Autor: Luiz de Carvalho



Por insegurança, lojas funcionam com portas trancadas

Trabalhar com as portas do salão fechadas pode parecer uma medida extrema, mas foi o único jeito que a cabeleireira Maria Francisca da Cunha e sua filha Djaine encontraram para terem um pouco de tranquilidade enquanto atendem as freguesas. Há 12 anos que as freguesas sabem que precisam marcar horário por telefone ou se identificarem ao chamar pela campainha no salão na Avenida São Domingos, na Vila Morangueira.

Lorislei Librelatto espera a chegada das clientes para destrancar a porta: segurança para ela própria e para as freguesas

“Este é o tipo do ambiente em que só há mulheres e tanto nós quanto as nossas clientes temos receio de assalto, pois a cada dia temos notícias de que mais e mais estabelecimentos foram assaltados”, contou Djaine. Ela e a mãe desistiram de manter a porta aberta depois que uma mercearia vizinha foi assaltada à mão armada três vezes em plena luz do dia, uma lotérica, além de outros estabelecimentos também.

“Não esperamos chegar a nossa vez e nem queríamos trabalhar aos sobressaltos. Pensamos também na segurança de nossa clientela. Nossas clientes já estão acostumadas a agendar ou chamar e entendem os motivos para a porta fechada”, justifica Djaine.

Funcionar com portas fechadas é uma medida que vem sendo adotada por cada vez mais empresas e em praticamente todos os bairros de Maringá. Na região mais central da cidade, três estabelecimentos da Rua Basílio Sautchuk, um ao lado do outro, já fazem isto há mais de dois anos. “Estamos cercados por duas mini-cracolândias e a todo momento algum noiado entrava na loja”, diz Lorislei Piacentini Librelatto, proprietária de uma loja de roupas femininas na subesquina com a Rua Néo Martins. “Não temos nada contra estas pessoas, mas algumas delas criam problemas, já fui pressionada, ameaçada e as clientes – aqui atendemos mulheres – ficam amedrontadas”.

A comerciante, que está no mesmo local há 20 anos, percebe que a situação vem piorando muito nos últimos anos. “Antes a gente trabalhava com tranquilidade, às vezes atendíamos até mais tarde. Agora, as lojas da vizinhança estão cheias de câmeras, alarmes e até contratamos um guarda para a rua e mesmo assim trabalhamos assustados e infelizmente somos forçados a manter portas fechadas, tendo que esperar a cliente bater na porta”.

Ao lado da Via Corso de Lorislei, o salão Espaço Beleza, de Nair Frageri, também trabalha com as portas trancadas há mais de dois anos. “A desculpa é porque temos ar condicionado, mas na verdade o queremos é segurança e tranquilidade”, diz dona Nair, instalada naquele ponto há 10 anos. O argumento é o mesmo da comerciante Selma Nunes, dona da Josefa Acessórios, ao lado do salão, que também só abre a porta quando chega algum cliente.

Para o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), o fato de ter comerciante trabalhando com portas fechadas é indicativo de que a confiança na segurança pública caiu e os constantes registros de assaltos em estabelecimentos comerciais preocupam. “É uma questão complexa, porque não depende só da polícia, é necessário que existam várias frentes atuando juntas, integradas, porque temos também o problema dos moradores de rua, usuários de drogas e outros que estão levando preocupação aos comerciantes”, disse o vice-presidente do Conseg, o publicitário Fernando Alves dos Santos. “Tem gente sofrendo e tendo prejuízos com isto, portanto as ações que tiverem que ser adotadas precisam ocorrer logo, antes que o problema aumente”.

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Na cidade, sim, mas com o pé na roça

Quem nasceu no sítio sabe o quanto é verdadeiro o ditado que diz que “a gente sai da roça, mas a roça jamais sai da gente”. Mas, nem todos vivem de saudosismo. Há quem deixou o meio rural há muitos anos, goza de todo o conforto proporcionado por uma cidade de alto padrão, como Maringá, e ainda se dá ao luxo de estar na roça, bastando, para isto, cruzar a rua. Melhor ainda quando se pode ter o com asfalto, iluminação pública, linha de ônibus e até rede de esgoto sanitário, sem precisar desembolsar um tostão sequer em impostos.

Luiz Roberto cuida da roça iniciada pelo pai dele quando chegaram os primeiros moradores do Parque Itaipu

Este é o caso de várias famílias da Rua Gertrude Heck Fritzen, paralela ao Contorno Sul, no Parque Itaipu, “proprietárias” de pequenos sítios onde plantam café, milho, feijão, laranja, mamão e frutas diversas. Na realidade elas estão ocupando uma faixa de terra entre o Contorno e o bairro, onde passa uma linha de alta tensão da Eletrosul Centrais Elétricas, empresa do governo federal que distribui energia elétrica para as concessionárias estaduais, como a Copel, no Paraná, Celesc, em Santa Catarina, e a Cesp, em São Paulo.

