dom jaime luiz coelho



Velório do padre Schneider será encerrado com missa

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Uma missa a ser celebrada pelo arcebispo dom Anuar Battisti, às 15h30, encerra o velório do monsenhor Geraldo Schneider na Catedral Nossa Senhora da Glória, em Maringá. O padre de 81 anos morreu na manhã de ontem depois de sofrer um infarto.

Após a missa, o corpo segue para o Crematório Angelus, no Cemitério Parque, onde será cremado, como era desejo do padre. As cinzas serão depositadas o ossário da catedral. Veja mais

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Só a morte parou o padre Geraldo Schneider

O padre implantou e depois repassou para a Diocese a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil

Mesmo com idade avançada e doente, Schneider considerava que a pregação da Palavra não pode parar e continuou trabalhando

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Um jovem alemão magrelo e sorridente, que ainda não conseguia falar Português, tentando contar piadas de português nos corredores da Santa Casa; um padre de calção, camiseta e chuteiras trocando caneladas com outros peladeiros em campinhos de chão batido; um padre de calção e boné, com apito pendurado no pescoço, orientando treino de times de garotos; um padre sem experiência tentando arrebanhar católicos para construir uma igreja no bairro mais antigo da cidade, a Paróquia Cristo Ressuscitado; um padre sisudo rezando missas na TV ou ainda o padre de idade avançada, amoroso e atencioso, ouvindo confissões ao lado de uma gruta de pedra e obras de reconstrução de uma igreja.

Cada um pode ter uma imagem diferente de como conheceu o padre Geraldo Schneider. Só depende de em que momento se deu o primeiro encontro. Mas, um fato é certeza: ninguém conheceu o padre Geraldo Schneider parado, nem mesmo em seus últimos dias de vida, quando bastante doente continuava ouvindo confissões, fazendo aconselhamento e celebrando missas três vezes por semana. O monsenhor Schneider morreu ontem, por volta das 6 horas da manhã, ao sofrer um infarto fulminante. Tinha 81 anos, 57 deles vividos em Maringá.

O velório está acontecendo na Catedral Nossa Senhora da Glória, onde o monsenhor trabalhou por décadas. Nesta terça-feira serão celebradas missas às 7 horas, 12 e 15h30. Em seguida, como foi desejo expressado pelo religioso, o corpo será cremado e as cinzas depositadas no ossário da Catedral.

Schneider estava aposentado, mas como considerava que “a obra de Deus não pode parar”, continuou trabalhando, só diminuindo o ritmo quando o corpo não conseguiu acompanhar a mente e vontade devido ao avanço da insuficiência renal e problemas cardíacos. Era do tipo que preferia mais cuidar da saúde dos pobres do que da dele mesmo.

O falecimento do monsenhor foi destaque nacional ontem nas TVs católicas e o padre Reginaldo Manzotti fez um pronunciamento na Rede Evangelizar, destacando que Schneider foi um dos primeiros religiosos a perceber a importância do uso dos meios de comunicação em massa na evangelização.

O arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti destacou que embora oriundo de família rica da Alemanha, padre Geraldo “viveu uma vida pobre, dedicada aos pobres”. O prefeito Ulisses Maia (PDT), que conheceu o padre desde que era criança, lembrou que em agosto entregou a ele a Comenda Dom Jaime Luiz Coelho em solenidade realizada na Câmara de Vereadores. A honraria foi proposta pelo então vereador Ulisses Maia, presidente da Câmara à época, e Carlos Mariucci (PT).

Decisão pelos doentes

Nascido em Hünsborn, na Alemanha, pouco antes do início da 2ª Guerra Mundial, Gerhard Schneider se preparou para a vida religiosa desde menino. “O que me fascinava muito na juventude era servir aos doentes. Depois que comecei a entender mais a vida religiosa, me interessei também por acrescentar, na ajuda aos doentes, a parte espiritual. Queria ser alguém a serviço do corpo e da alma, o que faço até hoje”, contou a O Diário.

