Mês: julho 2012



Dores de parto

Olá, bonitinhos!

A poucos dias do nascimento do meu segundo livro, as dores do parto começam a se intensificar. E dores de parto são boas, afinal, são sinal de algo muito bom está para vir.

Ficarei feliz se vocês que acompanham o blog e o meu trabalho estiverem comigo nesse momento tão especial.

Será no próximo sábado, dia 04 de agosto, às 19h, nas Livrarias Curitiba do Catuaí.

Meu livro não tem a pretensão de ser um guia para a boa convivência. “Entre muros e pontes” traz reflexões sobre as difíceis e fascinantes relações humanas.

Senti vontade de compartilhar minhas inquietações com os leitores justamente por vivo em constante aprendizagem. Nunca foi minha intenção fazer um manual de instruções com dicas, conselhos, orientações ou qualquer coisa do gênero.

Acredito que a leitura fará com que as pessoas se identifiquem e, quem sabe, ao repensar seus relacionamentos, decidam pela construção de pontes, e não de muros.

É  isso.

Conto com vocês!

 

 

 

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Você tem que me amar!

 

Não sei se todos vocês se lembram do bordão que serve de título para esta postagem. Ele saía da boca nada bonitinha de um bebê dinossauro sempre que aprontava alguma. Estou me referindo ao personagem Baby, do Família Dinossauros, série exibida há alguns anos e que fez muito sucesso. A frase era uma demonstração clara de quem mandava no relacionamento e a  forma verbal “tem” indicava que não havia outra opção senão a de amar o danadinho.

Nos episódios da série, quem mais passava apuros com o bebê era o pai, Dino, que não chegava a ser um grande representante da classe paterna. Sempre metido em confusões, era quase um refém do pequenino e a cena clássica era o filho sentado em seu pescoço a lhe desferir paneladas na cabeça.

Eu uso essa frase às vezes com meus familiares e meus amigos, em tom de brincadeira, quando faço alguma bobagem. Digo a eles “vocês têm que me amar”, mesmo quando eu for um desastre na cozinha e levar para a mesa um arroz com cheiro de queimado.

Mas é claro que ninguém é obrigado a me amar, tampouco eu seja obrigada a amar a alguém. Sentimentos de afeto, sejam  de amor, paixão, solidariedade, amizade ou algo assim, não podem ser cobrados. Eles nascem naturalmente e permanecerão vivos caso eu decida cultivá-los.  E  tenho sentido que, quanto mais falamos – ou escrevemos – o que pensamos e sentimos, com uma boa dose de sinceridade, mais as chances de sermos amados diminuem.

Durante muito tempo na minha vida, fui uma pessoa que evitava dar opiniões, com receio de magoar os outros. E não apenas magoar. Tinha medo de que minha opinião fosse mal interpretada, de que alguém se decepcionasse comigo, de que um familiar ou amigo viessem me cobrar explicações. Como mecanismo de defesa, apenas pensava, mas não externava.

Essa atitude que mantive por anos e anos é muito cômoda. Apenas me calar ou fazer de conta que concordava com A ou B me mantinham em uma zona de conforto. Quanto menos eu incomodasse com minhas ideias, maiores seriam as chances de agradar.

Era dessa maneira nas minhas relações familiares, nas profissionais, nas sociais. E hoje, por causa de uma série de transformações pelas quais passei, mantive minha essência, mas revi esse comportamento e mudei.  Se falo tudo que penso, sem pensar meia vez? Claro que não. Posso ter mudado, mas mantive minha prudência. Há situações na vida que continuam exigindo de mim que eu guarde meus pensamentos a sete chaves.

Entretanto, não me sinto mais na obrigação de sempre agradar, de sempre ser aquela que diz “amém” para tudo e que, para evitar cara feia,  faz de conta que aceita as decisões alheias.

Não me tornei uma rebelde sem causa, até porque fazer isso com os 4o batendo à minha porta seria prova de estupidez. Aliás, rebeldia sem causa é uma característica dos estúpidos.

Apenas estou mais confiante para, mesmo respeitando quem convive comigo, defender o que penso e sinto. Defender com “paixão”, como bem lembrou ontem uma amiga. Ao fazer isso, ao manifestar o que povoa meus pensamentos e enche meu coração, o risco é grande.

O risco de que talvez alguém não queira mais me amar.

