Mês: setembro 2011



Homens de saco roxo, funk e melancia

Bonitinhos, ao contrário dos homens de saco roxo, sou uma mulher extremamente ocupada e ciente dos seus deveres.

E um dos meus deveres – algo muito prazeroso, diga-se de passagem – seria responder aos comentários de ontem, mas os ponteiros do relógio insistem em me alertar que não será possível fazer isso agora.

Espero que não fiquem nervosos com isso e resolvam tirar a camisa por aí.

Por falar nisso, uma camisa de força seria bastante conveniente para certas pessoas.

Eu estou começando a ficar com medo de homens do saco roxo; pensei um tiquinho antes de escrever novamente sobre esse tema, mas vocês me conhecem… se não usar as palavras para externar minha indignação, tenho uma síncope.

Alguém até me alertou que devo ter cuidado com o que  escrevo, afinal, a nossa liberdade de expressão é meio cerceada. Além do mais, já pensaram se alguém faz uma emboscada para mim, só porque sou uma blogueira que não aprecio homens de saco roxo?

Aliás, caso aconteça alguma coisa comigo, quero que providenciem uma estátua em praça pública; mas não na praça Raposo Tavares, pelo amor de Deus! Não quero dividir espaço com usuários de crack e meretrizes.  Continue lendo

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Da série “coisas de que não gosto”

Minha amiga e leitora fiel Thaise, faz poucos dias, observou em seu comentário que aprecia quando escrevo sem me preocupar em agradar a gregos e a troianos.

Na verdade, quem se expõe, como eu e todos os meus colegas blogueiros, sempre estará sujeito a avaliações e, por conta disso, a elogios e a críticas negativas.

Penso que seja bem produtivo para o blog que, de vez em quando, surjam também leitores que manifestem opiniões contrárias a minha. Ontem, por exemplo, quando escrevi sobre a “polêmica dos 20 dias”, aconteceu isso.

Só fico um pouco irritada quando alguém não percebe minhas ironias e  não entende a mensagem do meu texto. Mas isso acontece pouco por aqui.

Elogios massageiam o ego, mas se eu não levar um puxões de orelha de vez em quando, posso ficar “me achando”.  E se existe algo que não suporto é gente que “se acha”.

Aliás, esse é o tema desta postagem. A própria Thaise sugeriu que eu escrevesse  mais sobre “coisas de que não gosto”. A palavra “coisa” é feia e genérica demais. Mas há situações da vida em que ela serve feito uma luva.

Por isso, hoje farei uma lista básica de “coisas” de que não gosto. Não vou colocar “ervilhas” e “circo” porque já manifestei minha ojeriza a eles faz pouco tempo.

Queria que meus leitores fizessem o mesmo.

Perdoem-me essa “mania” que tenho de ficar delegando tarefas a vocês, mas, sabem como é… “coisa” de professora mesmo! Continue lendo

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A polêmica dos 20 dias

A ampliação do calendário escolar brasileiro para 220 dias letivos, em vez dos atuais 200, tem ocupado a mídia a as redes sociais há algumas semanas.

Como educadora, impossível deixar de opinar sobre esse tema.

Convidado a abrir o ‘Congresso Internacional – Educação: uma agenda urgente’, no último dia 13,  o ministro Fernando Haddad surpreendeu no final do discurso ao defender a ampliação da carga horária.  Haddad disse ter constatado que o número de dias letivos no Brasil é inferior a muitos países.

Entretanto, no mesmo dia 13, a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico divulgou um relatório que apontou exatamente o contrário: são poucos os países que possuem mais de 190 dias letivos e o Brasil é um deles.

Nos países da OCDE, os professores lecionam, em média, de 183 a 186 dias, de acordo com o nível de ensino. Apenas quatro países têm 200 ou mais dias letivos e destes, só a Coreia possui 220.

De acordo com o MEC, caso haja a ampliação, ela será gradual e acontecerá ao longo de 4 anos.

Pois bem.

Parece até incoerente que uma professora seja contrária ao fato de os alunos passarem mais tempo na escola, mas não consigo ver nessa mudança uma forma eficaz de melhorar a qualidade da nossa educação.

Quem não vive a rotina escolar, seja como docente ou em qualquer outra função, tem mais dificuldade para analisar os fatos.  Continue lendo

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O verdadeiro “baú da felicidade”

Faz poucos dias, fiz um texto com o título “Podem me ajudar?”. Nele pedi aos leitores que sugerissem ideias para novas postagens sobre os tempos de infância e adolescência.

É interessante como essas recordações mexem com as pessoas. Os que, assim como eu, viveram essas fases há mais de 25 anos, leem as minhas histórias e, inevitavelmente, lembram-se das suas. Muitos adolescentes, apesar de pensarem mais no futuro que no passado, também curtem saber o que seus pais e professores, por exemplo, faziam quando tinham a sua idade.

