Mais doce e agora certificada, uva de Marialva alcança bom preço

A produtividade abaixo da esperada para esta safra de verão nem de longe significa frustração para os produtores de uva fina de mesa de Marialva, pois a qualidade da fruta colhida até agora é boa e os preços no mercado são considerados satisfatórios.

As cerca de 500 propriedades rurais que cultivam uva em regime familiar devem colher em torno de 6 mil toneladas até janeiro, volume visto como “bom” em comparação com as últimas safras, mas aproximadamente 30% inferior ao que o município poderia produzir. A produção é tida como boa porque desde 2012 os produtores de Marialva enfrentam uma sucessão de safras problemáticas provocadas por problemas climáticos, como geadas, excesso ou falta de chuvas e queda de granizo.

O produtor Antonio Peres Martines, que cultiva quatro hectares de parreiras na Estrada Marialva, espera colher 50 toneladas nesta safra e diz que sua propriedade tem capacidade para produzir 80 toneladas, mas mesmo assim ele comemora porque a qualidade “está ótima”. Além do fato de o teor de açúcar ser alto, “o brix está adiantado em duas semanas”.

Isto significa que os primeiros frutos colhidos em cada safra não são tão doces quanto os do final, mas nesta safra o teor de doçura “chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Toninho Peres, como é conhecido, não sabe o que fez as frutas adoçarem mais cedo, mas acha que o clima ajudou. Após a safra temporona, que acontece no meio do ano, os parreirais enfrentaram um período de estiagem prolongada, que pode ter tido reflexo na qualidade da fruta que está sendo colhida agora.

A engenheira agrônoma Sonia Vicentini, que como fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Secretaria da Agricultura, acompanha há anos o comportamento da uva de Marialva, considera que esta é uma safra média, afetada pela longa estiagem. Segundo ela, alguns produtores começaram a colher em novembro, mas o grosso da safra acontece em dezembro, quando a fruta atinge sua melhor qualidade.

“No começo de dezembro, a colheita ainda está fraca, mas a oferta atinge seu principal momento a partir do dia 15, quando acontece o forte da comercialização porque o mercado se abastece para as vendas do período natalino”, diz a técnica.

Embora a colheita ainda esteja no início, os produtores consideram que estão conseguindo preços satisfatórios. As variedades Brasil, Itália, Rubi e Benitaka estão rendendo entre R$ 3 e R$ 3,5 por quilo ao produtor. Já a Núbia, variedade desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), está sendo vendida a R$ 4,50. Pelo tamanho, cor vermelha intensa, sabor suave, baixa acidez e doçura, é a uva que mais atrai nas prateleiras dos supermercados e frutarias.

Certificada

Esta é a primeira safra em que Marialva vai vender uva som Selo de Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O município entrou no Mapa das Indicações Geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para isto, 15 produtores passaram dois anos realizando cursos, treinamentos e aplicação de tecnologias e métodos para melhorar a qualidade da uva fina de mesa de Marialva.

A doçura dos frutos chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Antonio Peres, produtor de uva

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Deco e a mais longa viagem de sua vida

TEXTO DO LIVRO “MARINGÁ 70 ANOS”

Nas décadas de 1960 e 1970, um homem negro, pobre e quase analfabeto se destacava em Maringá e cidades da região proferindo palestras sobre leis trabalhistas, traduzindo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para uma linguagem compreensível pelo trabalhador comum e ajudando a criar sindicatos de trabalhadores em todo o norte/noroeste do Paraná.

Em Maringá Adenias foi ensacador de café, presidente de sindicato, funcionário da prefeitura e vendedor de calçados

Este homem era o baiano Adenias Raimundo de Carvalho, na época presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá, sindicato com maior número de associados, ao lado do Sindicato dos Arrumadores. Ele tinha chamado a atenção da sociedade maringaense e dos órgãos de repressão do governo militar ao liderar, no sindicato, aquela que possivelmente tenha sido a primeira greve de trabalhadores do Brasil durante o regime que se estabeleceu no País em março de 1.964. O escritor Laércio Souto Maior, que prepara um livro sobre os movimentos sociais de Maringá nas décadas de 60, 70 e 80, escreveu em sua coluna em O Diário do Norte do Paraná que “o sempre bem humorado Adenias de Carvalho (…) na semana do golpe militar, e nas duas semanas subsequentes, liderou uma greve histórica, enfrentando com coragem as autoridades militares que invadiam as sedes dos sindicatos brasileiros, destituindo suas diretorias. A greve terminou vitoriosa e ficará para sempre na história do sindicalismo maringaense e do Paraná”.

