Presépio de Alexandro e Inês destaca a vida no campo

Alexandre diz que pensou um presépio que represente mais do que o nascimento de Jesus  Foto: João Cláudio Fragoso

A placa no portão anuncia um presépio de Natal, mas quem entra experimentará um passeio no tempo, com oportunidade para conhecer como era a vida algumas décadas atrás, sobretudo na roça. E, é claro, verá também um presépio natalino, só que não exatamente como o presépio tradicional, mas uma representação de um lugarejo rural, com a pracinha da igreja e seus frequentadores.

Assim é o presépio de Alexandro e Inês, na Avenida Brasil, na zona norte de Sarandi. Aberto no dia 9, até ontem já tinha recebido milhares de visitantes. “Os adultos gostam porque é uma oportunidade para recordarem de seu tempo, as crianças porque querem conhecer como era o mundo na época de seus pais e avós”, conta Inês, orgulhosa com tanta gente animada em sua casa. “É gostoso ver os adultos explicando as coisas às crianças, mostrando entusiasmadas as coisas que certamente as crianças não conhecem”.

O presépio de Alexandro e Inês é montado há 20 anos e a cada Natal tem um formato diferente e muitas novidades. O deste ano, por exemplo, conta alguns eventos da história da humanidade, começando com Adão e Eva no Jardim do Édem, o embarque dos bichos na Arca de Noé e o anúncio a Maria de que ela tinha sido escolhida por Deus para ser a mãe do salvador da humanidade. Tudo isto entremeado com representações da vida na roça, com casas de caipiras, com fogão a lenha, vinheira, queijeira, animais, mitório do lado de fora, banheiro com chuveiro de latão.

O presépio ocupa uma pequena casa que existe no quintal da moradia de Inês e Alexandro, usada como oficina por Alexandro, um artesão conhecido que já foi assunto de várias matérias na imprensa regional, inclusive nas páginas de O Diário.

Hoje fala-se “o presépio do Alexandro e Inês”, mas houve uma época que ele era só da Inês. A mulher que cresceu no sítio e foi obrigada a mudar-se para a cidade em 1975, quando as geadas históricas acabaram com os cafezais e provocaram o maior êxodo rural da história do Paraná, começou a montar presépio sozinha, mas o filho único, Alexandro Dias dos Santos, cresceu vendo aquilo, se interessou, desde pequeno começou a ajudar dona Inês Fávaro Calixto dos Santos e tornou-se artesão. Hoje, ele produz boa parte de tudo que há no presépio que constrói com a mãe.

Superação

Inês diz que “não estamos pagando promessa. Fazemos porque gostamos, porque queremos ver felicidade nos visitantes e, acima de tudo, como agradecimento por tudo que Deus nos dá”.

No “tudo que Deus nos dá” ela se refere à graça de ver o filho com independência e fazendo o trabalho artístico de que tanto gosta. Alexandre nasceu com deficiência auditiva e na época os médicos anunciaram que ele jamais ouviria e não aprenderia a falar. Mas, com os especialistas certos e o empenho da mãe, ele é exemplo de superação. Ouve com ajuda de aparelho, fala muito bem, estudou, fez faculdade de Moda e hoje trabalha no Escritório de Desenvolvimento de Projetos, em Maringá.

Serviço

Av. Brasil, 668 – Jardim Independência – Sarandi

Segunda a sexta-feira, de 17h às 22h30

Sábados e domingos das 15h às 23h

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Confirmada a instalação de Colégio da Polícia Militar em Maringá

O Núcleo Regional de Educação inicia em janeiro um estudo para definir qual dos colégios estaduais de Maringá será destinado à implantação do Colégio da Polícia Militar, instituição de ensino que será subordinada à Diretoria de Ensino da corporação e vinculada à Secretaria Estadual de Educação.

A instalação do colégio é uma decisão do governo e foi informada pela vice-governadora Cida Borghetti, que permaneceu no exercício do cargo de titular do governo até a última sexta-feira. Segundo ela, a pretensão do governo é que pelo menos as cidades consideradas polos regionais, que tenham sede de batalhão da PM, contem com colégios, que terão metade das vagas reservadas a filhos de policiais militares e as demais serão disponibilizadas à sociedade, mediante teste seletivo.

Alunos do CPM de Curitiba em formação

A chefe do Núcleo Regional de Educação em Maringá, Maria Inês Teixeira Barbosa, disse que o Colégio da Polícia Militar deverá começar a funcionar em Maringá somente no ano letivo de 2019, porque, além de escolher um estabelecimento, realizar as adaptações, há que ser definida a proposta pedagógica. O de Londrina, que foi autorizado antes pelo governo, poderá funcionar já em 2018.

