Maringá



Velório do padre Schneider será encerrado com missa

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Uma missa a ser celebrada pelo arcebispo dom Anuar Battisti, às 15h30, encerra o velório do monsenhor Geraldo Schneider na Catedral Nossa Senhora da Glória, em Maringá. O padre de 81 anos morreu na manhã de ontem depois de sofrer um infarto.

Após a missa, o corpo segue para o Crematório Angelus, no Cemitério Parque, onde será cremado, como era desejo do padre. As cinzas serão depositadas o ossário da catedral. Veja mais

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Só a morte parou o padre Geraldo Schneider

O padre implantou e depois repassou para a Diocese a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil

Mesmo com idade avançada e doente, Schneider considerava que a pregação da Palavra não pode parar e continuou trabalhando

Com o bispo dom Jaime, padre Geraldo fazendo visita a presos na cadeia de Maringá

Um jovem alemão magrelo e sorridente, que ainda não conseguia falar Português, tentando contar piadas de português nos corredores da Santa Casa; um padre de calção, camiseta e chuteiras trocando caneladas com outros peladeiros em campinhos de chão batido; um padre de calção e boné, com apito pendurado no pescoço, orientando treino de times de garotos; um padre sem experiência tentando arrebanhar católicos para construir uma igreja no bairro mais antigo da cidade, a Paróquia Cristo Ressuscitado; um padre sisudo rezando missas na TV ou ainda o padre de idade avançada, amoroso e atencioso, ouvindo confissões ao lado de uma gruta de pedra e obras de reconstrução de uma igreja.

Cada um pode ter uma imagem diferente de como conheceu o padre Geraldo Schneider. Só depende de em que momento se deu o primeiro encontro. Mas, um fato é certeza: ninguém conheceu o padre Geraldo Schneider parado, nem mesmo em seus últimos dias de vida, quando bastante doente continuava ouvindo confissões, fazendo aconselhamento e celebrando missas três vezes por semana. O monsenhor Schneider morreu ontem, por volta das 6 horas da manhã, ao sofrer um infarto fulminante. Tinha 81 anos, 57 deles vividos em Maringá.

O velório está acontecendo na Catedral Nossa Senhora da Glória, onde o monsenhor trabalhou por décadas. Nesta terça-feira serão celebradas missas às 7 horas, 12 e 15h30. Em seguida, como foi desejo expressado pelo religioso, o corpo será cremado e as cinzas depositadas no ossário da Catedral.

Schneider estava aposentado, mas como considerava que “a obra de Deus não pode parar”, continuou trabalhando, só diminuindo o ritmo quando o corpo não conseguiu acompanhar a mente e vontade devido ao avanço da insuficiência renal e problemas cardíacos. Era do tipo que preferia mais cuidar da saúde dos pobres do que da dele mesmo.

O falecimento do monsenhor foi destaque nacional ontem nas TVs católicas e o padre Reginaldo Manzotti fez um pronunciamento na Rede Evangelizar, destacando que Schneider foi um dos primeiros religiosos a perceber a importância do uso dos meios de comunicação em massa na evangelização.

O arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti destacou que embora oriundo de família rica da Alemanha, padre Geraldo “viveu uma vida pobre, dedicada aos pobres”. O prefeito Ulisses Maia (PDT), que conheceu o padre desde que era criança, lembrou que em agosto entregou a ele a Comenda Dom Jaime Luiz Coelho em solenidade realizada na Câmara de Vereadores. A honraria foi proposta pelo então vereador Ulisses Maia, presidente da Câmara à época, e Carlos Mariucci (PT).

Decisão pelos doentes

Nascido em Hünsborn, na Alemanha, pouco antes do início da 2ª Guerra Mundial, Gerhard Schneider se preparou para a vida religiosa desde menino. “O que me fascinava muito na juventude era servir aos doentes. Depois que comecei a entender mais a vida religiosa, me interessei também por acrescentar, na ajuda aos doentes, a parte espiritual. Queria ser alguém a serviço do corpo e da alma, o que faço até hoje”, contou a O Diário.

Em 1956, na Alemanha do pós-guerra, Schneider integrava a Congregação dos Irmãos de Misericórdia. Na década de 60, a ordem o enviou para o Brasil para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia de Maringá, que na época funcionava em um barracão de madeira na Vila Operária. Na cidade, o jovem tornou-se amigo do bispo dom Jaime Luiz Coelho, que era presidente da Santa Casa, e deu continuidade aos estudos religiosos. Depois foi para o seminário, em Curitiba, de onde saiu padre. Foi o primeiro maringaense a ser ordenado padre na Diocese de Maringá, ordenado por seu amigo dom Jaime.

