Maringá



Arrecadação de ISS bate recorde após gratificação a fiscais e auditores

A arrecadação de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) em Maringá pela primeira vez na história ultrapassou a casa do R$ 12 milhões por mês e, a julgar pelos motivos que levaram a isto, continuará em alta a partir de agora. O aumento coincide com a instituição de gratificações para agentes fiscais e auditores tributários da prefeitura.

Orlando Chiqueto, secretário de Fazenda de Maringá

Em julho foram arrecadados R$ 12,2 milhões e em agosto chegou a R$ 12,4, cifra que deve se repetir em setembro. Além de mais eficiência nos trabalhos da fiscalização, o secretário de Fazenda, Orlando Chiqueto Rodrigues, diz que está acontecendo uma retomada do mercado. “Maringá é uma cidade em que o serviço é predominante e tem atraído muitas empresas de serviço, especialmente na área da saúde, que geram ISS”.

O secretário disse que a instituição da Gratificação de Produtividade e Desempenho (GPD), há dois meses, é prevista no Estatuto dos Servidores Municipais de Maringá. Ela fixa porcentuais respectivos e regulamenta os critérios para aferição da produtividade e desempenho individual e coletivo para auditores tributários e fiscais. “Que fique bem claro que não se trata de uma comissão”, explicou Chiqueto. “O valor da produtividade é estabelecido pelo procedimentos executados e não pelo valor de autuações. Mesmo que não haja autuação ou multa, o fato de ter cumprido um procedimento conta ponto para o servidor”.

Com esta estratégia, verificou-se maior agilidade na fiscalização de obras para a liberação de alvarás, pedidos de alvarás de funcionamento, regularidade de calçadas, até mesmo fiscalização de terrenos baldios particulares. “A produtividade maior e a aceleração de serviços fazem com que, com o mesmo número de servidores, alcancemos melhores resultados”, diz Chiqueto, destacando que a eficiência na fiscalização ajuda a promover justiça social. “Quando a fiscalização é ineficiente, incentiva pessoas e empresas a trabalharem de maneira inadequada, mas se a lei for aplicada igualmente para todos, coloca todos no mesmo nível e evita a concorrência desleal”.

Rigor na pontuação

Nos dois primeiros meses da GPD os 48 fiscais e os 12 auditores tributários renderam quase 40% a mais. Com isto, os auditores tiveram um incremento de quase R$ 2 mil sobre seus salários, enquanto os fiscais ganharam R$ 1 mil a mais. Mas, há um limite e, segundo o secretário de Fazenda, a pontuação é tão rigorosa que é praticamente impossível atingir-se o máximo.

Se o servidor realiza um procedimento, mas o lançamento acaba arquivado, não rende pontos. E, caso algum deles use de má-fé, sofrerá punição financeira e responderá a processo administrativo”, explica. Processo administrativo pode resultar em demissão.

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Maringá terá mais três parklets na área central

Durante todo o dia, há sempre pessoas aproveitando o novo espaço Foto: João Cláudio Fragoso

Em menos de um mês após a instalação, o primeiro parklet de Maringá, na esquina da Avenida João Paulino com Rua Piratininga, no Novo Centro, já pode ser considerado uma experiência bem sucedida, tanto que dentro de um mês a cidade deverá ganhar mais três unidades, dois deles no Centro.

Os parklets são um tipo de mini-praça de 10 metros de comprimento construída na faixa destinada a estacionamento de carros, com bancos, floreiras, lixeiras, bicicletário, tomadas para carregamento de celulares e até internet sem fio gratuita. A experiência teve início em San Francisco, nos Estados Unidos, mas hoje diferentes e criativos modelos são encontrados nas principais cidades do mundo.

A prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), já aprovou a construção de quatro parklets, mas empresários, especialmente dos ramos de bares, lanchonetes e restaurantes, têm buscado informações sobre a novidade, mostrando interesse em ter um próximo a seu estabelecimento. Além do da Avenida João Paulino, instalado em agosto, estão autorizados um na esquina das avenidas Pedro Taques e Mauá, em frente ao Restaurante Habanero Cozinha Internacional, outro na Avenida Tiradentes, por iniciativa do Boteco do Neco, e outro na Avenida Tiradentes, em frente a Bace Carnes.

É um presente que o estabelecimento dá à cidade”, diz Rodrigo Pina de Almeida, sócio da Bread Fast (BF) Panificadora, onde foi instalado o primeiro parklet de Maringá. O estabelecimento já é todo diferenciado: é feito com containers, paredes de vidro, tem drive thru e um deck com chapelões. “Eu e meus sócios (Renato Vitor de Oliveira e Luciano Teixeira) há muito queríamos também o parklet e vínhamos insistindo com o prefeito (Ulisses Maia (PDT)) e com os vereadores”.

