Mês: novembro 2017



Livro de Miguel Fernando traz novas informações sobre o Caso Clodimar

“Sala dos Suplícios” traz novas informações na segunda edição sobre os torturadores que mataram Clodimar há 50 anos

Pela primeira vez os maringaenses poderão conhecer a versão do assassinato do garoto Clodimar Pedrosa Lô contada pelo viajante Antonio Fortes, que teria sido o pivô do caso ao denunciar à direção do Palace Hotel que havia desaparecido uma grande soma em dinheiro que estaria em seu quarto. Por causa da denúncia, o garoto foi apontado como suspeito e acabou torturado até a morte por dois policiais. Ainda como consequência, três anos depois, o pai de Clodimar assassinou com cinco tiros, no centro de Maringá, o gerente do hotel.

A versão de Fortes está na edição revista e ampliada do livro Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, que o historiador Miguel Fernando lança nesta quinta-feira, às 19 horas, no auditório Dr. Miguel Kfouri Neto, na Associação Comercial. Na continuidade das pesquisas após a publicação da primeira edição, o historiador conseguiu a íntegra do depoimento que Antonio Fortes fez perante a Justiça. Pelas palavras do viajante da Casas Alô Brasil é possível entender o momento em que aconteceu a prisão do menino de 15 anos que trabalhava no hotel como carregador de malas e era o único empregado presente no horário em que Fortes achou que o dinheiro havia sido roubado.

Outra novidade da segunda edição de “Sala dos Suplícios” é o relatório do capitão Luiz Gastão Richter, da Polícia Militar de Curitiba, que comandou as forças policiais que encontraram e prenderam os policiais Manoel Gerson Maia e Benerval Merêncio Bezerra escondidos na região de Imperatriz, interior do Maranhão, um ano após terem cometido o mais famoso caso da crônica policial de Maringá.

O historiador Miguel Fernando diz que ainda há muito para se conhecer sobre o caso mais importante da crônica policial de Maringá

Segundo Miguel Fernando, ao publicar a primeira edição, há 10 anos, ele já sabia que sua pesquisa não estava fechada. “Assim como não terminou com esta segunda edição, pois trata-se de um caso que ainda tem muito a ser descoberto e muito mais a ser explicado”. Além da barbaridade praticada pelos dois policiais, Fernando considera o Caso Clodimar um marco na história, pois foi a partir dele que o governo do Paraná promoveu uma mudança geral nas forças de segurança do Estado para que a sociedade visse nela uma proteção e não razão para medo.

Clodimar, de 15 anos, garoto cearense que viveu desde pequeno na Vila 7, foi torturado até a morte no dia 23 de novembro de 1967, há 50 anos.

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Reconstrução dobra a capacidade da Paróquia Cristo Ressuscitado

A Paróquia Cristo Ressuscitado, principal templo católico da Zona 5, em Maringá, estará em casa nova nos festejos de seus 50 anos de instalação, em 2019. O templo atual, construído há cerca de 40 anos, teve uma parte demolida e quando a reconstrução estiver concluída a igreja terá capacidade para receber o dobro de fiéis.

Do antigo templo sobraram somente as paredes e a cobertura Foto: João Cláudio Fragoso

Esta reconstrução estava programada há anos e a nova igreja deveria ser construída na Praça Pio XII, conhecida como Praça das Antenas, cujo terreno pertence à Cúria Diocesana. Porém, como a área há muitos anos é ocupada por antenas de TVs e de emissoras de rádio, houve uma negociação para que as antenas continuem na praça e a igreja seja reconstruída no espaço em que está há quase meio século.

“Na realidade, a estrutura que tínhamos era de um salão paroquial”, explica o padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado. Segundo ele, na época já havia o projeto de construir a igreja na praça e na quadra ao lado ficariam o Centro Pastoral, a TV 3º Milênio e as entidades filantrópicas ligadas à igreja, além do salão paroquial, que foi adaptado para ser usado temporariamente na celebração de missas, casamentos, batizados e outros eventos. Mas o que era para ser temporário continuou até agora.

