cidade. Na próxima semana ele quer inaugurar um em frente ao seu boteco. Os da Habanero e da Bace também já estão em processo de construção e podem ser montados ainda neste mês.

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Vieira reassume Diretoria de Imprensa da prefeitura cinco meses após demissão

As informações divulgadas no site envolveram Agnaldo Vieira em polêmica com vereadores, o que resultou em sua demissão Foto: Angelo Rigon

O radialista e blogueiro Agnaldo Vieira reassumiu nesta quinta-feira um cargo na Diretoria de Imprensa de Maringá, onde foi diretor nos primeiros meses da administração Ulisses Maia.

Vieira deixou o cargo depois que o prefeito passou a ser criticado por um vereador porque o radialista publicou em seu site “maringamanchete” que dois vereadores teriam tentado extorquir uma construtora em Maringá.

O fato depois foi destacado por outros órgãos da imprensa local, inclusive citando os nomes dos vereadores. Mas, para não levar Ulisses Maia a se incompatibilizar com a Câmara, Vieira preferiu se demitir, mas volta agora a convite do próprio prefeito.

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Polentada e cachaça velha marcam fechamento do Bar do Zé

Além de despedir-se do bar onde passou dois terços de sua vida, Zé Lorenzato vai despedir-se das garrafas de cachaça empoeiradas há mais de 40 anos

Finalmente, chegou a hora tão esperada pelos clientes do Bar do Zé: o Zé do bar vai abrir as três garrafas de cachaça que guarda como relíquias há mais de 40 anos. Também pode ser a última oportunidade para frequentar o pequeno bar que há 44 anos funciona na Rua Joubert Carvalho, em um pequeno espaço em que tudo é jurássico: ao lado está o Hotel Guarujá e a histórica Sapataria do Rebite, que já estavam lá quando José Lorenzato Filho, então com 23 anos, alugou o pequeno salão de 36 metros quadrados em 1973.

O bar deixa de existir na Joubert Carvalho no dia 16 e o Zé já está triste com a despedida. Porém, o fim do Bar do Zé será festivo e quem comparecer por lá neste sábado vai poder participar de uma polentada oferecida pelos amigos do Zé, que não querem deixar este momento histórico passar em branco. Segundo o artista plástico e frequentador Luiz Carlos Altoé, o Kaltoé, as despedidas acontecerão durante o dia inteiro, mas a polenta só será servida a partir das 8 horas da noite, quando se aproximar o momento do choro do proprietário de um dos bares mais longevos de Maringá.

O Zé tem motivos para chorar na despedida. Afinal, foi lá que ele passou quase dois terços de sua vida, todos os dias das 6 da manhã até por volta das 22 horas, servindo cedo café, café com leite, pasteis, coxinhas, quibes, mais tarde tinha almoço com uma bisteca que ficou famosa, arroz, feijão, salada. No fim da tarde começam a chegar os clientes que iam beber cerveja ou pinga, falar do Galo do Norte, tocar modas sertanejas até que as ruas ficavam desertas e cada um pegava seu rumo, a maioria em bicicletas.

Naquele tempo o movimento era muito grande, pois tínhamos aqui perto empresas grandes, como os atacadistas Dias Martins, Alô Brasil, e J. Alves Veríssimo, que somavam centenas de empregados”, conta Lorenzato. Segundo ele, “quando as firmas fechavam, os empregados vinham correndo, pois depois das seis [horas] ficava difícil entrar e muitos ficavam do lado de fora bebendo e batendo papo”.

O comerciante ainda lembra de boa parte dos fregueses dos primeiros tempos, como Zé Catabriga, que quase sempre trazia um pacotece de pé de frango para fritar e comer enquanto falava de futebol, o Wilson que tocava violão. “O lugar ficava alegre e lá iam vários quilos de linguiça frita, bife, pé de frango, testículos de boi, mocotó, dobradinha, torresmo, pombinhas fritas, ovo cozido de casca colorida e outros petiscos; lá iam várias garrafas de Tatuzinho, Oncinha, Três Fazendas, Rio Pedrense, Pitú e outras cachaças que já nem existem mais, rabo-de-galo, Martini seco, jurubeba, Vermute, traçado, Cynar ”.

Zé Bahia, que trabalhava na Alô Brasil, é freguês desde os primeiros dias, parou de beber desde 2008, mas mesmo assim não fica um dia sem marcar presença.

O relógio queimado é lembrança de uma noite em que um ladrão acendeu papéis no interior do bar para clarear e acabou provocando um incêndio

O estabelecimento, que no começo chamava-se Jovem Bar e depois mudou para o nome que todo mundo falava, continua praticamente do mesmo jeito, com o mesmo espelhinho no azulejo coberto por tinta branca, o mesmo relógio de parede, o rosário, a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida trazida de Aparecida do Norte (SP) pelo Paulo Mantovani. E vai fechar como abriu. O Zé não vende o estabelecimento, simplesmente devolverá o imóvel ao dono. Na semana seguinte ao fechamento, ele abre uma pequena mercearia na Avenida Américo Belay, em um sobrado que construiu com o que ganhou no seu pequeno espaço.

