Mês: agosto 2010



Órfãos de pais vivos

Pais não criam; educam!!!

A morte de uma mãe ou de um pai, ou até pior, dos dois, desestrutura a vida de uma criança, mesmo que haja pessoas que a amem e que cuidem dela por perto.

Mas também tenho compaixão dos “órfãos de pais vivos”. São crianças, adolescentes e jovens que, infelizmente, têm pais de corpo presente e coração ausente.

Vou relatar aqui uma cena que me chamou a atenção ontem, quando dourava meu corpinho branco e flácido no clube que frequento aos finais de semana. Uma menininha, de uns 4 anos no máximo, pegou uma boneca (Barbie, só para saber) e um boia (agora sem acento, viu?) que não eram suas para brincar na piscina. A “dona” dos pertences (uma outra garotinha de uns 6 anos) e sua mãe tinham se afastado um pouco daquele lugar.

Percebi que a criança havia se “apropriado” de algo que não era seu, mas até aí fiquei na minha. Alguém do sexo feminino, com 4 anos, não vai resistir a uma Barbie dando mole.

O pior foi perceber que, na piscina, havia uma adolescente, de pelo menos 13 anos, e que, mesmo constatando que a irmã havia feito aquilo, não tomou nenhuma atitude. Aliás, minto. Tomou sim: levou a boneca até o armário do vestiário e guardou lá o “produto do roubo”.

Toda essa movimentação foi acompanhada por mim, que já estava incomodada com aquilo. Quando a verdadeira “proprietária” da Barbie e sua mãe voltaram, narrei o que acontecera. A menina abriu a boca a chorar (com razão, coitadinha!!!). A mãe então foi pedir para a garotinha, que estava na piscina com a boia alheia, que devolvesse os objetos. Qual foi sua surpresa com a resposta: “Não! Ela já “tá” guardada”!

Só para resumir: a mulher precisou ir atrás da irmã mais velha que, vergonhosamente, veio abrir o armário e devolver a boneca. A pequena, inclusive, soltou a seguinte frase: “Mas foi você que disse para guardar!”.

O que essa história toda tem a ver com a minha tese? Bem, em nenhum momento apareceu um adulto sequer que se mostrasse responsável – ou irresponsável – pelas duas meninas aprendizes de ladra.

Aliás, o que mais vi naquele lugar foram crianças sem adultos que lhes vigiassem. Sim, pois crianças precisam ser cuidadas. Meninos subindo pelo tobogã por onde deviam descer, por exemplo. Não seria o caso de um pai, mãe ou sei lá mais quem perceber que aquilo, além de não ser correto, é perigoso?

Por isso tenho compaixão dos órfãos de pais vivos. Filhos que são criados, mas não educados. Recebem comida, bebida, remédios, roupas, brinquedos etc. Mas padecem daquilo que é tão importante na formação de uma criança: a presença de adultos que amem, cuidem e deem exemplos bons.

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Eles não saem da minha cabeça

Que coceira!!!

Calma! Não vá associar o título à imagem acima e concluir que sou uma piolhenta! Na verdade, já fui. Talvez uma das pessoas que mais carregou este bicho asqueroso na cabeça. Mas isso faz parte do passado. E não sai da minha memória.

Entretanto, como já escrevi em outra postagem, lembrar a minha história é algo que faço com prazer, embora, é claro, o episódio dos piolhos não esteja entre os que marcaram positivamente minha trajetória nesta vida terrena.

É importante que você saiba: minha mãe é e sempre foi uma mulher muito zelosa pelas filhas. Mas, talvez devido à minha cabeleira intensa, por mais que ela cuidasse esta praga tomou conta de mim, ou melhor, da minha cabeça. Minhas irmãs também passaram por isso, mas o que importa agora é relatar o meu drama pessoal.

Logo que entrei na escola eles fincaram uma bandeira no meu couro cabeludo, possivelmente com os dizeres: “Aqui é a nossa casa!”. Longe de mim julgar que os meus amiguinhos de colégio foram os responsáveis por isso, mas a verdade é eles “surgiram” depois que comecei meu processo de alfabetização.

Sobre esse assunto eu poderia fazer inúmeras postagens, mas não é um tema muito agradável; é nojento mesmo. Então, tentarei ser breve.

