Paraná



Prefeito deve devolver R$ 428 mil aos cofres públicos

A Segunda Câmara do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) emitiu parecer prévio pela irregularidade das contas do prefeito de Bom Sucesso (a 63 quilômetros de Maringá), Maurício Aparecido de Castro (PSB), mais conhecido como Ná do Açougue, relativas ao exercício de 2006. O gestor teve as contas desaprovadas em função de sete irregularidades. O parecer prévio indicou ainda nove ressalvas e cinco determinações.

Ná do Açougue em companhia de oficiais da Polícia Militar - Foto do site da prefeitura

Ná do Açougue em companhia de oficiais da Polícia Militar – Foto do site da prefeitura

Maurício Aparecido de Castro, que dirigiu o município na gestão 2005-2008, deverá devolver aos cofres do município R$ 428.317,22, montante gasto irregularmente com despesas realizadas sem licitação ou sem indicação de processo de dispensa. Esse valor deverá ser atualizado e corrigido.

Além disso, o prefeito recebeu duas multas. Uma no valor de R$ 1.450,98 (Artigo 87, inciso IV, alínea ‘g’, da Lei Complementar Estadual nº 113/2005, a Lei Orgânica do TCE-PR), pela ausência de comprovação de pagamentos dos precatórios notificados antes de julho de 2005. A segunda multa (Artigo 89, § 1º, inciso II, da LCE 113/2005), em face do dano ao erário causado pela dispensa indevida de licitação, no percentual de 10% do total de despesas realizadas sem licitação ou sem indicação de dispensa, atualizado e corrigido.

O relator do processo, auditor Claudio Canha, acompanhou parcialmente os pareceres da Diretoria de Contas de Municipais (DCM) e do Ministério Público de Contas (MPC). O parecer recomendando a irregularidade considerou a realização de despesas sem licitação ou sem indicação de processo de dispensa; a ausência de cópias dos extratos expedidos pelas instituições financeiras e dos comprovantes emitidos pelos órgãos credores, evidenciando a movimentação ocorrida no exercício e o saldo devedor em 31/12/2006, das dívidas contraídas e/ou confessadas, constantes do passivo permanente do balanço patrimonial.

 

Ausência de documentos

A análise das contas apontou também a ausência dos extratos bancários de janeiro de 2007, ou dos meses subsequentes, nos quais ocorreram as regularizações dos valores constantes das conciliações; ausência da cópia do ato que nomeou os membros do conselho municipal de saúde, acompanhado do relatório de gestão, contendo a prestação de contas anual em documento assinado por todos os componentes do colegiado e dos relatórios apresentados ao conselho em audiências públicas trimestrais; e ausência da relação de projetos em andamento na data do envio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias ao Poder Legislativo. Entre as irregularidades figurou ainda a falta do demonstrativo de evolução da receita nos últimos três anos.

O relator determinou, em sessão de julgamento de 14 de outubro, o encaminhamento de cópia do processo ao Ministério Público Estadual, em função do possível dano ao erário pela dispensa indevida de licitação. Os gestores poderão recorrer da decisão ao Tribunal Pleno. Os prazos passaram a contar a partir de 13 de novembro, data da publicação do Acórdão 218/15, na edição nº 1.244 do Diário Eletrônico do TCE-PR, disponível no endereço www.tce.pr.gov.br.

Após o trânsito em julgado do processo, o parecer prévio do TCE será encaminhado à Câmara de Bom Sucesso. A legislação determina que cabe aos vereadores o julgamento das contas do chefe do Executivo municipal. Para que a decisão do Tribunal seja alterada são necessários dois terços dos votos dos vereadores.

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Para entender a greve

Os jornalistas Hortênsia Franco de Carvalho e Cauhê Sanches estão dando um banho de bola na cobertura da movimentação dos profissionais de Educação neste momento em que deveria estar começando o ano letivo. Professores e demais funcionários da Educação estadual lutam para não perder ganhos de lutas anteriores, como o Plano de Carreira.

Veja uma mostra do trabalho de Horta e Cauhê, que ajuda o povo entender o que está acontecendo.