Segundo Cida Borghetti, o CPM terá um alinhamento muito maior com a PM, objetivando criar oportunidade do jovem cidadão de conhecer a filosofia e a disciplina militares. Além das disciplinas escolares, o colégio vai trabalhar o civismo e a cidadania, hierarquia e disciplina. Os alunos usam uniforme completo e entram em formação, em um processo que visa promover o respeito às autoridades e às leis.

Os colégios do interior devem seguir o modelo do que já funciona há alguns anos em Curitiba, que nos últimos cinco anos foi considerado o melhor colégio público da Capital, além de ganhar vários prêmios pela qualidade do ensino. O CPM de Curitiba oferece 120 vagas para a 5ª série pela manhã e tarde, sendo 80 delas preferenciais para filhos de policiais e bombeiros militares. Para o primeiro ano são 90, sendo 60 preferenciais para famílias de militares.

Colégio pioneiro

A chefe do Núcleo Regional de Educação não confirma, mas o governo tem interesse que a escolha recaia sobre o Colégio Gerardo Braga, no Maringá Velho, primeiro estabelecimento de ensino de Maringá. Há dois anos já houve uma tentativa de extinguir o colégio, o que só não aconteceu devido à reação de alunos, professores e da sociedade, que foram para as ruas protestar.

O que faz do “Gerardão” o ideal para as necessidades da Polícia Militar é que é um dos raros colégios de Maringá com pátio amplo.

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OAB de Maringá cria Comissão de Direito Agrário

Aconteceu ontem à noite a primeira reunião da recém-instituída Comissão de Direito Agrário e do Agronegócio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da região de Maringá para tratar sobre o trabalho a ser realizado e admissão de mais membros na comissão.

Guilherme Bolognini Tavares agora procura interessados para participar da comissão

Comissões nas seções da OAB para tratar de assuntos do agronegócio existem em várias regiões brasileiras, mas curiosamente, em Maringá, importante centro de produção agropecuária do Brasil, só agora é criado um grupo de trabalho para se dedicar ao direito agrário”, disse Guilherme Bolognini Tavares, advogado que presta serviço a várias empresas dos setores agrícola e pecuário, professor de Direito Agrário da Faculdade Maringá e fundador da Comissão de Direito Agrário e do Agronegócio na OAB de Maringá. “Já tínhamos várias comissões internas para praticamente todas as áreas, menos para o agronegócio”.

A comissão deverá promover debates e estudos para preparar melhor os profissionais que atuam no agronegócio, tanto ao lado das grandes cooperativas quanto das empresas menores e mesmo os pequenos produtores. “O agronegócio cresceu e hoje é empresarial e tornou-se mais complexo ao produtor e toda a cadeia produtiva até o consumidor”, diz Tavares, destacando que, diante da complexidade, o produtor e as empresas precisam ter garantida a segurança jurídica, reduzindo assim os riscos da atividade e proporcionando a sustentabilidade.

De acordo com o presidente da comissão, o produtor rural hoje em dia precisa preocupar-se com normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, normas do Ministério da Agricultura, determinações do Ibama e dos órgãos de estaduais de conservação, Imposto Territorial Rural (ITR) e suas avaliações, elaboração de contratos agropecuários de acordo com o Estatuto da Terra, legislações de outros assuntos.

O produtor vai trabalhar com mais tranquilidade e foco na atividade se souber que poderá contar com advogados bem preparados para atuar em seus interesses”, diz Guilherme Tavares. “Para isto, vamos promover encontros e eventos sobre questões relacionadas ao agronegócio, com enfoque na legislação, nos direitos constitucionais, distante de discussões ideológicas sobre as questões agrárias, fundiárias, ambientais, trabalhistas e outras”.

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Mais doce e agora certificada, uva de Marialva alcança bom preço

A produtividade abaixo da esperada para esta safra de verão nem de longe significa frustração para os produtores de uva fina de mesa de Marialva, pois a qualidade da fruta colhida até agora é boa e os preços no mercado são considerados satisfatórios.

As cerca de 500 propriedades rurais que cultivam uva em regime familiar devem colher em torno de 6 mil toneladas até janeiro, volume visto como “bom” em comparação com as últimas safras, mas aproximadamente 30% inferior ao que o município poderia produzir. A produção é tida como boa porque desde 2012 os produtores de Marialva enfrentam uma sucessão de safras problemáticas provocadas por problemas climáticos, como geadas, excesso ou falta de chuvas e queda de granizo.

O produtor Antonio Peres Martines, que cultiva quatro hectares de parreiras na Estrada Marialva, espera colher 50 toneladas nesta safra e diz que sua propriedade tem capacidade para produzir 80 toneladas, mas mesmo assim ele comemora porque a qualidade “está ótima”. Além do fato de o teor de açúcar ser alto, “o brix está adiantado em duas semanas”.