1980. Eu, uma doce criança, perto dos 7 anos. Cabelos compridos, bem cuidados, lindos. E de repente: uma das piores cenas da vida de minha mãe: a descoberta da primeira lêndea! E se onde há fumaça, há fogo, onde há lêndea, há piolho! Aliás, piolho não, piolhos! Dezenas deles.

Começou então uma batalha quase pessoal entre minha mãe e eles. Imagine todo tipo de tratamento possível. Mas não remédios da farmácia. Ou manipulados. Veneno mesmo. Fumo e coisas do gênero. No 2º ano do primário, meus cabelos já estavam cortados na altura do pescoço.

A pior recordação deste período piolhento da minha vida é o “dia do veneno”. Quem nunca passou por isso não vai entender. Estávamos nós, devidamente enfileirados, estudando (naquele tempo era muito comum os alunos estudarem…), quando chegava alguém da escola dizendo: “Hoje teremos revista de piolho”. Não. Não era um revista com um piolho na capa. Era o dia em que alguém, sem o mínimo respeito por nós, indefesas crianças, mexia em nossos cabelos, fuçando por entre os fios à procura daqueles seres (minha cabeça está até coçando agora, só de lembrar…).

E é claro que eu sempre fiz parte da “fila do veneno”. Uma humilhação sem tamanho. Uma senhora, com cara de poucos amigos, ficava ali, cumprindo o seu papel de “algoz”. Cada um de nós, pobres piolhentos, tinha sua cabeça revestida por um líquido nojento, fedido, mas que na visão daquelas autoridades iria resolver o nosso problema.

Com aquela coisa nos cabelos não havia condições de continuarmos estudando. Éramos “dispensados” antes do término das aulas. E lá ia eu, com a minha maletinha marrom nas mãos, cabelos molhados, cheirando a veneno, pelas ruas do meu bairro, morrendo de vergonha.

Pode? Meu Deus! E não havia um só pai ou mãe que tomasse alguma satisfação. Para a família, era um direito da escola fazer aquilo.

Bem, isso durou até 1985. Não me pergunte como consegui me ver livre deles; não sei responder. Talvez tenham cansado de morar no meu couro cabeludo.

Ainda bem que, apesar de todo o sangue que tiraram de mim, consegui sobreviver. Sobreviver para contar essa história repugnante.

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Motorista: um ser “assexuado”

Resposta: NÃO!!!!!!!!!!!!

Preciso lavar a honra de uma amiga muito especial, embora não seja com sangue. Manterei sua identidade em segredo, mas ela lerá este texto e se sentirá vingada.

Essa colega me confidenciou que hoje, quando estava parada em uma semáforo, um homem, por sinal horroroso em sua descrição, fez a seguinte piada sem graça: “Moça, estou precisando de uma barbeira; poderia me ajudar?”.

Mas que cretino!!! Quer dizer que, além de feio, o canalha é mal-educado?!

Para mim, motorista é um ser “assexuado”. Não tem essa de mulher ao volante (não me venha com aquela outra piadinha idiota de “perigo constante”…) causar mais infrações e acidentes. Também não concordo com a tese de que mulheres são mais cuidadosas no trânsito.

Maringá, por exemplo, reuniu em suas ruas e avenidas uma imensidão de motoristas “ruins de serviço” e o sexo deles não interfere nesse “fenômeno”. Eu, por exemplo, não gostaria de partir desta para melhor sem antes entender por que portadores de carteira de habilitação não acionam a seta. Será que essa abençoada se tornou um item opcional nos carros?

Por uma grande coincidência, hoje também fui alvo de um homem ao volante. Mas no meu caso não foi um agressão verbal. Ele conseguiu dar marcha a ré até encostar no meu carro, apesar de minhas insistentes buzinadas. Depois do “bum!”, cheguei a descer para ver se tinha amassado muito, mas o digníssimo acelerou antes mesmo que eu pudesse falar alguma coisa (acho que ficou com medo de mim…) Cheguei a anotar a placa, mas como o estrago foi pequeno e se tratava de um Passat mais velho que eu, resolvi deixar para lá.

Educada e elegante que sou, não iria gritar pro homem voltar. Portanto, a conclusão que chego é a seguinte: ser bom motorista ou ser uma pessoa educada não é uma questão de ser homem ou mulher; é uma questão de berço. Mas não berço feito de madeira de quinta categoria, que quebra logo. Berço bom mesmo, que dura para vida toda.