Em 1956, na Alemanha do pós-guerra, Schneider integrava a Congregação dos Irmãos de Misericórdia. Na década de 60, a ordem o enviou para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia de Maringá, que na época funcionava em um barracão de madeira na Vila Operária. Na cidade, o jovem tornou-se amigo do bispo dom Jaime Luiz Coelho, que era presidente da Santa Casa, e deu continuidade aos estudos religiosos. Depois foi para o seminário, em Curitiba, de onde saiu padre. Foi o primeiro maringaense a ser ordenado padre na Diocese de Maringá, ordenado por seu amigo dom Jaime.

Logo no início de sua vida de padre, recebeu de dom Jaime a incumbência de iniciar uma comunidade religiosa na Zona 5. Nascia assim a Paróquia Cristo Ressuscitado, em 1969. Permaneceu como pároco até 2002.

Realizador

Paralelo ao trabalho na igreja, Schneider era um homem que não conseguia ficar parado e, usando o dinheiro que herdou da família, realizou muitas obras em Maringá,

Aos 80 anos, padre Geraldo estava empenhado em construir hospital para pobres do Haiti

como um seminário próximo de onde hoje é o Parque do Japão, fundou a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil, construiu a Capela de Adoração do Santo Sacramento, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, implantou o Museu de Arte Sacra, construiu a sede da Obra do Berço, que atende gestantes, e teve participação importante em várias entidades filantrópicas, entre elas o Marev. Por mais de 20 anos visitou presos regularmente para pregar a Palavra de Deus, coordenou a Pastoral Universitária e a Pastoral do Cemitério. No domingo à tarde, foi pela Pastoral que ele celebrou uma missa no cemitério, seu último trabalho como padre.

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Dom Anuar visita restos mortais do monsenhor Kimura, no Japão

Dom Anuar e o padre Hélio Takemi Sakamoto, da Pastoral Nipo-Brasileira, no ossário da cidade de Fukuoka, na Arquidiocese de Nagasaki, no Japão

O arcebispo metropolitano de Maringá, dom Anuar Battisti, esteve nesta terça-feira no ossário em que estão depositados os restos mortais do monsenhor Miguel Kimura, que trabalhou muitos anos em Maringá, em especial junto à comunidade nipônica, e foi um dos responsáveis pela organização da Paróquia São Francisco Xavier, que por muitos anos era conhecida como “a igreja dos japoneses” e do Colégio São Francisco Xavier.

Kimura foi um dos primeiros padres de Maringá. Com a criação da Diocese em 1956, o primeiro bispo, dom Jaime Luiz Coelho, vendo uma grande presença de japoneses e sendo muitos católicos, a pedido da família Kimura, da cidade de Floresta, solicitou o auxílio de um padre japonês para o atendimento espiritual.

Em novembro de 1958 chegou a Maringá o padre Yoshimi Kimura, um missionário católico que, apesar do sobrenome igual, não tinha qualquer parentesco com os Kimura que já estavam aqui e com quem ele trabalharia junto.

No Brasil, o padre ganhou o nome de Miguel, mas encontrou algumas dificuldades por não saber falar algo em Português. Dependia de intérprete para tudo. Não falava, mas pensava e agia muito e logo atraiu toda a comunidade nipônica da região para as celebrações, no idioma pátrio dele. A capela, criada para os jovens do internato, ganhou o nome de São Francisco Xavier, homenageando o missionário Jesuíta que disseminou o Cristianismo no Japão. O templo cresceu e passou a ser frequentado pelas famílias japonesas residentes em cidades vizinhas.

O padre Kimura organizou o Centro Cultural São Francisco Xavier, uma instituição assistencial, educacional e religiosa, sem fins lucrativos. A primeira iniciativa foi a construção de uma creche, que cuidasse de crianças, enquanto as mães pudessem trabalhar.

O monsenhor Kimura morreu em 1967, durante uma viagem ao Japão para visitar familiares.

