Luiz de Carvalho



Com estiagem, quebra no trigo já chega a 20%

Pelo menos 20% da safra de trigo do noroeste paranaense já estão perdidos em consequência da estiagem que persiste há um mês e meio, mas os prejuízos poderão aumentar, já que a meteorologia só prevê chuvas abundantes em setembro. A quebra da safra vem somar-se à redução que já era prevista devido à diminuição da área destinada à cultura no Paraná, em torno de 8%.

O produtor temia pela geada, que se chegasse em um período em que os grãos ainda estão na fase de enchimento, poderia comprometer a produtividade, mas o que aconteceu foi a seca prolongada, que está matando os perfilhos – ramos que surgem a partir do caule principal da planta”, disse o técnico agrícola Moacir Luiz de Andrade, da Cooperativa Agroindustrial de Mandaguari (Cocari). Com a falta de umidade no solo, as plantas não alcançam porte ideal e as espigas que estão nos perfilhos não obtém bom preenchimento dos grãos.

Adilson José Abrão observa que além das perdas provocadas pela estiagem, agora há o ataque de pulgões         Foto: João Cláudio Fragoso

A lavoura da família Abrão, na Gleba Guaiapó, é um exemplo do que disse o técnico da Cocari. Segundo Adilson José Abrão, que planta junto com o pai, Fausto, e o irmão Alberto, grãos que deveriam estar hoje com cerca de 1 grama, não passam de meio grama e em muitos casos os grãos estão esfarinhando. “As plantas em que os grãos ainda estão na fase chamada de ‘em leite’ não há como o ciclo se completar sem umidade no solo”, disse.

De acordo com Abrão, se nesta semana chover o suficiente para encharcar as raízes, “o prejuízo estanca aqui, mas se a chuva não for suficiente, pode piorar”.

A preocupação dos produtores é que os institutos meteorológicos contratados pelas cooperativas esperam chuvas mais significativas somente a partir de setembro, quando o todo o trigo do Paraná já terá sido colhido, às vésperas do início do plantio do soja da safra de verão.

Contávamos que tiraríamos cerca de 110 sacas por alqueire, mas do jeito que está já prevemos uma média de 80”, diz Adilson Abrão, que já recorreu ao seguro agrícola na certeza de quebra da produção.

Para completar os problemas dos triticultores paranaenses, nesta semana os trigais ficaram infestados de pulgão, uma das pragas mais prejudiciais do trigo. Os danos ocasionados por estes insetos podem ser diretos, por meio da sucção de seiva e do efeito tóxico da saliva, ou indiretos, pela transmissão de espécies de dois tipos de vírus. O tipo e a severidade dos danos diretos variam de acordo com a espécie de afídeo, a intensidade do ataque e o estágio de desenvolvimento da planta no momento da infestação.

Os Abrão iniciam hoje a aplicação de defensivo para combater o pulgão, mas contando que a cada litro do produto (R$ 150) eleva o custo de produção.

O preço do trigo ao produtor vem tendo aumentos consideráveis nas últimas semanas, saindo de R$ 31 no início do mês para R$ 36,50 a saca de 60 quilos ontem na região de Maringá, o que, segundo os produtores, seria um bom valor se a produtividade compensasse, mas ainda longe dos R$ 42 que conseguiram na safra passada.

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Bolsonaro: Temer ficou sem moral para continuar

Aos 62 anos, Jair Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há 26 e colecionou mais de 30 ações na Justiça por falar o que pensa – ou falar sem pensar. Já desagradou companheiros de parlamento, políticos de todas as linhas, principalmente os da esquerda, negros, índios, gays e até mulheres. Mas, se orgulha porque nenhuma das ações na Justiça são por corrupção.

Jair Bolsonaro diz que as hostilidades contra sua pessoa estão desaparecendo

Em um momento em que o Brasil acompanha a maior onda de denúncias de corrupção da história, o deputado mais bem votado do Rio de Janeiro ganhou destaque por estar em uma posição em que pode disparar suas palavras ferinas por todos os lados. Muito mais gente passou a ver que ele tem razão no que diz e a popularidade cresceu, principalmente com a força das redes sociais.

“Por muito tempo, eu seria hostilizado ao comparecer a uma universidade. Hoje, chego, sou ouvido e saio aplaudido”. Segundo ele, o tempo contribuiu para que as pessoas o conhecessem melhor e pudessem comparar seu perfil com o de políticos de renome que hoje estão afundados em denúncias, muitos deles já nas garras da Operação Lava Jato.

O polêmico político hoje causa histeria por onde passa. Tanto pelos simpatizantes quanto pelos adversários, que já perceberam que ele é o homem a ser batido. Na sexta-feira, sua barulhenta passagem foi por Maringá, onde, ao final da programação, conversou demoradamente com O Diário.

 

O DIÁRIO.— Este Jair Bolsonaro que o povo está conhecendo agora, com a língua ferina, é verdadeiro ou um personagem?
JAIR BOLSONARO — Quem me conhece há mais tempo sabe como sou. Ninguém conseguiria passar tanto tempo vivendo um personagem só para dar Ibope.

O giro pelo Brasil já é campanha eleitoral?
Não posso dizer que sou pré-candidato para não ferir a Lei Eleitoral, mas estou me preparando para esta possibilidade. Se houver oportunidade, serei sim candidato.

