Mês: março 2012



Grito de uma alma feminina

Hoje, apenas me abrace. É só do seu aconchego que preciso. Não me pergunte nada, não me cobre, não me julgue; apenas me abrace. Não quero falar; não quero ouvir.

Não me venha com teorias racionais, com filosofias do mundo moderno, com frases de autoajuda. Só preciso me sentir protegida. Só preciso do teu cheiro, só preciso dos teus braços me envolvendo.

Não quero cama; quero colo. Não quero beijos; quero um olhar terno e que me diga “estou com você”. Não é o meu corpo que está cansado; é a minha alma.

Não preciso de um comprimido; preciso de carinho e atenção. Só hoje… apenas hoje… faça dos teus braços o meu ninho e me deixe adormecer entre eles.

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Homenagem “não-póstuma”

O fenômeno se repete sempre que um artista “sai de cena”: as homenagens póstumas tomam conta dos programas de TV e de rádio e ocupam páginas e páginas de jornais e revistas; isso sem falar das milhares de despedidas emocionantes no mundo virtual.

Prestar reverência à memória de quem deixou a sua marca nesta vida é absolutamente natural ; perceber o quanto seu ente querido era amado e respeitado pode, quem sabe, até minimizar a dor dos familiares que sofrem com a perda.

Entretanto, por ocasião do falecimento do humorista Chico Anysio, esta reflexão mexeu comigo: em alguns casos, o reconhecimento só vem mesmo após o artista partir desta para melhor.

É claro que no caso dele esse reconhecimento também foi desfrutado quando seu coração ainda pulsava, mas senti uma certa hipocrisia em ver tantas lágrimas e declarações emocionadas quando era praticamente notório que o comediante estava na “geladeira” há alguns anos. Li, inclusive, o artigo de um jornalista da revista Época que ratificava essa informação. Em uma viagem de avião, o repórter coincidentemente sentou-se ao lado do humorista e viajaram por três horas juntos. Nesse tempo, o célebre criador de centenas de personagens desabafou seu descontentamento e mágoa com a TV. Continue lendo

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Atreva-se!

Há uma frase do mestre Charles Chaplin a qual diz que o mundo é dos que se atrevem. Eu ando mesmo meio atrevida ultimamente e talvez esse seja o motivo de portas estarem se abrindo na minha vida.

Sei que “atrevida” é um adjetivo que pode ter uma conotação negativa; se uma pessoa não obedece a regras, por exemplo, é bem provável que alguém a rotule de “atrevida”.

Entretanto, esse atrevimento a que me refiro – e penso que Chaplin também tenha tido essa intenção -vem à tona quando agimos com ousadia, mas com inteligência. Ousadia como sinônimo de rebeldia sem causa é apenas uma prova de estupidez.

Atrever-se é não desejar a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, os mesmos jardins; atrever-se é batalhar para que que os nossos sonhos se tornem realidade, mesmo quando o mundo grita que somos loucos; atrever-se é não se preocupar tanto com o que os outros pensam de nós, afinal, as pessoas entendem apenas o que querem entender. Eu, aliás, aos poucos, estou me libertando do compromisso de me justificar o tempo todo, como se disso dependesse a minha felicidade.

Querem saber? Eu quero mais é ser atrevida. Continue lendo

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João Tal e Coisa e João Ninguém

Havia o João Tal e Coisa e o João Ninguém.

João Tal e Coisa era um homem rico, poderoso. Dono de várias empresas, possuía muitos imóveis, carros, vultosas contas bancárias. Nunca houve nada que seu dinheiro não pudesse comprar. Quando andava pela rua, nas raras vezes em que deixava seu possante, percebia que muitas pessoas o cumprimentavam; pessoas que ele nem ao menos conhecia. Quando ia ao banco, o gerente o levava para sua sala, oferecia-lhe cafezinho, dava-lhe toda a atenção. Afinal, João Tal e Coisa era seu melhor cliente.

Mas havia um detalhe: João Tal e Coisa  não era feliz. Apesar de tudo que possuía, sentia-se vazio e solitário. Tinha família, é verdade: esposa e dois filhos. Entretanto, o relacionamento entre eles andava de mal a pior. Sabia que seu casamento era de aparência, sabia que sua mulher se casara por interesse. Os  filhos? Bem, nunca soube ser um pai de verdade. As crianças eram frias com ele, talvez em uma atitude recíproca. Era um homem ocupado, que viajava muito a negócios, não tinha tempo para diálogos. Compensava tudo isso com boas escolas, presentes, brinquedos caros, viagens, roupas da moda, gordas mesadas.

