Luiz de Carvalho



Deco e a mais longa viagem de sua vida

TEXTO DO LIVRO “MARINGÁ 70 ANOS”

Nas décadas de 1960 e 1970, um homem negro, pobre e quase analfabeto se destacava em Maringá e cidades da região proferindo palestras sobre leis trabalhistas, traduzindo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para uma linguagem compreensível pelo trabalhador comum e ajudando a criar sindicatos de trabalhadores em todo o norte/noroeste do Paraná.

Em Maringá Adenias foi ensacador de café, presidente de sindicato, funcionário da prefeitura e vendedor de calçados

Este homem era o baiano Adenias Raimundo de Carvalho, na época presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá, sindicato com maior número de associados, ao lado do Sindicato dos Arrumadores. Ele tinha chamado a atenção da sociedade maringaense e dos órgãos de repressão do governo militar ao liderar, no sindicato, aquela que possivelmente tenha sido a primeira greve de trabalhadores do Brasil durante o regime que se estabeleceu no País em março de 1.964. O escritor Laércio Souto Maior, que prepara um livro sobre os movimentos sociais de Maringá nas décadas de 60, 70 e 80, escreveu em sua coluna em O Diário do Norte do Paraná que “o sempre bem humorado Adenias de Carvalho (…) na semana do golpe militar, e nas duas semanas subsequentes, liderou uma greve histórica, enfrentando com coragem as autoridades militares que invadiam as sedes dos sindicatos brasileiros, destituindo suas diretorias. A greve terminou vitoriosa e ficará para sempre na história do sindicalismo maringaense e do Paraná”.

Para presidir o poderoso sindicato por oito anos, Adenias, ou Deco, como o chamavam os mais próximos, teve que se preparar, com noites de leitura de grossos livros sobre leis trabalhistas, sindicalismo e liderança, tarefa que não devia ser fácil para homem de pouco estudo que tinha que ler sob a luz de lamparinas, já que na época, boa parte da Zona 7, onde morava, não tinha rede de energia elétrica. Além disto, a pequena casa de madeira estava sempre cheia de gente, pois era garantia de abrigo para muitas famílias que chegavam da Bahia em busca de melhores dias.

Baiano de Baixa Grande, próxima a Mundo Novo, nunca tinha se afastado mais de 100 quilômetros do lugar onde nasceu quando, no início da década de 50, decidiu fazer a maior viagem de sua vida até então para conhecer o norte do Paraná, de onde chegavam notícias sobre uma terra roxa que dava tudo que se plantasse e, o que é importante para os nordestinos, chovia. Recém-casado com Celina Maria, embarcou em um pau-de-arara junto com o sogro, sogra e uma penca de cunhados, todos menores de idade.

O dinheiro foi curto para chegar ao destino e assim a família passou um curto tempo nos cafezais de São Paulo e só depois chegou a Maringá.

A família, que na Bahia nunca soube o que é blusa e cobertor, enfrentou na chegada um frio de 0 grau. Na nova cidade, onde diariamente centenas de famílias chegavam no trem, em caminhões e nas jardineiras que faziam ponto na ‘Praça da Pernambucanas’, o baiano fez de tudo: foi roceiro e como funcionário da Companhia Melhoramentos ajudou a retirar tocos de árvores da Avenida Brasil e a plantar as palmeiras imperiais da ‘Praça da Pernambucanas’, que anos depois recebeu o nome de Napoleão Moreira da Silva.

Mas, sua esperança era sempre a safra do café. Nestes períodos, milhares de trabalhadores chegavam de outros Estados para trabalhar na colheita e os mais jovens e fortes queriam mesmo trabalhar nas máquinas de beneficiamento e armazéns, carregando sacos. “Um saqueiro ganhava em uma safra o que demoraria anos trabalhando num serviço comum”, contava sempre.

E foi como jovem e forte que ele carregou muitos sacos de café nos armazéns, encheu vagões de trem e caminhões e chegou a ir trabalhar no Porto de Paranaguá no descarregamento de caminhões e vagões para encher navios com o café paranaense que seguia para a Europa.

Mesmo ganhando muito, os saqueiros trabalhavam em péssimas condições. Como não tinham patrão, também não tinham a quem recorrer nas dificuldades, faltavam condições de segurança, armazéns impunham valores considerados injustos e a maioria não pagava a Previdência. Muitos ficavam ao léu se sofressem acidentes no trabalho – e os acidentes eram muitos e vários chegaram a ficar inválidos. Estas condições fortaleceram os movimentos de trabalhadores, que resultaram na criação de sindicatos no início da década de 1960, entre eles o dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá.

Deco participou ativamente da luta dos trabalhadores da sacaria por melhores condições e acabou sendo eleito presidente do sindicato. Quando percebeu que os armazéns e máquinas não estavam dispostos a oferecer o que a categoria cobrava, chamou uma greve que resultou na paralisação do trabalho nos armazéns, muito café não pode ser embarcado para os portos. Quando o regime militar foi instalado, com o nome de Revolução, os saqueiros de Maringá e região já estavam de braços cruzados e pareceram não ter se importado, possivelmente por não saberem dos anos de chumbo que tal regime imporia ao Brasil nos anos seguintes. Os ensacadores só voltaram a carregar sacas quando algumas garantias foram acertadas.