Logo no início de sua vida de padre, recebeu de dom Jaime a incumbência de iniciar uma comunidade religiosa na Zona 5. Nascia assim a Paróquia Cristo Ressuscitado, em 1969. Permaneceu como pároco até 2002.

Realizador

Paralelo ao trabalho na igreja, Schneider era um homem que não conseguia ficar parado e, usando o dinheiro que herdou da família, realizou muitas obras em Maringá,

Aos 80 anos, padre Geraldo estava empenhado em construir hospital para pobres do Haiti

como um seminário próximo de onde hoje é o Parque do Japão, fundou a TV 3º Milênio, uma das primeiras TVs católicas do Brasil, construiu a Capela de Adoração do Santo Sacramento, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, implantou o Museu de Arte Sacra, construiu a sede da Obra do Berço, que atende gestantes, e teve participação importante em várias entidades filantrópicas, entre elas o Marev. Por mais de 20 anos visitou presos regularmente para pregar a Palavra de Deus, coordenou a Pastoral Universitária e a Pastoral do Cemitério. No domingo à tarde, foi pela Pastoral que ele celebrou uma missa no cemitério, seu último trabalho como padre.

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Praça que homenageia naturalista é tomada pelo mato

Os belos jardins viraram mato Foto: JC Fragoso

Com árvores que foram comuns nas matas brasileiras, como peroba, paineira e pinheiro, além de fruteiras, como gabiroba, goiabeira e pitanga, a Praça Naturalista Augusto Ruschi, no Jardim Tabaetê, em Maringá, ainda conserva a aparência dos tempos em que toda aquela região da cidade era formada por chácaras. Porém, ultimamente tem sido alvo de críticas por moradores das proximidades, que consideram que a praça foi abandonada pelo poder público.

“É lamentável o estado de abandono”, diz o jornalista Rogério Recco, que mora em frente à praça. “O mato tomou conta, os equipamentos estão se perdendo por falta de manutenção e tudo isto está associado a riscos para os moradores. É uma pena, pois a praça, que está completando 30 anos, é um local aprazível e repleto de árvores nativas”.

Também morando em frente, o transportador Ricardo Agnollo lembra dos tempos em que a praça tinha quadra de futsal, quadra de areia e parque infantil; tudo cercado por alambrados. “É impossível uma criança frequentar um parque infantil repleto de mato. Da iluminação da quadra de esportes, só sobraram os postes: as luminárias e a fiação foram roubadas.”

O parque infantil foi tomado pelo mato e o alambrado está se deteriorando Foto: Rogério Recco

A professora Carmen Bernardes diz que foi ela quem plantou algumas das árvores frutíferas da praça. “Nossa praça é linda. Os vizinhos varrem e cuidam, mas a prefeitura não faz a parte dela. Muito triste.”

Uma das preocupações dos vizinhos é que, como o local não está servindo para passeios, prática de esporte ou simples contemplação pelos moradores, a Praça Augusto Ruschi virou ponto de consumo de drogas e a qualquer hora do dia ou da noite há pessoas no local fumando maconha e crack. A Polícia Militar faz rondas, mas assim que a viatura se afasta, os usuários retornam.

“Nesta quinta-feira ou, no mais tardar, na sexta, nossa equipe vai fazer a roçada em toda a praça”, garante o gerente de Praças, Parques e Jardins da Secretaria de Serviços Públicos, João Fragoso. Segundo ele, sua equipe realiza roçadas quase todos os meses na praça, mas neste período de muito calor e chuvas constantes o mato cresce mais rapidamente.

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Figuras do presépio terão três metros de altura

No início são só blocos de isopor, gigantes, da altura de uma casa, e aos poucos de cada um deles vão surgindo figuras que podem rapidamente ser identificadas por qualquer cristão: José, Maria, três reis magos, anjos, uma vaca, um jumento e carneiros. São as figuras do presépio e dentro de duas semanas poderão ser vistas no Centro de Convivência Renato Celidônio, ao lado da prefeitura.