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Alumiosa, a cidade do Apocalipse, desaparece na plantação de soja

Durante 15 anos, um agricultor que dizia receber ordem de Deus e de almas construiu uma cidade em Colorado que, segundo dizia, seria o único lugar da Terra que não seria destruído pelo fogo do fim do mundo; por falta de consciência de quem não sabe preservar a história, a cidade que hoje poderia ser um ponto turístico, desapareceu

 

Segundo a profecia de Miranda, quem estivesse do outro lado deste portal estaria protegido do fogo que destruiria o mundo

Segundo a profecia de Miranda, quem estivesse do outro lado deste portal estaria protegido do fogo que destruiria o mundo

Homem do sítio, analfabeto, que não gostava de visitas e só ia à cidade quando precisava fazer compras, José de Freitas Miranda se sentiu o escolhido por Deus para salvar algumas pessoas do fim do mundo. Católico fervoroso, ele se via como Noé antes do dilúvio e sabia que, como Noé, seria chamado de louco. Só que desta vez, a ordem não era para construir uma arca de madeira, já que o mundo não se acabaria em água, e sim uma pequena cidade de pedra, único lugar do mundo que não seria consumido pelo fogo divino que exterminaria a humanidade.

Miranda, que ao invés de dormir passava as noites escuras do sítio sentado do lado de fora da casa, com um pano na cabeça, dizia que Deus falava com ele todas as noites, não só Deus mas também Nossa Senhora Aparecida, anjos e almas e o assunto era sempre o fim do mundo. Verdade ou não, as vozes fizeram do lavrador um homem famoso, que foi reportagem nos grandes jornais brasileiros, saiu algumas vezes no “Fantástico” em uma época em que o programa da Rede Globo era dedicado a grandes reportagens, foi tema de teses de mestrado e doutorado e até hoje sua figura enigmática é possivelmente a personagem mais comentada da história de Colorado (a 78 quilômetros de Maringá), onde ele e a família foram fundadores.

Colorado era apenas uma corrutela no final dos anos 50, quando José Miranda decidiu que tinha que obedecer a voz de Deus e deu início à construção da Cidade Aluminosa, nome, segundo ele, escolhido pelo próprio Deus. Durante 15 anos ele trabalhou sozinho na construção da cidade dentro da propriedade da família.

A Cidade Aluminosa foi edificada na Estrada Água do Jupira, a 9 quilômetros da área urbana de Colorado, onde a família Miranda tinha 500 alqueires de terra, plantava café e criava algumas cabeças de gado. José era o mais velho dos 11 irmãos e assumiu o posto de líder da família com a morte do pai, mas como se sentia na missão de construir uma cidade para salvar pelo menos algumas pessoas do fim do mundo, abandonou o serviço e os próprios parentes começaram a tratá-lo como louco.

Na medida em que a Aluminosa foi tornando-se realidade, chamou a atenção dos moradores de Colorado e de quem passava por ali. Chamou tanto a atenção que a curiosidade atraia multidões nos finais de semana. Há quem diga que chegou a receber mais de 1 mil pessoas em um só dia.

 

Lugar de salvação

A torre, com o alto-falante por os anjos anunciariam o fim do mundo, ficava no centro da Lumiosa

A torre, com o alto-falante por os anjos anunciariam o fim do mundo, ficava no centro da Lumiosa

“O comentário de que aquele era um lugar sagrado e que quem estivesse lá dentro na hora em que o fogo consumisse o mundo ia escapar com vida tomou conta da cidade e muitas pessoas começaram a levar a sério”, diz o pioneiro de Colorado Vandir Itamar Villegas, que hoje é presidente da Câmara de Vereadores. “Eu era menino e morava em um sítio na Jupira, próximo à cidade do ‘seu’ Miranda, e pensava comigo mesmo: na hora que o fogo estiver vindo, corro, pulo a cerca da Aluminosa e fico lá quetinho vendo tudo se acabar”. Muita gente que até mangava do profeta misterioso pensava como o garoto Vandir.

JUPIRADM30O vereador lembra que a Cidade Aluminosa tinha uma aparência misteriosa e a cada dia ficava mais estranha. Foram construídas enormes torres de tijolos, portais, gruta, fonte luminosa, capela, santuário e muitas estátuas em tamanho natural, todas com o mesmo rosto e bolas de gude pretas nos olhos. “As estátuas tinham a cara do ‘seu’ Miranda, dizem que ele esculpia os rostos se olhando em um espelho”, conta Vandir Villegas.

No centro da ‘cidade’ foi erguida uma torre com um alto-falante, que seria usado pelos anjos para anunciar o momento final da humanidade, e o “Sino da Alvorada”, que daria as badaladas do momento final.