Quando deixou o sindicato e coincidentemente a cafeicultura entrava em baixa após as geadas de 1975, Adenias foi funcionário da prefeitura e depois foi vender calçados, o que fez até se aposentar forçado por um acidente vascular cerebral.

Se todo mundo que veio para Maringá tivesse ficado, a população hoje seria maior do que a de Curitiba”, contava sempre, quando lembrava de tantos colegas de trabalho que passaram por aqui apenas uma ou duas safras de café. “Os que tinham dinheiro, vinham para cá para se estabelecer, os pobres vinham para trabalhar e a maioria sonhava em voltar para o lugar de onde vieram. Os nordestinos, por exemplo, amam demais sua terra e só saíram de lá por precisão”. Ele, que era nordestino, saiu de sua terra ‘por precisão’, mas no dia que viu Maringá teve a certeza de que não voltaria mais.

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História de Maringá é contada por pioneiros em livro

Para o empresário Franklin Vieira da Silva, presidente do Grupo O Diário, o jornal tem a obrigação de fazer o resgate da história, tornando público o relato daqueles que viveram ou foram testemunhas dos fatos que fizeram a história da cidade. E é para atender a este compromisso que O Diário pela terceira vez publica em livros a história e os relatos dos pioneiros maringaenses.

Frank Silva entrega a homenagem ao ex-vereador e radialista Antonio Mário Manicardi, o Nhô Juca

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história” foi lançado quinta-feira durante café da manhã na Associação Comercial com a presença de várias pessoas que são personagens do livro. A edição, com capa dura, papel couchê e fotos atuais e da Maringá do passado, foi organizada pelo jornalista Edivaldo Magro, com textos de jornalistas com experiência em resgate histórico.

Em trabalhos anteriores O Diário já publicou a história de vários personagens da história maringaense, mas desta vez procuramos mostrar as famílias que chegaram desde a década de 1940, que relatam como era o local em que se construiria a cidade, as dificuldades que enfrentaram e também os momentos de alegria”, disse o idealizador da obra, Edivaldo Magro. “Ao contarmos a história das famílias, mostramos um novo ângulo da história da cidade”.

O engenheiro Edgar Osterroht retratou em seus quadros cenas dos primeiros anos da cidade

A publicação foi pensada como uma colaboração de O Diário às festividades do ano em que Maringá festeja seu 70º aniversário e dividiu as pessoas e famílias por áreas de atuação. O engenheiro Edgar Osterroht, por exemplo, não foi enfocado pelo fato de ter feito parte da equipe da Companhia Melhoramentos, empresa que colonizou a região. Ele foi lembrado como o primeiro artista plástico de Maringá, autor de quadros que mostram como era a cidade no passado. Em uma época em que as poucas máquinas fotográficas registravam momentos em preto e branco, as pinturas de Osterroht registravam em cores vivas cenários e pessoas nos anos 40 e 50.

Outro destacado por seu trabalho artístico é o poeta Antonio Augusto de Assis, o A.A. de Assis, primeiro jornalista da cidade e autor de vários livros de trovas.

A família Meneguetti, que chegou a Maringá em 1946 para explorar um sítio onde hoje é o distrito de Iguatemi, é destacada pelo trabalho no setor industrial, depois de elevar a Usina Santa Terezinha a uma das maiores empresas do Paraná, atrás somente da Copel, Sanepar e duas cooperativas agroindustriais.

O jornal registra a história todos os dias, mas para falarmos do início da cidade, só recorrendo a quem viveu o início da cidade”, disse Frank Silva. “Esta é a terceira vez que O Diário publica livros com os pioneiros e temos a certeza de que preparamos uma publicação digna do orgulho da cidade e de seus pioneiros, um livro para ser guardado e consultado daqui a muitas décadas. Enfim, com mais esta publicação estamos dando a Maringá mais um importante registro de sua história, fazendo o reconhecimento destas famílias que enfrentaram as dificuldades da época e legaram para o futuro uma cidade que vai bem além dos sonhos dos pioneiros”.

O lançamento do livro foi prestigiado pelo vice-prefeito Edson Scabora (PV), vereador Do Carmo (PR), vice-presidente da Associação Comercial, Michel Felippe, e representantes de outros setores.

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Dois anos após queda de ponte, cidade fica até sem linha de ônibus

Devido à falta de acesso, a empresa de ônibus deixou de fazer a linha que passa pelo município
Uma ponte provisória pode ser instalada até que o governo federal libere recursos para a ponte definitiva

No dia 13 de janeiro completa dois anos em que a ponte que liga os municípios de Jardim Olinda (a 130 quilômetros de Maringá) e Itaguajé, ambos na margem do Rio Paranapanema e fazem divisa com o Estado de São Paulo, foi destruída pela enchente no Rio Pirapó.