Está mais aliviada, amiga?! Espero ter contribuído para sua noite de sono; ninguém merece sonhar (ou ter pesadelos…) com um homem feio e que conta piada sem graça no trânsito.

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Lembranças de um tempo bom…

Sonhos de creme: lembranças doces (literalmente!) da minha infância

Há uma comunidade no Orkut cujo título é “Quem gosta de passado é museu”. Minha mãe também usa essa frase quando meu pai começa a contar suas histórias da “carochinha”. Nesse aspecto – e em alguns outros – creio ter “puxado” pra ele.

Sou absurdamente nostálgica. Além de ser saudosista, tenho uma memória prodigiosa para datas. Lembro-me de situações com riqueza de detalhes. Nomes e lugares. Cheiros, gostos, sons, imagens. Todas as lembranças despertam em mim uma infinidade de sensações e sentimentos.

Já chorei muito ao volante ouvindo músicas antigas. Choro mesmo, de verter lágrimas. Quando acontece isso e paro em algum semáforo, o motorista ao lado deve achar sou louca; se tivesse oportunidade de me conhecer, teria certeza.

O fato é que, de vez em quando, postarei por aqui lembranças da minha história, principalmente as vividas na infância e adolescência, que foram períodos inesquecíveis!!! Alguém pode perguntar: “o que faz esta mulher acreditar que teremos interesse em saber dessas coisas?”. Bem, talvez o relato em particular não tenha a ver com alguém, mas o que ele simboliza pode também despertar a mesma saudade que sinto.

Hoje quero me recordar dos meus primeiros anos de escola. Estudei de 1980 a 1985 no Colégio Estadual Duque de Caxias, aqui em Maringá. Naquela época, o uniforme das meninas era uma saia azul-marinho de pregas (estilo a novelinha mexicana “Rebelde”), uma camisa branca com botões e um bolso em que havia o emblema do colégio, meias brancas até o joelho e sapato preto (bem feminino, viu?). Uma graça!!!

E a primeira bolsa? Uma maletinha marrom, comprada com sacrifício pelos meus pais. Os materiais eram doados pelo governo. Na hora do recreio, comia sempre a merenda; uma delícia (detalhe: fiz isso até os 17 anos!). Cada aluno levava seu prato e sua colher. Consigo me lembrar perfeitamente do gosto de cada refeição: polenta com carne moída, sopa de legumes, hum… Nunca apreciei os pratos doces, como arroz doce (só o da minha mãe é divino!!!) e canjica.

De vez em quando, não sei bem qual era o critério, mas minha mãe me dava um dinheirinho. Ah, que alegria! Sabem qual era o motivo da felicidade? Um sonho recheado de creme! Jesus! Tenho vontade de chorar só de imaginar minha carinha, com 7 ou 8 anos, olhando com um desejo absurdo para aquele sonho. Agora, 30 anos depois, posso comprar quantos eu quiser e não posso comer por causa da balança! Que nervo!!!

Não queria voltar ao passado, a não ser como “visita”, caso existisse a famosa máquina do tempo. No meu presente estão meu marido e meus filhos e não me imagino sem eles. Mas amo abrir meu baú de recordações e farei isso mais vezes. Ele não tem cheiro de mofo, como alguns podem pensar. Ele tem cheiro de lembranças; ele guarda retratos de um tempo bom. E nada nem ninguém jamais tirarão isso de mim.

Até a próxima sessão “túnel do tempo”!!!

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Quem vê capas não vê coração…

Vou ser muito sincera: na academia, no salão de beleza e nos consultórios em geral as revistas de celebridades são meu melhor passatempo. Na academia, nem percebo os 30 minutos de esteira; no salão, uma opção enquanto o secador faz aquele barulho insuportável; nos consultórios, me fazem reparar menos que atendimento com hora marcada é uma grande mentira.

Bem, mas fora essa “grande” serventia, de resto as revistas são uma piada. Vende horrores nas bancas, eu sei. Fora os assinantes. Fazer o quê? Aquele universo todo, cheio de gente bonita, magra e sem problemas mexe com o imaginário popular.