Para Viollin, a fase de acabamento é que vai garantir a qualidade da obra Foto: JC Fragoso

Este será o maior presépio já mostrado em Maringá, com cada figura humana medindo três metros de altura. “Serão 13 figuras, aquelas tradicionais do presépio, que serão colocadas na praça no dia 20”, disse o diretor Executivo da Associação Cultural Lirius, Marlos de Almeida. Além do presépio, a Lirius será responsável pelo auto natalino que será encenado todas as noites dentro da programação do “Maringá EnCantada – uma Cidade Canção de Natal”, organizado pela prefeitura.

A Lirius há quatro anos se responsabiliza pelo presépio e o teatro e já conta com a experiência de quem há 15 anos produz e apresenta a encenação da Paixão de Cristo nos últimos três dias da Quaresma, ao lado da Catedral.

“Neste ano, como estamos inovando na altura das figuras do presépio, contamos com a experiência dos artistas plástico Marinalva Zacharias Viollin, a Mazza, e Denilson Viollin, que estão fazendo as esculturas”, diz Almeida.

Os dois artistas começaram o trabalho há dois meses e nas últimas semanas trabalham dia e noite e ainda contam com a ajuda de integrantes da Lirius para darem conta da encomenda dentro do prazo. Mazza e Viollin nunca tinham feito um trabalho em isopor tão grande, mas a experiência em esculpir garante a qualidade das imagens. Mazza, que tem habilidade com desenho, primeiro cria as imagens no papel, depois é definida a proporcionalidade de cada parte das estátuas e, por último, Denilson entra com a experiência de quem já fez muitas imagens de santos.

Maza trabalha na imagem da Virgem Maria

“Nos foi cedido um barracão amplo e alto porque os blocos de isopor não cabiam em nosso ateliê e não podíamos esculpir do lado de fora porque as peças não podem ser molhadas”, explica Mazza.

Para Denilson Viollin, trabalhar com isopor pela primeira vez causou certa estranheza no começo, “mas logo no primeiro dia peguei o jeito e o trabalho fluiu bem”. A demora maior, segundo ele, fica por conta do acabamento, já que o objetivo é obter esculturas tão perfeitas quanto as de um presépio pequeno e modelado.

Hoje os artistas entram na reta final. Esculpirão o Menino Jesus, o jumento e uma ovelha e a partir daí iniciam a fase de pintura.

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Dom Anuar visita restos mortais do monsenhor Kimura, no Japão

Dom Anuar e o padre Hélio Takemi Sakamoto, da Pastoral Nipo-Brasileira, no ossário da cidade de Fukuoka, na Arquidiocese de Nagasaki, no Japão

O arcebispo metropolitano de Maringá, dom Anuar Battisti, esteve nesta terça-feira no ossário em que estão depositados os restos mortais do monsenhor Miguel Kimura, que trabalhou muitos anos em Maringá, em especial junto à comunidade nipônica, e foi um dos responsáveis pela organização da Paróquia São Francisco Xavier, que por muitos anos era conhecida como “a igreja dos japoneses” e do Colégio São Francisco Xavier.

Kimura foi um dos primeiros padres de Maringá. Com a criação da Diocese em 1956, o primeiro bispo, dom Jaime Luiz Coelho, vendo uma grande presença de japoneses e sendo muitos católicos, a pedido da família Kimura, da cidade de Floresta, solicitou o auxílio de um padre japonês para o atendimento espiritual.

Em novembro de 1958 chegou a Maringá o padre Yoshimi Kimura, um missionário católico que, apesar do sobrenome igual, não tinha qualquer parentesco com os Kimura que já estavam aqui e com quem ele trabalharia junto.

No Brasil, o padre ganhou o nome de Miguel, mas encontrou algumas dificuldades por não saber falar algo em Português. Dependia de intérprete para tudo. Não falava, mas pensava e agia muito e logo atraiu toda a comunidade nipônica da região para as celebrações, no idioma pátrio dele. A capela, criada para os jovens do internato, ganhou o nome de São Francisco Xavier, homenageando o missionário Jesuíta que disseminou o Cristianismo no Japão. O templo cresceu e passou a ser frequentado pelas famílias japonesas residentes em cidades vizinhas.

O padre Kimura organizou o Centro Cultural São Francisco Xavier, uma instituição assistencial, educacional e religiosa, sem fins lucrativos. A primeira iniciativa foi a construção de uma creche, que cuidasse de crianças, enquanto as mães pudessem trabalhar.

O monsenhor Kimura morreu em 1967, durante uma viagem ao Japão para visitar familiares.