A sondagem no rio já está sendo realizada para a elaboração do projeto da nova ponte a ser construída com recursos federais

A queda da ponte aconteceu na mesma época em que várias outras pontes do Pirapó foram destruídas, entre elas a da PR-317, entre Maringá e Iguaraçu.

O que intriga os moradores de Jardim Olinda é que todas as demais pontes foram reconstruídas, menos aquela que tem grande importância na economia do município. “É lamentável, porque limita as vias de acesso a Jardim Olinda e agora para chegar a Itaguajé temos que andar 40 quilômetros a mais”, disse Jorge Fernandes Martins.

A prefeita Lucimar de Souza Morais Assunção (PP) diz que o município está perdendo muito porque sem a ponte a empresa de ônibus deixou de atender aos 1,4 mil moradores de Jardim Olinda, os fornecedores do comércio local também não comparecem mais e muitos produtos estão em falta na cidade. A ponte de 45,5 metros era também a única ligação para a região em que se localizam os condomínios de recreio e saída para o Estado de São Paulo.

A assessora Especial da prefeitura, Nayara Palicer, disse que município está tentando recursos junto ao Ministério da Integração Nacional para a construção de uma nova ponte, porém para isto precisa apresentar um um projeto junto ao governo federal e a prefeitura não dispõe de recursos para a elaboração do projeto. Por isto, a Casa Civil do governo garantiu R$ 250 mil para as despesas com a elaboração do projeto para que o município possa solicitar a construção da nova ponte.

A prefeita Lucimar Assunção diz que é possível que o município não fique sem ponte até a construção de uma nova, já que surgiu a possibilidade de ser construída uma ponte provisória até a construção definitiva. Na terça-feira, uma equipe técnica do Exército esteve no local realizando uma sondagem para definir um projeto de ponte provisória. O único entrave é a necessidade de ser erguer uma pilastra de concreto no meio do rio.

Sem o acesso, temos que andar 40 quilômetros a mais para chegar a Itaguajé e nem a empresa de ônibus quer esta despesa a mais”.

Jorge Fernandes Martins, morador

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Morre o pioneiro Adenias de Carvalho, aos 93 anos

Morreu na tarde desta sexta-feira, aos 93 anos, o pioneiro maringaense Adenias Raimundo de Carvalho, ex-presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá e ex-funcionário da prefeitura.

Ele estava internado há duas semanas com pneumonia e infecção nos rins e desde a semana passada estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal.

Baiano de Mundo Novo, Deco, como era conhecido, morava em Maringá desde o início da década de 1950, tendo sido funcionário da Companhia Melhoramentos e em vários armazéns de café, trabalhando como carregador. Na década de 1960, foi eleito presidente do Sindicato dos Ensacadores de Café e comandou, em abril de 1964, a primeira greve de trabalhadores do Brasil no governo militar.

Nos anos 80, foi funcionário da prefeitura, durante a administração do prefeito Silvio Magalhães Barros. Como amante da boa política, era o mais antigo membro do PMDB de Maringá, filiado desde a época de criação do MDB, na década de 60.

Casado com a também baiana Celina Maria de Carvalho, falecida há três anos, Adenias era pai do jornalista Luiz de Carvalho, repórter de O Diário, do professor Jairo de Carvalho, da UEM e do Ceebeja, e da professora Maria Lúcia de Carvalho, do Colégio Gerardo Braga.

Adenias deixa três filhos, 8 netos e 8 bisnetos.

O corpo será velado na capela do Prever do Cemitério Parque a partir de horário ainda não definido.

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Com estiagem, quebra no trigo já chega a 20%

Pelo menos 20% da safra de trigo do noroeste paranaense já estão perdidos em consequência da estiagem que persiste há um mês e meio, mas os prejuízos poderão aumentar, já que a meteorologia só prevê chuvas abundantes em setembro. A quebra da safra vem somar-se à redução que já era prevista devido à diminuição da área destinada à cultura no Paraná, em torno de 8%.

O produtor temia pela geada, que se chegasse em um período em que os grãos ainda estão na fase de enchimento, poderia comprometer a produtividade, mas o que aconteceu foi a seca prolongada, que está matando os perfilhos – ramos que surgem a partir do caule principal da planta”, disse o técnico agrícola Moacir Luiz de Andrade, da Cooperativa Agroindustrial de Mandaguari (Cocari). Com a falta de umidade no solo, as plantas não alcançam porte ideal e as espigas que estão nos perfilhos não obtém bom preenchimento dos grãos.

Adilson José Abrão observa que além das perdas provocadas pela estiagem, agora há o ataque de pulgões         Foto: João Cláudio Fragoso

A lavoura da família Abrão, na Gleba Guaiapó, é um exemplo do que disse o técnico da Cocari. Segundo Adilson José Abrão, que planta junto com o pai, Fausto, e o irmão Alberto, grãos que deveriam estar hoje com cerca de 1 grama, não passam de meio grama e em muitos casos os grãos estão esfarinhando. “As plantas em que os grãos ainda estão na fase chamada de ‘em leite’ não há como o ciclo se completar sem umidade no solo”, disse.