Não preciso nem ler os textos na íntegra (são tão parecidos, só mudam os personagens…); as figuras, as legendas e as letras maiores já me permitem uma análise filosófica sobre a futilidade do mundo artístico. E olhe que eu nem precisei ir a castelos ou ilhas para encontrar o meu “eu” e refletir sobre isso.

Vejamos alguns exemplos: uma famosa carrega o filho nos ombros. Tá. Então vem a frase patética: “Fulana. Super-Mãe”. O quê? Por estar carregando o filho nos ombros? Super-mãe é aquela que carrega seu filho no colo em um ônibus lotado, às 6 da tarde, voltando do trabalho, depois de ter passado na creche, já pensando no cardápio do jantar e lembrando da pilha de roupas esperando no tanque.

E o “casa/separa; casa/separa; casa/separa” (alguém aí, chegando aos 40 como eu, lembra-se do “Cala a boca, Batista”?) Fala sério!!!! Tudo bem que na vida real também há separações, mas o que irrita são as declarações do tipo “Encontrei o homem da minha vida”. Seis meses depois: “Fizemos uma análise e percebemos que cada um tinha que ocupar seu espaço. Mas continuamos nos amando e somos amigos.” Deixe-me ver se consigo manifestar o que entendi dessa frase: ???????????????????????????????????????????????????????????????????????

Ou então: “Fulana, solteira novamente, celebra nova fase.” A mulher está louca para arrumar um novo companheiro e sair na próxima capa e dizem que ela “celebra” a solteirice????

Também chama a atenção como os ricos e famosos (e os pobres que querem ser famosos na marra) são imunes aos sofrimentos da vida. Casais se separam, mas ninguém sofre, nem mesmo os filhos; mulheres não sentem enjoos durante a gravidez, não sentem dores na hora do parto e os bebês não choram de cólica. Os que ficam fora da mídia por algum tempo, na “geladeira”, como dizem, estão sempre envolvidos em mil projetos, mas jamais admitem a má fase.

E, por fim, aquelas fotos patéticas ao lado da banheira, no topo da escada, olhando para os 156 pares de sapato, fazendo de conta que a família está reunida tomando café da manhã blá blá blá. É muito brega se deixar fotografar em todos os cômodos da casa, mesmo que seja uma mansão. Coisa de gente com muito dinheiro e pouca noção.

E aqui estou eu. Uma recém-blogueira, uma modesta aprendiz de escritora, tentando fazer este simples blog “bombar”, sem nunca ter saído em alguma revista, nem mesmo no rodapé da última página.

Quer saber? Não quero fama. Quero reconhecimento. E isso eu posso ter mesmo estando bem longe de castelos e ilhas.

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Palavras também para os palcos…

Esta é a Feiamir, ops, quer dizer, Lindamir!

Também aprecio escrever peças de teatro. Ainda engatinho nesta área, mas dou minhas “rabiscadas”. Já fiz algumas e, inclusive, registrei-as para não ter problemas mais tarde. Vou apresentar aqui uma bem simples. Escrevi a pedido de alunos do Ensino Médio, que precisavam “misturar” um casamento caipira com a temática da Copa (neste ano). Parece extenso, mas você lê “num tapa”!!!

PERSONAGENS:NOIVO / NOIVA ; PAIS DA NOIVA; PADRE; PADRINHOS ( 2 CASAIS); CONVIDADO A e B + FIGURANTES

Todos esperam pela noiva

Padre (dirigindo-se ao noivo) : Escute, filho, será que a noiva esqueceu o horário do casamento?

Noivo: Deus te ouça, padre… quer dizer… imagine, padre, ela esperou muito por esse dia!

Mãe da noiva: Esperou mesmo! Nossa! Nem acredito que minha linda filhinha vai casar!

Madrinha do noivo (com deboche, cochichando para seu par): “Linda filhinha”? Ué! Será que estamos mesmo no casamento certo?

Convidado A: Vamos apressar isso aí que hoje tem jogo do Brasil!

Convidado B: É mesmo… Ninguém merece casamento em dia de jogo da Copa!

Padre: Silêncio, meus irmãos, senão mando todos vocês pra coordenação!!!

Noivo: Padre, vamos combinar o seguinte: mais 5 minutos só. Se ela não aparecer, a gente deixa pro final de semana que vem. O que acha?