JUPIRADM33A professora Sirlene de Oliveira Moura, hoje responsável pela Casa da Cultura de Colorado e guardiã de alguns objetos construídos por Miranda, lembra que era criança quando acompanhou o pai, o pioneiro Jaime Ruela, em uma visita à Cidade Aluminosa e conheceu Miranda pessoalmente. “Ele parecia um homem simples, mas, quando começava a falar, era assustador”.

 

Fim com hora marcada

Sirlene conta que a ‘cidade’ chamava a atenção por ser diferente e, ao mesmo tempo, misteriosa. Para todo lado havia inscrições entalhadas em madeira ou nas paredes, “sempre avisos de como seria o fim do mundo”. Miranda nunca estudou, mas conseguia escrever, mesmo com alguns erros, as mensagens que dizia receber durante as conversas com Deus nas noites escuras do sítio da família, quando sentava-se no quintal ou mesmo na cama com a cabeça coberta com um lençol. “Havia inscrições com a data em que o fogo queimaria este mundo: 28 de dezembro de 1999, quatro horas da tarde”. A data e até o horário coincidem com ‘previsões’ de outros profetas milenaristas que fizeram nome mundo a fora, mas Miranda não sabia disto.

JUPIRADM17Havia também inscrições sobre comportamento que deveria ter quem pisasse no solo sagrado da cidade santa. “Canpo dos regulamentos que Deus deixo pra o povo si adivertir”, em seguida alertava que as mulheres não podiam entrar no “mistério” de vestido curto, gola aberta ou calça comprida: “Os vestidos podem ser de qualquer moda (…) mas tem que ter três dedos para baixo dos joelhos”. E alertava mais: se não se vestissem com decência poderiam ficar paralíticas, cegas ou aleijadas.

Foram construídos no centro da Aluminosa dois bancos, um com a inscrição “Deus”, onde o Senhor se sentaria, e o do lado com o nome do construtor, que, como escolhido, teria assento ao lado do Senhor no único lugar do mundo que escaparia da destruição.

A cidade dos mistérios parou de ser construída em 1975, quando José de Freitas Miranda ficou cego. Ele se sentia frustrado por não conseguir obedecer às ordens de Deus, Nossa Senhora Aparecida, anjos e almas e mesmo na escuridão da cegueira percorria as obras com a ajuda de uma bengala de madeira. Ele morreu em 1994 e não ficou sabendo que o mundo não se acabou na data ditada pelas vozes. Também não saberia que a terra que seu pai comprou ainda nos anos 40 seria vendida pelos descendentes dele e de seus irmãos e que a cidade que construiu com tanto sacrifício e obediência seria destruída logo após sua morte para dar lugar a plantações de soja e milho.

O profeta Miranda com a família no início da construção da cidade, em 1962

O profeta Miranda com a família no início da construção da cidade, em 1962

Botton

Os guardadores da história que se perdeu

Marcelo Português, parente do profeta, e Villegas, que queria se esconder na Lumiosa para escapar do fogo do fim do mundo

Marcelo Português, parente do profeta, e Villegas, que queria se esconder na Lumiosa para escapar do fogo do fim do mundo

“O Miranda podia ter problemas mentais, mas o que ele fez deveria ter sido conservado, pois faz parte da história do município e hoje poderia muito bem ser a principal atração turística de Colorado e região”. Quem diz é o administrador de fazenda Marcelo Fernandes da Silva, o Português, de 42 anos, nascido na Água do Jupira e neto de uma das 9 irmãs do profeta milenarista José de Freitas Miranda. A Cidade Aluminosa, ou a Cidade do Fim do Mundo, como chamavam, fez parte de sua infância e adolescência.

Em uma pasta Português guarda alguns pertences da avó Luzia de Freitas Miranda, que morreu aos 92 anos, principalmente as fotografias em branco e preto da família durante a construção da Cidade Aluminosa, desde as primeiras obras até a época em que o construtor ficou cego.

“Os Miranda foram dos primeiros moradores de Colorado, fazem parte da história da cidade, e a construção da Aluminosa fez com que Colorado fosse destaque em todo o Brasil durante muitos anos”, defende.

