Mês: setembro 2010



Pesquisa da Lu. Participe!

Preciso saber quem é você!

Quem acompanha meu blog  sabe que tenho tentado “variar” as postagens. Já escrevi bastante sobre minhas lembranças da infância, já me aventurei por textos ficcionais (aventuro-me ainda, com “Setembrina”), desabafei sobre política e relacionamentos pais e filhos, dei dicas de redação, relatei cenas que me revoltaram ou me comoveram. Enfim, agora sinto que chegou a hora de esquecer um pouco de mim e pensar em você.

Você, meu querido leitor! Você que, ao contrário de uns e outros por aí, bando de Judas Iscariotes, tem sido fiel a esta blogueira e  postado comentários com frequência.

Alguns que comentam são velhos conhecidos; mas há alguns nomes que geram em mim certa curiosidade em saber quem são, como são, do que gostam blá blá blá.

Então decidi fazer uma pesquisa para tentar traçar um perfil dos lindinhos e lindinhas  que me “seguem”.

As perguntas estarão numeradas e não será difícil responder. É só colocar o número e a letra. Se você tiver alguma resposta diferente, escreva, ok? Faça o favor de deixar de ser preguiçoso(a) e cumprir direitinho sua tarefa, ao contrário do que fazia na escola. Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 3

A saga de Setembrina está só começando...

— Setembrina?

O quê? Acaso estava tão nervosa que ouvira o seu nome ser pronunciado? O seu estranho nome dito ali, naquele lugar?

— Você é Setembrina?

Não. Não estava enganada. Havia uma senhora, com um rosto amigável, em sua frente, segurando um documento.

— Esse documento caiu da sua bolsa. Tome. “Setembrina” é um bonito nome.

Pegou o documento e agradeceu. Não pelo elogio, que devia ser só para puxar conversa, mas pela atitude daquela mulher.

— Você está com uma cara assustada. Está precisando de ajuda?

Não conseguiu se controlar. Caiu no choro. Não conhecia quem era aquela que estava ali, oferecendo ajuda tão prontamente, mas, por um instante, lembrou-se de Dolores e viu naquela senhora um anjo que a mãe havia enviado para socorrê-la.

—Calma, moça – disse a mulher. Venha, vamos sentar ali naquelas cadeiras. Então você me conta o que está acontecendo, tá bom?

Setembrina chegava a soluçar. Sentia medo, frio, fome, saudade. Sentimentos que faziam seu estômago revirar, sua cabeça latejar. Depois que se acomodaram, pôde reparar melhor nas feições do seu “anjo”. Ela devia ter uns 60 anos, era baixa, com cabelos grisalhos e vestia-se com sobriedade. Usava um perfume enjoativo, mas, naquele momento, isso não importava. Para Setembrina, ela exalava um cheiro de “mãe”.

—Está mais calma? Quer me contar o que aconteceu? Continue lendo

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Vestida para votar

Sem comentários...

Nossa! O dia das eleições está chegando e eu nem mandei fazer meu vestido para a “festa da democracia”. Não reparei no convite qual a instrução sobre o  traje que devo usar.

Podia ser um pretinho básico, que emagrece e é chique. Mas a cor preta lembra tucano, sabe como é, e posso acabar presa.

O verde também me cai bem. VERDE? Melhor não arriscar. Podem achar que estou fazendo boca de urna.

E vermelho? Creio que não. Talvez fique sensual demais e algum mesário se apaixone por mim, que sou uma mulher muito bem casada. Além do mais, vermelho lembra… deixe pra lá.

O jeito será ir bem básica mesmo, afinal, ninguém vai me fotografar quando estiver na urna. Daqui a alguns anos,  quando eu já tiver lançado uns 3 ou 4 livros e for uma escritora famosa, quem sabe possa haver alguns flashes pro meu lado. Continue lendo

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O sabor das pequenas coisas…

Hum... Que delícia de flan...

