Luiz de Carvalho



Por insegurança, lojas funcionam com portas trancadas

Trabalhar com as portas do salão fechadas pode parecer uma medida extrema, mas foi o único jeito que a cabeleireira Maria Francisca da Cunha e sua filha Djaine encontraram para terem um pouco de tranquilidade enquanto atendem as freguesas. Há 12 anos que as freguesas sabem que precisam marcar horário por telefone ou se identificarem ao chamar pela campainha no salão na Avenida São Domingos, na Vila Morangueira.

Lorislei Librelatto espera a chegada das clientes para destrancar a porta: segurança para ela própria e para as freguesas

“Este é o tipo do ambiente em que só há mulheres e tanto nós quanto as nossas clientes temos receio de assalto, pois a cada dia temos notícias de que mais e mais estabelecimentos foram assaltados”, contou Djaine. Ela e a mãe desistiram de manter a porta aberta depois que uma mercearia vizinha foi assaltada à mão armada três vezes em plena luz do dia, uma lotérica, além de outros estabelecimentos também.

“Não esperamos chegar a nossa vez e nem queríamos trabalhar aos sobressaltos. Pensamos também na segurança de nossa clientela. Nossas clientes já estão acostumadas a agendar ou chamar e entendem os motivos para a porta fechada”, justifica Djaine.

Funcionar com portas fechadas é uma medida que vem sendo adotada por cada vez mais empresas e em praticamente todos os bairros de Maringá. Na região mais central da cidade, três estabelecimentos da Rua Basílio Sautchuk, um ao lado do outro, já fazem isto há mais de dois anos. “Estamos cercados por duas mini-cracolândias e a todo momento algum noiado entrava na loja”, diz Lorislei Piacentini Librelatto, proprietária de uma loja de roupas femininas na subesquina com a Rua Néo Martins. “Não temos nada contra estas pessoas, mas algumas delas criam problemas, já fui pressionada, ameaçada e as clientes – aqui atendemos mulheres – ficam amedrontadas”.

A comerciante, que está no mesmo local há 20 anos, percebe que a situação vem piorando muito nos últimos anos. “Antes a gente trabalhava com tranquilidade, às vezes atendíamos até mais tarde. Agora, as lojas da vizinhança estão cheias de câmeras, alarmes e até contratamos um guarda para a rua e mesmo assim trabalhamos assustados e infelizmente somos forçados a manter portas fechadas, tendo que esperar a cliente bater na porta”.

Ao lado da Via Corso de Lorislei, o salão Espaço Beleza, de Nair Frageri, também trabalha com as portas trancadas há mais de dois anos. “A desculpa é porque temos ar condicionado, mas na verdade o queremos é segurança e tranquilidade”, diz dona Nair, instalada naquele ponto há 10 anos. O argumento é o mesmo da comerciante Selma Nunes, dona da Josefa Acessórios, ao lado do salão, que também só abre a porta quando chega algum cliente.

Para o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), o fato de ter comerciante trabalhando com portas fechadas é indicativo de que a confiança na segurança pública caiu e os constantes registros de assaltos em estabelecimentos comerciais preocupam. “É uma questão complexa, porque não depende só da polícia, é necessário que existam várias frentes atuando juntas, integradas, porque temos também o problema dos moradores de rua, usuários de drogas e outros que estão levando preocupação aos comerciantes”, disse o vice-presidente do Conseg, o publicitário Fernando Alves dos Santos. “Tem gente sofrendo e tendo prejuízos com isto, portanto as ações que tiverem que ser adotadas precisam ocorrer logo, antes que o problema aumente”.

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Na cidade, sim, mas com o pé na roça

Quem nasceu no sítio sabe o quanto é verdadeiro o ditado que diz que “a gente sai da roça, mas a roça jamais sai da gente”. Mas, nem todos vivem de saudosismo. Há quem deixou o meio rural há muitos anos, goza de todo o conforto proporcionado por uma cidade de alto padrão, como Maringá, e ainda se dá ao luxo de estar na roça, bastando, para isto, cruzar a rua. Melhor ainda quando se pode ter o com asfalto, iluminação pública, linha de ônibus e até rede de esgoto sanitário, sem precisar desembolsar um tostão sequer em impostos.

Luiz Roberto cuida da roça iniciada pelo pai dele quando chegaram os primeiros moradores do Parque Itaipu

Este é o caso de várias famílias da Rua Gertrude Heck Fritzen, paralela ao Contorno Sul, no Parque Itaipu, “proprietárias” de pequenos sítios onde plantam café, milho, feijão, laranja, mamão e frutas diversas. Na realidade elas estão ocupando uma faixa de terra entre o Contorno e o bairro, onde passa uma linha de alta tensão da Eletrosul Centrais Elétricas, empresa do governo federal que distribui energia elétrica para as concessionárias estaduais, como a Copel, no Paraná, Celesc, em Santa Catarina, e a Cesp, em São Paulo.

