Mês: fevereiro 2010



Cuidado com as “coisas do mundo”…

Dias desses, durante um bate-papo entre colegas, alguém defendeu a tese de que o ser humano (principalmente o homem) age por instinto quando o assunto é sexo, assim como qualquer outro animal. Havia implícito (ou explícito mesmo…) um discurso machista de que, quando o homem trai,  ele está agindo “instintivamente”, ou seja, a pulada de cerca é um dom “natural”. Vejamos: os animais irracionais, os cachorros, por exemplo, quando resolvem se acasalar, o fazem na rua mesmo, se por lá estiverem, ainda que à luz do dia e com muitas testemunhas. Ficam por ali, “enroscados”, e não há a mínima preocupação com o que a vizinhança canina pode pensar deles. O homem (ou a mulher também, deixemos bem claro…) não faz assim. Só por que seria preso por atentado ao pudor? Acho que não só por esse motivo. A partir do momento em que as pessoas sentem vontade de ir pra cama (ou pro sofá, ou pra rede etc etc etc), elas, no mínimo, pensam em quando e onde esse encontro vai acontecer, mesmo que seja no banco traseiro do carro. Portanto, se fosse algo tão “instintivo” assim, um casal iria se “enroscar” na rua mesmo, sem esperar pelo momento ideal. Fico tão preocupada com a maneira banalizada, muitas vezes vulgar, com que o sexo é tratado hoje, principalmente pela mídia. Temo pelos meus filhos, crianças ainda, temo pelos meus alunos, a maioria adolescentes, o maior alvo de certas ações do “encardido”. As propagandas de camisinha, produzidas pelo Ministério da Saúde, personificam o preservativo como um herói, um amigo que só quer o seu bem. Com uma meia dúzia no bolso, pode-se transar à vontade, seja com homem, mulher, gato, cachorro, com a  mãe… Não interessa se você conheceu a pessoa há 10 minutos. Está com vontade? Está com camisinha? Então seja feliz!!! Essa mentalidade é muito perigosa. As coisas “do mundo” são muito convidativas. Afinal, se o “encardido” tivesse realmente chifres e um garfo, fosse vermelho e cuspisse fogo, sairíamos correndo, mortos de medo. Mas não. Ele é cheiroso, agradável, tem voz melodiosa, traveste-se de alegria e prazer. Não estou aqui fazendo apologia à virgindade, embora minhas crenças me permitam vê-la como algo perfeitamente possível. Também não estou dizendo: não use camisinha! Mas acho que não podemos encarar o sexo como algo que tenha apenas o objetivo de satisfazer um prazer. Também ajo de forma errada quando ataco um bolo de chocolate, mesmo estando sem fome, apenas por gula. A relação sexual entre um homem e uma mulher é um dom de Deus, não é invenção do ser humano. Mas o sexo entre um casal que se ama e se respeita não acontece só na cama, à noite: ele começa com um bom-dia cheio de carinho, continua nas pequenas, mas delicadas ações do dia, naquilo que se faz para agradar o ser amado. O encontro carnal é uma consequência, não pode ser a causa de um relacionamento. Sei que muitos podem torcer o nariz lendo isso (ou até tenham vontade de torcer o meu…). Mas é o que penso. E digo isso com testemunho de autoridade, podem acreditar.

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Até que a morte os separou…

Noite e coração quentes. A brisa ajudava a amenizar aquela terrível sensação de que o corpo estava preste a derreter, mas o coração continuava quente.


Durante todo o dia ocupou-se com os preparativos para a festa surpresa. Coisa simples, é verdade. Salgadinhos e doces feitos em casa mesmo, refrigerantes comprados no mercadinho da esquina, pães com carne moída para ajudar a saciar a fome dos poucos convidados. Desejava uma festa maior e melhor para comemorar os 18 anos do filho, mas, sem poder contar com a ajuda do pai, que apenas contribuira com o material genético, aquela modesta comemoração era tudo que ela podia oferecer.


Mas o filho compreenderia. Havia chamado alguns parentes e os amigos da escola, aqueles com quem gostava de sair aos finais de semana. Jovens animados, gente do bem, assim como seu rebento.


Ele logo chegaria. Tinha o hábito de ir direto para casa depois do trabalho. Com aquele tempo quente, então, com certeza desejaria tomar um bom banho e se refrescar antes de sair para a casa da namorada.


Sim, ele tinha uma bela namorada. E apaixonada. Contrariando as piadas, sogra e futura nora se entendiam muito bem. Tinham planejado juntas a festa surpresa.