Segundo Pina, a qualquer momento há pessoas sentadas no parklet, algumas para esperar o ônibus, outras para descansar ou simplesmente para um bate-papo. “Ninguém tem a obrigação de consumir em nossa padaria enquanto utiliza o parklet, o ambiente é público para as pessoas descansar, descontrair, conversar, podendo ainda usar as tomadas para recarregar seu celular ou tablet e usar internet gratuita”.

O professor Luiz Tatto aproveita os finais de tarde para sentar na pracinha e observar a cidade, conversar com os amigos que aparecem. Já Jece Nicolau usa o parklet nos intervalos de seu trabalho, no Supermercado Muffato. Érica da Silva chega sempre às 17 horas e permanece no parklet usando a internet gratuita para verificar suas redes sociais enquanto espera o ônibus. “Isto é mais gostoso do que uma praça de verdade e está bem pertinho do meu serviço”, diz Jece.

Para o empresário Arnaldo Mariani Júnior, o Neco, proprietário do Boteco do Neco, na Avenida Tiradentes, os parkets chegam para contribuir com o visual da cidade. Na próxima semana ele quer inaugurar um em frente ao seu boteco. Os da Habanero e da Bace também já estão em processo de construção e podem ser montados ainda neste mês.

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Vieira reassume Diretoria de Imprensa da prefeitura cinco meses após demissão

As informações divulgadas no site envolveram Agnaldo Vieira em polêmica com vereadores, o que resultou em sua demissão Foto: Angelo Rigon

O radialista e blogueiro Agnaldo Vieira reassumiu nesta quinta-feira um cargo na Diretoria de Imprensa de Maringá, onde foi diretor nos primeiros meses da administração Ulisses Maia.

Vieira deixou o cargo depois que o prefeito passou a ser criticado por um vereador porque o radialista publicou em seu site “maringamanchete” que dois vereadores teriam tentado extorquir uma construtora em Maringá.

O fato depois foi destacado por outros órgãos da imprensa local, inclusive citando os nomes dos vereadores. Mas, para não levar Ulisses Maia a se incompatibilizar com a Câmara, Vieira preferiu se demitir, mas volta agora a convite do próprio prefeito.

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Maringá fala abertamento sobre doação de órgãos

Até o final do mês, a 15ª Regional de Saúde, a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e as comissões Intra Hospitalares para Doação de Órgãos e Tecidos para Implantes dos principais hospitais de Maringá, além das secretarias de Saúde e de Educação dos municípios da região, estão empenhados na campanha Setembro Verde, que busca a conscientização da comunidade sobre a importância da doação de órgãos. Pessoas que foram beneficiadas com transplantes e familiares de pessoas que tiveram órgãos doados também participarão da campanha.

De acordo com a coordenadora da OPO em Maringá, enfermeira Gislaine Fusco

Gislaine Fusco Duarte, coordenadora da OPO Maringá

Duarte, o trabalho a ser desenvolvido é importante para ampliar a conscientização e assim promover o aumento de órgãos doados de pessoas que sofreram morte encefálica. Hoje o Paraná é o Estado brasileiro em que mais acontecem doações de órgãos e tecidos para transplantes, com um aumento de 42% no ano passado na comparação com 2015. Nos primeiros cinco meses deste ano, a quantidade de órgãos doados foi 97% maior do que no mesmo período do ano passado.

Segundo Fusco Duarte, a OPO de Maringá é uma das que mais contribuem com doações no Paraná, só superada pela de Cascavel, já que lá existe um trabalho também de captação de fígado.

O trabalho deste ano estará muito voltado para a educação”, disse a enfermeira Regimara dos Anjos, também da OPU de Maringá, destacando que “a participação de um bloco no desfile de 7 de Setembro, caminhadas e palestras nas escolas municipais objetivam mostrar às crianças e jovens que a doação de órgãos e de tecidos é um ato de amor e solidariedade”. Para ela, este trabalho vai ajudar a formar uma nova mentalidade em uma geração que nasceu quando os transplantes já eram uma realidade e que não deverão hesitar se em algum momento precisar autorizar a doação dos órgãos de algum parente que sofreu morte encefálica.

O servidor público Cláudio Anacleto, de 44 anos, que já foi entregador de O Diário em Munhoz de Mello, participará das atividades do Setembro Verde como exemplo bem sucedido de transplante de órgãos. Há menos de dois anos ele foi diagnosticado com doença renal, teve que se submeter imediatamente a sessões de hemodiálise e sua vida sofreu uma mudança brusca. “Não consegui mais trabalhar e sofria muito a cada filtragem do sangue”, conta. Depois de nove meses e meio na fila de espera, recebeu um rim em cirurgia realizada na clínica renal do Hospital Santa Rita. Hoje, cinco meses depois, Anacleta sente que sua vida “está voltando ao normal”. Já consegue dirigir, faz trabalhos em casa e se prepara para voltar ao trabalho no Colégio Rodrigues Alves.