Os pequenos sítios começaram a surgir nas décadas de 1970 e 1980, quando foram loteados bairros próximos à saída para Campo Mourão. Na época, a região era rural e os loteamentos faziam divisa com áreas de fazendas em direção à Gleba Pinguim.

O Contorno Sul ainda não existia, mas linhão da Eletrosul já estava lá e, por lei, debaixo dele não pode ser feito qualquer tipo de construção. Com isto, a faixa de terra onde estão as torres era ocupada por matagal e acabava servindo para o descarte de restos de construção, sofás e móveis velhos, galhadas e outros tipos de lixo, provocando o surgimento de ratos, baratas, forte mau-cheiro e péssimo visual.

Como quase todo mundo que morava perto do linhão tinha vindo do sítio, logo as pessoas começaram a limpar pequenos espaços para plantar alguma coisa”, conta o mecânico João de Lima. “As pessoas trabalhavam durante o dia em seus empregos e nos finais de tarde e nos fins de semana davam de mão a enxadas e facão e vinham plantar. A intenção não era ter lucro. No fundo, queríamos mesmo era matar a saudade dos tempos do sítio”.

Enquanto conversava com a reportagem, João mostrava cerca de 20 graviolas que acabava de colher no pé que ele plantou entre pés de café e bananeiras. O suco de umas duas semanas está garantido e ele ainda fez a média com vários amigos que apreciam a famosa fruta.

João Leandro da Silva não tem motivos para ter saudade do sítio. Ele trabalha em um curtume e, quando chega em casa, troca de roupa e vai trabalhar em sua pequena chácara em frente a casa. Ele se gaba aos amigos que aquele pedaço de terra serve para descontrair.

Além de eliminarmos o estresse, ainda podemos levar para nossa família e distribuir aos amigos alimentos fresquinhos, cultivados sem qualquer produto químico”, diz “o sitiante” Luiz Roberto Vitorino, que “herdou” a terra do pai, o pioneiro Anselmo Vitorino.

Segundo ele, Anselmo era um autêntico agricultor, que teve que mudar-se para a cidade após as geadas históricas de 1975 dizimarem a cafeicultura paranaense. Às vésperas de completar 70 anos, Luiz Roberto, que na cidade estudou, foi auxiliar, sub-gerente e gerente de empresas, se aposentou e assumiu o “sítio” iniciado pelo pai. Em uma área de 1 mil metros quadrados ele planta café, cana, banana, laranja e outras plantas e todos os finais de tarde, quando o sol já não está tão ardente, ele volta a ser o roceiro dos tempos de criança.

Para nós, é bom. É uma ocupação e uma forma de termos alimentos sem agrotóxicos. Mas, para a Eletrosul é uma garantia de que enquanto tivermos nossas plantações aqui não surgirão favelas, invasões, ninguém vai descartar lixo. Enfim, ela deixa até de gastar com a limpeza do terreno”, diz Vitorino.

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Deco e a mais longa viagem de sua vida

TEXTO DO LIVRO “MARINGÁ 70 ANOS”

Nas décadas de 1960 e 1970, um homem negro, pobre e quase analfabeto se destacava em Maringá e cidades da região proferindo palestras sobre leis trabalhistas, traduzindo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para uma linguagem compreensível pelo trabalhador comum e ajudando a criar sindicatos de trabalhadores em todo o norte/noroeste do Paraná.

Em Maringá Adenias foi ensacador de café, presidente de sindicato, funcionário da prefeitura e vendedor de calçados

Este homem era o baiano Adenias Raimundo de Carvalho, na época presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá, sindicato com maior número de associados, ao lado do Sindicato dos Arrumadores. Ele tinha chamado a atenção da sociedade maringaense e dos órgãos de repressão do governo militar ao liderar, no sindicato, aquela que possivelmente tenha sido a primeira greve de trabalhadores do Brasil durante o regime que se estabeleceu no País em março de 1.964. O escritor Laércio Souto Maior, que prepara um livro sobre os movimentos sociais de Maringá nas décadas de 60, 70 e 80, escreveu em sua coluna em O Diário do Norte do Paraná que “o sempre bem humorado Adenias de Carvalho (…) na semana do golpe militar, e nas duas semanas subsequentes, liderou uma greve histórica, enfrentando com coragem as autoridades militares que invadiam as sedes dos sindicatos brasileiros, destituindo suas diretorias. A greve terminou vitoriosa e ficará para sempre na história do sindicalismo maringaense e do Paraná”.