Em Maringá a plateia de Bolsonaro foi formada por jovens

Em Maringá e em Londrina um público jovem o aplaudiu com entusiasmo. O senhor acredita que suas ideias estão convencendo a juventude?
Até algum tempo atrás, eu seria hostilizado em uma universidade, hoje fui bem recebido em uma e o público jovem entendeu minha mensagem. É uma mensagem que o Brasil precisa ouvir.

Por que o senhor era hostilizado?
A hostilidade sempre existiu e vai continuar existindo e eu era hostilizado principalmente por causa das mentiras contadas pela esquerda sobre o Brasil.

E como mudou?
Muitos dos que eram contra mim, vendo toda esta carga de informações, vendo seus ídolos na política sendo acusados de corrupção, vão se envergonhando de fazer manifestação contra minha pessoa e às vezes enxergam que pretendo fazer diferente do que estão fazendo com o País. Com o tempo, isto vai mudando, as pessoas foram vendo o que era verdade e o que era mentira, que não sou o bicho-papão que pintavam.

Que análise pode ser feita do Brasil atual?
O momento político do Brasil é o pior possível. A crise não é apenas política: é ética, moral, econômica e política. Mas, o Brasil tem potencial para sair desta situação.

Como chegamos a esta situação?
É o loteamento. O que leva à corrupção é a ineficiência do Estado. E enquanto tivermos este loteamento que vemos e ganhou muito destaque com as últimas denúncias. Enquanto o governo for loteado, a corrupção vai continuar.

E vai sair disto?
Vai ter que sair. Se não, temos que comprar lote no cemitério. E ir para o cemitério não está nos meus planos.

O senhor acha que o governo Temer respira por aparelho?
Michel Temer representa o que é a política tradicional brasileira, nunca preocupado com o futuro do País e sim com seu grupo. Agora, o que vai acontecer no curto prazo depende dele mesmo, num primeiro momento, depois do TSE, no início de junho. Não quero botar lenha na fogueira, mas a situação dele está muito complicada e o Brasil merece um quadro diferente do que tivemos nos últimos anos.

Na sua opinião, ele deveria se afastar?
A renúncia é uma atitude pessoal dele. Logicamente que para o bem do Brasil seria melhor ele se afastar. Fica difícil, fica comprometida a credibilidade dele ao aceitar receber, nos porões do Jaburu, pessoas que a sociedade já sabe que estão comprometidas diante da Justiça. Fica complicado, depois de um gesto destes, para uma pessoa que está na condução dos destinos do Brasil.

Em uma eventual saída ou cassação de Temer, qual será o caminho?
Se ele vier a cair por um motivo qualquer, teremos eleições indiretas pelo Parlamento. Esta é a regra do jogo .

Numa eleição direta, o senhor pensa em concorrer?
De forma alguma. Neste caso, quem vota são os deputados e senadores e este é um tipo de eleitorado que não quer Bolsonaro no comando do País. Em uma eleição indireta, as chances ficam com os grandes partidos e com os acordos que serão firmados. Certamente, alguém que seja eleito em uma situação destas não terá como levar em frente o combate à corrupção.

A Operação Lava Jato está em perigo?
Sim. Existe a possibilidade ela se acabar. Agora mesmo dois ministros do Supremo Tribunal Federal querem reinterpretar a prisão após a condenação em segunda instância. Querem passar para a terceira instância. Basicamente isto será um golpe mortal na Lava Jato, porque, no mínimo, levaremos 20 anos para que o STJ [Superior Tribunal de Justiça] venha julgar e punir os culpados em episódios como os que estamos vendo e que envergonham e revoltam o Brasil.

O senhor tem criticado os projetos de reformas do governo. Que defeito tem o projeto que muda a Previdência?
Meu pai já dizia que algumas coisas são como remendo novo em roupa velha. Este é o caso do projeto para a Previdência. Ele está sendo muito focado na questão da idade e isto não pode ser generalizado. Eu estive no Piauí e lá a expectativa de vida de um trabalhador é de 69 anos, segundo o IBGE. É desumanidade fazer levar uma pessoa a só se aposentar no fim da vida. Este projeto de reforma não tem meu apoio, apesar de reconhecer que alguma coisa precisa ser feita.

E a reforma trabalhista?
Eu votei favorável porque ela não suprimiu nenhum direito até porque tudo o que se fala, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia, entre outros direitos, estão previstos no artigo sétimo da Constituição. E o que nós votamos foi um projeto de Lei. A classe empregadora tem dito que a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] tem que ser reformada, afinal, é um país de muitos direitos e poucos deveres e perdemos a competitividade com o resto do mundo.

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Abandonado, Brinco da Vila vira boca de fumo

A Guarda Municipal de Maringá iniciou uma operação noturna para afastar usuários de drogas, traficantes e ladrões que ultimamente ocuparam o Estádio Brinco da Vila, na Vila Operária, e se tornaram um problema para a vizinhança. O trabalho deve se repetir hoje, amanhã, depois de amanhã, até que o histórico espaço esportivo deixe de ser uma boca de fumo.

