Saúde



Envelhecimento aumenta astigmatismo

Idade triplica a incidência de astigmatismo, mostra prontuários. Nova lente multifocal para cirurgia de
catarata corrige até 3 graus do vício de refração

Não são só as pálpebras que ficam caídas com a idade. Os vícios de refração também mudam. A miopia, dificuldade de enxergar de longe, diminui. O contrário também é verdadeiro. Muitas pessoas deixam de enxergar bem de perto e ficam hipermétropes, independente da presbiopia ou vista cansada que atinge todas as pessoas com mais de 40 anos. Mas é a falta de foco, o maior problema de refração que surge com o envelhecimento.

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a análise dos prontuários de 1,1 mil pacientes com idade entre 60 e 75 anos mostra que 418 (38%) têm astigmatismo. A prevalência cresce quanto mais velhos ficamos. Chega a 51% na população com 70 a 75 anos de idade. Entre jovens, comenta, não passa de 10% a 15%.

O especialista explica que a hipermetropia e o astigmatismo decorrentes do envelhecimento resultam de uma alteração na curvatura da córnea ou do cristalino.  No caso do astigmatismo esta mudança faz com que imagens próximas e distantes fiquem desfocadas. “O peso das pálpebras, a soma de pequenos traumas como esfregar ou coçar os olhos, bem como, os processos alérgicos e inflamatórios podem estar relacionados à alteração na curvatura da córnea”, afirma. Já a menor acomodação do cristalino é acentuada pela perda de flexibilidade dos músculos ciliares, comenta.

 

Exame de refração periódico

Queiroz Neto afirma que os números do levantamento enfatizam a importância dos exames de refração anuais para evitar complicações. Isso porque, o censo 2010 aponta aumento da expectativa de vida do brasileiro com 23 mil centenários. Significa uma parcela maior da população com mais de 60 anos. Nessa faixa etária a doença ocular de maior prevalência é a catarata. Decorrente do envelhecimento que torna nosso cristalino opaco, a catarata é a maior causa de cegueira reversível. O único tratamento é a cirurgia em que o cristalino opaco é substituído por uma lente intraocular.

A boa notícia para quem tem astigmatismo é a nova lente multifocal tórica.  Isso porque, o implante corrige até 3 graus de astigmatismo sem nenhum instrumental adicional, afirma. Já para quem tem hipermetropia as lentes multifocais asféricas eliminam a necessidade de usar óculos de leitura em 97% dos casos.

“”Hoje a tecnologia mais previsível para correção definitiva da presbiopia são as lentes intraoculares multifocais”,” ressalta. Não por acaso, um estudo multicêntrico mostra que a cirurgia de catarata reduz em 50% o risco de acidentes no trânsito por conta da melhora da visão de contraste e profundidade.

Para evitar a evolução do astigmatismo a principal dica é não coçar ou esfregar os olhos. As recomendações para evitar a formação precoce da catarata são:

· Usar lentes com proteção UV, chapéu ou boné nas atividades externas.

· Evitar bebidas alcoólicas e cigarro.

· Praticar exercícios físicos.

· Evitar excesso de sal na alimentação.

Eutrópia Turazzi – LDC Comunicação

 

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