Regimara dos Santos



Maringá fala abertamento sobre doação de órgãos

Até o final do mês, a 15ª Regional de Saúde, a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e as comissões Intra Hospitalares para Doação de Órgãos e Tecidos para Implantes dos principais hospitais de Maringá, além das secretarias de Saúde e de Educação dos municípios da região, estão empenhados na campanha Setembro Verde, que busca a conscientização da comunidade sobre a importância da doação de órgãos. Pessoas que foram beneficiadas com transplantes e familiares de pessoas que tiveram órgãos doados também participarão da campanha.

De acordo com a coordenadora da OPO em Maringá, enfermeira Gislaine Fusco

Gislaine Fusco Duarte, coordenadora da OPO Maringá

Duarte, o trabalho a ser desenvolvido é importante para ampliar a conscientização e assim promover o aumento de órgãos doados de pessoas que sofreram morte encefálica. Hoje o Paraná é o Estado brasileiro em que mais acontecem doações de órgãos e tecidos para transplantes, com um aumento de 42% no ano passado na comparação com 2015. Nos primeiros cinco meses deste ano, a quantidade de órgãos doados foi 97% maior do que no mesmo período do ano passado.

Segundo Fusco Duarte, a OPO de Maringá é uma das que mais contribuem com doações no Paraná, só superada pela de Cascavel, já que lá existe um trabalho também de captação de fígado.

O trabalho deste ano estará muito voltado para a educação”, disse a enfermeira Regimara dos Anjos, também da OPU de Maringá, destacando que “a participação de um bloco no desfile de 7 de Setembro, caminhadas e palestras nas escolas municipais objetivam mostrar às crianças e jovens que a doação de órgãos e de tecidos é um ato de amor e solidariedade”. Para ela, este trabalho vai ajudar a formar uma nova mentalidade em uma geração que nasceu quando os transplantes já eram uma realidade e que não deverão hesitar se em algum momento precisar autorizar a doação dos órgãos de algum parente que sofreu morte encefálica.

O servidor público Cláudio Anacleto, de 44 anos, que já foi entregador de O Diário em Munhoz de Mello, participará das atividades do Setembro Verde como exemplo bem sucedido de transplante de órgãos. Há menos de dois anos ele foi diagnosticado com doença renal, teve que se submeter imediatamente a sessões de hemodiálise e sua vida sofreu uma mudança brusca. “Não consegui mais trabalhar e sofria muito a cada filtragem do sangue”, conta. Depois de nove meses e meio na fila de espera, recebeu um rim em cirurgia realizada na clínica renal do Hospital Santa Rita. Hoje, cinco meses depois, Anacleta sente que sua vida “está voltando ao normal”. Já consegue dirigir, faz trabalhos em casa e se prepara para voltar ao trabalho no Colégio Rodrigues Alves.

Em Marialva, onde o Setembro Verde é Lei Municipal, o trabalho da OPO é organizado pela nutricionista Maria de Lourdes Navarro e o marido dela, o comerciante Dagoberto Gomes Navarro, o Dago. “Há muitos anos participamos do trabalho de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, mas agora tenho muito mais motivo depois que recebi um rim novo, que me ajudou a parar com as sofridas sessões de hemodiálise”, afirma Dago, que fez transplante a menos de três anos e diz sentir-se como se nunca tivesse sofrido doença renal. O casal, que faz parte de um clube de serviço, está organizando uma palestra para cerca de 300 pessoas, a ser ministrada pela enfermeira Regimara dos Anjos.

 

Taxa de doadores efetivos de órgãos no Paraná está entre as melhores do país

A taxa de doadores efetivos de órgãos no país aumentou 11,8% no segundo semestre desde ano, atingindo 16,2 a cada milhão de habitantes. Antes, eram 14,6. O Paraná é um dos estados brasileiros com as melhores taxas de doadores efetivos e atingiu a marca de 34,3 a cada milhão de habitantes, atrás somente de Santa Catarina, com 37. Os dados são da pesquisa realizada pela ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos).

“A taxa de notificação de potenciais doadores no estado do Paraná está similar a de países desenvolvidos. No Paraná, foram 34 a cada milhão de habitantes. Além disso, o estado se destacou também por realizar mais de cinco transplantes com doador vivo. Foram 11,9 doadores a cada milhão”, explica o cirurgião cardiovascular e integrante da Comissão de Remoção de Órgãos da ABTO, José Lima Oliveira Júnior.

Outra boa notícia é que o estado do Paraná tem a menor taxa de recusa familiar do Brasil. Enquanto que 43% das famílias brasileiras dizem não à doação de órgãos de seus parentes, no Paraná o índice é de 34%. “Muitas vezes a família não doa por causa da falta de informação. A conscientização é importante para reduzirmos a fila de espera no estado, que é de 1.307 pessoas”, afirma o cirurgião cardiovascular.

No Paraná, de janeiro a junho de 2017, 1.165 pessoas aguardavam por um rim, 93 esperavam um fígado, 17 pessoas coração, 1 pessoa pâncreas, 13 pâncreas e rim, e 18 córnea.

 

Cenário atual da doação de órgãos no Brasil

Uma pesquisa recente da ABTO mostra que a taxa de doadores efetivos cresceu 11,8% no primeiro semestre deste ano, passando de 14,6, doadores por milhão de habitantes para 16,2. Com esse resultado, o Brasil está bem perto de alcançar a meta proposta para 2017, que é de 16,5 doadores para cada milhão de habitantes. Os índices positivos foram possíveis graças ao aumento da taxa de notificação de potenciais doadores de 4,5% e da taxa de efetivação da doação de órgãos de 7,2%.

O estudo também aponta crescimento no número de transplantes de rim (5,8%), fígado (7,4%) e córneas (7,6%). Porém, houve redução nos transplantes de coração (3,6%), pulmão (6,5%) e pâncreas (6%). A recusa família continua sendo o principal entrave para o avanço da doação de órgãos. No Brasil, 43% das famílias não autorizaram a doação de órgãos de seus parentes.

A pesquisa mostra que, atualmente, 32.956 brasileiros estão na fila à espera de um órgão. A maioria aguarda por rim (20.523), 1.203 aguardam fígado, 260 esperam por coração, 171 pulmão, 26 pâncreas, 519 pâncreas/rim e 10.254 córnea. O estudo também aponta que das 17.713 pessoas que ingressaram na lista de espera 1.158 morreram.

Outro dado que chama a atenção é o baixo aproveitamento de órgãos dos potenciais doadores notificados. No primeiro semestre, somente 31% dos 5.309 potenciais doadores notificados foram aproveitados. Em países desenvolvidos o índice de aproveitamento varia entre 60% e 70%.  (Encaso Comunicação Corporativa)

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