Hoje, um painel com várias fotos da Cidade Aluminosa e algumas das estátuas esculpidas por José Miranda estão no Museu Histórico de Colorado, instalado no prédio que foi a primeira escola da cidade. Segundo a professora Sirlene de Oliveira Moura, diretora da Casa da Cultura, as fotos serão digitalizadas e copiadas para não sofrerem a ação do tempo e as estátuas serão conservadas. O objetivo é criar no museu um espaço próprio para conservar a história do profeta messiânico e sua cidade de mistérios.

 

Fotos e reproduções de Douglas Marçal

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Bonitas, divertidas e perigosas, as pipas enfeitam o céu

PipaA temporada de pipas neste ano está sendo beneficiada por um inverno sem frio, com muito sol, vento e quase nenhuma chuva, possibilitando que milhares de crianças, jovens e adultos aproveitem os finais de tarde com uma diversão que não se moderniza, mas também não é superada pelo tempo. Porém, junto com as pipas coloridas no ar, aumenta o risco de acidentes com linhas cortantes e com a rede elétrica.

Em Maringá, vê-se pipas no ar em praticamente todos os bairros, mas a prática é mais comum em bairros periféricos, nas áreas altas e locais descampados, como o entorno da Praça Pio XII, no fim da Picada, a praça do Conjunto Requião e o antigo aeroporto, próximo à Secretaria de Trânsito e Segurança (Setrans). O Cidade Alta e bairros vizinhos contam com áreas abertas, altitude e o vento desejado pelos pipeiros.

Paiçandu, com muitos espaço vagos, oferece boas condições para os pipeiros, principalmente nas proximidades da antiga estação ferroviária. Sarandi, que conta com bairros altos e pouca arborização, agora conta com uma área equivalente a três quadras, ao lado da linha férrea, onde está sendo construída uma das mais extensas obras públicas da região, a Praça da Juventude, mas antes do logradouro ficar pronto já se tornou ponto de encontro de pipeiros. Outro local que nos finais de semana junta crianças, jovens e pais é próximo ao Parque Ecológico.

“É melhor do que ficar em casa assistindo televisão e arrumando discussão com a família”, diz Lucas Herculano, de 13 anos, que empinava uma pipa no Jardim Paulista, junto com os amigos Willian Padilha, 15 anos, Gabriel de Souza, 12, e Diego Prado, de 9. A fiação elétrica mostrava que muitos garotos perderam pipas ali nos últimos dias, mas o local preferido dos garotos é uma praça vazia no Conjunto Requião, a duas quadras de estavam.

 

Lucas, Willian e Gabriel empinam pipa na rua, no Jardim Paulista, em Maringá    Foto: Ricardo Lopes

Lucas, Willian e Gabriel empinam pipa na rua, no Jardim Paulista, em Maringá Foto: Ricardo Lopes

Pais e filhos

Também conhecidas, dependendo do formato e da região, por cafifa, papagaio, quadrado, piposa, pandorga, arraia, pepeta ou joeira, a pipa é um dos brinquedos mais baratos. “A pipa é um dos brinquedos mais democráticos que existem”, disse alguém que realmente entende do riscado, o ex-caminhoneiro José Roberto de Lima, que, quando foi considerado inválido para dirigir caminhões, tornou-se um empreendedor no ramo de pipas, valendo-se da habilidade que carregava desde a infância. Cortando e colando papel, afinando varetas de bambu e montando cabrestos, ele e a mulher criaram os filhos, construíram casa, compraram carro e vivem uma vida que consideram financeiramente tranquila. Com isto ele ganhou o nome de Tio Beto das Pipas e já percorreu vários Estados e até países vizinhos levando sua arte, pipas de vão de R$ 10, R$ 20 a R$ 600.

Tio Beto e Maria Isabel fabricam pipas gigantes na oficina nos fundos da casa   Foto: João Paulo Santos

Tio Beto e Maria Isabel fabricam pipas gigantes na oficina nos fundos da casa Foto: João Paulo Santos

“É democrática porque está ao alcance de qualquer um”, explica, lembrando que tanto o filho do médico quanto o do catador de recicláveis pode ter uma ótima pipa gastando apenas alguns trocados ou usando materiais que já têm em casa. Basta um pedaço de papel, algumas varetas de bambu, cola e linha para se construir uma boa pipa. “E é uma brincadeira que leva a criança a exercitar as habilidades manuais, a noção espacial e na hora de empinar está sempre em grupos, o que faz com que a atividade seja também social”, diz Tio Beto.  “É uma brincadeira saudável, que coloca as crianças fora de casa, ao sol e ao ar livre”.