 

 

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Redação “Minhas férias”

Quando assumi a docência, prometi a mim mesma que não faria meus alunos passarem certos constrangimentos pelos quais passei quando estava nos bancos escolares. E uma dessas promessas se referia à famigerada redação “Minhas férias”. Até hoje, mais de 14 anos depois, mantenho-me firme nesse propósito.

Não que eu tenha desenvolvido algum trauma por conta dessa atividade, mas a lembrança não é das melhores. No retorno das férias de julho, a professora de português, do alto da sua falta de criatividade, não pensava meia vez antes de nos entregar uma folha com  linhas sedentas para ser preenchidas. Eu, entretanto, não estava nem um pouco sedenta para escrever , afinal, depois de passar um mês apenas assistindo à televisão e brincando com minhas irmãs no quintal, não tinha muita motivação para descrever meus dias de descanso.

Entretanto, mexer no meu baú de recordações, no capítulo “férias de julho”, também me provoca boas lembranças quando vêm à minha cabeça os dias que eu passava na casa dos meus avós. Para quem conheceu o mar com 17 anos, a casa de parentes  foi a grande opção “turística” na infância e na adolescência.

A cidade onde  meus avós maternos moravam na época fica a duas horas de Maringá. E um dia, quando completei 13 anos, meu pais decidiram que eu já estava pronta para viajar sozinha de ônibus. Lembro-me com riqueza de detalhes de como aquele decisão mexeu comigo. “Sozinha? De ônibus?”. Para uma adolescente bobinha, aquele era quase o rito de passagem para a vida adulta.

Na rodoviária de Maringá, o motorista deve ter imaginado que eu sofria de algum distúrbio e pensado seriamente na hipótese de me amarrar na poltrona depois da lista de recomendações do meu pai, que, apesar de já me conceder essa emancipação, morria de medo de que eu descesse na cidade errada. Antes de rotulá-lo como exagerado, é bom lembrar que estou falando de 1987, quando nem sonhávamos com celulares.

Mas eu cheguei, sã e salva, para passar meus dias de descanso na casa daquele homem e daquela mulher de rostos marcados pela idade, de mãos calejadas pelo trabalho e de corações repletos de amor pelos netos. Às vezes havia um ou mais primos dividindo a atenção deles – e os colchões também -, mas, mesmo em meio à balbúrdia, era bom demais estar lá.

Aprendi a fazer arroz e feijão com minha saudosa avó Amélia. É claro que jamais consegui imitar o seu tempero, o mesmo cujo gosto agora faz minha memória gustativa machucar meu coração de saudade, mas me sentia orgulhosa de chegar em casa e mostrar para mim mãe que eu quase podia casar.

Era tudo tão simples… o cardápio, a casa, os programas, as conversas… mas tudo que vivi ao lado dos meus avós tem para mim valor inestimável. Nesta vida, podem tirar tudo de nós, mas jamais alguém poderá nos usurpar o prazer que as boas lembranças proporcionam.

E sabem que agora, chegando aos 40 e há mais de 10 sem desfrutar da companhia deles, vejo que havia muito o que contar naquelas linhas que a professora me oferecia no retorno às aulas. Era só eu descrever os detalhes de uma linda história de amor de avós e netos.

 

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Aqui jaz um passado

Dentre tantas coisas que inquietam meu coração, talvez a que mais esteja latente ultimamente é o terrível – e nocivo –  hábito que muitas pessoas têm de se prender ao passado. Não me refiro às lembranças boas vividas, é claro, nem aos momentos difíceis que culminaram em experiências valiosas.

Recordar é viver, mas remoer o que já ficou para trás é morrer um tantinho a cada dia.

Relacionamentos que já tiveram um ponto final, mas que muitos insistem em colocar vírgulas, mesmo contra a vontade do outro; situações conflituosas vividas há anos são rememoradas nos almoços em família; sentimentos de culpa carregados sobre os ombros como se fossem um fardo eterno; aquele arrependimento pelo que não se fez que machuca o coração e impede que a ferida cicatrize.

Olhar para o que vivemos, e até para o que deixamos de viver porque talvez fomos medrosos, só nos fará bem se for para construir um presente melhor, já que o futuro, no fim das contas, pode nem existir.

Às converso com pessoas que se negam a admitir que os próximos capítulos é que interessam. Ficam presas a histórias que já terminaram, agarram-se com unhas e dentes a períodos de outrora.