Para presidir o poderoso sindicato por oito anos, Adenias, ou Deco, como o chamavam os mais próximos, teve que se preparar, com noites de leitura de grossos livros sobre leis trabalhistas, sindicalismo e liderança, tarefa que não devia ser fácil para homem de pouco estudo que tinha que ler sob a luz de lamparinas, já que na época, boa parte da Zona 7, onde morava, não tinha rede de energia elétrica. Além disto, a pequena casa de madeira estava sempre cheia de gente, pois era garantia de abrigo para muitas famílias que chegavam da Bahia em busca de melhores dias.

Baiano de Baixa Grande, próxima a Mundo Novo, nunca tinha se afastado mais de 100 quilômetros do lugar onde nasceu quando, no início da década de 50, decidiu fazer a maior viagem de sua vida até então para conhecer o norte do Paraná, de onde chegavam notícias sobre uma terra roxa que dava tudo que se plantasse e, o que é importante para os nordestinos, chovia. Recém-casado com Celina Maria, embarcou em um pau-de-arara junto com o sogro, sogra e uma penca de cunhados, todos menores de idade.

O dinheiro foi curto para chegar ao destino e assim a família passou um curto tempo nos cafezais de São Paulo e só depois chegou a Maringá.

A família, que na Bahia nunca soube o que é blusa e cobertor, enfrentou na chegada um frio de 0 grau. Na nova cidade, onde diariamente centenas de famílias chegavam no trem, em caminhões e nas jardineiras que faziam ponto na ‘Praça da Pernambucanas’, o baiano fez de tudo: foi roceiro e como funcionário da Companhia Melhoramentos ajudou a retirar tocos de árvores da Avenida Brasil e a plantar as palmeiras imperiais da ‘Praça da Pernambucanas’, que anos depois recebeu o nome de Napoleão Moreira da Silva.

Mas, sua esperança era sempre a safra do café. Nestes períodos, milhares de trabalhadores chegavam de outros Estados para trabalhar na colheita e os mais jovens e fortes queriam mesmo trabalhar nas máquinas de beneficiamento e armazéns, carregando sacos. “Um saqueiro ganhava em uma safra o que demoraria anos trabalhando num serviço comum”, contava sempre.

E foi como jovem e forte que ele carregou muitos sacos de café nos armazéns, encheu vagões de trem e caminhões e chegou a ir trabalhar no Porto de Paranaguá no descarregamento de caminhões e vagões para encher navios com o café paranaense que seguia para a Europa.

Mesmo ganhando muito, os saqueiros trabalhavam em péssimas condições. Como não tinham patrão, também não tinham a quem recorrer nas dificuldades, faltavam condições de segurança, armazéns impunham valores considerados injustos e a maioria não pagava a Previdência. Muitos ficavam ao léu se sofressem acidentes no trabalho – e os acidentes eram muitos e vários chegaram a ficar inválidos. Estas condições fortaleceram os movimentos de trabalhadores, que resultaram na criação de sindicatos no início da década de 1960, entre eles o dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá.

Deco participou ativamente da luta dos trabalhadores da sacaria por melhores condições e acabou sendo eleito presidente do sindicato. Quando percebeu que os armazéns e máquinas não estavam dispostos a oferecer o que a categoria cobrava, chamou uma greve que resultou na paralisação do trabalho nos armazéns, muito café não pode ser embarcado para os portos. Quando o regime militar foi instalado, com o nome de Revolução, os saqueiros de Maringá e região já estavam de braços cruzados e pareceram não ter se importado, possivelmente por não saberem dos anos de chumbo que tal regime imporia ao Brasil nos anos seguintes. Os ensacadores só voltaram a carregar sacas quando algumas garantias foram acertadas.

Quando deixou o sindicato e coincidentemente a cafeicultura entrava em baixa após as geadas de 1975, Adenias foi funcionário da prefeitura e depois foi vender calçados, o que fez até se aposentar forçado por um acidente vascular cerebral.

Se todo mundo que veio para Maringá tivesse ficado, a população hoje seria maior do que a de Curitiba”, contava sempre, quando lembrava de tantos colegas de trabalho que passaram por aqui apenas uma ou duas safras de café. “Os que tinham dinheiro, vinham para cá para se estabelecer, os pobres vinham para trabalhar e a maioria sonhava em voltar para o lugar de onde vieram. Os nordestinos, por exemplo, amam demais sua terra e só saíram de lá por precisão”. Ele, que era nordestino, saiu de sua terra ‘por precisão’, mas no dia que viu Maringá teve a certeza de que não voltaria mais.