Para presidir o poderoso sindicato por oito anos, Adenias, ou Deco, como o chamavam os mais próximos, teve que se preparar, com noites de leitura de grossos livros sobre leis trabalhistas, sindicalismo e liderança, tarefa que não devia ser fácil para homem de pouco estudo que tinha que ler sob a luz de lamparinas, já que na época, boa parte da Zona 7, onde morava, não tinha rede de energia elétrica. Além disto, a pequena casa de madeira estava sempre cheia de gente, pois era garantia de abrigo para muitas famílias que chegavam da Bahia em busca de melhores dias.

Baiano de Baixa Grande, próxima a Mundo Novo, nunca tinha se afastado mais de 100 quilômetros do lugar onde nasceu quando, no início da década de 50, decidiu fazer a maior viagem de sua vida até então para conhecer o norte do Paraná, de onde chegavam notícias sobre uma terra roxa que dava tudo que se plantasse e, o que é importante para os nordestinos, chovia. Recém-casado com Celina Maria, embarcou em um pau-de-arara junto com o sogro, sogra e uma penca de cunhados, todos menores de idade.

O dinheiro foi curto para chegar ao destino e assim a família passou um curto tempo nos cafezais de São Paulo e só depois chegou a Maringá.

A família, que na Bahia nunca soube o que é blusa e cobertor, enfrentou na chegada um frio de 0 grau. Na nova cidade, onde diariamente centenas de famílias chegavam no trem, em caminhões e nas jardineiras que faziam ponto na ‘Praça da Pernambucanas’, o baiano fez de tudo: foi roceiro e como funcionário da Companhia Melhoramentos ajudou a retirar tocos de árvores da Avenida Brasil e a plantar as palmeiras imperiais da ‘Praça da Pernambucanas’, que anos depois recebeu o nome de Napoleão Moreira da Silva.

Mas, sua esperança era sempre a safra do café. Nestes períodos, milhares de trabalhadores chegavam de outros Estados para trabalhar na colheita e os mais jovens e fortes queriam mesmo trabalhar nas máquinas de beneficiamento e armazéns, carregando sacos. “Um saqueiro ganhava em uma safra o que demoraria anos trabalhando num serviço comum”, contava sempre.

E foi como jovem e forte que ele carregou muitos sacos de café nos armazéns, encheu vagões de trem e caminhões e chegou a ir trabalhar no Porto de Paranaguá no descarregamento de caminhões e vagões para encher navios com o café paranaense que seguia para a Europa.

Mesmo ganhando muito, os saqueiros trabalhavam em péssimas condições. Como não tinham patrão, também não tinham a quem recorrer nas dificuldades, faltavam condições de segurança, armazéns impunham valores considerados injustos e a maioria não pagava a Previdência. Muitos ficavam ao léu se sofressem acidentes no trabalho – e os acidentes eram muitos e vários chegaram a ficar inválidos. Estas condições fortaleceram os movimentos de trabalhadores, que resultaram na criação de sindicatos no início da década de 1960, entre eles o dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá.

Deco participou ativamente da luta dos trabalhadores da sacaria por melhores condições e acabou sendo eleito presidente do sindicato. Quando percebeu que os armazéns e máquinas não estavam dispostos a oferecer o que a categoria cobrava, chamou uma greve que resultou na paralisação do trabalho nos armazéns, muito café não pode ser embarcado para os portos. Quando o regime militar foi instalado, com o nome de Revolução, os saqueiros de Maringá e região já estavam de braços cruzados e pareceram não ter se importado, possivelmente por não saberem dos anos de chumbo que tal regime imporia ao Brasil nos anos seguintes. Os ensacadores só voltaram a carregar sacas quando algumas garantias foram acertadas.

Quando deixou o sindicato e coincidentemente a cafeicultura entrava em baixa após as geadas de 1975, Adenias foi funcionário da prefeitura e depois foi vender calçados, o que fez até se aposentar forçado por um acidente vascular cerebral.

Se todo mundo que veio para Maringá tivesse ficado, a população hoje seria maior do que a de Curitiba”, contava sempre, quando lembrava de tantos colegas de trabalho que passaram por aqui apenas uma ou duas safras de café. “Os que tinham dinheiro, vinham para cá para se estabelecer, os pobres vinham para trabalhar e a maioria sonhava em voltar para o lugar de onde vieram. Os nordestinos, por exemplo, amam demais sua terra e só saíram de lá por precisão”. Ele, que era nordestino, saiu de sua terra ‘por precisão’, mas no dia que viu Maringá teve a certeza de que não voltaria mais.