E o pior dessa história toda é o danado do ressentimento. O saudoso Pe. Léo contava em suas palestras que há familiares ou amigos que ficam brigados por anos a fio sem nem ao menos se lembrar direito de como a discórdia começou.  Quando se lembram, percebem que o motivo foi quase insignificante, mas sentir de novo faz crescer o sentimento de mágoa.

Então as pessoas deixam de curtir o grande barato que é viver. E viver é uma questão de “menos e “mais”

Exigir menos; amar mais. Falar menos; beijar mais. Resmungar menos; rir mais. Repetir menos; criar mais. Criticar menos; elogiar mais. Fácil não é, mas ninguém nunca disse que seria. A vida pode ser bem mais simples se nós formos menos complicados.

Que hoje seja o dia para tomarmos a decisão de sepultar as dores do passado; que o nosso coração esteja sintonizado com nosso o presente.

Um presente que nos é dado como presente todos os dias.

 

 

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Anotando na agenda

Bonitinhos, longe de mim fazer chantagem emocional, que é uma coisa muita feia, mas, caso vocês não compareçam ao lançamento do meu segundo livro, pensarei em como me vingar com requintes de crueldade.

E, ao contrário do que acreditam por aí, para mim a vingança é um prato que se come fumegando.

Brincadeirinha… mas só a parte dos requintes de crueldade.

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Precisa-se de moça, boa aparência…

Precisa-se de moça, boa aparência, pra secretária; tem que ser muito bonita, descontraída e educada (…)”

A música “Anúncio de jornal”,composta por Júlia Graciela na década de 1970, apresenta um estereótipo do se que esperava de uma secretária na época: a beleza em detrimento ao conhecimento. Aliás, a letra conta a história de uma jovem que, justamente por ser inexperiente, cai na lábia do patrão e se entrega a ele. Penso que não se discutia muito – ou nada -sobre assédio sexual há 40 anos, mas esse é o tema da canção.

Já faz algum tempo que empresas, ao procurar por colaboradores, não podem acrescentar o item “boa aparência” à sua lista de requisitos para determinado cargo. Há quem veja nessa frase uma demonstração clara de discriminação; outros, porém, defendem a tese de que “boa aparência” tem a ver com apresentação pessoal, o que incluiria vestimenta adequada ao ambiente de trabalho e corte de cabelo, por exemplo, e não com o conceito de bonito ou feio.

De qualquer forma, não se pode negar que a aparência física interfere nas relações afetivas e também nas profissionais.

Discutir  conceito de beleza, em especial o  feminino, é bastante complicado; até delicado. Existe um padrão que domina as passarelas – o das mulheres-cabide -, um padrão que domina as revistas de celebridades – o das mulheres magras e felizes – e um que domina nos programas de auditório e os reality-shows – o das mulheres de bundas e peitos protuberantes.

E existe – graças a Deus – o padrão das mulheres que não estão nas passarelas, nem nas capas de revista, tampouco nos reality-shows: o das mulheres que estão acima do peso, têm celulites, estrias, rugas e afins.

Dependendo da carreira que a mulher pretende seguir, corresponder ao padrão que se exige para aquele segmento pode ser um bom pontapé. Se as modelos de passarela estão ali para acomodar em seus corpos roupas de manequim 36, é óbvio que alguém com mais de 60 quilos não pode chorar ao ser reprovada em um teste de seleção. Se uma empresa quer uma jovem para ser promotora de um produto no supermercado, é claro que uma moça com dentes amarelados e cabelos desgrenhados não será escolhida.

Muitos acham que a beleza facilita as coisas; concordo. Muita hipocrisia dizer que a “casca” não influencia. Se duas mulheres, de currículos e experiência iguais,  participarem de um processo de seleção, é quase certo que aquela que corresponde ao padrão de beleza estabelecido pela sociedade consiga a vaga. Pode ser cruel, mas é um fato.

A mulher que é bonita, mas que tem a cabeça oca, torna-se objeto de desejo e matéria-prima de piadas. A que é bonita e tem conteúdo é alvo de muitos olhares: os homens admiram – e cobiçam até – e as companheiras invejam, às vezes desejando fuzilá-la. Por outro lado, as que não correspondem ao padrão de beleza e são sábias são rotuladas como “intelectuais” e ninguém se importa muito com elas. Por fim, as que não têm uma aparência “interessante” e fazem parte do time das cabeças ocas vão precisar se esforçar ainda mais para conseguir espaço nessa sociedade.