Isto significa que os primeiros frutos colhidos em cada safra não são tão doces quanto os do final, mas nesta safra o teor de doçura “chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Toninho Peres, como é conhecido, não sabe o que fez as frutas adoçarem mais cedo, mas acha que o clima ajudou. Após a safra temporona, que acontece no meio do ano, os parreirais enfrentaram um período de estiagem prolongada, que pode ter tido reflexo na qualidade da fruta que está sendo colhida agora.

A engenheira agrônoma Sonia Vicentini, que como fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Secretaria da Agricultura, acompanha há anos o comportamento da uva de Marialva, considera que esta é uma safra média, afetada pela longa estiagem. Segundo ela, alguns produtores começaram a colher em novembro, mas o grosso da safra acontece em dezembro, quando a fruta atinge sua melhor qualidade.

“No começo de dezembro, a colheita ainda está fraca, mas a oferta atinge seu principal momento a partir do dia 15, quando acontece o forte da comercialização porque o mercado se abastece para as vendas do período natalino”, diz a técnica.

Embora a colheita ainda esteja no início, os produtores consideram que estão conseguindo preços satisfatórios. As variedades Brasil, Itália, Rubi e Benitaka estão rendendo entre R$ 3 e R$ 3,5 por quilo ao produtor. Já a Núbia, variedade desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), está sendo vendida a R$ 4,50. Pelo tamanho, cor vermelha intensa, sabor suave, baixa acidez e doçura, é a uva que mais atrai nas prateleiras dos supermercados e frutarias.

Certificada

Esta é a primeira safra em que Marialva vai vender uva som Selo de Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O município entrou no Mapa das Indicações Geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para isto, 15 produtores passaram dois anos realizando cursos, treinamentos e aplicação de tecnologias e métodos para melhorar a qualidade da uva fina de mesa de Marialva.

A doçura dos frutos chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Antonio Peres, produtor de uva

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Deco e a mais longa viagem de sua vida

TEXTO DO LIVRO “MARINGÁ 70 ANOS”

Nas décadas de 1960 e 1970, um homem negro, pobre e quase analfabeto se destacava em Maringá e cidades da região proferindo palestras sobre leis trabalhistas, traduzindo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para uma linguagem compreensível pelo trabalhador comum e ajudando a criar sindicatos de trabalhadores em todo o norte/noroeste do Paraná.

Em Maringá Adenias foi ensacador de café, presidente de sindicato, funcionário da prefeitura e vendedor de calçados

Este homem era o baiano Adenias Raimundo de Carvalho, na época presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá, sindicato com maior número de associados, ao lado do Sindicato dos Arrumadores. Ele tinha chamado a atenção da sociedade maringaense e dos órgãos de repressão do governo militar ao liderar, no sindicato, aquela que possivelmente tenha sido a primeira greve de trabalhadores do Brasil durante o regime que se estabeleceu no País em março de 1.964. O escritor Laércio Souto Maior, que prepara um livro sobre os movimentos sociais de Maringá nas décadas de 60, 70 e 80, escreveu em sua coluna em O Diário do Norte do Paraná que “o sempre bem humorado Adenias de Carvalho (…) na semana do golpe militar, e nas duas semanas subsequentes, liderou uma greve histórica, enfrentando com coragem as autoridades militares que invadiam as sedes dos sindicatos brasileiros, destituindo suas diretorias. A greve terminou vitoriosa e ficará para sempre na história do sindicalismo maringaense e do Paraná”.

Para presidir o poderoso sindicato por oito anos, Adenias, ou Deco, como o chamavam os mais próximos, teve que se preparar, com noites de leitura de grossos livros sobre leis trabalhistas, sindicalismo e liderança, tarefa que não devia ser fácil para homem de pouco estudo que tinha que ler sob a luz de lamparinas, já que na época, boa parte da Zona 7, onde morava, não tinha rede de energia elétrica. Além disto, a pequena casa de madeira estava sempre cheia de gente, pois era garantia de abrigo para muitas famílias que chegavam da Bahia em busca de melhores dias.

Baiano de Baixa Grande, próxima a Mundo Novo, nunca tinha se afastado mais de 100 quilômetros do lugar onde nasceu quando, no início da década de 50, decidiu fazer a maior viagem de sua vida até então para conhecer o norte do Paraná, de onde chegavam notícias sobre uma terra roxa que dava tudo que se plantasse e, o que é importante para os nordestinos, chovia. Recém-casado com Celina Maria, embarcou em um pau-de-arara junto com o sogro, sogra e uma penca de cunhados, todos menores de idade.

O dinheiro foi curto para chegar ao destino e assim a família passou um curto tempo nos cafezais de São Paulo e só depois chegou a Maringá.

A família, que na Bahia nunca soube o que é blusa e cobertor, enfrentou na chegada um frio de 0 grau. Na nova cidade, onde diariamente centenas de famílias chegavam no trem, em caminhões e nas jardineiras que faziam ponto na ‘Praça da Pernambucanas’, o baiano fez de tudo: foi roceiro e como funcionário da Companhia Melhoramentos ajudou a retirar tocos de árvores da Avenida Brasil e a plantar as palmeiras imperiais da ‘Praça da Pernambucanas’, que anos depois recebeu o nome de Napoleão Moreira da Silva.