Nunca passei por necessidades na minha vida. Quero dizer falta de comida, de roupa, de moradia, de remédios, enfim, coisas que qualquer ser humano precisa para viver – ou sobreviver, pelo menos.

Mas passei algumas vontades, ah, isso eu passei. Já escrevi por “aqui” sobre a vontade que tinha, em minha infância, de ter uma boneca que fechasse os olhos, pois as minhas tinham os olhos adesivados ou eram de pano. Então, nunca dormiam…

Entretanto, as lembranças que me servem de motivação neste momento são as “gastronômicas”. Também contei em uma outra postagem como ficava feliz no dia em que  minha mãe conseguia me dar um dinheirinho para comprar um sonho na escola, daqueles com recheio amarelo, sabe? Não de goiabada ou doce deleite. O que me apetecia era o recheio amarelo… Sinto perfeitamente o gosto dele, até hoje. Recentemente,  em uma padaria na cidade de Ponta Grossa, degustei um com sabor incrivelmente semelhante. Quase chorei na frente da balconista.

E a coca-cola? Artigo de luxo. Nos anos 80, não havia as opções de embalagens que há hoje. Lembro-me bem da garrafa de 1 litro, de vidro. Aos domingos, podíamos tomar uma. Durante a semana? Nem pensar. A bebida era só para ocasiões especiais e, depois de uma semana de labuta, meus pais viam no domingo um motivo para abri-la. Continue lendo

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Diário de um flanelinha

Maringá, 26/09/10

E aí, mano? Firmeza?

Pô, hoje o trampo foi pesado! Comecei às 9h! É muito cedo, cara! Trabalhador sofre, viu?

Logo que cheguei já ocupei a  minha área. Teve um malandro que se meteu a  besta comigo, achando que ali era terra de ninguém. Mas eu logo botei banca e mostrei que ninguém atua no meu pedaço.

O negócio ferveu o dia inteiro. Não deu tempo nem das “vaga” “esfriá”.  Tem gente que quis “fugi”, achando que eu “sô” “troxa”. Mas não “dei” mole, não! Quem “qué”  “botá” o carrinho bonitinho na minha quadra tem que “sabê” que ali tem “dono”.

Teve uma madame que disse pra “mim” não “cuidá” do carro. Que sacanagem! Não pensei duas “vez”, mano! Fui logo deixando minha marca do zorro no possante. Pra ela “aprendê”! Continue lendo

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Unidos somente nos adesivos…

Unidos pelos adesivos. E pelo coração?

Lembro-me bem do dia em que, pela primeira vez, vi em um carro os adesivos que hoje viraram febre. Estava na estrada e cheguei a pensar que fosse algo peculiar daquele veículo. Foi no início deste ano.

Então vi mais um, mais um, mais um, mais um… Famílias pequenas, grandes; com gato, cachorro, peixe, tartaruga, passarinho; crianças de boné, de skate, umas maiores, outras menores; adultos com bengala e óculos, caracterizando a terceira idade; mulheres grávidas, cegonhas, noivos.

Não sei quem teve essa ideia. Se a patenteou, certamente está ganhando um bom dinheiro.

Confesso que fiquei tentada a aderir. Mas meu marido achou uma exposição desnecessária. Aliás, ele não permite adesivo algum no carro: nem do colégio das crianças, nem da academia, muito menos imagens que nos “representem”.  Concordei com sua posição.

Há pessoas que colocam até o nome dos filhos. “Fulaninho a bordo”. Acho um pouco arriscado. Pode até ser paranoia (sem acento, hein? –  nova ortografia), mas hoje precisamos nos precaver em tudo.

Mas não é esse o tema desta postagem. Já disse por aqui, várias vezes, que quem tem alma de cronista não desperdiça matéria-prima. E mesmo ao volante, estando atenta a tudo e a todos, consigo fazer minhas reflexões. Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 2

O que o destino reserva para Setembrina?

Quando Setembrina resolveu ir embora, estava com quase 20 anos. Os tios e primos eram até bons com ela, mas sentia que seu tempo naquela família havia expirado.