Vendendo suas carretilhas e pipas de formatos e cores diferentes, todas confeccionadas com um tipo de tecido plástico e varetas de fibra de vidro, às margens da PR-323, entre Maringá e Paiçandu, Tio Beto diz que “muitos pais chegam para comprar pipas para os filhos e acabam confessando que eles próprios vão empinar, outros compram para os filhos e para eles próprios e vão brincar juntos. Quem brincou de pipa na infância não perde o gosto e conserva a vontade de desafiar o vento e mostrar aos filhos que brinquedos antigos podem continuar tão bons quanto os que existem de mais modernos”.

 

Saudável e perigosa

Brincadeira para ser praticada ao ar livre, empinar pipa pode ser perigoso tanto para o pipeiro quanto para outras pessoas que nada têm a ver com a brincadeira. Vítima potencial das pipas são os motociclistas, mas também ciclistas e pessoas a pé podem se ferir em linhas cortantes, geralmente envolvidas com cerol, uma mistura de pó de vidro com cola, usada para cortar linhas de outras pipas.

PipasUltimamente não têm acontecido acidentes com cerol na região de Maringá, mas muitos mototaxistas e motoboys dizem que têm “trombado” em linhas com cerol. A haste metálica obrigatória por lei para profissionais que usam motos é fundamental nestas horas. Segundo o presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Maringá (Sindimoto), Mauro Afonso Garcia, há uma lei que obriga os profissionais de motos a usarem a haste metálica, mas ela pode ser útil para todos os motociclistas nesta época do ano.

“Usar cerol ou linha chilena é um crime, deixa de ser uma brincadeira inocente para oferecer perigo às pessoas”, diz Tio Beto das Pipas, que leva em seu carro um adesivo da campanha contra o cerol. “Quando vendo minhas pipas, converso com o comprador para que jamais use essas linhas criminosas. Quem já viu alguém cortado por cerol sabe o perigo que essas linhas representam”.

A linha chilena é a nova moda entre pipeiros que gostam de cortar a linha dos outros. Trata-se de uma linha fina que usa um composto químico que tem um poder de corte quatro vezes maior do que o cerol comum e torna-se um risco eminente para usuários, pedestres e motociclistas.

 

Perigo no fio e na rua

Nos últimos dias, a Copel intensificou nos meios de comunicação o aleta quanto aos cuidados a serem observados para quem vai empinar. Segundo a concessionária, soltar pipa oferece perigo a crianças que se arriscam quando a linha se enrosca na rede elétrica e elas tentam resgatar o brinquedo. Muitos acidentes já aconteceram assim, mas a empresa diz que há outros riscos, principalmente para quem utiliza varetas metálicas, linha de cobre ou limalha de ferro. Papel laminado jamais deve ser usado na confecção do brinquedo, pois também é condutor de energia e facilita a passagem da corrente entre os equipamentos da rede elétrica.

Tio Beto experimenta uma de suas pipas

Tio Beto experimenta uma de suas pipas

Segundo a Copel, neste ano já foram registrados 2,2 mil desligamentos, deixando 556 mil pessoas sem energia, em consequência de objetos enroscadas na rede elétrica. A maioria era pipas.

Para a Polícia Militar, a presença de pipas no ar em áreas povoadas aumenta o risco de acidentes de trânsito, já que é uma prática comum os meninos correrem para apanhar pipas que estão caindo. Correndo com os olhos no céu, eles cruzam ruas inadivertidamente e podem ser atropelados.

Outro problema é que muitos garotos acabam saltando muros e invadindo quintais para apanhar pipas e podem ser confundidos com ladrões ou serem atacados por cães de guarda.

Para o secretário de Trânsito e Segurança, capitão Ideval Oliveira, o ideal é que crianças pequenas estejam sempre acompanhadas por adultos, de preferência os pais, e procurem áreas seguras, longe de ruas movimentadas e de fiação elétrica para empinar pipas. O pátio da própria Setrans, no antigo aeroporto, todo gramado, sem árvores ou fiação elétrica, é considerado uma boa área para os amantes das pipas.