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Era para ser dia de festa

Nos últimos anos, o dia 4 de dezembro era sempre dia de festa na nossa família. Era o aniversário do patriarca, Adenias Raimundo de Carvalho, que hoje completaria 94 anos. Deco, como era chamado pelos amigos, partiu um mês antes do aniversário e assim a data que era para ser de festa será de saudade.

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história”, lançado na semana passada pelo jornal O Diário, faz uma homenagem a Deco, um pioneiro maringaense.

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História de Maringá é contada por pioneiros em livro

Para o empresário Franklin Vieira da Silva, presidente do Grupo O Diário, o jornal tem a obrigação de fazer o resgate da história, tornando público o relato daqueles que viveram ou foram testemunhas dos fatos que fizeram a história da cidade. E é para atender a este compromisso que O Diário pela terceira vez publica em livros a história e os relatos dos pioneiros maringaenses.

Frank Silva entrega a homenagem ao ex-vereador e radialista Antonio Mário Manicardi, o Nhô Juca

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história” foi lançado quinta-feira durante café da manhã na Associação Comercial com a presença de várias pessoas que são personagens do livro. A edição, com capa dura, papel couchê e fotos atuais e da Maringá do passado, foi organizada pelo jornalista Edivaldo Magro, com textos de jornalistas com experiência em resgate histórico.

Em trabalhos anteriores O Diário já publicou a história de vários personagens da história maringaense, mas desta vez procuramos mostrar as famílias que chegaram desde a década de 1940, que relatam como era o local em que se construiria a cidade, as dificuldades que enfrentaram e também os momentos de alegria”, disse o idealizador da obra, Edivaldo Magro. “Ao contarmos a história das famílias, mostramos um novo ângulo da história da cidade”.

O engenheiro Edgar Osterroht retratou em seus quadros cenas dos primeiros anos da cidade

A publicação foi pensada como uma colaboração de O Diário às festividades do ano em que Maringá festeja seu 70º aniversário e dividiu as pessoas e famílias por áreas de atuação. O engenheiro Edgar Osterroht, por exemplo, não foi enfocado pelo fato de ter feito parte da equipe da Companhia Melhoramentos, empresa que colonizou a região. Ele foi lembrado como o primeiro artista plástico de Maringá, autor de quadros que mostram como era a cidade no passado. Em uma época em que as poucas máquinas fotográficas registravam momentos em preto e branco, as pinturas de Osterroht registravam em cores vivas cenários e pessoas nos anos 40 e 50.

Outro destacado por seu trabalho artístico é o poeta Antonio Augusto de Assis, o A.A. de Assis, primeiro jornalista da cidade e autor de vários livros de trovas.

A família Meneguetti, que chegou a Maringá em 1946 para explorar um sítio onde hoje é o distrito de Iguatemi, é destacada pelo trabalho no setor industrial, depois de elevar a Usina Santa Terezinha a uma das maiores empresas do Paraná, atrás somente da Copel, Sanepar e duas cooperativas agroindustriais.

O jornal registra a história todos os dias, mas para falarmos do início da cidade, só recorrendo a quem viveu o início da cidade”, disse Frank Silva. “Esta é a terceira vez que O Diário publica livros com os pioneiros e temos a certeza de que preparamos uma publicação digna do orgulho da cidade e de seus pioneiros, um livro para ser guardado e consultado daqui a muitas décadas. Enfim, com mais esta publicação estamos dando a Maringá mais um importante registro de sua história, fazendo o reconhecimento destas famílias que enfrentaram as dificuldades da época e legaram para o futuro uma cidade que vai bem além dos sonhos dos pioneiros”.

O lançamento do livro foi prestigiado pelo vice-prefeito Edson Scabora (PV), vereador Do Carmo (PR), vice-presidente da Associação Comercial, Michel Felippe, e representantes de outros setores.

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Livro de Miguel Fernando traz novas informações sobre o Caso Clodimar

“Sala dos Suplícios” traz novas informações na segunda edição sobre os torturadores que mataram Clodimar há 50 anos

Pela primeira vez os maringaenses poderão conhecer a versão do assassinato do garoto Clodimar Pedrosa Lô contada pelo viajante Antonio Fortes, que teria sido o pivô do caso ao denunciar à direção do Palace Hotel que havia desaparecido uma grande soma em dinheiro que estaria em seu quarto. Por causa da denúncia, o garoto foi apontado como suspeito e acabou torturado até a morte por dois policiais. Ainda como consequência, três anos depois, o pai de Clodimar assassinou com cinco tiros, no centro de Maringá, o gerente do hotel.