Em Marialva, onde o Setembro Verde é Lei Municipal, o trabalho da OPO é organizado pela nutricionista Maria de Lourdes Navarro e o marido dela, o comerciante Dagoberto Gomes Navarro, o Dago. “Há muitos anos participamos do trabalho de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, mas agora tenho muito mais motivo depois que recebi um rim novo, que me ajudou a parar com as sofridas sessões de hemodiálise”, afirma Dago, que fez transplante a menos de três anos e diz sentir-se como se nunca tivesse sofrido doença renal. O casal, que faz parte de um clube de serviço, está organizando uma palestra para cerca de 300 pessoas, a ser ministrada pela enfermeira Regimara dos Anjos.

 

Taxa de doadores efetivos de órgãos no Paraná está entre as melhores do país

A taxa de doadores efetivos de órgãos no país aumentou 11,8% no segundo semestre desde ano, atingindo 16,2 a cada milhão de habitantes. Antes, eram 14,6. O Paraná é um dos estados brasileiros com as melhores taxas de doadores efetivos e atingiu a marca de 34,3 a cada milhão de habitantes, atrás somente de Santa Catarina, com 37. Os dados são da pesquisa realizada pela ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos).

“A taxa de notificação de potenciais doadores no estado do Paraná está similar a de países desenvolvidos. No Paraná, foram 34 a cada milhão de habitantes. Além disso, o estado se destacou também por realizar mais de cinco transplantes com doador vivo. Foram 11,9 doadores a cada milhão”, explica o cirurgião cardiovascular e integrante da Comissão de Remoção de Órgãos da ABTO, José Lima Oliveira Júnior.

Outra boa notícia é que o estado do Paraná tem a menor taxa de recusa familiar do Brasil. Enquanto que 43% das famílias brasileiras dizem não à doação de órgãos de seus parentes, no Paraná o índice é de 34%. “Muitas vezes a família não doa por causa da falta de informação. A conscientização é importante para reduzirmos a fila de espera no estado, que é de 1.307 pessoas”, afirma o cirurgião cardiovascular.

No Paraná, de janeiro a junho de 2017, 1.165 pessoas aguardavam por um rim, 93 esperavam um fígado, 17 pessoas coração, 1 pessoa pâncreas, 13 pâncreas e rim, e 18 córnea.

 

Cenário atual da doação de órgãos no Brasil

Uma pesquisa recente da ABTO mostra que a taxa de doadores efetivos cresceu 11,8% no primeiro semestre deste ano, passando de 14,6, doadores por milhão de habitantes para 16,2. Com esse resultado, o Brasil está bem perto de alcançar a meta proposta para 2017, que é de 16,5 doadores para cada milhão de habitantes. Os índices positivos foram possíveis graças ao aumento da taxa de notificação de potenciais doadores de 4,5% e da taxa de efetivação da doação de órgãos de 7,2%.

O estudo também aponta crescimento no número de transplantes de rim (5,8%), fígado (7,4%) e córneas (7,6%). Porém, houve redução nos transplantes de coração (3,6%), pulmão (6,5%) e pâncreas (6%). A recusa família continua sendo o principal entrave para o avanço da doação de órgãos. No Brasil, 43% das famílias não autorizaram a doação de órgãos de seus parentes.

A pesquisa mostra que, atualmente, 32.956 brasileiros estão na fila à espera de um órgão. A maioria aguarda por rim (20.523), 1.203 aguardam fígado, 260 esperam por coração, 171 pulmão, 26 pâncreas, 519 pâncreas/rim e 10.254 córnea. O estudo também aponta que das 17.713 pessoas que ingressaram na lista de espera 1.158 morreram.

Outro dado que chama a atenção é o baixo aproveitamento de órgãos dos potenciais doadores notificados. No primeiro semestre, somente 31% dos 5.309 potenciais doadores notificados foram aproveitados. Em países desenvolvidos o índice de aproveitamento varia entre 60% e 70%.  (Encaso Comunicação Corporativa)

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Fuga de presos mostra a força das redes sociais

A fuga de presos do presídio improvisado da 9ª Subdivisão Policial de Maringá (SDP), no domingo à noite, bombou nas redes sociais e poucos minutos depois o assunto já era de conhecimento de boa parte dos maringaenses e de moradores de outros municípios e Estados. O problema é que nem sempre a informação foi correta.

O professor Tiago Lucena acha que a demonstração de força da internet pode ser um fato positivo, mas também pode ser perigoso

Em alguns grupos do WhatsApp e do Facebook havia informações que seriam mais de 80 fugitivos, que estavam trocando tiros no Jardim Moresqui, assaltando pessoas na Vila Esperança, tomando carros de assalto próximo à Estância Gaúcha, invadindo casas na Zona Sete, se escondendo no câmpus da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em consequência, pessoas soltaram os cachorros nos quintais, amarraram motocicletas com correntes, travaram carros, escoraram as portas com móveis, ligaram para familiares.

