Mês: dezembro 2012



A mágica do calendário

Não é nenhuma novidade: o programa de TV mostra simpatias, a revista traz previsões, o jornal faz a retrospectiva, as redes sociais são invadidas por mensagens otimistas e as vitrines, pelas roupas brancas.

É famosa “passagem de ano” se aproximando. O momento causa na maioria das pessoas uma sensação quase mágica. É como se o simples fato de mudar a folhinha do calendário se tornasse o pontapé das  grandes transformações da nossa vida. Ledo engano.

Nada vai mudar se não suarmos a camiseta. Ninguém vai emagrecer se continuar comendo feito louco e fugindo das atividades físicas. Ninguém terá ascensão financeira se não investir na sua carreira profissional (a menos que procure caminhos ilícitos, mas aí é outra história). Ninguém vai ser mais feliz na sua vida afetiva se continuar vivendo de lembranças e se esquecer do presente. Ninguém vai a lugar algum se continuar sentado no conforto da poltrona.

E, além do mais, ainda que façamos a nossa parte com louvor, vivemos em coletividade e aí mora o perigo. A violência pode ser reduzida aqui ou acolá, mas continuará marcando presença. Políticos continuarão sendo corruptos. Terremotos, maremotos e vulcões continuarão mostrando sua força.

Por isso não aprecio esta história de alguém me  desejar “votos de um 2013 repleto de paz, saúde e prosperidade”. Primeiro porque a palavra “votos” não me lembra coisa boa e depois porque… vamos combinar? O ano que vem não será “repleto” de paz, muito menos de saúde, tampouco de prosperidade.

“Repleto” quer dizer cheio, lotado, quase transbordando. E, entre o último segundo de 2012 e o primeiro de 2013 não vai acontecer nenhum milagre. A vida vai continuar do mesmo jeitinho. Passaremos por momentos alegres e tristes e isso é um fato.

Eu não peço a Deus um ano “repleto” de coisas boas. Nunca recebi a promessa de uma vida “repleta” de coisas boas. Não nesta trajetória terrena. Só peço que Ele me dê forças para que eu lute contras as intempéries sem perder a fé.

Alguns irão me rotular como “pessimista” por causa deste texto. Outros, como “desmancha prazer”. Fazer o quê… é o preço que posso pagar por não acreditar na mágica do calendário.

 

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A teoria dos invejosos

Li esses dias que a inveja é um mecanismo de  defesa contra a admiração que alguém pode sentir por outra pessoa. É uma definição no mínimo interessante. Além de constar na lista dos sete pecados capitais, esse sentimento é o que mais aparece nas histórias de contos de fadas para justificar o ódio mortal que as vilãs sentem pelas mocinhas.

Há quem não concorde comigo, mas penso que a inveja possua graus diferenciados. Todo mundo um dia já sentiu inveja de alguém. Melhor confessar isso agora, senão, além de invejosos, também seremos tachados de mentirosos.

Inveja da amiga que veste o mesmo número de calça jeans há 10 anos, inveja do vizinho que viajou para Nova Iorque, inveja do parente que ganhou uma promoção no trabalho, inveja da celebridade que vive aparecendo nas festas.

Entretanto, em certas situações, a inveja não chega a ser a mesma que fez a madrasta da Branca de Neve contratar o caçador para mandá-la desta para melhor. Ninguém assumem ser invejoso, é claro, até porque o título não é dos mais valorizados no meio social, mas às vezes pode ser que eu sinta inveja da mulher que cabe na calça jeans porque queira ser como ela, mas não porque eu deseje que a abençoada engorde.

Penso que o pior invejoso seja aquele que, por não ter competência ou condições de fazer algo, morra de raiva de quem consegue. E, além de mascarar sua admiração,deseja que a outra pessoa seja prejudicada. Se fosse o caso da viagem, por exemplo, é quase certo que o invejoso desejaria ardentemente que o avião caísse. Na ida, é claro, que era para o vizinho nem ter o gostinho de conhecer Nova Iorque.

O invejoso sofre e faz sofrer. Ele contamina os ambientes familiares, sociais e profissionais. Ao invés de tentar ser uma pessoa melhor, de  buscar se destacar no que faz, prefere nutrir no seu coração esse sentimento nocivo.  Qualquer pessoa que seja referência na área profissional em que atua, que cative os que a rodeiam – na família, na escola, na igreja,  no trabalho – e/ou que tenham uma aparência bacana pode ser alvo dos invejosos.

E a teoria deles é terrível: “se eu não posso viver o que ele está vivendo, por que ele pode?” E aí chovem as estratégias de perseguição, as chamadas “puxadas de tapete”, que nada mais são senão atitudes vindas dos que alimentam sua alma com a inveja.

Olhar para alguém e apenas desejar ter ou ser aquilo que faz parte da vida alheia pode não ser tão feio assim. Feio mesmo é não só desejar o que é do outro, mas sim desejar que ele perca o que conquistou.

Eu tenho inveja de quem nunca encontrou um invejoso no seu caminho.

 

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Coisas para fazer antes que o mundo acabe

Em tempos de teorias apocalípticas, vou me render ao assunto que está dominando as redes sociais, os programas de TV, as filas de banco, os salões de beleza, as reuniões em família. Hoje vou escrever sobre o fim do mundo. E faço isso agora pela manhã, já que, quem sabe, ele possa acabar depois do almoço.

Mesmo com a correria de fim de ano – e de fim do mundo -, encontrei tempo para fazer uma lista de prioridades para eu dar conta antes que a Terra se desintegre. Se bem que, considerando que não sou deste planeta, as chances de a minha história continuar são grandes. Se  este acabar, volto para o meu.

Aqui vão elas:

1) Dizer “não” a um flanelinha (sempre sonhei com essa cena).

2) Nadar em uma piscina de bolinhas.

3) Brincar na chuva (nunca tive essa experiência e espero que chova antes do apocalipse)

4) Ir para Nova Iorque (mas voltar antes do dia 21, pois é provável que o mundo comece a acabar por lá…)

5) Colocar fogo em Brasília, já que em Roma já colocaram.

6) Comprar 10 pares de sapato de uma vez. Quer dizer, só uma meia dúzia, porque talvez não tenha tempo de usá-los.

7) Conhecer a Martha Medeiros  e dizer a ela o quanto suas palavras foram importantes na minha história.

8) Me graduar em Muay Thai mesmo com apenas 3 meses de treino.

9) Arrumar minhas gavetas. O fim do mundo certamente será mais organizado que elas.

E a mais importante:

10) Esquecer essa bobagem toda de “fim” e pensar no “recomeço”. 

 

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