O Brinco da Vila é um dos últimos campos da época de ouro do futebol amador em Maringá Foto: João Paulo Santos

Segundo o coordenador da Guarda Municipal, Reginaldo Diniz, a situação do Brinco da Vila é o principal motivo de reclamações da comunidade à Guarda nas últimas semanas. “Tanto a Guarda quanto a Polícia Militar têm feito rondas constantes e vários indivíduos foram detidos naquele local, mas agora vamos realizar um trabalho mais constante e efetivo”.

O estádio da Vila Operária, que já foi sede do time que representava o bairro no Campeonato Amador e do Grêmio de Esportes Maringá nas décadas de 1970 e 1980, virou boca de fumo devido a seu estado de abandono.

Há muito tempo que isto aqui está abandonado, o mato cresceu, pedaços do muro caíram e há lixo acumulado em vários pontos”, diz uma dona de casa que mora em frente. Segundo ela, tanto no interior do espaço quando do lado de fora “não há sequer uma lâmpada funcionando, os drogados levaram sofás e passam a noite aí consumindo drogas e ameaçando quem passa na rua”.

Praticamente todas as casas vizinhas já foram furtadas ou assaltadas, algumas mais de uma vez. “Eles levam o que acham pela frente, desde tênis no quintal até celulares e outros objetos dentro de casa, sem contar que muitas pessoas são assaltadas na rua”, relata outra vizinha. “O clima é de muita insegurança, tanto para quem mora perto quanto quem tem que passar pela rua”.

Este estádio tem importância histórica para a cidade, está próximo ao centro e é um patrimônio público”, diz Carlos Alexandre de Oliveira, que também mora vizinho. “É lamentável que as autoridades tratem desta forma um espaço que poderia estar oferecendo ocupação e entretenimento a jovens e idosos”. Ele cita que, devido à presença constante de usuários de drogas, as pessoas evitam frequentar a Academia da Terceira Idade (ATI) existente no local.

Ocupar para conservar

Na prefeitura, ninguém sabe explicar a que secretaria está afeto o Estádio Brinco da Vila. “Ainda nesta semana, vou sentar com o secretário de Assistência Social e Cidadania [Ederlei Alkami] para discutirmos um aproveitamento daquele espaço”, disse o secretário de Esportes, professor Valmir Fassina.

Segundo ele, a secretaria tem planos em desenvolver atividades esportivas no local e sabe-se que a Assistêcia Social também tem um projeto para jovens.

As duas secretarias precisam de espaço para desenvolver algum tipo de trabalho e o Brinco da Vila oferece as condições ideais. Tendo atividades, a comunidade volta a frequentar o ambiente, inclusive a ATI”, diz Fassina.

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CMDCA cobra política para crianças indígenas

Na cultura indígena, as crianças sempre acompanham os pais

Deve chegar ao prefeito Ulisses Maia (PDT) nos próximos dias a Resolução do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) que cobra ações da prefeitura para a promoção da valorização cultural dos indígenas que vêm à cidade para comercializar artesanato. A cobrança tem o intuito de minimizar os impactos gerados por ações de preconceito e discriminação, especialmente com relação às crianças.

Segundo a presidente do Conselho, Márcia de Souza, muito já foi discutido sobre as crianças indígenas, que acompanham seus pais à cidade e permanecem nas ruas, muitas vezes em pontos de trânsito perigoso. “Como muitas solicitações já foram feitas ao poder público, porém como nunca houve qualquer ação das autoridades, o CMDCA, com base nas atribuições que lhe são conferidas por leis Federal e Municipal, realizou sessão plenária em novembro e decidiu pela publicação de uma Resolução no final do ano”.

Márcia de Souza, presidente do CMDCA de Maringá

Como o CMDCA é deliberativo, encarregado por definir a política de valorização da criança, cabe agora à administração municipal cumprir às determinações. O Ministério Público, por meio da Promotoria da Infância e Juventude, se encarregará de fiscalizar o cumprimento.

Por questões culturais, as crianças indígenas são diferenciadas sob os olhos da Lei e vêm à cidade porque, pela cultura de seus povos, toda a família sai da aldeia junto quando chega a época da comercialização de artesanatos, período que coincide com as férias escolares na aldeia”, diz a presidente do Conselho. Nos finais de ano, a quantidade de indígenas que vem a Maringá é muitas vezes maior do que a capacidade que a Associação Indigenista de Maringá (Assindi) tem de abrigo-las e, assim, centenas de famílias ficam desalojadas, procurando se abrigar em construções, prédios desocupados ou mesmo em barracas que armam em terrenos baldios.

O que o Conselho requer é a participação das populações indígenas em eventos culturais realizados no município para a comercialização de artesanato e apresentações culturais. Também determina que a Secretaria de Cultura (Semuc) encaminhe proposta formal de projeto intersetorial para valorização das culturas indígenas por meio da criação de um Festival Indígena, com feira de artesanato e manifestações culturais.

Publicada por Luiz de Carvalho
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Sobra consumo e falta oferta de orgânicos em Maringá

A falta de assistência técnica é apontada pelos produtores como principal

entrave para o crescimento da produção

No Brasil, o crescimento do mercado é quase três vezes maior do que

no resto do planeta

Diferente do que acontece no âmbito nacional, onde o mercado de alimentos orgânicos cresce a taxas invejáveis entre 20% e 30% ao ano, em Maringá está estagnado, embora o potencial de consumo seja o dobro ou até o triplo. A estagnação deve-se à falta de condições de aumentar a produção, que continua basicamente a mesma há pelo menos 10 anos.