De acordo com Abrão, se nesta semana chover o suficiente para encharcar as raízes, “o prejuízo estanca aqui, mas se a chuva não for suficiente, pode piorar”.

A preocupação dos produtores é que os institutos meteorológicos contratados pelas cooperativas esperam chuvas mais significativas somente a partir de setembro, quando o todo o trigo do Paraná já terá sido colhido, às vésperas do início do plantio do soja da safra de verão.

Contávamos que tiraríamos cerca de 110 sacas por alqueire, mas do jeito que está já prevemos uma média de 80”, diz Adilson Abrão, que já recorreu ao seguro agrícola na certeza de quebra da produção.

Para completar os problemas dos triticultores paranaenses, nesta semana os trigais ficaram infestados de pulgão, uma das pragas mais prejudiciais do trigo. Os danos ocasionados por estes insetos podem ser diretos, por meio da sucção de seiva e do efeito tóxico da saliva, ou indiretos, pela transmissão de espécies de dois tipos de vírus. O tipo e a severidade dos danos diretos variam de acordo com a espécie de afídeo, a intensidade do ataque e o estágio de desenvolvimento da planta no momento da infestação.

Os Abrão iniciam hoje a aplicação de defensivo para combater o pulgão, mas contando que a cada litro do produto (R$ 150) eleva o custo de produção.

O preço do trigo ao produtor vem tendo aumentos consideráveis nas últimas semanas, saindo de R$ 31 no início do mês para R$ 36,50 a saca de 60 quilos ontem na região de Maringá, o que, segundo os produtores, seria um bom valor se a produtividade compensasse, mas ainda longe dos R$ 42 que conseguiram na safra passada.

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Bolsonaro: Temer ficou sem moral para continuar

Aos 62 anos, Jair Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há 26 e colecionou mais de 30 ações na Justiça por falar o que pensa – ou falar sem pensar. Já desagradou companheiros de parlamento, políticos de todas as linhas, principalmente os da esquerda, negros, índios, gays e até mulheres. Mas, se orgulha porque nenhuma das ações na Justiça são por corrupção.

Jair Bolsonaro diz que as hostilidades contra sua pessoa estão desaparecendo

Em um momento em que o Brasil acompanha a maior onda de denúncias de corrupção da história, o deputado mais bem votado do Rio de Janeiro ganhou destaque por estar em uma posição em que pode disparar suas palavras ferinas por todos os lados. Muito mais gente passou a ver que ele tem razão no que diz e a popularidade cresceu, principalmente com a força das redes sociais.

“Por muito tempo, eu seria hostilizado ao comparecer a uma universidade. Hoje, chego, sou ouvido e saio aplaudido”. Segundo ele, o tempo contribuiu para que as pessoas o conhecessem melhor e pudessem comparar seu perfil com o de políticos de renome que hoje estão afundados em denúncias, muitos deles já nas garras da Operação Lava Jato.

O polêmico político hoje causa histeria por onde passa. Tanto pelos simpatizantes quanto pelos adversários, que já perceberam que ele é o homem a ser batido. Na sexta-feira, sua barulhenta passagem foi por Maringá, onde, ao final da programação, conversou demoradamente com O Diário.

 

O DIÁRIO.— Este Jair Bolsonaro que o povo está conhecendo agora, com a língua ferina, é verdadeiro ou um personagem?
JAIR BOLSONARO — Quem me conhece há mais tempo sabe como sou. Ninguém conseguiria passar tanto tempo vivendo um personagem só para dar Ibope.

O giro pelo Brasil já é campanha eleitoral?
Não posso dizer que sou pré-candidato para não ferir a Lei Eleitoral, mas estou me preparando para esta possibilidade. Se houver oportunidade, serei sim candidato.

Em Maringá a plateia de Bolsonaro foi formada por jovens

Em Maringá e em Londrina um público jovem o aplaudiu com entusiasmo. O senhor acredita que suas ideias estão convencendo a juventude?
Até algum tempo atrás, eu seria hostilizado em uma universidade, hoje fui bem recebido em uma e o público jovem entendeu minha mensagem. É uma mensagem que o Brasil precisa ouvir.

Por que o senhor era hostilizado?
A hostilidade sempre existiu e vai continuar existindo e eu era hostilizado principalmente por causa das mentiras contadas pela esquerda sobre o Brasil.

E como mudou?
Muitos dos que eram contra mim, vendo toda esta carga de informações, vendo seus ídolos na política sendo acusados de corrupção, vão se envergonhando de fazer manifestação contra minha pessoa e às vezes enxergam que pretendo fazer diferente do que estão fazendo com o País. Com o tempo, isto vai mudando, as pessoas foram vendo o que era verdade e o que era mentira, que não sou o bicho-papão que pintavam.

Que análise pode ser feita do Brasil atual?
O momento político do Brasil é o pior possível. A crise não é apenas política: é ética, moral, econômica e política. Mas, o Brasil tem potencial para sair desta situação.

Como chegamos a esta situação?
É o loteamento. O que leva à corrupção é a ineficiência do Estado. E enquanto tivermos este loteamento que vemos e ganhou muito destaque com as últimas denúncias. Enquanto o governo for loteado, a corrupção vai continuar.