Arte gráfica mostra como ficará a igreja depois de pronta

A previsão é de que a obra dure um ano e enquanto isso as missas e reuniões estão acontecendo no Centro Pastoral, ao lado. “A área do terreno não permite aumentar muito o tamanho da igreja, mas com ampliações nas laterais e no fundo será possível dobrar a capacidade”, diz o padre Altair. A igreja que funciona no salão paroquial tem capacidade para pouco mais de 500 pessoas, mas quando as obras estiverem prontas a previsão é de que haverá espaço para em torno de 1,2 mil pessoas.

Padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado

O novo templo terá na parte da frente uma torre e a entrada será feita em mármore. A obra está orçada em R$ 2,8 milhões – parte já estava reservada pela paróquia e o restante vem de doações dos próprios fiéis.

 

Um pouco da história

Embora a região Maringá Velho/Zona 5 seja onde nasceu a cidade de Maringá, no início da década de 1940, somente em 1969 ganhou sua própria paróquia, a Cristo Ressuscitado. Com o crescimento da cidade, o bispo diocesano dom Jaime Luiz Coelho criou, em 18 de dezembro de 1969, a Paróquia Cristo Ressuscitado, nomeando o padre Geraldo Schneider como seu pároco.

A igreja construída no início da década de 1970 era de madeira      Arquivo: Maringá Histórica

O padre Geraldo, um alemão que veio para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, fez seus estudos no Paraná, fez o seminário em Curitiba e tinha voltado a Maringá, onde foi ordenado por dom Jaime, seu amigo pessoal e principal incentivador.

Desmembrada da Catedral, a nova paróquia abrangia as zonas 4,5 e 6 da área urbana e, na zona rural o distrito de Floriano, as capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim.

Em 12 de dezembro de 1992 foi criada a paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, desmembrada da Paróquia Cristo Ressuscitado. As capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim, Floriano e São Domingos passaram à nova paróquia.

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Há 50 anos, morte de Clodimar ainda abala a cidade

Justiça falhou e os policiais que mataram o garoto a pancadas morreram sem serem punidos

No meio da multidão havia um caixão. As centenas de pessoas que subiam a pé a Avenida Paraná pararam na linha de ferro, viraram-se para o prédio da cadeia e passaram a gritar impropérios: “assassinos!”, “covardes!” “justiça!”, “vocês vão pagar!”.

Teve quem pegasse em pedras, paus, mas ninguém atirou nada contra a Delegacia, que era o maior prédio da Avenida Paraná. Da colônia de casas dos ferroviários, no outro lado da avenida, mulheres e crianças olhavam em silêncio. Nos armazéns da AGEFF, na beira da linha do trem, homens de cabeça baixa, acompanhavam em silêncio até que decidiram também gritar por justiça.

Naquela sexta-feira de céu nublado, o grupo de pessoas que subia a única pista de terra batida da Avenida Paraná, carregando o caixão, viu o comércio dos dois lados baixar suas portas, pessoas permanecerem na frente, em silêncio, chapéu na mão, cabeça baixa. Todos estavam abismados e inconformados com o que aconteceu. Um menino, que viram crescer ali na vila, foi morto a pancadas. Mas, a revolta era ainda maior porque a barbaridade foi cometida pela polícia.

Nem as pessoas que seguiam o cortejo carregando o caixão de mão em mão, nem as que assistiam dos barrancos da rua sabiam direito o que tinha acontecido. As emissoras de rádio não tinham tocado no assunto, os dois jornais da cidade, “Folha do Norte do Paraná’ e ‘O Jornal’ só publicariam sobre o caso no dia seguinte. Televisão ainda era algo de que, por aqui, só se ouvia falar.

Uma das raras fotos de Clodimar em um documento

No caixão, o garoto Clodimar Pedrosa Lô, de 15 anos, estava desfigurado. O rosto inchado, cheio de hematomas, os olhos pareciam duas bolas de sangue arroxeadas e dava para ver que o crânio estava torto, afundado. As mãos cruzadas sobre a barriga estavam esfoladas, inchadas e roxas e diziam as pessoas que o resto do corpo estava ainda em pior estado.

O garoto tinha morrido ali mesmo, na cadeia da Avenida Paraná, durante a madrugada anterior e quem testemunhou os horrores daquela noite perdeu o sono por muito tempo.

