Tenho urgência

flores

O passar do tempo traz rugas, mas também traz urgências.

E eu tenho muitas urgências.

Tenho urgência para transformar meus sonhos em realidade

Tenho urgência para conhecer lugares que ainda estão apenas na minha imaginação

Tenho urgência para externar o que enche meu coração

Tenho urgência de amar e ser amada

Tenho urgência de beijar e ser beijada

Tenho urgência de fazer valer minhas vontades

Tenho urgência de não perder tempo.

Tenho urgência…

Urgência de ser feliz.

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A história do Chico Almeirão

Cabelos verdes de tanto almeirão...

Era uma vez um homem chamado Chico Almeirão. Ele tinha esse nome, pasmem vocês, porque gostava muito de almeirão. Desde bebê. Sua primeira mamadeira foi suco de almeirão; sua primeira papinha foi sopa de almeirão; seu primeiro lanche da escola foi um sanduíche de almeirão.

Chico Almeirão tinha quase 50 anos e morava sozinho em uma pacata cidade, que ficava perto de onde Judas perdeu as botas.  Ele era conhecido nas redondezas por sua habilidade em jogar dominó. Ninguém conseguia ganhar do Chico Almeirão.

Por causa disso, dessa sua destreza com as peças de dominó, Chico Almeirão resolveu que era hora de se candidatar a vereador. Sim, ele já se sentia preparado para assumir esse cargo, mesmo não sabendo exatamente o que precisaria fazer caso fosse eleito.

Então Chico Almeirão se filiou a um partido político. Ele escolheu a legenda mais bonitinha e rapidamente  fez tudo que precisava para ser candidato, principalmente lavar as mãos, pois tinha ouvido falar que candidato precisava ter as mãos limpas.

Ele vendeu sua bicicleta e uns passarinhos que tinha e mandou fazer uns panfletos. Criou uma frase muito original, fruto de sua fértil mente criativa: “Vote no Almeirão e não fique na mão”. Como seus pais já tinham partido desta para melhor e era filho único,  não podia contar com a ajuda de parentes. O jeito era caprichar na propaganda.

Com as eleições se aproximando, Chico Almeirão resolveu incrementar sua campanha.  Ele viu na TV um comercial que dizia “Envie a palavra OTÁRIO para OOOOO e receba dicas de promessas para enganar seu eleitor”. Não pensou duas vezes. Até por que já era difícil pensar uma só.

Ele saiu pela região prometendo vagas de estacionamento portáteis, perucas para carecas, kit chapinha para mulheres de cabelos rebeldes e Big Mac na merenda de todas as escolas públicas.

E não é que o Chico Almeirão se elegeu? Com grande votação, diga-se de passagem. Dizem, eu não sei, que  ele já está pensando em se candidatar a deputado.

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Preparados para a morte?

A cena não é inédita: ao redor do caixão, familiares choram a perda de um ente querido. Em meio aos abraços apertados dos que tentam consolar os familiares,  em meio ao clima de comoção, frases como “Seja forte”, “Vai passar”, “Agora ele(a) está descansando…”.

Estive hoje no velório da mãe de uma amiga querida e pensei em como desejamos estar preparados para a morte. Mas não estamos. Nunca estaremos.

Mesmo quando o calvário de uma doença dura anos, mesmo quando alguém já está com idade avançada, mesmo quando um avó ou avô sofreram em uma cama de hospital, é muito difícil exigir “sejamos fortes” no momento da morte de quem amamos.

Não precisamos ser fortes nessa hora de dor dilacerante. Isso não quer dizer que precisemos sair gritando pela rua, desesperados, culpando Deus.

Mas acho que todo mundo tem o direito ao sofrimento. Viver o luto e tudo que ele traz é até  importante para o processo de superação. Uma superação que pode durar dias, semanas, meses, anos. Cada um  administra a saudade de uma maneira muito singular.

Conviver com a ausência parece meio paradoxal, mas é isso que acontece quando quem amamos morre. É preciso se acostumar com as consequências dessa ausência. E isso dói… não dá para ser diferente.

Talvez fosse o caso de não pensarmos tanto em estar preparados para a morte das pessoas que amamos. Talvez fosse o caso de pensarmos mais em nos preparar para curtir a vida ao lado delas. Pelo menos assim, quando a morte chegar, teremos certeza de que valeu a pena.