Para o engenheiro agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater, principal incentivador da produção de orgânicos na região, “consumo tem de sobra, o que falta é oferta, principalmente por falta de assistência técnica”. Segundo ele, entre todos os órgãos envolvidos com o setor produtivo, apenas três técnicos da Emater atendem os produtores orgânicos nos 30 municípios polarizados por Maringá, ele próprio em Maringá, outro em Mandaguari e o terceiro em Marialva.

As pessoas que se dedicam à produção de orgânicos geralmente são da agricultura familiar e precisam de assistência constante, o que é praticamente impossível para apenas três técnicos em 30 municípios”, diz, lembrando que a agricultura orgânica requer compromisso e dedicação do produtor, muito mais do que a produção convencional.

Outro problema citado por Ogassawara é que não existe uma área específica para a agricultura orgânica e assim as poucas propriedades dedicadas à atividade estão cercadas por grandes fazendas onde se pratica a agricultura extensiva, geralmente com aplicação excessiva de venenos. “Na nossa região, nas terras revezam-se a soja e o milho, que requerem grandes cargas de defensivos. Assim, os insetos deixam de atacar estas culturas, mas selecionam outras, geralmente optando por aquelas em que não haja veneno.

Sérgio Suzuki foi pioneiro na produção de orgânicos em Maringá Foto: João Carlos Fragoso

A produção orgânica em Maringá é tão pequena que nem chega aos supermercados interessados em oferecer a opção sem veneno a seus clientes”, diz o produtor Sérgio Suzuki, que junto com o irmão Robertson produz em 10 hectares na Estrada Bandeirantes. Tudo que é produzido pelos irmãos é comercializado na Feira do Produtor e nas Feiras Verdes, mesmo mercado utilizado pelos demais produtores orgânicos.

Segundo Suzuki, a produção livre de veneno vale a pena financeiramente, primeiro por ter mercado garantido, segundo porque, diferente da produção convencional, os orgânicos não sofrem grandes variações de preços. “Muita gente pensa que os orgânicos são mais caros, mas é engano: é o convencional que sobe e desce de acordo com os excessos ou falta de produção”. Segundo ele, se os produtores de Maringá produzissem três vezes mais, venderiam tudo “porque há consumidor interessado”. Para ele, a produção é pequena e poucos se interessam pela atividade porque dá muito trabalho e há pouca assistência técnica. Outro problema é a falta de mão de obra. Como em Maringá é grande a oferta de empregos no comércio, indústria e prestação de serviços, não sobram pessoas dispostas a trabalhar como empregado ou boia-fria nas pequenas propriedades rurais.

Brasil cresce mais

De acordo com os registros do projeto Organics Brasil, nos últimos anos o crescimento do mercado brasileiro de alimentos orgânicos variaram entre 20% e 30%, índice considerado muito bom, já que globalmente o crescimento fica entre 5% e 11%. Isto significa que no Brasil o crescimento chega a quase três vezes mais do que no resto do planeta, embora o país ainda represente menos de 1% da produção e do consumo mundial.

Entre os alimentos que devem ampliar o faturamento dos orgânicos a partir deste ano estão produtos lácteos e de origem animal, com maior valor agregado.

16

é o número atual de produtores orgânicos em Maringá, a maioria dedicando-se à produção de hortaliças

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Cianortenses choram a morte do ídolo Danilo

Fotos: João Cláudio Fragoso

A pacata Rua Francisco Tourinho, na Vila 7, que passa na lateral da Igreja Sagrado Coração de Jesus, ontem passou o dia com o trânsito impedido e centenas de pessoas em frente a casa número 207, com muitas pessoas chorando a morte do goleiro Marcos Danilo Padilha, uma das vítimas da queda do avião que transportava o time da Chapecoense para o início da sua primeira decisão de título internacional, em Medeln, na Colômbia.

Laíde é confortada por conhecidos no momento da confirmação da morte do filho

Laíde é confortada por conhecidos no momento da confirmação da morte do filho

A casa onde mora o casal Alaíde Celine Padilha e Nilson Padilha, pais do goleiro, mais a irmã Daniele, esteve cercada por antigos conhecidos da família, amigos de infância, jogadores e ex-jogadores que atuaram com Danilo no Cianorte Futebol Clube, onde o atleta esteve nas equipes de base e depois teve duas passagens como profissional. Também integrantes da imprensa passaram o dia diante da casa, inclusive representantes de grandes veículos de comunicação, como as redes Globo, Record e SBT.

O clima era de muito sofrimento, pois além da morte do ídolo do bairro, informações desencontradas só pioravam a situação. A mãe e o pai do jogador, Alaíde e Nilson Padilha, receberam a primeira informação da queda do avião ainda durante a madrugada, mais tarde ficaram sabendo pela televisão e internet que Danilo havia sido resgatado com vida e por volta das 10 horas chegou a notícia de que ele não resistiu aos ferimentos, mas até por volta das 14 horas várias informações desencontradas tumultuaram a ponto de o casal decidir que só aceitaria informações se fossem oficiais, dadas pela diretoria da Chapecoense. “É uma notícia diferente a cada minuto. Meu coração está despedaçado. Eu jamais achei que passaria por esse momento. Não consegui assimilar. Não está sendo fácil. Não temos notícias concretas. Cada um fala uma coisa. Vamos aguardar a confirmação para saber se foi dada a morte dele mesmo. Ninguém falou ainda: ‘seu filho, foi'”, disse Alaíde, funcionária de uma emissora de rádio de Cianorte.

