Uva



Mais doce e agora certificada, uva de Marialva alcança bom preço

A produtividade abaixo da esperada para esta safra de verão nem de longe significa frustração para os produtores de uva fina de mesa de Marialva, pois a qualidade da fruta colhida até agora é boa e os preços no mercado são considerados satisfatórios.

As cerca de 500 propriedades rurais que cultivam uva em regime familiar devem colher em torno de 6 mil toneladas até janeiro, volume visto como “bom” em comparação com as últimas safras, mas aproximadamente 30% inferior ao que o município poderia produzir. A produção é tida como boa porque desde 2012 os produtores de Marialva enfrentam uma sucessão de safras problemáticas provocadas por problemas climáticos, como geadas, excesso ou falta de chuvas e queda de granizo.

O produtor Antonio Peres Martines, que cultiva quatro hectares de parreiras na Estrada Marialva, espera colher 50 toneladas nesta safra e diz que sua propriedade tem capacidade para produzir 80 toneladas, mas mesmo assim ele comemora porque a qualidade “está ótima”. Além do fato de o teor de açúcar ser alto, “o brix está adiantado em duas semanas”.

Isto significa que os primeiros frutos colhidos em cada safra não são tão doces quanto os do final, mas nesta safra o teor de doçura “chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Toninho Peres, como é conhecido, não sabe o que fez as frutas adoçarem mais cedo, mas acha que o clima ajudou. Após a safra temporona, que acontece no meio do ano, os parreirais enfrentaram um período de estiagem prolongada, que pode ter tido reflexo na qualidade da fruta que está sendo colhida agora.

A engenheira agrônoma Sonia Vicentini, que como fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Secretaria da Agricultura, acompanha há anos o comportamento da uva de Marialva, considera que esta é uma safra média, afetada pela longa estiagem. Segundo ela, alguns produtores começaram a colher em novembro, mas o grosso da safra acontece em dezembro, quando a fruta atinge sua melhor qualidade.

“No começo de dezembro, a colheita ainda está fraca, mas a oferta atinge seu principal momento a partir do dia 15, quando acontece o forte da comercialização porque o mercado se abastece para as vendas do período natalino”, diz a técnica.

Embora a colheita ainda esteja no início, os produtores consideram que estão conseguindo preços satisfatórios. As variedades Brasil, Itália, Rubi e Benitaka estão rendendo entre R$ 3 e R$ 3,5 por quilo ao produtor. Já a Núbia, variedade desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), está sendo vendida a R$ 4,50. Pelo tamanho, cor vermelha intensa, sabor suave, baixa acidez e doçura, é a uva que mais atrai nas prateleiras dos supermercados e frutarias.

Certificada

Esta é a primeira safra em que Marialva vai vender uva som Selo de Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O município entrou no Mapa das Indicações Geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para isto, 15 produtores passaram dois anos realizando cursos, treinamentos e aplicação de tecnologias e métodos para melhorar a qualidade da uva fina de mesa de Marialva.

A doçura dos frutos chegou mais cedo e pode aumentar, ainda mais, na medida em que a safra vai avançando”.

Antonio Peres, produtor de uva

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Uva está mais doce e paga melhor o produtor

José Carlos Rolla foi um dos primeiros a colher na nova safra e se surpreendeu com o teor de açúcar de suas uvas   Foto: João Cláudio Fragoso

José Carlos Rolla foi um dos primeiros a colher na nova safra e se surpreendeu com o teor de açúcar de suas uvas         Foto: João Cláudio Fragoso

Desde a semana passada, a uva fina de mesa de Marialva já pode ser encontrada nos supermercados e feiras da região e, para a alegria do produtor, apresenta o mais alto teor de açúcar dos últimos cinco anos. O preço pago ao produtor é outro ponto favorável: média de R$ 6 o quilo, a melhor renda das últimas safras.

A produção de uva vinha acumulando safras ruins há uns quatro ou cinco anos, algumas por excesso de chuva na fase de preenchimento dos frutos, outras por falta de chuva e houve caso em que praticamente todas as parreiras do município foram danificadas por geadas ou chuvas de granizo”, diz o secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Valdinei Cazelato, também produtor, que cita que outro problema enfrentado nas últimas safras foi a concorrência de uva de outras regiões brasileiras, sobretudo do Nordeste.

Neste ano o inverno foi bastante rigoroso, fazendo com que as parreiras produzissem menos. A previsão dos técnicos e dos produtores é de que a produtividade ficará entre 15 toneladas e 18 toneladas por hectare, ao passo que uma safra considerada normal alcança 20 toneladas por hectare. Em contrapartida, a combinação de frio, seguido de chuva e depois um período longo de sol forte ajudou a melhorar o teor de açúcar.

A julgar pelas primeiras uvas colhidas, vamos ter a safra mais doce dos últimos anos”, diz o produtor José Carlos Rolla com sua experiência de 24 anos, com 48 safras colhidas. Ele foi um dos primeiros a colher, ainda na semana passada, e só ouviu elogios à qualidade da fruta.

Apenas alguns produtores começaram a colher e eu mesmo fiz apenas uma experiência”, diz Rolla, explicando que o grosso da colheita começa na primeira semana de dezembro e prossegue até janeiro. “Tudo leva a crer que esta safra de verão – há uma colheita também em junho/julho – será muito boa para o produtor de Marialva, primeiro porque está vindo uma uva de primeira, segundo porque há pouca uva na região e isto vai ajudar a conseguirmos um preço bem superior ao das últimas safras”.

No início de dezembro acontece uma reunião dos técnicos da Emater, Secretaria Estadual da Agricultura e prefeitura para avaliar a safra, quando será possível estimar quantas toneladas de uva Marialva vai colher neste ano.

Diversificação

A Emater e a prefeitura continuam com um projeto de diversificação da produção agrícola em Marialva, uma estratégia para que os produtores não fiquem na dependência apenas da uva e dos humores do clima. Desde o ano passado, cerca de 30 pequenos proprietários rurais incluíram a produção de morango semi-hidropônico em suas propriedades, outros, além da uva, estão produzindo hortaliças e alguns se dedicam também à produção de flores.

Em dezembro, um grupo de 20 produtores inicia o plantio também de goiaba. “Acho que vai ser uma experiência interessante, porque a goiaba produz bem no nosso tipo de solo, depende pouco das mudanças do clima e quase não precisa de defensivos”, diz Nelson Tamura, um produtor tradicional de uva que aderiu ao morango, cultiva também hortaliças e agora vai experimentar a goiaba.

550

é a quantidade de hectares ocupados por parreiras no município de Marialva

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