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História de Maringá é contada por pioneiros em livro

Para o empresário Franklin Vieira da Silva, presidente do Grupo O Diário, o jornal tem a obrigação de fazer o resgate da história, tornando público o relato daqueles que viveram ou foram testemunhas dos fatos que fizeram a história da cidade. E é para atender a este compromisso que O Diário pela terceira vez publica em livros a história e os relatos dos pioneiros maringaenses.

Frank Silva entrega a homenagem ao ex-vereador e radialista Antonio Mário Manicardi, o Nhô Juca

O livro “Maringá 70 Anos – Famílias, personagens e fatos que contam nossa história” foi lançado quinta-feira durante café da manhã na Associação Comercial com a presença de várias pessoas que são personagens do livro. A edição, com capa dura, papel couchê e fotos atuais e da Maringá do passado, foi organizada pelo jornalista Edivaldo Magro, com textos de jornalistas com experiência em resgate histórico.

Em trabalhos anteriores O Diário já publicou a história de vários personagens da história maringaense, mas desta vez procuramos mostrar as famílias que chegaram desde a década de 1940, que relatam como era o local em que se construiria a cidade, as dificuldades que enfrentaram e também os momentos de alegria”, disse o idealizador da obra, Edivaldo Magro. “Ao contarmos a história das famílias, mostramos um novo ângulo da história da cidade”.

O engenheiro Edgar Osterroht retratou em seus quadros cenas dos primeiros anos da cidade

A publicação foi pensada como uma colaboração de O Diário às festividades do ano em que Maringá festeja seu 70º aniversário e dividiu as pessoas e famílias por áreas de atuação. O engenheiro Edgar Osterroht, por exemplo, não foi enfocado pelo fato de ter feito parte da equipe da Companhia Melhoramentos, empresa que colonizou a região. Ele foi lembrado como o primeiro artista plástico de Maringá, autor de quadros que mostram como era a cidade no passado. Em uma época em que as poucas máquinas fotográficas registravam momentos em preto e branco, as pinturas de Osterroht registravam em cores vivas cenários e pessoas nos anos 40 e 50.

Outro destacado por seu trabalho artístico é o poeta Antonio Augusto de Assis, o A.A. de Assis, primeiro jornalista da cidade e autor de vários livros de trovas.

A família Meneguetti, que chegou a Maringá em 1946 para explorar um sítio onde hoje é o distrito de Iguatemi, é destacada pelo trabalho no setor industrial, depois de elevar a Usina Santa Terezinha a uma das maiores empresas do Paraná, atrás somente da Copel, Sanepar e duas cooperativas agroindustriais.

O jornal registra a história todos os dias, mas para falarmos do início da cidade, só recorrendo a quem viveu o início da cidade”, disse Frank Silva. “Esta é a terceira vez que O Diário publica livros com os pioneiros e temos a certeza de que preparamos uma publicação digna do orgulho da cidade e de seus pioneiros, um livro para ser guardado e consultado daqui a muitas décadas. Enfim, com mais esta publicação estamos dando a Maringá mais um importante registro de sua história, fazendo o reconhecimento destas famílias que enfrentaram as dificuldades da época e legaram para o futuro uma cidade que vai bem além dos sonhos dos pioneiros”.

O lançamento do livro foi prestigiado pelo vice-prefeito Edson Scabora (PV), vereador Do Carmo (PR), vice-presidente da Associação Comercial, Michel Felippe, e representantes de outros setores.

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Dois anos após queda de ponte, cidade fica até sem linha de ônibus

Devido à falta de acesso, a empresa de ônibus deixou de fazer a linha que passa pelo município
Uma ponte provisória pode ser instalada até que o governo federal libere recursos para a ponte definitiva

No dia 13 de janeiro completa dois anos em que a ponte que liga os municípios de Jardim Olinda (a 130 quilômetros de Maringá) e Itaguajé, ambos na margem do Rio Paranapanema e fazem divisa com o Estado de São Paulo, foi destruída pela enchente no Rio Pirapó.

A sondagem no rio já está sendo realizada para a elaboração do projeto da nova ponte a ser construída com recursos federais

A queda da ponte aconteceu na mesma época em que várias outras pontes do Pirapó foram destruídas, entre elas a da PR-317, entre Maringá e Iguaraçu.

O que intriga os moradores de Jardim Olinda é que todas as demais pontes foram reconstruídas, menos aquela que tem grande importância na economia do município. “É lamentável, porque limita as vias de acesso a Jardim Olinda e agora para chegar a Itaguajé temos que andar 40 quilômetros a mais”, disse Jorge Fernandes Martins.