Na verdade, apesar de todo seu poder, João Tal e Coisa sentia-se impotente diante de certas situações da vida. Era um homem poderoso, porém infeliz.

Do outro lado da cidade, em um bairro pobre e humilde, desses que nem o asfalto faz visita, vivia o João Ninguém. Ele trabalhava como operário em uma grande fábrica. Ganhava pouco, andava de ônibus, vestia-se mal, falava pior ainda. Ia ao banco somente para pagar as contas, geralmente vencidas. Continue lendo

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Francamente, leitores!

Francamente, bonitinihos… Vocês são demais!

Não poderia escrever sobre outro assunto nesta postagem; impossível não usar minha querida varanda virtual para externar minha satisfação em, a partir de hoje, fazer parte não apenas do time de blogueiros do jornal O Diário, mas também do de colunistas.

Publicada às quartas-feiras, “Francamente” será um espaço em que dividirei minhas inquietações como professora, mas é claro que, com a minha alma de cronista, será impossível deixar de tratar de temas que extrapolem os muros escolares. Entretanto, as dificuldades e as maravilhas do tablado serão os pilares dos meus textos.

Quero registrar meus agradecimentos a Deus, fonte da minha inspiração ; foi Ele quem soprou nos meus ouvidos, há mais ou menos 18 meses, a frase “Filha, não desista; insista! Eu estou com você!”.

Também quero agradecer ao jornal O Diário por acreditar no meu trabalho e por me conceder esta oportunidade. Serei sempre grata pelo espaço que tenho e pelo carinho dos colegas da redação.

Por fim, um muito obrigada especial aos meus familiares, que, de maneiras diferentes, sabem me incentivar e me apoiar; aos meus amigos – reais e virtuais, aos meus alunos e, é claro,  a vocês,meus leitores queridos.

Sem saber que minhas palavras podem encontrar eco aí do “outro lado”, nada faria sentido.

Espero que continuem fiéis ao “Escrever é Preciso” e que, a partir de hoje, também acompanhem minha coluna.

Beijo da “prô”!

 

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Amante à moda antiga


“Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores; apesar do velho tênis  e da calça desbotada, ainda chamo de querida a namorada”.

Lembrei-me desses versos do rei ao conversar com um amigo que se autointitula um romântico inveterado. Recentemente ele surpreendeu a namorada com uma serenata e se tornou motivo de piada entre alguns colegas de trabalho.

Pai de uma pré-adolescente, um dos seus temores é imaginar que a filha pode não ter a chance de conhecer um homem romântico. Na visão dele, pelo menos, isso seria frustrante.

Eu não sei o que a maioria das minhas leitoras pensa sobre esse tema, mas eu aprecio atitudes românticas vindas do sexo oposto. Continue lendo

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Juntos…até que a vida os separe

Nem sempre será a morte que irá separar um casal… às vezes, a própria vida se encarregará disso.

Refleti sobre esse tema ontem, depois de conversar com uma amiga que passa por sérios problemas conjugais. Então me lembrei deste conto que escrevi há alguns anos. Se deixarmos os anos de convivência nos envolverem com seus “tentáculos”, há um sério risco de que o sentimento, outrora forte e quase indestrutível, acabe minando.

Alianças que separam – Lu Oliveira

O dia começou gelado. O vento cortava, o sol não dava pistas  e somente os mais corajosos se arriscavam a sair de casa. Em plena manhã de domingo, ficar na cama era um convite quase irresistível. Naquele bairro calmo, de uma cidade também calma, uns poucos moradores enfrentavam o frio para não perder a missa.

Apesar do clima convidativo para um descanso a mais, Odete não conseguiu ficar na cama. Bem que tentou, mas seus pensamentos não permitiam. Fazer de conta que nada estava acontecendo era impossível.   Olhou para o lado e viu Onofre, seu marido há quase trinta anos, dormir um sono aparentemente tranqüilo. Como ele conseguia? Por acaso não vivia os mesmos problemas que ela? Então não estava envolvido na mesma situação difícil? Parecia que não…

Sentiu um misto de raiva e compaixão por aquele homem que fora tão fraco a vida toda. Fraco para o jogo, para as apostas, fraco demais para protegê-la do jeito que imaginava ser um marido, nos seus idos tempos de menina.