Havia terminado apenas o 2º grau. Nunca teve muito estímulo para uma faculdade, afinal, quem bancaria suas despesas com os estudos? O dinheiro que o pai deixara mal ajudava nos gastos mensais da casa.

Quando ela avisou os tios sobre sua decisão, sentiu neles um misto de alívio e tristeza, não sabia identificar qual sentimento em maior intensidade.

Tia Madalena lhe disse que uma mulher chamada Dulce, muito amiga de Doroles,  já havia manifestado a intenção de ajudar Setembrina quando fosse necessário. Ela morava na capital.

Então, duas semanas depois,  Setembrina despediu-se dos tios, dos primos, da cidade e das lembranças  e pegou o ônibus para um lugar estranho, tão estranho quanto seu coração na hora da partida.

Alegria? Tristeza? Ansiedade? Medo? Confiança? Nem ela sabia direito o que pensava e sentia naquele instante, quando a porta do ônibus se fechou. Continue lendo

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“Diva” por quê?

Diva: beleza E talento

Creio que esta postagem receberá comentários de gente raivosa comigo. Não darei nomes aos bois, nem às vacas, mas é bem possível que alguns leitores não apreciem  a discussão.

Até que um pouco de mídia seria bom para eu divulgar meu trabalho, mas ser filmada com algemas não deve ser a melhor estratégia de marketing. Por isso não citarei nomes. Tenho-os em minha cabeça, em ordem alfabética até, mas não revelarei nem sob tortura. Sabe como é: virou uma febre processar quem fala – e escreve – o que pensa.

Cada vez que sento em frente a esta máquina, com o objetivo de “alimentar” meu blog, me vêm à cabeça muitas ideias. Coisas que vi, vivi, ouvi… O tema de hoje está me perseguindo há algum tempo e agora não dá mais pra segurar. Continue lendo

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Português X Internetês

 

Por que escrever "naum" em vez de "não"???

Descobri que escrever era o meu talento no curso de Letras. Até ingressar na faculdade, não houve um único professor que tenha percebido esse potencial em mim. Apesar de minha memória prodigiosa, não me lembro dos mestres que me ajudaram a aperfeiçoar a arte da escrita durante o ensino fundamental e médio. Lembro-me das ideias que já lotavam minha cabeça, mas não me recordo de incentivos.

Por isso procuro sempre estimular alunos que tenham essa aptidão. Minha tarefa como professora de língua portuguesa é melhorar o desempenho linguístico de todos, mas, quando percebo que alguns têm o “dom”, faço o possível para incentivá-los.

Devo muito a Renilson Menegassi e Sílvia Vasconcelos, dois queridos professores dos tempos de UEM. Foram eles os primeiros a lerem meus textos e fazerem observações interessantes sobre minha habilidade com a escrita. 

E é um dó (substantivo masculino, hein?) que a maioria das pessoas hoje tenham tanto descaso com sua língua materna. É evidente que o domínio de outras línguas é essencial, mas não vejo grande vantagem, principalmente para quem vive aqui no Brasil, de se falar e escrever tão bem outros idiomas e não dar conta do bom e velho português. Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 1

 

Como Setembrina queria ter Dolores por perto...

Não era para ela ter aquele nome. “Setembrina”. Quantas “Setembrinas” você conhece? Ela não conhecia outra. Aliás, tinha certeza de que era a única no planeta.

Seu nome devia ser Agostina. Seria mais comum, pelo menos. As pessoas ouviriam e talvez não dissessem: “Como?”; ou quem sabe ela não tivesse sido alvo de tantas chacotas na escola, num tempo em que não se combatia o bullying.

A mãe começou a ter as dores do parto no dia 31 de agosto. Era um desejo daquela mulher que sua primeira filha se chamasse Agostina. O mês  era especial para ela: nascera  em agosto, casara-se em agosto. Apesar das tradições populares falarem mal do oitavo mês do ano, Dolores tinha orgulho dele e decidira fazer uma homenagem. Sua primeira filha seria Agostina. Continue lendo

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