A prefeita Lucimar de Souza Morais Assunção (PP) diz que o município está perdendo muito porque sem a ponte a empresa de ônibus deixou de atender aos 1,4 mil moradores de Jardim Olinda, os fornecedores do comércio local também não comparecem mais e muitos produtos estão em falta na cidade. A ponte de 45,5 metros era também a única ligação para a região em que se localizam os condomínios de recreio e saída para o Estado de São Paulo.

A assessora Especial da prefeitura, Nayara Palicer, disse que município está tentando recursos junto ao Ministério da Integração Nacional para a construção de uma nova ponte, porém para isto precisa apresentar um um projeto junto ao governo federal e a prefeitura não dispõe de recursos para a elaboração do projeto. Por isto, a Casa Civil do governo garantiu R$ 250 mil para as despesas com a elaboração do projeto para que o município possa solicitar a construção da nova ponte.

A prefeita Lucimar Assunção diz que é possível que o município não fique sem ponte até a construção de uma nova, já que surgiu a possibilidade de ser construída uma ponte provisória até a construção definitiva. Na terça-feira, uma equipe técnica do Exército esteve no local realizando uma sondagem para definir um projeto de ponte provisória. O único entrave é a necessidade de ser erguer uma pilastra de concreto no meio do rio.

Sem o acesso, temos que andar 40 quilômetros a mais para chegar a Itaguajé e nem a empresa de ônibus quer esta despesa a mais”.

Jorge Fernandes Martins, morador

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Morre o pioneiro Adenias de Carvalho, aos 93 anos

Morreu na tarde desta sexta-feira, aos 93 anos, o pioneiro maringaense Adenias Raimundo de Carvalho, ex-presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá e ex-funcionário da prefeitura.

Ele estava internado há duas semanas com pneumonia e infecção nos rins e desde a semana passada estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal.

Baiano de Mundo Novo, Deco, como era conhecido, morava em Maringá desde o início da década de 1950, tendo sido funcionário da Companhia Melhoramentos e em vários armazéns de café, trabalhando como carregador. Na década de 1960, foi eleito presidente do Sindicato dos Ensacadores de Café e comandou, em abril de 1964, a primeira greve de trabalhadores do Brasil no governo militar.

Nos anos 80, foi funcionário da prefeitura, durante a administração do prefeito Silvio Magalhães Barros. Como amante da boa política, era o mais antigo membro do PMDB de Maringá, filiado desde a época de criação do MDB, na década de 60.

Casado com a também baiana Celina Maria de Carvalho, falecida há três anos, Adenias era pai do jornalista Luiz de Carvalho, repórter de O Diário, do professor Jairo de Carvalho, da UEM e do Ceebeja, e da professora Maria Lúcia de Carvalho, do Colégio Gerardo Braga.

Adenias deixa três filhos, 8 netos e 8 bisnetos.

O corpo será velado na capela do Prever do Cemitério Parque a partir de horário ainda não definido.

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Com estiagem, quebra no trigo já chega a 20%

Pelo menos 20% da safra de trigo do noroeste paranaense já estão perdidos em consequência da estiagem que persiste há um mês e meio, mas os prejuízos poderão aumentar, já que a meteorologia só prevê chuvas abundantes em setembro. A quebra da safra vem somar-se à redução que já era prevista devido à diminuição da área destinada à cultura no Paraná, em torno de 8%.

O produtor temia pela geada, que se chegasse em um período em que os grãos ainda estão na fase de enchimento, poderia comprometer a produtividade, mas o que aconteceu foi a seca prolongada, que está matando os perfilhos – ramos que surgem a partir do caule principal da planta”, disse o técnico agrícola Moacir Luiz de Andrade, da Cooperativa Agroindustrial de Mandaguari (Cocari). Com a falta de umidade no solo, as plantas não alcançam porte ideal e as espigas que estão nos perfilhos não obtém bom preenchimento dos grãos.

Adilson José Abrão observa que além das perdas provocadas pela estiagem, agora há o ataque de pulgões         Foto: João Cláudio Fragoso

A lavoura da família Abrão, na Gleba Guaiapó, é um exemplo do que disse o técnico da Cocari. Segundo Adilson José Abrão, que planta junto com o pai, Fausto, e o irmão Alberto, grãos que deveriam estar hoje com cerca de 1 grama, não passam de meio grama e em muitos casos os grãos estão esfarinhando. “As plantas em que os grãos ainda estão na fase chamada de ‘em leite’ não há como o ciclo se completar sem umidade no solo”, disse.