A comunicação definitiva só chegou no final da tarde, motivo de desespero para a família e para as pessoas que tinham levado seu apoio.

Nilson (de camisa vermelha) foi o último membro da família a falar com Danilo, horas antes do acidente na Colômbia

Nilson (de camisa vermelha) foi o último membro da família a falar com Danilo, horas antes do acidente na Colômbia

O último membro da família a falar com Danilo foi o pai, Nilson, por volta das 14 horas da segunda-feira. “Sempre que ia viajar, ele telefonava, falava comigo e com a mãe. Na segunda-feira só eu estava em casa na hora, conversamos um pouco e eu desejei a ele que continuasse fazendo aquelas defesas marivilhosas, como as que levaram a Chapecoense à final da Copa Sul-Americana”, disse.

Luto por 6

O prefeito Claudemir Bongiorno decretou luto oficial de três dias no município pela morte não somente de Danilo, mas também do técnico Caio Júnior e os jogadores Thiaguinho, Gimenez, Marcelo e Ailton Canela que também atuaram na cidade. Três deles ainda tinham contratos vigentes com o clube da cidade.

Caio Júnior sempre esteve em alta na consideração do torcedor do Cianorte, pois conseguiu levar o clube a uma final e a uma participação histórica na Copa do Brasil, quando derrotou o Corinthians por 3 a 0 em partida realizada no Estádio Willie Davis, em Maringá. O Cianorte Futebol Clube suspendeu suas atividades por tempo indeterminado.

Menino da Vila

Ainda menino, Danilo já era destaque como goleiro em equipes infantis, como mostra a foto divulgada por amigos em redes sociais

Ainda menino, Danilo já era destaque como goleiro em equipes infantis, como mostra a foto divulgada por amigos em redes sociais

Danilo é ídolo da Vila 7, onde os moradores não se furtam em demonstrar admiração pelo garoto que viram crescer no bairro, a ponto de em um dos bares mais frequentados da vila estar exposto um banner gigantesco com a foto do goleiro fazendo uma de suas defesas históricas.

Nestes últimos jogos da Copa Sul-Americana, cada vez que ele tinha uma grande atuação, no outro dia só se falava no Danilo, o povo daqui tinha muito orgulho dele”, comentou o aposentado Hélio Bodezan, vizinho da casa em que o goleiro cresceu e seus pais e a irmã Daniele continuam morando.

Desde cedo todo mundo sabia que o Danilo ia ser um grande goleiro”, comentou o agricultor Antonio Geraldo Segatini, que também foi vizinho e há muitos anos é amigo da família. “Os times eram de garotos, mas ele era diferenciado, mostrava uma categoria acima dos demais e tinha personalidade”.

Quando alguém falava do garoto que surpreendia por suas defesas, apontava para o campo de futebol que fica do outro lado da rua, bem em frente a casa em que Danilo Padilha cresceu. “A gente só cruzava a rua, o campo estava à disposição da gente o tempo todo”, disse o amigo Sérginho Feitosa, que estava com vários rapazes que também foram amigos de infância e de bola de Danilo. “Nós tivemos que trabalhar, mas ele se destacou também no futsal e logo chegou aos times de base do Cianorte. Da base para o time titular foi um pulo”.

Lorenzo, aos dois anos, se espelha no pai e também quer ser goleiro

Lorenzo, aos dois anos, se espelha no pai e também quer ser goleiro

Profissionalizado, Danilo foi reserva, depois titular do Leão do Vale, esteve emprestado no Arapongas, depois no Operário de Ponta Grossa e acabou voltando ao Cianorte, onde trabalhou com o técnico Cláudio Tencatti, que depois o levou para o Londrina. Desde 2013 o goleiro estava na Chapecoense, onde tornou-se ídolo, casou-se e é pai do garoto Lorenzo, de dois anos, que sempre o acompanhava nos treinos e até batia bola com os profissionais do clube.

O gol em que o garoto começou a mostrar seu talento está exatamente na frente da casa em que cresceu

O gol em que o garoto começou a mostrar seu talento está exatamente na frente da casa em que cresceu

Segundo o amigo Serginho, desde bem pequeno Danilo já estava definido que seria goleiro. “Ele nunca quis outra posição, sempre jogou no gol e logo mostrou que debaixo do travessão era seu lugar”.

O atleta sempre nos finais de ano passava alguns dias de Cianorte com a mulher e o filho e aproveitavam para bater bola como nos velhos tempos. Segundo o fotógrafo Adalto Santana, amigo do pai do goleiro e que acompanhou o início de sua carreira, “ele nunca mudou, continuou sendo uma pessoa simples, que dava atenção a todo mundo e não esqueceu os velhos amigos”.