E se há um baú que pode mesmo ser chamado de “baú da felicidade” é o que guarda as nossas lembranças.

Naquela postagem, três sugestões me chamaram a atenção, feitas pelo Agnaldo, pela Ju e pelo Nascimento:

1) OI, LUCILENE, TEM UM HISTÓRIA SOBRE ARTE “COISA ERRADA”, NA ESCOLA? CONTE AÍ! UM ABRAÇO!  (Agnaldo)

2) Lu, você já escreveu algo sobre aqueles doces de abóbora em forma de coração? E sobre aqueles doces de duas cores (branca e vinho) que chamávamos de goma? Ah, tem aqueles sucos que vinham em embalagens em forma de bichos, aqueles doces em forma de chupeta que eram o terror dos dentes auahuauha! (Nascimento)

3) Bom dia Lu…sobre seu aniversario de 15 anos!!  Teve comemoração?como foi?O meu foi comico..kkkkkkkkk!!!Bjos (Ju)

Por isso, hoje abrirei – com gosto – meu baú e buscarei, entre tantas páginas do livro da minha vida, histórias que ilustrem essas sugestões. Ficarei feliz se fizerem o mesmo, ok? Continue lendo

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“Carpe diem”

Carpe diem é uma expressão em latim, popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento.  Meu marido e eu costumamos usá-la de vez em quando, principalmente quando estamos em dúvida em poupar para algum investimento futuro ou usar o nosso dinheiro para prazeres efêmeros. Normalmente sou eu a dizer “carpe diem, amor!”

Nas aulas de  literatura, é comum discutir essa “filosofia” quando estudamos o Barroco, período em que o homem estava dividido entre pensar – só – na eternidade ou refletir sobre os valores terrenos.

É claro que a discussão desse tema está ligada às crenças de cada um. Eu sou cristã e creio na vida eterna. Talvez nem chegue a merecê-la, mas acredito que estamos aqui de passagem.

Não tenho dúvidas de que  meu “desempenho” nesta vida terrena será o passaporte para eu ter direito a uma “vaga” em um lugar bem melhor (onde não há flanelinhas, nem ervilhas, nem funk, nem homens do saco roxo…).

Mas, mesmo sendo cristã, é claro que também desfruto dos prazeres que esta vida me proporciona.

E será meio inevitável que a palavra “prazer” desperte pensamentos – e comentários – ligados a uma “área” específica da nossa vida; mas não é só a isso que estou me referindo.  Continue lendo

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Pollyanna ou Hardy?

Estranharam o título desta postagem?

Tomara que sim; o objetivo era justamente, senão o estranhamento, pelo menos a curiosidade.

É que hoje fiquei com vontade de escrever sobre o nosso “lado” Pollyanna e o nosso “lado” Hardy. E todos nós temos esses “lados”: vocês, eu e os demais terráqueos.

Pollyanna é o título de um livro escrito pela americana Eleanor H. Porter em 1913.  O sucesso da história foi tanto que, em 1915, Porter publicou uma continuação, que aqui no Brasil recebeu o nome de Pollyanna Moça.

Eu devorei esses dois livros quando era adolescente e imagino que alguns leitores também tenham tido essa experiência.

Pollyanna, a protagonista, era uma criança orfã que, entre outras características, era extremamente otimista, apesar de todas as dificuldades pelas quais passava. E uma das “heranças” deixadas pelo pai foi o “jogo do contente”.

O “jogo do contente” era uma forma de a garota driblar as intempéries da vida. Um dia, por exemplo, esperando por uma boneca no Natal, foi abrir um baú de doações e encontrou, em vez do brinquedo, um par de muletas.

Esse seria motivo suficiente para qualquer criança abrir um berreiro, mas Pollyanna, depois de viver por apenas alguns segundos o momento de frustração, aplicou as regras do “jogo”: não deveria ficar triste por não ter ganhado a boneca, mas sim contente por não precisar das muletas.

Pois bem. Continue lendo

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Não votem em mim!

Meu primogênito, um pré-adolescente que ainda está na fase dos porquês, indagou-me ontem sobre o que são IPTU e IPVA. Ele segue a norma de não se meter na conversa dos pais, mas é claro que seus ouvidos estão sempre atentos à troca de informações entre mim e meu marido.

E o tema “contas a pagar” faz parte da pauta diária de toda família.

Meu filho não queria saber só o que significavam as siglas; ele sabia que tinha algo a ver com o nosso dinheiro e queria entender por que precisávamos pagar esses impostos.

Acho bacana quando surgem essas dúvidas, afinal, é a partir delas que nós que já contribuímos para a perpetuação da espécie podemos compartilhar nosso conhecimentos e nossas experiências com os filhos.