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Pesquisa resgata história de povo que viveu em Maringá antes da colonização

Quando o grupo de financistas ingleses chefiado pelo Lord Lovat, da Paraná Plantations, empresa de capital britânico, chegou para conhecer as terras que a empresa ganhou o direito de vender no norte e noroeste do Paraná, na década de 1920, encontrou gente morando em toda a área em que nasceriam cidades como Maringá, Londrina, Umuarama e outras. Além de tribos indígenas, a região era ocupada pelos Sutis, um povo que desapareceu e hoje raramente é citado na história.

Os sutis, também conhecidos como caboclos, permaneceram na região de Maringá até depois depois da chegada dos primeiros desbravadores, conviveram pacificamente com quem estava chegando, eram vistos no núcleo urbano que se formou, hoje conhecido como Maringá Velho, e negociavam com os novos moradores. O povo desapareceu sem deixar rastros e hoje a única marca da presença dos sutis na região é o Cemitério dos Caboclos, às margens da PR-323, entre Paiçandu e o distrito de Água Boa.

Donizete é o autor da principal pesquisa já feita na região sobre os sutis

Em Maringá, o mais importante estudo sobre os sutis foi realizado pelo jornalista Airton Donizete de Oliveira para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Com o material colhido na pesquisa, Donizete pretende dar início a um livro. “Este foi um bom momento para estudar a presença dos sutis na região porque muitas pessoas que conviveram com eles ainda vivem em Maringá e região e puderam descrever como era este povo, que hoje está caindo no ostracismo da história”, explica o mestre em Comunicação, que durante três anos conversou com alguns dos primeiros pioneiros a chegar a Maringá.

Donizete justifica seu interesse nesta pesquisa porque “a maioria desconhece a trajetória daqueles caboclos de baixa estatura, de fala mansa e pausada, descendentes de negros e índios que viviam em casas de pau a pique cobertas com tábuas de embira e habitaram esta região antes dos colonizadores e desapareceram e hoje nem são citados como parte da história do Paraná”.

O pesquisador chegou à conclusão de que os caboclos chegaram a esta região por volta de 1910

e permaneceram até a década de 1960. Mas a exemplo dos índios, que só agora começam a aparecer nos livros didáticos, ficaram fora da história oficial do Paraná.

A dona de casa Antonia Moreno Doce, de 87 anos, provavelmente a moradora mais antiga da região ainda viva, chegou com a família em 1943, antes da existência do núcleo conhecido como Maringá Velho, e conviveu com os sutis onde depois nasceu o povoado que hoje é o distrito de Iguatemi. Os únicos vizinhos da família eram os sutis, que já moravam na região fazia mais de 20 anos. Segundo ela, “era um povo bom, de fácil convivência, que vivia em comunidades em que tudo era dividido e ninguém tinha preocupação de ser dono de nada”.

Outros pioneiros ouvidos por Airton Donizete, como o violeiro Julio Pires de Morais, de Floriano, Severino Bolognese e Luciano Contardi, de Paiçandu, contaram que os sutis eram alegres, realizavam festas e participavam das festas dos pioneiros. Ficou bastante conhecido nesta época o lider espiritual Sebastião Justus, que abençoava casais que pediam bênção depois de casamento na igreja católica. A bênção tinha origem em ritos africanos, mas era bem aceita pelos católicos.

Cemitério

O Cemitério dos Caboclos, uma pequena área, de menos de 100 metros quadrados, cercada de pedra e com uma pequena capela de pedra, toda pintada de branco às

Modificado do que era originalmente, o Cemitério dos Caboclos é a principal marca da presença dos sutis na região

margens da PR-323, entre Paiçandu e o distrito de Água Boa, é a marca mais visível da passagens dos sutis por esta região.

A muralha de pedra não existia até a década de 1940 e presume-se que ela foi feita por moradores de Marilá, Paiçandu e Água Boa, já que vários pioneiros também foram sepultados lá.

Donizete descobriu que na época em que somente os sutis viviam na região, praticamente não se usava caixões. A exemplo do que acontecia em comunidades tribais, os mortos eram transportados em banguês, uma espécie de rede amarrada em um pedaço de madeira. Quando chegaram os primeiros pioneiros, os sutis continuaram enterrando seus mortos no velho cemitério, mas o defundo era depositado na terra, não em caixão. O caixão, se tivesse um, ficava por cima do corpo.

Espalhados pelo Brasil

Os sutis do norte e noroeste do Paraná eram negros, mas já misturados com um pouco de branco, um pouco de índio, resultado da convivência com outros povos nas andanças até chegarem aqui. Embora participassem das atividades católicas dos pioneiros, eles eram originalmente muçulmanos.

Acredita-se que o grupo que estava aqui seja originário de escravos da Bahia, que deixaram a região após a Grande Revolta dos Malês, em 1835, quando muçulmanos escravos e libertos pertencentes aos povos iorubá/nagô, haussá, nupe e jeje se espalharam pelas matas do Brasil. Nômades, não se fixavam por muito tempo em uma região, viviam do que encontravam nas florestas, criavam animais, principalmente porcos, praticavam a agricultura de sobrevivência, eram hábeis artesãos e viviam em moradias de pau a pique com cobertura de folhas de palmeira ou de sapé. Várias cidades foram formadas pelos sutis, entre elas Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, e Cuiabá.

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