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Dona Nair, a professora do barracão da Vila 7, e os tempos do barro e poeira

As donas de casa da Rua Marquês de Abrantes, na Vila 7, podiam acertar o relógio pela hora que a professora passava. De cabelos bem cuidados, sempre maquiada, de óculos, vestidos elegantes e de saltos altos, a professora Nair era pontual e, na medida em que seguia seu caminho, começava a ser acompanhada por grupos de meninos e meninas de guarda-pós brancos, calçados com sandálias de couro ou Alpargatas Roda, embornal de pano grosso com a cartilha, dois cadernos – um de linguagem e um de continha – e alguma coisa para comer no recreio.

A escola ficava na Rua Jangada, exatamente onde terminava a Marquês de Abrantes, na parte da frente de um barracão de madeira, sem energia elétrica e a água vinha de um poço, tirada em baldes. O mictório era uma casinha de madeira em um terreno baldio do outro lado da rua. Na parte dos fundos da escola viviam, paredes-meias, várias famílias, todas com muitos filhos e que criavam galinhas soltas no quintal.

Aos 84 anos, Nair Loquetti Rodrigues lembra com saudade o tempo em que lecionava em um barracão de madeira sem energia elétrica e água encanada

Essas imagens não saem da lembrança de dona Nair Loquetti Rodrigues, de 84 anos, primeira professora da Escola Isolada Santa Maria Goretti, que se aposentou na década de 1980 depois de 27 anos de trabalho na mesma escola, tempo em que viu o colégio isolado virar escola municipal, depois grupo escolar e nas últimas décadas colégio estadual. Nos últimos anos de trabalho ela teve em suas classes várias crianças que eram filhas daqueles aluninhos de guarda-pó e bornal lá dos primeiros anos da década de 60.

“Eu tive uma aluna chamada Luzia Manfrinatto, que morava em um sítio onde hoje é a UEM (Universidade Estadual de Maringá), cresceu, casou e um dia apareceu na escola com uma menina de sete anos e exigiu que a criança fosse alfabetizada por mim, da mesma maneira que alfabetizei a ela”, conta.

As dificuldades para trabalhar na escolinha da Vila 7 parecem não ter aborrecido a primeira professora. Afinal, ter que amassar barro para chegar nos dias chuvosos ou voltar para casa toda empoeirada eram os mesmos problemas de todo mundo na época. A cidade não tinha asfalto e a energia elétrica chegava a apenas alguns bairros. O transporte coletivo também era incipiente, tanto que ela sempre foi e voltou a pé.

A escolinha na verdade estava em um barracão que tinha sido cedido à igreja católica e o bispo dom Jaime Luiz Coelho pretendia montar um orfanato. A Vila 7, que é a parte da Zona 7 abaixo da Avenida Colombo e compreendida entre as ruas Quintino Bocaiúva e a atual Lauro Eduardo Werneck, estava em formação e um grupo de moradores, liderado pelo pioneiro Antonio Manfrinatto, pediu ao bispo apoio para que o bairro tivesse uma escola. O bispo abriu mão do barracão depois que surgiu a oportunidade de criar o Lar Escola da Criança em uma chácara onde hoje é o Jardim Novo Horizonte.

Nair, uma paulista de Presidente Venceslau que já era professora desde os 18 anos em escolas da zona rural, foi a primeira professora da Maria Goretti. Depois chegaram também dona Guiomar e dona Idalina.

Na sala de paredes de madeira escurecida pelo tempo, a única luz era a natural que entrava pelas janelas. Quase sempre, a professora tinha que esquecer a elegância, dar de mão a uma vassoura para varrer a sala e convocar alunos para tirar a poeira das carteiras de madeira.

Meninos ocupavam o lado direito da sala, meninas o outro. As aulas começavam sempre com a oração do Pai Nosso e terminavam com uma Ave Maria. Todos tinham hinário e sabiam de cor o Hino Nacional, o da Independência, o da Bandeira, do Paraná e de Maringá. Aprendiam também canções especiais para o Dia das Mães, Dia dos Pais, das Crianças e outras datas.

