Mês: novembro 2010



Twitteira de primeira viagem

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Há dois anos, a única ferramenta que eu possuía no universo virtual era o meu e-mail. Lembro-me dos alunos me perguntando: “Prô, você tem Orkut?” E eu respondia: “Que orkut, menino?! Você acha que tenho tempo de ir atrás dessas “coisas” “? Era uma mistura de preconceito, ignorância e preguiça.

Houve um dia em que perguntei para alguém o que era esse “tal” de Orkut. A pessoa ficou pelo menos meia hora me explicando. Fiz uma cara do tipo “estou entendendo tudo“, mas, na verdade,  não havia entendido bulhufas.

No final de 2008, acabei cedendo aos apelos de alunos e amigos e criei minha conta no Orkut. Aos poucos, fui aprendendo a lidar com os recursos que ele oferece.  Já ri e chorei muito em frente ao computador. Reencontrar pessoas especiais, mesmo que virtualmente, é uma grande vantagem desse rede social.

Depois veio o MSN. Algumas aulinhas de amigos com mais paciência me auxiliaram a usar mais este veículo de comunicação.

Como sempre gostei de escrever, o blog foi um caminho natural. Também algumas instruções, de alunas muito queridas que já tinham os seus, e nasceu o “Escrever é preciso”, ainda no blogspot. Continue lendo

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“Sempre na história deste país…”

De que adianta a geladeira cheia?

Ela acordou tarde naquela manhã. Sem precisar ir para a escola, ficou ali, no cantinho do seu cantinho, até quando o calor começou a ficar insuportável.

Foi escovar os dentes. Escutou barulhos de tiros. Ficou assustada, mas, ao mesmo tempo, aquele som era tão habitual que,  enquanto fazia o bochecho, pensava em quem teria morrido. Policial? bandido? inocente?

Se tivesse aula naquele dia, iria fazer prova de recuperação de História. Estava feliz por não ter aula. Mas triste porque o motivo da dispensa era o terrível conflito que estava havendo na região onde morava.

Pensou no professor contando sobre as  guerras que acontecem em países do Oriente Médio. Lembrou-se das imagens que já tinha visto na TV e nas revistas: soldados, tanques, armas, pessoas morrendo, pessoas chorando, crianças gritando por seus pais…

E ficou pensando se algum adolescente, lá no Oriente Médio, também estudava sobre as guerras no Rio de Janeiro. Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 12

O dia do velório de Lúcia foi o mais triste da vida de Setembrina. Apesar de toda a dor que sempre carregara pela ausência da mãe e pelo sentimento de culpa pela sua morte, despedir-se da amiga foi difícil, muito difícil.

O síndico, auxiliado pela esposa, D. Ana, cuidou de tudo. Ele fez jus ao que Lúcia sempre dissera a Setembrina: “O Seu Alberto é um homem muito bom“.   E era mesmo.

O lugar escolhido para as últimas homenagens foi uma igreja próxima ao edifício, aonde Lúcia costumava ir com frequência. Os moradores do prédio compareceram em peso, afinal, ela não era só a zeladora; era uma amiga querida por todos.

Quando Setembrina chegou, amparada por Seu Alberto, logo chamou a atenção das pessoas, que cochichavam entre si. “A única parente”, alguns diziam. “O pai dela é irmão da Lúcia? Ou a mãe?”. “Será que eles moram longe?”. Continue lendo

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Filhos do coração

Preciso dizer mais alguma coisa?

Casos de  mulheres que abandonam seus bebês recém-nascidos, infelizmente, costumam aparecer na mídia com frequência. Graças a Deus, essas… essas… essas… bem, essas falsas mães são minoria. A maioria das mulheres que gera filhos os ama incondicionalmente. É um amor natural, que brota no coração logo que se pega o exame com o resultado positivo. Mas amar uma criança que não nasceu do próprio ventre é, na minha visão, uma prova de amor ainda maior.

Por isso sempre me emociono quando ouço histórias sobre os “filhos do coração”.

Recentemente, aconteceu com uma amiga. Depois de muito tempo, as tentativas de tratamento se esgotaram e ela e o marido se dispuseram a adotar.  E, graças a Deus, conseguiram. Chega a ser bonito  ver como os dois amam o pequeno. As demonstrações de afeto, o jeito de falar, os cuidados; tudo é tão natural, tão intenso, como se aquela criança tivesse mesmo sido esperada por 9 meses.

Meu marido foi protagonista de uma história assim. Continue lendo

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Conheça minha maior inimiga!

Ela é nojenta, asquerosa, repugnante, fedida, feia,  imunda, sórdida. Um ser desprezível, responsável por algumas das situações mais vexatórias da minha vida.

Saber que ela e eu dividimos o meu espaço me causa medo, pânico, pavor. Não tenho só nojo. Ela me amedronta. Perto dela, sinto-me pequena, incapaz, frágil, uma tonta a gritar, pedindo por socorro.

Um inseto cascudo que, quando ronda os lugares que frequento, tira o meu sossego e o das pessoas que convivem comigo. Já perdi as contas dos escândalos que fiz por causa dessa maldita.

Conheço mulheres que têm pavor de lagartixas, aranhas, ratos e até borboletas. Eu não. A minha pior inimiga é a Continue lendo

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“O aluno tem sempre razão”. Hã???