A versão de Fortes está na edição revista e ampliada do livro Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, que o historiador Miguel Fernando lança nesta quinta-feira, às 19 horas, no auditório Dr. Miguel Kfouri Neto, na Associação Comercial. Na continuidade das pesquisas após a publicação da primeira edição, o historiador conseguiu a íntegra do depoimento que Antonio Fortes fez perante a Justiça. Pelas palavras do viajante da Casas Alô Brasil é possível entender o momento em que aconteceu a prisão do menino de 15 anos que trabalhava no hotel como carregador de malas e era o único empregado presente no horário em que Fortes achou que o dinheiro havia sido roubado.

Outra novidade da segunda edição de “Sala dos Suplícios” é o relatório do capitão Luiz Gastão Richter, da Polícia Militar de Curitiba, que comandou as forças policiais que encontraram e prenderam os policiais Manoel Gerson Maia e Benerval Merêncio Bezerra escondidos na região de Imperatriz, interior do Maranhão, um ano após terem cometido o mais famoso caso da crônica policial de Maringá.

O historiador Miguel Fernando diz que ainda há muito para se conhecer sobre o caso mais importante da crônica policial de Maringá

Segundo Miguel Fernando, ao publicar a primeira edição, há 10 anos, ele já sabia que sua pesquisa não estava fechada. “Assim como não terminou com esta segunda edição, pois trata-se de um caso que ainda tem muito a ser descoberto e muito mais a ser explicado”. Além da barbaridade praticada pelos dois policiais, Fernando considera o Caso Clodimar um marco na história, pois foi a partir dele que o governo do Paraná promoveu uma mudança geral nas forças de segurança do Estado para que a sociedade visse nela uma proteção e não razão para medo.

Clodimar, de 15 anos, garoto cearense que viveu desde pequeno na Vila 7, foi torturado até a morte no dia 23 de novembro de 1967, há 50 anos.

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Reconstrução dobra a capacidade da Paróquia Cristo Ressuscitado

A Paróquia Cristo Ressuscitado, principal templo católico da Zona 5, em Maringá, estará em casa nova nos festejos de seus 50 anos de instalação, em 2019. O templo atual, construído há cerca de 40 anos, teve uma parte demolida e quando a reconstrução estiver concluída a igreja terá capacidade para receber o dobro de fiéis.

Do antigo templo sobraram somente as paredes e a cobertura Foto: João Cláudio Fragoso

Esta reconstrução estava programada há anos e a nova igreja deveria ser construída na Praça Pio XII, conhecida como Praça das Antenas, cujo terreno pertence à Cúria Diocesana. Porém, como a área há muitos anos é ocupada por antenas de TVs e de emissoras de rádio, houve uma negociação para que as antenas continuem na praça e a igreja seja reconstruída no espaço em que está há quase meio século.

“Na realidade, a estrutura que tínhamos era de um salão paroquial”, explica o padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado. Segundo ele, na época já havia o projeto de construir a igreja na praça e na quadra ao lado ficariam o Centro Pastoral, a TV 3º Milênio e as entidades filantrópicas ligadas à igreja, além do salão paroquial, que foi adaptado para ser usado temporariamente na celebração de missas, casamentos, batizados e outros eventos. Mas o que era para ser temporário continuou até agora.

Arte gráfica mostra como ficará a igreja depois de pronta

A previsão é de que a obra dure um ano e enquanto isso as missas e reuniões estão acontecendo no Centro Pastoral, ao lado. “A área do terreno não permite aumentar muito o tamanho da igreja, mas com ampliações nas laterais e no fundo será possível dobrar a capacidade”, diz o padre Altair. A igreja que funciona no salão paroquial tem capacidade para pouco mais de 500 pessoas, mas quando as obras estiverem prontas a previsão é de que haverá espaço para em torno de 1,2 mil pessoas.

Padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado

O novo templo terá na parte da frente uma torre e a entrada será feita em mármore. A obra está orçada em R$ 2,8 milhões – parte já estava reservada pela paróquia e o restante vem de doações dos próprios fiéis.

 

Um pouco da história

Embora a região Maringá Velho/Zona 5 seja onde nasceu a cidade de Maringá, no início da década de 1940, somente em 1969 ganhou sua própria paróquia, a Cristo Ressuscitado. Com o crescimento da cidade, o bispo diocesano dom Jaime Luiz Coelho criou, em 18 de dezembro de 1969, a Paróquia Cristo Ressuscitado, nomeando o padre Geraldo Schneider como seu pároco.