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Desaparecimento das abelhas preocupa apicultores de Maringá

Os agrotóxicos utilizados nas lavouras de cana, soja e laranja são os principais suspeitos

Einstein

O fenômeno do desaparecimento das abelhas, que vem preocupando ambientalistas, cientistas e apicultores de vários países, já é uma realidade também na região de Maringá, onde várias colmeias foram perdidas nos últimos meses. As suspeitas de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e dos próprios produtores recaem sobre agrotóxicos usados em larga escala nas lavouras de cana-de-açúcar, laranja e grãos como soja e milho.

A cada dia, mais abelhas abandonam as colônias

A cada dia, mais abelhas abandonam as colônias

Nós ainda não temos números oficiais, mas é cada vez mais constante a reclamação de produtores de que seus enxames estão desaparecendo”, disse a zootecnista Lucimar Pontara Peres, professora da UEM e membro da Confederação Brasileira de Apicultura. Desde o ano passado ela vem alertando os apicultores de que mais cedo ou mais tarde isto iaacontecer nesta região e relatos recentes comprovam as suspeitas dela.

A pesquisadora diz que esta dizimação em massa está acontecendo em praticamente todo o mundo e em algumas regiões da Europa foi registrado o sumiço de até 80% da população de abelhas. No Brasil o fenômeno já é evidente no Nordeste, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul e ultimamente são os produtores de São Paulo que dizem que o problema está cada vez maior, principalmente nas regiões de canaviais e laranjais.

Esta constatação traz preocupação”, diz a zootecnista, “pois as abelhas, além de produzirem mel, são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das culturas agrícolas, impulsionando a produtividade de frutos e grãos e garantindo a renovação das matas que contribuem com a geração do oxigênio necessário à vida no planeta”.

A flor de laranjeira é uma das principais fontes de pólen, mas os agrotóxicos podem estar prejudicando as abelhas

A flor de laranjeira é uma das principais fontes de pólen, mas os agrotóxicos podem estar prejudicando as abelhas

O produtor e secretário da Associação Regional dos Apicultores de Maringá, zootecnista Ricardo Cazotti, diz que o problema tem ocorrido de uma forma geral na região, mas é mais grave em determinadas áreas. Na região de Alto Paraná, por exemplo, as perdas de enxames tem sido uma constante nos últimos meses. Um produtor que tinha 120 caixas está com apenas 20 porque as abelhas não voltaram mais, abandonando a rainha. Outro, que tinha 1,5 mil caixas produzindo mel de flor de laranja, disse ter perdido 40% de suas colmeias.

Técnicos da Emater em Alto Paraná acreditam que o fato pode ser decorrente da aplicação de defensivos nos laranjais. Os laranjais são vastos na região e a principal fonte de pólen para as abelhas, porém estão sendo atacados pelo Greening, uma doença que causa a deformação dos frutos. Ultimamente, os produtores têm utilizado agrotóxicos fortes na tentativa de controlar a doença.

Na região de Floresta, a produtora Albertina Ambiel Jung, que participa da Feira dos Sabores do Paraná e de eventos regionais da agroindústria, perdeu parte de seus enxames nos últimos meses e acredita que a causa pode ter sido a aplicação de veneno nas lavouras de soja e milho próximas à sua propriedade, às margens da PR-317.

Ainda é cedo para termos noção do tamanho do problema na nossa região, pois não temos um cadastro dos produtores, com a quantidade de abelhas de cada um”, diz Lucimar Pontara. “A característica do noroeste paranaense é de pequenos apicultores e também não temos floradas como alimento para as abelhas. Geralmente o alimento se resume às culturas agrícolas da época, como soja, laranja e eucalipto, e quando acontece de perder algumas caixas fica difícil um diagnóstico, o produtor é levado a pensar que pode ter sido pelo frio, falta de alimento ou outro problema pontual”.

Que há algo errado, que abelhas estão sumindo, não temos mais dúvidas, só não sabemos a extensão do problema, nem a causa”, diz o secretário da Associação dos Apicultores. Segundo ele, as entidades ligadas à apicultura esperam ter ideia mais correta sobre as causas par que possam tomar providências.

Desordem na colônia

Há séculos que as colmeias, com as abelhas trabalhando em harmonia perfeita, são tidas como exemplo de organização, porém este conceito começa a mudar com os fatos que vêm ocorrendo nos últimos oito anos no mundo. De uma hora para outra, as abelhas surtam e, sem motivo aparente, não voltam para casa. Sozinha e sem o pólen, a rainha morre e a colmeia deixa de existir.