Mãe da noiva: O quê? Não banque o espertinho, Godofredo! Fez “mal” pra minha filha e agora quer cair fora é?

Padrinho da noiva: Fez “mal”? Eu ouvi dizer que ela não achou nada mal…

Padre: Mais respeito! Estão pensando que aqui é a casa da sogra?

Mãe da noiva (sentindo-se ofendida): O quê???

Padre: Desculpe, senhora, mas é que aqui é um lugar de respeito.

Mãe da noiva: O senhor está insinuando que a minha casa não é um lugar de respeito?

Noivo (intervindo na discussão): Calma, sogrinha, calma. É que o “seu” padre está nervoso com tanta demora.

Convidado A (olhando no relógio): Nossa! O jogo já vai começar! (disfarçando) Ainda bem que trouxe o meu radinho!

Ouve-se a música de entrada da noiva; todos se “ajeitam”. O noivo faz uma “cara” de decepção.

A noiva e seu pai entram. Ela está feliz da vida, mas ele faz cara de poucos amigos.

O noivo não se manifesta para encontrá-los e o padre lhe dá um empurrão.

Ao entregar a filha ao genro, o sogro fala:

Sogro: Ainda bem que cumpriu a promessa, seu safado! Afinal, quem sabe tenha um pouco de juízo!

O noivo vai dar um beijo na noiva, mas ela está tão feia que ele sente arrepios.

Os dois vão para o altar.

Padre: Irmão e irmãs, estamos aqui reunidos, há pelo menos umas duas horas, para finalmente celebrar a união destes dois jovens…

Madrinha do noivo: Jovem? Esta encalhada?

Padre: Bem… continuando. Estes dois jovens, Godofredo e Lindamir, que hoje vão começar uma nova família.

Enquanto o padre fala, os convidados tentam disfarçar, mas estão mais preocupados em saber sobre o jogo.

Padre: Feiamir…

Noiva (bem brava): É “Lindamir”, padre!

Padre: Ah, me desculpe, filha… Lindamir, aceita Godofredo com seu legítimo esposo, prometendo-lhe ser fiel mesmo quando ele ficar gordo, careca e com chulé?

Noiva (derretendo-se para o noivo): É claro que aceito!!!!!!

Padre (batendo no ombro do noivo): Godofredo, você é um herói…

Pai da noiva: Por quê, padre?

Padre (disfarçando): Ah, por nada não… É que é tão difícil hoje em dia alguém constituir família, não é mesmo? Godofredo, aceita Lindamir, esta (engasgando) “linda” mulher como sua legítima esposa, prometendo-lhe ser fiel mesmo quando ela ficar gorda e feia?

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sp;Noivo: Mas ela já é assim, padre…

Padre: Bem, nesse caso fica mais fácil, porque você não vai casar enganado. E então, aceita?

Paira um silêncio no ar. O noivo ajeita a gravata, como se estivesse sufocado. Os pais da noiva olham para ele com ar ameaçador.

De repente, ouve-se um grito:

Convidado A: É GOL!!!!!!!!!!!! GOL!!!!!!!!!!!!!!!!! GOL do Brasil!!!!!!!!!!

Todos se esquecem do casamento. Pulam, gritam e festejam. As madrinhas tiram das bolsas cornetas e/ou bandeirinhas e comemoram. Nem o padre fica de fora.

Noiva: QUIETOS, todos vocês!!!!!!! Agora vamos voltar pro casamento. Meu amorzinho precisa dizer que me aceita com sua esposa!

Todos se “recompõem”.

Padre: E então, meu filho? Aceite logo pra gente pra gente pegar pelo menos o segundo tempo.

Noivo (contrariado): Tá legal… Aceito vai…

Os pais da noiva comemoram.

Padre: Bem, se alguém tiver alguma coisa contra esse casamento, diga agora ou cale-se para sempre!

Noivo (levantando a mão): Eu tenho, padre!

Todos se espantam.

Padre: Você??? Mas você acabou de aceitar a Lindamir como sua esposa.

Noivo: É… mas o senhor não tinha feito essa pergunta. Eu não quero me calar pra sempre!

Padre: Não estou entendendo, filho!