Foi uma demonstração da força das redes sociais”, disse o jornalista Tiago Lucena, doutor em Artes e Tecnologia, ex-professor de Comunicação e Multimeios da UEM e atual professor do Curso de Jornalismo do Unicesumar. “Os presos ainda estavam correndo quando a notícia já tinha se espalhado”.

Para Lucena, “esta força pode ser muito boa, mas pode ser ruim na medida em que leva um pânico injustificado”. Para ele, o caso não pode ser considerado uma fake news, quando há intenções escondidas em uma notícia falsa. “O que houve foi um ruído na comunicação. Alguém, talvez por não saber o certo, deu uma notícia com alguns erros e estes erros foram potencializados”.

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Anônimos levam solidariedade nas noites frias

Voluntários sacrificam o descanso e o lazer para levar conforto a doentes, carentes e moradores de rua

Quem não sai na noite maringaense talvez não tenha percebido que dezenas de pessoas, a maioria moradores de rua, tomam banho, trocam de roupas, jantam, ganham abraços e bate-papo em plena praça no centro da cidade. E isto acontece também durante o dia, como na “loja” em que moradores de rua escolhem a melhor roupa, vestem ali mesmo e ainda levam outras para os próximos dias.

Vários grupos levam alimentos para moradores de rua em praticamente todas as noites

A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc) e o Provopar não sabem quantas pessoas realizam trabalhos sociais em Maringá, mas sabem que o número é maior do que o de habitantes de muitas cidades da região. São tantos grupos atendendo moradores de rua que em uma volta rápida pelo centro de Maringá, em uma noite qualquer, pode-se encontrar até 10 diferentes equipes, umas servindo marmitas, outras se oferecendo para cortar cabelos e barbas, algumas distribuindo roupas, outras cobertores e há até banheiros ambulantes para que os interessados tomem banho quente.

Cadastrados nos dois órgãos são cerca de 150 grupos, mas estes são apenas os que têm registro formal, como as associações filantrópicas e clubes de serviço. Os demais grupos não têm qualquer formalidade, não tem membros definidos e nem compromisso de fazer apenas um determinado tipo de serviço.

Além das equipes que trabalham à noite, atendendo pessoas que vivem nas ruas, há voluntários atendendo pessoas doentes, organizando campanhas, cuidando de documentação, doando brinquedos para crianças de famílias carentes, doando cestas básicas, trabalhando em eventos que visem arrecadar fundos para obras sociais”, diz a coordenadora do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) em Maringá, Rosângela Danielides. Segundo ela, a maior parte deste pessoal não quer publicidade e nem busca reconhecimento, quer apenas ajudar o próximo. “Nesta semana, uma importante casa noturna realizou uma ação interna e doou a carentes grande quantidade de roupas”, citou.

Estas pessoas muitas vezes estão sacrificando parte de seu horário de trabalho, os momentos em que poderiam estar com a família, se divertindo com os amigos ou simplesmente descansando, mas preferem fazer alguma coisa por quem precisa”, disse o jornalista e escritor Rogério Recco, um dos integrantes do grupo Amigos Solidário Maringá. Segundo ele, o trabalho tem hora para começar, mas ninguém sabe quando poderá voltar para casa. Na última terça-feira, os amigos solidários trabalharam até 2h30 da madrugada nas ruas.

Mas, há muito serviço para ser feito durante o dia. A noite entregamos as marmitas, mas durante o dia temos que correr atrás de doação dos gêneros alimentícios que serão preparados por restaurantes que também participam da ação”, diz Vandré Fernando, um dos líderes do Amigos Solidários. O grupo tem mais de 150 participantes, que colaboram com com entidades e atividades de filantropia e dele já nasceram outros grupo solidários.

Dia de loja

A Street Story, uma loja que, ao invés de vender, dá de graça roupas a moradores de rua, atendeu cerca de 2,5 mil pessoas


Neste sábado, mais de 2 mil pessoas participaram no Centro de Convivência Renato Celidônio da Street Story, uma loja criada para moradores de rua por iniciativa do grupo Voluntários Maringá e realizada em parceria com a RPC TV/Globo. Na loja ninguém precisou de dinheiro. As roupas, expostas em araras e cabides semelhantes aos dos bons magazines, eram de graça e o “cliente” ainda podia levar outra
s em sacolas padronizadas. Na saída, o “cliente” tinha à disposição barbeiros, cabeleireiros e manicures para completar o trato no visual. As crianças tinham à disposição um parque de infantil, algodão doce e pipoca.