“Era comum a gente ouvir que alguém estava apanhando da polícia, mas naquela noite foi um horror, o menino urrava e os policiais gargalhavam e gritavam como demônios”, contou o barbeiro João Gonçalo, que estava preso na época por ter se envolvido em uma briga de vizinhos. Gonçalo morreu muitos anos depois, mas nunca deixou de contar sobre a noite que o traumatizou para o resto da vida.

 

Sala de tortura

“A gente não via nada, mas todos os outros presos ficaram em silêncio porque entenderam que o que acontecia naquela noite era diferente”, contava. As torturas na 9ª Subdivisão de Polícia de Maringá, no cadeião da Paraná, eram comuns, principalmente depois da implantação no País do regime militar. A polícia se sentia autorizada a bater até que o preso confessasse até o que não fez e assim muitos inocentes eram condenados por assumirem crimes sob pancadas.

Na cadeia de Maringá torturadores da polícia queimavam interrogados com pontas de cigarro, afogavam em baldes com água, aplicavam choques elétricos depois de despejarem um balde d’água no corpo do preso, batiam com cinta, pedaço de pau e havia o temível pau-de-arara, uma barra de ferro que era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra dos joelhos do torturado, colocado entre duas mesas, ficando o corpo pendurado de cabeça para baixo a alguns centímetros do chão.

 

Desculpa inaceitável

Os coices de mula Gerson Maia e Beneval Bezerra durante uma audiência na Justiça depois de serem presos no Maranhão

Os policiais militares Manoel Gerson Maia e Beneval Merêncio Bezerra, lotados na cadeia de Maringá, bateram tanto que o menino morreu, em uma poça de sangue. Tinha sofrido hemorragia interna e o crânio teve afundamento.

Os policiais se apavoraram. Precisavam achar uma justificativa. Colocaram o corpo em um jipe, o famoso “28”, e saíram da cidade em direção a Mandaguari. A certa altura da estrada jogaram o corpo no asfalto e ao chegarem a um médico disseram que o preso tinha pulado do carro em movimento e morrera na queda. Mas o médico não acreditou e informou as autoridades.

Depois, uma autópsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba comprovou que o menino já estava morto quando foi jogado do carro.

 

Bode expiatório

Clodimar foi preso na noite de 23 de novembro de 1967 por ser o único funcionário trabalhando naquela noite no Palace Hotel, na Avenida Brasil, entre as avenidas Duque de Caxias e Getúlio Vargas. Já fazia um ano que ele trabalhava lá como carregador de malas, levando a bagagem dos clientes pelos três andares do prédio sem elevador.

Tarde da noite, um cliente que acabava de chegar da rua – dizem que ele estava embrigadado depois de beber com mulheres na zona do baixo meretrício – chamou o gerente, o italiano Atílio Farris, para reclamar que havia desaparecido dinheiro de seu quarto. Depois de muita discussão, Farris telefonou para a polícia. Os PMs Gerson Maia e Beneval Bezerra chegaram e após algumas conversas chegou-se à conclusão que o dinheiro só poderia ter sido pego por Clodimar, único funcionário presente àquela hora.

 

Santo popular

A comoção gerada na população de Maringá pela morte de Clodimar fez com que nestes 50 anos o seu túmulo seja disparadamente o mais visitado do Cemitério de Maringá. Sobre a laje há centenas de plaquetas de metal depositadas por pessoas que dizem ter recebido graças e milagres após rezarem pedindo a ajuda do menino.

De fato, a morte causou muitas mudanças. O historiador Miguel Fernando, que há mais de 10 anos pesquisa o caso e se debruçou sobre todos os documentos possíveis, diz que foi o crime dos dois policiais que levou o então governador Paulo Pimentel a reformular a Polícia Militar, trocar delegados e altas figuras do comando da PM e determinar firmeza no combate à tortura de presos.

O levantamento feito por Miguel Fernando o levou a publicar o livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, cuja segunda edição, revista e ampliada, será lançada no próximo dia 30, às 19 horas, na Associação Comercial.

 

 

O tio Oésio no túmulo de Clodimar

Sem punição

Diferente do que muito se disse até agora sobre Clodimar Pedrosa Lô, ele não era um garoto que veio do Nordeste fugindo da seca e da pobreza. Embora tenha nascido no interior do Ceará, ele cresceu em Maringá. Morou na Rua Bragança, na Vila 7, estudou no então Grupo Escolar Santa Maria Goretti e desde pequeno participava dos jogos de bola nos campinhos de terra batida. Era conhecido de toda a molecada da vila.