A igreja construída no início da década de 1970 era de madeira      Arquivo: Maringá Histórica

O padre Geraldo, um alemão que veio para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, fez seus estudos no Paraná, fez o seminário em Curitiba e tinha voltado a Maringá, onde foi ordenado por dom Jaime, seu amigo pessoal e principal incentivador.

Desmembrada da Catedral, a nova paróquia abrangia as zonas 4,5 e 6 da área urbana e, na zona rural o distrito de Floriano, as capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim.

Em 12 de dezembro de 1992 foi criada a paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, desmembrada da Paróquia Cristo Ressuscitado. As capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim, Floriano e São Domingos passaram à nova paróquia.

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Há 50 anos, morte de Clodimar ainda abala a cidade

Justiça falhou e os policiais que mataram o garoto a pancadas morreram sem serem punidos

No meio da multidão havia um caixão. As centenas de pessoas que subiam a pé a Avenida Paraná pararam na linha de ferro, viraram-se para o prédio da cadeia e passaram a gritar impropérios: “assassinos!”, “covardes!” “justiça!”, “vocês vão pagar!”.

Teve quem pegasse em pedras, paus, mas ninguém atirou nada contra a Delegacia, que era o maior prédio da Avenida Paraná. Da colônia de casas dos ferroviários, no outro lado da avenida, mulheres e crianças olhavam em silêncio. Nos armazéns da AGEFF, na beira da linha do trem, homens de cabeça baixa, acompanhavam em silêncio até que decidiram também gritar por justiça.

Naquela sexta-feira de céu nublado, o grupo de pessoas que subia a única pista de terra batida da Avenida Paraná, carregando o caixão, viu o comércio dos dois lados baixar suas portas, pessoas permanecerem na frente, em silêncio, chapéu na mão, cabeça baixa. Todos estavam abismados e inconformados com o que aconteceu. Um menino, que viram crescer ali na vila, foi morto a pancadas. Mas, a revolta era ainda maior porque a barbaridade foi cometida pela polícia.

Nem as pessoas que seguiam o cortejo carregando o caixão de mão em mão, nem as que assistiam dos barrancos da rua sabiam direito o que tinha acontecido. As emissoras de rádio não tinham tocado no assunto, os dois jornais da cidade, “Folha do Norte do Paraná’ e ‘O Jornal’ só publicariam sobre o caso no dia seguinte. Televisão ainda era algo de que, por aqui, só se ouvia falar.

Uma das raras fotos de Clodimar em um documento

No caixão, o garoto Clodimar Pedrosa Lô, de 15 anos, estava desfigurado. O rosto inchado, cheio de hematomas, os olhos pareciam duas bolas de sangue arroxeadas e dava para ver que o crânio estava torto, afundado. As mãos cruzadas sobre a barriga estavam esfoladas, inchadas e roxas e diziam as pessoas que o resto do corpo estava ainda em pior estado.

O garoto tinha morrido ali mesmo, na cadeia da Avenida Paraná, durante a madrugada anterior e quem testemunhou os horrores daquela noite perdeu o sono por muito tempo.

“Era comum a gente ouvir que alguém estava apanhando da polícia, mas naquela noite foi um horror, o menino urrava e os policiais gargalhavam e gritavam como demônios”, contou o barbeiro João Gonçalo, que estava preso na época por ter se envolvido em uma briga de vizinhos. Gonçalo morreu muitos anos depois, mas nunca deixou de contar sobre a noite que o traumatizou para o resto da vida.

 

Sala de tortura

“A gente não via nada, mas todos os outros presos ficaram em silêncio porque entenderam que o que acontecia naquela noite era diferente”, contava. As torturas na 9ª Subdivisão de Polícia de Maringá, no cadeião da Paraná, eram comuns, principalmente depois da implantação no País do regime militar. A polícia se sentia autorizada a bater até que o preso confessasse até o que não fez e assim muitos inocentes eram condenados por assumirem crimes sob pancadas.

Na cadeia de Maringá torturadores da polícia queimavam interrogados com pontas de cigarro, afogavam em baldes com água, aplicavam choques elétricos depois de despejarem um balde d’água no corpo do preso, batiam com cinta, pedaço de pau e havia o temível pau-de-arara, uma barra de ferro que era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra dos joelhos do torturado, colocado entre duas mesas, ficando o corpo pendurado de cabeça para baixo a alguns centímetros do chão.

