o Diário



Com estiagem, quebra no trigo já chega a 20%

Pelo menos 20% da safra de trigo do noroeste paranaense já estão perdidos em consequência da estiagem que persiste há um mês e meio, mas os prejuízos poderão aumentar, já que a meteorologia só prevê chuvas abundantes em setembro. A quebra da safra vem somar-se à redução que já era prevista devido à diminuição da área destinada à cultura no Paraná, em torno de 8%.

O produtor temia pela geada, que se chegasse em um período em que os grãos ainda estão na fase de enchimento, poderia comprometer a produtividade, mas o que aconteceu foi a seca prolongada, que está matando os perfilhos – ramos que surgem a partir do caule principal da planta”, disse o técnico agrícola Moacir Luiz de Andrade, da Cooperativa Agroindustrial de Mandaguari (Cocari). Com a falta de umidade no solo, as plantas não alcançam porte ideal e as espigas que estão nos perfilhos não obtém bom preenchimento dos grãos.

Adilson José Abrão observa que além das perdas provocadas pela estiagem, agora há o ataque de pulgões         Foto: João Cláudio Fragoso

A lavoura da família Abrão, na Gleba Guaiapó, é um exemplo do que disse o técnico da Cocari. Segundo Adilson José Abrão, que planta junto com o pai, Fausto, e o irmão Alberto, grãos que deveriam estar hoje com cerca de 1 grama, não passam de meio grama e em muitos casos os grãos estão esfarinhando. “As plantas em que os grãos ainda estão na fase chamada de ‘em leite’ não há como o ciclo se completar sem umidade no solo”, disse.

De acordo com Abrão, se nesta semana chover o suficiente para encharcar as raízes, “o prejuízo estanca aqui, mas se a chuva não for suficiente, pode piorar”.

A preocupação dos produtores é que os institutos meteorológicos contratados pelas cooperativas esperam chuvas mais significativas somente a partir de setembro, quando o todo o trigo do Paraná já terá sido colhido, às vésperas do início do plantio do soja da safra de verão.

Contávamos que tiraríamos cerca de 110 sacas por alqueire, mas do jeito que está já prevemos uma média de 80”, diz Adilson Abrão, que já recorreu ao seguro agrícola na certeza de quebra da produção.

Para completar os problemas dos triticultores paranaenses, nesta semana os trigais ficaram infestados de pulgão, uma das pragas mais prejudiciais do trigo. Os danos ocasionados por estes insetos podem ser diretos, por meio da sucção de seiva e do efeito tóxico da saliva, ou indiretos, pela transmissão de espécies de dois tipos de vírus. O tipo e a severidade dos danos diretos variam de acordo com a espécie de afídeo, a intensidade do ataque e o estágio de desenvolvimento da planta no momento da infestação.

Os Abrão iniciam hoje a aplicação de defensivo para combater o pulgão, mas contando que a cada litro do produto (R$ 150) eleva o custo de produção.

O preço do trigo ao produtor vem tendo aumentos consideráveis nas últimas semanas, saindo de R$ 31 no início do mês para R$ 36,50 a saca de 60 quilos ontem na região de Maringá, o que, segundo os produtores, seria um bom valor se a produtividade compensasse, mas ainda longe dos R$ 42 que conseguiram na safra passada.

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Bolsonaro: Temer ficou sem moral para continuar

Aos 62 anos, Jair Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há 26 e colecionou mais de 30 ações na Justiça por falar o que pensa – ou falar sem pensar. Já desagradou companheiros de parlamento, políticos de todas as linhas, principalmente os da esquerda, negros, índios, gays e até mulheres. Mas, se orgulha porque nenhuma das ações na Justiça são por corrupção.

Jair Bolsonaro diz que as hostilidades contra sua pessoa estão desaparecendo

Em um momento em que o Brasil acompanha a maior onda de denúncias de corrupção da história, o deputado mais bem votado do Rio de Janeiro ganhou destaque por estar em uma posição em que pode disparar suas palavras ferinas por todos os lados. Muito mais gente passou a ver que ele tem razão no que diz e a popularidade cresceu, principalmente com a força das redes sociais.

“Por muito tempo, eu seria hostilizado ao comparecer a uma universidade. Hoje, chego, sou ouvido e saio aplaudido”. Segundo ele, o tempo contribuiu para que as pessoas o conhecessem melhor e pudessem comparar seu perfil com o de políticos de renome que hoje estão afundados em denúncias, muitos deles já nas garras da Operação Lava Jato.

O polêmico político hoje causa histeria por onde passa. Tanto pelos simpatizantes quanto pelos adversários, que já perceberam que ele é o homem a ser batido. Na sexta-feira, sua barulhenta passagem foi por Maringá, onde, ao final da programação, conversou demoradamente com O Diário.

 

O DIÁRIO.— Este Jair Bolsonaro que o povo está conhecendo agora, com a língua ferina, é verdadeiro ou um personagem?
JAIR BOLSONARO — Quem me conhece há mais tempo sabe como sou. Ninguém conseguiria passar tanto tempo vivendo um personagem só para dar Ibope.

O giro pelo Brasil já é campanha eleitoral?
Não posso dizer que sou pré-candidato para não ferir a Lei Eleitoral, mas estou me preparando para esta possibilidade. Se houver oportunidade, serei sim candidato.

Em Maringá a plateia de Bolsonaro foi formada por jovens

Em Maringá e em Londrina um público jovem o aplaudiu com entusiasmo. O senhor acredita que suas ideias estão convencendo a juventude?
Até algum tempo atrás, eu seria hostilizado em uma universidade, hoje fui bem recebido em uma e o público jovem entendeu minha mensagem. É uma mensagem que o Brasil precisa ouvir.

Por que o senhor era hostilizado?
A hostilidade sempre existiu e vai continuar existindo e eu era hostilizado principalmente por causa das mentiras contadas pela esquerda sobre o Brasil.