O grupo Voluntários Maringá foi formado há menos de cinco anos e realiza a Street Story pelo terceiro ano consecutivo

O Voluntários Maringá existe há quatro anos e realizou a Street Story pela terceira vez. Segundo seu coordenador, Gustavo Lima, de 28 anos, o trabalho é muito mais amplo e constante, como a participação em projetos de instituições como a Apae e na colaboração com outros grupos de trabalho solidário.

Banho na praça

Um grupo de voluntários ligados à 9ª Igreja Presbiteriana Renovada, do Jardim Alvorada, depois de várias noites servindo marmitas nas ruas, chegou à conclusão que já existiam muitas equipes fazendo o mesmo serviço e procurou outro meio de oferecer dignidade aos moradores de rua. “Criamos o Banho Fraterno, muito útil durante o inverno, pois além de aquecer o corpo leva conforto ao coração”, diz o pastor Cristiano Firmino.

Além de banho quente, moradores de rua ganham corte de cabelo e barba, kit de higiene, roupas novas e alimento

A própria equipe pagou R$ 14 mil na comprou do material e construiu dois banheiros, aquecidos a gás, que são levados em uma carreta para a Praça Napoleão Moreira da Silva, ficando à disposição de quem quer um banho quente. Além disto, os voluntários oferecerem corte de cabelo e barba e servem alimentos. Ao sair, o morador de rua recebe um kit com sabonete, escova e pasta de dente e roupas. “Vai muito além de lavar o corpo. Não tem ouro que pague o conforto que recebemos com um ato solidário como este”, disse Jean Pierre, usuário de drogas que passa as noites próximo ao terminal rodoviário.

Anônimos e invisíveis

Segundo o Provopar, há grupos de todos os tamanhos e alguns que sequer têm nome. É o caso de um grupo de rapazes e moças da 1ª Igreja Batista que distribui kits de inverno, material de higiene e sopa, muitos comprados com seus próprios recursos. “A gente sonha em atender aos pobres da África ou do Nordeste, mas muitas vezes a miséria é nossa vizinha”, diz o engenheiro André Martinelli, coordenador do trabalho.

O Grupo Domingo Feliz tem apenas quatro membros, Diego Galvani, Renato Miranda, Lucas França e Carlos Eduardo Piffer, e trabalha com famílias que estão vivendo algum drama, principalmente provocados por doenças. Uma das estratégias dos jovens são os almoços solidários, realizados no Restaurante Gourmet, no antigo Pérola Shopping, para arrecadar dinheiro para ajudar pessoas com câncer.

Outro trabalho do Domingo Feliz é realizado em portas de hospitais. “Muitas vezes a pessoa vem outra cidade para acompanhar algum doente e fica sem ter onde comer”, diz Galvani.

Há voluntários trabalhando todos os dias nas ruas de Maringá, muitos deles anônimos, alguns praticamente invisíveis à vista da população. “É cansativo sim, precisamos sacrificar outras coisas, mas é indiscritível a experiência de trabalhar com quem precisa de nós”, diz Galvani. “Tem muita coisa ainda a ser feita”, diz Martinelli. “É uma bola de neve. Quanto mais se faz, mais percebe-se que há o que precisa ser feito. E alguém tem que fazer, mas poucos se habilitam”.

 

Vai muito além de lavar o corpo. Não tem ouro que pague o conforto que recebemos com um ato solidário como este”.

Jean Pierre, morador de rua

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Morre o pioneiro Jorge Bernardino, o mais antigo garapeiro de Maringá

Familiares e amigos se despediram no último final de semana do pioneiro Jorge Bernardino, um dos primeiros moradores da Vila 7 e o mais antigo garapeiro de de Maringá.

“Seo” Jorge tinha 83 anos e, apesar da idade, ainda comandava os negócios da família, que tem várias garapeiras em diferentes pontos da cidade. A garapeira mais antiga é a que funciona em frente a Catedral desde antes da construção da Basílica.

Há 10 anos O Diário publicou matéria do repórter Fábio Linjardi em que Jorge Bernardino conta um pouco de sua vida.

 

Antes da catedral, praça já abrigava garapeiro

Por Fábio Linjardi

Jorge Bernadino é o garapeiro que está há mais tempo em atividade em Maringá. Ele vende caldo de cana desde 1959. A máquina que mói a cana que ele mesmo produz fica em frente à catedral da cidade, que nem existia quando ele estacionou o carrinho no local. Jorge trabalha quase todos os dias, das 19 horas à meia-noite. Quando ele não vai, quem atende os clientes é um funcionário.

