geraldo altoé



Um ano sem Geraldo Altoé

Ontem fez um ano que Maringá perdeu um de seus mais tradicionais professores, Geraldo Altoé, um dos pioneiros da educação ginasial da cidade e que participou da criação do primeiro curso superior de Maringá, o de Ciências Econômicas, que foi o embrião da criação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Para matar a saudade do mestre, veja este vídeo:

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Geraldo Altoé, um dos mais antigos professores de Maringá, morre aos 90 anos

Eu tive a sorte de ter sido aluno de todos aqueles professores maringaenses que ficaram na história, aqueles que iniciaram a Educação na cidade, como Ary de Lima, Aniceto Matti, Walter Pelegrini, Bernardino, Bacarin, Hiran, Renato Bernardi, Dalisbor, Jair, Vitor, entre outros, e um dos que mais me despertou admiração e respeito foi Geraldo Altoé, um mestre com quem tive várias oportunidades de conversar nos últimos anos, eu cheio de curiosidade e ele cheio de projetos.

Ele vai, como foram os outros, mas sua obra fica, seus ensinamentos e exemplos continuam nas mentes de milhares que, como eu, tiveram a honra de ser seus alunos.

É claro que o momento é de tristeza, principalmente para os familiares, mas ele sempre soube que cumpriu o papel que lhe coube neste mundo.

Geraldo AltoéFoto: site angelorigon.com.br

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Capixaba do município de Castelo, Altoé e a esposa, Anna Teresa Sesconeto chegaram a Maringá em 1952 e ele foi um dos primeiros professores do Ginásio Maringá, hoje Colégio Gastão Vidigal, que na época funcionava no prédio onde hoje é o Instituto Estadual de Educação.

Ele fez parte da equipe que deu início à Faculdade de Economia, que marca o início da instalação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Nos últimos anos ele ainda teve ânimo para desenvolver uma pesquisa sobre os primeiros anos da radiofonia de Maringá, trabalho que resultou no livro “O Rádio em Maringá”.

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Um gênio passou por aqui. Era para ser apenas um turista italiano

Um homem de raciocínio extraordinariamente rápido, inteligência aguda, que lia muito e de tudo, que tinha ambição pelo conhecimento. Em suma, um gênio, para quem o mundo era uma universidade e os livros os mestres.

Giampero Monacci viveu apenas 10 anos em Maringá, tempo suficiente para deixar seu nome na história do ensino do Paraná

Giampero Monacci viveu apenas 10 anos em Maringá, tempo suficiente para deixar seu nome na história do ensino do Paraná

Assim os professores antigos e pessoas que estudaram no Colégio Gastão Vidigal nas décadas de 1950 e 1960 descrevem Giampero Monacci, um italiano aventureiro que fez história na educação de Maringá.

Giampero tinha ânsia de conhecer de tudo e talvez por isto tenha viajado tanto, ido a tantos lugares.

O professor Geraldo Daltoé e sua mulher, Anna Tereza, talvez tenham sido os maiores amigos de Giampero e sua mulher, Marie Louise, uma francesa que entre os amigos era conhecida como Marilu, e o descrevem como um gênio zeloso pelo ensino, bravo e intransigente naquilo que tinha razão, mas “um doce de pessoa na convivência com os amigos”.

Altoé o Monacci foram professores no Gastão Vidigal, na época em que o colégio funcionava onde hoje é o Instituto Estadual de Educação e moravam odo outro lado da rua. Assim, saiam por um portãozinho dos fundos da escola e já marcavam o que iam fazer à noite.

Como bom italiano, ele gostava de cozinha massas, umas macarronadas deliciosas, que comíamos com vinho”, lembra Anna Tereza. “A convivência dos dois casais era maravilhosa, eles, como estrangeiros, aprendiam conosco sobre o Brasil e nós ficávamos sabendo da Itália, terra dele, e da França, terra de Marilu”.

Giampero Monacci, que é nome de rua no Jardim Novo Horizonte, nome de um colégio em Itambé e da Olimpíada de Matemática que a prefeitura realizava anualmente, nasceu em Pisana região da Toscana, Itália, em 1925, e cresceu na mesma região que foi pisada por gênios como o arquiteto Diotisalvi, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Dante Alighieri, Filippo Brunelleschi, Nicolau Maquiavél, Rafael e o seu preferido, Galileu.

O amor pela matemática e pela física vem da infância. Depois de formar-se, resolveu preparar-se para integrar o pessoal especializado que servia no Império Colonial na África. Fez parte da juventude fascista, lutou nos campos de guerra, mas descobriu que Mussolini estava errado e passou para o lado dos aliados, como telegrafista. Ao terminar a guerra, era tenente. Queria conhecer o mundo, saiu da Itália, foi para França e chegou a Suíça. Foi durante muitos anos desenhista e arquiteto.