De acordo com Abrão, se nesta semana chover o suficiente para encharcar as raízes, “o prejuízo estanca aqui, mas se a chuva não for suficiente, pode piorar”.

A preocupação dos produtores é que os institutos meteorológicos contratados pelas cooperativas esperam chuvas mais significativas somente a partir de setembro, quando o todo o trigo do Paraná já terá sido colhido, às vésperas do início do plantio do soja da safra de verão.

Contávamos que tiraríamos cerca de 110 sacas por alqueire, mas do jeito que está já prevemos uma média de 80”, diz Adilson Abrão, que já recorreu ao seguro agrícola na certeza de quebra da produção.

Para completar os problemas dos triticultores paranaenses, nesta semana os trigais ficaram infestados de pulgão, uma das pragas mais prejudiciais do trigo. Os danos ocasionados por estes insetos podem ser diretos, por meio da sucção de seiva e do efeito tóxico da saliva, ou indiretos, pela transmissão de espécies de dois tipos de vírus. O tipo e a severidade dos danos diretos variam de acordo com a espécie de afídeo, a intensidade do ataque e o estágio de desenvolvimento da planta no momento da infestação.

Os Abrão iniciam hoje a aplicação de defensivo para combater o pulgão, mas contando que a cada litro do produto (R$ 150) eleva o custo de produção.

O preço do trigo ao produtor vem tendo aumentos consideráveis nas últimas semanas, saindo de R$ 31 no início do mês para R$ 36,50 a saca de 60 quilos ontem na região de Maringá, o que, segundo os produtores, seria um bom valor se a produtividade compensasse, mas ainda longe dos R$ 42 que conseguiram na safra passada.

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Bolsonaro: Temer ficou sem moral para continuar

Aos 62 anos, Jair Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há 26 e colecionou mais de 30 ações na Justiça por falar o que pensa – ou falar sem pensar. Já desagradou companheiros de parlamento, políticos de todas as linhas, principalmente os da esquerda, negros, índios, gays e até mulheres. Mas, se orgulha porque nenhuma das ações na Justiça são por corrupção.

Jair Bolsonaro diz que as hostilidades contra sua pessoa estão desaparecendo

Em um momento em que o Brasil acompanha a maior onda de denúncias de corrupção da história, o deputado mais bem votado do Rio de Janeiro ganhou destaque por estar em uma posição em que pode disparar suas palavras ferinas por todos os lados. Muito mais gente passou a ver que ele tem razão no que diz e a popularidade cresceu, principalmente com a força das redes sociais.

“Por muito tempo, eu seria hostilizado ao comparecer a uma universidade. Hoje, chego, sou ouvido e saio aplaudido”. Segundo ele, o tempo contribuiu para que as pessoas o conhecessem melhor e pudessem comparar seu perfil com o de políticos de renome que hoje estão afundados em denúncias, muitos deles já nas garras da Operação Lava Jato.

O polêmico político hoje causa histeria por onde passa. Tanto pelos simpatizantes quanto pelos adversários, que já perceberam que ele é o homem a ser batido. Na sexta-feira, sua barulhenta passagem foi por Maringá, onde, ao final da programação, conversou demoradamente com O Diário.

 

O DIÁRIO.— Este Jair Bolsonaro que o povo está conhecendo agora, com a língua ferina, é verdadeiro ou um personagem?
JAIR BOLSONARO — Quem me conhece há mais tempo sabe como sou. Ninguém conseguiria passar tanto tempo vivendo um personagem só para dar Ibope.

O giro pelo Brasil já é campanha eleitoral?
Não posso dizer que sou pré-candidato para não ferir a Lei Eleitoral, mas estou me preparando para esta possibilidade. Se houver oportunidade, serei sim candidato.

Em Maringá a plateia de Bolsonaro foi formada por jovens

Em Maringá e em Londrina um público jovem o aplaudiu com entusiasmo. O senhor acredita que suas ideias estão convencendo a juventude?
Até algum tempo atrás, eu seria hostilizado em uma universidade, hoje fui bem recebido em uma e o público jovem entendeu minha mensagem. É uma mensagem que o Brasil precisa ouvir.

Por que o senhor era hostilizado?
A hostilidade sempre existiu e vai continuar existindo e eu era hostilizado principalmente por causa das mentiras contadas pela esquerda sobre o Brasil.

E como mudou?
Muitos dos que eram contra mim, vendo toda esta carga de informações, vendo seus ídolos na política sendo acusados de corrupção, vão se envergonhando de fazer manifestação contra minha pessoa e às vezes enxergam que pretendo fazer diferente do que estão fazendo com o País. Com o tempo, isto vai mudando, as pessoas foram vendo o que era verdade e o que era mentira, que não sou o bicho-papão que pintavam.