O pai, Sebastião Pedrosa Lô, era muito conhecido porque, junto com o irmão, Oésio, tinha uma caixa d’água na Rua Oswaldo Cruz, que atendida parte da Vila 7 com água encanada de poço artesiano em uma época em que todas as casas só tinham poços caipiras.

De fato ele veio do Nordeste porque, devido a mãe estar adoentada, a família voltou para o Ceará, mas logo ele retornou para Maringá, com 13 anos, e ficou na casa do tio Oésio de Araújo Pedrosa que, além do poço, tinha uma escola de datilografia.

Quando ocorreu a tragédia, ele já trabalhava fazia um ano no Palace Hotel, onde trabalhavam também outros parentes dele.

O advogado Valdecir Guidini de Morais, hoje com 64 anos, foi amigo de infância de Clodimar e o descreve como um garoto tranquilo, que evitava confusão até nos campinhos de futebol. Os primos Amílkar Pedrosa e Shirley Pedrosa Moscardi, que viviam com ele na mesma casa, também o descrevem como brincalhão e preocupado em proteger os parentes menores.

Guidini há anos acompanha tudo o que diz respeito a seu amigo de infância. Como começou a trabalhar no Fórum ainda menino, com 16 anos, assistiu inclusive aos depoimentos dos dois policiais, que foram presos um ano depois quando se escondiam no Maranhão, do vendedor que havia denunciado o sumiço do dinheiro e depois voltou atrás, além do hoteleiro que chamou a polícia. Guidini estudou Direito, foi promotor de Justiça e permaneceu no Fórum por 37 anos, até se aposentar.

“Os policiais Gerson e Beneval foram presos preventivamente, mas em razão da demora na prestação jurisdicional, acabaram sendo beneficiados por uma ordem de Habeas Corpus e soltos, nunca mais sendo localizados. Em face da inoperância da Justiça, a família da vítima, constituída de nordestinos, tinha sede de vingança”, diz Guidini.

 

Justiça própria

De fato, o pai do garoto, Sebastião, voltou para Maringá e por três anos esperou a chance de estar cara a cara com um ou os dois

A família Pedrosa Lô

policiais. Queria o sangue deles. Esperou, mas nunca encontrou os assassinos fugitivos. Nem o viajante que denunciou seu filho. Mas, Atílio Farris, que após o caso havia ido para a Itália e ficado lá dois anos, voltou para Maringá e morava no Centro, na esquina da Avenida Herval com Rua Joubert Carvalho, no primeiro andar do prédio da Cunha Rego Tecidos.

Uma tarde, Sebastião permaneceu em frente ao prédio do gerente do hotel, viu-o sair e seguiu-o por um quarteirão. Na Avenida Brasil, chamou o homem pelo nome. Atílio virou e  ouviu: “O senhor é o ‘seu’ Atílio?”. Ao responder que sim, foi alvejado por cinco tiros e morreu no local, a 100 metros de onde morava. O atirador permaneceu no local, esperando a polícia.

Levado a julgamento, Sebastião tinha a seu lado a opinião pública, mas a defesa não era tão fácil quanto parecia. Guidini lembra que tratava-se de réu confesso, que matou sem dar chance de defesa à vítima, o crime foi premeditado e movido por vingança. A Promotoria tinha farta documentação para acusar o réu, mas os advogados Eli Pereira Diniz, Abel Tonon e Ayres Aniceto de Andrade conseguiram convencer os jurados e seis dos sete membros do Júri absolveram o pai de Clodimar.

 

Personagem histórico

O menino de 15 anos que trabalhava à noite para ajudar a família – naquela época era comum menores serem empregados por empresas ou mesmo trabalhar por conta própria, como os engraxates, vendedores de coxinhas ou auxiliares de serviços mais pesados – não fazia ideia de que de uma hora para outra se tornasse um dos personagens mais comentados da história de Maringá.