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Sonhos que se iniciam com uma simples visita

Maynara no local em que sonhou há muitos anos

Texto de Kamilla Yohanna
para “O Diário na Escola”

Pessoas digitando loucamente, homens e mulheres conversando ao telefone, alguns jornalistas concentrados e sérios, outros mais sorridentes e alegres dialogando com amigos de trabalho numa sala cheia de pessoas, computadores e telefones que não param de tocar um só segundo.

Este é o cenário da Redação de O Diário há 10 anos, na visão de Maynara Beatriz Carvalho Guapo, de 20 anos, que, desde 2007, quando tinha apenas 10 anos, visitou o jornal por meio do projeto O Diário na Escola e decidiu, naquele dia, que seria jornalista, e mais, também trabalharia na Redação de O Diário.

“Estar aqui é a realização de um sonho”, diz ela, hoje já em uma das mesas da Redação, trabalhando como estagiária do jornal. Mesmo depois de uma década, ela ainda diz se lembrar dos detalhes daquela visita ao grupo jornalístico.

Era um dia de sol, no final do ano letivo de 2007, quando as turmas de alunos do 4º ano da Escola Municipal Jardim Primavera, de Santa Fé, seguiram para Maringá, com o intuito de conhecer as instalações do grupo O Diário. Mal sabia Maynara que seu sonho e futuro estariam ali, escondidos e guardados entre os silêncios e os barulhos de uma sala jornalística.

Com dezenas de amiguinhos que também estiveram na visita, Maynara soube na hora: “era isso que queria para minha vida”. Outros estudantes, apesar de gostar do lugar, da rotina e dos aprendizados da visita, não sentiram a mesma intensidade da pequena Maynara.

Todos os departamentos da empresa foram visitados e bastou uma olhadela na sala de Redação e no barracão de impressão dos jornais para ela se encantar de vez com o mundo jornalistico. “Fiquei admirada com cada detalhe aqui”, diz.

“Minha mãe é professora e veio comigo na época. Olhei para ela e disse: ‘mãe um dia eu vou trabalhar aqui'”, recorda-se. O sonho acompanhou os anos que se passaram. Maynara iniciou o curso de Jornalismo há três anos e, no próximo sábado, completará dois meses que faz parte da equipe de jornalistas de O Diário.

“Ao lado de pessoas sensacionais, trabalhar aqui é gratificante”, define ela. O desejo que percorreu uma década nunca diminuiu, pelo contrário: a cada dia, tinha mais certeza de seu futuro. As expectativas infantis foram supridas e, mesmo com sonho realizado, estar numa Redação continua sendo uma paixão declarada. “Eu conto para todos essa história, é bonita e mostra que não devemos desistir jamais.”

Maynara é uma moça sonhadora e orgulhosa de si. Diferentemente de muitos jovens, ela não sente vergonha em ser quem é, muito menos de quem escolheu ser.

O sonho de pequena cresceu com ela e deu lugar a um novo sonho adulto: escrever e dedicar-se ao impresso até seus últimos suspiros.

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Morre o pioneiro Adenias de Carvalho, aos 93 anos

Morreu na tarde desta sexta-feira, aos 93 anos, o pioneiro maringaense Adenias Raimundo de Carvalho, ex-presidente do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Maringá e ex-funcionário da prefeitura.

Ele estava internado há duas semanas com pneumonia e infecção nos rins e desde a semana passada estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal.

Baiano de Mundo Novo, Deco, como era conhecido, morava em Maringá desde o início da década de 1950, tendo sido funcionário da Companhia Melhoramentos e em vários armazéns de café, trabalhando como carregador. Na década de 1960, foi eleito presidente do Sindicato dos Ensacadores de Café e comandou, em abril de 1964, a primeira greve de trabalhadores do Brasil no governo militar.

Nos anos 80, foi funcionário da prefeitura, durante a administração do prefeito Silvio Magalhães Barros. Como amante da boa política, era o mais antigo membro do PMDB de Maringá, filiado desde a época de criação do MDB, na década de 60.

Casado com a também baiana Celina Maria de Carvalho, falecida há três anos, Adenias era pai do jornalista Luiz de Carvalho, repórter de O Diário, do professor Jairo de Carvalho, da UEM e do Ceebeja, e da professora Maria Lúcia de Carvalho, do Colégio Gerardo Braga.

Adenias deixa três filhos, 8 netos e 8 bisnetos.

O corpo será velado na capela do Prever do Cemitério Parque a partir de horário ainda não definido.