E vai sair disto?
Vai ter que sair. Se não, temos que comprar lote no cemitério. E ir para o cemitério não está nos meus planos.

O senhor acha que o governo Temer respira por aparelho?
Michel Temer representa o que é a política tradicional brasileira, nunca preocupado com o futuro do País e sim com seu grupo. Agora, o que vai acontecer no curto prazo depende dele mesmo, num primeiro momento, depois do TSE, no início de junho. Não quero botar lenha na fogueira, mas a situação dele está muito complicada e o Brasil merece um quadro diferente do que tivemos nos últimos anos.

Na sua opinião, ele deveria se afastar?
A renúncia é uma atitude pessoal dele. Logicamente que para o bem do Brasil seria melhor ele se afastar. Fica difícil, fica comprometida a credibilidade dele ao aceitar receber, nos porões do Jaburu, pessoas que a sociedade já sabe que estão comprometidas diante da Justiça. Fica complicado, depois de um gesto destes, para uma pessoa que está na condução dos destinos do Brasil.

Em uma eventual saída ou cassação de Temer, qual será o caminho?
Se ele vier a cair por um motivo qualquer, teremos eleições indiretas pelo Parlamento. Esta é a regra do jogo .

Numa eleição direta, o senhor pensa em concorrer?
De forma alguma. Neste caso, quem vota são os deputados e senadores e este é um tipo de eleitorado que não quer Bolsonaro no comando do País. Em uma eleição indireta, as chances ficam com os grandes partidos e com os acordos que serão firmados. Certamente, alguém que seja eleito em uma situação destas não terá como levar em frente o combate à corrupção.

A Operação Lava Jato está em perigo?
Sim. Existe a possibilidade ela se acabar. Agora mesmo dois ministros do Supremo Tribunal Federal querem reinterpretar a prisão após a condenação em segunda instância. Querem passar para a terceira instância. Basicamente isto será um golpe mortal na Lava Jato, porque, no mínimo, levaremos 20 anos para que o STJ [Superior Tribunal de Justiça] venha julgar e punir os culpados em episódios como os que estamos vendo e que envergonham e revoltam o Brasil.

O senhor tem criticado os projetos de reformas do governo. Que defeito tem o projeto que muda a Previdência?
Meu pai já dizia que algumas coisas são como remendo novo em roupa velha. Este é o caso do projeto para a Previdência. Ele está sendo muito focado na questão da idade e isto não pode ser generalizado. Eu estive no Piauí e lá a expectativa de vida de um trabalhador é de 69 anos, segundo o IBGE. É desumanidade fazer levar uma pessoa a só se aposentar no fim da vida. Este projeto de reforma não tem meu apoio, apesar de reconhecer que alguma coisa precisa ser feita.

E a reforma trabalhista?
Eu votei favorável porque ela não suprimiu nenhum direito até porque tudo o que se fala, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia, entre outros direitos, estão previstos no artigo sétimo da Constituição. E o que nós votamos foi um projeto de Lei. A classe empregadora tem dito que a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] tem que ser reformada, afinal, é um país de muitos direitos e poucos deveres e perdemos a competitividade com o resto do mundo.

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Abandonado, Brinco da Vila vira boca de fumo

A Guarda Municipal de Maringá iniciou uma operação noturna para afastar usuários de drogas, traficantes e ladrões que ultimamente ocuparam o Estádio Brinco da Vila, na Vila Operária, e se tornaram um problema para a vizinhança. O trabalho deve se repetir hoje, amanhã, depois de amanhã, até que o histórico espaço esportivo deixe de ser uma boca de fumo.

O Brinco da Vila é um dos últimos campos da época de ouro do futebol amador em Maringá Foto: João Paulo Santos

Segundo o coordenador da Guarda Municipal, Reginaldo Diniz, a situação do Brinco da Vila é o principal motivo de reclamações da comunidade à Guarda nas últimas semanas. “Tanto a Guarda quanto a Polícia Militar têm feito rondas constantes e vários indivíduos foram detidos naquele local, mas agora vamos realizar um trabalho mais constante e efetivo”.

O estádio da Vila Operária, que já foi sede do time que representava o bairro no Campeonato Amador e do Grêmio de Esportes Maringá nas décadas de 1970 e 1980, virou boca de fumo devido a seu estado de abandono.

Há muito tempo que isto aqui está abandonado, o mato cresceu, pedaços do muro caíram e há lixo acumulado em vários pontos”, diz uma dona de casa que mora em frente. Segundo ela, tanto no interior do espaço quando do lado de fora “não há sequer uma lâmpada funcionando, os drogados levaram sofás e passam a noite aí consumindo drogas e ameaçando quem passa na rua”.

Praticamente todas as casas vizinhas já foram furtadas ou assaltadas, algumas mais de uma vez. “Eles levam o que acham pela frente, desde tênis no quintal até celulares e outros objetos dentro de casa, sem contar que muitas pessoas são assaltadas na rua”, relata outra vizinha. “O clima é de muita insegurança, tanto para quem mora perto quanto quem tem que passar pela rua”.