“Sala dos Suplícios”, de Miguel Fernando, terá a segunda edição lançada no próximo dia 30

Além de ser lembrado pelos antigos e os fatos repassados para os mais jovens, Clodimar é personagem de um longa-metragem produzido e dirigido pelo publicitário Eliton de Oliveira, é personagem central de uma peça de teatro e do livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, resultado de uma apurada investigação realizada pelo historiador Miguel Fernando, que já está na segunda edição.

 

Arte: Welington Wainer/Infografia O Diário
Fotos: Arquivos O Diário, Maringá Histórica, JC Cecílio
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O preconceito começa na infância e influencia o dia a dia dos negros

São muitos os avanços que os negros conseguiram nestes quase 130 anos desde a abolição da escravidão no País, mas em alguns aspectos a situação ainda é semelhante Aos primeiros anos após a assinatura da Lei Áurea. E são estudos de órgãos governamentais que comprovam isso, como o que mostrou no ano 2000 que 80% dos empregados domésticos são negros, mesmo porcentual apurado logo após a abolição.

Marivânia Araújo diz que a discriminação velada é uma das responsáveis pela alta evasão escolar de crianças negras Foto: João Cláudio

Para a ex-coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e vice-coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros (Neiab), professora Marivânia Conceição Araújo, as razões do não avanço dos negros em determinadas áreas estão ligadas às condições culturais, sociais e econômicas do país, embora isto não apareça explicitamente. Muitas vezes os obstáculos começam ainda na infância.

No espaço escolar está arraigado que a criança negra é menos inteligente e assim ela vai ter menos atenção, menor estímulo e será mais cobrada”, diz Marivânia, diretora de Cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), professora do Departamento de Ciências Sociais e professora doutora em Antropologia. “Um estudo da pesquisadora Irene Cavalheiro junto ao ensino fundamental apurou que a criança negra é menos abraçada, menos estimulada e não é difícil que professores e demais profissionais da educação não saibam o nome dela”, afirma.

Paulo Sérgio Francisco, o Paulo Bahia, militante do movimento negro em Maringá, diz que uma das manifestações do preconceito chega em forma de descaso. “Os japoneses foram importantes na colonização e foram homenageados com a construção do belo Parque do Japão, que custou cerca de R$ 10 milhões. Os negros, que também estavam aqui na colonização e são praticamente metade da população, nunca receberam um espaço para marcar a importância de sua presença. Até a praça que homenageia o líder negro Zumbi foi construída pelos próprios negros há mais de 20 anos e até hoje não foi concluída”.

Marivânia e Bahia concordam que a discriminação está no dia a dia dos negros, seja nas relações pessoais, no trabalho e até no atendimento junto a órgãos públicos. O Ministério da Saúde, por exemplo, lançou uma campanha para estimular a denúncia de discriminação na saúde pública após a constatação de que a maioria das mulheres que morrem durante o parto é de negras. “Isso acontece pela demora no atendimento nas emergências porque existe a ideia de que as negras são mais fortes e, por isto, podem esperar”, diz a professora.

Esta diferenciação se vê também no trabalho da polícia, que entre um negro e um branco a prioridade é abordar e prender o negro, na negligência de defensores públicos, nos patrões que promovem funcionários brancos mesmo que os negros sejam mais capazes”, enfatiza Bahia.

A historiadora Vera Lúcia da Silva diz ter sofrido preconceito a vida inteira e muitas manifestações foram na infância. “Sempre tinha a coleguinha de escola para se referir à minha cor, ao meu cabelo, como se isso fosse algum defeito”. Para ela, ”fala-se muito que o Brasil é um país sem preconceitos, mas isso não é verdade. As pessoas falam que não têm preconceito, mas não querem que filho ou filha se case com um descendente de africano, procura escolher os amigos para os filhos, mas não dão espaço para negros, lá nas suas casas se referem aos negros como se eles fossem inferiores aos brancos. Veja, por exemplo, as crianças que ‘sobram’ nos orfanatos. Primeiro são adotados os brancos com aparência europeia. Ninguém admite abertamente, mas é assim que acontece”.

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Doodle no Google lembra os 107 anos de Rachel de Queiroz

O doodle homenageando Rachel de Queiroz permanecerá na página de busca do Google por 24 horas

Desde o primeiro minuto desta sexta-feira, um doodle especial na home do serviço de buscas do Google lembra o 107º. aniversário de Rachel de Queiroz, a escritora brasileira que foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL), há 40 anos.