“As professoras estavam muito isoladas de tudo e tinham que usar a criatividade para oferecer certas atividades”, lembra Nair. Ela, por exemplo, chegou a escrever pequenas peças de teatro que eram encenadas pelos alunos em dias de festa e fez letras de música alusivas a determinadas datas.

Hoje, o Colégio Estadual Maria Goretti está em um prédio que fica a cerca de 200 metros do local em que nasceu, 56 anos atrás. Em seu histórico não consta que ele já funcionou em um barracão de madeira e nem que suas professoras pioneiras foram Nair, Idalina e Guiomar. Nem alunos, nem professores de lá sabem da luta dos primeiros dias, como se aquela parte da história tivesse sido apagada, embora dezenas de senhores e senhoras, hoje sexagenários, também tenham em suas lembranças os tempos em que, de guarda-pós, alpargatas nos pés, bornal do lado com cartilha “Caminho Suave”, os cadernos de Linguagem, Aritimética e o hinário, acompanhavam a professora que chegava elegante por ruas poeirentas.

 

Mais sobre o Maria Goretti

Depois de funcionar em um barracão de madeira da Rua Jangada, a Escola Santa Maria Goretti funcionou durante o ano de 1964 em uma sala cedida pelo Grupo Escolar Ipiranga (hoje, colégio), na Rua Campos Sales, e em 1995 foi inaugurado, pela prefeitura, o prédio próprio, no final da Rua Paranaguá.

O prédio, onde hoje funciona o Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), na época tinha três salas de aula, uma pequena cozinha para o preparo da merenda, e uma salinha para a direção.

 

Mais sobre Nair

Capa do livro de poesias de Nair Loquetti Rodrigues

Aposentada, dona Nair hoje mora em um apartamento no centro de Maringá, com o marido Antonio Rodrigues, seu parceiro de quase seis décadas, onde recebe as visitas dos cinco filhos (Margarete, Elisabete, Silmara, Wandercássio e Paulo Henrique), dos 11 netos e dos seis bisnetos. Nos próximos meses a família cresce com a chegada de mais dois bisnetos.

Além de saborear com doçura as lembranças de seu início no Magistério, dona Nair se entrega a uma de suas maiores paixões: escrever poesias. Com apoio da família, ela selecionou algumas das muitas poesias que escreveu e foi publicado o livro “Nair, uma vida de fé em versos”, que pode ser encontrado nas livrarias maringaenses.

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Aos 80 anos, padre Geraldo Schneider continua cheio de projetos e disposição

O nome verdadeiro é Gerhard, dado na pia batismal ao jovem nascido na cidade de Hünsborn, na Alemanha pré-nazista, em 1936. Foi como Geraldo, no entanto, que ele fez história, em Maringá. Não por ser um padre que chegou a ser destaque na revista “Veja”, por causa das inovações na forma de celebrar missas, mas pelas obras que realizou, como a implantação do Museu de Arte Sacra, em 1990, construção de capelas rurais, construção da sede da Obra do Berço e fundação da TV Terceiro Milênio.

No dia seis deste mês, o sacerdote comemorou oitenta anos; quase sessenta deles vividos em Maringá, cidade onde ganhou fama de pessoa que paga para trabalhar. Apesar de há muito tempo não ter a obrigação de celebrar missas, o nome dele continua em alta, tanto que a vida e obra estão para sair, em breve, em livro e em DVD.

Um alemão na Santa Casa

Aos 80 anos, padre Geraldo continua cheio de projetos e disposição para continuar trabalhando

Aos 80 anos, padre Geraldo continua cheio de projetos e disposição para continuar trabalhando

Schneider ainda era Gerhard quando chegou em Maringá na virada dos anos cinquenta do século passado. Desde menino, na Alemanha, ele se preparou para a vida religiosa e a oportunidade mudar para o Brasil surgiu quando a Congregação Irmãos de Misericórdia de Maria Auxiliadora precisou enviar alguém para auxiliar o padre João Jansen nos trabalhos iniciais da Santa Casa de Misericórdia, que começava a funcionar na tentativa de melhorar as precárias condições de saúde dos trabalhadores da zona rural e operários. Não por acaso, a instituição, uma das mais antigas da cidade, foi criada na Vila Operária, o bairro que nasceu para receber a classe trabalhadora.