 

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Estado civil: feliz

Exibida pela Rede Globo de maio de 1979 a dezembro de 1980,  a série Malu Mulher tornou-se um marco na televisão brasileira por abordar um tema delicado para a sociedade da época: a separação conjugal.

Interpretada pela brilhante Regina Duarte, a personagem Malu era uma mulher recém-separada que lutava para continuar sua trajetória. Com uma filha de 12 anos para criar, enfrentava uma série de dificuldades, não só financeiras, mas também emocionais, visto que se sentia culpada por deixar a garota sozinha quando saía para trabalhar.

Entretanto, mesmo com todas as pedras no caminho, a protagonista manteve a sua decisão de terminar o casamento de 13 anos, principalmente depois de descobrir a infidelidade do marido. O primeiro episódio, que relata toda essa situação, recebeu o título de Acabou-se o que era doce.

A frase é bem apropriada.Para quem quem tinha depositado todas as suas expectativas em um casamento “até que a morte os separe”, o divórcio veio mostrar que tudo não passara de uma doce ilusão.

Trinta anos atrás, a maioria das mulheres divorciadas era vista por onde passava como uma fracassada,como alguém que não havia desempenhado o seu papel de maneira a “segurar” o marido. Além dos olhares e julgamentos alheios, muitas delas tinham o seu emocional seriamente afetado quando constatavam que o “felizes para sempre” era uma promessa dos contos de fada que nem sempre correspondia à vida real.

E assumir em público o estado civil “divorciada” era quase um constrangimento. Da mesma maneira, nas décadas de 40 e 50, por exemplo,  a jovem que chegasse aos 20 anos ainda solteira recebia o carimbo de “encalhada”. Hoje, com tantas transformações pelas quais passou a nossa sociedade, mudou bastante a forma como as pessoas veem o estado civil de uma mulher.

Apesar de as relações efêmeras e meramente carnais serem frequentes, é pouco provável que um casal resolva juntar escovas de dente e afins já pensando na separação. Mas acontece. E como acontece. Nesses casos, mesmo com todo o sofrimento que o divórcio causa, a adultos e a crianças, a figura feminina já não precisa se preocupar com os olhares tortos na rua apenas porque se separou do marido.

Mulheres de 30 anos e solteiras não são cobradas por ainda não terem subido ao altar. Quer dizer, sempre haverá um espírito de porco que fará isso, mas será minoria. A dedicação à carreira profissional antes de se pensar em casamento e filhos é bastante natural.

O mais importante é que à mulher caiba o direito de escrever a sua história. Ela poderá ostentar o título de “Miss Independente”, com qualquer idade, sempre que escolher estar – ou não – com alguém. O mais importante é que a “solteirice” , o casamento ou a separação sejam escolhas maduras, feitas com sobriedade, e não no calor da hora. A viúva é a única a quem esse direito é ceifado. Do restante, nada melhor que inteligência e emoção na dose certa para que a melhor atitude seja tomada.

Preocupar-se demais com os rótulos sociais pode tirar da mulher o melhor estado civil que se pode ter: feliz.

 

 

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Há vida debaixo do cobertor

“Maldito frio!”

Esse foi o primeiro pensamento que lhe invadiu a mente assim que acordou.

A vontade que tinha era de jogar o despertador na parede, virar de lado e esquecer que era segunda-feira.

Mas não podia. Dormira tão pouco… mas já era hora de levantar.

Sobre ela, dois macios edredons, mais uma coberta. Protegendo seu corpo, um pijama de flanela.

“Maldito frio!”

Com a cara amarrada, saiu da cama; de braços cruzados, caminhou até o banheiro, com a coluna curvada, como se essa posição lhe conferisse algum calor.

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Orgulho de ser elite

elite

Escrever o que penso tem seu preço, mas, como posso pagar em 3x no cartão, tornarei público um sentimento que me invade a alma neste momento: tenho orgulho de ser elite.

Mas não a elite do dicionário, o qual traz, dentre outros significados, o termo “escória”. Não a elite que simboliza pessoas que se julgam superiores às outras por causa da conta bancária.