Mas, sua esperança era sempre a safra do café. Nestes períodos, milhares de trabalhadores chegavam de outros Estados para trabalhar na colheita e os mais jovens e fortes queriam mesmo trabalhar nas máquinas de beneficiamento e armazéns, carregando sacos. “Um saqueiro ganhava em uma safra o que demoraria anos trabalhando num serviço comum”, contava sempre.

E foi como jovem e forte que ele carregou muitos sacos de café nos armazéns, encheu vagões de trem e caminhões e chegou a ir trabalhar no Porto de Paranaguá no descarregamento de caminhões e vagões para encher navios com o café paranaense que seguia para a Europa.

Mesmo ganhando muito, os saqueiros trabalhavam em péssimas condições. Como não tinham patrão, também não tinham a quem recorrer nas dificuldades, faltavam condições de segurança, armazéns impunham valores considerados injustos e a maioria não pagava a Previdência. Muitos ficavam ao léu se sofressem acidentes no trabalho – e os acidentes eram muitos e vários chegaram a ficar inválidos. Estas condições fortaleceram os movimentos de trabalhadores, que resultaram na criação de sindicatos no início da década de 1960, entre eles o dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá.

Deco participou ativamente da luta dos trabalhadores da sacaria por melhores condições e acabou sendo eleito presidente do sindicato. Quando percebeu que os armazéns e máquinas não estavam dispostos a oferecer o que a categoria cobrava, chamou uma greve que resultou na paralisação do trabalho nos armazéns, muito café não pode ser embarcado para os portos. Quando o regime militar foi instalado, com o nome de Revolução, os saqueiros de Maringá e região já estavam de braços cruzados e pareceram não ter se importado, possivelmente por não saberem dos anos de chumbo que tal regime imporia ao Brasil nos anos seguintes. Os ensacadores só voltaram a carregar sacas quando algumas garantias foram acertadas.

Quando deixou o sindicato e coincidentemente a cafeicultura entrava em baixa após as geadas de 1975, Adenias foi funcionário da prefeitura e depois foi vender calçados, o que fez até se aposentar forçado por um acidente vascular cerebral.

Se todo mundo que veio para Maringá tivesse ficado, a população hoje seria maior do que a de Curitiba”, contava sempre, quando lembrava de tantos colegas de trabalho que passaram por aqui apenas uma ou duas safras de café. “Os que tinham dinheiro, vinham para cá para se estabelecer, os pobres vinham para trabalhar e a maioria sonhava em voltar para o lugar de onde vieram. Os nordestinos, por exemplo, amam demais sua terra e só saíram de lá por precisão”. Ele, que era nordestino, saiu de sua terra ‘por precisão’, mas no dia que viu Maringá teve a certeza de que não voltaria mais.

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Era para ser dia de festa

Nos últimos anos, o dia 4 de dezembro era sempre dia de festa na nossa família. Era o aniversário do patriarca, Adenias Raimundo de Carvalho, que hoje completaria 94 anos. Deco, como era chamado pelos amigos, partiu um mês antes do aniversário e assim a data que era para ser de festa será de saudade.

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história”, lançado na semana passada pelo jornal O Diário, faz uma homenagem a Deco, um pioneiro maringaense.

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História de Maringá é contada por pioneiros em livro

Para o empresário Franklin Vieira da Silva, presidente do Grupo O Diário, o jornal tem a obrigação de fazer o resgate da história, tornando público o relato daqueles que viveram ou foram testemunhas dos fatos que fizeram a história da cidade. E é para atender a este compromisso que O Diário pela terceira vez publica em livros a história e os relatos dos pioneiros maringaenses.

Frank Silva entrega a homenagem ao ex-vereador e radialista Antonio Mário Manicardi, o Nhô Juca

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história” foi lançado quinta-feira durante café da manhã na Associação Comercial com a presença de várias pessoas que são personagens do livro. A edição, com capa dura, papel couchê e fotos atuais e da Maringá do passado, foi organizada pelo jornalista Edivaldo Magro, com textos de jornalistas com experiência em resgate histórico.

Em trabalhos anteriores O Diário já publicou a história de vários personagens da história maringaense, mas desta vez procuramos mostrar as famílias que chegaram desde a década de 1940, que relatam como era o local em que se construiria a cidade, as dificuldades que enfrentaram e também os momentos de alegria”, disse o idealizador da obra, Edivaldo Magro. “Ao contarmos a história das famílias, mostramos um novo ângulo da história da cidade”.