Este comportamento estranho, que até agora não ficou claro para os cientistas, foi batizado de “colony collapse disorder” e os cientistas se dividem entre os que culpam os agrotóxicos, especialmente os aplicados por avião, e os que acham que trata-se de uma infecção por vírus, que estaria danificando o código genético dos insetos.

3 mil

é o número aproximado de colmeias instaladas em um raio de 100 quilômetros de Maringá

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Ver para crer

O prefeito de Floresta, José Roberto Ruiz, batizou de Caravana São Tomé o trabalho que está fazendo para que a população conheça as obras que estão sendo executadas na cidade pela administração dele. São Tomé, como sabem, foi um discípulo de Jesus que se celebrizou por só acreditar no que via.

Neste sábado, o prefeito pretende lotar vários ônibus e levar as pessoas em um tour pela cidade para visitar construção de postos de saúde, reformas de escolas, pavimentação e recapeamento. 

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Zulmira e sua luta contra o câncer – dela é de outros

A história da Rede de Combate ao Câncer de Astorga (a 50 quilômetros de Maringá) se confunde com a de sua coordenadora, Zulmira Batista Genaro. Com o tempo, a Rede tornou-se sinônimo de Zulmira e vice-versa. Lidando todos os dias com a dor de centenas de pessoas acometidas pelo câncer, a ironia do destino foi ela própria ser diagnosticada com a doença. Mas não se entregou e é vista atendendo pessoas, confortando familiares e distribuindo bens materiais até mesmo nos dias das sessões de quimioterapia.

Zulmira Batista Genaro descobriu o câncer na medula em 2006 e nunca interrompeu o tratamento

Zulmira Batista Genaro descobriu o câncer na medula em 2006 e nunca interrompeu o tratamento

A Rede, que no início chamava-se Rede Feminina de Combate ao Câncer, só foi feminina no nome, pois atende também homens e crianças. Afinal, o câncer não escolhe sexo. Também não é uma instituição comandada só por mulheres. Em sua diretoria estão empresários, bancários, funcionários públicos, profissionais liberais e trabalhadores comuns. Também há mulheres e homens entre os 40 voluntários fixos, aqueles que são pau-para-toda-obra, organizando e realizando eventos para arrecadar o dinheiro que vai ajudar na manutenção de pessoas com câncer e até mesmo o pagamento de consultas especializadas que não são cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A entidade já pagou cirurgias de até R$ 15 mil.

Além do serviço, muitas vezes os voluntários pagam para trabalhar. Pessoas que não têm ligação com a Rede, outras entidades, clubes de serviço e empresas também participam com doações e até organizando eventos para arrecadar dinheiro para a compra de alimentação diferenciada para os doentes, fraldas e medicamentos. Graças a isto, centenas de pessoas com câncer e seus familiares têm sido ajudados desde 2001, quando a Rede Feminina de Combate ao Câncer nasceu em Astorga. Hoje, 171 doentes estão no cadastro da entidade, mas a ajuda chega também aos familiares.

A entidade que nasceu em uma casinha emprestada por uma cooperativa, hoje tem como sede própria uma ampla casa no centro da cidade, com salas para direção, reuniões, cozinha e muito espaço para guardar os víveres que serão distribuídos aos cadastrados.

Por traz de tudo isto está Zulmira, uma técnica de enfermagem que passou a vida no serviço de saúde do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e na Secretaria de Saúde da prefeitura. Ela participou da fundação da Rede e está à frente desde o início. Mesmo com o compromisso em seus empregos e o trabalho de mãe de família, Zulmira é do tipo de gente que levanta de madrugada para atender um doente, junto com o marido, Antonio, ajuda até a dar banho em pessoas, coordena pessoalmente o cadastramento, a distribuição de víveres e os grandes e pequenos eventos da instituição, como um show de prêmios em março e um leilão de gado em setembro.

Segundo as colegas de trabalho, Zulmira é a pessoa que melhor entende a situação de quem tem câncer. “Falo com as pessoas como um igual e elas confiam em mim porque sabem de minha situação”, diz ela. Em 2006, depois de fraturar a coluna seguidas vezes, ela foi diagnosticada com um mieloma múltiplo, um tipo de câncer das células plasmáticas da medula óssea.