O garapeiro desembarcou em Maringá em 1958, vindo de Terra Rica. Ele deixou para trás a mulher e três filhos para buscar emprego na cidade, que tinha evoluído de distrito para município havia um ano. Ao contrário do que ele imaginava, não conseguiu emprego. Nascido em Alagoas e criado desde os 10 anos no norte do Paraná, Jorge só tinha experiência de trabalho na roça. Desempregado e sem uma moeda no bolso, ele vendeu o relógio de pulso, único bem material que tinha. Com o dinheiro, ele comprou uma cesta de maçãs e saldou as contas na Pensão Andrade, hoje extinta e que funcionava na Avenida São Paulo.

O rendimento com a venda de maçãs gerou outras duas cestas e a progressão geométrica dos negócios resultou na compra da garapeira, um ano depois da chegada de Jorge a Maringá. Com dinheiro no bolso, ele alugou uma casa e trouxe a família para a cidade, onde teve mais quatro filhos e adotou uma menina. Hoje são 13 netos e três bisnetos.

Do total de sete filhos de Jorge, dois seguiram a profissão do pai. A filha Juciene vende caldo de cana na Feira do Produtor, que funciona no estacionamento do Estádio Municipal. O filho, José Jorge, também tem uma garapeira, mas deixa o trabalho na mão de um funcionário.

Jorge começou a vender garapa na esquina entre as avenidas Paraná e Brasil. Nos anos 60, ele decidiu mudar-se para a Avenida Tiradentes, ao lado do Hotel Bandeirantes. Nessa época, a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória não existia. Na praça Papa Pio XII, havia uma igreja de madeira. O caldo de cana era vendido em copos de vidro. A conversão para os copos de plástico só aconteceu na década de 80, após a reclamação da clientela. “Eu lavava direitinho, mas sempre tinha alguém que reclamava. Até que comprei os copos de plástico. Foi melhor, porque sempre quebrava um de vidro”, recorda.

A melhor época para os negócios de Jorge, segundo ele próprio , foi a da chegada à cidade, em 1958, até 1963. Em seis anos, o homem que chegou sem dinheiro em Maringá conseguiu comprar sete terrenos, com o trabalho de vendedor ambulante. Dos sete, ele teve que vender três. Mantém os outros quatro até hoje. Um dos terrenos, de 7 mil metros quadrados, na zona norte, virou a chácara onde ele mora até hoje e planta a cana que é moída no carrinho. A “fase de ouro” do garapeiro é difícil de ser compreendida até por ele. “Aquela época era boa”, diz. A primeira casa que Jorge comprou era de madeira, na Zona 7. Ele queria adquirir uma residência no lado sul da Avenida Colombo, mas os terrenos eram mais caros. Contentou-se com a casa da zona norte. Deu uma entrada no valor de 20 mil cruzeiros e pagou outros 10 mil parcelados. Tudo com o dinheiro da garapa.

Os preços praticados hoje pelo mercado imobiliário fazem o passado parecer um sonho para o garapeiro. Recentemente, ele decidiu voltar aos velhos tempos de investidor e deu entrada na compra de um terreno de 300 metros quadrados, em um loteamento próximo à Avenida Mandacaru. Não agüentou pagar as parcelas de R$ 600. Um filho assumiu as mensalidades. “Ainda hoje, Maringá é uma cidade muito boa, mas as coisas estão mais difíceis. O sujeito precisa pisar devagar quando pensa em fazer alguma coisa”, conta.

Disposição não falta ao garapeiro. Ele é quem cuida da plantação na chácara. Ontem, ao final da entrevista, ele encheu um copo de garapa, orgulhoso. “Essa fui que plantei”.

AVALIAÇÃO

“Ainda hoje, Maringá é uma cidade muito boa, mas as coisas estão mais difíceis. O sujeito precisa pisar mais devagar.”
Jorge Bernadino – Garapeiro em Maringá desde 1959

15 quilos

É o volume de cana moída por dia, o que rende cerca de 10 litros de garapa.

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Laércio Nickel, as extrações no escuro e o registro da história

Doutor Laércio Nickel apresenta parte de sua coleção de máquinas fotográficas, todas funcionando        Foto: João Cláudio Fragoso

Da janela do 16º andar do Condomínio Maison Royale, no coração da cidade, tem-se a visão dos sonhos do qualquer fotógrafo: logo à frente, a menos de 200 metros, está a Catedral, olhando para baixo vê-se o Paço Municipal e o histórico Grande Hotel, para todos os lados vê-se a florada das árvores das ruas, bosques e quintais de quase toda Maringá. E o fotógrafo com este ângulo privilegiado tem à sua disposição mais de 200 câmeras fotográficas, está acostumado a fotografar Maringá muito antes de existir a Catedral e a prefeitura. E as árvores que hoje dão flores de todas as cores a cada estação ainda não tinham sido plantadas.