Os pequenos sítios começaram a surgir nas décadas de 1970 e 1980, quando foram loteados bairros próximos à saída para Campo Mourão. Na época, a região era rural e os loteamentos faziam divisa com áreas de fazendas em direção à Gleba Pinguim.

O Contorno Sul ainda não existia, mas linhão da Eletrosul já estava lá e, por lei, debaixo dele não pode ser feito qualquer tipo de construção. Com isto, a faixa de terra onde estão as torres era ocupada por matagal e acabava servindo para o descarte de restos de construção, sofás e móveis velhos, galhadas e outros tipos de lixo, provocando o surgimento de ratos, baratas, forte mau-cheiro e péssimo visual.

Como quase todo mundo que morava perto do linhão tinha vindo do sítio, logo as pessoas começaram a limpar pequenos espaços para plantar alguma coisa”, conta o mecânico João de Lima. “As pessoas trabalhavam durante o dia em seus empregos e nos finais de tarde e nos fins de semana davam de mão a enxadas e facão e vinham plantar. A intenção não era ter lucro. No fundo, queríamos mesmo era matar a saudade dos tempos do sítio”.

Enquanto conversava com a reportagem, João mostrava cerca de 20 graviolas que acabava de colher no pé que ele plantou entre pés de café e bananeiras. O suco de umas duas semanas está garantido e ele ainda fez a média com vários amigos que apreciam a famosa fruta.

João Leandro da Silva não tem motivos para ter saudade do sítio. Ele trabalha em um curtume e, quando chega em casa, troca de roupa e vai trabalhar em sua pequena chácara em frente a casa. Ele se gaba aos amigos que aquele pedaço de terra serve para descontrair.

Além de eliminarmos o estresse, ainda podemos levar para nossa família e distribuir aos amigos alimentos fresquinhos, cultivados sem qualquer produto químico”, diz “o sitiante” Luiz Roberto Vitorino, que “herdou” a terra do pai, o pioneiro Anselmo Vitorino.

Segundo ele, Anselmo era um autêntico agricultor, que teve que mudar-se para a cidade após as geadas históricas de 1975 dizimarem a cafeicultura paranaense. Às vésperas de completar 70 anos, Luiz Roberto, que na cidade estudou, foi auxiliar, sub-gerente e gerente de empresas, se aposentou e assumiu o “sítio” iniciado pelo pai. Em uma área de 1 mil metros quadrados ele planta café, cana, banana, laranja e outras plantas e todos os finais de tarde, quando o sol já não está tão ardente, ele volta a ser o roceiro dos tempos de criança.

Para nós, é bom. É uma ocupação e uma forma de termos alimentos sem agrotóxicos. Mas, para a Eletrosul é uma garantia de que enquanto tivermos nossas plantações aqui não surgirão favelas, invasões, ninguém vai descartar lixo. Enfim, ela deixa até de gastar com a limpeza do terreno”, diz Vitorino.

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Rachaduras causam interdição de escola de Sarandi

Todo um pavilhão da escola teve que ser esvaziado diante do risco de desabamento Foto: João Cláudio Fragoso

A Escola Municipal Mercedes Romero Panzeri, no Jardim Independência e uma das maiores e mais centrais de Sarandi, acaba de ser interditada pelo setor de Engenharia da prefeitura devido à grande quantidade de rachaduras nas paredes e piso. Com isto, os quase 500 alunos matriculados terão que ser remanejados para outras escolas municipais e, possivelmente, prédios a serem alugados pela prefeitura.

Diretores e funcionários da escola recorreram à Secretaria de Educação temendo que as rachaduras possam levar a um desabamento, colocando em risco a segurança de estudantes e funcionários. Uma casa em frente a escola desabou há alguns anos devido a uma infiltração de água e a cena serviu de alerta à equipe da escola.

A Engenharia informou que a interdição, por enquanto, é temporária, mas reuniões estão agendadas para os próximos dias para definir qual a melhor opção, fazer uma reforma ou demolir a escola para a construção de um novo prédio. Também será definido se a obra será realizada pela própria prefeitura ou se será contratada uma empresa por meio de licitação.

Outro assunto que preocupa a administração municipal é com relação ao dinheiro, já que a reforma ou construção não foi prevista no Orçamento de 2018.

Com a necessidade de reforma ou demolição, os alunos terão que ser transferidos para outros prédios de Sarandi

Também na próxima semana a Secretaria de Educação deverá apresentar um plano para acomodar os alunos durante este ano letivo, que certamente já está comprometido pelas obras. A preocupação maior é que o prédio ou prédios que servirão como escola terão que passar por uma adequação e não há tempo antes do início do ano letivo. As aulas na rede municipal de ensino começam na primeira quinzena de fevereiro.

A Mercedes Panzeri, próxima ao prédio da Secretaria de Saúde, foi construída há 25 anos e há muito tempo vinha apresentando problemas estruturais.