luthier

Fazer instrumentos, uma arte que exige talento e paciência

 

Instrumentos feitos por luthier custa de 10 a 20 vezes mais do que similares importados da China, mas são os preferidos dos músicos

 

A casa em que o luthier Luiz Couto Alves mora, no Residencial Tuiuti, tem na fachada uma gigantesca pauta musical, mas o morador não sabe tocar sequer um trecho de música. Porém, segundo ele próprio diz, tem o ouvido mais sensível do que a maioria dos músicos profissionais. É graças ao ouvido que ele hoje é procurado por músicos de vários Estados para fabricar violinos, violoncelos, violas de orquestra, violas caipiras, violões, bandolins, cavaquinhos, enfim, toda espécie de instrumentos de corda.

De acordo com o fabricante, além de audição aguçada, “um bom luthier precisa buscar desesperadamente a perfeição em sua arte, ser observador dos detalhes e entender que tipo de acústica cada músico espera do instrumento”. Além disso, precisa estudar muito, se manter atualizado com as novas técnicas e só utilizar matéria-prima de altíssima qualidade.

Luthier é um profissional especializado na construção e no reparo de instrumentos de corda com caixa de ressonância. E Luiz Couto não escolheu a profissão, mas sabe que desde menino aprendeu a criar instrumentos ao lado de um irmão que tinha mais experiência nessa arte. Quando descobriu que tinha jeito para a coisa, decidiu se aperfeiçoar, frequentou uma escola de arte em Pernambuco e o resto aprendeu com a experiência.

Desde que mudou-se de Lajedo, no Pernambuco, para Maringá, há quase 40 anos, o luthier não sabe o que é faltar trabalho. Ao contrário: tem trabalhado dia e noite, fins de semana, deixado de tirar férias para dar conta de tantas encomendas que recebe de diferentes pontos do Brasil. Além de fabricar, ele recebe instrumentos, geralmente caros, para recuperar. Segundo diz, embora em todo o País existam vários profissionais fazendo este tipo de serviço, seus instrumentos conquistaram alto conceito.

“Essa é uma arte que exige muita paciência”, diz Couto, explicando que para fabricar um violino demora cerca de 30 dias. A madeira ideal para esse tipo de instrumento é importada, geralmente da Alemanha e Bósnia, a resina vem da América do Norte. “O resto depende da paciência e capricho do artesão”. Seus violinos têm design baseado no lendário Stradivarius, mas nos violões e violas caipiras o design depende do gosto do músico que o encomenda. “Cada instrumento recebe cuidado de forma individual, vai ser um instrumento único do timbre ao acabamento, do visual à afinação”.

 

Concorrência chinesa

Alguns anos atrás, fabricantes artesanais de instrumentos temeram que a profissão poderia acabar diante da concorrência dos instrumentos chineses. Se um violino fabricado à mão por Luiz Couto custa R$ 5.500, um chinês pode ser encontrado em lojas de Maringá por R$ 200 ou R$ 300. O mesmo acontece com os violões, que podem ser encontrados no comércio por pouco mais de R$ 100, enquanto um feito à mão custa R$ 2.500.

“É claro que no começo isso nos preocupou”, disse Reginaldo, filho de Couto, que trabalha com o pai desde menino e quer continuar na profissão. “Mas, depois percebemos que os músicos, pessoas que já têm ouvido educado, vão sempre preferir a qualidade que ele só encontrará em instrumentos feitos feitos à mão”. Ele considera que uma pessoa que não tem noção pode comprar um “instrumento descartável” para começar a aprender música, mas na medida que for evoluindo no aprendizado, o ouvido vai exigir um instrumento de melhor qualidade.

 

 

US$ 3,5 milhões

foi o valor, em 2006, pago por um violino Stradivarius, marca criada por volta do ano 1700 por Antonio Stradivari, na Itália.

 

9 Comentários