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Um ano sem Geraldo Altoé

Ontem fez um ano que Maringá perdeu um de seus mais tradicionais professores, Geraldo Altoé, um dos pioneiros da educação ginasial da cidade e que participou da criação do primeiro curso superior de Maringá, o de Ciências Econômicas, que foi o embrião da criação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Para matar a saudade do mestre, veja este vídeo:

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Morre Antonia Lunardelli Ramalho, cidadã benemérita de Maringá

A Igreja Católica em Maringá lamenta a morte de dona Antônia Lunardelli Ramalho, de 84 anos, que faleceu no final da tarde dessa quinta-feira (26). Ela lutava contra um câncer.

Dona Antônia era muito conhecida pelos paroquianos da Catedral de Maringá. Além de ser Ministra Extraordinária da Eucaristia, colaborava com a Pastoral da Promoção Humana, Apostolado da Oração, fazia parte da oração diária do terço mariano e realizava diversas outras atividades na igreja.

“Ela era a pessoa mais presente na vida da Catedral. A pessoa que mais se dedicou em toda a história da Catedral de Maringá em todos os serviços que ela foi solicitada. Um exemplo de cristã”, comenta padre Virgílio Cabral dos Santos, pároco da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória.

O arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, está em peregrinação no Japão e assim que soube da notícia da morte de dona Antônia, fez questão de comunicar publicamente a sua admiração pelo trabalho exemplar que ela prestou à sociedade maringaense, em especial à Arquidiocese de Maringá. “Dona Antônia é uma santa dos tempos atuais. Uma vida doada no silêncio e na dedicação incansável aos pobres e doentes. Um testemunho de alegria que iluminava o ambiente. Mais uma santa no céu. Obrigado dona Antônia pelo seu testemunho! Rogai a Deus por nós”, escreveu o arcebispo.

Dona Antônia uma santa dos tempos atuais. Uma vida doada no silêncio e na dedicação incansável aos pobres e doentes. Um testemunho de alegria que iluminava o ambiente. Mais uma santa no céu. Obrigado Dona Antônia pelo seu testemunho! Rogai a Deus por nós.

Em 2004 ela recebeu o título de Cidadã Benemérita de Maringá.  Dona Antônia é mãe do jornalista maringaense Elcio Ramalho, que hoje mora da França e trabalha na Rádio França Internacional.

O corpo de dona Antônia está sendo velado desde as 8 horas dessa sexta-feira (27) na Catedral. A missa de corpo presente será celebrada às 15h30 e o sepultamento está agendado para as 17 horas no Cemitério Municipal.

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Dona Nair, a professora do barracão da Vila 7, e os tempos do barro e poeira

As donas de casa da Rua Marquês de Abrantes, na Vila 7, podiam acertar o relógio pela hora que a professora passava. De cabelos bem cuidados, sempre maquiada, de óculos, vestidos elegantes e de saltos altos, a professora Nair era pontual e, na medida em que seguia seu caminho, começava a ser acompanhada por grupos de meninos e meninas de guarda-pós brancos, calçados com sandálias de couro ou Alpargatas Roda, embornal de pano grosso com a cartilha, dois cadernos – um de linguagem e um de continha – e alguma coisa para comer no recreio.

A escola ficava na Rua Jangada, exatamente onde terminava a Marquês de Abrantes, na parte da frente de um barracão de madeira, sem energia elétrica e a água vinha de um poço, tirada em baldes. O mictório era uma casinha de madeira em um terreno baldio do outro lado da rua. Na parte dos fundos da escola viviam, paredes-meias, várias famílias, todas com muitos filhos e que criavam galinhas soltas no quintal.

Aos 84 anos, Nair Loquetti Rodrigues lembra com saudade o tempo em que lecionava em um barracão de madeira sem energia elétrica e água encanada

Essas imagens não saem da lembrança de dona Nair Loquetti Rodrigues, de 84 anos, primeira professora da Escola Isolada Santa Maria Goretti, que se aposentou na década de 1980 depois de 27 anos de trabalho na mesma escola, tempo em que viu o colégio isolado virar escola municipal, depois grupo escolar e nas últimas décadas colégio estadual. Nos últimos anos de trabalho ela teve em suas classes várias crianças que eram filhas daqueles aluninhos de guarda-pó e bornal lá dos primeiros anos da década de 60.

“Eu tive uma aluna chamada Luzia Manfrinatto, que morava em um sítio onde hoje é a UEM (Universidade Estadual de Maringá), cresceu, casou e um dia apareceu na escola com uma menina de sete anos e exigiu que a criança fosse alfabetizada por mim, da mesma maneira que alfabetizei a ela”, conta.