E como mudou?
Muitos dos que eram contra mim, vendo toda esta carga de informações, vendo seus ídolos na política sendo acusados de corrupção, vão se envergonhando de fazer manifestação contra minha pessoa e às vezes enxergam que pretendo fazer diferente do que estão fazendo com o País. Com o tempo, isto vai mudando, as pessoas foram vendo o que era verdade e o que era mentira, que não sou o bicho-papão que pintavam.

Que análise pode ser feita do Brasil atual?
O momento político do Brasil é o pior possível. A crise não é apenas política: é ética, moral, econômica e política. Mas, o Brasil tem potencial para sair desta situação.

Como chegamos a esta situação?
É o loteamento. O que leva à corrupção é a ineficiência do Estado. E enquanto tivermos este loteamento que vemos e ganhou muito destaque com as últimas denúncias. Enquanto o governo for loteado, a corrupção vai continuar.

E vai sair disto?
Vai ter que sair. Se não, temos que comprar lote no cemitério. E ir para o cemitério não está nos meus planos.

O senhor acha que o governo Temer respira por aparelho?
Michel Temer representa o que é a política tradicional brasileira, nunca preocupado com o futuro do País e sim com seu grupo. Agora, o que vai acontecer no curto prazo depende dele mesmo, num primeiro momento, depois do TSE, no início de junho. Não quero botar lenha na fogueira, mas a situação dele está muito complicada e o Brasil merece um quadro diferente do que tivemos nos últimos anos.

Na sua opinião, ele deveria se afastar?
A renúncia é uma atitude pessoal dele. Logicamente que para o bem do Brasil seria melhor ele se afastar. Fica difícil, fica comprometida a credibilidade dele ao aceitar receber, nos porões do Jaburu, pessoas que a sociedade já sabe que estão comprometidas diante da Justiça. Fica complicado, depois de um gesto destes, para uma pessoa que está na condução dos destinos do Brasil.

Em uma eventual saída ou cassação de Temer, qual será o caminho?
Se ele vier a cair por um motivo qualquer, teremos eleições indiretas pelo Parlamento. Esta é a regra do jogo .

Numa eleição direta, o senhor pensa em concorrer?
De forma alguma. Neste caso, quem vota são os deputados e senadores e este é um tipo de eleitorado que não quer Bolsonaro no comando do País. Em uma eleição indireta, as chances ficam com os grandes partidos e com os acordos que serão firmados. Certamente, alguém que seja eleito em uma situação destas não terá como levar em frente o combate à corrupção.

A Operação Lava Jato está em perigo?
Sim. Existe a possibilidade ela se acabar. Agora mesmo dois ministros do Supremo Tribunal Federal querem reinterpretar a prisão após a condenação em segunda instância. Querem passar para a terceira instância. Basicamente isto será um golpe mortal na Lava Jato, porque, no mínimo, levaremos 20 anos para que o STJ [Superior Tribunal de Justiça] venha julgar e punir os culpados em episódios como os que estamos vendo e que envergonham e revoltam o Brasil.

O senhor tem criticado os projetos de reformas do governo. Que defeito tem o projeto que muda a Previdência?
Meu pai já dizia que algumas coisas são como remendo novo em roupa velha. Este é o caso do projeto para a Previdência. Ele está sendo muito focado na questão da idade e isto não pode ser generalizado. Eu estive no Piauí e lá a expectativa de vida de um trabalhador é de 69 anos, segundo o IBGE. É desumanidade fazer levar uma pessoa a só se aposentar no fim da vida. Este projeto de reforma não tem meu apoio, apesar de reconhecer que alguma coisa precisa ser feita.

E a reforma trabalhista?
Eu votei favorável porque ela não suprimiu nenhum direito até porque tudo o que se fala, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia, entre outros direitos, estão previstos no artigo sétimo da Constituição. E o que nós votamos foi um projeto de Lei. A classe empregadora tem dito que a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] tem que ser reformada, afinal, é um país de muitos direitos e poucos deveres e perdemos a competitividade com o resto do mundo.

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Paraná Running oferece desconto especial para inscrições antecipadas e em grupos

A primeira etapa do Circuito de Corridas Paraná Running, que acontece no dia 20 de maio, dentro dos festejos alusivos ao aniversário de Maringá, deve contar com a participação de cerca de 2 mil corredores de diferentes idades, confirmando o evento como o maior circuito de corridas noturnas do noroeste do Paraná e um dos maiores do Brasil. Neste ano, as três etapas terão denominações em homenagem a diferentes ramos de atividade que tiveram importância na construção da cidade, que está comemorando 70 anos.

Representantes dos clubes de corridas apresentaram sugestões para tornar o evento ainda melhor

O Paraná Running é promovido pelo jornal O Diário e conta com vários parceiros, entre eles as dezenas de clubes de corridas, academias, universidades, prefeitura, órgãos de comunicação e patrocinadores. Como já se tornou um evento tradicional, atrai grande número de corredores de cidades vizinhas e é festa também para quem sai às ruas para assistir.

Neste ano todas as etapas acontecerão no entorno do Parque do Ingá e Avenida Paissandu, com percursos de 5 mil e 10 mil metros, com largada e chegada nas proximidades do portão do parque.

O circuito já é um dos maiores eventos da cidade, reunindo cerca de 2 mil participantes e milhares de pessoas nas ruas para assistir, é um acontecimento que não somente incentiva um programa de vida saudável, mas também é entretenimento para a população e tem importância econômica para a cidade, já que atletas vindos de outras cidades vão fazer despesas em hotéis, restaurantes, lanchonetes”, diz o diretor Comercial de O Diário, César Luis de Carvalho, que terça-feira reuniu representantes de clubes de corrida e demais membros da organização para discutir detalhes da etapa que abre o circuito.

Foram discutidas questões relacionadas à segurança, orientações a serem transmitidas aos participantes, inscrições e premiações, além de questões pontuais que deverão ser corrigidas após serem observadas em corridas anteriores.