A elite que batalha do nascer ao pôr-do-sol para conquistar seu espaço. E não estou falando necessariamente de uma varanda gourmet.

Aliás, faz pouco tempo que descobri pertencer à elite. Me disseram “não concorda conosco? então você é da elite!”. Foi um salto e tanto. Uma baita ascensão.

Quando fiquei sabendo, em um ímpeto quase coloquei um anúncio no jornal contratando um motorista e uma governanta. Sei lá… sempre achei que a elite deveria ter um motorista e uma governanta.

Mas… querem saber? É bom ser da elite.

Porque sou de uma elite que trabalha, que paga rigorosamente seus impostos. Sou de uma elite que para na faixa de pedestre e que não joga lixo no chão.

Sou de uma elite que acorda às 5h30 e dorme ao badalar das 23h30. Uma elite que dá aula, escreve, corrige texto, lava, cozinha, faz bolo de chocolate, faxina e compras no supermercado.

Sou da elite sim. Por isso tenho casa própria, um carro e celular. Mas, pasmem vocês, nunca ganhei na loteria. Nem roubei. Nem me vendi.

Sou da elite que sua a camiseta. Ou o jaleco, no meu caso. Sou da elite cujos pais não puderam oferecer nada além da escola pública.

Talvez por ser da elite, eu pergunte a quem me passa um número de telefone “é da TIM?”. Ou então peça para a vendedora da loja parcelar a minha compra. Elite que se preza não paga à vista.

Eu sou elite. Elite branca. Mas se eu trabalhar menos posso ter mais tempo para pegar um solzinho e me transformar em elite bronzeada.

No fundo acho que quem critica a elite queria mesmo é ser como ela.

Como não consegue, melhor mandar pra fogueira.

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Nhenhenhém

fiona

Quem acompanha meu trabalho  – aqui pelo blog, pelo Facebook, pela coluna “Francamente” ou pelos meus livros – sabe que sou avessa às generalizações típicas das datas comemorativas.  E não seria diferente com as homenagens ao “dia da mulher”. 

Aos 42 anos, não tenho muita paciência para isso. Aliás, quem sabe por ser mãe só de meninos, o universo rosa não tem apelo comigo. Faço Muay Thai com luva azul e prefiro a Fiona à Cinderela, a qual acho uma sonsa (como assim deixar um sapato pra trás???).

Perdoe-me, meia dúzia de fãs, mas esta sou eu.

E não creio que 8 de março seja um dia para encher de mimos  todas as mulheres, sem exceção. É fato que muitas, anônimas ou famosas, merecem aplausos. E merecem pelo que fazem e pelo que são. Por cuidarem da sua própria vida e por zelarem pela vida das pessoas que amam. Mas não apenas por pertencerem à espécie feminina. Não concordo com a teoria “sou mulher, logo mereço ser parabenizada”.

Há exemplares que não fazem jus a todo esse “nhenhenhém” que envolve a data. Não merecem a flor oferecida pelo supermercado, nem as faixas rosas das lojas, tampouco as frases bonitas que circulam pelas redes sociais.

Há mulheres – e vocês sabem que isso é verdade – que não merecem respeito simplesmente porque não respeitam a si mesmas e porque não entenderam o valor da sua história. Abandonam a família, comportam-se como meros pedaços de carne, enganam, puxam o tapete da colega de trabalho, ignoram a dor do outro, roubam, matam.

Para elas, vaias, por favor, e não bombons, buquês e poemas do mestre Drummond.

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“Por você, faria isso mil vezes”

pipa

Li “O caçador de pipas”, de Khaled Hosseini, em 2007. Na época, fiz a leitura por indicação de um aluno de 15 anos e acabei adotando a obra para uma atividade do bimestre. Em tantos anos de tablado, nunca havia conseguido tanto êxito com a literatura. Cento e cinquenta adolescentes, de três turmas, foram convocados a ler. E todos leram. E todos gostaram. No final daquele ano, foi lançado o filme baseado no livro, mas o cinema não conseguiu reproduzir toda a beleza do texto de Hosseini.

E, dentre tantas reflexões e mensagens bonitas da história cujos protagonistas são Amir e Hassan, a que até hoje mexe comigo vem da frase “por você, faria isso mil vezes”.

Quem leu certamente também sente algo parecido. E, para quem não leu, fica a sugestão para conhecer.