O engenheiro Edgar Osterroht retratou em seus quadros cenas dos primeiros anos da cidade

A publicação foi pensada como uma colaboração de O Diário às festividades do ano em que Maringá festeja seu 70º aniversário e dividiu as pessoas e famílias por áreas de atuação. O engenheiro Edgar Osterroht, por exemplo, não foi enfocado pelo fato de ter feito parte da equipe da Companhia Melhoramentos, empresa que colonizou a região. Ele foi lembrado como o primeiro artista plástico de Maringá, autor de quadros que mostram como era a cidade no passado. Em uma época em que as poucas máquinas fotográficas registravam momentos em preto e branco, as pinturas de Osterroht registravam em cores vivas cenários e pessoas nos anos 40 e 50.

Outro destacado por seu trabalho artístico é o poeta Antonio Augusto de Assis, o A.A. de Assis, primeiro jornalista da cidade e autor de vários livros de trovas.

A família Meneguetti, que chegou a Maringá em 1946 para explorar um sítio onde hoje é o distrito de Iguatemi, é destacada pelo trabalho no setor industrial, depois de elevar a Usina Santa Terezinha a uma das maiores empresas do Paraná, atrás somente da Copel, Sanepar e duas cooperativas agroindustriais.

O jornal registra a história todos os dias, mas para falarmos do início da cidade, só recorrendo a quem viveu o início da cidade”, disse Frank Silva. “Esta é a terceira vez que O Diário publica livros com os pioneiros e temos a certeza de que preparamos uma publicação digna do orgulho da cidade e de seus pioneiros, um livro para ser guardado e consultado daqui a muitas décadas. Enfim, com mais esta publicação estamos dando a Maringá mais um importante registro de sua história, fazendo o reconhecimento destas famílias que enfrentaram as dificuldades da época e legaram para o futuro uma cidade que vai bem além dos sonhos dos pioneiros”.

O lançamento do livro foi prestigiado pelo vice-prefeito Edson Scabora (PV), vereador Do Carmo (PR), vice-presidente da Associação Comercial, Michel Felippe, e representantes de outros setores.

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Livro de Miguel Fernando traz novas informações sobre o Caso Clodimar

“Sala dos Suplícios” traz novas informações na segunda edição sobre os torturadores que mataram Clodimar há 50 anos

Pela primeira vez os maringaenses poderão conhecer a versão do assassinato do garoto Clodimar Pedrosa Lô contada pelo viajante Antonio Fortes, que teria sido o pivô do caso ao denunciar à direção do Palace Hotel que havia desaparecido uma grande soma em dinheiro que estaria em seu quarto. Por causa da denúncia, o garoto foi apontado como suspeito e acabou torturado até a morte por dois policiais. Ainda como consequência, três anos depois, o pai de Clodimar assassinou com cinco tiros, no centro de Maringá, o gerente do hotel.

A versão de Fortes está na edição revista e ampliada do livro Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, que o historiador Miguel Fernando lança nesta quinta-feira, às 19 horas, no auditório Dr. Miguel Kfouri Neto, na Associação Comercial. Na continuidade das pesquisas após a publicação da primeira edição, o historiador conseguiu a íntegra do depoimento que Antonio Fortes fez perante a Justiça. Pelas palavras do viajante da Casas Alô Brasil é possível entender o momento em que aconteceu a prisão do menino de 15 anos que trabalhava no hotel como carregador de malas e era o único empregado presente no horário em que Fortes achou que o dinheiro havia sido roubado.

Outra novidade da segunda edição de “Sala dos Suplícios” é o relatório do capitão Luiz Gastão Richter, da Polícia Militar de Curitiba, que comandou as forças policiais que encontraram e prenderam os policiais Manoel Gerson Maia e Benerval Merêncio Bezerra escondidos na região de Imperatriz, interior do Maranhão, um ano após terem cometido o mais famoso caso da crônica policial de Maringá.

O historiador Miguel Fernando diz que ainda há muito para se conhecer sobre o caso mais importante da crônica policial de Maringá

Segundo Miguel Fernando, ao publicar a primeira edição, há 10 anos, ele já sabia que sua pesquisa não estava fechada. “Assim como não terminou com esta segunda edição, pois trata-se de um caso que ainda tem muito a ser descoberto e muito mais a ser explicado”. Além da barbaridade praticada pelos dois policiais, Fernando considera o Caso Clodimar um marco na história, pois foi a partir dele que o governo do Paraná promoveu uma mudança geral nas forças de segurança do Estado para que a sociedade visse nela uma proteção e não razão para medo.

Clodimar, de 15 anos, garoto cearense que viveu desde pequeno na Vila 7, foi torturado até a morte no dia 23 de novembro de 1967, há 50 anos.

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Reconstrução dobra a capacidade da Paróquia Cristo Ressuscitado

A Paróquia Cristo Ressuscitado, principal templo católico da Zona 5, em Maringá, estará em casa nova nos festejos de seus 50 anos de instalação, em 2019. O templo atual, construído há cerca de 40 anos, teve uma parte demolida e quando a reconstrução estiver concluída a igreja terá capacidade para receber o dobro de fiéis.