Para o subtenente da Polícia Militar Rui Ferreira dos Santos, do clube de corridas Rui Fit Truck, “não podemos perder o foco no atleta amador, aquele que quer participar mas não tem a ilusão de disputar os primeiros lugares com os corredores de elite”. Segundo o veterano atleta, o Paraná Running, desde sua criação, teve grande importância no incentivo à corrida de rua e hoje “virou febre, é para todos os níveis, todas as idades, do burguês ao mais simples, mas a maioria quer mesmo é correr para manter uma boa saúde, não tem pretensões a prêmios”.

Com a experiência de quem corre e organiza corridas há meio século, o fundador e presidente da Associação dos Corredores de Rua de Maringá (Acorremar), José Jorge do Livramento Medeiros, lembrou que muitos atletas treinam com afinco para brigar pelas primeiras posições, assim como muitos que vêm de outras cidades. “As corridas do Paraná Running são um atrativo para quem corre por premiação, mas são também uma festa para corredores amadores. Ao mesmo tempo em que amadores correm brincando, alguns segurando na mão de outros, tem gente levando a sério pensando em classificação e não é raro que alguns atrapalhem outros”.

Para Livramento, a organização precisa orientar os participantes para que permitam a passagem dos corredores que buscam os primeiros lugares ou criar uma faixa para que os profissionais possam passar sem esbarrar nos demais.

O grupo dirigido pela trainer Fernanda Vargas é formado só por mulheres e deverá ser um dos maiores nesta primeira etapa. A treinadora falou da importância que a Paraná Running terá para o fortalecimento dos grupos se a organização tiver uma política especial para os grupos dos corrida. Segundo Cesar Carvalho, “temos a preocupação em fortalecer os grupos, pois eles têm um papel essencial no incentivo à população na busca por uma vida saudável e são importantes para nós, pois incentivam mais e mais atletas a participarem da corrida, tanto para brigar pelos primeiros lugares, quanto para lutar para simplesmente completarem a prova”.

Segundo ele, para incentivar as pessoas a participarem dos grupos, a organização vai oferecer descontos especiais para quem fizer inscrição por meio dos grupos, tanto para quem se inscrever somente para a etapa de abertura quanto para quem preferir o pacote completo, para as três provas. Até o ano passado, cerca de 60% dos participantes das corridas eram inscritos através dos grupos.

Calendário

20/05 Etapa Construção Civil
30/09 Etapa Vestuário
25 de novembro Etapa Educação

Inscrições pelo site www.paranarunning.com.br

Preço promocional para inscrições efetuadas até 30 de abril para as três etapas

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Morre a jornalista Gláucia Nielsen, ex-O Diário

Gláucia Nielsen morou em Maringá em 2010, quando integrou a equipe de O Diário

Poucos dias depois de a imprensa maringaense perder o cinegrafista Manoel Ribeiro Vilela, da Rede Massa, Osvaldo Reis, que nos deixou vários livros sobre a história de Maringá, e apresentador Luiz Fabretti, da TV Maringá/Band, e o jornalista e radialista Edson Lima, perdemos agora a jornalista Gláucia Nielsen, que fez parte da equipe de O Diário.

Ela foi encontrada morta no último sábado. Ultimamente Gláucia morava em Nova Petrópolis, na região de Gramado, na Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, e trabalhava para a publicação Gramados News.

A jornalista, que deixou muitos amigos em Maringá, tinha 42 anos e era mãe de dois filhos pré-adolescentes.

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Popular, não. Um personagem da vila

Ele não é autoridade, não tem interesses políticos e nem pode ser considerado figura folclórica no bairro, mas em qualquer estabelecimento comercial em que se entre na região do Miosótis e perguntar por Valter Fernandes, possivelmente a resposta seja positiva. Principalmente se o estabelecimento for um bar ou uma lanchonete.

O fotógrafo Valter Fernandes é um dos personagens mais populares da região do Miosótis    Foto: JC Fragoso

O fotógrafo Valter Fernandes é um dos personagens mais populares da região do Miosótis Foto: JC Fragoso

As respostas podem vir com outra pergunta: “o fotógrafo?”, “o violeiro?”, “o poeta?”, “qual, aquele da rádio?”, “o Vartão?”. Seja qual for a resposta, o fato é que Vartão é uma das figuras mais conhecidas e queridas do Miosótis, principalmente nas proximidades do Conjunto Hermann Morais Barros.

“Não faço nada para ser popular”, diz Valter Fernandes, “mas acabo ficando conhecido porque circulo muito no bairro, vou aos bares, visito amigos e, além de tudo isto, moro há muitos anos aqui”.

Ele conhece o bairro como poucos, faz do Miosótis seu quintal e, devido aos olhos treinados pela profissão que escolheu para viver, observa detalhes que geralmente passam despercebidos à maioria dos demais moradores ou trabalhadores do Miosótis.

Mas, assim como é conhecido por muita gente, Fernandes também conhece quase todo mundo, foi amigo de padres da Paróquia São Judas Tadeu, tem sido procurado para apoiar gente que se aventura a ser candidato a qualquer coisa pelo bairro e quase sempre é visto rodeado de amigos contando piadas, cantando músicas antigas enquanto se acompanha ao violão ou falando dos trabalhos que realiza como fotógrafo.

“Já trabalhei fazendo fotos de todos os tipos, desde o trabalho de assessoria até a cobertura de formaturas em vários Estados brasileiros, mas minhas principais recordações são dos anos que vi o mundo do outro lado da lente do jornalismo”. Isto porque metade de sua vida foi dedicada ao Jornalismo de O Diário.

“Como repórter fotográfico fiz de tudo, de jogos de futebol a acidentes daqueles que a gente não esquece nunca, da política aos grandes casos da crônica policial, mas considero muito importante também quando a reportagem é sobre gente comum, aquelas pessoas que geralmente estão invisíveis aos olhos da sociedade”.