Este estádio tem importância histórica para a cidade, está próximo ao centro e é um patrimônio público”, diz Carlos Alexandre de Oliveira, que também mora vizinho. “É lamentável que as autoridades tratem desta forma um espaço que poderia estar oferecendo ocupação e entretenimento a jovens e idosos”. Ele cita que, devido à presença constante de usuários de drogas, as pessoas evitam frequentar a Academia da Terceira Idade (ATI) existente no local.

Ocupar para conservar

Na prefeitura, ninguém sabe explicar a que secretaria está afeto o Estádio Brinco da Vila. “Ainda nesta semana, vou sentar com o secretário de Assistência Social e Cidadania [Ederlei Alkami] para discutirmos um aproveitamento daquele espaço”, disse o secretário de Esportes, professor Valmir Fassina.

Segundo ele, a secretaria tem planos em desenvolver atividades esportivas no local e sabe-se que a Assistêcia Social também tem um projeto para jovens.

As duas secretarias precisam de espaço para desenvolver algum tipo de trabalho e o Brinco da Vila oferece as condições ideais. Tendo atividades, a comunidade volta a frequentar o ambiente, inclusive a ATI”, diz Fassina.

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CMDCA cobra política para crianças indígenas

Na cultura indígena, as crianças sempre acompanham os pais

Deve chegar ao prefeito Ulisses Maia (PDT) nos próximos dias a Resolução do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) que cobra ações da prefeitura para a promoção da valorização cultural dos indígenas que vêm à cidade para comercializar artesanato. A cobrança tem o intuito de minimizar os impactos gerados por ações de preconceito e discriminação, especialmente com relação às crianças.

Segundo a presidente do Conselho, Márcia de Souza, muito já foi discutido sobre as crianças indígenas, que acompanham seus pais à cidade e permanecem nas ruas, muitas vezes em pontos de trânsito perigoso. “Como muitas solicitações já foram feitas ao poder público, porém como nunca houve qualquer ação das autoridades, o CMDCA, com base nas atribuições que lhe são conferidas por leis Federal e Municipal, realizou sessão plenária em novembro e decidiu pela publicação de uma Resolução no final do ano”.

Márcia de Souza, presidente do CMDCA de Maringá

Como o CMDCA é deliberativo, encarregado por definir a política de valorização da criança, cabe agora à administração municipal cumprir às determinações. O Ministério Público, por meio da Promotoria da Infância e Juventude, se encarregará de fiscalizar o cumprimento.

Por questões culturais, as crianças indígenas são diferenciadas sob os olhos da Lei e vêm à cidade porque, pela cultura de seus povos, toda a família sai da aldeia junto quando chega a época da comercialização de artesanatos, período que coincide com as férias escolares na aldeia”, diz a presidente do Conselho. Nos finais de ano, a quantidade de indígenas que vem a Maringá é muitas vezes maior do que a capacidade que a Associação Indigenista de Maringá (Assindi) tem de abrigo-las e, assim, centenas de famílias ficam desalojadas, procurando se abrigar em construções, prédios desocupados ou mesmo em barracas que armam em terrenos baldios.

O que o Conselho requer é a participação das populações indígenas em eventos culturais realizados no município para a comercialização de artesanato e apresentações culturais. Também determina que a Secretaria de Cultura (Semuc) encaminhe proposta formal de projeto intersetorial para valorização das culturas indígenas por meio da criação de um Festival Indígena, com feira de artesanato e manifestações culturais.

Publicada por Luiz de Carvalho
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Sobra consumo e falta oferta de orgânicos em Maringá

A falta de assistência técnica é apontada pelos produtores como principal

entrave para o crescimento da produção

No Brasil, o crescimento do mercado é quase três vezes maior do que

no resto do planeta

Diferente do que acontece no âmbito nacional, onde o mercado de alimentos orgânicos cresce a taxas invejáveis entre 20% e 30% ao ano, em Maringá está estagnado, embora o potencial de consumo seja o dobro ou até o triplo. A estagnação deve-se à falta de condições de aumentar a produção, que continua basicamente a mesma há pelo menos 10 anos.

Para o engenheiro agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater, principal incentivador da produção de orgânicos na região, “consumo tem de sobra, o que falta é oferta, principalmente por falta de assistência técnica”. Segundo ele, entre todos os órgãos envolvidos com o setor produtivo, apenas três técnicos da Emater atendem os produtores orgânicos nos 30 municípios polarizados por Maringá, ele próprio em Maringá, outro em Mandaguari e o terceiro em Marialva.

As pessoas que se dedicam à produção de orgânicos geralmente são da agricultura familiar e precisam de assistência constante, o que é praticamente impossível para apenas três técnicos em 30 municípios”, diz, lembrando que a agricultura orgânica requer compromisso e dedicação do produtor, muito mais do que a produção convencional.