As dificuldades para trabalhar na escolinha da Vila 7 parecem não ter aborrecido a primeira professora. Afinal, ter que amassar barro para chegar nos dias chuvosos ou voltar para casa toda empoeirada eram os mesmos problemas de todo mundo na época. A cidade não tinha asfalto e a energia elétrica chegava a apenas alguns bairros. O transporte coletivo também era incipiente, tanto que ela sempre foi e voltou a pé.

A escolinha na verdade estava em um barracão que tinha sido cedido à igreja católica e o bispo dom Jaime Luiz Coelho pretendia montar um orfanato. A Vila 7, que é a parte da Zona 7 abaixo da Avenida Colombo e compreendida entre as ruas Quintino Bocaiúva e a atual Lauro Eduardo Werneck, estava em formação e um grupo de moradores, liderado pelo pioneiro Antonio Manfrinatto, pediu ao bispo apoio para que o bairro tivesse uma escola. O bispo abriu mão do barracão depois que surgiu a oportunidade de criar o Lar Escola da Criança em uma chácara onde hoje é o Jardim Novo Horizonte.

Nair, uma paulista de Presidente Venceslau que já era professora desde os 18 anos em escolas da zona rural, foi a primeira professora da Maria Goretti. Depois chegaram também dona Guiomar e dona Idalina.

Na sala de paredes de madeira escurecida pelo tempo, a única luz era a natural que entrava pelas janelas. Quase sempre, a professora tinha que esquecer a elegância, dar de mão a uma vassoura para varrer a sala e convocar alunos para tirar a poeira das carteiras de madeira.

Meninos ocupavam o lado direito da sala, meninas o outro. As aulas começavam sempre com a oração do Pai Nosso e terminavam com uma Ave Maria. Todos tinham hinário e sabiam de cor o Hino Nacional, o da Independência, o da Bandeira, do Paraná e de Maringá. Aprendiam também canções especiais para o Dia das Mães, Dia dos Pais, das Crianças e outras datas.

“As professoras estavam muito isoladas de tudo e tinham que usar a criatividade para oferecer certas atividades”, lembra Nair. Ela, por exemplo, chegou a escrever pequenas peças de teatro que eram encenadas pelos alunos em dias de festa e fez letras de música alusivas a determinadas datas.

Hoje, o Colégio Estadual Maria Goretti está em um prédio que fica a cerca de 200 metros do local em que nasceu, 56 anos atrás. Em seu histórico não consta que ele já funcionou em um barracão de madeira e nem que suas professoras pioneiras foram Nair, Idalina e Guiomar. Nem alunos, nem professores de lá sabem da luta dos primeiros dias, como se aquela parte da história tivesse sido apagada, embora dezenas de senhores e senhoras, hoje sexagenários, também tenham em suas lembranças os tempos em que, de guarda-pós, alpargatas nos pés, bornal do lado com cartilha “Caminho Suave”, os cadernos de Linguagem, Aritimética e o hinário, acompanhavam a professora que chegava elegante por ruas poeirentas.

 

Mais sobre o Maria Goretti

Depois de funcionar em um barracão de madeira da Rua Jangada, a Escola Santa Maria Goretti funcionou durante o ano de 1964 em uma sala cedida pelo Grupo Escolar Ipiranga (hoje, colégio), na Rua Campos Sales, e em 1995 foi inaugurado, pela prefeitura, o prédio próprio, no final da Rua Paranaguá.

O prédio, onde hoje funciona o Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), na época tinha três salas de aula, uma pequena cozinha para o preparo da merenda, e uma salinha para a direção.

 

Mais sobre Nair

Capa do livro de poesias de Nair Loquetti Rodrigues

Aposentada, dona Nair hoje mora em um apartamento no centro de Maringá, com o marido Antonio Rodrigues, seu parceiro de quase seis décadas, onde recebe as visitas dos cinco filhos (Margarete, Elisabete, Silmara, Wandercássio e Paulo Henrique), dos 11 netos e dos seis bisnetos. Nos próximos meses a família cresce com a chegada de mais dois bisnetos.

Além de saborear com doçura as lembranças de seu início no Magistério, dona Nair se entrega a uma de suas maiores paixões: escrever poesias. Com apoio da família, ela selecionou algumas das muitas poesias que escreveu e foi publicado o livro “Nair, uma vida de fé em versos”, que pode ser encontrado nas livrarias maringaenses.

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