Ele se refere especialmente “Vida de papel – cemitério dos esquecidos”, uma série de reportagens de O Diário coordenada pelo jornalista Edvaldo Magro, na época editor-chefe de O Diário. “Não foi somente pela lente da máquina que enxerguei aquelas pessoas simples, que viviam de catar papéis nas ruas, mas também pelos olhos da alma, vi que ali estavam seres humanos com os mesmos anseios, amor e esperança de qualquer outra pessoa, gente que sabe respeitar seus semelhantes e vivem uma vida que muitas vezes não percebemos”.

Mas, há também os casos que ele gostaria de esquecer. “Como fotógrafo de jornal vi muita gente morta, às vezes de formas bárbaras, tanto em crimes quanto em acidentes. E fico chocado principalmente quando o caso envolve criança”. Um desses casos foi o da garota Márcia Constantino, de 10 anos, que foi estuprada e morta pelo maníaco Natanael Búfalo em 2007. Ele participou da cobertura desde que o corpo da menina foi encontrado, as investigações, a prisão e do julgamento e condenação do maníaco.

 

Do past up ao clic

Com Henry Júnior, seu pupilo que morreu prematuramente aos 28 anos

Com Henry Júnior, seu pupilo que morreu prematuramente aos 28 anos

Valter Fernandes iniciou-se na fotografia em O Diário, há um quarto de século. Ele entrou na empresa como ‘pestapista’, uma profissão que não existe mais em jornais e consistia em colar em uma folha de papel recortes com os corpos das matérias digitados, títulos, legendas e até fotografias.

“Fiz amizade rapidamente com gente de todos os setores da empresa, mas o que me encantava era a fotografia, gostaria de ser fotógrafo e trabalhar em reportagens”, conta. O que não lhe faltou foram instrutores, em especial Nelson Pupin, o Jaca, e Moracy Jacques. Toda a equipe da Fotografia passou a ensiná-lo a manipular uma máquina, regular luz, asa, escolher o melhor ângulo. Não deu outra: em pouco tempo aquele rapaz moreno, magrelo e falador estava com uma máquina fotográfica a tiracolo, clicando aqui e ali. “Foi uma alegria muito grande quando abri o jornal e lá estava, pela primeira vez, uma foto feita por mim”.

Cai-cai

O que talvez muitos dos amigos que Vartão cultiva no Miosótis não sabem é que seus companheiros de imprensa evitam viajar com ele se o veículo utilizado tiver que sair pelo menos um palmo do chão. “Se sair do chão com o Vartão dentro, vai cair”, brinca Ivan Amorim, amigo e também repórter fotográfico de renome.

A fama que precede o fotógrafo se justifica. Alguns anos atrás, ele fazia a cobertura do Campeonato Sul Brasileiro de Balonismo e uma das fotos que deveria entregar, para a capa do jornal, teria que ser feita do alto, isto é, de dentro de um balão. Era um dia de tempo calmo e céu limpo, o balão subiu vagarosamente, mas quando o fotógrafo começou a clicar, o veículo começou a balançar e foi arrastado pelo vento em uma velocidade fora de controle, até que caiu, machucando os tripulantes. Em outras duas oportunidades ele fazia fotos aéreas os aviões tiveram que fazer pousos forçados.

Agora, Valter Fernandes está consciente de que jamais fará fotos em balões ou de aviões. Não porque tenha ficado traumatizado, mas porque os pilotos não aceitam sair do chão se ele estiver dentro.

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“Meu irmão ficava com um trabuco na mão para afastar as onças”, diz a mais antiga maringaense

Aos 85 anos, a dona de casa Antonia Moreno Doce é possivelmente o mais antigo maringaense vivo. Ela chegou em 1943, quando ainda não existia o Maringá Velho e nem tinham chegado os pioneiros que a história oficial conta como os primeiros moradores de Maringá.

O marido, Antonio Doce, também é pioneiro, que chegou em 1948, em um dia em que a cidade estava coberta de fumaça: “eles tinham derrubado parte da mata onde estavam sendo vendidos os terrenos do Maringá Novo e, como não tinha como tirar toda a madeira, tocavam fogo e o que sobrasse era enterrado”, lembra.

Antonia Moreno chegou um ano antes do início do Maringá Velho e Antonio Doce quando estava sendo aberto o Maringá Novo  Foto: João Cláudio Fragoso

Antonia Moreno chegou um ano antes do início do Maringá Velho e Antonio Doce quando estava sendo aberto o Maringá Novo Foto: João Cláudio Fragoso

Antonio e Antonia, que fazem festa todos os anos no Dia de Santo Antonio – até porque o pai dela também era Antonio, um irmão e um filho e a avó era Antonia -, vivem em uma aprazível casa de madeira no Jardim Aeroporto, com assoalho original de peroba, cercada de roseiras, jabuticabeiras, cycas, vários vasos com samambaia chifre-de-veado (um deles com dois metros de diâmetro) e um pé de mandioca de 25 anos e 10 metros de altura. No interior, rádios antigos que guardam desde que viviam no sítio, fotos dos pais nas paredes e muitas imagens de santos, principalmente Nossa Senhora Aparecida, indicando que ali vive um casal muito católico.

Sossegadamente, como quem fez na vida tudo o que devia ser feito, Antonia conta o quanto foi dificultoso chegar ao local onde hoje é Maringá. Ela, a mãe e os irmãos menores ficaram em uma casa alugada em Mandaguari enquanto o pai, Antonio Moreno Dias, e dois irmãos maiores se aventuraram na mata densa, abrindo caminho a facão e enfrentando os perigos da floresta virgem, para chegar até o lote que tinham comprado.

Onde hoje é a Estrada Colombo, que liga o hoje distrito Iguatemi e Paiçandu, os Moreno abriram uma clareira e trouxeram a família que estava em Mandaguari. “Viemos em um carroção e quando chegamos ficamos morando debaixo de um encerado”, lembra a pioneira, que na época tinha 13 anos.