Noivo (um pouco inseguro): É que… bem… vou falar: eu não fiz mal nenhum a esse “tribufu”. Dei umas bitocas, é verdade, num dia de bebedeira, mas foi só. Aí o pai dela aproveitou pra me chantagear: disse que se eu não casasse com a filha dele ia conhecer Jesus mais cedo. É. Foi isso.

Pai da noiva (partindo para cima do noivo): Seu desgraçado! Vou te matar aqui mesmo!

Padre (tentando “apartá-los”): Calma, meus filhos, lembrem-se de que só o amor constrói.

Confusão geral.

Mãe da noiva: Ah, meu Deus, o que a cidade vai falar?

A noiva chora compulsivamente.

Noiva: Ah, e eu achei que tinha desencalhado!!!!

Convidado B: Mais um gol!!!!! GOL!!!!!!!!!! GOL!!!!!!!!!!!

De repente, mais uma vez todos se abraçam e comemoram, inclusive o pai do noivo e ele.

Convidado A: Quer sabe, gente? Vamos todo mundo lá pra casa! Hoje o dia é de festa: a seleção tá ganhando! O que mais importa? Depois o pai da noiva mata o cara, mas depois do jogo, faça o favor!

Pai no noivo: É justo. Mas depois do 90 minutos você me aguarde, seu sem-vergonha!

Todos saem da “igreja” gritando “Brasil, Brasil, Brasil!!!”

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A Justiça é cega… surda e muda!!!!!!!!!!!!!

Como a Justiça pode não ver, não ouvir este clamor? Como pode se calar diante de tanto sofrimento?

Um deusa de olhos vendados como um símbolo da Justiça faz jus ao que acontece no Brasil. A Justiça às vezes realmente é cega. Eu, uma pobre míope, que não reconhece os próprios filhos de longe, enxergo melhor que “ela”. Além de não ver bem (ou não querer ver, às vezes), a Poder Judiciário também pode se fazer de surdo, principalmente quando os gritos vêm de pessoas menos favorecidas e pode ser mudo, quando se cala diante de atrocidades cometidas por homens (e mulheres!) de colarinho branco e ficha suja.

Estou escrevendo isso movida por algo que acabei de ouvir no noticiário. Vejam só: não são nem 8 da manhã e já fui presenteada com essas barbaridades. Não sei se transcreverei a frase literalmente, mas foi algo assim: “A Polícia Federal concluiu o relatório que aponta o ex-governador José Roberto Arruda como chefe de uma organização criminosa e agora o Ministério Público vai decidir se denuncia ou não.”

Como assim “decidir”? Tudo bem: sou uma ignorante do Direito. Talvez essa seja uma postura absolutamente comum, mas que é difícil de engolir ninguém discorda.

E o ex-deputado que dirige bêbado, tão bêbado que assume não se lembrar de nada desde que saiu do bar e… e… e… e… e… NADA!!!!!!!!!! Até agora, as mães dos rapazes “assassinados” pelo tal de Carli precisam conviver com a perda irreparável e com o possibilidade de a Justiça não ouvir seus gritos de dor!

Devo mesmo ser muito ignorante desse universo todo. As brechas e as letrinhas miúdas dos códigos e afins me irritam! Por exemplo: alguém mata, espera tranquilamente expirar o tempo do flagrante, vai até a delegacia, confessa o crime e a polícia não pode fazer nada?

Vou usar um bordão desgastado, para o qual, aliás, dediquei um texto inteiro no “começo” deste blog: NINGUÉM MERECE!!!!!!!!!

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Geração do “tanto faz”

Assusto-me, como mãe e como educadora, com esta geração que está por aí: nas salas de aula, nas praças de alimentação dos shoppings, nas esquinas das escolas, nas famílias, enfim, a meninada que tem entre 10 e 14 anos, mais ou menos. Crianças, pré-adolescente, adolescentes, não importa muito a nomenclatura. O que ando constatando é que, para a maioria deles, a resposta que mais se adapta a qualquer tipo de situação é: “tanto faz”.

Sendo professora de língua portuguesa, naturalmente corrijo meus filhos sempre que eles comentem alguma infração, principalmente as mais gritantes. “Eu vou ir”, por exemplo, é uma das frases que me faz pular da cadeira. “Eu vou, filho, o correto é Eu vou”.