Museu

Danilo e o goleador Bruno Rangel, também morto no acidente, exibem as camisas 100

Danilo e o goleador Bruno Rangel, também morto no acidente, exibem as camisas 100

A casa de madeira da família Padilha guarda muitas lembranças da carreira do filho ídolo, como bandeiras dos clubes onde ele atuou, troféus e a famosa camisa número 100, da Chapecoense, que ele usou em sua centésima partida pelo clube catarinense. A 150 também já chegou e só não está exposta porque o pai do goleiro, Nilson, mandou colocá-la em uma moldura e ainda não a recebeu de volta.

O desejo do craque era que seus pais guardassem suas relíquias para que no futuro, depois que ele encerrasse a carreira, transformasse um dos cômodos da casa em um pequeno museu que contasse a história de sua carreira.

danilo

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Paróquias oferecem atendimento psicológico gratuito a famílias carentes

Imagem meramente ilustrativa

Imagem meramente ilustrativa

Nunca antes na história da Arquidiocese de Maringá tantos psicólogos se voluntariaram para oferecer, gratuitamente, atendimento psicológico a pessoas de baixa renda. Só na Catedral Nossa Senhora da Glória cerca de 70 profissionais participam da Ação Psicológica da Pastoral Social, atendendo de um a quatro pacientes por semana, trabalho que acontece também em outras paróquias. Antes, eram de 15 a 20 os psicólogos da Catedral.

Magnéia Rocha, coordenadora da equipe de psicólogos que atende na Catedral

Magnéia Rocha, coordenadora da equipe de psicólogos que atende na Catedral

Com este trabalho estamos ajudando pessoas, às vezes famílias inteiras, que não teriam como pagar por atendimento em uma clínica, mas ele é importante também para o profissional, que aprende muito com a experiência”, diz a coordenadora da Ação na Catedral, psicóloga Magnéia Rocha. “É uma doação que os profissionais estão fazendo, que não custa nada para eles, mas é de grande valia para quem precisa”, completa a também psicóloga Rosemary Parras Menegatti, que lidera a equipe que atende na Paróquia Bom Jesus de Praga/São Francisco Xavier, no Jardim Novo Horizonte.

A diarista Jacyra M., moradora no Conjunto Ney Braga, diz só ter a agradecer pela existência da assistência psicológica na igreja católica. “Minha família está passando por certos problemas, que estão afetando as crianças, inclusive na escola. Foi a escola que encaminhou meu menino para uma psicóloga da igreja e já nos primeiros encontros percebi a mudança, para melhor, é claro, no comportamento dele, que agora vai bem na escola também”.

Segundo Jacyra, ela não teria como pagar por sessões em uma clínica. “Este é um trabalho que pode trazer grande alívio a quem está com problemas e não tem como pagar”, diz ela.

Segundo Magnéia Rocha, o trabalho na Catedral é a menina dos olhos do padre Virgílio Cabral dos Santos, que deu início à Ação ainda quando trabalhava na paróquia de Jandaia do Sul. “Está dando tão certo que sempre estão surgindo mais psicólogos dispostos a ceder um pouco de seu tempo para ajudar quem precisa”, explica, lembrando que a equipe conta com o apoio também de psiquiatras, nutricionistas e fonoaudiólogos.

Na Paróquia Bom Jesus de Praga/São Vicente Xavier o trabalho está passando por uma reestruturação, com um projeto que envolve o padre Nelson Molina, a ex-coordenadora Alessandra de La Torre e a nova coordenadora, Rosemary Menegatti. “O atendimento começou há 16 anos, por iniciativa dos padres Pedro Ryô Tanaka e Sidney Fabril, e estamos reestruturando para direcionarmos melhor a quem realmente precisa de nosso apoio”, diz Menegatti.

Rosemary Menegatti, coordenadora da ação na Paróquia Bom Jesus de Praga/São Francisco Xavier

Rosemary Menegatti, coordenadora da ação na Paróquia Bom Jesus de Praga/São Francisco Xavier

Segundo ela, a procura nunca esteve tão grande quanto ultimamente. A maioria dos casos é de crianças encaminhas pelas escolas, donas de casa em processo depressivo, pessoas que ficaram viúvas ou estão se separando de seus cônjuges, pessoas que sofreram perda de algum ente querido, além de quem recebeu dianóstico de alguma doença grave.

Na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Jardim Aeroporto, o trabalho também já é antigo e a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Esperança, vai oferecer o serviço em breve.

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Recanto Somos Todos Irmãos, o braço social da AMEM

2710PLEMENTOS-20I02Como uma das mais antigas entidades da cidade, a Associação Espírita de Maringá (Amem), nascida em 1952, como Centro Espírita Fé, Amor e Caridade, destaca-se também pelo trabalho social que realiza há quase meio século por meio do Recanto Espírita Somos Todos Irmãos (Resti), o braço da assistência social da instituição, que é leva assistência a crianças de famílias carentes, idosos, dependentes químicos e famílias pobres.

De acordo com o presidente da Amem, sociólogo Lannes Boljevac Csucsuly, o Recanto ocupa uma área de meio alqueire na Avenida José Moreno Júnior, em frente ao campus do Unicesumar, e todas as atividades desenvolvidas para o crescimento e progresso de crianças desprotegidas e expostas à vulnerabilidade são realizadas por voluntários e cerca de 10 funcionários.