“Não morava ninguém por perto e durante a noite as onças ficavam rondando nossa morada, durante o dia víamos vários tipos de bichos, principalmente cobras”, diz Antonia, que é um dos poucos maringaenses que conheceu pessoalmente os sutis, povo que vivia em comunidades espalhadas pelas matas do noroeste do Paraná desde o século anterior e desapareceram com a colonização da região. Os sutis, geralmente muçulmanos, eram descendentes de escravos revoltosos e índios. Eram os caboclos, segundo ela, gente do mato, mas muito bons, pessoas fáceis de fazer amizade.

“Era tudo muito difícil. Se alguém ficasse doente ou fosse picado por uma cobra, podia até morrer, porque o socorro mais próximo era em Mandaguari e era muito difícil viajar até lá”, conta a pioneira. Água para beber, higiene pessoal e lavar roupas tinha que se buscada a 500 metros, em um riozinho. “As mulheres não iam sozinhas por causa dos perigos da mata. Enquanto pegávamos a água, meu irmão ficava vigiando com um trabuco na mão”.

Antonio, que chegou quando o atual Maringá Velho já era uma pequena comunidade e o Maringá Novo estava sendo aberto pela Companhia Melhoramentos, também ainda enfrentou algumas das dificuldades do pioneirismo. Junto com o pai, a mãe, um irmão e uma cunhada, o rapaz de 22 anos foi morar também na Estrada Colombo, que a esta altura já existia e contava com vários moradores.

Por uma daquelas necessidades que o destino cria e não explica, foi morar em um rancho beira-chão, justamente onde Antonia e sua família tinham vivido alguns anos antes. A esta altura, ela já morava em uma casa melhor, mas se conheceram, namoraram, noivaram e em 1953 se casaram. Dois anos depois se mudaram para a área urbana. Aliás, quase urbana, porque na verdade foram viver em uma área de chácaras onde hoje é o Jardim Aeroporto, o Setor 8. Foram testemunhas da construção do aeroporto, da abertura das ruas, da construção das primeiras casas.

De lá para cá, Antonio fez de tudo para se adaptar à vida urbana. Foi produtor de verduras, charreteiro, mascate, botequeiro, jardineiro, tapeceiro, até cambista de bilhetes de loteria. “Também fui picareta, marreteiro, daqueles que facilitam a venda de casas, carros e outras coisas”, se diverte.

Se o casal se adaptou ou não à vida urbana, pouco importa. O que interessa é que Antonio e Antonia criaram oito filhos e há 60 anos vivem em um dos bairros mais gostosos de Maringá, em uma casa simples, mas aconchegante. “Quando Antonia chegou, não existia Maringá, nem no mapa, nem no nome, quando eu cheguei tudo estava começando e nós fomos testemunhas do nascimento, crescimento e amadurecimento de uma das melhores cidades do Brasil”, se orgulha Antonio. “Dentro daquilo que pudemos fazer, nós também fomos e somos parte desta história”.

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Morre Ademar Schiavone, ficam as memórias de um bom sujeito

O último cargo público de Ademar Schiavone foi o de secretário de Trânsito e Segurança de Maringá

O último cargo público de Ademar Schiavone foi o de secretário de Trânsito e Segurança de Maringá

Morreu nesta terça-feira, em consequência de um câncer, o pioneiro Ademar Schiavone, 77 anos, um homem que em quase 70 anos demonstrou seu amor à cidade resgatando a história dos pioneiros por meio de colunas publicadas desde o início do jornalismo na cidade e em três livros. Ele foi secretário municipal, político, gerente da Rádio Cultura e sócio-proprietário das rádios Atalaia e Jornal. Sua coluna “Memórias de um bom sujeito” fez sucesso em todos os jornais diários de Maringá.

Paulista da cidade de Vera Cruz, Ademar chegou a Maringá com a família no final da década de 1940, contava que jogou bola em um campo onde hoje é a prefeitura e desde aquela época foi fazendo amigos que depois descrevia em suas colunas nos jornais.

Por muitos anos, Schiavone foi uma das boas fontes deste blogueiro. Quase sempre que precisava falar de um pioneiro ou de alguém conhecido que morreu, o blogueiro recorria aos conhecimentos que Schiavone tinha da cidade e da população.

Político desde que acontece eleições na cidade, envolvendo-se em campanhas de amigos, em 1982 decidiu sair candidato a prefeito pelo PDS, numa eleição que acabou polarizada pelo médico Said Ferreira e o advogado Horácio Raccanello, ambos do PMDB. Said foi o eleito.

Ademar Schiavone com o imobiliarista Pedro Granado e o jornalista Frank Silva na década de 1960

Ademar Schiavone com o imobiliarista Pedro Granado e o jornalista Frank Silva na década de 1960

Bacharel em Ciências Econômicas e Direito, empresário e jornalista, presidente da Academia de Letras de Maringá, governador do Distrito L-21 do Lions Internacional, fundador da Secretaria de Indústria e Comércio no governo do prefeito João Paulino, presidente do SAOP na gestão do prefeito Ricardo Barros e secretário de Administração na primeira gestão do prefeito Silvio Barros, Schiavone voltou a ocupar um cargo público no início da administração Roberto Pupin, quando assumiu a Secretaria de Trânsito e Segurança (Setrans).