“Ah, mãe, tanto faz!” – Quando ouvi essa resposta pela primeira vez, até que deixei passar. Mas na segunda, disparei: “Então, quando formos a uma sorveteria, tanto faz você escolher sorvete de chocolate ou de kiwi; na pastelaria, tanto faz frango com catupiry ou abobrinha com pimentão.”

Parece que essa onda do “tanto faz” se alastra, de forma rápida. O professor pediu um trabalho? Tanto faz que haja dedicação ou que eu faça na véspera, enquanto assisto à novela. Preciso entrar em uma sala depois de a aula ter começado? Tanto faz pedir licença ou entrar ignorando a figura do professor. Um trabalho de pesquisa para fazer? Tanto faz ler e reescrever com minhas palavras antes de imprimir ou simplesmente “copiar e colar”. Fiquei com nota vermelha? Tanto faz… O importante é passar de ano. Preciso ler um livro? Tanto faz lê-lo na íntegra ou ler o resumo.

Sei que não posso comparar a minha geração com a de agora. Seria muito senso comum para uma educadora. Mas tenho saudades de um tempo em que nos envolvíamos de verdade com o universo escolar. Não pensávamos apenas na nota; ela era uma consequência dos nossos esforços.

Queríamos (a maioria, pelo menos) aprender, desejávamos, mesmo ainda crianças, ser melhores do que éramos; era bom reconhecer e valorizar o trabalho dos nossos professores, a dedicação de nossas famílias.

Muitos dirão: “acostume-se; hoje tudo isso é normal”. Não concordo. Falta de educação, de respeito, de empenho com aquilo que fazemos nunca será “normal”. No máximo, “comum”, ou seja, acontece com frequência.

Mas não tenho que me acostumar com isso. Se escolhi fazer a diferença na vida das pessoas, preciso reunir forças para contribuir com meus alunos e fazer dos meus filhos pessoas comprometidas.

Ou será que tanto faz essas vidas passarem por nós e não fazermos nada?

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Declaração dos Direitos Desumanos

Artigo 1º: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em direitos e deveres, mas não ache que isso vá durar a vida toda.

Artigo 2º: Todos podem invocar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, mas quem tiver o bolso recheado de verdinhas ou amigos de influência terá sua reivindicação atendida mais prontamente.

Artigo 3º: Todos têm direito à vida, menos os filhos das mulheres que se veem no direito de abortar; todos têm direito à liberdade, mesmo que seja para ficar de boca fechada; todos têm direito à segurança pessoal, mas um colete à prova de balas deve fazer parte do seu guarda-roupa.

Artigo 4º: Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a não ser crianças que precisem trabalhar desde cedo para ajudar a família.

Artigo 5º: Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento cruel, salvo para casos extremos, como se recusar a confessar um crime que não cometeu.

Artigo 6º: Todos têm o direito de ser, em todos os lugares, reconhecidos como pessoas perante a lei, mas se a lei não te reconhecer é por que você ainda não está no Youtube.

Artigo 7º: Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei, principalmente deputados que dirigem bêbados, mas que sofrem de amnésia.

Artigo 8º: Todos têm direito a receber dos tribunais nacionais remédio efetivo para os atos que violam os direitos (…), mas é bom não ficar reclamando muito não.

Artigo 9º: Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado, a menos que tenha roubado uma galinha, um pote de margarina ou um shampoo.

Artigo 10: Todos têm direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal, para decidir sobre seus direitos e deveres, mesmo que isso não vá dar em nada.

Artigo 11: Toda pessoa acusada de ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, principalmente os coitadinhos dos políticos que vivem sendo injustiçados.

Artigo 12: Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, a não ser quando “peitos e bundas” invadirem sua televisão ou lixo eleitoral lotar sua caixinha do correio.

Artigo 13: Todos têm liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado, mas se você não tiver dinheiro para o aluguel, para o pedágio e para o flanelinha o problema é seu.

Artigo 14: Todas as vítimas de perseguição têm o direito de gozar asilo em outros países, em especial brasileiros que fraudaram o país e precisam “gozar” da nossa cara em outro lugar.

Artigo 15: Todos têm direito a uma nacionalidade, mas na impede de poder depositar dinheiro ilícito em contas internacionais.

Artigo 16: Os homens e mulheres maiores de idade têm direito de contrair matrimônio e fundar uma família, mas as novelas farão tudo para destruir isso depois.