Que análise pode ser feita do Brasil atual?
O momento político do Brasil é o pior possível. A crise não é apenas política: é ética, moral, econômica e política. Mas, o Brasil tem potencial para sair desta situação.

Como chegamos a esta situação?
É o loteamento. O que leva à corrupção é a ineficiência do Estado. E enquanto tivermos este loteamento que vemos e ganhou muito destaque com as últimas denúncias. Enquanto o governo for loteado, a corrupção vai continuar.

E vai sair disto?
Vai ter que sair. Se não, temos que comprar lote no cemitério. E ir para o cemitério não está nos meus planos.

O senhor acha que o governo Temer respira por aparelho?
Michel Temer representa o que é a política tradicional brasileira, nunca preocupado com o futuro do País e sim com seu grupo. Agora, o que vai acontecer no curto prazo depende dele mesmo, num primeiro momento, depois do TSE, no início de junho. Não quero botar lenha na fogueira, mas a situação dele está muito complicada e o Brasil merece um quadro diferente do que tivemos nos últimos anos.

Na sua opinião, ele deveria se afastar?
A renúncia é uma atitude pessoal dele. Logicamente que para o bem do Brasil seria melhor ele se afastar. Fica difícil, fica comprometida a credibilidade dele ao aceitar receber, nos porões do Jaburu, pessoas que a sociedade já sabe que estão comprometidas diante da Justiça. Fica complicado, depois de um gesto destes, para uma pessoa que está na condução dos destinos do Brasil.

Em uma eventual saída ou cassação de Temer, qual será o caminho?
Se ele vier a cair por um motivo qualquer, teremos eleições indiretas pelo Parlamento. Esta é a regra do jogo .

Numa eleição direta, o senhor pensa em concorrer?
De forma alguma. Neste caso, quem vota são os deputados e senadores e este é um tipo de eleitorado que não quer Bolsonaro no comando do País. Em uma eleição indireta, as chances ficam com os grandes partidos e com os acordos que serão firmados. Certamente, alguém que seja eleito em uma situação destas não terá como levar em frente o combate à corrupção.

A Operação Lava Jato está em perigo?
Sim. Existe a possibilidade ela se acabar. Agora mesmo dois ministros do Supremo Tribunal Federal querem reinterpretar a prisão após a condenação em segunda instância. Querem passar para a terceira instância. Basicamente isto será um golpe mortal na Lava Jato, porque, no mínimo, levaremos 20 anos para que o STJ [Superior Tribunal de Justiça] venha julgar e punir os culpados em episódios como os que estamos vendo e que envergonham e revoltam o Brasil.

O senhor tem criticado os projetos de reformas do governo. Que defeito tem o projeto que muda a Previdência?
Meu pai já dizia que algumas coisas são como remendo novo em roupa velha. Este é o caso do projeto para a Previdência. Ele está sendo muito focado na questão da idade e isto não pode ser generalizado. Eu estive no Piauí e lá a expectativa de vida de um trabalhador é de 69 anos, segundo o IBGE. É desumanidade fazer levar uma pessoa a só se aposentar no fim da vida. Este projeto de reforma não tem meu apoio, apesar de reconhecer que alguma coisa precisa ser feita.

E a reforma trabalhista?
Eu votei favorável porque ela não suprimiu nenhum direito até porque tudo o que se fala, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia, entre outros direitos, estão previstos no artigo sétimo da Constituição. E o que nós votamos foi um projeto de Lei. A classe empregadora tem dito que a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] tem que ser reformada, afinal, é um país de muitos direitos e poucos deveres e perdemos a competitividade com o resto do mundo.

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Abandonado, Brinco da Vila vira boca de fumo

A Guarda Municipal de Maringá iniciou uma operação noturna para afastar usuários de drogas, traficantes e ladrões que ultimamente ocuparam o Estádio Brinco da Vila, na Vila Operária, e se tornaram um problema para a vizinhança. O trabalho deve se repetir hoje, amanhã, depois de amanhã, até que o histórico espaço esportivo deixe de ser uma boca de fumo.

O Brinco da Vila é um dos últimos campos da época de ouro do futebol amador em Maringá Foto: João Paulo Santos

Segundo o coordenador da Guarda Municipal, Reginaldo Diniz, a situação do Brinco da Vila é o principal motivo de reclamações da comunidade à Guarda nas últimas semanas. “Tanto a Guarda quanto a Polícia Militar têm feito rondas constantes e vários indivíduos foram detidos naquele local, mas agora vamos realizar um trabalho mais constante e efetivo”.