Ele foi um dos 14 alunos que concluíram o curso de Ciências Econômicas na primeira faculdade de Maringá, que funcionou em uma sala do Colégio Gastão Vidigal, na época no prédio onde hoje é o Instituto de Educação. O curso, que tinha entre os professores o cônego Benedito Vieira Telles, o lendário Giampero Monacci, Geraldo Altoé e José Cassiano Gomes dos Reis Júnior, entre outros, foi o início da criação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O publicitário José Sanches Filho, um dos fundadores de O Diário e da TV Cultura/RPC, foi amigo de Ademar Schiavone desde 1953, jogaram bola juntos quando garotos e, depois de crescidos, criaram a primeira agência de publicidade de Maringá, a Publimar. “Eu convenci o Joaquim Dutra, diretor da Rede Paranaense de Rádio, a empregar o Ademar como gerente da Rádio Cultura, enquanto eu gerenciava a [Rádio] Jornal”, lembra Sanches. “Como gerente da Cultura, Ademar criou a Equipe de Ouro, reunindo vários profissionais de gabarito, como Ary Bueno de Godoy, Edivaldo Ribeiro, Ferrari Júnior, Osvaldo Lima, Leonardo Silva, Orlando Manin, Cafezinho, entre outros, que lideravam a audiência medida pelo Ibope, de ponta a ponta, inclusive nos programas e transmissões esportivas”.

Com a mulher Cida

Com a mulher Cida

Sanches diz que perdeu um amigo de mais de 60 anos de convivência. “Nas noites de sábados, nos reuníamos na casa de alguém da equipe para jogar baralho em dupla (casais): Joaquim Dutra e Luiza; Carlos Piovezan e Matilde; eu e Nilce; Ademar e Cida; Emireno Ornaghi e Lídia, varando a madrugada de domingo; na semana seguinte nos reuníamos em outra residência de algum membro do grupo. Eram fins de semana divertidos e inesquecíveis, entre amigos, entre irmãos”.

O publicitário pioneiro de Maringá, diz que em mais de 60 anos de convivência nunca ouviu alguém falar nada que desabonasse a conduta de Ademar Schiavone. “Ele sempre foi amigo de todos, desde os mais humildes até os mais abastados, graduados, importantes, como prefeitos, vereadores, autoridades civis, militares e do Judiciário”.

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Naná, a lenda da percussão, afrobudista e psicodélico

O Caderno de Cultura de O Diário desta nesta quarta-feira destaca uma verdadeira lenda da música, não da música brasileira ou música instrumental, mas da música do mundo, figura respeitada entre os grandes da música mundial, ganhador de oito prêmios Grammy e várias vezes considerado o melhor percussionista do mundo pela prestigiosa Down Beat.

No Brasil, Naná divide trabalhos com gente do quilate de Egberto Gismonti, Itamar Assumpção, Milton Nascimento, acompanhou Geraldo Vandré, integrou o Som Imaginário e, no exterior trabalhou com Pat Matheny, Jan Garbarek, Don Cherry, CoDoNa e Collin Walcott, só para ficar nos mais conhecidos aqui no Brasil.

Se delicie agora com a conversa de Naná com o repórter Rafael Donadio e que só o Diário publicou.

Mesmo depois de passar pelo tratamento de um câncer de pulmão, diagnosticado em agosto do ano passado, o músico Naná Vasconcelos, 71 anos, está com energia de sobra e participando, como sempre, dos preparativos da abertura oficial do Carnaval do Recife.

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Como se não bastasse toda a história de criação e genialidade do pernambucano dentro do universo musical, agora o percussionista vai chegar ao Oscar. Seu nome está ao lado de Emicida, Barbatuques e do Grupo Experimental de Música (GEM) como responsáveis pela trilha sonora do filme brasileiro “O Menino e o Mundo”, consagrado como melhor filme pelo júri e público no Festival de Cinema de Animação de Annecy (França) e que concorre ao Oscar de melhor animação.

Sobre Naná, Alê Abreu, diretor do longa, exaltou: “Entrou de verdade na pele e alma do protagonista através dos sons tirados de seus incríveis e lúdicos instrumentos”.

Depois de ser homenageado no Carnaval do Recife em 2013, o músico recebeu a Medalha da Ordem do Mérito dos Guararapes, no grau Grã-Cruz. Ano passado, recebeu o título de doutor honoris causa da UFRPE.

Entre diversas apresentações ao lado de nomes como B. B. King, Talking Heads, Don Cherry e muitos outros, Naná realizou diversos lançamentos nos EUA. No Brasil, já lançou sete discos, entre eles o último, “4 Elementos” (2012), inspirado nos elementos fundamentais da natureza: água, ar, terra e fogo.

Naná arrumou um tempo na agenda de ensaios para conversar com o Diário, entre outros assuntos, sobre o novo disco “Budista Afrobudista” e o show que fará no festival Psicodália durante o feriado prolongado de Carnaval.


O DIÁRIO Para o Jornal do Commercio, o senhor comentou sobre alguns problemas que teve com a prefeitura de Recife em relação ao show de abertura do Carnaval. Vai participar este ano?

NANÁ VASCONCELOS Sim, claro. Isso foi algum erro da assessoria de imprensa. Eles esqueceram de me convidar para o anúncio que o prefeito fez sobre as atrações. Mas já estou trabalhando desde o início de janeiro, visitando as nações de maracatu. Faço a abertura do Carnaval de Recife há 15 anos, estou debutando.

Quais os convidados?
Eu convidei o Lenine e uma cantora que vem da África, de Cabo Verde, Sara Tavares. Eu chamei dois bailarinos cubanos, Bela Maia e Marcos Livan, e quatro grupos de caboclinhos, que é uma manifestação carnavalesca antiga muito bonita e exuberante, mas quase ninguém vê. Esses grupos estão passando despercebidos e estão desaparecendo sem registro. São vários grupos que descendem dos índios e não dos negros, como a maioria dos grupos de maracatus.

Serão quantos batuqueiros?
Cerca de 700 batuqueiros, de doze diferentes nações de maracatu. A reunião dos grupos de maracatu na abertura do Carnaval é muito forte, é um momento que eu consegui e não largo mão. É o maracatu que está levando o Carnaval de Pernambuco para o mundo todo.