Apesar da doença, a Zulmira continua na direção da entidade que auxilia pessoas com câncer e suas famílias

Apesar da doença, a Zulmira continua na direção da entidade que auxilia pessoas com câncer e suas famílias

“Não pude me entregar, até nos dias das sessões de quimioterapia – que arrasam a gente – eu vinha trabalhar porque sei muito bem que o estado de espírito de quem tem câncer é muito importante na recuperação”. Segundo ela, muitas pessoas ao saberem que estão com câncer ficam tão arrasadas psicologicamente que acabam piorando o estado da doença. “Passei anos dizendo às pessoas para terem ânimo, então era minha vez ter ânimo”.

Aos 66 anos de idade, 59 deles vividos em Astorga, agora aposentada, a auxiliar de enfermagem que estudou também Pedagogia, casada e mãe de duas filhas, não está curada, pois o mieloma múltiplo é um tipo de câncer que não desaparece totalmente. Mas ela continua trabalhando normalmente. No momento, além do dia a dia da Rede Feminina de Combate ao Câncer, está envolvida com a organização do show de prêmios que a entidade realizará no mês que vem, um dos maiores eventos anuais de Astorga.

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Professores param em protesto, mas não são recebidos por prefeito

Professores municipais de Floresta, que na semana passada fizeram uma paralisação de alerta durante um dia inteiro, voltaram a fazer outra parada hoje, a partir das 10 horas, para pressionar o prefeito Antonio Fuentes (PMDB) a encaminhar para apreciação da Câmara o projeto do Plano de Cargos, Carreiras e Salários da Educação, definindo o piso salarial para a categoria.

Há mais de um mês os professores querem falar com o prefeito, mas não conseguem. Na paralisação da semana passada eles foram à prefeitura, passaram quase que o dia inteiro lá, mas o prefeito não apareceu.

Fuentes deveria encaminhar à Câmara o projeto no início do ano, cumprindo o que determina a Lei Federal que torna obrigatório o piso salarial profissional nacional para os trabalhadores do magistério público da educação básica.

A prefeitura contratou um profissional para elaborar o projeto e desde junho a proposta está engavetada.

Os professores de Floresta estão recebendo 22% abaixo do piso, esta diferença está se acumulando e a prefeitura terá que pagar os retroativos.

Neste momento os professores estão em frente à Escola Chapeuzinho Vermelho conversando c om os pais de alunos sobre o problema, mais tarde farão o mesmo na Escola Messias Barbosa Ferreira.

A indignação deve-se principalmente à falta de boa vontade do prefeito para pelo menos ouvir a classe. Ele se nega a negociar e até mesmo a receber uma comissão de professores.

O Ministério Público já fez duas notificações ao prefeito, mas ele nem sequer respondeu.

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Sarandi homenageia pai do governador

O prefeito de Sarandi, Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT), vai homenagear o ex-governador José Richa, dando o nome do ex-governador a um conjunto habitacional que será construído aos fundo do Parque das Torres.

Serão 620 unidades que serão construídas com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que vão beneficiar famílias com renda de no máximo três salários mínimos.

Este será o segundo conjunto habitacional construído na administração de De Paula, iniciada há um ano e meio. O primeiro foi o Mauá, com 343 casas.

De Paula diz que optou pelo nome de José Richa por ter sido um dos políticos mais importantes da história do Paraná, “um político exemplar”.

O dentista José Richa, falecido em 2003, foi deputado federal, senador, prefeito de Londrina e governador, foi um dos líderes do movimento “Diretas Já” e fundador do PSDB. Ele era pai de Beto Richa, hoje governador do Paraná.

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Porto Rico homenageia sua padroeira com procissão de barcos

O próximo dia 2 de fevereiro é uma data importante para pescadores e comunidades ribeirinhas. Para os católicos, é dia de Nossa Senhora dos

Nossa Senhora dos Navegantes - Porto Rico

O ponto alto das festividades é a procissão de barcos nas águas do Rio Paraná

Navegantes e na umbanda é dia de Yemanjá.

As comunidades localizadas à beira dos grandes rios fazem festa, que foi adiada para o dia 5, primeiro domingo de fevereiro. Em Porto Rico, às margens do Rio Paraná, a festa tem motivos especiais, pois a santa dos navegantes é também padroeira da cidade.

A festa tem início com uma procissão fluvial no Rio Paraná e contará ainda com a benção dos barcos e missa.

A procissão começa na Igreja Matriz Nossa Senhora dos Navegantes às 8 horas e termina às 10 horas. Haverá premiação para o barco melhor decorado.

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