Boa parte da trama é ambientada no Afeganistão. Tem a amizade como tema central e os terríveis conflitos do lugar como pano de fundo. No início, os personagens principais são dois garotinhos inseparáveis. Amir é filho do patrão e Hassan, do empregado. Mas muita coisa muda com o passar dos anos. Menos a lealdade de Hassan.

Lembrei-me do filme porque recentemente fiz algo por uma amiga e ele me agradeceu. Respondi “por você, faria isso mil vezes”.

E mesmo sabendo que a frase não era de minha autoria, conferi a ela muito verdade. Porque cada palavra representava exatamente o que penso da nossa relação.

É fato que, quando nos entregamos a uma amizade, vez ou outra a decepção pode bater à porta. Quem sabe façamos muito por alguém e não tenham uma atitude recíproca. Ou quem sabe alguém pode esperar algo de nós e nem sempre correspondemos.

Mas, fora essas exceções, penso que o que torna bonita e especial uma história é essa capacidade de fazer sacrifícios por aquele amigo que está precisando.

Já faz 9 anos que li “O caçador de pipas”.

Mas essa mensagem irá ficar para sempre em mim. Na minha memória e no meu coração.

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Um (des)conto de Natal

natalino

Um (des)conto de Natal

Já passava das 19h quando João Ninguém atendeu o último cliente. Estava cansado, muito cansado, mas sabia que o dia ainda estava longe de terminar. Depois de um ano de bastante trabalho, ele, o João Ninguém, finalmente tinha conseguido juntar um dinheirinho para comprar um presente de Natal para seu filho. E O calendário em cima da pequenina mesa de madeira lembrava aquele homem de mãos calejadas que, apesar do cansaço, teria que enfrentar o movimento do centro da cidade. Já era 23 de dezembro e, se bobeasse, talvez seu pequeno ficasse sem a bicicleta.

Sim, porque esse era o presente tão sonhado por aquela criança de 10 anos: sua primeira bicicleta. João Ninguém ficou feliz quando o menino, meio envergonhado até, fez-lhe esse pedido. Imaginava que, assim como outros coleguinhas da sua idade, fosse pedir um aparelho eletrônico qualquer, desses que quase conversam com a meninada. Mas não. O seu herdeiro queria uma bicicleta, assim como ele, o João Ninguém, também desejara na sua tenra infância.

Mas a diferença é que, ao contrário daquele homem que ganhava a vida fazendo mesas e cadeiras, o filho ganharia o presente. Tinha conseguido poupar o suficiente para comprar uma boa, dessas que aparecem nos folhetos das lojas.
Nem foi para casa tomar banho. Temia que o menino, vendo o pai sair, quisesse ir junto. E sonhava com a carinha de surpresa dele ao receber o presente na noite de Natal. Aquela mesma carinha de olhos miúdos que lhe disse, em um abraço apertado, “vou entender se você não puder comprar, tá, pai?”.

Sentia tanto orgulho disso. De o filho amá-lo independentemente do que pudesse oferecer. Sua esposa e ele batalhavam muito para cuidar dos três filhos com dignidade, mas o fato é que a família passava muitas vontades. Não necessidades, mas vontades mesmo, como de comprar aquele chocolate no dia da compra do supermercado ou de viajar para praia e, finalmente, conhecer o mar.

Por isso aquele era um momento especial. João Ninguém, com o dinheiro no bolso, tinha como missão comprar a bicicleta para seu filho mais velho. Os outros dois teriam que se contentar com um carrinho de madeira e uma boneca de plástico, brinquedos bem simples. Um dia chegaria a vez deles.
Nas ruas, as luzes e as músicas natalinas tentavam garantir o clima da época, mas a agitação das calçadas e do comércio e as pessoas segurando sacolas reforçavam o espírito que predominava no coração da maioria: o do consumismo desenfreado.

Mas João Ninguém não queria sacolas. Nem muitas compras. Ele só queria a bicicleta do seu primogênito. Já imaginava aquela caixa grande embalada em papel colorido, que com muito custo carregaria dentro do ônibus, na volta para casa. “Eles desmontam pra você”, tinha garantido um colega de trabalho.