O que o senhor acha da homenagem ao Chico Science do bloco Galo da Madrugada?
É maravilhoso, sensacional. Ele foi único. Ele entendeu realmente que tinha uma coisa que só ele tinha. Ele não parecia com nada. Não tem com quem comparar.
Em “Sinfonia e Batuques” (2010) e “4 Elementos” (2012), algumas canções foram gravadas na água. Como é essa gravação?
Aqui eu gravei na piscina, mas foi um negócio que começou no mar. Fico com a água na altura do peito e tocando com a mão, o instrumento é a água. Não é coisa nova não, porque na África os pigmeus fazem bastante isso. Estou sempre procurando algo novo para não virar mesmice.

O disco novo vai realmente chamar “Um Budista Afrobudista”?
Sim, vai sim. Esse nome veio de um título de uma matéria de um jornal argentino. Fizeram essa matéria enquanto eu estava no hospital e colocaram no título, “Um Budista Afro”, eu só mudei para “Budista Afrobudista” Lá eles conhecem bem minha música, porque eu saí para o mundo por lá.

Saiu por lá?
Eu fui fazer uma série de concertos em Buenos Aires, há muito tempo, e conheci o músico Gato Barbieri, que fez a música do filme “Último Tango em Paris”. Ele me falou que tinha surgido a oportunidade de fazer o disco dele em Nova Iorque, me chamou e eu fui. Acabei ficando 27 anos. Mas eu nunca sai daqui, esse que é o grande segredo.

“Nunca saiu daqui”?
Eu nunca quis ser eles. Eu entendi que, como brasileiro, eu tinha alguma coisa que eles não tinham. Esse foi meu grande sucesso. A percussão brasileira influenciou muito o jazz, porque o jazz tinha os ritmistas latinos, que faziam o latin jazz com bongôs, maracas e congas. Nós chegamos com apitos, penicos, gritos, caçarolas e uma variedade de instrumentos, então viramos moda. Trabalhávamos mais com o som e a textura.

O senhor é budista?
Não. Eu conheci e só pratiquei o budismo enquanto estava na Suécia, com o Don Cherry (músico), que praticava o budismo tibetano. A minha religião é a música.

O disco vai mesmo ter arranjos de Egberto Gismonti?
Tem que ser ele para não ficar careta. Nós já temos uma afinidade de entendimento sonoro e ele conhece as minhas ideias. Acredito que o disco já sai depois do carnaval.

O senhor teve câncer de pulmão no ano passado. Já tratou ou ainda está em tratamento?
Isso mesmo, você usou a palavra correta, eu tive, não tenho mais. Disseram que não podia operar e resolveram que seria melhor tratar. Toda vez que eu saia do meu quarto, um médico vinha com aquele aparelho para ouvir meu peito e dizia “respire fundo, diga 33”, então acabei fazendo música com isso, se chama “Respire Fundo”.

Como surgiu o convite para fazer a trilha de “O Menino e o Mundo”?
Tinham várias músicas gravadas, uma música do Emicida, uma do Grupo Experimental de Música (GEM) e uma do Barbatuque. O Alê Abreu é muito apaixonado pelo meu trabalho e falou que queria que eu costurasse a história. Então eu fiz realmente uma trilha que fizesse essa costura, das cenas e das músicas.

Como foi o processo de composição e gravação das músicas?
Foi muito legal. A música realmente tomou posse de um certo roteiro e vai costurando a história do menino. A animação do Alê é muito boa e muito moderna, foi muito gostoso fazer a trilha. Acho muito legal ele concorrer ao Oscar, isso já é um grande prêmio para um brasileiro, ainda mais com uma animação.

nana-vasconcelos1É verdade que o senhor compôs tudo em apenas um dia?
Foi, claro. Não gosto muito de estúdio. Meus discos também são assim, boto tudo na cabeça, chego lá e faço. Me acostumei a fazer discos solos e faço concerto solo, o que é difícil para um concerto de percussão, ser musical. Acredito que a música tem um potencial visual muito forte e quem me mostrou isso foi o (Heitor) Villa-Lobos, porque você escuta e vê o que a música quer te mostrar.

É dessa forma que o senhor monta os concertos?
Sim. Para eu montar um concerto solo de percussão eu preciso pensar muito nesse sentido da música ter um visual. Eu tento mostrar cenários do Brasil, levar as pessoas que ouvem minha música para a selva da Amazônia, por exemplo. Em diversos períodos da selva, porque a sonoridade muda no decorrer do dia, a sonoridade da manhã é diferente da sonoridade do entardecer.

Em que formato será a apresentação no Psicodália?
Eu vou apresentar o show “O Bater do Coração”. É um show solo que faço há mais de 20 anos. Montei um show de percussão com começo, meio e fim. Não é exibição de quem toca mais rápido ou mais alto. Eu não bato no instrumento, eu toco. Faço música com percussão. Meus instrumentos não têm nome porque são coisas que eu faço ou que fazem para mim. Tento tirar som de tudo, mas toco com o corpo também. É uma performance. O importante é eu terminar o show e as pessoas estarem bem, tanto com o corpo quanto com a mente.

Qual expectativa?
Eu soube que o festival é de uma beleza ímpar. Todos os músicos que foram me falam muito bem dele. Estou louco para chegar lá. É uma pena que eu vou e volto, porque eu gosto de fazer workshops, é uma maneira de encontrar as pessoas, conversar. Mas o festival tem um conceito lindo. Vou fazer o show com todo o carinho, de corpo e alma.

SAIBA +
NANÁ VASCONCELOS
Psicodália 2016
Quando: 5 a 10 de fevereiro
Onde: Fazenda Evaristo,
Rio Negrinho (SC)
Ingressos: Passaporte dá direito a entrada, atrações e camping
www.psicodalia.mus.br

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Morre Tazima, fotógrafo e dono da banca de jornais mais antiga de Maringá

Mesmo como proprietário de uma das mais importantes bancas de jornais e revistas de Maringá, Tazima nunca abandonou a carreira de repórter fotográfico   Foto da Coluna Lauro Barbosa

Mesmo como proprietário de uma das mais importantes bancas de jornais e revistas de Maringá, Tazima nunca abandonou a carreira de repórter fotográfico  Foto da Coluna Lauro Barbosa

Morreu no início da noite desta quarta-feira o pequeno comerciante e repórter fotografico Tomoshigue Tazima, proprietário da banca de revista mais antiga da cidade, na Praça Raposo Tavares. Tazima tinha 65 anos e como fotógrafo trabalhou na extinta “Folha de Norte”, além de O Diário e “O Jornal”. Também fotografou casamentos, batizados e outras festas e ultimamente era o fotógrafo da assessoria do deputado estadual Doutor Batista.