Vinícius de Moraes tem uma célebre frase que atesta a música que serviu de inspiração para esta postagem: “(…) que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental (…)”.

Acho que o poeta exagerou nessa declaração.  A beleza pode até abrir portas, mas somente talento, dedicação e competência irão mantê-las abertas.

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O valor do tempo

O que é possível fazer em 3 minutos? A resposta mais óbvia seria “um miojo!”, mas “uma consulta pelo SUS” também é uma boa opção.

Três minutos de atraso para quem combinou de se encontrar em uma sorveteria no domingo à tarde não significam nada; mas se um professor atrasa 3 minutos para chegar à aula, uma sala com 50 adolescentes pode se tornar o caos.

Em 3 minutos, um eleitor passa pelos mesários, vai ate à urna, cumpre seu papel de cidadão e vai embora, feliz da vida por ter participado da tal festa da democracia; em 3 minutos, um político mal intencionado e bem preparado para conseguir seus objetivos escusos faz um discurso emocionado em frente às câmeras, tão convincente que até os mais incrédulos verterão lágrimas, emocionados com tamanha bondade em um único homem.

Pois é… o tempo é mesmo muito relativo.

Um pedido de casamento pode demorar 5 anos para acontecer; um matrimônio pode durar muito menos. Vinte segundos de  distração no trânsito podem causar uma fatalidade; vinte segundos em um jogo de basquete decidem quem ficará com o ouro.

Para quem espera por um e-mail importante, 10 minutos parecem não passar; para que acorda e vira do lado para mais uma sonequinha, 10 minutos passam voando.

Alguém pode esperar por um grande amor por 10 anos; alguém pode perder um grande amor em muito menos tempo. No obituário, vemos nomes de quem viveu 80 anos e de quem viveu 8 horas.

Milésimos de segundos separam, na Fórmula I, o primeiro do segundo colocado; em pouquíssimo tempo também a euforia de quem espera pelo resultado do vestibular pode se transformar em pânico ao não encontrar seu nome na lista.

Em minutos uma vida pode ser feita; em minutos, dezenas podem se perder.

É assim; o relógio faz sua dança e nós, reféns que somos, dançamos conforme a música. Às vezes temos tempo de sobra e nem sabemos direito o que fazer com ele; às vezes gostaríamos de ter pelo menos 30 horas em cada dia.

E que valor damos ao nosso tempo?

Nessa busca desenfreada por cumprir com nossos compromissos familiares, sociais e profissionais, somos engolidos pela engrenagem que impulsiona os ponteiros.

Um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano. Não importa quanto duram nossos momentos; o mais importante é o valor que damos a eles.

 

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Mais um filho

Bonitinhos, sei que tenho ficado ausente, mais do que deveria, da nossa varanda virtual nas últimos semanas; peço desculpas por isso e hoje quero mostrar a vocês um dos motivos dessa ausência.

Há pouco mais de um ano, no dia 17 de junho de 2011, lancei “Primeira Impressão”, minha estreia na carreira literária. E prometi a mim mesma que não seria escritora de um livro só, afinal, o que mais se vê por aí é cantor de uma música só, atriz de uma novela só e assim por diante.

E, graças a Deus, ao apoio de muitas pessoas e ao meu esforço, no próximo dia 04 de agosto, a partir das 19h, nas Livrarias Curitiba do shopping Catuaí, lançarei “Entre muros e pontes”. Para 2013, se não houver imprevistos, quero publicar “Setembrina”, meu primeiro livro de ficção.

É isso, meus queridos. O blog sempre terá lugar cativo no meu coração, afinal, foi a partir dele que tudo começou a mudar na minha vida. Só queria que entendessem que, em 2010 e 2011, estava com poucas aulas, não tinha a coluna no impresso, não dava palestras, enfim, não tinha os compromissos que tenho hoje (e pelos quais sou muito grata!)

Isso não quer dizer que deixarei de escrever; imaginem. Escrever é preciso, mas interagir também e é isso que sempre me fascinou por aqui.

Vamos continuar mantendo contato, vamos continuar discutindo a partir das minhas inquietações; mas, quando a “dona da casa” não estiver para lhes servir chá com bolinhos, sentem-se um tantinho, apreciem a paisagem, curtam uma musiquinha.

Tenham paciência com a “prô”, ok?

 

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