Outro problema citado por Ogassawara é que não existe uma área específica para a agricultura orgânica e assim as poucas propriedades dedicadas à atividade estão cercadas por grandes fazendas onde se pratica a agricultura extensiva, geralmente com aplicação excessiva de venenos. “Na nossa região, nas terras revezam-se a soja e o milho, que requerem grandes cargas de defensivos. Assim, os insetos deixam de atacar estas culturas, mas selecionam outras, geralmente optando por aquelas em que não haja veneno.

Sérgio Suzuki foi pioneiro na produção de orgânicos em Maringá Foto: João Carlos Fragoso

A produção orgânica em Maringá é tão pequena que nem chega aos supermercados interessados em oferecer a opção sem veneno a seus clientes”, diz o produtor Sérgio Suzuki, que junto com o irmão Robertson produz em 10 hectares na Estrada Bandeirantes. Tudo que é produzido pelos irmãos é comercializado na Feira do Produtor e nas Feiras Verdes, mesmo mercado utilizado pelos demais produtores orgânicos.

Segundo Suzuki, a produção livre de veneno vale a pena financeiramente, primeiro por ter mercado garantido, segundo porque, diferente da produção convencional, os orgânicos não sofrem grandes variações de preços. “Muita gente pensa que os orgânicos são mais caros, mas é engano: é o convencional que sobe e desce de acordo com os excessos ou falta de produção”. Segundo ele, se os produtores de Maringá produzissem três vezes mais, venderiam tudo “porque há consumidor interessado”. Para ele, a produção é pequena e poucos se interessam pela atividade porque dá muito trabalho e há pouca assistência técnica. Outro problema é a falta de mão de obra. Como em Maringá é grande a oferta de empregos no comércio, indústria e prestação de serviços, não sobram pessoas dispostas a trabalhar como empregado ou boia-fria nas pequenas propriedades rurais.

Brasil cresce mais

De acordo com os registros do projeto Organics Brasil, nos últimos anos o crescimento do mercado brasileiro de alimentos orgânicos variaram entre 20% e 30%, índice considerado muito bom, já que globalmente o crescimento fica entre 5% e 11%. Isto significa que no Brasil o crescimento chega a quase três vezes mais do que no resto do planeta, embora o país ainda represente menos de 1% da produção e do consumo mundial.

Entre os alimentos que devem ampliar o faturamento dos orgânicos a partir deste ano estão produtos lácteos e de origem animal, com maior valor agregado.

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é o número atual de produtores orgânicos em Maringá, a maioria dedicando-se à produção de hortaliças

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Cianortenses choram a morte do ídolo Danilo

Fotos: João Cláudio Fragoso

A pacata Rua Francisco Tourinho, na Vila 7, que passa na lateral da Igreja Sagrado Coração de Jesus, ontem passou o dia com o trânsito impedido e centenas de pessoas em frente a casa número 207, com muitas pessoas chorando a morte do goleiro Marcos Danilo Padilha, uma das vítimas da queda do avião que transportava o time da Chapecoense para o início da sua primeira decisão de título internacional, em Medeln, na Colômbia.

Laíde é confortada por conhecidos no momento da confirmação da morte do filho

Laíde é confortada por conhecidos no momento da confirmação da morte do filho

A casa onde mora o casal Alaíde Celine Padilha e Nilson Padilha, pais do goleiro, mais a irmã Daniele, esteve cercada por antigos conhecidos da família, amigos de infância, jogadores e ex-jogadores que atuaram com Danilo no Cianorte Futebol Clube, onde o atleta esteve nas equipes de base e depois teve duas passagens como profissional. Também integrantes da imprensa passaram o dia diante da casa, inclusive representantes de grandes veículos de comunicação, como as redes Globo, Record e SBT.

O clima era de muito sofrimento, pois além da morte do ídolo do bairro, informações desencontradas só pioravam a situação. A mãe e o pai do jogador, Alaíde e Nilson Padilha, receberam a primeira informação da queda do avião ainda durante a madrugada, mais tarde ficaram sabendo pela televisão e internet que Danilo havia sido resgatado com vida e por volta das 10 horas chegou a notícia de que ele não resistiu aos ferimentos, mas até por volta das 14 horas várias informações desencontradas tumultuaram a ponto de o casal decidir que só aceitaria informações se fossem oficiais, dadas pela diretoria da Chapecoense. “É uma notícia diferente a cada minuto. Meu coração está despedaçado. Eu jamais achei que passaria por esse momento. Não consegui assimilar. Não está sendo fácil. Não temos notícias concretas. Cada um fala uma coisa. Vamos aguardar a confirmação para saber se foi dada a morte dele mesmo. Ninguém falou ainda: ‘seu filho, foi'”, disse Alaíde, funcionária de uma emissora de rádio de Cianorte.

A comunicação definitiva só chegou no final da tarde, motivo de desespero para a família e para as pessoas que tinham levado seu apoio.