Artigo 17: Todos têm direito à propriedade, principalmente alguns políticos, que têm muitas propriedades.

Artigo 18: Todos têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião e alguns podem se achar no direito de usar a fé alheia para encher os bolsos.

Artigo 19: Todos têm direito à liberdade de opinião e expressão, desde que não seja para ficar reivindicando besteiras como emprego, educação e saúde.

Artigo 20: Todos têm direito à liberdade de reunião e associação pacíficas, principalmente por que o presidente da associação precisa se candidatar a vereador.

Artigo 21: Todos têm o direito de tomar parte no governo de seu país, até o Zé das Couves, caso ele queira ser candidato a alguma coisa.

Artigo 22: Todos têm direito à seguridade social (…) e realização dos direitos (…) indispensáveis à sua dignidade, mas, para isso, espere que os funcionários públicos estejam bem dispostos.

Artigo 23: Todos têm direito ao trabalho, mesmo que o salário seja uma vergonha; (…) a remuneração deverá ser justa e satisfatória, mas nada além de uma cesta básica.

Artigo 24: Todos têm direito a repouso e lazer, principalmente os famosos que vão descansar na Ilha de Caras.

Artigo 25: Todos têm direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, deixando claro que alimentação, vestuário, habitação, educação e cuidados médicos são considerados supérfluos.

Artigo 26: Todos têm direito à educação, menos os que moram muito longe da escola e é bom não ir contando com a merenda.

Artigo 27: Todos têm o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, nem que seja para fazer o papel de bobo da corte.

Artigo 28: Todos têm direito a uma ordem social e internacional em que direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados, a não ser que você more no Brasil. Aí é bom pegar uma senha e esperar na fila.

Artigo 29: Todos têm deveres para a comunidade, menos os políticos, que têm todo o direito de prometer e não cumprir.

Artigo 30: (…) todos os direitos aqui estabelecidos visam ao bem do ser humano, mas tudo depende da aprovação do seu crédito. Junte toda a papelada necessária e espere sua vez.

 

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Em “comunhão” com o bisturi

O que um banho de loja (e de bisturi) não faz, hein?

Ando suando a camiseta para tentar chegar ao verão em “forma”: a que exibo atualmente não condiz com os padrões cobrados pela sociedade.

Brincadeira. Estou me exercitando por vaidade, é claro, mas também por saúde. Ainda não percebi grandes diferenças físicas, mas quatro meses de atividades regulares já me deram uma disposição que até então eu não tinha.

Ao contrário de muitas famosas por aí, a “genética” não me ajuda… Fala sério! Será que tem alguma doutora que se chama “Genética”??? Por que essas abençoadas não admitem que recorrem aos mais diversos tratamentos de beleza para estarem sempre com tudo em cima?

Dizem que não existe mulher feia, mas sim mulher pobre. Faz sentido. Com mais investimento (e um pouco de fotoshop) acho que até eu poderia estar na capa de uma revista (exibida, não?).

Não faz muito tempo, em um programa de TV, um diálogo me chamou a atenção. Uma cabeleireira muito famosa, tanto no Brasil quanto no exterior, era uma das convidadas. Essa senhora, já com seus 60 e poucos anos, de fato exibia uma aparência jovial, mas visualmente artificial. A apresentadora lançou então uma pergunta: “Nossa, mas qual o segredo de uma pele tão bonita aos 60 anos?”. E a resposta: “Ah, muita comunhão com Deus, estar bem consigo mesma, blá, blá, blá…”

Impossível não gargalhar! Falei na hora, pra mim mesma: “Comunhão com Deus? Comunhão com o bisturi, isso sim!”

Não vejo problema algum em se recorrer a plásticas, cosméticos e quaisquer outras maneiras de ficar mais bonita, desde, é claro, que não haja excessos. Mas por que não admitir? Por que insistir nessa tese hipócrita de que a beleza vem somente de dentro para fora? Talvez seja de dentro para fora da carteira…

Posso estar ótima comigo mesma que a minha celulite vai continuar aqui, ali, lá e acolá. Estou sempre em comunhão com Deus, mas isso não me exime do compromisso de ir pra academia.

Aff… Essas celebridades às vezes me irritam… Aliás, esse será um bom tema para uma próxima postagem: “quem vê Caras não vê coração.”

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