A coleção está também em outros pontos do apartamento, junto com outros objetos antigos

O fotógrafo na realidade é um dentista. Ou melhor, um radiotécnico, que por pouco não foi um engenheiro elétrico, mas acima de tudo um pioneiro maringaense. O Dr. Laércio Nickel Ferreira Lopes, que por mais de 50 anos manteve uma concorrida clínica na Rua Basílio Sautchuk, quase esquina com Avenida XV de Novembro, e foi fundador e presidente da Associação Maringaense de Odontologia (AMO) ainda sai pelas ruas clicando ipês floridos, cerejeiras, primaveras, a Catedral, mas gosta mesmo é das fotos que fez “enquanto as coisas estavam acontecendo”, como a retirada de tocos de gigantescas perobas das avenidas e praças do Centro, o desembarque dos pioneiros na estação do trem ou na pequena rodoviária na “praça da Pernambucanas”, a natureza exuberante que estava por todos os lados e, é claro, a Catedral, que na época era uma igrejinha de madeira.

No foco das muitas máquinas fotográficas de Laércio Nickel a cidade foi se transformando, assim como a própria técnica de fotografar. Antes, Maringá se resumia ao Maringá Velho e o Maringá Novo estava em formação, com construções e mais construções ao longo da Avenida Brasil e suas paralelas, era muito barro, muita poeira, gente chegando, carroças, caminhões, cavalos, bicicletas; as câmeras precisavam de filmes largos, os flashes eram lâmpadas imensas, que precisavam ser trocadas a cada

Um dos orgulhos de Nickel é a foto em que a construção da Catedral aparece junto com a Catedral antiga e ilustrou a capa de um livro sobre a história da igreja em Maringá

chapa, e a revelação era feita em São Paulo. As fotos eram preto e branco. Com o tempo, chegaram o asfalto, as calçadas, os prédios modernos, as ruas vivem entupetadas de carros. A catedral de madeira foi demolida e nasceu o mais alto templo religioso da América do Sul. Esse passar do tempo também foi documentado nas fotografias do doutor Laércio, que fotografou do início ao fim a construção da Catedral. Uma das fotos mais significativas ilustra a capa do livro “A história da igreja católica em Maringá”, do padre Orivaldo Robles.

E as câmeras evoluíram, as fotos ganharam cores e hoje qualquer um pode fotografar se tiver um telefone celular.

Da Rolleiflex ao celular

E o dentista, que no ano que vem completa 90 anos, também evoluiu, assim como o fotógrafo, que aposentou a sua Rolleiflex 6X6cm, eternizada no standard “Desafinado”

Arquivo Unicesumar

de Tom Jobim e Newton Mendonça, e clica com o celular, como todo mundo. A catedral, vizinha do edifício Maison Royale, onde mora, ainda é o principal alvo de suas fotos, assim como foi desde o início de sua construção. Agora, como mora no 16º andar, pode dar-se ao luxo de olhar a basílica de cima.

No apartamento que ocupa um andar inteiro, Laércio Nickel e a mulher, Lucia Moreira (filha do comerciante e político pioneiro Napoleão Moreira da Silva), guardam as lembranças dos cinco filhos e muitos objetos históricos, como uma fusa de fiar linha, uma máquina de escrever Smith Premier, uma calculadora Facit, rádios antiguíssimos, um projetor de filme Super 8 e mais de 200 máquinas fotográficas, entre elas a Rolleiflex. E o dentista fotógrafo diz com orgulho que “todas estas funcionam plenamente”.

Luminária de sol

Nickel, mineiro de Poços de Caldas, chegou a Maringá em 1951, assim que se formou em Odontologia pela Universidade de Alfenas. Tinha 23 anos e sustentou seu tempo na universidade consertando rádios e outros aparelhos. Ao chegar, alugou um prédio recém-construído na Avenida Brasil, montou a clínica de dentista em uma sala no andar de cima e uma oficina de venda e conserto de rádios embaixo.

“Algumas coisas me encantaram, primeiro a pujança do local, que me entusiasmou quando eu ainda estava no ônibus, segundo foi a cordialidade das pessoas”, lembra, citando como exemplo o pioneiro Américo Cariani, que lhe alugou o prédio sem pedir fiador e para pagar o aluguel só depois que começasse a ganhar dinheiro.

Em 1951 Maringá ainda não tinha energia elétrica, o que é um problema para a instalação de uma clínica odontológica que não tinha gerador próprio. “O equipamento era muito simples, basicamente uma cadeira regulada a pedal, um motorzinho tocado com o pé e um fogareiro para a esterilização dos equipamentos. A luz do sol que entrava pela janela era a luminária”.

Nickel foi um dos primeiros ‘dentistas formados’ de Maringá e encontrou aqui muitos ‘dentistas práticos’, os famosos tira-dentes, que faziam basicamente o mesmo trabalho, porém sem uma formação universitária. “Os práticos não eram concorrentes, nem adversários. Eram profissionais necessários para uma população que crescia por hora. Quando cheguei, ao invés de criar caso com eles, fiz foi manter amizade, parcerias, nos ajudamos muito”.