O estádio da Vila Operária, que já foi sede do time que representava o bairro no Campeonato Amador e do Grêmio de Esportes Maringá nas décadas de 1970 e 1980, virou boca de fumo devido a seu estado de abandono.

Há muito tempo que isto aqui está abandonado, o mato cresceu, pedaços do muro caíram e há lixo acumulado em vários pontos”, diz uma dona de casa que mora em frente. Segundo ela, tanto no interior do espaço quando do lado de fora “não há sequer uma lâmpada funcionando, os drogados levaram sofás e passam a noite aí consumindo drogas e ameaçando quem passa na rua”.

Praticamente todas as casas vizinhas já foram furtadas ou assaltadas, algumas mais de uma vez. “Eles levam o que acham pela frente, desde tênis no quintal até celulares e outros objetos dentro de casa, sem contar que muitas pessoas são assaltadas na rua”, relata outra vizinha. “O clima é de muita insegurança, tanto para quem mora perto quanto quem tem que passar pela rua”.

Este estádio tem importância histórica para a cidade, está próximo ao centro e é um patrimônio público”, diz Carlos Alexandre de Oliveira, que também mora vizinho. “É lamentável que as autoridades tratem desta forma um espaço que poderia estar oferecendo ocupação e entretenimento a jovens e idosos”. Ele cita que, devido à presença constante de usuários de drogas, as pessoas evitam frequentar a Academia da Terceira Idade (ATI) existente no local.

Ocupar para conservar

Na prefeitura, ninguém sabe explicar a que secretaria está afeto o Estádio Brinco da Vila. “Ainda nesta semana, vou sentar com o secretário de Assistência Social e Cidadania [Ederlei Alkami] para discutirmos um aproveitamento daquele espaço”, disse o secretário de Esportes, professor Valmir Fassina.

Segundo ele, a secretaria tem planos em desenvolver atividades esportivas no local e sabe-se que a Assistêcia Social também tem um projeto para jovens.

As duas secretarias precisam de espaço para desenvolver algum tipo de trabalho e o Brinco da Vila oferece as condições ideais. Tendo atividades, a comunidade volta a frequentar o ambiente, inclusive a ATI”, diz Fassina.

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CMDCA cobra política para crianças indígenas

Na cultura indígena, as crianças sempre acompanham os pais

Deve chegar ao prefeito Ulisses Maia (PDT) nos próximos dias a Resolução do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) que cobra ações da prefeitura para a promoção da valorização cultural dos indígenas que vêm à cidade para comercializar artesanato. A cobrança tem o intuito de minimizar os impactos gerados por ações de preconceito e discriminação, especialmente com relação às crianças.

Segundo a presidente do Conselho, Márcia de Souza, muito já foi discutido sobre as crianças indígenas, que acompanham seus pais à cidade e permanecem nas ruas, muitas vezes em pontos de trânsito perigoso. “Como muitas solicitações já foram feitas ao poder público, porém como nunca houve qualquer ação das autoridades, o CMDCA, com base nas atribuições que lhe são conferidas por leis Federal e Municipal, realizou sessão plenária em novembro e decidiu pela publicação de uma Resolução no final do ano”.

Márcia de Souza, presidente do CMDCA de Maringá

Como o CMDCA é deliberativo, encarregado por definir a política de valorização da criança, cabe agora à administração municipal cumprir às determinações. O Ministério Público, por meio da Promotoria da Infância e Juventude, se encarregará de fiscalizar o cumprimento.

Por questões culturais, as crianças indígenas são diferenciadas sob os olhos da Lei e vêm à cidade porque, pela cultura de seus povos, toda a família sai da aldeia junto quando chega a época da comercialização de artesanatos, período que coincide com as férias escolares na aldeia”, diz a presidente do Conselho. Nos finais de ano, a quantidade de indígenas que vem a Maringá é muitas vezes maior do que a capacidade que a Associação Indigenista de Maringá (Assindi) tem de abrigo-las e, assim, centenas de famílias ficam desalojadas, procurando se abrigar em construções, prédios desocupados ou mesmo em barracas que armam em terrenos baldios.

O que o Conselho requer é a participação das populações indígenas em eventos culturais realizados no município para a comercialização de artesanato e apresentações culturais. Também determina que a Secretaria de Cultura (Semuc) encaminhe proposta formal de projeto intersetorial para valorização das culturas indígenas por meio da criação de um Festival Indígena, com feira de artesanato e manifestações culturais.

Publicada por Luiz de Carvalho
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