Nilson (de camisa vermelha) foi o último membro da família a falar com Danilo, horas antes do acidente na Colômbia

Nilson (de camisa vermelha) foi o último membro da família a falar com Danilo, horas antes do acidente na Colômbia

O último membro da família a falar com Danilo foi o pai, Nilson, por volta das 14 horas da segunda-feira. “Sempre que ia viajar, ele telefonava, falava comigo e com a mãe. Na segunda-feira só eu estava em casa na hora, conversamos um pouco e eu desejei a ele que continuasse fazendo aquelas defesas marivilhosas, como as que levaram a Chapecoense à final da Copa Sul-Americana”, disse.

Luto por 6

O prefeito Claudemir Bongiorno decretou luto oficial de três dias no município pela morte não somente de Danilo, mas também do técnico Caio Júnior e os jogadores Thiaguinho, Gimenez, Marcelo e Ailton Canela que também atuaram na cidade. Três deles ainda tinham contratos vigentes com o clube da cidade.

Caio Júnior sempre esteve em alta na consideração do torcedor do Cianorte, pois conseguiu levar o clube a uma final e a uma participação histórica na Copa do Brasil, quando derrotou o Corinthians por 3 a 0 em partida realizada no Estádio Willie Davis, em Maringá. O Cianorte Futebol Clube suspendeu suas atividades por tempo indeterminado.

Menino da Vila

Ainda menino, Danilo já era destaque como goleiro em equipes infantis, como mostra a foto divulgada por amigos em redes sociais

Ainda menino, Danilo já era destaque como goleiro em equipes infantis, como mostra a foto divulgada por amigos em redes sociais

Danilo é ídolo da Vila 7, onde os moradores não se furtam em demonstrar admiração pelo garoto que viram crescer no bairro, a ponto de em um dos bares mais frequentados da vila estar exposto um banner gigantesco com a foto do goleiro fazendo uma de suas defesas históricas.

Nestes últimos jogos da Copa Sul-Americana, cada vez que ele tinha uma grande atuação, no outro dia só se falava no Danilo, o povo daqui tinha muito orgulho dele”, comentou o aposentado Hélio Bodezan, vizinho da casa em que o goleiro cresceu e seus pais e a irmã Daniele continuam morando.

Desde cedo todo mundo sabia que o Danilo ia ser um grande goleiro”, comentou o agricultor Antonio Geraldo Segatini, que também foi vizinho e há muitos anos é amigo da família. “Os times eram de garotos, mas ele era diferenciado, mostrava uma categoria acima dos demais e tinha personalidade”.

Quando alguém falava do garoto que surpreendia por suas defesas, apontava para o campo de futebol que fica do outro lado da rua, bem em frente a casa em que Danilo Padilha cresceu. “A gente só cruzava a rua, o campo estava à disposição da gente o tempo todo”, disse o amigo Sérginho Feitosa, que estava com vários rapazes que também foram amigos de infância e de bola de Danilo. “Nós tivemos que trabalhar, mas ele se destacou também no futsal e logo chegou aos times de base do Cianorte. Da base para o time titular foi um pulo”.

Lorenzo, aos dois anos, se espelha no pai e também quer ser goleiro

Lorenzo, aos dois anos, se espelha no pai e também quer ser goleiro

Profissionalizado, Danilo foi reserva, depois titular do Leão do Vale, esteve emprestado no Arapongas, depois no Operário de Ponta Grossa e acabou voltando ao Cianorte, onde trabalhou com o técnico Cláudio Tencatti, que depois o levou para o Londrina. Desde 2013 o goleiro estava na Chapecoense, onde tornou-se ídolo, casou-se e é pai do garoto Lorenzo, de dois anos, que sempre o acompanhava nos treinos e até batia bola com os profissionais do clube.

O gol em que o garoto começou a mostrar seu talento está exatamente na frente da casa em que cresceu

O gol em que o garoto começou a mostrar seu talento está exatamente na frente da casa em que cresceu

Segundo o amigo Serginho, desde bem pequeno Danilo já estava definido que seria goleiro. “Ele nunca quis outra posição, sempre jogou no gol e logo mostrou que debaixo do travessão era seu lugar”.

O atleta sempre nos finais de ano passava alguns dias de Cianorte com a mulher e o filho e aproveitavam para bater bola como nos velhos tempos. Segundo o fotógrafo Adalto Santana, amigo do pai do goleiro e que acompanhou o início de sua carreira, “ele nunca mudou, continuou sendo uma pessoa simples, que dava atenção a todo mundo e não esqueceu os velhos amigos”.

Museu

Danilo e o goleador Bruno Rangel, também morto no acidente, exibem as camisas 100

Danilo e o goleador Bruno Rangel, também morto no acidente, exibem as camisas 100

A casa de madeira da família Padilha guarda muitas lembranças da carreira do filho ídolo, como bandeiras dos clubes onde ele atuou, troféus e a famosa camisa número 100, da Chapecoense, que ele usou em sua centésima partida pelo clube catarinense. A 150 também já chegou e só não está exposta porque o pai do goleiro, Nilson, mandou colocá-la em uma moldura e ainda não a recebeu de volta.

O desejo do craque era que seus pais guardassem suas relíquias para que no futuro, depois que ele encerrasse a carreira, transformasse um dos cômodos da casa em um pequeno museu que contasse a história de sua carreira.

danilo

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