Rachel foi jornalista, romancista, cronista, tradutora e teatróloga. Seu primeiro romance “O Quinze”, ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha e “Memorial de Maria Moura” foi transformado em minissérie para televisão pela Rede Globo, estrelado por Glória Pires,  Glória Pires, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira e Marcos Palmeira, e foi apresentado em vários países.

“As três Marias”, de 1939, também virou novela de sucesso na Globo, protagonizada pelas atrizes Glória Pires, Nádia Lippi e Maitê Proença.

Em fins de 1930, com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, através da publicação do romance “O Quinze”, uma obra de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca. O livro foi editado em apenas mil exemplares e já mostrava as características que marcariam toda sua obra.

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Marialva dá adeus a Antonio Pepato, o maestro da música sertaneja

Pepato e seu acordeon à frente da Orquestra Raízes Sertanejas

Vítima de um infarto, morreu na madrugada desta quinta-feira o músico Antonio Pepato, de 68 anos, acordeonista, maestro e um dos fundadores da Orquestra Raízes Sertanejas, de Marialva.

Pepato era de família pioneira de Marialva e por sua influência outros membros da família e amigos também se iniciaram na música. Sob sua direção, a Raízes Sertanejas tem se apresentado em várias cidades paranaenses, obtendo sempre grande sucesso e projetando o nome de Marialva.

Veja vídeo de Pepato e a Orquestra Raízes Sertanejas

Seu amigo José Luiz Boromelo, escreveu sobre Antonio Pepato o seguinte texto:

“Homem simples e de competência comprovada no acordeon, nosso sanfoneiro se foi deixando um legado cultural inestimável. Em quase nove anos à frente de um grupo composto por pessoas comuns, mas encantadas com a universalidade da música, conseguiu proezas inimagináveis, levando alegria para aqueles que apreciam a verdadeira música sertaneja de raiz. Tive o privilégio de conviver e atuar junto a esse profissional humilde mas extremamente aglutinador, que encantava a todos com seu sorriso verdadeiro e suas palavras francas. Em nossas incontáveis viagens por todo o estado, nunca se viu em seu semblante alguma expressão de contrariedade ou aborrecimento, porque simplesmente adorava o que fazia. Então vá com Deus meu amigo, vá alegrar aqueles que se encontram no paraíso.”

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Velório do padre Schneider será encerrado com missa

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Uma missa a ser celebrada pelo arcebispo dom Anuar Battisti, às 15h30, encerra o velório do monsenhor Geraldo Schneider na Catedral Nossa Senhora da Glória, em Maringá. O padre de 81 anos morreu na manhã de ontem depois de sofrer um infarto.

Após a missa, o corpo segue para o Crematório Angelus, no Cemitério Parque, onde será cremado, como era desejo do padre. As cinzas serão depositadas o ossário da catedral. Veja mais

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Só a morte parou o padre Geraldo Schneider

O padre implantou e depois repassou para a Diocese a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil

Mesmo com idade avançada e doente, Schneider considerava que a pregação da Palavra não pode parar e continuou trabalhando

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Um jovem alemão magrelo e sorridente, que ainda não conseguia falar Português, tentando contar piadas de português nos corredores da Santa Casa; um padre de calção, camiseta e chuteiras trocando caneladas com outros peladeiros em campinhos de chão batido; um padre de calção e boné, com apito pendurado no pescoço, orientando treino de times de garotos; um padre sem experiência tentando arrebanhar católicos para construir uma igreja no bairro mais antigo da cidade, a Paróquia Cristo Ressuscitado; um padre sisudo rezando missas na TV ou ainda o padre de idade avançada, amoroso e atencioso, ouvindo confissões ao lado de uma gruta de pedra e obras de reconstrução de uma igreja.

Cada um pode ter uma imagem diferente de como conheceu o padre Geraldo Schneider. Só depende de em que momento se deu o primeiro encontro. Mas, um fato é certeza: ninguém conheceu o padre Geraldo Schneider parado, nem mesmo em seus últimos dias de vida, quando bastante doente continuava ouvindo confissões, fazendo aconselhamento e celebrando missas três vezes por semana. O monsenhor Schneider morreu ontem, por volta das 6 horas da manhã, ao sofrer um infarto fulminante. Tinha 81 anos, 57 deles vividos em Maringá.