Finalmente chegou à loja onde já havia feito uma pesquisa de preço. Procurou o vendedor com quem havia falado, mas ele não estava. Com voz mansa e jeito modesto, conversou com um outro rapaz, um alto e com cara de poucos amigos, que não parecia muito disposto a atendê-lo. Seus olhos procuraram com ansiedade pela bicicleta azul, uma que tinha visto na propaganda da tevê, cobiçada pelo pai e aguardada pela criança.

Qual não foi sua surpresa quando, ao chegar perto dela, viu uma placa com um valor superior ao anunciado. “Mas eu vi na tevê na semana passada… faz tão pouco tempo, moço… não dá pra fazer um desconto?”.
O vendedor dizia “sentir muito”, mas João Ninguém sabia que aquele homem de cara feia não sentia nada. Quem sentia naquele momento era ele. Colocou a mão no bolso, contou as cédulas. O dinheiro não era suficiente. Pensou no filho.

Recordou-se da carinha dele. “Eu vou entender se não der pra comprar, pai”.

Foi então que aconteceu: um anjo sem asas olhou para João Ninguém e se sensibilizou em ver lágrimas rolando em um rosto barbado. Alguém olhou de verdade para João Ninguém. E se apiedou. E conversou. E entendeu o que estava acontecendo. E disse “Não precisa de desconto. Eu pago a diferença”.

Um sorriso. Um abraço. Um agradecimento. A volta para casa com o coração em festa. Uma criança sorrindo. Um homem feliz.

Um milagre de Natal.

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Nós e o dinheiro

escrava

Eu tenho muita dificuldade de lidar com generalizações. Aliás, a única generalização que aceito sem questionar é “toda proparoxítona é acentuada”. Fora esse exemplo, inquieto-me com frases que usam “sempre” e “nunca”, por exemplo. Ou “todo”, “tudo” e “ninguém”.

Além disso, também me incomodo com opiniões extremadas, com afirmações inflamadas de quem não reflete antes de externar o que pensa. E nesta época do ano, quando o espírito natalino se mistura -e se confunde – com o espírito consumista, vêm à tona as discussões em torno do consumo e, consequentemente, do dinheiro.

Uns defendem a tese de que ele não traz felicidade. Aí surge o coro dos engraçadinhos que retruca “mas manda buscar”. Outros sustentam o ponto de vista de que o dinheiro é o grande responsável pelas mazelas sociais e pelos problemas de relacionamento. “Viu o que aconteceu com aquela família na hora de dividir a herança?”.

Por outro lado, alguém responde que sem dinheiro a gente não é nada, que todo esse blá blá blá se esvai quando as contas chegam e o saldo ado banco está no vermelho. Penso que seja necessário usar o bom senso para avaliar essa questão, afinal, o dinheiro e a falta dele fazem parte do nosso dia a dia.

Dinheiro é bom sim. Ele é bem-vindo, principalmente quando resultado de uma atividade lícita. Não que ganhar na loteria não seja bom, mas é prazeroso poder desfrutar dos benefícios financeiros que o trabalho traz. E o nosso trabalho não é só um “ganha pão”. A gente quer outras coisas além de pão. E isso pode incluir uma viagem para um lugar bem bacana.

Todos temos o direito de querer ter mais dinheiro amanhã do que temos hoje. Não há nenhum pecado nisso. Eu sou ambiciosa, nesse sentido. Mas não sou gananciosa. E o perigo está em se confundir ambição com ganância.

O ambicioso deseja ter uma vida melhor. Planeja um dia ter uma casa maior, ter um carro mais moderno, renovar o guarda-roupa. Ele traça metas e estabelece estratégias para conseguir fazer o que deseja. Mas o ambicioso quer sempre mais. Não se satisfaz. E pior: quer só pra ele. Não compartilha. Se precisar, vende a mãe para ter algum lucro.

Há uma frase ótima do Millôr Fernandes que resume bem essa reflexão: “o importante é ter sem que o ter te tenha”.
Bingo, Millôr!

Não há problema se usarmos o dinheiro. O risco é deixar que ele nos use. Por isso, um tantinho de sensatez faz tão bem quanto alguns zeros à direita na nossa conta bancária.

O dinheiro não tem vida própria. Usá-lo – bem ou mal – é uma escolha nossa.

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