O Resti nasceu como uma creche mantida somente pelos membros da Associação, mas com o tempo firmou convênio com a prefeitura e os recursos para manutenção vêm de promoções realizadas pela Amem junto à comunidade maringaense. Assim, cerca de 80 crianças carentes dispõem a semana inteira do serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, que é ocupação para o período em que não estão na escola, para que não permaneçam nas ruas expostas a situações de risco.
Várias atividades são oferecidas para ocupação das crianças, como futebol, música, pintura, informática, xadrez, reforço das disciplinas escolares, principalmente em Português e Matemática.

As crianças contam ainda com almoço e lanches, que são preparados por Zilda Salu de Souza, uma mulher de 47 anos cuja história tem ligação estreita com a instituição. Ela conta que teve duas filhas, praticamente, criadas pelo Recanto e, agora, tem também neta e sobrinhos que crescem lá. Ela própria é funcionária do Recanto e, assim, está sempre perto das crianças dela. “Saber que os filhos estão sendo cuidados por pessoas de responsabilidade, em um local seguro e ganhando conhecimento e educação deixa qualquer mãe com a tranquilidade para trabalhar”, ressalta.

Alcoolismo

Outro trabalho desenvolvido nas instalações do Resti é o combate ao alcoolismo, por meio do Departamento de Socorro aos Alcoólicos de Maringá (Desam).

Uma média de 27 pessoas participam das reuniões realizadas às quartas-feiras, a partir das 20 horas, onde vítimas do alcoolismo podem receber terapia em grupo, exposição do Evangelho Segundo o Espiritismo, e orientação sobre drogas e álcool. Os participantes podem compartilhar as experiências deles, forças e esperanças, como acontece nos grupos de Alcoólicos Anônimos e outras instituições de ajuda mútua.

O objetivo do trabalho do Desam é a recuperação do fármaco-dependente. Buscar o equilíbrio físico, psíquico, social e espiritual, por meio da terapia adequada. “Despertar o doente para a reforma íntima à luz da Doutrina Espírita e esclarecer os familiares sobre a doença do alcoolismo”, explica Csucsuly.

Panificação

Nas instalações do Recanto, há uma panificadora, que produz os pães utilizados na alimentação do dia a dia das crianças assistidas.
Todos os sábados, sempre a partir das 14 horas, cerca de 50 famílias atendidas pela instituição recebem pães e, uma vez por mês, recebem também uma cesta básica.
Todos os alimentos que fazem parte da cesta são resultado de doações feitas à Amem ou de eventos realizados pela instituição.

 

A força do voluntariado

Para a realização do trabalho social, a Associação Espírita de Maringá (Amem) conta com o apoio de cerca de 300 voluntários, participantes das várias promoções realizadas para a arrecadação de fundos, como o festival de pizzas, que vende cerca de 1,2 mil unidades, e das barracas gastronômicas da entidade na Festa das Nações e Festa da Canção.

O trabalho dos voluntários é visto também em outros eventos da Amem, como os bazares para comercialização de objetos doados pela Receita Federal, resultantes das operações de fiscalização, os bazares de usados, realizados todas as semanas, e a confecção de enxovais para bebês de mães carentes.

Além do voluntarismo de quem cede o tempo para trabalhar pela instituição, o presidente da Amem, Lannes Boljevac Csucsuly, destaca a ação de quem faz doações, tanto de roupas, agasalhos quanto de alimentos. Toda a arrecadação vai para o Recanto Somos Todos Irmãos.

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Francisco, o condutor do padre Emilio Scherer

Francisco e Jesuína estão em Maringá desde que a cidade se resumia ao Maringá Velho     Foto: Kauhê Sanches

Francisco e Jesuína estão em Maringá desde que a cidade se resumia ao Maringá Velho Foto: Kauhê Sanches

A memória que nunca falha é um dos principais patrimônios do pioneiro Francisco Ferreira da Silva, que aos 87 anos é capaz de descrever com detalhes como era o Maringá Velho em 1944, quando chegou com 14 anos, nomes e sobrenomes dos membros das 10 famílias que moravam no lugarejo, o lugar de cada casa, cada comércio, o que aconteceu, como aconteceu quando, onde e porquê aconteceu cada fato da então pequena comunidade.

Ao lado da esposa, a também pioneira Jesuína Artal, com quem está casado há 62 anos, seu Chico se diverte recordando as pessoas e os fatos que ficaram na história de Maringá e dos seus 72 anos aqui vividos. Boa parte destas conversas acontecem dentro do carro do casal, um Fiat Palio que Chico dirige pela cidade que ele viu nascer e crescer. “Não tenho nenhuma dificuldade para dirigir num trânsito como este, muito diferente de quando comecei a dirigir pequenos caminhões em 1944, levando mercadorias para as fazendas, ou quando tirei a carteira quando o Trânsito foi instalado na cidade, em 1949”. Ele foi um dos primeiros maringaenses a fazer carteira de motorista na cidade.