Infelizmente,  notícias de alunos que agridem  professores estão cada vez frequentes. Dentro  e fora do colégios, ações inadequadas – até ilícitas -,  praticadas por estudantes, normalmente menores de idade, ganham destaque nos meios de comunicação.

E tenho muito receio de que essas atitudes, por estarem acontecendo tanto, tornem-se “normais”, comecem a fazer parte do “cenário”. Enfim, fico temerosa de que as pessoas se acostumem com esse triste quadro.

Vou defender uma ideia nesta postagem que talvez faça alguns profissionais  se revoltarem. Mas preciso escrever. Este espaço está sempre aberto a discussões e toda contribuição será bem-vinda.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, que já tem 20 anos, é considerado por muitos como um símbolo de avanço, um marco que representa a preocupação da sociedade com os menores.

Eu penso um pouco diferente.

Acredito que seja um dever dos adultos proteger, cuidar, zelar pelas crianças e pelos adolescentes, mas, para mim, o excesso de proteção tem mais atrapalhado que ajudado a educação no Brasil.   Continue lendo

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Entre livros e cascas de banana

Uma limpeza de vez em quando faz bem...

Se você tem mais de 30 anos, deve se lembrar de que o cantor  Gilliard, na década de 80, alertou-nos de que “a pulga e o percevejo fizeram a combinação“. Mas não creio que o destino desses insetos repugnantes tenha sido o meu colchão. Tenho quase certeza de que esses bichinhos nojentos e todos os seus familiares moram em muitas das repúblicas próximas à UEM.

Todo meu respeito aos “republicanos” cujas moradias não se parecem com o lixão, mas fico bastante incomodada quando passo por aquele bairro e vejo casas e sobrados que me fazem imaginar livros e cadernos dividindo espaço com cascas de banana e latinhas de cerveja.

Por falar em “incomodada”, já diz o ditado que quem se incomoda deve se mudar. Pois foi o que meu marido e eu fizemos em 2000, quando morávamos naquelas imediações. Para você ter uma ideia, uma das repúblicas “fronteiriças” ao nosso prédio chamava-se “República do Arroto”. Continue lendo

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Existe vida além do meu umbigo

Ajudar é preciso...

Na última sexta-feira, dia 19, visitei o Lar Escola da Criança, aqui em Maringá, em companhia de um grupo de adolescentes, alunos do Ensino Médio. Não sou professora deles, mas coordeno um projeto de voluntariado e fiz uma parceria com o colégio em que estudam.

Ser voluntária é algo que me faz muito bem. O que fazemos pelas crianças, no pouco tempo em que passamos com elas, é “gotinha d’água no incêndio”, mas sempre tenho minha vida renovada quando participo de atividades assim.

E o mais interessante é perceber o quanto o jovem é tocado ao se envolver com o voluntariado. Os que participaram não são “riquíssimos”, mas certamente vivem uma realidade bem diferente daquela vivida pelos alunos que frequentam o Lar. Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 11

 

Lúcia e Setembrina: separadas para sempre...

Ainda atordoada com os sonhos ruins, Setembrina foi abrir a porta. Quando olhou para o rosto do Seu Alberto, que estava pálido e assustado, deduziu que algo terrível tinha acontecido.

—O que foi, Seu Alberto? É a Lúcia, não é? Ela teve outro infarte?

Começou a andar pela sala, sem saber ao certo o que fazer, procurando os sapatos.

—Eu devia ter ficado com ela… Devia ter ficado… Deixei  a minha amiga sozinha de novo… O senhor me leva lá…. Me leva… Por favor, Seu Alberto, deixa só eu achar os meus sapatos… Malditos sapatos! Onde estão? Eu preciso ver a Lúcia…

O síndico a segurou fortemente pelos ombros.

—Pare, Setembrina! Me escute, por favor! Continue lendo

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Você tem um tempinho para mim?

Está faltando tempo para as pessoas que amamos?

Você deve ter acompanhado, nestes últimos dias, o caso dos cinco rapazes, todos de classe média, que agrediram com truculência outros três na Avenida Paulista. Suspeita-se que seja um crime de homofobia.

O pai de um dos acusados disse que tudo foi “uma grande confusão“. Também ouvi em um telejornal que os agressores foram liberados porque, entre outros motivos, eles têm família “estruturada“.

Hã???

Desculpe-me recorrer novamente a esse tema, mas notícias assim mexem tanto comigo que, se eu não escrever, tenho um surto psicótico.

Sou uma mãe falível, pode ter certeza. Em uma autoavaliação, acho que daria, no máximo, um 7; quem sabe um 8. Ainda posso melhorar bastante, mas afirmo com segurança: não sou uma mãe “banana”. E, graças a Deus, meu marido também não é um pai “banana”.

E fico pensando se o que prejudica mais na formação de uma criança ou adolescente é a  ausência de um responsável que dê  carinho e imponha limites ou a presença constante de um “banana”, como o desse caso.

Difícil saber…

O fato é que isso tudo me fez lembrar de um vídeo. Não é propriamente sobre um pai “banana”, mas “fala” sobre o quanto é importante sermos pais e mães presentes.  Talvez você já o conheça, mas, pelo menos para mim, sempre vale a pena ver de novo. Já refleti bastante sobre meu papel materno por causa dele. É curtinho, menos de 2 minutos. Você tem esse tempinho para mim? Assista e me diga o que achou, ok? Obrigada!

http://www.youtube.com/watch?v=fmQSmVq9FHg

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