O velório está acontecendo na Catedral Nossa Senhora da Glória, onde o monsenhor trabalhou por décadas. Nesta terça-feira serão celebradas missas às 7 horas, 12 e 15h30. Em seguida, como foi desejo expressado pelo religioso, o corpo será cremado e as cinzas depositadas no ossário da Catedral.

Schneider estava aposentado, mas como considerava que “a obra de Deus não pode parar”, continuou trabalhando, só diminuindo o ritmo quando o corpo não conseguiu acompanhar a mente e vontade devido ao avanço da insuficiência renal e problemas cardíacos. Era do tipo que preferia mais cuidar da saúde dos pobres do que da dele mesmo.

O falecimento do monsenhor foi destaque nacional ontem nas TVs católicas e o padre Reginaldo Manzotti fez um pronunciamento na Rede Evangelizar, destacando que Schneider foi um dos primeiros religiosos a perceber a importância do uso dos meios de comunicação em massa na evangelização.

O arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti destacou que embora oriundo de família rica da Alemanha, padre Geraldo “viveu uma vida pobre, dedicada aos pobres”. O prefeito Ulisses Maia (PDT), que conheceu o padre desde que era criança, lembrou que em agosto entregou a ele a Comenda Dom Jaime Luiz Coelho em solenidade realizada na Câmara de Vereadores. A honraria foi proposta pelo então vereador Ulisses Maia, presidente da Câmara à época, e Carlos Mariucci (PT).

Decisão pelos doentes

Nascido em Hünsborn, na Alemanha, pouco antes do início da 2ª Guerra Mundial, Gerhard Schneider se preparou para a vida religiosa desde menino. “O que me fascinava muito na juventude era servir aos doentes. Depois que comecei a entender mais a vida religiosa, me interessei também por acrescentar, na ajuda aos doentes, a parte espiritual. Queria ser alguém a serviço do corpo e da alma, o que faço até hoje”, contou a O Diário.

Em 1956, na Alemanha do pós-guerra, Schneider integrava a Congregação dos Irmãos de Misericórdia. Na década de 60, a ordem o enviou para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia de Maringá, que na época funcionava em um barracão de madeira na Vila Operária. Na cidade, o jovem tornou-se amigo do bispo dom Jaime Luiz Coelho, que era presidente da Santa Casa, e deu continuidade aos estudos religiosos. Depois foi para o seminário, em Curitiba, de onde saiu padre. Foi o primeiro maringaense a ser ordenado padre na Diocese de Maringá, ordenado por seu amigo dom Jaime.

Logo no início de sua vida de padre, recebeu de dom Jaime a incumbência de iniciar uma comunidade religiosa na Zona 5. Nascia assim a Paróquia Cristo Ressuscitado, em 1969. Permaneceu como pároco até 2002.

Realizador

Paralelo ao trabalho na igreja, Schneider era um homem que não conseguia ficar parado e, usando o dinheiro que herdou da família, realizou muitas obras em Maringá,

Aos 80 anos, padre Geraldo estava empenhado em construir hospital para pobres do Haiti

como um seminário próximo de onde hoje é o Parque do Japão, fundou a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil, construiu a Capela de Adoração do Santo Sacramento, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, implantou o Museu de Arte Sacra, construiu a sede da Obra do Berço, que atende gestantes, e teve participação importante em várias entidades filantrópicas, entre elas o Marev. Por mais de 20 anos visitou presos regularmente para pregar a Palavra de Deus, coordenou a Pastoral Universitária e a Pastoral do Cemitério. No domingo à tarde, foi pela Pastoral que ele celebrou uma missa no cemitério, seu último trabalho como padre.

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Esquina do Borba Gato coleciona acidentes

Pedaços de carro no canteiro ou nas calçadas são uma cena comum no cruzamento da Nildo Ribeiro com a Rua das Camélias                           Foto: João Cláudio Fragoso

Dificilmente passa um dia sem que seja registrado um acidente de trânsito no cruzamento da Avenida Nildo Ribeiro da Rocha com a Rua das Camélias, em frente ao Residencial Inocente Vila Nova Júnior, no Conjunto Borba Gato, em Maringá. Na manhã de ontem, por exemplo, uma Parati subia pela Rua das Camélias e, ao cruzar a Nildo, foi colhida por um Fox.