Do antigo templo sobraram somente as paredes e a cobertura Foto: João Cláudio Fragoso

Esta reconstrução estava programada há anos e a nova igreja deveria ser construída na Praça Pio XII, conhecida como Praça das Antenas, cujo terreno pertence à Cúria Diocesana. Porém, como a área há muitos anos é ocupada por antenas de TVs e de emissoras de rádio, houve uma negociação para que as antenas continuem na praça e a igreja seja reconstruída no espaço em que está há quase meio século.

“Na realidade, a estrutura que tínhamos era de um salão paroquial”, explica o padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado. Segundo ele, na época já havia o projeto de construir a igreja na praça e na quadra ao lado ficariam o Centro Pastoral, a TV 3º Milênio e as entidades filantrópicas ligadas à igreja, além do salão paroquial, que foi adaptado para ser usado temporariamente na celebração de missas, casamentos, batizados e outros eventos. Mas o que era para ser temporário continuou até agora.

Arte gráfica mostra como ficará a igreja depois de pronta

A previsão é de que a obra dure um ano e enquanto isso as missas e reuniões estão acontecendo no Centro Pastoral, ao lado. “A área do terreno não permite aumentar muito o tamanho da igreja, mas com ampliações nas laterais e no fundo será possível dobrar a capacidade”, diz o padre Altair. A igreja que funciona no salão paroquial tem capacidade para pouco mais de 500 pessoas, mas quando as obras estiverem prontas a previsão é de que haverá espaço para em torno de 1,2 mil pessoas.

Padre Altair Ciarallo, pároco da Cristo Ressuscitado

O novo templo terá na parte da frente uma torre e a entrada será feita em mármore. A obra está orçada em R$ 2,8 milhões – parte já estava reservada pela paróquia e o restante vem de doações dos próprios fiéis.

 

Um pouco da história

Embora a região Maringá Velho/Zona 5 seja onde nasceu a cidade de Maringá, no início da década de 1940, somente em 1969 ganhou sua própria paróquia, a Cristo Ressuscitado. Com o crescimento da cidade, o bispo diocesano dom Jaime Luiz Coelho criou, em 18 de dezembro de 1969, a Paróquia Cristo Ressuscitado, nomeando o padre Geraldo Schneider como seu pároco.

A igreja construída no início da década de 1970 era de madeira      Arquivo: Maringá Histórica

O padre Geraldo, um alemão que veio para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia, fez seus estudos no Paraná, fez o seminário em Curitiba e tinha voltado a Maringá, onde foi ordenado por dom Jaime, seu amigo pessoal e principal incentivador.

Desmembrada da Catedral, a nova paróquia abrangia as zonas 4,5 e 6 da área urbana e, na zona rural o distrito de Floriano, as capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim.

Em 12 de dezembro de 1992 foi criada a paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, desmembrada da Paróquia Cristo Ressuscitado. As capelas de Borba Gato, Pinguinzinho e Placa Pinguim, Floriano e São Domingos passaram à nova paróquia.

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Há 50 anos, morte de Clodimar ainda abala a cidade

Justiça falhou e os policiais que mataram o garoto a pancadas morreram sem serem punidos

No meio da multidão havia um caixão. As centenas de pessoas que subiam a pé a Avenida Paraná pararam na linha de ferro, viraram-se para o prédio da cadeia e passaram a gritar impropérios: “assassinos!”, “covardes!” “justiça!”, “vocês vão pagar!”.

Teve quem pegasse em pedras, paus, mas ninguém atirou nada contra a Delegacia, que era o maior prédio da Avenida Paraná. Da colônia de casas dos ferroviários, no outro lado da avenida, mulheres e crianças olhavam em silêncio. Nos armazéns da AGEFF, na beira da linha do trem, homens de cabeça baixa, acompanhavam em silêncio até que decidiram também gritar por justiça.

Naquela sexta-feira de céu nublado, o grupo de pessoas que subia a única pista de terra batida da Avenida Paraná, carregando o caixão, viu o comércio dos dois lados baixar suas portas, pessoas permanecerem na frente, em silêncio, chapéu na mão, cabeça baixa. Todos estavam abismados e inconformados com o que aconteceu. Um menino, que viram crescer ali na vila, foi morto a pancadas. Mas, a revolta era ainda maior porque a barbaridade foi cometida pela polícia.

Nem as pessoas que seguiam o cortejo carregando o caixão de mão em mão, nem as que assistiam dos barrancos da rua sabiam direito o que tinha acontecido. As emissoras de rádio não tinham tocado no assunto, os dois jornais da cidade, “Folha do Norte do Paraná’ e ‘O Jornal’ só publicariam sobre o caso no dia seguinte. Televisão ainda era algo de que, por aqui, só se ouvia falar.