Já há alguns anos surgiram os problemas de saúde, mas nada o afastou do trabalho. No mês passado permaneceu três semanas na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa e voltou a piorar nos últimos dias.

O corpo de Tazima está sendo velado na Capela do Prever, em frente ao Cemitério Municipal. O sepultamento será às 17h30 desta quinta-feira no Cemitério Municipal.

Na década de 60, as bancas de revistas e jornais estavam longe de ter a importância que têm hoje. Geralmente, eram feitas de flandre, muito pequenas, e o freguês era atendido do lado de fora.

Dentro, mal cabia o vendedor. Se nos grandes centros, as bancas não tinham muita importância, menos ainda tinham em Maringá. Na época, os jornais da cidade, compostos em tipos soltos ou linotipos e com raríssimas fotos em preto-e-branco estampadas por clichês, tinham vendagem insignificante. As revistas eram impressas também em preto-ebranco.

Foi neste período que, ao deixar o emprego de auxiliar de contabilidade no Supermercado Cravinho, o nissei Tomoshigue Tazima recebeu de indenização o equivalente a seis salários mínimos e, ainda menino e sem saber o que fazer com “tanto” dinheiro, comprou uma banca de revistas na Praça Raposo Tavares, em frente à então estação rodoviária.

“Muita gente achou que eu tinha feito besteira, pois vender revistas, naquela época, estava  longe de ser um negócio razoável. Eu mesmo suspeitei de que tinha jogado dinheiro fora”, diz ele, que no ano que por 47 anos trabalhou na Raposo Tavares, como dono de banca mais antigo em atividade no município.

Talvez por Tomoshigue ser um nome difícil de decorar e de guardar, desde menino ele é chamado de Jorge Tazima, o filho do comerciante Mineto, proprietário do Bar do Ponto, que tinha esse nome por funcionar na parada de ônibus dos primeiros anos de Maringá, na esquina das ruas hoje conhecidas como Basílio Saltchuk e Joubert de Carvalho. A família chegou na cidade em 1952, vinda do Estado de São Paulo, e Tazima era apenas um bebê.

Aos 11 anos, se apaixonou por fotografia: conseguiu a primeira máquina e tornou-se um dos registradores da história de Maringá. Chegou a trabalhar com os lendários irmãos Paulo e Luiz Ueta, que na época dirigiam o Foto Maringá, na Avenida Duque de Caxias. A fotografia acompanhou Tazima até o final da vida, apesar de a banca se manter como a principal atividade.

“Esta banca está no ponto mais central da cidade e, nesses 47 anos, pude acompanhar toda a transformação da área central”, contava. A banca, que antes pertenceu ao funcionário público Antônio Nicomedis, já era antiga quando foi comprada e era uma das poucas coisas que existiam na praça. Naquela época, a Raposo Tavares tinha uma fonte luminosa e era passagem obrigatória para uma boa parcela da população.

Em frente, estava a rodoviária, que ainda era nova, e ao redor, o único prédio bem construído era o da agência do Banco do Brasil. “Da banca, fui testemunha do nascimento de todos esses prédios que hoje formam o centro de Maringá.” Com o passar dos anos, a cidade mudou e a praça foi reconstruída, a rodoviária foi demolida. A banca também é hoje muito diferente daquela onde mal cabia o vendedor. “O que mudou? Tudo. As revistas da época em que comprei a banca eram uma pobreza”.

As moças geralmente compravam fotonovelas, principalmente as da “Sétimo Céu”, “Ilusão” e “Capricho”, todas em preto-e-branco. Hoje, as garotas contam com centenas de títulos com todos os tipos de atrativos, com fotos de alta definição, que esbanjam cores. Antes, os garotos se contentavam com os gibis. “Super-Homem”, “Tarzan”, “Zorro” e “Cavaleiro Negro” eram as mais vendidas. Mas eram vários os heróis daquela época, muitos no estilo bangue-bangue. Em cores, só as revistas Disney, que eram apenas “Mickey”, “O Pato Donald”, “Tio Patinhas” e “Zé Carioca”. Os homens adultos compravam os famosos livros de bolso, quase todos de bangue-bangue. Segundo Tazima, a banca, hoje, é uma verdadeira loja de conveniência. “Tem de tudo, até jornais e revistas”, brinca.

Para Tazima, tornar-se dono de banca foi um dos grandes acertos da vida. Foi à custa de cada artigo ali vendido que ele cresceu, se casou e manteve a família. Também muito importante, segundo ele, é que a banca o ajudou a se tornar uma das pessoas de melhor relacionamento na cidade, uma testemunha do que acontece na área central.

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Morre colunista de O Diário Deodato Yoshida

DeodatoMorreu neste domingo o colunista Deodato Yoshida, que por muitos anos publicou a coluna “HD News” em O Diário. Ele tinha 64 anos e há tempos tinha sérios problemas de saúde, tendo parado com a coluna depois de ficar cego.

Deodato foi assessor para Assuntos Comunitários da administração Said Ferreira, diretor-Legislativo da Câmara de Vereadores na gestão Mário Hossokawa e ocupou cargos na diretoria da Associação Cultural de Maringá (Acema).

Sua coluna em O Diário era uma referência na divulgação de acontecimentos envolvendo a comunidade nipo-brasileira do noroeste do Paraná.

O corpo de Deodato Shigueo Yoshida está sendo velado na Capela do Prever, em frente ao Cemitério Municipal.

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