Seu Francisco ainda era Chiquinho quando chegou, com 14 anos. A família morava em Mandaguari e um amigo o convidou para ajudar a abrir uma pensão onde estava nascendo Maringá. O negócio não deu certo, o amigo foi embora e Chiquinho ficou trabalhando de vendedor em uma pequena loja que o comerciante Ângelo Planas estava abrindo no meio do primeiro quarteirão da cidade. Depois, Planas construiu a Casa Planeta, com 11 portas, e Chiquinho trabalhou lá por 10 anos.

O serviço me fez conhecer muita gente”, diz. “Como eu sabia dirigir, era quem fazia a entrega das compras nas fazendas e nas comunidades rurais, conhecia do dono da fazenda ao mais humilde empregado”.

O saber dirigir colocou mais uma glória para Francisco. Era ele o encarregado de buscar o único padre de Maringá, o padre alemão Emílio Scherer, que morava em uma fazenda, para celebrar missas no Maringá Velho, quase sempre em descampados ou em casas dos pioneiros. O padre não falava muito – até porque devia dominar pouco o Português e porque seu país de origem era apontado como o causador da guerra mundial que o mundo vivia naqueles dias -, mas o motorista Francisco foi uma das pessoas mais próximas a ele.

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Primeiro jogo noturno de futebol em Maringá aconteceu na Operária

Ainda nos primeiros anos da década de cinquenta do século passado, quando Maringá crescia a olhos vistos, com a chegada de dezenas de famílias a cada dia e parecia um canteiro de obras, com a construção de casas e mais casas, foi realizada a primeira partida noturna de futebol da história da cidade e, possivelmente, do Paraná.

Diferentemente do que se possa imaginar, ela não aconteceu no Estádio Willie Davids, que ainda nem existia, mas no Brinco da Vila, campo de futebol da Vila Operária, que na época não tinha status de estádio e nem nome.

O evento está bem vivo na memória do empresário Iracy Lúcio Mochi, proprietário da Imobiliária Paiaguás, um dos primeiros moradores da Operária e dos primeiros a bater bola no campo de terra batida em meio a um matagal.

O empresário Iracy Mochi é uma das poucas testemunhas do primeiro jogo noturno da história de Maringá

O empresário Iracy Mochi é uma das poucas testemunhas do primeiro jogo noturno da história de Maringá

Os fatos que cercaram a histórica partida não têm mesmo como serem esquecidos, mas Mochi tem um motivo especial para guardá-lo na memória: foi o primeiro jogo do Operária em que ele atuou como titular.

“Foram instalados os refletores, mas vale destacar que na época a cidade ainda não tinha energia elétrica confiável”, lembra. A luz era produzida por grupos geradores e as lâmpadas eram fraquíssimas, “não clareavam nada”, tanto que na época eram chamadas de ‘tomates’.

Pegaram umas folhas de zinco, daquele de fazer calhas, fizeram uns tubos, instalaram lâmpadas por dentro e colocaram no alto de estacas”, lembra.

A partida de inauguração da iluminação foi em um sábado à noite. “Convidaram o São Paulo de Londrina, um dos times mais importantes do interior do Paraná nas décadas de 50 e 60, para jogar contra o Operário e o campo se encheu de gente, talvez não para assistir ao jogo, mas para conhecer a badalada iluminação”.

Mas, nem tudo saiu perfeito. Aliás, nada deu certo. “Só na hora do jogo é que fomos descobrir que a iluminação não clareava nada, os jogadores não viam onde estava a bola e a torcida não enxergava nem os jogadores, de tão escuro que estava”. Iracy da Paiaguás ri ao lembrar que choveu muito naquela noite e os respingos da chuva faziam queimar as lâmpadas quentes, além disto, como o campo era de terra, e a terra roxa de Maringá gruda mesmo, as chuteiras ficavam pesadas de tanto barro e a bola virava uma bola de barro. “O João Segura, que era o presidente do time, toda hora vinha com um balde lavar a bola”.

É fácil lembrar da experiência do primeiro jogo noturno da história de Maringá. Difícil é lembrar qual foi o resultado do jogo.

A vila no mato

Quando Iracy Mochi chegou à Vila Operária o bairro começa a ser ocupado pelas primeiras casas, todas de madeira. A família de Itápolis (SP) foi atraída pela fama da terra roxa, onde se-plantando-tudo-dá. O lugar destinado pela Companhia Melhoramentos para a criação do bairro que abrigaria os operários, ainda estava coberto de mato e o pai de Iracy, João Mochi, construiu a casa no meio do mato.

A igreja São José foi construída em um antigo campinho de futebol

A igreja São José foi construída em um antigo campinho de futebol

A vila ainda não tinha sua famosa igreja católica, a São José e nem escola. As crianças seguiam por caminhozinhos no meio do mato para estudar na Escola Oswaldo Cruz, por caminhozinhos no meio do mato chegavam aos campinhos de futebol que existiam em vários lugares, entre eles o principal, onde foi criado o Brinco da Vila.

Iracy cresceu na Operária, viu o matagal dando lugar a casas e mais casas, os caminhozinhos virarem ruas, o comércio chegando. Já rapazote, viu Maringá deixar de ser distrito de Mandaguari e quando o primeiro prefeito, Inocente Vilanova, também da Operária, tomou posse, ele foi trabalhar na prefeitura, tendo sido um dos primeiros servidores municipais. Depois foi bancário, gerente do Bradesco, até se estabelecer no ramo imobiliário.

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