Já passava das sete. A mãe começava a estranhar a demora. O trabalho não ficava tão longe e, normalmente, ele chegava em casa antes desse horário. Não quis ligar, podia desconfiar, ouvir algum barulho. Preferiu esperar.


Todos já estavam lá. O cheiro da comida quase fazia os convidados esquecerem que precisavam aguardar o aniversariante. Uma música animada e um burburinho tomavam conta da singela casa de quatro cômodos.


De repente, o som do telefone. A mãe, como que adivinhando, sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Do outro lado, uma voz grave e forte perguntou pela dona da casa. “Sou eu”, respondeu, com voz trêmula. Então veio a notícia: o seu menino, o seu presente divino não chegaria para aquela festa e nem para mais nenhuma. Um acidente na volta para casa tinha acabado com os sonhos de uma mãe e de um jovem de 18 anos.


Desespero, choro, lamentações. Uma festa transformada em pesadelo. Jovens abraçados pelos cantos, expressões de dor, sofrimento.


No dia seguinte, no jornal, ele era mais um número na triste estatística de acidentes no trânsito urbano. Ela, mais uma mãe tendo que aprender a viver sem seu maior tesouro.


Obs.: Esta é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com fatos da vida real não terá sido mera coincidência.

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Calor + cansaço + sono = texto ruim

Olá! Olhem só: já estou com 5 seguidores!!!  Não sei bem ao certo o que isso significa, mas parece ser um avanço…
Bem, hoje estou especialmente cansada. Trabalhei o dia todo e o trabalho não só dignifica o homem (e a mulher!), mas também danifica às vezes.
Por isso, não quero me atrever a escrever muita coisa. Sinto que não sairá nada que vocês mereçam ler.
Amanhã prometo caprichar, ok?
Amo vocês!!!

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Louca por ti, escrita

Prometi hoje aos meus alunos da 6ª A que faria um texto em homenagem a eles. Na verdade, “homenagem” é um termo muito exagerado, vamos combinar… mas é que estamos estudando o gênero “diário” e, como o blog é um diário virtual, falei que escreveria sobre nossa aula. Fizemos um texto coletivo, simulando um diário da personagem Tati, uma adolescente muito “doidinha”, interpretada pela atriz Heloísa Perrissê. Não é tarefa fácil estimular a garotada a escrever. Com tanto apelo visual a que essa geração é exposta, às vezes a atividade escrita fica em segundo plano. Sou apaixonada por isso e tento ao máximo contagiá-los com essa “febre pelas palavras”. Como perseverança é uma das minhas marcas, continuo tentando fazê-los perceber o quanto pode ser fascinante tirar coisas do coração e da cabeça e transferir para o papel. É claro que papel aceita tudo, então precisamos estar atentos às regras do nossa língua, mas isso pode ser muito mais fácil do que se imagina. Eu, pelo menos, me sinto mais realizada depois que escrevo. E você, tem uma boa relação com a escrita???
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“Ninguém merece…”

Ninguém merece um bordão desgastado como esse, é verdade… Mas, vamos combinar, há momentos em que ele traduz de forma tão intensa certas situações da vida…Por exemplo: ninguém merece ver um homem (geralmente são eles…) escarrando em plena via pública; ninguém merece conviver com pessoas mal-educadas, principalmente aquelas que insistem em não responder aos cumprimentos da gente; ninguém merece ficar um tempão na fila de um caixa “batizado” de “rápido”; ninguém merece criança fazendo birra em supermercado, principalmente quando ela faz parte da sua árvore genealógica; ninguém merece encontrar ervilhas naquela torta que “parecia” estar ótima (eca!!!); ninguém merece café frio e suco quente; ninguém merece ouvir quase o tempo todo as pessoas dizendo “vamos estar fazendo”, “vamos estar entrando”, “vamos estar enviando”…; ninguém merece ser obrigado a ouvir uma música só por que o vizinho acha que o bairro todo gosta; ninguém merece vendedor(a) de loja com cara de poucos amigos; ninguém merece a promoção ter acabado justo no dia em que você foi comprar aquela calça; ninguém merece ouvir o repórter perguntar a um pai que perdeu seu filho, ou a alguém que perdeu a sua casa na enchente, como ele “está se sentindo”; ninguém merece que exista um programa como o Big Brother nesta vida, principalmente com um apresentador com dentes podres; ninguém merece pessoa que toma café e deixa o copinho em cima da mesa; ninguém merece cortar o cabelo e ouvir todo mundo perguntando “cortou o cabelo”???; enfim, poderia ficar o dia todo assim, listando coisas que “ninguém merece”. E você? O que você “não merece”?

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