 

Desculpa inaceitável

Os coices de mula Gerson Maia e Beneval Bezerra durante uma audiência na Justiça depois de serem presos no Maranhão

Os policiais militares Manoel Gerson Maia e Beneval Merêncio Bezerra, lotados na cadeia de Maringá, bateram tanto que o menino morreu, em uma poça de sangue. Tinha sofrido hemorragia interna e o crânio teve afundamento.

Os policiais se apavoraram. Precisavam achar uma justificativa. Colocaram o corpo em um jipe, o famoso “28”, e saíram da cidade em direção a Mandaguari. A certa altura da estrada jogaram o corpo no asfalto e ao chegarem a um médico disseram que o preso tinha pulado do carro em movimento e morrera na queda. Mas o médico não acreditou e informou as autoridades.

Depois, uma autópsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba comprovou que o menino já estava morto quando foi jogado do carro.

 

Bode expiatório

Clodimar foi preso na noite de 23 de novembro de 1967 por ser o único funcionário trabalhando naquela noite no Palace Hotel, na Avenida Brasil, entre as avenidas Duque de Caxias e Getúlio Vargas. Já fazia um ano que ele trabalhava lá como carregador de malas, levando a bagagem dos clientes pelos três andares do prédio sem elevador.

Tarde da noite, um cliente que acabava de chegar da rua – dizem que ele estava embrigadado depois de beber com mulheres na zona do baixo meretrício – chamou o gerente, o italiano Atílio Farris, para reclamar que havia desaparecido dinheiro de seu quarto. Depois de muita discussão, Farris telefonou para a polícia. Os PMs Gerson Maia e Beneval Bezerra chegaram e após algumas conversas chegou-se à conclusão que o dinheiro só poderia ter sido pego por Clodimar, único funcionário presente àquela hora.

 

Santo popular

A comoção gerada na população de Maringá pela morte de Clodimar fez com que nestes 50 anos o seu túmulo seja disparadamente o mais visitado do Cemitério de Maringá. Sobre a laje há centenas de plaquetas de metal depositadas por pessoas que dizem ter recebido graças e milagres após rezarem pedindo a ajuda do menino.

De fato, a morte causou muitas mudanças. O historiador Miguel Fernando, que há mais de 10 anos pesquisa o caso e se debruçou sobre todos os documentos possíveis, diz que foi o crime dos dois policiais que levou o então governador Paulo Pimentel a reformular a Polícia Militar, trocar delegados e altas figuras do comando da PM e determinar firmeza no combate à tortura de presos.

O levantamento feito por Miguel Fernando o levou a publicar o livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, cuja segunda edição, revista e ampliada, será lançada no próximo dia 30, às 19 horas, na Associação Comercial.

 

 

O tio Oésio no túmulo de Clodimar

Sem punição

Diferente do que muito se disse até agora sobre Clodimar Pedrosa Lô, ele não era um garoto que veio do Nordeste fugindo da seca e da pobreza. Embora tenha nascido no interior do Ceará, ele cresceu em Maringá. Morou na Rua Bragança, na Vila 7, estudou no então Grupo Escolar Santa Maria Goretti e desde pequeno participava dos jogos de bola nos campinhos de terra batida. Era conhecido de toda a molecada da vila.

O pai, Sebastião Pedrosa Lô, era muito conhecido porque, junto com o irmão, Oésio, tinha uma caixa d’água na Rua Oswaldo Cruz, que atendida parte da Vila 7 com água encanada de poço artesiano em uma época em que todas as casas só tinham poços caipiras.

De fato ele veio do Nordeste porque, devido a mãe estar adoentada, a família voltou para o Ceará, mas logo ele retornou para Maringá, com 13 anos, e ficou na casa do tio Oésio de Araújo Pedrosa que, além do poço, tinha uma escola de datilografia.

Quando ocorreu a tragédia, ele já trabalhava fazia um ano no Palace Hotel, onde trabalhavam também outros parentes dele.

O advogado Valdecir Guidini de Morais, hoje com 64 anos, foi amigo de infância de Clodimar e o descreve como um garoto tranquilo, que evitava confusão até nos campinhos de futebol. Os primos Amílkar Pedrosa e Shirley Pedrosa Moscardi, que viviam com ele na mesma casa, também o descrevem como brincalhão e preocupado em proteger os parentes menores.

Guidini há anos acompanha tudo o que diz respeito a seu amigo de infância. Como começou a trabalhar no Fórum ainda menino, com 16 anos, assistiu inclusive aos depoimentos dos dois policiais, que foram presos um ano depois quando se escondiam no Maranhão, do vendedor que havia denunciado o sumiço do dinheiro e depois voltou atrás, além do hoteleiro que chamou a polícia. Guidini estudou Direito, foi promotor de Justiça e permaneceu no Fórum por 37 anos, até se aposentar.