Então, no trajeto da escola para nossa casa, tentei esmiuçar para ele para que servem os impostos. Considerando que o colégio e nossa casa ficam em extremos da cidade e que o trânsito maringaense depois das 18h é o caos, tive bastante tempo para isso.

Expliquei que, para o governo dar conta de garantir à população saúde, educação e segurança, por exemplo, é necessário que cada um contribua com um “pouquinho”. Sem o dinheiro proveniente da arrecadação de impostos, não haveria como o poder público fazer isso.

Mas, na verdade, precisei esclarecer ao meu filho que esse “pouquinho” era só força de expressão. Cada um de nós precisa contribuir com muito para que “eles”, os engravatados, façam pouco. Continue lendo

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Todo mundo para a diretoria!!!

Bonitinhos, hoje vou tomar uma medida drástica: mandá-los-ei para a diretoria! (gostaram da mesóclise?)

Haverá uns quatro ou cinco que escaparão, mas o restante… ah, vocês vão ver só uma coisa!

Pois então já chegou a semana do saco cheio e ninguém me avisou?

Vou comprar vidros e vidros de licor de cacau Xavier para ver se acabo com os vermes que estão fazendo vocês ficarem com preguiça de comentar. Minha mãe sempre falava que criança desanimada estava com verme.

Ou é a agenda de vossas senhorias que está apertada? Ou é o patrão que não dá folga para me visitarem? Ou é falta de vontade mesmo e esta blogueira que pare de encher a paciência?

Minha terça-feira também está apertadíssima e hoje só conseguirei dar atenção à minha – nossa – varanda virtual no período da noite.

Até lá, faço votos de que encham este espaço com comentários, mesmo que sejam frases simples como “Estive no seu blog e lembrei-me de você”. Meio óbvia, eu sei… mas está valendo.

Se abusarem da minha paciência, além de assinarem o “livro preto” (alguém aí é do tempo do “livro preto”?), vão ganhar três dias de suspensão. (“ganhar” é mesmo um verbo apropriado; suspensão é um presente para a maioria dos alunos)

Espero ter sido clara, objetiva, concisa, direta, resumida, transparente. Ou não?

ATUALIZADO EM 21/09/11 – ÀS 08H17: Bonitinhos, nada como uma bronca atrás da outra, hein? Percebi que têm medo de mim e isso já me deixou bastante contente. Bem, hoje é o dia de  vocês me darem uma bronca, já que não consegui ainda responder aos comentários.  Mas farei isso em breve.  Sabem que não gosto de deixá-los sem resposta. Tenham paciência com a “prô”, ok?

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Uma imagem provoca 1000 palavras…

Em muitas situações cotidianas, mas principalmente nas que envolvem grande emoção, é comum que alguém use a frase “Eu não tenho palavras para expressar o que sinto“.

Sem querer pretensiosa – mas talvez já sendo – eu nunca precisei usá-la. As palavras, por enquanto, nunca me faltaram; nem na escrita, nem na oralidade.

Aliás, o que preciso desenvolver em mim é a habilidade de ser sucinta; até mesmo nas redes sociais, “ambiente” em que a linguagem objetiva predomina, costumo “escrever pelos cotovelos”.

E quando ofereço alguma proposta para meus alunos escreverem, invariavelmente ouço frases como “ah, professora, vamos só conversar…” ou “eu não tô inspirado hoje, prô…”; o Muro das Lamentações  perde para a “choramingação” que toma conta da sala.

Escrever não é mesmo tarefa simples, principalmente para quem não tem paixão pelas palavras. E nem todo mundo tem, concordam? Já discutimos isso aqui na postagem “Qual é o seu talento?” Continue lendo

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Setembrina – Capítulo 40

Quando Setembrina acordou no domingo, passava das onze da manhã. Levantou até assustada, pensando que já era segunda e que estava atrasada.

Mas muito rapidamente se lembrou de que era domingo; na verdade, lembrou-se de que vivia o dia seguinte ao momento mais especial da sua vida: seu primeiro beijo.

E não havia sido só um primeiro beijo; ela havia vivido aquela experiência maravilhosa com o homem que amava. E se antes Setembrina tinha alguma dúvida se aquele sentimento era recíproco, depois da noite de sábado seu coração estava tranquilo quanto a isso.

Ronnie era um rapaz sincero; tinha certeza disso. De origem humilde, como ela, muito ligado à família, de bons princípios, que não tinha preguiça – nem vergonha – de trabalhar como porteiro e que a respeitava.

Estava tão bem, tão feliz, que até seu estômago, sempre tão frágil, parecia estar vivendo aquele momento mágico, afinal, não comera nada desde a pizza na noite anterior e ele ainda não havia “reclamado”. Continue lendo

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