Rede Feminina de Combate ao Câncer



Zulmira e sua luta contra o câncer – dela é de outros

A história da Rede de Combate ao Câncer de Astorga (a 50 quilômetros de Maringá) se confunde com a de sua coordenadora, Zulmira Batista Genaro. Com o tempo, a Rede tornou-se sinônimo de Zulmira e vice-versa. Lidando todos os dias com a dor de centenas de pessoas acometidas pelo câncer, a ironia do destino foi ela própria ser diagnosticada com a doença. Mas não se entregou e é vista atendendo pessoas, confortando familiares e distribuindo bens materiais até mesmo nos dias das sessões de quimioterapia.

Zulmira Batista Genaro descobriu o câncer na medula em 2006 e nunca interrompeu o tratamento

Zulmira Batista Genaro descobriu o câncer na medula em 2006 e nunca interrompeu o tratamento

A Rede, que no início chamava-se Rede Feminina de Combate ao Câncer, só foi feminina no nome, pois atende também homens e crianças. Afinal, o câncer não escolhe sexo. Também não é uma instituição comandada só por mulheres. Em sua diretoria estão empresários, bancários, funcionários públicos, profissionais liberais e trabalhadores comuns. Também há mulheres e homens entre os 40 voluntários fixos, aqueles que são pau-para-toda-obra, organizando e realizando eventos para arrecadar o dinheiro que vai ajudar na manutenção de pessoas com câncer e até mesmo o pagamento de consultas especializadas que não são cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A entidade já pagou cirurgias de até R$ 15 mil.

Além do serviço, muitas vezes os voluntários pagam para trabalhar. Pessoas que não têm ligação com a Rede, outras entidades, clubes de serviço e empresas também participam com doações e até organizando eventos para arrecadar dinheiro para a compra de alimentação diferenciada para os doentes, fraldas e medicamentos. Graças a isto, centenas de pessoas com câncer e seus familiares têm sido ajudados desde 2001, quando a Rede Feminina de Combate ao Câncer nasceu em Astorga. Hoje, 171 doentes estão no cadastro da entidade, mas a ajuda chega também aos familiares.

A entidade que nasceu em uma casinha emprestada por uma cooperativa, hoje tem como sede própria uma ampla casa no centro da cidade, com salas para direção, reuniões, cozinha e muito espaço para guardar os víveres que serão distribuídos aos cadastrados.

Por traz de tudo isto está Zulmira, uma técnica de enfermagem que passou a vida no serviço de saúde do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e na Secretaria de Saúde da prefeitura. Ela participou da fundação da Rede e está à frente desde o início. Mesmo com o compromisso em seus empregos e o trabalho de mãe de família, Zulmira é do tipo de gente que levanta de madrugada para atender um doente, junto com o marido, Antonio, ajuda até a dar banho em pessoas, coordena pessoalmente o cadastramento, a distribuição de víveres e os grandes e pequenos eventos da instituição, como um show de prêmios em março e um leilão de gado em setembro.

Segundo as colegas de trabalho, Zulmira é a pessoa que melhor entende a situação de quem tem câncer. “Falo com as pessoas como um igual e elas confiam em mim porque sabem de minha situação”, diz ela. Em 2006, depois de fraturar a coluna seguidas vezes, ela foi diagnosticada com um mieloma múltiplo, um tipo de câncer das células plasmáticas da medula óssea.

Apesar da doença, a Zulmira continua na direção da entidade que auxilia pessoas com câncer e suas famílias

Apesar da doença, a Zulmira continua na direção da entidade que auxilia pessoas com câncer e suas famílias

“Não pude me entregar, até nos dias das sessões de quimioterapia – que arrasam a gente – eu vinha trabalhar porque sei muito bem que o estado de espírito de quem tem câncer é muito importante na recuperação”. Segundo ela, muitas pessoas ao saberem que estão com câncer ficam tão arrasadas psicologicamente que acabam piorando o estado da doença. “Passei anos dizendo às pessoas para terem ânimo, então era minha vez ter ânimo”.

Aos 66 anos de idade, 59 deles vividos em Astorga, agora aposentada, a auxiliar de enfermagem que estudou também Pedagogia, casada e mãe de duas filhas, não está curada, pois o mieloma múltiplo é um tipo de câncer que não desaparece totalmente. Mas ela continua trabalhando normalmente. No momento, além do dia a dia da Rede Feminina de Combate ao Câncer, está envolvida com a organização do show de prêmios que a entidade realizará no mês que vem, um dos maiores eventos anuais de Astorga.

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