O que me fascinava muito na juventude era servir aos doentes. Depois que comecei a entender mais a vida religiosa, me interessei por acrescentar, na ajuda aos doentes, a parte espiritual. Queria ser alguém a serviço do corpo e da alma, o que faço até hoje”, diz o padre, que há quase 15 anos trabalha como confessor e conselheiro, atendendo dezenas de pessoas, por dia, em uma sala da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória.

Na Santa Casa, o jovem alemão fazia de tudo, principalmente, ouvir os doentes. Para melhorar a assistência espiritual, levou em frente os planos de ser padre, deu continuidade aos estudos religiosos e ingressou no seminário de Curitiba, de onde saiu sacerdote.

De volta a Maringá, tornou-se pessoa da confiança do bispo dom Jaime Luiz Coelho, um dos responsáveis pela fundação da Santa Casa. O bispo gostava do espírito cheio de iniciativas e da facilidade que o jovem sacerdote tinha para realizar tarefas, elaborar projetos e buscar os meios para realizá-los. Para dom Jaime, o padre Geraldo tinha muito o que fazer por Maringá e só precisa de apoio.

Com dom Jaime fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Com dom Jaime fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Uma das primeiras tarefas dadas pelo bispo dom Jaime Luiz Coelho ao padre Geraldo Schneider foi iniciar uma comunidade religiosa na região do Maringá Velho e da Zona 5. Nascia assim o embrião do que se tornou a Paróquia do Cristo Ressuscitado, em 1969.

O bispo, que morreu em agosto de 2013, acompanhou toda a trajetória do padre Geraldo, inclusive, quando ele se aposentou das funções na Cristo Ressuscitado e decidiu continuar trabalhando, desta vez, como confessor e conselheiro na Catedral.
Mas, a cabeça cheia de planos, aos 80 anos ainda projeta coisas para serem realizadas. E são muitas, algumas bastante ousadas, como levar atendimento de saúde ao povo do Haiti, por meio da construção de um pequeno hospital.

O que será realizado, ninguém sabe, mas quem viu o tanto de coisa que o padre Geraldo sonhou, projetou e realizou, não pode duvidar do que ainda vai acontecer.

 

Esporte e encenações para melhorar a evangelização

A reciprocidade entre o padre e os fiéis na recém-criada Paróquia do Cristo Ressuscitado foi imediata. Ele foi aos poucos perdendo o sotaque germânico, começou a ser chamado de Geraldo, montou times de futebol para oferecer ocupação saudável a garotos “para evitar que permanecessem nas ruas aprendendo coisas que não prestam”, comandou a construção de um novo templo, inventou a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que até hoje atrai gente da cidade inteira, e criou o segundo canal de televisão de Maringá, a TV Terceiro Milênio e esteve envolvido na criação de várias entidades, entre elas o Marev.

Foram 35 anos à frente da paróquia, o que o fez um padre que permaneceu toda a carreira na mesma comunidade. E também nos sermões, ele fez sucesso. Nos anos oitenta do século passado, o sacerdote foi destaque na revista “Veja” pelas inovações que fazia na celebração das missas. Novidades que atraíam, cada vez, mais féis, lotavam a igreja e viravam assunto de comentários. As missas tinham projeção de imagens. Hinos religiosos eram entoados ao som de atabaques e nervosas guitarras elétricas e na hora do sermão tinha representação teatral de trechos bíblicos.

Segundo dizia, nos sermões tradicionais o aproveitamento dos fiéis era de 30% do que ouviam, enquanto que com recursos audiovisuais subia para 70%.

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