“Os policiais Gerson e Beneval foram presos preventivamente, mas em razão da demora na prestação jurisdicional, acabaram sendo beneficiados por uma ordem de Habeas Corpus e soltos, nunca mais sendo localizados. Em face da inoperância da Justiça, a família da vítima, constituída de nordestinos, tinha sede de vingança”, diz Guidini.

 

Justiça própria

De fato, o pai do garoto, Sebastião, voltou para Maringá e por três anos esperou a chance de estar cara a cara com um ou os dois

A família Pedrosa Lô

policiais. Queria o sangue deles. Esperou, mas nunca encontrou os assassinos fugitivos. Nem o viajante que denunciou seu filho. Mas, Atílio Farris, que após o caso havia ido para a Itália e ficado lá dois anos, voltou para Maringá e morava no Centro, na esquina da Avenida Herval com Rua Joubert Carvalho, no primeiro andar do prédio da Cunha Rego Tecidos.

Uma tarde, Sebastião permaneceu em frente ao prédio do gerente do hotel, viu-o sair e seguiu-o por um quarteirão. Na Avenida Brasil, chamou o homem pelo nome. Atílio virou e  ouviu: “O senhor é o ‘seu’ Atílio?”. Ao responder que sim, foi alvejado por cinco tiros e morreu no local, a 100 metros de onde morava. O atirador permaneceu no local, esperando a polícia.

Levado a julgamento, Sebastião tinha a seu lado a opinião pública, mas a defesa não era tão fácil quanto parecia. Guidini lembra que tratava-se de réu confesso, que matou sem dar chance de defesa à vítima, o crime foi premeditado e movido por vingança. A Promotoria tinha farta documentação para acusar o réu, mas os advogados Eli Pereira Diniz, Abel Tonon e Ayres Aniceto de Andrade conseguiram convencer os jurados e seis dos sete membros do Júri absolveram o pai de Clodimar.

 

Personagem histórico

O menino de 15 anos que trabalhava à noite para ajudar a família – naquela época era comum menores serem empregados por empresas ou mesmo trabalhar por conta própria, como os engraxates, vendedores de coxinhas ou auxiliares de serviços mais pesados – não fazia ideia de que de uma hora para outra se tornasse um dos personagens mais comentados da história de Maringá.

“Sala dos Suplícios”, de Miguel Fernando, terá a segunda edição lançada no próximo dia 30

Além de ser lembrado pelos antigos e os fatos repassados para os mais jovens, Clodimar é personagem de um longa-metragem produzido e dirigido pelo publicitário Eliton de Oliveira, é personagem central de uma peça de teatro e do livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, resultado de uma apurada investigação realizada pelo historiador Miguel Fernando, que já está na segunda edição.

 

Arte: Welington Wainer/Infografia O Diário
Fotos: Arquivos O Diário, Maringá Histórica, JC Cecílio
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O preconceito começa na infância e influencia o dia a dia dos negros

São muitos os avanços que os negros conseguiram nestes quase 130 anos desde a abolição da escravidão no País, mas em alguns aspectos a situação ainda é semelhante Aos primeiros anos após a assinatura da Lei Áurea. E são estudos de órgãos governamentais que comprovam isso, como o que mostrou no ano 2000 que 80% dos empregados domésticos são negros, mesmo porcentual apurado logo após a abolição.

Marivânia Araújo diz que a discriminação velada é uma das responsáveis pela alta evasão escolar de crianças negras Foto: João Cláudio

Para a ex-coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e vice-coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros (Neiab), professora Marivânia Conceição Araújo, as razões do não avanço dos negros em determinadas áreas estão ligadas às condições culturais, sociais e econômicas do país, embora isto não apareça explicitamente. Muitas vezes os obstáculos começam ainda na infância.

No espaço escolar está arraigado que a criança negra é menos inteligente e assim ela vai ter menos atenção, menor estímulo e será mais cobrada”, diz Marivânia, diretora de Cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), professora do Departamento de Ciências Sociais e professora doutora em Antropologia. “Um estudo da pesquisadora Irene Cavalheiro junto ao ensino fundamental apurou que a criança negra é menos abraçada, menos estimulada e não é difícil que professores e demais profissionais da educação não saibam o nome dela”, afirma.