Uma das raras fotos de Clodimar em um documento

No caixão, o garoto Clodimar Pedrosa Lô, de 15 anos, estava desfigurado. O rosto inchado, cheio de hematomas, os olhos pareciam duas bolas de sangue arroxeadas e dava para ver que o crânio estava torto, afundado. As mãos cruzadas sobre a barriga estavam esfoladas, inchadas e roxas e diziam as pessoas que o resto do corpo estava ainda em pior estado.

O garoto tinha morrido ali mesmo, na cadeia da Avenida Paraná, durante a madrugada anterior e quem testemunhou os horrores daquela noite perdeu o sono por muito tempo.

“Era comum a gente ouvir que alguém estava apanhando da polícia, mas naquela noite foi um horror, o menino urrava e os policiais gargalhavam e gritavam como demônios”, contou o barbeiro João Gonçalo, que estava preso na época por ter se envolvido em uma briga de vizinhos. Gonçalo morreu muitos anos depois, mas nunca deixou de contar sobre a noite que o traumatizou para o resto da vida.

 

Sala de tortura

“A gente não via nada, mas todos os outros presos ficaram em silêncio porque entenderam que o que acontecia naquela noite era diferente”, contava. As torturas na 9ª Subdivisão de Polícia de Maringá, no cadeião da Paraná, eram comuns, principalmente depois da implantação no País do regime militar. A polícia se sentia autorizada a bater até que o preso confessasse até o que não fez e assim muitos inocentes eram condenados por assumirem crimes sob pancadas.

Na cadeia de Maringá torturadores da polícia queimavam interrogados com pontas de cigarro, afogavam em baldes com água, aplicavam choques elétricos depois de despejarem um balde d’água no corpo do preso, batiam com cinta, pedaço de pau e havia o temível pau-de-arara, uma barra de ferro que era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra dos joelhos do torturado, colocado entre duas mesas, ficando o corpo pendurado de cabeça para baixo a alguns centímetros do chão.

 

Desculpa inaceitável

Os coices de mula Gerson Maia e Beneval Bezerra durante uma audiência na Justiça depois de serem presos no Maranhão

Os policiais militares Manoel Gerson Maia e Beneval Merêncio Bezerra, lotados na cadeia de Maringá, bateram tanto que o menino morreu, em uma poça de sangue. Tinha sofrido hemorragia interna e o crânio teve afundamento.

Os policiais se apavoraram. Precisavam achar uma justificativa. Colocaram o corpo em um jipe, o famoso “28”, e saíram da cidade em direção a Mandaguari. A certa altura da estrada jogaram o corpo no asfalto e ao chegarem a um médico disseram que o preso tinha pulado do carro em movimento e morrera na queda. Mas o médico não acreditou e informou as autoridades.

Depois, uma autópsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba comprovou que o menino já estava morto quando foi jogado do carro.

 

Bode expiatório

Clodimar foi preso na noite de 23 de novembro de 1967 por ser o único funcionário trabalhando naquela noite no Palace Hotel, na Avenida Brasil, entre as avenidas Duque de Caxias e Getúlio Vargas. Já fazia um ano que ele trabalhava lá como carregador de malas, levando a bagagem dos clientes pelos três andares do prédio sem elevador.

Tarde da noite, um cliente que acabava de chegar da rua – dizem que ele estava embrigadado depois de beber com mulheres na zona do baixo meretrício – chamou o gerente, o italiano Atílio Farris, para reclamar que havia desaparecido dinheiro de seu quarto. Depois de muita discussão, Farris telefonou para a polícia. Os PMs Gerson Maia e Beneval Bezerra chegaram e após algumas conversas chegou-se à conclusão que o dinheiro só poderia ter sido pego por Clodimar, único funcionário presente àquela hora.

 

Santo popular

A comoção gerada na população de Maringá pela morte de Clodimar fez com que nestes 50 anos o seu túmulo seja disparadamente o mais visitado do Cemitério de Maringá. Sobre a laje há centenas de plaquetas de metal depositadas por pessoas que dizem ter recebido graças e milagres após rezarem pedindo a ajuda do menino.

De fato, a morte causou muitas mudanças. O historiador Miguel Fernando, que há mais de 10 anos pesquisa o caso e se debruçou sobre todos os documentos possíveis, diz que foi o crime dos dois policiais que levou o então governador Paulo Pimentel a reformular a Polícia Militar, trocar delegados e altas figuras do comando da PM e determinar firmeza no combate à tortura de presos.

O levantamento feito por Miguel Fernando o levou a publicar o livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, cuja segunda edição, revista e ampliada, será lançada no próximo dia 30, às 19 horas, na Associação Comercial.