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Morre o artista plástico maringaense Julio Albuquerque

Julio Albuquerque em seu ambiente de trabalho

Morreu neste domingo, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, em Maringá, o artista plástico Júlio Albuquerque, de 56 anos, respeitado como retratista, com obras espalhadas por vários países. Ele seria submetido a uma pequena cirurgia na segunda-feira da semana passada, mas sofreu um choque anafilático após tomar a anestesia e entrou em coma, não saindo mais.

Julio Manuel Laires Albuquerque deixa esposa, a professora de Inglês Cláudia, e dois filhos. Ele nasceu em Moçambique, viveu muitos anos em Portugal e há cinco anos mudou-se para o Brasil, fixando residência na Rua Oswaldo Cruz, na Zona 7, onde mantinha seu attelier de pintura e dava aulas de Inglês.

O artista especializou-se em retratos e atendeu encomendas de pessoas de vário países. Segundo outros artistas plásticos, os trabalhos de Albuquerque eram de alto nível, com o uso de técnicas ainda desconhecidas por muitos pintores brasileiros.

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Abel, o sanfoneiro de um braço só, apesar de tudo, alegre por natureza

Publicado em O Diário em 02.12.2012

Abel é o sanfoneiro mais conhecido da feira-livre de domingo na Avenida Mauá, mas não por tocar ou cantar bem.

Bate o pé no chão, não para marcar o ritmo, mas sim para ajeitar a sanfona que está sempre caindo, já que por ter apenas um braço não consegue mantê-la próxima ao peito.

Abel Barbosa da Silva talvez não seja o melhor músico, mas com certeza é o mais animado. Canta, solta gritos, chacoalha o corpo para lá e para cá… Anima mesmo o ambiente. O chapéu, no chão e com a “boca” para cima, vai enchendo de moedas e algumas notas.

Foto: Douglas Marçal

Quando começa uma música, a velha Scandalli de 80 baixos está em pé, mas na medida que vai tocando ela vai escorregando. Por falta do braço para segurá-la, ele tenta ajeitá-la com a perna. Quando termina a música, a sanfona está deitada.

Quem vê tanto ânimo não imagina que talvez aquela alegria toda seja para escamotear os sofrimentos que marcaram a vida do tocador. Baiano que chegou a Maringá quando a cidade estava ainda começando, considera-se um sobrevivente, pois de onde veio “era normal” crianças morrerem ao nascer ou poucos dias depois.

Vem de uma família na qual alguns dos irmãos têm problemas mentais ou cegueira, e por fim, sobreviveu a um choque elétrico em uma rede de alta tensão que lhe custou o braço direito – e que por pouco não lhe tirou a vida.

“Toco porque gosto, sempre gostei de música, e na feira eu me realizo, encontro velhos conhecidos, me sinto artista e ainda ganho um trocadinho para complementar a magra aposentadoria”, diz o sanfoneiro, alegando que tocando se esquece das amarguras, da vida dura quando criança e dos problemas de família.

“Eu gosto das músicas antigas, aquelas de melodia bonita e letras que contam uma história, mas meu toque é limitado. Faço apenas os fraseados com a mão esquerda e deixo de fazer a baixaria por não ter o braço direito.”

Abel viveu a mocidade na Vila 7, morou com os pais e oito irmãos nos fundos de um casarão de madeira na Rua Jangada, onde viviam várias famílias com muitos filhos. Em um salão na parte da frente, funcionava a Escola Santa Maria Goretti.

Ele nunca foi protagonista na família, pois os irmãos estavam entre as pessoas mais conhecidas do bairro. José, o mais velho da casa, era deficiente mental, e fez história nos anos 60 e 70 como “Zé Bobo”. Valdemar, um dos caçulas, era cego, mas percorria sozinho toda a cidade, conhecia casa por casa da Vila 7 e era bem recebido em todas. Tinha também uma irmã com deficiência mental, mas esta não saía de casa.

Analfabeto, Abel passou parte da mocidade em subempregos, até que aos 21 anos conseguiu um trabalho na Copel. Logo no começo da carreira, a animação quase lhe custou a vida. Ele subiu em um poste apressadamente e acabou tocando a rede de alta tensão. Foi atirado longe. Acordou tempos depois, em um hospital. Quando tentou mover-se, viu que não tinha mais o braço direito.

Abel não sabe quantos anos tem, já que onde nasceu os pais deixavam os filhos crescerem, para depois registrá-los, mas calcula que esteja por volta dos 80 anos.

“O que menos me preocupa é a idade verdadeira. O que vale é que criei meus filhos e tenho disposição para continuar tocando na feira ainda por muitos anos”.

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