Paulo Sérgio Francisco, o Paulo Bahia, militante do movimento negro em Maringá, diz que uma das manifestações do preconceito chega em forma de descaso. “Os japoneses foram importantes na colonização e foram homenageados com a construção do belo Parque do Japão, que custou cerca de R$ 10 milhões. Os negros, que também estavam aqui na colonização e são praticamente metade da população, nunca receberam um espaço para marcar a importância de sua presença. Até a praça que homenageia o líder negro Zumbi foi construída pelos próprios negros há mais de 20 anos e até hoje não foi concluída”.

Marivânia e Bahia concordam que a discriminação está no dia a dia dos negros, seja nas relações pessoais, no trabalho e até no atendimento junto a órgãos públicos. O Ministério da Saúde, por exemplo, lançou uma campanha para estimular a denúncia de discriminação na saúde pública após a constatação de que a maioria das mulheres que morrem durante o parto é de negras. “Isso acontece pela demora no atendimento nas emergências porque existe a ideia de que as negras são mais fortes e, por isto, podem esperar”, diz a professora.

Esta diferenciação se vê também no trabalho da polícia, que entre um negro e um branco a prioridade é abordar e prender o negro, na negligência de defensores públicos, nos patrões que promovem funcionários brancos mesmo que os negros sejam mais capazes”, enfatiza Bahia.

A historiadora Vera Lúcia da Silva diz ter sofrido preconceito a vida inteira e muitas manifestações foram na infância. “Sempre tinha a coleguinha de escola para se referir à minha cor, ao meu cabelo, como se isso fosse algum defeito”. Para ela, ”fala-se muito que o Brasil é um país sem preconceitos, mas isso não é verdade. As pessoas falam que não têm preconceito, mas não querem que filho ou filha se case com um descendente de africano, procura escolher os amigos para os filhos, mas não dão espaço para negros, lá nas suas casas se referem aos negros como se eles fossem inferiores aos brancos. Veja, por exemplo, as crianças que ‘sobram’ nos orfanatos. Primeiro são adotados os brancos com aparência europeia. Ninguém admite abertamente, mas é assim que acontece”.

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Doodle no Google lembra os 107 anos de Rachel de Queiroz

O doodle homenageando Rachel de Queiroz permanecerá na página de busca do Google por 24 horas

Desde o primeiro minuto desta sexta-feira, um doodle especial na home do serviço de buscas do Google lembra o 107º. aniversário de Rachel de Queiroz, a escritora brasileira que foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL), há 40 anos.

Rachel foi jornalista, romancista, cronista, tradutora e teatróloga. Seu primeiro romance “O Quinze”, ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha e “Memorial de Maria Moura” foi transformado em minissérie para televisão pela Rede Globo, estrelado por Glória Pires,  Glória Pires, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira e Marcos Palmeira, e foi apresentado em vários países.

“As três Marias”, de 1939, também virou novela de sucesso na Globo, protagonizada pelas atrizes Glória Pires, Nádia Lippi e Maitê Proença.

Em fins de 1930, com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, através da publicação do romance “O Quinze”, uma obra de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca. O livro foi editado em apenas mil exemplares e já mostrava as características que marcariam toda sua obra.

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Marialva dá adeus a Antonio Pepato, o maestro da música sertaneja

Pepato e seu acordeon à frente da Orquestra Raízes Sertanejas

Vítima de um infarto, morreu na madrugada desta quinta-feira o músico Antonio Pepato, de 68 anos, acordeonista, maestro e um dos fundadores da Orquestra Raízes Sertanejas, de Marialva.

Pepato era de família pioneira de Marialva e por sua influência outros membros da família e amigos também se iniciaram na música. Sob sua direção, a Raízes Sertanejas tem se apresentado em várias cidades paranaenses, obtendo sempre grande sucesso e projetando o nome de Marialva.

Veja vídeo de Pepato e a Orquestra Raízes Sertanejas

Seu amigo José Luiz Boromelo, escreveu sobre Antonio Pepato o seguinte texto:

“Homem simples e de competência comprovada no acordeon, nosso sanfoneiro se foi deixando um legado cultural inestimável. Em quase nove anos à frente de um grupo composto por pessoas comuns, mas encantadas com a universalidade da música, conseguiu proezas inimagináveis, levando alegria para aqueles que apreciam a verdadeira música sertaneja de raiz. Tive o privilégio de conviver e atuar junto a esse profissional humilde mas extremamente aglutinador, que encantava a todos com seu sorriso verdadeiro e suas palavras francas. Em nossas incontáveis viagens por todo o estado, nunca se viu em seu semblante alguma expressão de contrariedade ou aborrecimento, porque simplesmente adorava o que fazia. Então vá com Deus meu amigo, vá alegrar aqueles que se encontram no paraíso.”

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