 

 

O tio Oésio no túmulo de Clodimar

Sem punição

Diferente do que muito se disse até agora sobre Clodimar Pedrosa Lô, ele não era um garoto que veio do Nordeste fugindo da seca e da pobreza. Embora tenha nascido no interior do Ceará, ele cresceu em Maringá. Morou na Rua Bragança, na Vila 7, estudou no então Grupo Escolar Santa Maria Goretti e desde pequeno participava dos jogos de bola nos campinhos de terra batida. Era conhecido de toda a molecada da vila.

O pai, Sebastião Pedrosa Lô, era muito conhecido porque, junto com o irmão, Oésio, tinha uma caixa d’água na Rua Oswaldo Cruz, que atendida parte da Vila 7 com água encanada de poço artesiano em uma época em que todas as casas só tinham poços caipiras.

De fato ele veio do Nordeste porque, devido a mãe estar adoentada, a família voltou para o Ceará, mas logo ele retornou para Maringá, com 13 anos, e ficou na casa do tio Oésio de Araújo Pedrosa que, além do poço, tinha uma escola de datilografia.

Quando ocorreu a tragédia, ele já trabalhava fazia um ano no Palace Hotel, onde trabalhavam também outros parentes dele.

O advogado Valdecir Guidini de Morais, hoje com 64 anos, foi amigo de infância de Clodimar e o descreve como um garoto tranquilo, que evitava confusão até nos campinhos de futebol. Os primos Amílkar Pedrosa e Shirley Pedrosa Moscardi, que viviam com ele na mesma casa, também o descrevem como brincalhão e preocupado em proteger os parentes menores.

Guidini há anos acompanha tudo o que diz respeito a seu amigo de infância. Como começou a trabalhar no Fórum ainda menino, com 16 anos, assistiu inclusive aos depoimentos dos dois policiais, que foram presos um ano depois quando se escondiam no Maranhão, do vendedor que havia denunciado o sumiço do dinheiro e depois voltou atrás, além do hoteleiro que chamou a polícia. Guidini estudou Direito, foi promotor de Justiça e permaneceu no Fórum por 37 anos, até se aposentar.

“Os policiais Gerson e Beneval foram presos preventivamente, mas em razão da demora na prestação jurisdicional, acabaram sendo beneficiados por uma ordem de Habeas Corpus e soltos, nunca mais sendo localizados. Em face da inoperância da Justiça, a família da vítima, constituída de nordestinos, tinha sede de vingança”, diz Guidini.

 

Justiça própria

De fato, o pai do garoto, Sebastião, voltou para Maringá e por três anos esperou a chance de estar cara a cara com um ou os dois

A família Pedrosa Lô

policiais. Queria o sangue deles. Esperou, mas nunca encontrou os assassinos fugitivos. Nem o viajante que denunciou seu filho. Mas, Atílio Farris, que após o caso havia ido para a Itália e ficado lá dois anos, voltou para Maringá e morava no Centro, na esquina da Avenida Herval com Rua Joubert Carvalho, no primeiro andar do prédio da Cunha Rego Tecidos.

Uma tarde, Sebastião permaneceu em frente ao prédio do gerente do hotel, viu-o sair e seguiu-o por um quarteirão. Na Avenida Brasil, chamou o homem pelo nome. Atílio virou e  ouviu: “O senhor é o ‘seu’ Atílio?”. Ao responder que sim, foi alvejado por cinco tiros e morreu no local, a 100 metros de onde morava. O atirador permaneceu no local, esperando a polícia.

Levado a julgamento, Sebastião tinha a seu lado a opinião pública, mas a defesa não era tão fácil quanto parecia. Guidini lembra que tratava-se de réu confesso, que matou sem dar chance de defesa à vítima, o crime foi premeditado e movido por vingança. A Promotoria tinha farta documentação para acusar o réu, mas os advogados Eli Pereira Diniz, Abel Tonon e Ayres Aniceto de Andrade conseguiram convencer os jurados e seis dos sete membros do Júri absolveram o pai de Clodimar.

 

Personagem histórico

O menino de 15 anos que trabalhava à noite para ajudar a família – naquela época era comum menores serem empregados por empresas ou mesmo trabalhar por conta própria, como os engraxates, vendedores de coxinhas ou auxiliares de serviços mais pesados – não fazia ideia de que de uma hora para outra se tornasse um dos personagens mais comentados da história de Maringá.

“Sala dos Suplícios”, de Miguel Fernando, terá a segunda edição lançada no próximo dia 30

Além de ser lembrado pelos antigos e os fatos repassados para os mais jovens, Clodimar é personagem de um longa-metragem produzido e dirigido pelo publicitário Eliton de Oliveira, é personagem central de uma peça de teatro e do livro “Sala dos Suplícios: Dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, resultado de uma apurada investigação realizada pelo historiador Miguel Fernando, que já está na segunda edição.

 

Arte: Welington Wainer/Infografia O Diário
Fotos: Arquivos O Diário, Maringá Histórica, JC Cecílio
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