Mas não podia desanimar. Mais uma vez, teria que resolver o problema sozinha. Com os filhos não podia contar. Eram três, mas todos casados, com filhos e também com problemas de sobra. Novamente, teria que tentar consertar um erro de Onofre. Continue lendo

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Uma rapidinha…

Mas que mentes poluídas…

Só porque minha última postagem foi sobre o “beijo em pé” já imaginaram que eu continuaria a tratar de temas da vida na horizontal, não é?

Pois se enganaram…

A questão é simples: fervilham ideias o dia inteiro na minha cabeça e matéria-prima para eu escrever não me falta. O que me falta é … adivinhem… bingo!

Claro. Sempre ele: o tempo. O danado do relógio. Esses ponteiros que não me dão trégua.

Por isso, bonitinhos, embora não seja muito bacana uma blogueira que prima pelo conteúdo como eu fazer isso, postarei hoje um minimicrobempequenininhomesmo-texto que escrevi há alguns dias. Sei lá… gostei dele e quero compartilhá-lo aqui também.

Concentre seus esforços em ser feliz; mas não uma felicidade que custe a dos outros. Abra a boca para dizer palavras que agreguem à vida das pessoas; se alguma bobagem encher seu coração, deixe por lá mesmo. Não se importe quando não responderem aos seus cumprimentos; continue sendo educado e gentil. Diga “eu te amo”, mesmo quando tiver certeza que já sabem disso. Converse com Deus; não apenas para cobrar milagres, mas para agradecer pelos que acontecem todos os dias na sua vida...”  (Lu Oliveira)

 

 

 

 

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Eu quero beijo em pé!

Quando meu marido e eu namorávamos, no início dos anos 90, algo que tirava meu pai do sério eram as nossas despedidas no portão. Não que protagonizássemos cenas calientes, com beijos de novela das 8, imaginem…  Mas ele nunca achou “bonito” casais de namorados se beijando no portão.

Então, se a nossa vontade era caprichar nas “bitocas”, que fosse dentro de casa, no máximo na varanda.

Mas beijar no portão era tão bom… mesmo correndo o risco da bronca, o “beijo em pé”, ali, com a vizinhança como testemunha, era uma delícia.

Essa sensação, que mexia com a corpo, com o coração e com os pensamentos, durava um bom tempo, mesmo depois da despedida.

Acho que a maioria dos casais que estão há algum tempo juntos tem uma história parecida para contar. É claro que nem sempre o nosso objetivo “proibido” era apenas o beijo… mas esta parte é bom deixar pra lá.

E o “beijo em pé”, infelizmente, às vezes se torna artigo de luxo nas relações, mesmo nas de namorados. Se a rotina se instala, o risco de haver uma banalização dos carinhos físicos é imenso e, então, o beijo – aquele beijaço, de línguas nervosas – se restringe aos encontros na horizontal. Fora das quatro paredes, só a bitoquinha de “oi” e “tchau”. Continue lendo

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Feliz por ser mulher

 

Bonitinhos, hoje não conseguirei postar algo inédito para vocês; por isso, aproveitando a data – dia da mulher- , resolvi publicar novamente um texto que escrevi há alguns meses e que trata da figura feminina.

A maioria das mulheres deste planeta não tem uma dupla jornada, mas sim uma tripla, até quádrupla, quem sabe.

Mesmo as que têm uma boa “assessoria” – leia-se avós e funcionárias do lar – precisam se virar nos 30 para dar conta do recado.

Foi minha a escolha de casar – ser esposa e dona de casa – , ter filhos – e assumir de fato a maternidade – e continuar trabalhando – ser professora e, mais recentemente, blogueira e escritora -; portanto, pode soar como murmuração dizer que essa rotina cansa pra dedéu.

Mas é preciso reconhecer que, às vezes, o cansaço fala mais alto.

Sou feminina, mas nunca fui feminista; há controvérsias nesta história de “direitos iguais”.

Como sempre diz uma das minhas irmãs, nunca queimei sutiã em praça pública pedindo os mesmos direitos que os homens, até porque isso tudo resultou não apenas em direitos, mas em muuuuitos deveres.

E sabem de uma coisa? Gosto de ser “cuidada”; gosto de saber que há alguém que zela por mim e pelos meus filhos. Não tenho a mínima pretensão de tomar as rédeas da situação. Sou feliz em contribuir com as finanças da família, em organizar a rotina escolar das crianças, em tomar a responsabilidade pela organização da casa (que nem sempre está tão organizada…). Continue lendo

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