A chegada ao Brasil foi inusitada. Depois de casar-se com Marie Louise, o casal estava em lua-de-mel em um navio em direção à Argentina, mas conheceu a bordo os brasileiros Oscar Pereira de Souza e Anthero Alfredo Chaves Santos, que era diretor do Gastão Vidigal, na época Ginásio de Maringá, que o aconselharam a vir para o Brasil. Chegou ao País em dia de Carnaval, em março de 1954, e se apaixonou pelo lugar.

O casal acabou chegando a Maringá e Giampero assumiu as cadeiras de matemáticas, física e química do Ginásio, aprendeu rápido o português e deu aulas também de inglês, francês, estatística e mecanografia, passou por vários colégios de Maringá, Mandaguaçu, Campo Mourão, Loanda, Sabáudia e Cianorte. Ele foi ainda professor na Faculdade de Ciências Econômicas de Maringá, de onde nasceu a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e inspetor regional de Ensino em Maringá e em Mandaguari.

Giampero Monacci morreu em Maringá de problemas renais com 39 anos, em junho de 1964, dois meses depois do início do regime militar no Brasil.

Amizade à base de macarrão,
vinho e três idiomas

Professor Geraldo Altoé, o primeiro e maior amigo

Professor Geraldo Altoé, o primeiro e maior amigo

Se estivesse vivo, hoje, o professor Giampero Monacci teria 90 anos. E se continuasse em Maringá – o que seria muito difícil, levando-se em consideração o espírito cigano -, já seriam 62 anos na cidade e certamente seu grande amigo continuaria sendo Geraldo Altoé, cada um esticado em uma cadeira “preguiçosa” reclamando das dores da idade, falando dos velhos tempos ou teimando um com o outro.

Geraldo e Giampero se afeiçoaram desde que se conheceram, em 1954. Os dois eram novatos na cidade, tinham a mesma idade, ambos professores, casados há pouco tempo e trabalhavam juntos no Ginásio Maringá, que funcionava onde hoje é o Instituto de Educação. Para completar, moravam vizinhos e as mulheres dos dois, Marie Louise, de Giampero, e Anna Tereza, de Geraldo, também viraram grandes amigas.

Em uma época em que a televisão ainda não tinha chegado às casas e não existia computador nem internet, o bate-papo era a melhor forma de convivência. E era um bate-papo de alto nível: um italiano que conhecia meio-mundo, um capixaba professor de História apaixonado pela história de lugares que o amigo conhecia, uma francesa e uma brasileira.

Era conversar e cozinhar. Marilu fazia pratos franceses. O italiano era o campeão das massas e o casal capixaba mandava ver na moqueca famosa do Espírito Santo, além dos pratos destacados da cozinha brasileira. Cozinhar e beber, principalmente, vinho.

As conversas eram difíceis, pois da bebedeira os idiomas pátrios ficavam mais fáceis que o Português que se tentava aprender.©

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Meio século de um dia histórico para Maringá

Este domingo é uma data histórica para o ensino superior de Maringá. Há exatos 50 anos era instalada a Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Maringá, primeiro curso de ensino superior da cidade e que foi o marco inicial para a criação da UEM.

Entre os fundadores da faculdade estava o bispo dom Jaime Luiz Coelho, que foi seu primeiro diretor. O secretário era o jovem Geraldo Altoé.

Da primeira turma, apenas nove alunos continuam vivos e apenas três moram em Maringá.

Nestes dias, José Almeida Guimarães, Donaldi Serra e Ademar Schiavone recebem seus antigos companheiros João Slongo, João Galdino de Medeiros, Farid Curi, Takaaki Sakamoto, Raul Paulo Neto e Shinitiro Shima, que estão chegando das cidades onde moram hoje.

Além de uma merecida festa, junto com os professores José Cassiano Gomes dos Reis Junior, José James da Silveira, o cônego Benedito Vieira Telles, Ademaro da Silva Barreiros, Irineu Scraba e Geraldo Altoé, os primeiros alunos de Economia de Maringá serão recebidos pelo reitor da UEM.

Certamente eles deverão se lembrar bem do primeiro dia em que estiveram juntos para a aula inaugural, que foi ministrada por uma verdadeira lenda do ensino de Economia no Brasil, o professor Roberto Simonsen, que era professor da Fundação Getúlio Vargas.

A vida de Simonsen a Maringá foi tão marcante para os acadêmicos que eles deram o nome do professor ao diretório acadêmico do curso, o primeiro diretório acadêmico da região de Maringá.

 

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