“É um cruzamento perigoso porque quem trafega pela Rua das Camélias não tem boa visão da Nildo”, diz Vagner José Guedes, funcionário de uma emissora de TV, que passa pelo local todos os dias. “Quando o motorista consegue ter boa visão da avenida, pode ser tarde demais.”

Em uma revendedora de gás na esquina, os funcionários já perderam a conta de quantos acidentes assistiram. Só nos últimos dias, eles citam um que envolveu duas caminhonetes novas, outro com duas motos, em que um dos condutores teve uma perna fraturada, e outros de menor monta.

Morador na Nildo Ribeiro há 17 anos, Osvaldo Moreno também perdeu a conta de quantos acidentes presenciou naquela esquina e lamenta. “A região tem um trânsito bem organizado, com a maioria das ruas com tráfego em mão-única, mas na Nildo alguns motoristas desenvolvem alta velocidade e não conseguem frear a tempo se outro carro invade a pista.”

Segundo ele, a situação é mais crítica no final do dia, quando cresce a quantidade de veículos na Nildo Ribeiro da Rocha e muitos deles “parecem que estão atrasados e correm muito”.

A Secretaria de Mobilidade Urbana informa que está analisando a situação dos cruzamentos que mais registram acidentes para adotar as medidas que cabem a cada caso.

A esquina da Rua das Camélias com a Nildo já está sendo analisada e será decidido o que fazer para evitar tantos choques. Possivelmente, será instalado um quebra-molas.

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Dois anos após queda de ponte, cidade fica até sem linha de ônibus

Devido à falta de acesso, a empresa de ônibus deixou de fazer a linha que passa pelo município
Uma ponte provisória pode ser instalada até que o governo federal libere recursos para a ponte definitiva

No dia 13 de janeiro completa dois anos em que a ponte que liga os municípios de Jardim Olinda (a 130 quilômetros de Maringá) e Itaguajé, ambos na margem do Rio Paranapanema e fazem divisa com o Estado de São Paulo, foi destruída pela enchente no Rio Pirapó.

A sondagem no rio já está sendo realizada para a elaboração do projeto da nova ponte a ser construída com recursos federais

A queda da ponte aconteceu na mesma época em que várias outras pontes do Pirapó foram destruídas, entre elas a da PR-317, entre Maringá e Iguaraçu.

O que intriga os moradores de Jardim Olinda é que todas as demais pontes foram reconstruídas, menos aquela que tem grande importância na economia do município. “É lamentável, porque limita as vias de acesso a Jardim Olinda e agora para chegar a Itaguajé temos que andar 40 quilômetros a mais”, disse Jorge Fernandes Martins.

A prefeita Lucimar de Souza Morais Assunção (PP) diz que o município está perdendo muito porque sem a ponte a empresa de ônibus deixou de atender aos 1,4 mil moradores de Jardim Olinda, os fornecedores do comércio local também não comparecem mais e muitos produtos estão em falta na cidade. A ponte de 45,5 metros era também a única ligação para a região em que se localizam os condomínios de recreio e saída para o Estado de São Paulo.

A assessora Especial da prefeitura, Nayara Palicer, disse que município está tentando recursos junto ao Ministério da Integração Nacional para a construção de uma nova ponte, porém para isto precisa apresentar um um projeto junto ao governo federal e a prefeitura não dispõe de recursos para a elaboração do projeto. Por isto, a Casa Civil do governo garantiu R$ 250 mil para as despesas com a elaboração do projeto para que o município possa solicitar a construção da nova ponte.

A prefeita Lucimar Assunção diz que é possível que o município não fique sem ponte até a construção de uma nova, já que surgiu a possibilidade de ser construída uma ponte provisória até a construção definitiva. Na terça-feira, uma equipe técnica do Exército esteve no local realizando uma sondagem para definir um projeto de ponte provisória. O único entrave é a necessidade de ser erguer uma pilastra de concreto no meio do rio.

Sem o acesso, temos que andar 40 quilômetros a mais para chegar a Itaguajé e nem a empresa de ônibus quer esta despesa a mais”.

Jorge Fernandes Martins, morador

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